(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)
Estou aqui à tua espera poesia… nesta folha em branco que esmorece na ausência do poema.
Hoje que a Primavera chega, não encontro palavras de novidade. As andorinhas bem teimam na ponta da asa… em riscar a tarde branca… mas o branco é o desejo da amendoeira que talvez pudesse ser a poesia…
Não adianta… o poema abandonou-me no dia de todos os poemas.
Escrevo só para que a palavra não morra antes da poesia… e junto o amarelo dos arbustos que ostensivamente agarram a primavera… enquanto espero os goivos que cheiram a flores… ou talvez a arroz doce e a canela.
… e o meu poema é esta ausência da poesia que se atreve a procurar, no segredo do botão de rosa, a rosa que se desfolhou… na melancolia do soneto escarlate… onde a boca é sempre o beijo… e há borboletas …
Talvez as cerejas… talvez pudessem ser o poema… das tardes longas… do vermelho…
… mas não… as cerejas são somente água doce… à mistura com a soalheira do Verão!
… assim como a seara é somente o vento… ou talvez pão!
… não vale a pena tentar… o poema ficou junto ao poço da nossa horta… onde havia morangos e as rãs esperavam a noite para cantar!
… o poema se perdeu!
… Pai-nosso que estais no céu!
Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança.
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

























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