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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

“O silêncio, a memória, o tempo”

“O silêncio, a memória, o tempo” é o tema da mostra documental  patente na sala de leitura e ao longo dos claustros do Arquivo Distrital de Bragança, reúne cerca de 4 mil volumes.
A exposição, assinala os 150 anos do nascimento do Abade Baçal e está dividida em 2 núcleos: o bibliográfico e a parte de arquivo. 
A mostra reúne os documentos mais representativos da instituição, desde os livros da autoria do Padre António Vieira, do século XV aos cartazes da autoria de PEDRO CARDIM. Na passada quarta-feira, o Arquivo Distrital de Bragança promoveu o “Dia Aberto”, abrindo as suas portas à comunidade, de forma divulgar o património arquivístico do distrito de Bragança.

in:jornalnordeste.com

Torre de Moncorvo recebeu ação de esclarecimento sobre Novos Fundos Comunitários

Teve lugar no auditório da Associação de Comerciantes e Industriais do concelho de Moncorvo, no passado dia 23 de Abril, uma ação de esclarecimento sobre os Novos Fundos Comunitários.

No início da sessão o Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Nuno Gonçalves, e o Presidente da Associação de Comerciantes e Industriais do concelho de Moncorvo, Dinis Cordeiro, deram as boas vindas aos mais de 40 participantes presentes.

Seguiu-se o painel “Portugal 2020 – Enquadramento Geral & Compete 2020” da responsabilidade de Catarina Martiniano e o painel “PDR 2020” da responsabilidade de Luísa Tomé. Catarina Martiniano explicou “Outros Sistemas de Incentivos”, havendo ainda lugar para o esclarecimento de questões colocadas pelos empresários e potenciais empreendedores presentes. 

A iniciativa é da responsabilidade da SPA Consultoria e GestiTomé, em parceria com a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Gabinete de Apoio ao Investidor e Associação de Comerciantes e Industriais do Concelho de Moncorvo.

Nota de Imprensa da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo (Luciana Raimundo)

Voto de Pesar pelo Falecimento de Leandro do Vale

Ata da Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Bragança em 13 de abril de 2015

Cão de Gado Transmontano

Bolota
O Cão de Gado Transmontano é uma raça antiga, descendente dos mastins do tronco Ibérico. Desenvolveu-se naturalmente no nordeste de Trás-os-Montes, com pouca influência do pastor na criação. A selecção destes cães era ditada pela natureza e mais concretamente pelo lobo.
O Cão de Gado Transmontano é uma raça possante e funcional que desempenha de forma exemplar a função de guarda. Particularmente utilizado para defender os rebanhos de ovelhas e cabras, a popularidade da raça caiu quando o êxodo rural e a emigração mais se verificaram na região. Com a necessidade de proteger o lobo, a importância da utilização destes cães pelos pastores tornou-se vital. Aliás, os pastores só são indemnizados pelas ovelhas perdidas para os lobos se tiverem pelo menos um cão por cada 50 cabeças de gado.
Apesar da sua longa história, só recentemente é que a raça foi reconhecida pelo Clube Português de Canicultura, mas aguarda ainda o reconhecimento do FCI. O estalão desta raça é provisório, valendo por um período de cinco anos após a aprovação.
Para além do reconhecimento nacional, existem também programas que visam proteger e divulgar o Cão de Gado Transmontano. Exemplo disso é o trabalho feito no Parque Natural de Montesinho, onde as ninhadas e cães são contabilizados e interessados são colocados em contacto com os criadores, sobretudo pastores.
Têm-se criado também exposições para esta raça, de forma a divulgar e apurar os melhores exemplares.
Temperamento:
O Cão de Gado Transmontano é um animal possante, que necessita de um dono experiente. As suas maiores qualidades podem virar graves defeitos se o dono não for capaz de dominar o cão. Independente e possessivo, o Cão de Gado Transmontano deve ser ensinado desde pequeno a respeitar o dono.
Luna
Mas é a sua territorialidade e capacidade de iniciativa que o torna num cão de guarda de rebanhos de excepção. A zona onde é mantido ou passeado é entendida pelo cão como sua e tenta sempre protegê-la de estranhos. Está adaptado ao frio rigoroso do Inverno transmontano, mas também ao calor sufocante do Verão. Para se proteger das condições atmosféricas, escava buracos na terra, em busca de abrigo do vento forte ou em procura de um local mais fresco. Mantido em jardins, a relva é sempre esburacada.
O Cão de Gado Transmontano necessita de bastante espaço e não é o cão indicado para ambientes urbanos. Embora se habitue à trela, este cão prefere cumprir a sua função livremente no campo.
Em adultos, estes cães tornam-se sensíveis, ao ponto de serem ciumentos. Dóceis com a família, mantêm contudo uma personalidade reservada.
Dão-se bem com outros cães após ser estabelecida uma hierarquia.
Aparência Geral:
O Cão de Gado Transmontano é a maior raça de cães portuguesa. De porte gigante, as fêmeas entre 66 e 76 cm, pesando 45 a 60 kg, mas já os machos atingem entre 74 e 84 cm e pesam 55 a 65 kg.
Esta raça é também uma das mais rústicas, mantendo-se forte e imponente, com uma aparência nobre.
A cabeça é maciça com um stop moderado. Os olhos médios são cor de mel ou castanho escuro. As orelhas, também de tamanho médio, são ligeiramente mais compridas do que largas, afunilando na ponta, mas terminando redondas.
Embora os machos sejam bastante mais altos do que as fêmeas, o corpo de ambos mantém uma forma rectangular. Mesmo assim, os animais dos dois sexos não são demasiado volumosos, apresentam-se antes fortes e bem musculados.
O Cão de Gado Transmontano tem a pele grossa, exceptuando na cabeça, onde se apresenta mais fina. No pescoço, forma pequenas pregas de pele que são uma protecção contra as ataques dos lobos.
O pêlo é liso e de comprimento médio, formando uma pelagem densa e grossa. A raça tem sub-pêlo. O Cão de Gado Transmontano é mais comum em branco com malhas pretas, amarelas, fulvas ou lobeiro. A raça pode também apresentar um só cor ou ser raiada. Em determinadas zonas pode ser: mosqueada, no fundo do manto, ou afogueada, na máscara.
Saúde e Higiene:
Bolota
Apesar de ser bastante resistente, existem algumas doenças típicas de cães de porte grande que também afectam o cão de Gado Transmontano. A displasia da anca e cotovelo têm alguma prevalência na raça e os progenitores devem despistados antes de acasalarem.Apesar de ser bastante resistente, existem algumas doenças típicas de cães de porte grande que também afectam o cão de Gado Transmontano. A displasia da anca e cotovelo têm alguma prevalência na raça e os progenitores devem despistados antes de acasalarem.
A pelagem deve ser escovada uma vez por semana, para remover terra, pó ou outra sujidade. O banho só deve ser dado quando não puder ser evitado.

