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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Não "Marchava" agora uma Alheira?

Foram inventadas pelos judeus como artimanha para escaparem às malhas da Inquisição.
Como a sua religião os impedia de comerem carne de porco, eram facilmente identificáveis pelos seus perseguidores pelo facto de não fazerem nem fumarem os habituais enchidos de porco.
Assim, substituíram a carne de porco por uma imensa variedade de carnes, que incluía vitela, coelho, peru, pato galinha e por vezes perdiz, envolvidos por uma massa de pão que lhes conferia consistência.
A receita acabaria por se popularizar entre os cristãos, mas estes juntavam-lhe a omnipresente carne de porco.
Vamos lá então, fazer umas alheiras:
Ingredientes:
1 kg de peru
1 kg de vitela
1 galinha gorda
2 kg de carne entremeada da parte da cabeça do porco
10 dentes de alho
4,5 kg de pão de trigo
1 l de azeite
2 malaguetas
cerca de 200 g de colorau
Sal
Numa panela com água temperada com sal, três dentes de alho e as malaguetas picadas, põem-se as carnes bem lavadas, para cozerem. Quando as carnes estiverem cozidas, desfiam-se e cortam-se aos bocadinhos. O caldo volta ao lume. Para uma caldeira, corta-se o pão às fatias finas, escalda-se com o caldo a ferver, passado por um passador de rede. Tapa-se para abeberar. Depois colocam-se as carnes, por cima os restantes dentes de alho picados e o colorau. Rega-se com o azeite bem quente. Mexe-se bem com uma colher de pau e enchem-se as tripas de vaca, bem lavadas. Atam-se dos dois lados, dando dois nós; dá-se um nó, depois volta-se a tripa e dá-se outro. Deixam-se cerca de quinze centímetros de fio, para enfiar a vara no fumeiro. Lavam-se em água tépida e põem-se no fumeiro, onde ficam durante cerca de um mês. Cozinham-se de preferência assadas nas brasas, em lume muito brando. Previamente devem ser picadas com uma agulha, enquanto assam, para evitar o rebentamento. Servem-se, por exemplo, com grelos e batatas cozidas.

sábado, 18 de setembro de 2010

Andrea Bocelli & Sarah Brightman - Time To Say Goodbye


A Castanha

Com o Outono chegam as castanhas assadas. Sabia que as castanhas, que actualmente são quase um pitéu, tiveram, noutros tempos, uma enorme importância na dieta dos portugueses? No século XVII, eram mesmo um dos produtos básicos da alimentação dos transmontanos, chegando, se necessário, a substituir o pão ou as batatas.
A castanha é usada na alimentação desde tempos pré-históricos e a respectiva árvore - Castanea sativa - foi introduzida na Europa há cerca de três mil anos. Contudo, no livro de Jorge Lage, "Castanea...", no sub-capítulo, "O castanheiro em Portugal", na página 35, ao citar o mais importante botânico nacional vivo, Prof. Jorge Paiva, refere-se que os estudos polínicos levados a cabo na Serra da Estrela provam o contrário, apontando para uma data bem mais recuada, e hoje é considerada uma árvore autóctone.
A castanha que comemos é, de facto, uma semente que surge no interior de um ouriço (o fruto do castanheiro). Mas, embora seja uma semente como as nozes, tem muito menos gordura e muito mais amido (um hidrato de carbono), o que lhe dá outras possibilidades de uso na alimentação. As castanhas têm mesmo cerca do dobro da percentagem de amido das batatas. São também ricas em vitaminas C e B6 e uma boa fonte potássio.
As castanhas são comidas assadas ou cozidas com erva-doce. Mas, antes de cozinhadas, deve-se retalhar a casca. Como se pode ver no quadro, têm bastante água e, quando são aquecidas, essa água passa a vapor. A pressão do vapor vai aumentando e "empurrando" a casca e, se esta não tiver levado um golpe, a castanha pode explodir.
O amido é uma reserva de energia das plantas e existe, sobretudo, nas raízes e nas sementes. Surge com uma estrutura coesa e organizada, com zonas cristalinas e outras amorfas, chamada grânulo.
Quando cozinhamos alimentos com elevadas percentagens de amido um dos objectivos é torná-los digeríveis. A frio, a estrutura do amido mantém-se inalterada. Mas, quando é aquecido na presença de água (e a castanha contém água na sua constituição), grandes modificações ocorrem. A energia térmica introduzida enfraquece as ligações entre as moléculas do amido, a estrutura granular "relaxa" e alguma água penetra no interior dos grânulos, que incham, formando um complexo gelatinoso com a água. É isto o que acontece quando cozinhamos castanhas e lhes altera a textura.
Existem várias espécies de castanha. Em Bragança as mais comuns são a camarinha, a judia, e a longal ou enxerta.
A castanha tem aplicações na medicina. As folhas, a casca, as flores e o fruto têm sido utilizados devido às suas propriedades curativas e profiláticas, adstringentes, sedativas, tónicas, vitamínicas, remineralizantes e estomáquicas.
Pelo seu valor nutritivo e energético, era utiliza outrora em vários estados de mal-estar e doença. É também tónica, estimulante cerebral e sexual, anti-anémica (castanha crua), anticéptica e revitalizante. Para afinar as cordas vocais e debelar a faringite e a tosse nada melhor do que gargarejos com infusão de folhas de castanheiro ou de ouriços.
A castanha constitui um tema para ditos, lengalengas, canções, quadras e contos populares, sobretudo no Nordeste Transmontano.
As castanhas assadas e descascadas ou peladas tomam o nome de bilhós (bullós em galego).
A história de S. Martinho:

