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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 1 de março de 2026

É urgente equipar as Juntas de Freguesia


 O Concelho de Bragança caracteriza-se pela dispersão geográfica, pelo envelhecimento demográfico e pela distância crescente entre os cidadãos e os serviços públicos, as juntas de freguesia do concelho de Bragança assumem uma importância estratégica que não pode continuar subvalorizada. Durante décadas foram vistas, e são, como estruturas pequenas, próximas das pessoas, mas limitadas na sua capacidade de ação. Hoje, porém, são chamadas a desempenhar um papel muito mais amplo, o de porta de entrada para o mundo digital, o de ponto de apoio ao cidadão e o de ponte entre as aldeias e o resto do país, e até do mundo.

Para que isso aconteça, é indispensável que as juntas de freguesia estejam equipadas com meios informáticos modernos, fiáveis e adaptados às necessidades reais das populações. Computadores atualizados, internet de qualidade, scanners, impressoras, software simples e seguro, plataformas de atendimento digital assistido. Não se trata de luxo, trata-se de garantir igualdade de acesso, dignidade e inclusão. É assim que se combate o isolamento tecnológico que hoje, mais do que nunca, aprofunda desigualdades. E, ao fim e ao cabo, em termos de custos… só são menos uns foguetes nas Festas da Cidade… há que ter a coragem de traçar prioridades!

Num concelho como o de Bragança, com dezenas de freguesias e lugares onde a desertificação já se faz sentir de forma dramática, a junta de freguesia tem de funcionar como um verdadeiro balcão de proximidade. Um local onde qualquer cidadão possa, com apoio, fazer aquilo que as estruturas públicas já quase não permitem fazer presencialmente:

– contactar a Câmara Municipal ou submeter pedidos e requerimentos;
– tratar de assuntos junto da Autoridade Tributária, Segurança Social ou outros organismos;
– aceder ao netbanco com segurança e acompanhamento, reduzindo riscos e receios;
– comunicar com filhos, netos, familiares e amigos espalhados pela diáspora, seja por email, videochamada ou troca de documentos;
– tratar de assuntos relacionados com saúde digital, como marcação de consultas e acesso a exames;
– aceder a formação básica digital que permita aumentar a autonomia.

A tecnologia, nas freguesias, não substitui ninguém, só amplia capacidades. O propósito não é transformar pessoas em especialistas informáticos, mas dar ferramentas a quem, sem estas estruturas, ficará totalmente excluído. Os mais idosos, os que não têm internet em casa, nem sabem o que é, os que vivem sozinhos, os que não dominam as plataformas digitais, todos merecem o mesmo acesso que alguém que vive no centro da cidade com recursos próprios. O concelho só é verdadeiramente coeso quando isso é garantido.

Defender que cada junta de freguesia deve estar equipada com meios informáticos adequados não é uma visão moderna ou futurista, hoje em dia é uma necessidade básica. E não basta ter computadores desligados numa sala. É preciso ter funcionamento, apoio, horários adequados, formação mínima de funcionários e protocolos claros com entidades públicas e privadas que permitam atendimento assistido com segurança.

As juntas de freguesia não podem continuar a ser tratadas como meras “figuras de estilo”, estruturas simbólicas destinadas apenas a emitir atestados ou organizar pequenas tarefas administrativas e umas comezainas de javali. Essa visão é curta, injusta e contrária ao interesse da própria região. Numa época em que muitos serviços se centralizam, em que os bancos encerram balcões, em que as repartições públicas desaparecem do interior e em que quase tudo se resolve através da internet, a junta de freguesia deve ser o último reduto da proximidade e não o último elo da cadeia.

A senhora idosa que antes tinha de apanhar vários transportes para tratar de um simples documento, Poderá resolver o assunto na sua terra. O emigrante que vive na Suíça consegue enviar documentos aos pais com facilidade. O agricultor esclarece dúvidas com a Câmara Municipal sem perder dois dias de trabalho. O banco deixa de ser um obstáculo. Os serviços do Estado tornam-se acessíveis. A própria freguesia ganha vida, utilidade e dignidade.

Num concelho como Bragança, onde todas as aldeias têm que contar, onde cada habitante é um monumento contra o abandono, onde cada serviço é uma âncora que ajuda a fixar pessoas, o papel das juntas é absolutamente central. Dar meios informáticos às freguesias é dar futuro às comunidades.

E, se queremos que o interior seja realmente uma prioridade e não apenas uma promessa repetida, então este é um dos passos mais importantes, mais simples e mais urgentes que podemos dar.

Reduzir o supérfluo, que existe, na sede do município e apostar nos recursos tecnológicos e humanos nas Freguesias tem que ser uma prioridade.

Se não houver coragem para o fazer… é mais uma mão de terra atirada para a cova da nossa área rural!

HM
Março de 2026