(Texto: http://arcadenoe.sapo.pt)
(Fotos: http://www.caodegadotransmontano.org.pt/)

Área de Paisagem Protegida da Serra da Nogueira

Serra da Nogueira
A Serra da Nogueira é um maciço montanhoso que se ergue a sudoeste da cidade de Bragança, com orientação N-S, e com uma extensão de, aproximadamente, 13 Kms. No ponto mais alto, atinge os 1319 m. Neste ponto, situa-se o Santuário de Nossa Senhora da Serra ( ou N. Senhora. das Neves ) e, em dias claros, pode servir de miradouro para uma das visões mais alargadas que existe em Portugal, tal é a amplitude do horizonte visual que dali se disfruta.
Na vertente Leste, situam-se diversas povoações - Grandais, Castro de Avelãs, Castanheira, Formil, Gostei, Nogueira, Rebordãos, Sortes e Santa Comba de Rossas; a Sul, ficam Rebordainhos e ; do lado Poente, e ao longo de uma vasta extensão, podem encontrar-se Castrelos, Conlelas, Alimonde, Carrazedo, Martim, Refóios, Zoio, Vila Boa, São Cibrão, Celas, Mós de Celas e Negreda. São quase todas do concelho de Bragança, exceptuando as últimas cinco que fazem parte do concelho de Vinhais.
A Sul da Serra de Nogueira fica a Serra de Bornes; a Norte, a de Montesinho; e a Nordeste, a de Sanábria. A Poente, avistam-se contornos vários do relevo, principalmente a Serra da Coroa e o Cerro de Penhas Juntas. Na sua formação geológica, a Nogueira é formada por xistos argilosos, xistos cloríticos, talcos ou pedra molar e afloramentos de ferro a que o povo chama "pedra ferrenha". Nas suas encostas nascem várias ribeiras, em nascentes de água fresca e cristalina, que vão engrossando ao longo do percurso, como é o caso do rio Fervença que corre para o rio Sabor, da Ribeira de Vila Boa e a de Celas que afluem ao Tuela. Nesses cursos de água nascem e desenvolvem-se diversas espécies de peixe: a truta vulgar, o barbo, a boga, o escalo e a enguia. De registar e lamentar que muitos destes peixes sejam vítimas de uma perseguição atroz com bombas e venenos, principalmente durante o período de Verão.
Carvalho Negral:
Carvalho Negral
O carvalho negral é uma espécie atlântica, que prefere uma atmosfera húmida e uma quantidade média de humidade no solo. No entanto, é susceptível de viver em condições mais desfavoráveis, como sucede no leste de Portugal, onde os verões são bastante secos.
A maior área de carvalho negral presente em Portugal está localizada a norte do Rio Douro, na Região de Trás-os-Montes e Alto Douro, sendo o ecossistema da Serra da Nogueira onde está mais representado.
Nesta região, dá-se o predomínio dos solos pardos (florestais) podzólicos e litosolos ácidos, de rochas cristalofílicas, associados a solos litólicos e litosolos ácidos, ambos estes dois de granito e todos de regiões muito húmidas.
Quanto à fauna, pode dizer-se que a Nogueira é um autêntico manancial de bicharada brava, um "museu" vivo de espécies animais que há muito teriam desaparecido se as condições oferecidas pela serra não fossem o que são - naturais e religiosamente preservadas.
Raposa
Mamíferos:
Ali há lobos (Canis lupus-L), raposas (Vulpes – vulpes-L), javalis (Sus scrofa-L), corços (Capreolus capreolus-L), ouriços-cacheiros (Erinaceus europaens), texugos , lebre (Lepus capensis-L), coelho bravo (Oryctolagus cuniculus-L), toupeira (Talpa occidentalis Cabrera), doninha (Mustela nivalis-L), leirões (Rattus rattus-L), lontra (Lutra lutra-L), gato bravo (Felis silvestris Schreber).
Aves:
Voam nas suas encostas a cegonha branca (Ciconia ciconia-L), a perdiz comum (Alectoris rufa-L), a codorniz (Coturnix coturnix-L), a galinhola (Scolopax rusticola-L), o pombo bravo (Columba oenas-L), a rola (Streptopelia turtur-L), o cuco (Cuculus canorus-L), a andorinha dos beirais (Delichon urbica-L), o rouxinol (Luscinia megarhynchos C.L. Brehm), o melro (Turdus merula-L), o gaio/pigarra (Garrulus glandarius-L), a pega (Pica pica-L), o corvo (Corvus covax-L), o peneireiro cinzento (Elanus caeruleus Desfontaines), o gavião (Accipiter nisus-L), morcegos, a noitibó, todo o tipo de passarada miuda, a toutinegra, a gralha, o amarelante, o pica-pau e já houve águias e grifos...
Peneireiro Cinzento
Anfíbios:
Há salamandras de pintas amarelas (Salamandra salamandra-L), rã verde (Rana perezi Seoane), sapo (Bufo bufo-L) cobras, lagartos, viboras, viborões, escouparinhos, cobras de água.
Flora:
A flora é também muito abundante, com alguns tipos de vegetação a merecerem destaque. O castanheiro (Castanea sativa Mill) abunda, existem muitas nogueiras (Juglans regia-L) e houve muitos negrilhos (Ulmus procera salisb) que morreram há alguns anos com doença incurável; há cerejeiras (Prunus avium-L), choupo negro (Populus nigra-L) e branco (Populus alba-L), amieiros (Alnus grutinosa-L), salgueiro preto (Salix atro-cinera-Brot) e branco (Salix alba-L), vidoeiros (Bétula pubescens-Ehrh), freixos , medronheiro (Arbutus unedo-L), lentisqueiro bastardo (Phillyrea angustifolia-L), abrunheiro bravo (Prunus Spinosa-L), roseira brava (Rosa canina-L) e a silva (Rubus ulmifólius Schott). E abundam também a esteva resinosa (Cistus ladaníferus-L), o feto ordinário (Pteridium aquilinum Kubr), a urze (Calluna vulgaris Salish), a carqueja (Pterospartum Wk et Lge), a arçã (Lavandula pedunculata Cav), o tojo arnal (Ulex Europaeus), o alecrim, o rosmaninho e algumas de implantação mais recente como são o pinheiro e o cupresso. Mas a espécie que mais distingue e enriquece todo aquele colosso de monte bravo, é sem dúvida, o carvalho negral (Quercus pyrenaica Willd.) e touças de carvalho velano (Quercus lusitânica Lam.). Segundo informações que merecem todo o crédito, a serra da Nogueira possui a mancha florestal de carvalhos mais extensa de Portugal e, talvez mesmo, da Europa. De facto, trata-se de um espaço imenso constituído pelo carvalhal que vai do Ranhadouro até Celas e desde Vila Boa de Vinhais até às encostas que vertem para Rebordãos ou Rossas.