Diz a lenda que Martinho, nascido na Hungria em 316, era um soldado. Era filho de um soldado romano. O seu nome foi-lhe dado em homenagem a Marte, o Deus da Guerra e protector dos soldados. Aos 15 anos vai para Pavia (Itália). Em França abraçou a vida sacerdotal, sendo famoso como pregador. Foi bispo de Tous.
Certo dia de Novembro, muito frio e chuvoso, estando em França ao serviço do Imperador, ia Martinho no seu cavalo a caminho da cidade de Amiens quando, de repente, começou uma terrível tempestade. A certa altura surgiu à beira da estrada um pobre homem a pedir esmola.
Como nada tivesse, Martinho, sem hesitar, pegou na espada e cortou a sua capa de soldado ao meio, dando uma das metades ao pobre para que este se protegesse do frio. Nessa altura a chuva parou e o Sol começou a brilhar, ficando, inexplicavelmente, um tempo quase de Verão.
Daí que esperemos, todos os anos, o Verão de S. Martinho. E a verdade é que S. Martinho raramente nos decepciona. Em sua homenagem, comemoramos o dia 11 Novembro com as primeiras castanhas do ano, acompanhadas de vinho novo. É o Magusto, que faz parte das tradições do nosso país.
Mais tarde terá tido uma visão de Jesus e decidiu dedicar-se à religião cristã. Faleceu a 8 de Novembro de 397 em Tours.
O Magusto é uma festa popular, as formas de celebração divergem um pouco consoante as tradições regionais. Grupos de amigos e famílias juntam-se à volta de uma fogueira onde se assam as castanhas para comer, bebe-se a jeropiga, água-pé ou vinho novo, fazem-se brincadeiras, as pessoas enfarruscam-se com as cinzas, cantam-se cantigas. O magusto realiza-se em datas festivas: no dia de São Simão, no dia de Todos-os-Santos ou no dia São Martinho. Inúmeras celebrações ocorrem não só por Portugal inteiro mas também na Galiza e nas Astúrias.
Leite de Vasconcelos considerava o magusto como o vestígio dum antigo sacrifício em honra dos mortos e refere que em Barqueiros era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer; ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babada dos defuntos”.
O tema das castanhas está presente na literatura, nomeadamente em Plínio, Virgílio, Camões, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Aquilino Ribeiro, Miguel Torga, Virgílio Ferreira, António Cabral, Vasco Graça Moura, etc.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Crido Deário - O Futuro da Escola

29 de Junho de 2009

paçei o 5º anuh. A p*ta da stora de mat, k é a nossa dt, n m kria deixar paçar pk eu tnh nega a td menus a ginástica, pk jogo bem há bola, e o crl... mas a gaija f*deu-se puke a ministra da idukaxão mandou dizer ao ppl k penxam q mandam aí nas xkolas masé pa baixarem os kornos k tds os socios com menos de 12 anus teiem de paçar... axu bem.

29 de Junho de 2010

passei o 6º anuh. ainda bem q ainda n fiz 13 anus, q ódpx podia n passar, qesta cena de passar com buéda negas é só até aos 12...f*da-se, fiquei buéda f*dido na m*rda deste ano, e ó c*ralho, o pan*leiro do stor d educassão física deu-me a m*rda do 2... assim tive nega a tudo... ainda bem q a ministra da iduqaxão é porreira, ela é qé uma sócia sbem: a xqola n serve pa nada, é uma seca. tive q aprender que os K's se escrevem Q, qomo em "xqola" e não "xkola", e que "passar" não é qom Ç... a xqola é porreira só pa qurtir qas damas qd gente se balda...

29 de Junho de 2011

Passei o 7º ano. Exte anuh ia chumbando pq tive nega a qase td menos a área de projetuh, mas aqela cena tb é facil, n se fax nd... Exte anuh a dt disseme q eu passava pq tinha aprendido qas fraxex qomexam qom letra maiúscula e pq m abituei a exqrever qom Q em vez de K, tipuh agora ja xei xqrever "eu qomo qogumelos qom quentruhs" em vez de "eu komo kogumelos kom kuentruhs". É fixolas, pode xer qum dia venha a ser um gamela famôzo...

29 de Junho de 2013

Passei o 9º ano. Foi buéda fácil, pqu a prof paxou-me logo. Fui ao quadro xqurever uma sena em qu dezia tipuh "aquela janela", e eu exqurevi "aqela janela", pqu dixeram-me qu n se xkqureve "akela", é quom Q e não quom K. Mas a profs desatinou quomiguh e dixe qu eu tnh qu pôr o U à frente do Q... Pur ixu exte anuh aprendi qu o Q leva U à frente. No próximuh anuh é o 10º, vou pá sequndária...

29 de Junho de 2014

Aquabei o 10º ano. Não foi muituh difícil só tive que aprender-mos a não exqureverem quom aberviaturas purque nem todas as palavras xe puderam aberviar mas ixtu foi uma bequa para o quompliquado purque quom esta sena do QU em vex de K e das aberviaturas exqueceramme de quomo é que se faxião os verbuhs nos tempuhs e nas pexoas, ou lá o que é... Mas a prof disse tass bem que no prócimo anuh a gente vê ixu.

29 de Junho de 2015

Passou o 11º ano. Foi mais fácil que o 10º. Aprendi que as frases devem ser mais qurtax. E aprendi também que "ano" não esqureve "anuh". Axo que no prócimo ano vai ser mais difícil. Purque a xeguir é a faquldade.

29 de Junho de 2016

Acabou o 12º. Fiquei buéda confuso porque tive de aprender a diferenxa entre usar o QU e o C, tipo "esCrever" e não "esQUrever". Quando eu usava o K era buéda mais fácil... A prof de português é buéda religiosa e anda a ouvir vozes de deus, porque dixe-me que eu não merexia passar, mas "xão ordens lá de xima"...

29 de Junho de 2017

Já fiz o primeiro ano da faculdade. Estou em ingenharia cevil na universidade lusófona. Tive um stor buéda mal iducado que me disse que eu era um ignorante porque às vezes escrevia com X em vez de CH, S ou C. Mas o meu pai veio cá com uma moca de rio maior e chegou-lhe a rôpa ao pelo. E depois fomos fazer queixa do gajo e a ministra despediu-o porque o gajo, não sei quê, parece que quis vir estragar aqui um muro nosso. Mas não sei essas senas. O meu pai é que me explicou uma cena qualquer de "danos murais"... O que é bom é que a ministra da iducação continua a mandar aqui nestes sócios da faculdade para eles não levantarem a garimpa contra nós.

