segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Aldeia de Samil - Caracterização

Localizada na periferia meridional citadina de Bragança, esta pequena freguesia de Samil dista daquela urbe uns escassos três quilómetros, com ligação através da E.N. 217.
A caracterização do seu pouco extenso território aponta, uma vez mais, para uma tipologia planáltica, de pendor pouco acidentado e altitude média a rondar os quinhentos metros. No seu aro residirão actualmente cerca de mil almas, o que a tornará numa das mais populosas freguesias brigantinas. Em termos económicos, Samil enquadrar-se-à um regime essencialmente primário – agricultura e pecuária – se bem que complementado por alguma actividade industrial (quase exclusivamente do sector da construção civil) e comercial, praticada em pequena escala num e noutro caso.
Reconhecido já nos finais do século passado como local de assento de um povoado fortificado castrejo, o lugar de Castrilhão demostraria então, ainda bem visíveis, alguns restos de estruturas pétreas defendidas e numeroso espólio cerâmico, algum dele recolhido nessa mesma altura por Albino Pereira Lopo.
O povoado, assente sobre uma colina, envolveria uma considerável área habitacional protegida, no seu perímetro, por uma sólida muralha em pedra de formato mais ou menos circular, completada exteriormente por um profundo fosso. Em dado trecho deste último ergue-se o vetusto “Castanheiro do Senhor”, espécime arbóreo de considerável porte e ancianiade, recordado na tradição popular pela sua ligação ao folclore “mourisco” local. É assim perpetuada a crença de que a secular árvore marcará o local de uma grande e oculta cisterna, povoada por umas quantas mouras encantadas, pacientes tecelãs de meríficos teares de ouro, engenhos que se “ouvem” a trabalhar nos dias de S. João...
Nas imediações deste Castro de Samil há outro interesse testemunho arqueológico, possivelmente também proto-histórico: trata-se da denominada “Fraga do Selvage” (sic), já referenciada em antigos documentos. É pretensão de alguns etimologistas que o topónimo Samil faça mergulhar suas raízes em um antropónimo de suposta origem germânica – “Aemilius”, que deu “Emílio” – pressupondo-se assim a sua raíz alti- medieval, de época suevo-visigótica.
Também do período medieval, mas mais plausivelmente respeitante à época da reconquista cristã (séculos IX a XII), será a sepultura escavada na rocha existente no sítio conhecido pela curiosíssima designação de Martim Cansado. Santa Maria (depois N. Sra. da Assunção) de Samil foi outrora um simples curato anexo à vizinha Santa Maria de Bragança.
O actual templo paroquial, amplo e de agradável traça, destaca-se do casario envolvente mercê de uma posição ligeiramente sobrelevada.
De formosa e equilibrada traça, a um gosto que se nos afigurará de um comedido barroco setecentista, é a Capela de Cabeça Boa. Uma pequena fonte encapelada, ornamentada com dois fogaréus de pequena cruz de granito, é também um real valor do património edificado local, onde se inclui ainda uma pequena ponte de cantaria de arco único.
Tradições
Na freguesia de Samil, as tradições evidenciam um carácter religioso da sua população, manifestando-se em festas e Romarias em honra dos seus santos devotos.
Os jogos tradicionais ainda são praticados nesta freguesia, particularmente aos fins-de semana e nos dias de festa. Para além de proporcionarem o convívio, os jogos são também uma forma de preservar e divulgar tradições que tendem a desaparecer com o tempo. Os jogos que mais se praticam nesta freguesia são: o Fito, Relha e Ferro.

in:cm-braganca.pt

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