As Ceifas

Há muito tempo, no mês de Julho, quando os homens ceifavam o cereal à mão, com a foice na mesma e se perdiam no ermo das searas sem telemóvel para comunicar com alguma antena erigida sobre o monte, ou no meio da neblina - dizia mais tarde o Rui Veloso.
Mas, isto vem por quê?... Não é de saudades dos tempos sem tecnologias de ponta. Não é que não houvesse civilização. O respeito pela ecologia existia. Não faziam ideia da existência de semelhante palavra, por isso não havia maldade contra a mesma. Quando se contava da passagem do primeiro avião pelos céus sossegados da aldeia, as preces multiplicaram-se rumo à igreja para que o fim do mundo ainda não estivesse breve. A vinda do primeiro automóvel, o povo reúne-se e o regedor aparece à frente que diz: “Calma povo qu'emos de agarrar vivo”
Coitados dos homens que passavam o dia a ceifar o trigo, o centeio, as gametas (lentilhas), ou a cevada, as sogras a levar-lhe as sopas, as moçoilas e os rapazolas a apanhar as espigas que ficavam e as mulheres a parir. Eram felizes. Os brotinhos dos animais ainda hoje o são, mau grado a intervenção de outros animais que se entremetem nas suas vidas.
Uma larga quinzena ou novena a apanhar o centeio da ladeirica para ainda poder ir “à ceifa dos senhores feudais” da terra. Não existia revolta do proletariado, divertiam-se inventando até ao ponto de nos terem deixado uma grande riqueza cultural, sentimental... que hoje é tão esquecida e que devia estar registada em “cancioneiros”, que as memórias existentes ainda as podiam contar. Era todo um ritual de sonhos copos e rezas com a energia da essência do ser humano no seu autêntico, em que nada era de plástico ou embalado em saco de papel, que depois voava pela rua.
Depois das ceifas com todos os seus pormenores, que iam sendo interiorizados pelos mais novos que engrenavam no trabalho a sério, como que emancipando uma maioridade, mais ano menos ano, até chegar a ser o “maioral”, ou simplesmente andar a atar o pão que os outras ceifavam, havia mérito, ou menos astúcia. Nesta temporada dormiam fora de casa, no campo, junto ao corte da ceifa, pois de madrugada havia que juntar os molhos do cereal, que era quando menos se estragava, pois estava menos quente “ menos áspero”. Ao meio-dia (talvez mais tarde), depois de comer as sopas, dormiam a sesta, pois as horas lá se iam sabendo, se o vento ajudasse a ouvir o relógio da igreja.
Depois disto havia as “eiras”, que esperavam vazias, o ano inteiro por este tempo e então aí sim, a festa vinha aproximando-se de casa. A “acarreja”. Depois das terras ceifadas e feitos os “relheiros” nas terras, havia que fazer o transporte do cereal para as eiras. O gabarito “a proa” dos melhores vinha mais uma vez à evidência. O que melhor carregava o carro de bois, o que carregava mais à sua junta, o que mais cedo tinha o carro já descarregado nas eiras, etc. Os carros de madeira chiavam. A sinfonia orquestrada pelo romper do dia, comandada pela batuta-aguilhada do lavrador que picava a junta, rumo ao festival do verão. As colheitas. Nas eiras, havia que fazer o ”bornal”, bem feito, que não entrasse a água, se houvesse uma trovoada, que não caísse ao chão, o que seria uma vergonha, que fosse o maior e que se visse ao longe.
Também a criançada, tinha o seu lugar nas brincadeiras. Os buracos por entre os bornais junto ao chão serviam para a canalha passar de um lado para o outro, ou seja de uma rua de bornais para outra rua, fazendo alguns jogos como a “lerta”, por exemplo. Outros jogos e divertimentos a canalha fazia nas eiras, enquanto esperavam os pais que vinham com outro carreto, que é como quem diz, com outro carro carregado de pão “cereal”. O comportamento e educação eram medidos com a aguilhada nas costas daquele que pisava o risco, fazendo às vezes insultos menos próprios para os animais em que estes faziam mexer o carro e consequentemente quem estava em cima a descarregar. Muitas vezes também a brincadeira podia acabar, sendo requisitados para ajudar a fazer o bornal.
O trabalho árduo do verão consistia no fazer das colheitas para futuro armazenamento, em tempo record de dois meses a passar. Pois de resto já tínhamos tido o resto do ano como preparação do terreno e produção do cereal até chegar aqui.
Debulha com Trilho
 Chegou a hora, vamos às trilhas.
Triturar o cereal, melhor a planta de onde vai sair o grão, pois ele está lá, não todo, pois já se perdeu muito nas voltas atrás. Depois de ter feito o monumento, bornal, há que o destruir. Cada passo seguinte é a destruição do anterior. Uma trindade, uma tríade, enfim, um ritual, nem profano, nem divino, mas que ambos se misturavam. As rezas existiam pois, as bênçãos também, que se misturavam com blasfémias, aos animais, às crianças, às mães destes, sem poupar as sogras.
O bornal era em forma circular, ou melhor, um cilindro com um cone de chapéu.
No chão ao lado do bornal começava a esboçar-se a parva, onde em forma circular se iam desatando os molhos e colocados à passagem do trilho. Este utensílio era puxado por uma junta de vacas ou de mulas com alguém em cima que as guiava, insistindo nas passagens sempre à volta e para o mesmo lado. O cereal ia sendo cortado com este trilho que tinha na parte inferior objectos cortantes que em alguns casos eram pequenos pedaços de seixo cravados no madeiro do trilho, em outros eram ferros. O trilho tinha uma forma rectangular, que deslizava longitudinalmente, com a forma dianteira ligeiramente levantada, para a palha não se prender na frente, tendo logo atrás um pau vertical que servia de apoio ao condutor e às guias, no caso das mulas. A palha ia sendo cortada, volta após volta. Cortando a palha à superfície, pois era necessário virar a palha para toda ficar triturada. Os homens com vendos em punho se encarregavam de o fazer, pois tinha que ser e já nessa altura o que tinha que ser tinha muita força. O dia todo a dar-lhe, a dar-lhe e a burra a fugir, pois os animais também suavam. Os miúdos também tinham aqui o seu papel importante, que era andar com a “sanita”, uma cortiça extraída de um nó do sobreiro, em forma de concha, atrás dos animais, para quando tivessem necessidades fisiológicas, estes não sujarem o cereal. De manhã até à noite sem relógio no pulso, só na barriga, que às vezes tinha que esperar, adiar ou suprimir, aí estava a gente toda na labuta, até transformar as palhas grandes em pequeninas, ou pó até, com o grão ainda misturado.
Faltava agora esperar. Esperar até quando? Só Deus diria. O vento, precisa-se.
Podiam esperar vários dias até haver um dia de vento para limpar a parva. Consistia em atirar ao ar com os vendos de madeira, a palha para o vento a levar algo à frente e o grão cair logo ali, pois é mais pesado e assim fazer a separação. Havia situações de chover antes de limpar a parva o que era uma chatice, pois a seguir era preciso enxugar. Em seguida procedia-se à recolha do grão para as tulhas e a palha para os palheiros, que os animais comiam durante o ano. Pois mais uma vez a sinfonia dos carros de bois se ouvia, com a recolha da palha e do grão. Contam os mais velhos que trilhavam com as mulas que quando estas ouviam tocar os sinos às Avé-Marias, ao meio-dia, ninguém mais pegava nelas fugindo em direcção ao repouso da hora das sopas.
Mais tarde veio o motor a diesel que fazia trabalhar uma máquina cheia de correias que comia os molhos de cereal inteiros, já não reagia por estímulos, cagando a palha por um lado (a traseira) e o grão por outro (a frente). Eram movidas de um lado para o outro por tracção animal. Logo em seguida vieram os tractores que passaram a fazer algo mais. Hoje estas máquinas apodrecem, um pouco por todo o Nordeste Transmontano, sob pena de nenhuma ficar como relíquia de museu.