29 de Junho de 2019

Acabei a minha licenciatura porque a ministra da iducação disse que tinhamos que passar sempre mesmo que não tivessemos notas, para não ficarmos astigmatizados. Acho que é uma cena que dá nos olhos quando se estuda muito. Agora vou fazer um mestrado e disseram-me que, quando acabar, vou ficar mestre. Eu quero ser de Kung-Fu.

29 de Junho de 2021

Já sou mestre. Afinal não sou de Kung Fu, sou de engenharia cevil. Os meus profs disseram que eu não devia estar em mestrado porque ainda não estava preparado, mas eu disse que o meu pai tinha uma moca de rio maior e que era amigo da ministra e já tinha mandado um bacano da laia deles para a rua e eles calaramsse. Agora vou fazer um doutoramento, porque a ministra da iducação diz que se não deixarem um aluno fazer o doutoramento só por causa das notas, ele fica com a auto-estima em baixo e isso perjudica a aprendizajem.

29 de Junho de 2023

Sou doutor. O meu orientador da tese ficou muito satisfeito porque eu já não dou erros ortográficos: ao longo destes dois anos, aprendi a escrever "engenharia civil" em vez de "ingenharia cevil" e também porque aprendi que a ministra é da "educação" e não da "iducação", mas lê-se assim. Entretantos casei. A minha dama chama-se Sónia e os pais dela ficaram muito felizes por ela ir casar com um doutor em engenharia civil. Ela não sabe ler nem escrever: só fez até ao 2º ano da licenciatura e depois foi trabalhar para o Minipreço. Já tá grávida.

29 de Outubro de 2023

Nasceu o meu filho! Chamei-lhe Júnior porque ele é mais novo que eu.

29 de Agosto de 2029

O Júnior vai fazer 6 anos daqui a 2 meses. Devia entrar para a escola este ano, mas estive a pensar muito bem e não o vou pôr na escola. Ele não precisa daquilo para nada, aprende em casa. Eu ensino-lhe a ler, que sou doutor, e a mãe ensina-lhe a fazer contas, que é caixa no Minipreço. A escola não vale nada. Acho que o sistema de ensino hoje em dia é uma m*rda. No meu tempo é que era bom.

Há Sempre Alguém a Ganhar com os Burros

Os burros, o mercado de acções e a crise:

Certo dia, numa pequena e distante vila, apareceu um homem a anunciar que compraria burros a 5 euros cada. Como havia muitos burros na região, todos os habitantes da pequena vila começaram a caça ao burro.

O homem acabou por comprar centenas e centenas de burros a 5 euros.

Quando os habitantes diminuíram o esforço na caça, o homem passou a oferecer 10 euros por cada burro.

Toda a gente foi novamente à caça, mas os burros começaram a escassear e a caça foi diminuindo. É então que o homem aumenta a oferta para 25 euros por burro, mas a quantidade de burros ficou tão reduzida que já não compensava o esforço de ir à caça. O homem anunciou então que compraria os burros a 50 euros. Mas que teria que se ausentar por uns dias e deixaria o seu assistente responsável pela compra dos burros.

É então que, na ausência do homem, o assistente faz esta proposta aos habitantes da pequena vila:

- Sabeis dos burros que o meu patrão vos comprou? E se eu vos vendesse esses burros a 35 euros cada? E assim que o meu patrão voltar vós podeis vendê-los a ele pelos 50 euros que ele oferece, e ganhais uma pipa de massa!!! Que acham?

Toda a gente concordou. Reuniram todas as economias e compraram as centenas de burros ao assistente por 35 euros cada um.

Os dias passaram e eles nunca mais viram o homem nem o seu assistente

- somente burros por todo o lado !

Entendem agora como funciona o mercado de acções e porque apareceu a crise?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Percurso Pedestre da Brama - 25 de Setembro

No próximo dia 25 de Setembro (sábado), inserido nas Comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade, a Azimute irá realizar o Percurso Pedestre da Brama.

A brama consiste em longos e potentes bramidos emitidos pelos machos de veado, que assim procuram dominar as melhores áreas, as que apresentam o maior número de fêmeas, e intimidar os possíveis concorrentes. Por vezes a vocalização, o tamanho corporal e a ostentação das hastes não são suficientes para desmotivarem os machos concorrentes e nessa altura o confronto é inevitável. O choque das hastes e a tentativa de empurrar o adversário para fora do território, apesar da sua espectacularidade, habitualmente não provocam lesões graves. O vencedor da contenda tem ainda um longo trabalho pela frente: terá que defender o território recém-conquistado durante vários dias até que seja aceite pelo grupo de fêmeas e estas se encontrem receptivas à cópula (in Blog Fauna Ibérica).

As inscrições estão limitadas a 15 participantes e terminam a 23 de Setembro.

Participa e Divulga!!

Mais informações:
Telefone/Fax : +351 273 999 393
E-mail : geral@azimute.net

Património ao Abandono em Castro de Avelãs

População revoltada com a intervenção levada a cabo pelo IGESPAR na Igreja, onde chove como na rua.

A população de Castro de Avelãs, no concelho de Bragança, está revoltada com o estado de abandono a que foi votada a Igreja do Mosteiro, um monumento classificado, onde «chove como na rua».

Quem nasceu e viveu nesta pacata aldeia situada às portas da capital de distrito aponta o dedo ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico (IGESPAR), pela má gestão dos recursos financeiros. Num placar colocado às portas do templo, populares e visitantes são informados de que ali foram gastos 300 mil euros, comparticipados em 225 mil euros por fundos comunitários, no âmbito de uma candidatura ao programa Interreg.

“Dizem que gastaram aqui 300 mil euros nas escavações. Se tivessem posto o telhado à igreja e tivessem limpo e pintado os altares, a população ainda lucrava alguma coisa, assim não temos nada”, lamenta Elisa Fernandes, a zeladora do templo.

É com tristeza estampada no rosto que esta habitante de 69 anos fala do mau estado em que se encontra este monumento. “É uma mágoa ver uma igreja destas ao abandono. A colocação de um telhado novo é uma prioridade”, salienta Elisa Fernandes.

Nos últimos dias de Verão, a zeladora pelo templo recorda a árdua tarefa que teve durante o Inverno. “Passei a vida a tirar latos cheios de água dos altares, a apanhar água do chão e a trocar as toalhas”, vinca a idosa.

