Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Reencarnação

Um casal fez um acordo que, se existisse reencarnação, o primeiro a morrer informaria o outro como é que era.
O marido foi primeiro, contactou a mulher e contou-lhe:
"Bem, levanto-me cedo e faço sexo. Tomo o desjejum e vou para o campo de golfe. Faço mais sexo, apanho sol e faço sexo mais algumas vezes.
Depois almoço (ias gostar, muitas verduras!!!). Mais sexo, um passeio pelo campo de golfe e mais sexo o resto da tarde.
Depois do jantar, volto ao campo de golfe e faço mais sexo até anoitecer. Depois durmo muito bem para recuperar e no dia seguinte recomeça tudo igual outra vez."
A mulher pergunta: "estás no Paraíso?"
- "Não, já reencarnei. Agora sou um coelho e vivo numa coutada no Alentejo."

terça-feira, 17 de maio de 2011

Casa do Mel - 30 anos a produzir mel transmontano

Trás-os-Montes é uma região com fortes tradições apícolas, onde três méis têm Denominação de Origem Protegida (DOP). É na Casa do Mel de Bragança que se encontra instalada a Associação de Apicultores do Parque Natural de Montesinho (AAPNM), a principal entidade qualificadora do mel produzido naquele território. O seu presidente, Manuel Gonçalves, fala-nos desta entidade com responsabilidade na protecção do mel transmontano desde 1980.

O produto apícola desta associação intitula-se ‘Mel do Parque Natural de Montesinho DOP’. Um mel produzido pela abelha da espécie Apis mellifera a partir do néctar produzido pelas flores características da região. Cor escura, um cheiro forte muito particular e um aspecto fluído, viscoso e homogéneo, assim se caracteriza um produto comercializado pela Casa do Mel de Bragança.
Manuel Gonçalves, presidente da AAPNM, não tem dúvidas e considera que região de Trás-os-Montes tem uma vertente turística «intrinsecamente associada ao turismo ambiental e turismo rural».
Por isso mesmo, realça que «a apicultura funciona na promoção do espaço natural, com um elemento paisagístico dada a instalação de apiários que embelezam e dinamizam os percursos e pontos turísticos».
No espaço rural, vinca, pretende-se que «o mel integre a gastronomia local que se oferece ao visitante, bem como os produtos que este pode adquirir e levar de recordação. Sabemos que o consumidor de mel tende a ser fiel a um padrão que se confunde com a região de origem, e desta forma, a presença deste produto na oferta cria uma simbiose deste com a região», afirma Manuel Gonçalves.
O responsável recorda, assim, o caminho da Casa do Mel de Bragança, que nasceu em 1980 no seio do Parque Natural de Montesinho. A ideia surgiu de um grupo de apicultores com o interesse comum na dinamização das suas explorações apícolas. Nascia, assim, a Casa que tem no mel o seu maior tesouro.
Em concertação com a actividade de apoio às populações rurais é criada em Junho desse ano a AAPNM, cuja área de intervenção inclui os concelhos de Bragança e Vinhais, indo além dos limites do Parque Natural de Montesinho.
O objectivo inicial da associação, que ainda hoje se mantém, centrava-se no desenvolvimento da apicultura, «promovendo a sua prática e expansão, sobretudo entre os seus associados, proporcionando-lhes meios técnicos, comerciais e créditos, visando um maior aperfeiçoamento técnico - prático, para uma maior rentabilidade da apicultura».
Entretanto, em 1994, é criado o Agrupamento de Produtores de ‘Mel do Parque’, uma nova entidade com carácter comercial que assegura a comercialização do produto ‘Mel do Parque’, sempre que os associados não optem pela comercialização em nome próprio.
O Agrupamento cria e regista a Marca ‘Mel do Parque’ e, juntamente com a AAPNM, caracteriza o Mel do Parque de Montesinho DOP.
Na Casa do Mel, funcionam as duas entidades, que em respeito pelos objectivos iniciais, actuam no seio da comunidade apícola de toda a Terra Fria, que abrange os concelhos de Bragança, Miranda do Douro, Vimioso e Vinhais.
Deste modo a marca ‘Mel do Parque’ é detida pelo Agrupamento de Produtores, e como tal, apenas pode ser usada por esta entidade. «O caderno de especificações da DOP, estipula que a comercialização seja obrigatoriamente exclusiva do Agrupamento de Produtores de ‘Mel do Parque’», acrescenta o presidente da associação.
Contudo, «a exploração apícola funciona como complemento à actividade agrícola da família rural, e promove-se a venda directa do produto nas explorações de produção».
Nessa medida, Manuel Gonçalves realça que a actividade da mesma se centra «na promoção das boas práticas de embalamento, rotulagem e rastreabilidade de forma a garantir ao consumidor que, apesar de ser um produto comercializado pelo produtor, também este segue as normas que são exigidas pela legislação vigente».
Os apicultores podem usufruir dos equipamentos de extracção, que pertencem à unidade da Casa do Mel, e decidir posteriormente qual o agente de comercialização.