(A vida de outros tempos, contada por Manuel Falcão)

terça-feira, 28 de abril de 2015

O I.R.S....e outras coisas.

Hoje em dia, não me seria fácil estar integrado numa fila de gente e, à boa maneira portuguesa no último dia, para fazer a entrega do IRS (imposto de rendimentos de pessoas singulares).
Aderi a estas possibilidades que se transformaram em imensas mais-valias desde a primeira hora. “É fácil, é barato e só não dá milhões”.
Os Homens e as Mulheres das nossas aldeias é que não estão necessariamente preparados para o fazer, até porque é bem mais importante dar de comer às galinhas e aos porcos!!!
Os que podiam ajudar, foram sequestrados para o estrangeiro ou para o litoral.
Mais uma vez, falta sensibilidade aos poderes nacionais locais e regionais. A informação deve ser local e, em meios rurais, quase porta a porta. É importante apetrechar as Juntas de Freguesia de equipamento e essencialmente de recursos humanos que permitam, num projecto EFECTIVO de proximidade e apoio colectivo, ajudar e sensibilizar as populações a utilizarem as novas tecnologias. É lírico e como tal inconsequente, pretenderem que um cidadão octogenário e por iniciativa própria e, do nosso meio rural, venha a utilizar o sítio das Finanças para proceder à entrega do seu IRS...
O nosso País foi e é, governado por fantoches e malabaristas que não sabem tirar o cú da cadeira. Da cadeira dos restaurantes, em almoços e jantares para os quais nunca falta a nota. Pudera, não lhes sai dos bolsos...

HM

As Festas.