Segundo os populares, quem visita Castro de Avelãs pela fama que lhe dá o mosteiro fica desiludido com o estado em que se encontra o património.

“Passaram por aqui uns senhores que vieram ver o mosteiro e disseram que é impossível terem gasto aqui o dinheiro que está na placa. Dizem que não se vê nada”, conta Lúcia Jorge, de 73 anos.

População de Castro de Avelãs reivindica o espólio encontrado nas escavações arqueológicas.

As escavações realizadas pelo IGESPAR para pôr a descoberto as ruínas do histórico Mosteiro Beneditino também deixaram a população descontente. “Disseram que os achados que aqui encontrassem que os levavam para limpar, mas que depois os traziam e mostravam à população. Já passaram três anos e ainda não vimos nada”, reclama Elisa Fernandes.

Quem tem raízes em Castro de Avelãs reivindica o espólio encontrado nas escavações e a criação de um espaço museológico para que quem visita esta aldeia possa conhecer um pouco da sua história.

Além disso, os populares alertam para a degradação das ruínas do mosteiro que foram postas a descoberto. “Deviam ter tapado isto. Os tijolos já se estão a desfazer. Agora vem o Inverno, a chuva e o gelo vai estragar tudo. Quando chegar a Primavera não temos nada”, lamenta a zeladora pelo templo.

O que vai deixando os habitantes de Castro de Avelãs com um sorriso no rosto foi a recuperação exterior da Casa Paroquial, um edifício histórico onde, segundo os populares, viveram os monges. As obras, que custaram cerca de 40 mil euros, foram apoiadas pela Câmara Municipal de Bragança e incidiram na recuperação das paredes, colocação do telhado, de portas e janelas e reconstrução da varanda.

Agora a população reclama o arranjo interior da Casa Paroquial. “ Tenho um desgosto por não conseguir dinheiro para arranjar a casa. Ainda morro sem ser composta. Não queremos cá luxos, mas gostava que estivesse arranjada por dentro”, desabafa Elisa Fernandes.

Rica em património histórico, esta aldeia espera, agora, que o IGESPAR invista na conservação dos monumentos que dão fama à localidade e a colocam nos roteiros dos monumentos mais emblemáticos.
(Teresa Batista, Jornal Nordeste, 2010-09-16)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

...Escola Secundária Miguel Torga...e os Blás...

Blá blá blá...
Nunca antes uma escola de Bragança tinha conseguido um leque de alunos “tão excepcionais”. Blá blá blá...
Nove alunos da Escola Secundária Miguel Torga, em Bragança, entraram na licenciatura em Medicina, mas estavam 12 em condições de serem admitidos, que optaram por outros cursos, adiantou o presidente da direcção da instituição de ensino,...
PAROU, PAROU, PAROOOOUUUU!!!
Não, não vou reproduzir esta notícia tão badalada, até nos órgãos de comunicação social nacionais.
Parabéns aos jovens, aos Pais e aos Professores. Em suma à Escola. E claro, os meus mais sinceros votos dos maiores éxitos pessoais e profissionais para todos eles.
E DAÍ?
Até parece que, quando estiverem em condições de integrar o mercado de trabalho, virão para junto do berço onde nasceram. Quer dizer, até podem vir, fora da área disciplinar, porque isto até está a dar. Basta ver a ciganada, bem vestida, a mamar o pequeno almoço e o almoço, nos cafés e restaurantes, a trocar a nota, sem saberem como se anda a pé e, PASME-SE, sem...emprego nem trabalho que se lhes conheça. Para alguns, isto é mesmo o Eldorado.
ESTÃO A TRANSFORMAR O NORDESTE TRANSMONTANO NUM DESERTO!
Tiram-nos TUDO e não nos trazem NADA. Há décadas!!! Só trazem a mala do carro para encherem de fumeiro, sem sequer o pagarem. Mas a culpa não é deles mas sim de quem os bajula.
Nós, votamos nos de CÁ, seguramente para fazerem coisas, CÁ! No dia seguinte às eleições, os eleitos de CÁ, já estão a lamber o cú e o resto, aos de LÁ. É tipo refrão lá, lá lá lá,...são uns músicos. E dos bons já que a maioria dos de CÁ, lhes bate palmas e lhes arreganha a taxa bem arreganhada, só para ver se lhes tocam algumas migalhicas, para eles e, para o resto da comandita, que eu gosto de tratar por escumalha.
Eu gostava era de ouvir, aos dirigentes actuais, que estavam a criar, ou iriam criar, condições para que os jovens crâneos transmontanos pudessem trabalhar futuramente,
 NA TERRA QUE OS VIU NASCER.
Adianta bem, à nossa região, ajudar a criar crâneos.
Estes dois personagens, aqui ao lado, também são, ERAM, transmontanos...e adianta-nos bem...! Tudo farinha do mesmo saco.
A mim tanto me faz um como o outro, Estão-se nas tintas para nós. E os dirigentes locais, ao invés de "baterem o pé" por aquilo a que temos direito, estão é mortinhos por se juntarem a este dois artistas das fotos, lá para os lados de Lisboa...
Cá por mim, que quero ficar por cá e, por acaso até vim de lá,...estimo muito que se fo...!
...quando for grande, também quero ter uma gravata, nem que a fique a dever na Séchic...


(H.M.)

A Chuva...



Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…

Talvez um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!

(Florbela Espanca)

A Nossa Casa...

Gostas da nossa casa?
Porque não ajudas a protegê-la?
Faz a tua parte...


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Lei Seca.

Em 1919, a Campanha a favor da proibição do Álcool nos EUA mostrava uma foto:
" Lábios que tocarem no álcool não tocarão nos nossos "
 

Olha bem para Elas e sê sincero...
QUEM IRIA PARAR DE BEBER ?

Um Grande Homem, Um GRANDE Amigo, Um Grande PAI!

Palavras para quê? O Luís Miguel diz tudo o que há para dizer...!



