Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Cinquenta anos

Por: José Mário Leite
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

 Há quem queira fazer das próximas Eleições Legislativas um referendo/plebiscito aos últimos cinquenta anos da nossa Democracia relevando para o efeito todos os defeitos, moléstias, faltas e vícios que, sem dúvida enfermaram a gestão da coisa pública neste meio-século passado. Fazê-lo desta forma, com o mais descarado despudor, sem mais, só pode ser promovido por quem, tendo pouco amor à realidade e à verdade dos factos pretenda enganar, iludir e defraudar aqueles a quem pede apoio e um perigoso cheque em branco para mero interesse pessoal ou, pior, para prosseguir obscuros e perigosos intentos.

Para os da minha geração, basta fazer apelo à memória, os mais novos precisam apenas de procurar informação fiável, sustentada em factos comprovados e irrefutáveis. Quem, censurando as várias lideranças que, melhor ou pior, estiveram à frente dos destinos lusitanos, pede uma oportunidade para fazer mais e melhor, acenando com políticas, processos e ideologias que apontam para um tempo, anterior a estes cinquenta anos de liberdade e progresso, mau grado todos os fracassos, falhas e deslizes existentes e que não se pode, nem é preciso, ignorar, deveria explicar se o caminho passa mesmo por um regresso a uma época em que Portugal ocupava a retaguarda da Europa em vários aspetos da vida comum onde a pobreza atingia uma franja enorme da população portuguesa com especial incidência nas zonas rurais e nos subúrbios das grandes cidades onde a fuga à pobreza daqueles que à nascença, não tinham sido bafejados por uma abundância rara, por cá, apesar de generalizada além fronteiras, apenas era possível atravessando fronteiras a salto ou embarcando para o outro lado do mar.

No tempo para onde alguns, saudosamente, nos querem arrastar, embora não fosse público havia corrupção e compadrio. Não é possível garantir que era maior ou menor porque nessa altura não havia direito à informação e muito menos era possível qualquer escrutínio. Mas não só. Nessa era de má memória, tínhamos os rios mais poluídos da Europa, não havia qualquer tratamento de lixo e os esgotos a céu aberto abundavam. Hoje as redes canalizadas de água e esgotos estão disponíveis para a quase totalidade da população. Então, eram raras as mulheres a quem era proporcionado o parto nos hospitais ao mesmo tempo que a mortalidade infantil atingia percentagens terceiro-mundistas. O risco de pobreza era enorme e endémica. Uma criança nascida no seio de uma família pobre, dificilmente tinha qualquer oportunidade de romper com esse ciclo, sobretudo porque o acesso à educação, o melhor elevador social, era deficiente. Apesar de, em 1974 já estar institucionalizado o ensino básico universal, apenas 83% o frequentavam, não havia, na prática, pré-escolar e só 5% concluía o ensino secundário, sendo hoje completado por 88% dos jovens.

Muito mais poderia ser dito sobre a enorme evolução feita ao longo destes cinquenta anos, apesar dos problemas ainda existentes, da necessidade de melhorar muitos índices, apoiar muitas famílias e, sobretudo crianças e jovens e de fazer um combate constante e sem quartel à corrupção, compadrio e tráfico de influências.

Há caminho para andar, sem dúvida. Mas na sequência do trilhado até agora. Os que, renegando esse legado, pedindo um voto de confiança para nos transportarem para uma nova era, terão de, primeiro, dizer que trajeto alternativo teriam feito e, principalmente, que mudança de sentido querem imprimir, para serem tão diferentes que sejam verdadeiramente credores da oportunidade que suplicam.


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

Sem comentários:

Enviar um comentário