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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Tojos: arbustos espinhosos com uma história evolutiva surpreendente

Um estudo agora publicado na revista Annals of Botany conclui que a distribuição geográfica atual dos tojos do género Stauracanthus – arbustos espinhosos que ocorrem nas dunas interiores das praias portuguesas – se deve a acontecimentos geológicos de grande escala ocorridos no Mar Mediterrâneo há cerca de cinco milhões de anos. 

Da próxima vez que for à praia, olhe com atenção para as dunas mais interiores. É provável que lá encontre alguns dos protagonistas desta história – os tojos: arbustos espinhosos do género Stauracanthus, que habitam as zonas áridas próximas do mar no sudoeste da Península Ibérica e no Norte de África.

As três espécies que integram este género ocorrem em diferentes tipos de solo: S. boivinii (tojo-gatum) prefere áreas com areias grossas; enquanto S. genistoides (tojo-manso), que suporta verões mais secos, e S. spectabilis (tojo-chamusco), adaptada a verões mais suaves, crescem sobre dunas de areias finas. As razões por detrás da distribuição geográfica destas espécies, e a forma como elas surgiram e evoluíram, eram até agora pouco conhecidas. O estudo agora publicado revela que a origem pode estar em acontecimentos geológicos de grande escala ocorridos no Mar Mediterrâneo há mais de cinco milhões de anos.

Os investigadores utilizaram modelos computacionais para melhor determinar a distribuição geográfica das espécies na Península Ibérica, e estudaram análises genéticas de populações das três espécies para estudar como ocorreu o processo de especiação – ou seja, como surgiram e evoluíram estas espécies. Sergio Chozas, investigador do cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais e primeiro autor do estudo, explica: “Ao longo de milhares de anos, diferentes indivíduos de uma população foram-se adaptando a diferentes condições climáticas e solos, isolando-se reprodutivamente até, finalmente, constituírem as três espécies que conhecemos hoje”.

Foi no âmbito das complexas flutuações ambientais e geológicas que ocorreram no Mediterrâneo ocidental entre o Mioceno e o Pleistoceno (há entre 20 milhões de anos e 100 000 anos) que o processo de especiação se desenvolveu. “Há cerca de cinco milhões de anos grande parte do Mar Mediterrâneo secou, naquilo a que se chama Crise de Salinidade Messiniana, o que aumentou a aridez nesta região e reduziu e fragmentou a área de distribuição dos ancestrais destas espécies. A posterior abertura do Estreito de Gibraltar, no fim do Mioceno, suavizou as condições climáticas e permitiu a recolonização da região, já como espécies diferenciadas”, explica Sergio Chozas.

Estes tojos têm um papel fundamental nos habitats onde ocorrem: além de fixarem o azoto atmosférico no solo e a areia nas dunas, ao promoverem o aumento de matéria orgânica no solo permitem também o desenvolvimento de comunidades mais complexas. A espécie S. spectabilis, adaptada a verões mais suaves e com uma menor área geográfica de distribuição, é a que apresenta um maior perigo de extinção face aos efeitos das alterações climáticas. “Se as previsões relativas às alterações climáticas para Portugal se confirmarem – aumento das temperaturas e diminuição drástica das precipitações de primavera e verão – é previsível que no futuro a área de ocorrência de S. genistoides aumente significativamente, enquanto a de S. spectabilis fique limitada as áreas mais atlântica do sudoeste alentejano”, refere Sergio Chozas. “Futuramente, gostaríamos de alargar o nosso estudo genético às populações de S. genistoides que ocorrem ao Norte do rio Tejo e ao longo da sua vazia até quase a fronteira com Espanha, por forma de perceber a origem e dispersão destas populações”, conclui o investigador.

Referência do artigo: S. Chozas, R.M. Chefaoui, O. Correia, R. Bonal y J. Hortal (2017) Annals of Botany Environmental niche divergence among three dune shrub sister species with parapatric distributions. DOI: 10.1093/aob/mcx004 

Marta Daniela Santos - Gabinete de Comunicação do cE3c - Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais
Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva
in:noticiasdonordeste.pt

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