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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 18 de março de 2026

E a voz dos que não tem voz?

Por: Jorge Oliveira Novo
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 O contributo pessoal não é despiciendo na construção de uma sociedade democrática fundada na promoção da justiça, do bem comum e da dignidade da pessoa, na vida pessoal e familiar e no mundo do trabalho, da educação, da cultura, enfim, nos diversos âmbitos do existir humano.

Atentos aos problemas da vida contemporânea portuguesa, também os cristãos e a Igreja, não relegando para um plano secundário, pelo contrário, a função eminentemente espiritual da proposta cristã, não podem deixar, contudo, de estarem comprometidos com as questões emergentes e outras pungentes da nossa vida social.

A busca de uma espiritualidade conformada a um bem-estar íntimo e intimista, sossegado, em ambiente zen, desligado do mundo, como se se tratasse de um assunto privado, sem as necessárias implicações históricas e sociais que ela tem, não se coaduna com a mensagem radical e inovadora do cristianismo.

Assim, a rarefação da presença e ação de muitas mulheres e muitos homens cristãos na vida pública, dos órgãos políticos e suas decisões, dos grandes areópagos modernos e da generalidade da imprensa, dos tribunais, das universidades e das escolas, das empresas e dos bancos, da literatura, da música, do cinema, do teatro, etc, é um sintoma preocupante na Igreja portuguesa.

Não que se queira desvalorizar o papel de outras pessoas que não são cristãs, mas tão só de afirmar que não se pode ser cristão e não estar comprometido com o desenvolvimento e evolução do país onde se vive, não estar comprometido com a justiça, com a verdade, com a igualdade e, aqui, especialmente, com os mais pobres.

A escolha preferencial pelos sem voz nem vez, pelos mais pobres, remonta ao próprio Jesus Cristo e claramente ressoa nos textos dos primórdios cristãos.

Como resume a 1.ª Carta de São João (1 Jo 4,20): «Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas não amar o seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê».

Deste modo entendida, a condição cristã e eclesial é pensar que não há nada a fazer perante a compra da “ética” e da personalidade, a falta de democraticidade, a ausência de apresentação de contas e de avaliação, as teias de interesses instalados, as cunhas e os favorzinhos, os secretismos de decisões que nos afetam a todos em gabinetes bem decorados e em almoços bem regados?

É possível ficar indiferente à indignação com tantos que conseguem fugir à justiça, com excelentes advogados pagos pelos nossos impostos, e outros tantos corruptos, que prejudicam imenso a nossa vida social e que até foram e são eleitos?

O Cristianismo que recebe do Evangelho a sua vitalidade e que não se circunscreve a nenhum partido, tem, no entanto, de ser palavra e ação transformadoras, como fermento colocado na massa, introduzindo em todas as dimensões pessoais e sociais uma tensão de verdade, de justiça, de amor e fraternidade. É esse o seu sonho!

O nosso país, tal é a escuridão em que nos temos vindo a deixar mergulhar, está sedento de esperança e de luz, de determinação ética e compromisso, especialmente neste dealbar do fim desta pandemia também necessita que os cristãos e a Igreja também se empenhem e sejam uma ação e uma voz profética, enérgica e vigorosa, reconhecida e autorizada, para as apresentar e as ajudar a tornar realidade.

Como referiu Jürgen Moltmann, num dos mais belos e inabaláveis manifestos à esperança, «o Cristianismo é escatologia; é esperança, visão e orientação para diante, e é também, em si mesmo, abertura e transformação do presente».

Jorge Manuel Esteves de Oliveira Novo (Professor)

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