Sinergia com o turismo

A Casa do Mel conta nos seus registos com 571 apicultores activos, que recorrem aos seus serviços, oriundos de toda a área da Terra Fria. De toda esta actividade resulta uma produção que se traduz em cerca de 130 toneladas de mel/ano processadas.
«Para este número são contabilizados o mel de consumo próprio dos produtores, o ‘Mel do Parque’, Mel do Parque de Montesinho DOP e Mel do Parque de Montesinho DOP – MPB», explica Manuel Gonçalves.
«A promoção dos produtos é também da responsabilidade da sociedade e foca-se essencialmente em feiras temáticas, eventos de animação turística, concursos nacionais e internacionais da especialidade», adianta o responsável da associação.
Além disso essa divulgação «funciona ainda em sinergia com as unidades de turismo e lojas locais, promotores turísticos e associações de desenvolvimento local, que promovem a integração do ‘Mel do Parque’ na imagem da Região da Terra Fria».
«Os principais mercados são o comércio local, feiras temáticas e exportação. No último ano a comercialização de mel qualificado DOP e DOP-MPB aproximou-se das 68 toneladas de mel, representando aproximadamente 60% do mel processado», afiança.
Mas a Casa do Mel presta também dois serviços distintos aos apicultores. Uns extraem o mel e deixam-no na Casa para comercialização com a marca de DOP ou mel Biológico. Outros apenas fazem a extracção, e recolhem todo, ou parte, do produto para comercialização própria.
O projecto de produção de mel biológico surgiu na sequência de um projecto AGRO, em parceria com a Escola Superior Agrária de Bragança e a Associação dos Apicultores do Parque Natural de Douro Internacional.
«Este projecto visava avaliar as potencialidades de produção de mel em método de produção biológica na região da Terra Fria, e a adesão dos apicultores foi surpreendentemente positiva. Aos 11 apicultores iniciais, em 2005, juntamos agora mais 13 produtores que vêem neste projecto uma mais-valia da sua produção», frisa Manuel Gonçalves. Actualmente, estão em produção biológica 1496 colónias, cuja certificação integra a produção do Mel do Parque de Montesinho DOP-MPB, e 871 cuja produção é comercializada com marca própria dos produtores. Só em 2010 a produção média deste mel na Terra Fria ronda as 31,5 toneladas, informa Manuel Gonçalves.
«A diversificação dos produtos que se disponibiliza para o mercado é sempre vantajosa para a produção. O mel em MPB entra em mercados específicos que estão vedados ao mel convencional, e satisfaz uma margem de consumidores com perfil específico, que estão dispostos a valorizar o produto que na sua origem teve não só preocupações ambientais na produção, como também está sujeito a um percurso de certificação mais apertado e rigoroso», explica.
Por fim, lembra que esta qualificação abre também o acesso a «certos mercados europeus, com maiores exigências e também maior poder de compra».

Ana Clara; Fotos: Casa do Mel

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Flora no Azibo

 Espécies florísticas da paisagem protegida.

Viva Portugal!

Portugal afundou, somos enxovalhados diariamente por considerações e comentários mais ou menos jocosos vindos de várias paragens, mas em particular dos países mais ricos.
Olham-nos como um fardo pesado incapaz de recuperar e de traçar um rumo de desenvolvimento. Nós que já dobrámos o Cabo Bojador, também seremos capazes de ultrapassar esta situação difícil.
Agora, mais do que lamentar a situação de falência a que Portugal chegou, e mais do que procurarmos fuzilar o responsável, cabe-nos dar a resposta ao mundo mostrando de que fibra somos feitos para podermos recuperar a nossa auto-estima e o nosso orgulho. Vamos certamente dar o nosso melhor para dar a volta por cima, mas há atitudes simples que podem fazer a diferença.
O desafio é durante seis meses só comprar produtos fabricados em Portugal. Fazer o esforço em cada acto de compra de verificar as etiquetas e rejeitar comprar o que não tenha sido produzido em Portugal.
Desta forma estaremos a substituir importações que nos estão a arrastar para o fundo e apresentaremos resultados surpreendentes a nível de indicadores de crescimento económico.
Este comportamento deve ser assumido como um acto de cidadania, como um acto de mobilização colectiva, por nós, e, como resposta aos povos do mundo que nos acham uns coitadinhos incapazes.
Será um primeiro passo na direcção certa!
Viva Portugal.

domingo, 15 de maio de 2011

Inventar vida onde ela não existe

Por Trás-os-Montes continua a pé o jornalista Nuno Ferreira. No mapa traçam-se caminhos afastados dos roteiros óbvios. Montalegre, Vinhais, Palas, lugares arredados do rebuliço que o Nuno trilha, também, através dos olhos de quem lá vive.
 Joaquim estava às bordas de Santo André, Montalegre, a espicaçar um velho burro para que este lá puxasse o arado como sempre puxou, como se não estivéssemos em 2010, como se ainda o campo fosse campo e os filhos e netos de Joaquim não tivessem todos emigrados. Há muito tempo que não via um arado como o de Joaquim fora de um museu. Metade da leira estava já trabalhada, pronta para levar a sementeira, este ano atrasada pela invernia. O resto ia ter de ser feito a custo, o animal a responder sofrido às investidas do pau de Joaquim, o homem a dar tudo o que tinha na terra. Como quem diz: Quem é da terra, sempre na terra.