Fotografia de Henrique Martins
Mas…as festas das aldeias, porque queremos e assim está, quase, instituído, têm a maior riqueza nos encontros.
Como dizia o Henrique Mendes, naquele programa do choradinho, “A Vida é feita de encontros e desencontros”…
Mas, um dos encontros obrigatórios é o das festas da aldeia, de todas as aldeias portuguesas…
Todos os que podem, estejam em que cantinhos do mundo estiverem, reservam sempre uns dias para virem às suas géneses. Não procuram grandes shows, grandes espectáculos, grande confusão. Procuram aquela paz de espírito…uma vez por ano. Procuram aquele espaço onde são conhecidos pela alcunha e onde não passam despercebidos…
O…? Já veio? Já, vi-o ontem à noite e já estava com uma ramada…
E depois, de tarde, depois do banho…há o espaço da saudade…na esplanada do tasco. Onde se desfilam vidas sofridas, anseios, desilusões e…mais uns copos…e estórias e histórias.
Fotografia de Paulo Rodrigues
As terras de cultivo vão ficando abandonadas, secas, sozinhas como a alma das gentes mais velhas…
Os mais velhos juntam à alegria momentânea da terra, da GENTE, a lágrima escondida e a raiva sentida de saberem que, provavelmente, pertencem à última geração que vai fazer um esforço para manter vivas as nossas aldeias.
Será que…quando os nossos avós partirem…voltaremos à terra? Eles mereciam que assim fosse e tudo fazem por isso.
E nós?...faremos a nossa parte.
E A NOSSA MEMÓRIA?...
Aqui fica uma imagem de três gerações…no segundo dia de festas…falta um…
E depois?...
O Cão…sou eu e todos os que se deslumbram com os hipermercados em detrimento da horta.

HM

Azibo pelo Ar - Macedo de Cavaleiros

As Festas dos Rapazes

Do elenco vasto e significativo dos rituais festivos do solstício de Inverno no Nordeste Transmontano salienta-se o conjunto das festas dos rapazes, na sua denominação mais genérica.
As festas dos rapazes são “uma espécie de rito que assinala o ingresso dos moços na classe de idade dos adultos, composto de vários episódios dos quais, em geral, são totalmente excluídas as mulheres. Elas ocorrem em algumas aldeias do concelho de Bragança, entre o dia 25 de Dezembro e o Dia de Reis, a 6 de Janeiro” (Pereira, Benjamim, in Máscaras em Portugal). Podemos alargar este espaço geográfico a outras aldeias de Terras de Miranda e de Vinhais onde ocorrem celebrações de características afins e com idênticas designações, festas dos moços ou da mocidade e que, portanto, podem ser agrupadas no mesmo conjunto.
As peculiares manifestações festivas que aqui se desenrolam, sem qualquer afinidade com a Natividade ou com a Epifania, ostentam parâmetros semelhantes aos das antigas festividades solsticiais, o que nos leva a pensar que será esta, certamente, a única ligação que resta, decorridos dois milénios de cristianização, ao mundo dos antigos rituais ocorridos ciclicamente por ocasião da passagem do solstício de Inverno. Esta unificação religiosa chegou a esta região do império mantendo ambas as formas festivas em perfeita e harmoniosa convivência. Paulo Loução confirma esta hipótese: “Em Trás-os-Montes vive-se o espírito das Saturnais – em Roma realizadas a partir de 17 de Dezembro – onde se integram reminiscências de ritos guerreiros e solares de fundo muito arcaico. (…) As Festas dos Rapazes realizadas no Nordeste Transmontano, com mascarados, no solstício de Inverno, quando as temperaturas atingem vários graus negativos são dos ritos de fundo esotérico mais enigmáticos do nosso país” (Loução, Paulo, A alma Secreta de Portugal).
A distinção entre estas duas formas de celebrar o Natal, a cristã e a pagã, nem sempre é clara e notória, o que é compreensível, por vezes mesmo se confundem e se complementam: a espiritualidade cristã do Natal vive-se em perfeita harmonia com a ritualidade própria das festividades solsticiais, como se nada houvesse de antagónico. O que se nos afigura claro é que a festa tem neste momento total razão de ser: a noite é mais longa que o dia mas quatro dias volvidos sobre a passagem do solstício, nota-se uma ligeiríssima diferença; é então o momento de celebrar. Por isso, a data foi escolhida para marcar o nascimento dos grandes deuses solares – Agni, Hórus, Mithra, Cristo, etc. Serão estes os rituais que no Nordeste Transmontano ainda hoje sobrevivem e se celebram com toda a solenidade, pelo grupo social dos jovens e, em cumplicidade tradicional, por toda a comunidade.
Dos ritos e características integrantes das festas dos rapazes podemos referir uma primeira série, a dos que são comuns a todas celebrações:
. a presença dos mascarados, que constituem as figuras centrais em torno dos quais toda a acção festiva se desenrola ao desempenharem os mais variados papéis, os quais são essenciais na animação e conferem uma significação específica à própria festa; o misticismo das cerimónias de certas sociedades secretas exige o uso das máscaras, o que confere às festas dos rapazes um esoterismo iniciático que está muito para além da compreensão de qualquer profano;
- a crítica social, como um ritual profano ao trazer à praça pública os factos ridículos ocorridos na aldeia e, ao mesmo tempo, sagrado por implicar uma espécie de confissão pública dos males da comunidade, para que a divindade, por esta via, os possa eliminar;
- os peditórios porta-a-porta, formalmente organizados como se de um rito sagrado se tratasse, cujo benefício reverte a favor dos santos que se homenageiam com a celebração festiva;
- as lutas entre rapazes e as provas de resistência física, como uma demonstração a fazer pelos jovens iniciados no grupo etário dos adultos;
- o carácter disciplinar imposto pela tradição e executado pelos líderes da festa aos jovens participantes, com a mesma simbologia dos ritos iniciáticos ou dos ritos de passagem.
“O Inverno é a estação das festas, das danças onde os jovens encarnam os espíritos para adquirirem os dons que eles concedem e se apropriarem dos poderes que eles possuem identificando-se a eles” (Caillois, Roger, L’Homme et le Sacré). Com esta pesada carga mágica e simbólica, as festas dos rapazes contêm múltiplos enquadramentos visíveis na sua análise factual, que vão da metamorfose por via das máscaras, das sui generis manifestações lúdicas, das formas mais ou menos explícitas de ritos de passagem e de outros ritos necessários ao bom andamento da comunidade, da associação dos jovens num grupo etário que visa a sua coesão, da afirmação deste grupo social na dinamização da sua localidade, até ao seu papel fundamental na valorização da cultura local e, consequentemente, no reforço da identidade de todo um povo.