Rota dos Judeus

É inegável o contributo do povo judeu na construção da Europa e da cultura ocidental. Reconhecendo este facto, o Conselho Europeu de Cultura decidiu inscrever nos seus roteiros de turismo cultural uma Rota dos judeus. E esta rota tem-se revelado bem atractiva e capaz de cativar um nicho de mercado bem definido, de grande capacidade económica e elevado interesse cultural.
Por toda a Europa, muitas cidades e vilas procederam à elaboração de estudos de arqueologia e urbanismo judaico, com vista à definição das suas próprias rotas dos judeus.
Também em Portugal isso vem acontecendo e podem referir-se os casos de Coimbra, Viseu, Castelo de Vide, Belmonte…
Bragança é, sem qualquer dúvida, uma das terras portuguesas onde sobreleva o património judaico. A começar pelos homens que de Bragança partiram e foram em chãos estranhos fazer obras valorosas e erguer-se entre aqueles em quem poder não teve a morte – para usarmos a linguagem do autor de Os Lusíadas.
Mas há também monumentos de arquitectura que em Bragança nos falam da gente da nação hebreia que importa assinalar. E há gestos banais, usos e costumes… uma culinária que deles recebemos como herança.
E certamente que as dezenas de homens e mulheres que morreram nas cadeias da Inquisição e as centenas de outros que nelas sofreram a fé mosaica bem merecem ser recordadas em monumento a construir pela actual geração. Sim, as terras, tal como as pessoas, não podem perder a memória, porque a perda da memória é a mais terrível das doenças.
E se Bragança é uma cidade que hoje se está tornando famosa e procurada pela sua Rota dos Museus, porque não haverá também de criar-se um museu ou, ao menos, um centro de documentação judaica?
Foi a pensar nestas coisas que os autores, embora não sejam naturais nem moradores em Bragança, mas tão só estudiosos do fenómeno marrano e sefardita, decidiram dar o seu modesto contributo que, a partir de hoje, encontrará também materialização em coluna deste jornal. E o nosso contributo será essencialmente baseado no estudo dos processos da Inquisição, existentes da Torre do Tombo.
E vamos começar esta Rota dos Judeus exactamente pelo mais antigo monumento cristão da cidade de Bragança que será a igreja de Santa Maria, também designada de Nª Sª do Sardão, sita na Cidadela, ao lado do castelo e da domus.
A construção do templo primitivo ter-se-á efectuado logo em seguida à reconquista da terra pelos cristãos e em estilo românico. Mas terá sido ampliado e reconstruído entre 1700 e 1715, nomeadamente ao nível do alçado frontal, que apresenta um pórtico barroco, ladeado por colunas salomónicas.
Pelo interior, a igreja é dividida em 3 naves separadas por 6 pilares em que assentam 6 longos arcos.
Na nave da esquerda, abre-se a chamada capela dos Figueiredos, da invocação de Nª Sª dos Prazeres. Acerca do assunto, no tomo I, p. 325 das suas Memórias Arqueológicas… escreveu o ilustrado Abade de Baçal a seguinte informação:
- Esta capela, à mão direita de quem entra, é muito elegante, em estilo Renascença, com motivos ornamentológicos nos pés direitos e arco. No fecho deste há um escudo composto de cinco folhas de figueira em aspa e na arquitrave a seguinte inscrição de letras conjuntas e inclusas que quer dizer: Esta capela mandou fazer Pedro de Figueiredo alcaide-mor. 1585.
O mesmo abade, no tomo VI, p. 747 das mesmas Memórias, deixou copiado o referido brasão. E no vol. VI, p. 132, ao apresentar as origens da família Figueiredo, a outorga do brasão e a fundação do morgadio, acrescentou o seguinte:
- Pedro de Figueiredo casou com D. Violante Sarmento, sua prima, filha do alcaide-mor Lopo Sarmento (…) e de D. Maria de Morais Pimentel. Instituiu um morgadio, em 1585, com capela na igreja de Santa Maria, de Bragança e nomeou por primeiro administrador sua mulher D. Violante Sarmento.
Aquela primeira informação é também corroborada no Guia de Portugal, vol. 5, tomo II, p. 948, editado em 1970, pela Fundação Calouste Gulbenkian, sob a direcção de Santana Dionísio, nos seguintes termos:
- Na nave esquerda abre-se a capela dos Figueiredos, ornada com um portal da renascença, de linhas decadentes. O tímpano desta capela patenteia o brasão da família. O friso contém a seguinte inscrição: “Esta capela mandou fazer Pêro de Figueiredo, alcaide-mor. 585”.
Pois é exactamente aqui que começa a nossa Rota dos Judeus. É que esta capela será um caso verdadeiramente exemplar de como se pode alterar a história e apagar a memória.
Na verdade, esta capela da Senhora dos Prazeres não terá sido mandada construir por Pedro Figueiredo. Tão pouco este era alcaide-mor de Bragança em 1585 e nesta data casado com D. Violante Sarmento.
Muito embora ali fosse esculpido o brasão daquela família e a legenda referida, podemos mostrar que:
A capela da Sª dos Prazeres da igreja de Santa Maria, de Bragança, foi mandada construir por um cristão-novo chamado Rodrigo Lopes, em 1585. E nesta data Pedro de Figueiredo estava casado com Maria Lopes, uma mulher da nação hebreia. Vejamos:
Rodrigo Lopes terá nascido em Bragança por 1535, sendo filho de Diogo Lopes e Florença Manuel, ambos de origem hebreia. Tornou-se um grande empresário e um homem de peso, do ponto de vista social, pois conseguiu casar a sua filha (Maria Lopes) com um homem da nobreza de Bragança – Pedro de Figueiredo.
Seria também um homem de peso ao nível político e na crise dinástica que se seguiu à morte do rei D. Sebastião, terá seguido o partido do Prior do Crato. Isto porque o seu nome consta da pequena lista de moradores de Bragança que foram considerados indignos do perdão geral decretado pelo rei Filipe de Espanha.
Como quer que seja, Rodrigo Lopes foi preso pela Inquisição de Coimbra, em Fevereiro de 1591, por culpas de judaísmo. O seu processo tem o nº 2095 e no auto que contém a sessão da genealogia, pode ler-se o seguinte:
- Disse que tem uma filha única chamada Maria Lopes, que casou e tem casada com um homem muito principal, cristão-velho, que se chama Pêro de Figueiredo, filho de António de Figueiredo (…) o qual está de portas adentro com ele réu, de 18 anos a esta parte, comendo e bebendo todos a uma mesa.
Entremos então em casa de Rodrigo Lopes e vejamos quem nela está de portas adentro, verificando que se trata de um agregado familiar bem reduzido: ele próprio, a mulher Águeda Martins, a filha Maria Lopes e o genro Pedro Figueiredo, com ela casado há uns 18 anos.
Rodrigo Lopes foi então preso e, de seguida, foram mandadas prender a sua mulher e a filha. Esta não chegou a sê-lo porque estava prestes a parir e morreu de parto. – Pº 2987, de Maria Lopes.
A mãe, certamente transtornada e avisada de que ia ser presa, ter-se-á escondido, acabando, no entanto, por se meter a caminho de Coimbra para se apresentar no tribunal. - Pº 1712, de Águeda Martins.
Entretanto e por constar que o genro é que a mandara esconder e estaria tratando da sua fuga, foi também mandado apresentar-se na Inquisição de Coimbra onde foi ouvido e mandado regressar à terra. – Pº 480, de Pedro de Figueiredo.
Temos assim Pedro de Figueiredo em Bragança na casa do sogro e como único administrador dos seus teres e haveres.
Meses depois, a sogra morreu nos cárceres da Inquisição. Restava apenas o sogro que, depois de sair em auto-de-fé condenado em penas espirituais com cárcere e hábito perpétuo, ficou por Coimbra para ser bem instruído na religião cristã e a cumprir a sua penitência, aguardando ordem de regresso a casa.
E foi então que Pedro Figueiredo escreveu ao Rei Filipe e este enviou para a Mesa da Inquisição uma carta dizendo que a sua família era a mais nobre de Bragança e seria uma vergonha se mandassem para sua casa um homem que fora condenado em tribunal como judeu. Para bem da honra e fama de sua família e da religião cristã, seria conveniente que o mandassem a viver para outra terra, ao menos para uma aldeia do termo ou que fosse internado em uma ermida ou convento. Mas vejam a própria carta que foi transcrita para o processo:
- Diz Pêro de Figueiredo, morador na cidade de Bragança que ele foi casado com uma filha de Rodrigo Lopes, outrossim da dita cidade, o qual Rodrigo Lopes foi preso e penitenciado pelo Santo Ofício no auto passado que se fez na cidade de Coimbra e lhe mandaram que fosse cumprir a dita penitência à dita cidade de Bragança; E por isso se seguirá mui grande escândalo entre os seus parentes, que são muitos e dos mais nobres da cidade, como é Lopo Sarmento, irmão da mãe do suplicante, o qual é alcaide-mor da dita cidade, e os mais como são seus tios, irmãos e cunhados e primos, todos são os que governam a dita cidade; E além disso haverá e resultará da tal ida muitas brigas e dissenções, por haver bandos; E tomarão motivo seus inimigos de murmuração, vendo o dito Rodrigo Lopes diante dos ditos seus parentes; O que, vendo ele suplicante, fez petição a Sua Alteza pedindo-lhe haja por bem que o dito Rodrigo Lopes possa cumprir a dita penitência em qualquer lugar fora da dita cidade, o qual senhor remeteu o caso a esta Mesa.
Pede a V. A., havendo respeito ao sobredito, haja por bem o que dito tem, ou pelo menos nos arrabaldes da dita cidade, como são os lugares de Samil, S. Pedro, Alfaião, Cabeça Boa, Vila Nova, Vale de Lamas, que todos são arrabaldes, ou em uma ermida que está junto à dita cidade, que se chama Nossa Senhora do Loreto, que foi casa dos estudantes colegiais, ou em uma casa que está dos muros adentro que tem uma ermida, em que possa ouvir missa mandando-a dizer, ou que possa estar no mosteiro de S. Francisco da dita cidade…
Certamente que não se ficou pela carta, antes terá metido empenhos e cunhas, que também as haveria já naquele tempo e naquele tribunal.
E a verdade é que os inquisidores despacharam favoravelmente a petição de Pedro de Figueiredo e Rodrigo Lopes regressou a Bragança vestindo um saco amarelo (o sambenito) por cima da roupa e foi metido no mosteiro de S. Francisco.
Voltando a Rodrigo Lopes e à capela da Senhora dos Prazeres, vejamos agora o que consta do seu processo:
- Provará que por ele ser como é bom cristão, zeloso das coisas da Santa Madre Igreja de Roma e da Lei Evangélica, ele fez uma capela na igreja de Nossa Senhora da cidade de Bragança, a qual capela é da invocação de Nossa Senhora dos Prazeres e custou a ele réu mil e quinhentos cruzados, com um pontifical muito rico de brocado, a qual tem muito ornada e aparamentada de todo o necessário, com um capelão e obrigação de uma missa cada semana às quartas-feiras.
Convento de São Francisco
Não sabemos quanto tempo viveu Rodrigo Lopes no mosteiro de S. Francisco de Bragança, local estipulado como seu cárcere perpétuo. Imaginamo-lo recolhido em uma cela, fazendo vida de monge forçado e aos domingos descer à igreja, para assistir à missa, mas vestido com o desprezível e infamante saco amarelo. Imaginamos como os frades se sentiriam ofendidos por ter de albergar um judeu. Aliás, acabaram mesmo por escrever uma carta para a Inquisição, queixando-se que isso era moléstia e opressão que dava aos religiosos a presença de um sentenciado como judeu. Além de que, vivendo em uma cela no convento, podia ali fazer contratos e outras coisas indecentes. Pediam que fosse mandado cumprir a sua penitência em uma casa dentro da cidade, fora do mosteiro, indo às missas e mais pregações, como os mais penitenciados do Santo Ofício e que então eram muitos na paisagem humana da cidade.
Não cremos que a petição fosse atendida. E devemos dizer que revela alguma ingratidão dos mesmos frades, já que não sentiram moléstia e opressão quando o mesmo Rodrigo Lopes pagou 28 mil réis para o douramento de um altar na mesma igreja ou quando ofereceu uma dalmática de damasco verde para as celebrações litúrgicas no dito templo.
Deixemos, porém, R. Lopes no convento. Voltemos a Pedro de Figueiredo, que em 1593 ficou viúvo, usufrutuário único dos bens do sogro. Contava então 32 anos. Viúvo e rico, não lhe seria difícil arranjar pretendente para novo casamento. E a eleita foi exactamente uma das filhas de seu tio, o alcaide-mor D. Lopo, Violante Sarmento, de seu nome. Acrescente-se que duas outras irmãs de Violante foram metidas a freiras, o que bem convinha para acrescentar bens ao casal.
O enlace de Pedro e Violante ter-se-á realizado depois da morte do velho alcaide, a qual sucedeu por 1597. Ao menos é isso que se depreende de um documento existente no arquivo de Simancas, em Castela (Secretarias Provincilaes 1457, fl. 30) de que Francisco Manuel Alves nos dá notícia nos seguintes termos:
- Pedro de Figueiredo, morador em Bragança. No Conselho Real de 27 de Julho de 1600 foi apresentada uma petição do duque de Bragança a fim de ser feita mercê do hábito de Cristo a Pedro de Figueiredo “que he pessoa das qualidades necessárias, e a que elle tem obrigação por casar com D. Violante, filha de Lopo Sarmento, defunto, seu alcaide-mor da dita cidade”.
Como se vê, ao menos o hábito de Cristo alcançou-o Pedro Figueiredo em virtude deste segundo casamento. E também terá sido herdeiro do mesmo sogro no cargo de alcaide-mor, para que terá sido nomeado por carta do duque de Bragança de 24 de Agosto de 1603 – como também informa o Abade de Baçal no tomo I, p. 442 das suas Memórias, acrescentando que já antes, porém, fora agraciado pelo mesmo duque D. Teodósio II com uma tença de 20 mil réis anuais, a ter efeito a partir de 13 de Fevereiro de 1600.
Resta agora explicar como se colocou o brasão dos Figueiredos e se escreveu na capela da Sª dos Prazeres a legenda dizendo que esta capela mandou construir Pedro de Figueiredo, alcaide-mor. 1585.
Certamente que não foi em sua vida que tal se fez, já que a memória do construtor da capela era ainda fresca e ele próprio não reclamaria para si o título de alcaide-mor naquela data.
A verdade é que não temos qualquer documento que prove exactamente quando o brasão e a legenda foram esculpidos na capela. Mas temos uma explicação muito plausível.
Recordam-se de termos dito que a igreja era em estilo românico e que foi ampliada e remodelada entre 1700 e 1715? E que os elementos então acrescentados à igreja eram em estilo barroco? E que também a talha metida na capela dos Figueiredos era de estilo barroco?
Acrescentemos agora que, nessa altura, o dono da capela e alcaide-mor do castelo era Lázaro Jorge de Figueiredo Sarmento, neto de Pedro Figueiredo.
Naturalmente que, procedendo-se a obras de tal envergadura na igreja, seria também uma óptima oportunidade, ou até uma exigência social a realização de obras na capela. E seria também a oportunidade ideal para se proceder à limpeza no nome do judeu fundador da capela, esculpindo na madeira então colocada o brasão dos Figueiredos e a legenda sobre o seu pseudo construtor.
Aliás, foi também nessa altura que seu primo, António de Figueiredo Sarmento conseguiu do rei D. João V a carta de brasão e fidalguia e a aprovação do morgadio de Santo António do Toural a que estava vinculada a Quinta da Rica Fé.
De resto tudo seria bem esclarecido se alguém apresentasse também a carta de fundação do morgadio dos Figueiredos cuja cabeça era a capela da Sª dos Prazeres. Acaso datará da mesma época.
Acresce ainda que todas as informações sobre a família que chegaram até nós foram coligidas duas décadas depois das mesmas obras, por um membro da mesma família – José Cardoso Borges que, naturalmente, não tinha qualquer interesse, antes pelo contrário, em revelar qualquer nódoa em sua nobreza e fidalguia.
Bom, mas estas são questões que os genealogistas e historiadores devem deslindar. Por nós procuramos apenas ler os processos da Inquisição e deles aportar elementos para ajudar a definir uma Rota dos Judeus em Bragança.