Até que decidi fazer a pergunta entalada na garganta: E os seus filhos? Suspendi a vista por instantes no perfil magnânime do Larouco, a pairar sobre os telhados, as conversas, um ou outro rebanho e sobre aquela tira de asfalto interminável. «Os filhos, o car...uns estão para a França, outro está para Lisboa, não querem saber disto...Eu estou aleijado das pernas e tenho mais de 80. A minha mulher anda aleijada e o burro já tem muitos anos, estamos todos aleijados».
Desde que comecei a percorrer Trás-os-Montes em finais de Janeiro, com interrupções à mistura, que sou confrontado persistentemente com a necessidade de contactar o que resta do mundo rural. Há sempre um último qualquer que urge visitar: O último albardeiro, o último alfaiate de capas mirandesas, os últimos contrabandistas. No campo, como aquela leira perdida no Barroso, são os últimos agricultores. Nas aldeias, são as últimas casas em pedra, varandas em madeira, cercadas por moradias garridas, portões de alumínio. Nalguns casos, como em Palas (Vinhais), chego tarde de mais.
Fui a Palas na companhia do meu anfitrião em Vinhais, Anselmo Morais, por uma estrada em terra batida a cerca de dois quilómetros da N 103 que liga Bragança a Chaves. Em 1996, ainda ali viviam cerca de 30 habitantes. Os últimos moradores fugiram ao isolamento e à falta de saneamento básico e construíram casas junto à estrada nacional. Hoje, Palas é um mar de silêncio, uma aldeia fantasma, casas abandonadas, outras em ruínas. Por momentos, inventamos vida onde ela já não existe: «Ali, aqueles cortinados a mexer...está ali
alguém?» Apercebemo-nos rapidamente que o efeito esvoaçante é causado pelo vento que entra pelas vidraças partidas das janelas.
A desolação humana é tamanha em determinadas aldeias do distrito de Bragança que há pessoas que fogem quando vêem um estranho de mochila às costas a pedir uma indicação. «O senhor desculpe, eu vi o senhor na estrada mas eu não o conheço de lado nenhum...», explicou uma senhora em Pinelo, Vimioso, a recuar em direcção ao carro.
Outras vivem à espera de Agosto, o mês de todas as festas, de todos os reencontros. «Isto assim é um stress, não há ninguém, não há nada para fazer, é um stress», lamentava a dona de um restaurante em São Julião de Palácios, Bragança. «Agosto sim, Agosto é o mês mais feliz do ano, chego a não fechar a porta porque estão uns a chegar da última festa e outros a vir tomar o café da manhã. É festas, casamentos, baptizados, se vier aqui em Agosto não reconhece a aldeia, é gente por todo o lado». E depois? «Depois é uma tristeza. Quando o último vai embora, eu choro. Fecho o restaurante durante quinze dias, fico triste».