Tiza, António Pinelo, Inverno Mágico, 2004

Produtores de castanha devem estar atentos aos sinais de infestação pela vespa asiática

Até ao final do próximo mês, os agricultores devem inspeccionar os soutos de castanheiros novos, de forma a detectarem galhas afectadas pela vespa asiática.
A recomendação é de Albino Bento, presidente da Escola Superior Agrária de Bragança e investigador na área da Protecção Integrada e Luta Biológica contra Pragas no Centro de Investigação de Montanha do IPB.
O investigador reconhece que a àrea de novas plantações é extensa mas para evitar a propagação, os agricultores devem fazer um esforço e estar atentos aos sinais de infestação. 
“Temos cerca de um mês sem adultos de vespa no exterior dos glomos. Este era o período que deveria ser aproveitado pelos agricultores que fizeram plantações este ano com plantas de origem espanhola ou desconhecida a passarem várias vezes pelas novas plantações e, encontrando galhas afectadas, devem recolhê-las, destrui-las e mete-las em sacos plásticos. Isso minimizava ou reduzia o problema. Compreendo que seja muito difícil conseguir passar por toda as àrea plantadas este ano, que foi elevada, mas deveria ser feito um esforço nesse sentido”, frisa Albino Bento. 
Os investigadores na área, acreditam que o aparecimento da vespa na região transmontana se deve à importação de castanheiros espanhóis infectados. Albino Bento lamenta que continuem a ser comercializados castanheiros de viveiros localizados em regiões infestadas pela vespa. 
O Município de Bragança aprovou ontem uma resolução, em reunião de câmara, a apelar ao combate à vespa do castanheiro. No documento, enviado a várias entidades relacionadas com a agricultura, instituições de ensino superior, juntas de freguesia, e ao Ministério da Agricultura o Município de Bragança exige que sejam tomadas, no mais curto espaço de tempo, as medidas necessárias ao combate eficaz deste potencial flagelo económico e social para a região de Trás-os-Montes, “solicitando-se, com carácter de urgência, a introdução das medidas financeiras e legislativas capazes de garantir aos agentes da fileira as condições para vencerem esta ameaça, sem os custos por que tiveram que passar outros países”. 

Escrito por Brigantia

Semana Académica de Bragança reduz preço dos bilhetes

Já começou a Semana Académica de Bragança. Este ano os bilhetes custam menos 2 euros, quer nas pulseiras quer nos bilhetes diários.
O presidente da Associação Académica do Instituto politécnico de Bragança, Ricardo Pinto destaca o facto de baixarem os preços e de terem no cartaz bandas constituídas por alunos do IPB.
“Entendemos que é difícil para o estudante de hoje em dia consiliar os estudos com a vida académica e conseguimos mais apoios. Conseguimos descer os preços em 2 euros na pulseira geral, que fica em 38 euros para estudantes e 50 euros para não estudantes. 
O preço dos bilhetes diários varia entre 5 e 12 euros”, revela Ricardo Pinto. 
A semana Académica começou ontem com o baile de finalistas e prolonga-se até à próxima segunda-feira. 
O cartaz conta com a presença de nomes como AGIR, que actua na quarta-feira, Expensive Soul e Meninos do Rio que actuam na quinta –feira e Blasted Mechanism e Putzgirlla que sobem ao palco na sexta-feira. 
No sábado, 2 de maio, acontece a Benção das Pastas e é a vez de actuarem Richie Campbell e 2BGroove. 
No Domingo é Rui Unas quem anima a Semana Académica, que termina na próxima segunda-feira com o desfile académico e a actuação de Quim Barreiros. 
O orçamento da Semana Académica 2015 ronda os 100 mil euros. A festa mantêm-se no pavilhão do NERBA, depois de ter estado em cima da mesa a mudança de local, devido ao megajulgamento das cartas de condução. 
A associação Académica lutou pela permanência no NERBA por considerar que este é “um lugar mítico para os estudantes” e pelo facto de ser mais económico O valor do aluguer do pavilhão do NERBA ronda os 8 mil euros, já uma tenda, por exemplo, poderia custar cerca de 70 mil. 

Escrito por Brigantia

Recursos micológicos ainda são subaproveitados

É necessária uma estratégia conjunta para aproveitar os recursos micológicos na região. Este é um dos pressupostos que, de acordo com Anabela Martins, investigadora do Centro de Investigação de Montanha, deve ser seguido pelas autarquias da região, para potenciar o recurso endógeno que continua a ser subaproveitado.
A ideia do trabalho em rede na área do micoturismo, na comercialização ou na regulamentação foi defendido pela docente do Instituto Politécnico de Bragança num encontro dedicado ao Micoturismo, em Alfândega da Fé. 
“No micoturismo, na comercialização ou na regulamentação, há que fazer um trabalho em rede, porque somos um território com baixíssima densidade populacional e se para cada autarquia houver uma política diferente de tratar um recurso isso pode vir a criar um problema. Há estratégias que podem ser conjuntas, concertadas e trabalhadas em rede”, defende Anabela Martins. 
O encontro, que contou com vinte participantes, foi organizada em colaboração pela Câmara Municipal de Alfândega da Fé e a Ambifungi, uma empresa do concelho que há um ano se dedica à transformação e comercialização de cogumelos selvagens. Marco Ferraz, um dos responsáveis do projecto, entende que os cogumelos são um recurso ainda desconhecido, por isso a informação é fundamental para promover o turismo ligado à micologia. 
“Os cogumelos são um recurso que ainda é um pouco desconhecido, e é importante promover acções de formação, exposições de fotografia, menus gastronómicos na restauração local. 
O objectivo é criar uma estratégia para chamar visitantes e haver a capacidades de os receber para eles voltarem, para que não façam só um passeio no Outono e outro na Primavera”, defende Marco Ferraz. 
O Município alfandeguense já tem vindo a proporcionar algumas iniciativas na área do turismo ligado à micologia com passeios e encontros, mas, de acordo como empreendedor, o objectivo do debate é criar uma estratégia de promoção do sector que possa contar com o envolvimento de outros agentes, como guias ou apanhadores de cogumelos selvagens com formação. 

