quinta-feira, 29 de junho de 2017

António Augusto Rodrigues

Doutor em teologia pela Universidade de Coimbra, professor de ciências eclesiásticas no Seminário de Bragança e também, por algum tempo, interino, no liceu da mesma cidade, vice-reitor do Seminário e governador do bispado por muitos anos. Nasceu em Bragança a 1 de Março de 1839; filho de Domingos Manuel Rodrigues e de D. Clara Maria Gonçalves. Faleceu em Coimbra a 7 de Janeiro de 1930, vindo o seu cadáver a sepultar-se a Bragança. Em 21 de Outubro de 1869 foi nomeado professor de ciências eclesiásticas no Seminário de Bragança, onde regeu diversas cadeiras até 16 de Abril de 1890, em que se despediu para ir tomar posse duma cadeira de cónego na Sé de Viseu, onde fora apresentado por decreto de 5 de Dezembro de 1889.
Era tal a vastidão dos seus conhecimentos, que nós, que tivemos a dita de ser seu discípulo, o vimos com inexcedível competência reger as mais variadas disciplinas sempre com a competência dos mais distintos. Impossibilitava-se o professor de matemática, filosofia, francês, latim, ciências naturais, literatura ou qualquer das de teologia, inclusivamente o de ritos e cantochão, e logo no outro dia era certo na aula o governador, como nós lhe chamávamos por antonomásia.
O seguinte facto traduz claramente o que levamos dito. É sabido que a filosofia escolástica, conquanto não seja ciência nova, tinha caído em desuso, sendo depois restabelecida a instâncias do papa Leão XIII, e tendo fórmulas e tecnologia especial, só aos que a estudam cuidadosamente é dado argumentar, segundo o sistema nela usado. Pois no ano em que se criou esta cadeira em Bragança, na ocasião de se constituírem as mesas para o exame dos alunos desta disciplina, foi subitamente assaltado por um dos frequentes ataques a que era atreito, e que por último o prostraram, o respectivo professor, cónego José António Franco; o governador, como vice-reitor do Seminário, mandou chamar outro examinador de entre o restante corpo docente; tudo se recusou; e então ele, para que o serviço de exames não se interrompesse, foi servir de examinador, deixando tudo assombrado pelo vigor do raciocínio em forma silogística e fácil exposição técnica, chegando mesmo a dar no latim de S. Tomás as próprias definições! E tinha tal método de ensinar, que os rapazes, embora nada tivessem estudado da lição, haviam de forçosamente ficar a sabê-la ao sair da aula, ainda que não quisessem.
Em fins de Junho de 1900 foi nomeado cónego da Sé de Braga, de cuja cadeira tomou posse a 26 de Setembro seguinte.
A sua saída de Viseu, onde foi vigário-geral, revestiu as proporções de um acontecimento; à gare do caminho-de-ferro foi despedir-se dele quanto havia de digno naquela cidade: pessoas do mundo oficial e burocrático, o clero, os seus numerosos protegidos e os artistas enchiam a estação. Os jornais da terra – Liberdade, Folha e Comércio de Viseu – fizeram elogiosas referências ao digno sacerdote, que, pelo seu saber profundo, sólida virtude e excelentes dotes de coração, aí, como depois em Braga e antes em Bragança, soube cativar a estima de quantos o conheciam. Já em 11 de Setembro de 1896 a mesma cidade de Viseu havia significado ao cónego Rodrigues, com uma brilhante recepção no seu regresso de Bragança, onde viera de visita à sua família, quanto apreciava as suas brilhantes qualidades. Os jornais ao tempo publicados em Viseu pormenorizaram largamente essa recepção.
António A. Rodrigues foi em Coimbra um estudante distinto, obtendo o segundo accessit no seu segundo ano de teologia em 1863 e igual classificação no ano seguinte.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

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