«Tiu» Ângelo Arribas, o mestre Mirandês da gaita-de-foles

Em menos de duas décadas espalhou a gaita-de-foles mirandesa por meio mundo e ganhou o estatuto de «mestre Mirandês». «Tiu» Ângelo Arribas cumpriu tarde um sonho de menino. Uma história de vida a ensinar gaiteiros de todas as idades.
 A cultura mirandesa tem na gaita-de-foles, nos pauliteiros e na língua (o mirandês) alguns dos seus traços mais marcantes. Ângelo Arribas é, por sua vez, uma espécie de guardião de saberes. Uma experiencia que passa a novas gerações.
Aos 73 anos, «Tiu» Ângelo, como é tratado, ensinou dúzias de «gaiteiricos» e já perdeu a conta ao número de gaitas mirandesas que construiu, espalhadas pelo país e além fronteiras, desde Itália ao Brasil. Uma fama internacional para o instrumento nascido em Trás-os-Montes que nos últimos anos se tornou numa verdadeira «gaitomania», recuperando do esquecimento a tradicional gaita-de-foles mirandesa.
Tocador, gaiteiro, ninguém como «Tiu» Ângelo sabe, sem nunca ter sido ensinado, dos sons e das tradições locais. Aprendeu a tocar de ouvido a gaita-de-foles. «Nasci para isto», diz, garantindo que a mirandesa se distingue das demais pelo "som mais cheio".
O «mestre mirandês» chegou a fazer três instrumentos por mês. Actualmente faz um. Custa cerca de trezentos euros. Um valor que duplica se a gaita for genuinamente mirandesa. Ângelo Arribas olha para a moeda em circulação e faz as contas. «O euro fez-me muita cobrança. Dantes vendia muita gaita, mas desde o euro para cá…». A crise também não ajuda, como sublinha.
Aos sete anos, era já pastor e improvisou a primeira gaita com a pele de um rato. «A necessidade é a mãe das ideias», refere «Tiu» Ângelo. Ainda menino, saltava da cama de madrugada para acompanhar os gaiteiros nas alvoradas das festas.
Nascido na Freixiosa, foi pastor até aos 15 anos, aprendeu a ler na tropa e trabalhou na Hidroeléctrica do Douro, na construção da aldeia do Barrocal do Douro e daquela que, mal imaginava, viria a ser a sua casa. Só há 20 anos, Ângelo Arribas dedica o seu tempo inteiro à construção de gaitas. Fá-lo num anexo que serve de oficina. Ai, transforma materiais da terra como a madeira de freixo ou de buxo, chifre de boi, osso de pé de cavalo e pele de cabrito nas gaitas e outros instrumentos como caixas e a flauta pastoril.
O pastoreio é o berço de alguns destes instrumentos tradicionais, do tempo em que «não havia rádios, nem nada para se entreterem nos campos» e os pastores construíam as suas diversões. Os mesmos instrumentos que animavam festas, romarias e cerimónias religiosas até serem silenciados pelas «manias modernas» de outras sonoridades.
Foi «instrumento» do saudoso historiador mirandês, o padre Mourinho, e acompanhava para todo o lado os Pauliteiros de Miranda.
«Tiu Ângelo» tem uma gaita-de-foles com 150 anos herança de um gaiteiro antigo, o bisavô da mulher. O neto segue-lhe os passos, mas desengane-se quem pensa que desfrutou da mestria do avô, pois tal como ele aprendeu a tocar sozinho.
«Tiu» Ângelo vendeu muitos instrumentos para grupos tradicionais, gaiteiros portugueses e espanhóis, emigrantes e curiosos estrangeiros, mas «por fortuna nenhuma
do mundo» se desfazia da sua gaita e de uma flauta de 1961 que o acompanharam por «meio mundo».
Quando começou eram só cinco os gaiteiros no Planalto Mirandês. Agora são mais de meia centena com presença forte da juventude.
«Se se perder a gaita é uma falha», alerta o guardião de artes e saberes como lengas-lengas, provérbios, anedotas, e lamenta ter-se perdido o meio de passar o saber: os serões de antigamente.


Café Portugal; Foto - At-Tambur

sábado, 14 de maio de 2011

Semana Académica 2011

Centenas de Estudantes no NERBA!
Para aqueles que pensam que em Bragança não há electricidade e que os burros (de 4 patas) ainda se passeiam pelas ruas, aqui fica o contraditório.
BRAGANÇA!!!

Recordar o Liceu Nacional de Bragança

As Férias dos Padres

Dois padres resolveram passar férias numa bela praia.
No entanto, eles decidiram que deveriam ser mesmo férias e portanto nada deveria identificá-los como membros do clero.
Logo que desceram do avião, dirigiram-se a uma loja de surfistas e compraram o último grito em calções, sandálias, óculos de sol, etc...
Na manhã seguinte, foram até à praia vestidos como verdadeiros turistas.
Estavam sentados nas suas cadeiras de praia a beber cerveja, enquanto gozavam o calor do sol, quando uma loura em topless, de fazer qualquer um perder a cabeça, se dirigiu na sua direção.
Os dois padres não conseguiram evitar segui-la com os olhares.
Quando a jovem passou por eles, sorriu e individualmente cumprimentou-os:
- Bom dia Senhor Padre, Bom dia Senhor Padre, com um ligeiro aceno de cabeça e continuando no seu caminho.
Os dois padres ficaram perplexos, como era possível que ela os reconhecesse como padres?
No dia seguinte, dirigiram-se de novo à loja de surfistas e compraram roupas ainda mais berrantes. De novo os dois padres se dirigiram para a praia, para gozar o sol, as vistas e... Eis que aparece a mesma
loura de fazer perder a cabeça a qualquer distraído.
Vinha com uma tanguinha ultra reveladora, aproximou-se deles  cumprimentou-os:
- Bom dia Senhor Padre, Bom dia Senhor Padre.
Após o que se dispunha a seguir o seu caminho, quando o padre mais velho não se conteve e chamou-a:
- Um momento, menina.
- Sim.
Respondeu ela, com um sorriso nos lábios bem definidos e sensuais.
- Nós de facto somos padres e temos orgulho em sé-lo, mas como conseguiu descobrir isso ?
- SENHOR PADRE, SOU EU, A IRMÃ ÂNGELA!!
Também tô de férias !!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Modernidade e Desenvolvimento do Século XXI

"Na última semana beatificámos um papa,
casámos um príncipe,
fizemos uma cruzada
e matámos um mouro.
Bem-vindos à Idade Média!"

(autor desconhecido)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Noite de Serenata

Capas negras na Praça da Sé e no NERBA.
Esta geração de rasca, nada tem, como nenhuma teve! Rascas são os velhos do restelo e os merdas que não percebem que têm a obrigação de ajudar a juventude a encontrar o caminho e de não lhes cerciarem as oportunidades.
Obrigado rapaziada pela VIDA e ALEGRIA que trazeis à nossa cidade.
Um único mas...nada de destruir equipamento público ou privado porque custa a todos. Canalizai a vossa energia para provar aos "velhos do restelo" que sois uma geração 5 ESTRELAS.