Escrito por Brigantia

Raúl Morais homenageado pelo Município de Bragança

A Câmara Municipal de Bragança vai fazer mais uma homenagem, a título póstumo, a Raúl Morais, uma figura emblemática natural de Izeda.
A proposta para entregar a Medalha Municipal de Mérito a este izedense partiu dos vereadores do Partido Socialista na Câmara Municipal e foi aprovada por unanimidade pelo executivo do PSD. 
O vereador socialista, André Novo, destaca o trabalho feito por Raúl Morais em prol do desenvolvimento da sua terra. “Sempre lutou pela sua vila, aliás esteve na luta pela elevação de Izeda a vila. E Raúl Morais foi um poeta, um escritor, é aliás uma figura pública e essa foi a forma que nós encontrámos de homenagear todos os izedenses e os nordestinos”, realça o socialista. 
Para André Novo o facto de esta proposta ter sido aprovada por unanimidade deve-se ao facto de Raúl Morais ser uma figura de consenso. “Raúl Morais é uma figura consensual do Nordeste Transmontano, é um escritor com uma obra vastíssima, esteve à frente de vários movimentos cívicos para o desenvolvimento da vila de Izeda”, acrescenta André Novo. 
Ao que conseguimos apurar a entrega desta medalha vai acontecer nas comemorações da elevação de Izeda a vila, no próximo mês de Julho. 

Escrito por Brigantia

“Coisas” que parecem outras “coisas” para ver até junho

Até 3 de julho, o Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros é a casa da exposição Passado-Futuro+Futuro-Condicional, de Hélder Mendes.

O premiado artista plástico esteve presente na inauguração, na passada sexta feira, mas foi o curador José Luís Ferreira que acabou por falar das obras expostas.

José Luís Ferreira descreve o jovem artista, de 38 anos, como um “artista danado”.

Hélder Mendes, artistas plástico que reutiliza materiais para construir a sua arte, para ver no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros até junho.

Escrito por ONDA LIVRE

Passeio Pedestre pela Serra do Reboredo e Ecopista do Sabor no dia 1 de maio

No dia 1 de Maio, sexta-feira, tem lugar um passeio pedestre pela Serra do Reboredo e Ecopista do Sabor.

A concentração realiza-se no Jardim Trindade Coelho, pelas 08h30, seguindo a caminhada pela Capela de Nossa Senhora da Conceição, Casa do Guarda e percorrendo a Serra até ao Chafariz das Lamelas, onde se inicia o percurso da Ecopista do Sabor. Chegados à antiga estação do Larinho decorrerá uma aula de Zumba. O passeio continua até à estação de Moncorvo onde tem lugar um almoço convívio entre participantes.

O percurso tem cerca de 12 km e uma duração média de duas horas e meia, destacando-se as belíssimas paisagens da Mata do Reboredo e da Ecopista do Sabor.

As inscrições estão abertas até dia 30 de Abril, às 12h00, no sector do desporto da Câmara Municipal de Torre e Moncorvo e na Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo. 

O passeio pedestre é uma iniciativa da Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo com o apoio do Município de Torre de Moncorvo.

Nota de Imprensa da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo (Luciana Raimundo)