(Fernanda Guimarães)
(António Júlio Andrade)

domingo, 12 de setembro de 2010

A Gratidão...

O homem que estava atrás do balcão olhava para a rua de forma distraída.

Uma garotinha aproximou-se da loja e amassou o narizinho contra o vidro da montra. Os olhos da cor do céu brilharam quando viu determinado objecto. Entrou na loja e pediu para ver o colar de turqueza azul.

- É para a minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito?, disse ela.

O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e perguntou-lhe:

- Quanto dinheiro tens?

Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão, e feliz disse:

- Isso não dá?

Eram apenas algumas moedas que ela exibia orgulhosa.

- Sabe, – continuou – eu quero dar este presente para a minha irmã mais velha. Desde que morreu a nossa mãe, ela cuida da gente e não tem tempo para ela. É o aniversário dela e tenho certeza que ela ficará feliz com o colar que é da cor de seus olhos.

O homem foi para o interior da loja. Colocou o colar num estojo, embrulhou-o com um vistoso papel vermelho e fez um laço maravilhoso com uma fita verde.

- Toma! Disse para a garota. Leva com cuidado.

Ela saiu feliz, saltitando pela rua abaixo.

Ainda não tinha acabado o dia, quando uma linda jovem de cabelos loiros e maravilhosos olhos azuis entrou na loja. Colocou sobre o balcão, o já conhecido embrulho desfeito e indagou:

- Este colar foi comprado aqui?

- Sim senhora.

- E quanto custou?

- Ah! disse o dono da loja. O preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o cliente.

A moça continuou:

- Mas a minha irmã somente tinha algumas moedas. O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-lo.

O homem pegou no estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e devolveu-o à jovem.

- Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar: ELA DEU TUDO O QUE TINHA…

O silêncio encheu a pequena loja e duas lágrimas rolaram pela face emocionada da jovem, enquanto as suas mãos voltavam a pegar no pequenho embrulho...

sábado, 11 de setembro de 2010

Bom Dia Amigos.


Para que o nosso mundo mude devemos começar por nós mesmos.