Autarquia de Bragança quer travar encerramento de Escolas do Ensino Básico

A Câmara de Bragança quer impedir o encerramento de quatro escolas do concelho de Bragança que constam da lista do Ministério da Educação para encerrar no próximo ano lectivo.
Em causa estavam sobretudo duas escolas que sofreram investimentos de mais de 300 mil euros há cerca de dois anos e que agora poderiam vir a encerrar. O presidente da Câmara diz que a autarquia quer impedir esse encerramento e o de mais duas escolas primárias em freguesias rurais do Concelho.“O município empenhou-se junto da DREN no sentido de evitar que quatro escolas fossem fechadas” refere Jorge Nunes, acrescentando que “foi anunciado o encerramento de Quintanilha, Samil, Espinhosela e Salsas. O município tomou a decisão necessária na reunião de Câmara e a DREN informou que iria evitar esse encerramento, mas não sabemos o que vai acontecer a seguir”. Recorde-se que o Ministério da Educação pretende encerrar todas as escolas com menos de 21 alunos. Só no Concelho de Bragança havia seis escolas nessa situação: Samil, Espinhosela, Salsas, Quintanilha, Rebordãos e Parada.
Em todo o distrito são 21 os estabelecimentos que correm o risco de fechar.
Escrito por Brigantia

Pedido de Empréstimo Bancário por Barack Hussein Obama II

Um advogado de nome Barack Hussein Obama II, na época, 1995,líder comunitário, membro fundador da mesa diretora da organização sem fins lucrativos Public Allies, membro da mesa diretora da fundação filantrópica Woods Fund of Chicago, advogado na defesa de direitos
civis e professor de direito constitucional na escola de direito da Universidade de Chicago, Estado de Illinois (e atual presidente dos
Estados Unidos da América) numa certa ocasião pediu um empréstimo em nome de um cliente que perdera sua casa num furacão e queria reconstruí-la.
Foi-lhe comunicado que o empréstimo seria concedido logo que ele pudesse apresentar o título de propriedade original da parcela da propriedade que estava a ser oferecida como garantia. O advogado Obama levou três meses para seguir a pista do título de propriedade datado de 1803.
Depois de enviar as informações para o Banco, recebeu a seguinte resposta:
"Após a análise do seu pedido de empréstimo, notamos que foi apresentada uma certidão do registro predial.Cumpre-nos elogiar a forma minuciosa do pedido, mas é preciso salientar que o senhor tem apenas o título de propriedade desde 1803.
Para que a solicitação seja aprovada, será necessário apresentá-lo com o registro anterior a essa data."
Irritado, o advogado Obama respondeu da seguinte forma: "Recebemos a vossa carta respeitante ao processo nº.189156.
Verificamos que os senhores desejam que seja apresentado o título de propriedade para além dos 194 anos abrangidos pelo presente registro.
De fato, desconhecíamos que qualquer pessoa que fez a escolaridade neste país, particularmente aqueles que trabalham na área da propriedade, não soubesse que a Luisiana foi comprada, pelos EUA à França, em 1803.
Para esclarecimento dos desinformados burocratas desse Banco,informamos que o título da terra da Luisiana, antes dos EUA terem a sua propriedade, foi obtido a partir da França, que a tinha adquirido por direito de conquista da Espanha.
A terra entrou na posse da Espanha por direito de descoberta feita no ano 1492 por um navegador e explorador dos mares chamado Cristóvão Colombo, casado com dona Filipa, filha de um navegador de nome Perestrelo.
Este Colombo era pessoa respeitada por reis e papas e até ouso aconselhar-vos a ler sua biografia para avaliar a seriedade de seus feitos e intenções. Esse homem parece ter nascido em 1451 em Gênova, uma cidade que naquela época era governada por mercadores e banqueiros, conquistada por Napoleão Bonaparte em 1797 e atualmente parte da Região da Ligúria, República Italiana.
A ele, Colombo, havia sido concedido o privilégio de procurar uma nova rota para a Índia pela rainha Isabel de Espanha.
A boa rainha Isabel, sendo uma mulher piedosa e quase tão cautelosa com os títulos de propriedade como o vosso Banco, tomou a precaução de garantir a bênção do Papa, ao mesmo tempo em que vendia as suas jóias para financiar a expedição de Colombo.
Presentemente, o Papa – isso, temos a certeza de que os senhores sabem - é o emissário de Jesus Cristo, o Filho de Deus, e Deus - é comumente aceito - criou este mundo a partir do nada com as palavras Divinas: Fiat lux que significa "Faça-se a luz", em língua latina.
Portanto, creio que é seguro presumir que Deus também foi possuidor da região chamada Luisiana por que antes, nada havia.
Deus, portanto, seria o primitivo proprietário e as suas origens remontam a antes do início dos tempos, tanto quanto sabemos e o Banco também.
Esperamos que, para vossa inteira satisfação, os senhores consigam encontrar o pedido de crédito original feito por Deus.
Senhores, se perdurar algumas dúvidas quanto a origem e feitos do descobridor destas terras, posso adiantar-lhes que desta dúvida, certeza mesmo, só Deus a terá por que Inúmeros historiadores e investigadores, concluíram baseados em documentos que, Cristóvão
Colombo, nasceu em Cuba (Portugal) e, não em Gênova (Itália), como está oficializado:
Segundo eles, em primeiro lugar, Christovam Colon, foi o nome que Salvador Gonçalves Zarco, escolheu para persuadir os Reis Católicos de Espanha, a financiar-lhe a viagem à Rota das Índias, pelo Ocidente,escondendo assim a sua verdadeira identidade.
Segundo, este pseudônimo não aparece por acaso, porque Cristóvão está associado a São Cristóvão, que é o protetor dos Viajantes (existe inclusive uma ilha batizada de São Cristóvão).
Cristóvão, que também deriva de Cristo, que propaga a fé, por onde anda, acresce que Cristo, está associado a Salvador (1º nome verdadeiro do ilustre navegador).
Colon, porque é a abreviatura de colono e derivado do símbolo das suas assinaturas"." ( Duas aspas, com dois pontos no meio).
Terceiro, Salvador Gonçalves Zarco, está devidamente comprovado,nasceu em Cuba ( Portugal) e, é filho ilegítimo do Duque de Beja e de Isabel Gonçalves Zarco.
Quarto, era prática usual na época, os navegadores darem às primeiras terras descobertas, nomes religiosos, no caso dele, foi São Salvador (Bahamas), por coincidência ou talvez não, deriva do seu primeiro nome verdadeiro, a segunda batizou de Cuba (Terra Natal) e, seguidamente Hispaniola (Haiti e República Dominicana), porque estava ao serviço da Coroa Espanhola.
Quinto, a "paixão" pelos mares, estava no sangue da família Zarco,nomeadamente em, João Gonçalves Zarco, descobridor de Porto Santo (1418), com Tristão Vaz Teixeira e da Ilha da Madeira (1419),com o sogro de "Christovam Colon", Bartolomeu Perestrelo.
Por fim, em sexto, existem ilhas nas Caraíbas, com referência a Cuba (além da mencionada Cuba; São Vicente, na época existia a Capela de São Vicente, da então aldeia de Cuba).
Posteriormente (Sec-XVI), foi edificada a atual Igreja Matriz de São Vicente.
São coincidências (pseudônimo, nome das ilhas, família nobre e ligada ao mar, habitou e casou em Porto Santo, ilha que fica na Rota das Índias pelo Ocidente), mais do que suficientes, para estarmos em presença de Salvador Gonçalves Zarco e, consequentemente, do português Christovam Colon.
Christovam Colon, morreu em Valladolid (Espanha) em 1506, tendo os seus ossos sido transladados, para Sevilha em 1509, contudo em 1544, foram para a Catedral de São Domingos, na época colônia espanhola, satisfazendo a pretensão testamental do prestigiado navegador.
A odisséia das ossadas não ficaria por aqui, porque em 1795, os espanhóis tiveram de deixar São Domingos, tendo os ossos sido transferidos para Cuba (Havana), para em 1898, depois da independência daquela ilha, sido depositados na Catedral de Sevilha.
Coincidência ou não, em 1877, os dominicanos, ao reconstruírem a Catedral de São Domingos, encontraram um pequeno túmulo, com ossos e intitulado “Almirante Christovam Colon".
Existem na Ilha da Madeira e nos Açores, pessoas da famílias Zarco,descendentes diretos de João Gonçalves Zarco e, conseqüentemente da mãe (Isabel Gonçalves Zarco) de Christovam Colon, disponíveis para darem uma amostra do seu cabelo aos cientistas, para analisar o seu DNA e, para comparar os seus resultados nas ossadas do navegador, se, efetivamente forem as pretensões deste Banco para certificar-se da origem do navegador.
Quanto a Deus, ainda não tenho sua biografia, somente sei que caso a conseguisse, até o maior e mais potente computador do planeta não seria suficiente para comportar um resumo do resumo da mesma, por isso sugiro-vos educadamente e após muito pensar, que, por serem banqueiros e, portanto poderosos, tentem por vossos meios.
Agora, que está tudo esclarecido, será que podemos ter o nosso empréstimo? " Barack Hussein Obama II
Advogado.

O empréstimo, claro, foi concedido.

Eleições Legislativas 5 de Junho de 2011


Aceda ao Portal do Eleitor, para consulta das condições de exercício de voto antecipado.


Aceda ao Portal do Recenseamento, para consulta dos cadernos de recenseamento (número de eleitor e a Freguesia/Distrito onde votar).