Começa por mudar-te a ti. Ninguém muda o mundo se não consegue mudar-se a si mesmo...


Cuida da Saúde do Planeta. Não desperdices água, não coloques o lixo no lugar errado, não maltrates os animais ou desmates as árvores. Por mais que não queiras, se nascemos no mesmo planeta, compartilhamos com ele os mesmos efeitos e consequências da sua exploração ...


Sê responsável: não culpes os outros pelos teus problemas, não sejas oportunista, não sejas vingativo. Quem tem um pouquinho de bom senso percebe que podemos viver em harmonia, respeitando direitos e deveres ...


Acredita num mundo melhor. Coragem, Honestidade, Sinceridade, Fé, Esperança são virtudes gratuitas que dependem do teu esforço e comprometimento com a tua Honra e Carácter. Não esperes recompensas por estas virtudes, têm-as por consciência do teu papel neste processo ...


Têm Humildade, faz o Bem, trabalha. Não tenhas medo de errar, com humildade aprende-se, fazer o bem atrairá o bem para ti e trabalhando valorizarás o suor do teu esforço para alcançar os teus objectivos ...


Procura a Verdade, a Perfeição, uma posição realista frente aos obstáculos, uma atitude positiva diante da vida...


Defende, participa, integra-ta na luta pacífica pela Justiça, Paz e Amor.


Um mundo justo é pacífico.

A Flor da Honestidade

Conta-se que por volta do ano 250 a.c, na China antiga, um príncipe da região norte do país, estava nas vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele tinha que se casar.

Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta.

No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio.

Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.

Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula :

- Minha filha, o que irás fazer lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte.

Tire esta ideia insensata da cabeça, eu sei o que deves estar sofrer, mas não tornes o sofrimento uma loucura.

E a filha respondeu :

- Não, querida mãe, não estou a sofrer e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é a minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio.

Lá estavam, de facto, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas joias e com as mais determinadas intenções.

Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio :

- Darei a cada uma de vocês, uma semente.

Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida como a minha esposa e futura imperatriz da china.

A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades, Relacionamentos etc...

O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flores surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava  preocupar-se com o resultado.

Passaram-se três meses e nada surgiu.

A jovem tudo tentou, usou todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido.

Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor.

Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado.

Consciente do seu esforço e dedicação a moça comunicou a sua mãe que, independente das circunstâncias voltaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.

Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores.

Ela estava admirada, nunca tinha presenciado tão bela cena.

Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção.

Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.

As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações.

Ninguém compreendeu porque ele tinha escolhido justamente aquela que nada havia cultivado.

Então, calmamente o príncipe esclareceu :

- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz.

Esta é a  flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.A honestidade é como uma flor tecida em fios de luz, que ilumina quem a cultiva e espalha claridade ao redor.

A Verdadeira Sabedoria.

Era uma vez um jovem que visitou um grande sábio para lhe perguntar como se deveria viver para adquirir a sabedoria.

O ancião, ao invés de responder, propôs um desafio:

- Encha uma colher de azeite e percorra todos os cantos deste lugar, mas não deixe derramar uma gota sequer.

Após ter concordado, o jovem saiu com a colher na mão, andando a passos pequenos, olhando fixamente para ela e segurando-a com muita firmeza. Ao voltar, orgulhoso por ter conseguido cumprir a tarefa, mostrou a colher ao ancião, que perguntou:

- Você viu as belíssimas árvores que havia no caminho? Sentiu o aroma das maravilhosas flores do jardim? Escutou o canto dos pássaros?

Sem entender muito o porquê disso tudo, o jovem respondeu que não e o ancião disse:

- Assim você nunca encontrará sabedoria na vida; vivendo apenas para cumprir suas obrigações sem usufruir das maravilhas do mundo. Assim nunca será sábio.

Em seguida, pediu para o jovem repetir a tarefa, mas desta vez observando tudo pelo caminho. E lá foi o rapaz com a colher na mão, olhando e se encantando com tudo. Esqueceu da colher e passou a observar as árvores, cheirar as flores e ouvir os pássaros. Ao voltar, o ancião perguntou se ele viu tudo e o jovem extasiado disse que sim. O velho sábio pediu para ver a colher e o jovem percebeu que tinha derramado todo o conteúdo pelo caminho.

Disse-lhe o ancião:

- Assim você nunca encontrará sabedoria na vida; vivendo para as alegrias do mundo sem cumprir suas obrigações. Assim nunca será sábio.

Para alcançar a sabedoria terá que cumprir as suas obrigações sem perder a alegria de viver.

Somente assim conhecerá a verdadeira sabedoria.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O mais Alentejano dos Alentejanos.

Três amigos alentejanos teimavam a ver qual deles era o mais alentejano:

O primeiro argumentou:

- Ê sô tão preguiçoso que no outro dia, vi uns maços de notas no chão, e não os apanhê só p'rá nã ter que m'agachari.

Prossegue uo outro:

- Isso nã é nada. A minha vizinha super-sexy tocou-mi à porta toda nua, a convidar-me para ir passar a noite à casa dela e ê recuseí p'ra nã ter que atravessar a rua.

E o terceiro:

- Pois o mê caso foi munto piori. No domingo fui ao cinema e passei o filme todo a chorari.

- Só isso? - Comentaram os outros.

- É que ao sentar-me, entalê os tomates e nã estive p'ra me levantari !

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Na Cama


Uma noite, depois de alguns anos de casados, o casal está na cama a ver televisão, quando a mulher sente que o seu marido a começa a acariciar como não fazia há muito tempo.

Ele começou no pescoço, desceu pelo dorso até às nádegas; voltou ao pescoço, aos ombros, aos seios e parou na barriga; colocou a mão na parte interna do braço esquerdo, passou no seio, na nádega, na perna esquerda até ao pé, subiu na parte interna da coxa e parou bem em cima da perna.

Fez a mesma coisa na parte direita e, de repente, vira-se de costas e não diz nem  uma palavra.

A esposa, diz-lhe carinhosamente:

- Querido, estava maravilhoso, porque paraste?

- Já encontrei o comando.

Resumo da Vida

A Vida resume-se a 4 garrafas.


MERDA...e já estamos na terceira!