Mapa Calendário das Operações Eleitorais (PDF - 67 Kb)

Apelo a Santo António

Ó meu rico Santo António
Meu santinho Milagreiro
Vê se levas o Zé Sócrates
P'ra junto do Sá Carneiro

Se puderes faz um esforço
Porque o caminho é penoso
Aproveita a viagem
E leva o Durão Barroso

Para que tudo corra bem
E porque a viagem entristece
Faz uma limpeza geral
E leva também o PS

Para que não fiquem a rir-se
Os senhores do PSD
Mete-os no mesmo carro
Juntamente com os do PCP

Porque a viagem é cara
E é preciso cultivar as hortas
Para rentabilizar o percurso
Não deixes cá o Paulo Portas

Para ficar tudo limpo
E purificar bem a cousa
Arranja um cantinho
E leva o Jerónimo de Sousa

Como estamos em democracia
Embora não pareça às vezes
Aproveita o transporte
E leva também o Menezes

Se puderes faz esse jeito
Em Maio, mês da maçã
A temperatura está a preceito
Não te esqueças do Louçã

Todos eles são matreiros
E vivem à base de golpes
Faz lá mais um favorzinho
E leva o Santana Lopes

Isto chegou a tal ponto
E vão as coisas tão mal
Que só varrendo esta gente
Se salvará Portugal     

Colóquio Festas do Ciclo de Inverno no Nordeste de Portugal

PROGRAMA
Realiza-se, nos dias 12 e 13 de Maio, o Colóquio Festas do Ciclo de Inverno no Nordeste de Portugal, homenagem a Noémia Delgado e revisitação das festas pelos novos investigadores do IELT.
Convidada: Noémia Delgado
Coordenação científica: Paula Godinho
Organização: Amanda Guapo, Pedro Grenha e Savina Lafita
Local: Sala Multiusos n. 3, 4º piso do Edifício ID
FCSH-UNL
Se a obra de Benjamim Pereira, Máscaras Portuguesas, publicada em 1973, é o texto antropológico de partida para o reconhecimento das festividades de Inverno, Máscaras, de Noémia Delgado, filmado entre o Natal de 1974 e o Carnaval de 1975, traz-nos as imagens preciosas dessas festas, inspiradoras para tantos dos antropólogos que se vão dedicando a esta temática.
Neste colóquio que homenageia Noémia Delgado, numa via de continuidade, as novas gerações de investigadores revisitam as festas sobre as quais se filmou e reflectiu reconhecendo as abordagens anteriores e retratando a mudança.
Máscaras mostra um encontro bem-aventurado entre a antropologia e o cinema, cerzindo textos de Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira com as imagens tocantes e densas filmadas por Noémia Delgado na cidade de Bragança e em várias aldeias de Trás-os-Montes no ciclo dos doze dias entre o Natal e os Reis e no Carnaval em 1974 e 1975. A realizadora deslocou-se a Trás-os-Montes a partir do Natal de 1974 para filmar as cerimónias da Festa dos Rapazes, de que tivera conhecimento através da obra de Benjamim Pereira, Máscaras Portuguesas, publicada no ano anterior, e que constitui o grande marco no levantamento das máscaras por parte dos antropólogos em Portugal. As festas conheciam então um período de suspensão, devido aos processos migratórios e à guerra colonial. A inspiração para vários dos trabalhos de investigação partiria desse filme belíssimo. Neste colóquio, que reúne investigadores de várias gerações, dialoga-se e homenageia-se Noémia Delgado, sobretudo através das novas perspectivas acerca das cerimónias e do seu registo no cinema documental. Com Máscaras, há um passado redescoberto na febre de recuperação da cultura popular que acompanhou o processo revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril. O filme de Noémia Delgado marcou os vizinhos das aldeias visitadas, pelo elogio à beleza das festas, tão bem captada pela realizadora de Máscaras e anualmente registada pelos operadores de câmara das diversas televisões que as projectam para fora. É com ele que hoje se dialoga, no espelho em que as festas são revistas e relidas, transformadas em emblema local e em património.

Mais informação:
Oriana Alves
Instituto de Estudos de Literatura Tradicional
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa
Avenida de Berna, 26 - C, 1069-061 Lisboa
Telefone: 21 790 83 00, Ext.: 1241

terça-feira, 10 de maio de 2011

A Rita

É certo que enches a casa de pelo. É certo que quase me fazes tropeçar em ti todos os dias, tal como é certo que a casa ficaria vazia sem ti.
Atenta, amiga, companheira, mimada e que já quase sabe miar :-)
Caros amigos, apresento-vos a Rita, a minha gata.
Quem diz que os gatos são ariscos, é certamente porque nunca viu ou esteve perto da Rita.

Programa dos Workshop's da 1.º Feira Ibérica de Sustentabi​lidade Urbana

A 1.ª Feira Ibérica da Sustentabilidade Urbana, composta por um conjunto complementar de iniciativas, será um espaço de divulgação e disseminação de boas práticas relacionadas com a sustentabilidade urbana, abrangendo as temáticas do Eco-Turismo, Eco-Energia, Eco-Produtos e Eco-Construção.
Aqui fica o programa detalhado dos workshop's inseridos na 1.ª Feira Ibérica de Sustentabilidade Urbana.
A participação nos referidos workshop's é gratuita.




segunda-feira, 9 de maio de 2011

Portugal a Pé - Em Podence ainda mandam os Caretos

Nuno Ferreira faz-se aos caminhos do Entrudo nacional. Viaja até Trás-os-Montes, ao concelho de Macedo de Cavaleiros. Aí, em Podence encontra um carnaval chocalheiro. Há caretos e, com eles, as máscaras coloridas de latão ou madeira, fatos de lã vermelha, verde, amarela, envergados da cabeça aos pés. À cintura chocalhos e bandoleiras. Um relato que inclui «banhos de formigas».
Em Fevereiro de 2010, um céu pesado, baixo e sombrio abatia-se sobre o lençol cinzento das águas da albufeira do Azibo. No Verão, dizem, a praia fluvial faz as delícias dos autóctones e dos forasteiros. Em Fevereiro é uma miragem frígida que acena do outro lado da IP 4. Num pedaço grande de campo muito verde em frente à Casa do Careto, em Podence, os burros da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA) estavam ali para quem quisesse dar um passeio ou simplesmente dar uma festa. Por momentos, um careto trepou para cima do dorso de um deles e entrou rua dentro num improviso carnavalesco verdadeiramente espontâneo.
De há uns tempos a esta parte que a tradição do entrudo de Podence é promovida e bem pela autarquia de Macedo de Cavaleiros, que junta num único cartaz a que dá o nome de «Entrudo Chocalheiro - Carnaval Genuíno» as tropelias dos caretos e os desfiles carnavalescos nas ruas da cidade. No desfile de domingo, por exemplo, os caretos de Podence dão uma perninha e descem à cidade para chocalhar um bocadinho antes de regressar à aldeia.
Com tempo para apreciar o entrudo de Podence e simultaneamente o desfile carnavalesco de Macedo, acabei por ver o que vem do fundo dos tempos e o que se improvisa agora. «Ah, mas esse desfile não é genuíno», disseram-me em Macedo.
Por curiosidade e um pouco de teimosia também, acabei por assistir ao desfile citadino, onde, diga-se em abono da verdade, não existem corsos abrasileirados e cada aldeia da região se faz representar, nalguns casos com alguma peculiaridade, como a Banda de Latos de Bagueixe, um povoado de 190 habitantes entre Macedo e Izeda. Os locais da Associação Cultural de Bagueixe tocam baldes de lata, enxadas, chocalhos, sempre em ritmo sincopado tal como dantes os pastores faziam para afastar os lobos e há quem diga que antigamente os mais pobres da aldeia batiam com latos velhos à porta dos senhorios quando tinham fome.
Enquanto ao desfile citadino acorreram sobretudo os locais, Podence e os seus caretos são um chamariz para forasteiros, portugueses e estrangeiros, uma mole acasacada e munida de câmaras fotográficas e máquinas de filmar. Sob uma temperatura gélida e momentos de chuva muito fria, os caretos desciam e subiam a rua junto à Casa do Careto, chocalhando mulheres, sobretudo jovens vindas de fora. Traziam as já famosas máscaras coloridas de latão ou madeira, vestiam da cabeça aos pés os fatos de lã vermelha, verde e amarela e traziam à cintura chocalhos e bandoleiras com campainhas que em tempos deveriam assustar verdadeiramente as moças locais e agora diverte as turistas.
Antigamente, as mulheres da aldeia tinham de esconder-se em casa porque além de serem chocalhadas, eram alvo de cinza e dejectos e fustigadas com pele de coelho seca ou bexiga de porco fumada. «Para não falar no banho de formigas, broma pesada e cruel com especímenes selvagens recolhidos nos campos». Panela que estivesse ao lume era virada e despejada.
Hoje, num tempo em que os caretos já foram ao Festival da Canção, à Eurodisney, ao carnaval de Nice e ao carnaval de Viarregio, em Itália, a celebração é sobretudo uma atracção de raiz etnográfica para turistas sequiosos de imagens de um entrudo passado. Este ano, por exemplo, há concursos de fotografia, há de novo exposições várias na Casa do Careto incluindo uma exposição de fotos de Luís Brinco, o lançamento do vinho «Entrudo Chocalheiro» e do ensaio antropológico em livro «Por Detrás Da Máscara» de Paulo Raposo enquanto continua a ser exibido o documentário «No Domínio dos Tempos» de Vítor Salvador.
«A gente já não liga muito porque todos os anos é a mesma coisa mas a malta de fora gosta porque é um carnaval diferente. É bom para todos», confidenciavam-me em Fevereiro passado. Apesar da ameaça da chuva, o ritual da queima do entrudo com os caretos a correr em círculo entre as chamas foi um festim para os forasteiros. Não me cansei de tirar fotografias e imaginei como tudo deve ter sido nos velhos tempos, quando a aldeia, perdida num Trás-os-Montes que já não existe, vivia intensamente a tradição.