Quintanilha: Terra de Contrabando e de Fé

A freguesia de Quintanilha, montanhosa e acidentada, situa-se no extremo oriental do concelho de Bragança, mesmo no limite do concelho. É conhecida por ser uma das principais fronteiras com Espanha. É marginada pelo rio Maçãs e por um seu afluente. 
O seu povoamento remonta à pré-história. O povoado fortificado do Barrocal data da Idade do Ferro. É um povoado fortificado de média dimensão, situado entre a ribeira de Caravela e o rio Maçãs. Esta implantação interfluvial permite-lhe um bom sistema de defesa natural. Nas zonas mais vulneráveis, foi edificado um grande torreão de pedra de xisto, antecedido por um fosso escavado na rocha. Arrancando do torreão, uma linha de muralha. Foram recolhidos alguns fragmentos de cerâmica. 
O povoado fortificado de Castro da Réfega, em Petada, é de datação indeterminada, mas certamente da época pré-histórica. Localizava-se junto à margem direita do rio Maçãs, um pouco adiante da povoação de Réfega. Era um povoado de pequenas dimensões, defendido por uma muralha. Hoje em dia, não há quais quer vestígios da sua existência. Durante muito tempo, Quintanilha foi crescendo, em particular graças ao movimento comercial aduaneiro. Muitos dos produtos que passavam na fronteira, na direcção de Espanha ou de Portugal, eram contrabandeados, sobretudo durante a Ditadura, mas também durante os anos em que o espaço europeu ainda não era totalmente aberto.
No século XX, Quintanilha foi legada à coroa por D. Sancha, irmã de D. Afonso Henriques, após o falecimento do seu marido D. Fernão Mendes. Quintanilha chamava-se então S. Tomé de Quintela de Rio de Maçãs e já estava constituída como paróquia. Segundo as Inquirições de 1258, ordenadas por D. Afonso III, o mosteiro leonês de Moreirola tinha aqui muitos casais. Adquiridos durante o reinado de D. Sancho II. Em termos administrativos, Quintanilha esteve integrada no antigo concelho de Outeiro de Miranda, com carta de foral de 1514 e extinto em 1853.
Transitou então para o município de Bragança. O lugar de Veigas também foi sede de freguesia até ao século XVII, e aí esta hoje a sua Igreja para confirmá-lo. O decréscimo económico e populacional levou à extinção da freguesia e à sua integração em Quintanilha. Em termos de património edificado, a Igreja de Veiga é precisamente um dos maiores bens da freguesia. Apesar de muito alterada por arranjos posteriores à construção, a sua planta românica é ainda bem visível, como se pode ver pelas duas portas laterais e o arco triunfal que divide a capela-mor da nave central. Este arco, de volta perfeita, assenta em duas pequenas colunas laterais, cujos capitéis revelam uma decoração tipicamente românica. O pano granítico que divide a capela-mor da nave central apresenta pinturas de cenas bíblicas, provavelmente de origem moderna. 
A Capela de Nossa Senhora da Ribeira é um templo românico tardio que já merecia estar classificado. Deverá ter sido construído no século XIV. Segundo a tradição, foi mandado construir pela Rainha Santa Isabel. A Igreja Paroquial de S. Tomé, setecentista, e a Capela de Réfega são outros dos valores patrimoniais em destaque na freguesia.
Não há quem não tenha ou conheça histórias e aventuras de contrabandistas por aquelas bandas. Terra fronteiriça, são muitas as estórias que dão fama a Quintanilha, no concelho de Bragança.
Nos tempos em que as autoridades controlavam a passagem de pessoas e mercadorias entre Portugal e Espanha, poucos eram os que não se aventuravam a contrabandear produtos para tentarem ganhar mais alguns “trocos”. Desde bens alimentares, como pimento e café, a ferramentas e instrumentos agrícolas, era vasta a panóplia de mercadoria vendida ilegalmente, em ambos os lados da fronteira. Utilizando o rio Maçãs, que separa os dois países, como ponto estratégico na travessia, muitos eram os habitantes de Quintanilha que percorriam, nas frias noites de Inverno, montes e vales ibéricos para comprarem e venderem produtos nos dois lados da fronteira. “Trazíamos ovelhas, pimento e escabeche em lata, entre outras coisas, e depois para Espanha levávamos pão, ovos e café. No Inverno, chegávamos a andar com a água gelada do rio pelos ombros”, recordou Belarmino Martins, habitante de Quintanilha.
Uma vez comprada a mercadoria em Espanha, era levada para localidades como Coelhoso, Parada ou Vinhas, no concelho de Macedo de Cavaleiros. “Às vezes, transportávamos cerca de 50 kgs de produtos às costas e chegávamos a andar três horas a pé para a vendermos noutros sítios”, contou o antigo contrabandista, que começou a ajudar o pai neste tipo de “acções” com, apenas, 12 anos.
Devido ao apertado controlo das autoridades fronteiriças, era frequente “largar”o fardo no meio do monte e fugir, para não cair nas garras dos carabineiros. “Andávamos sempre alerta e, ao mínimo sinal, atirávamos com as coisas para algum sítio e, mais tarde, tentávamos reavê-las”, explicou Belarmino Martins.
Sendo uma actividade ilegal, eram frequentes as denúncias por parte de “passadores” ou habitantes às autoridades fronteiriças. “Algumas pessoas acusavam os contrabandistas. Alguns chegaram a ser apanhados e eram muito maltratados”, explicou outra habitante de Quintanilha, Hermínia Pires.
Devido ao ambiente de suspeição e desconfiança, a Guarda colocava em prática diversas operações com o objectivo de capturar os infractores. “Chegaram a revistar a nossa casa, mas nunca encontraram nada, porque deixávamos a mercadoria nalguma horta ou terreno”, acrescentou Belarmino Martins.
Santuário da Senhora da Ribeira deve-se à rainha Santa Isabel
Grande romaria da zona da raia, a festa em honra de Nossa Senhora da Ribeira leva, há diversos séculos, o nome de Quintanilha até longínquas localidades portuguesas e espanholas.
Conta-se que Nossa Senhora apareceu, no século XIII, a uma pastorinha surda-muda que apascentava o rebanho junto da ribeira de Caravela, afluente do rio Maçãs, que começou a falar e a ouvir após a aparição. A pedido da Santa, a jovem correu a relatar o milagre à população de Quintanilha, rogando-lhe que construíssem uma ermida em homenagem à Senhora da Ribeira, como passou a ser conhecida, uma vez que o milagre se deu junto a uma ribeira. Os habitantes ergueram, assim, uma pequena capelinha, onde cabiam, apenas, o padre e um sacristão, pelo que os devotos, em dias de missa, tinham que ficar na parte de fora do templo.
A caminho de Trancoso para o casamento com D. Dinis, a princesa Isabel de Aragão (Espanha) passou pela fronteira de Quintanilha, onde viu que um elevado número de pessoas prestava culto a uma Santa. A futura rainha Santa Isabel desceu do cavalo para, também, honrar a Senhora da Ribeira. Vendo a devoção do povo e que a capelinha era tão pequena, a princesa de Aragão pediu ao rei D. Dinis que construísse um templo dedicado à Santa “de Quintanilha”. E assim foi.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Produtores transmontanos preocupados com vespa que pode dizimar castanha

Os produtores de castanha em Trás-os-Montes mostraram-se hoje preocupados com a vespa do castanheiro, praga que foi detetada recentemente na região e que, se não for combatida, pode eliminar 70% da produção nos próximos anos.

"O receio da quebra de produção é fundamentado. Se nós não fizermos nada, em três a quatro anos temos uma redução da produção em Trás-os-Montes que pode atingir os 70%", afirmou hoje, em Vila Real, o presidente da Associação Nacional da Castanha, RefCast, José Gomes Laranjo.

A região transmontana representa 80% da produção de castanha em Portugal, representando um rendimento anual de cerca de 50 a 60 milhões de euros.

Depois de, em maio do ano passado, ter sido detetado o primeiro foco da vespa do castanheiro em Portugal, na região de Barcelos, foram agora notificados dois casos desta praga em Trás-os-Montes, um deles confirmado em Carrazedo de Montenegro, concelho de Valpaços, e outro por confirmar em Bragança.

Dinis Pereira é produtor em São João da Corveira, Valpaços, e mostrou-se hoje muito preocupado com mais esta praga que está a afetar os soutos.

"Principalmente na nossa região, em que a economia assenta 80 ou 90% sobre a produção de castanha e estamos a ver que está tudo em risco de, dentro de dois ou três anos, não termos produção de castanha", afirmou à margem de uma reunião dos associados da RefCast.

Este produtor, que colhe cerca de 40 toneladas de castanha por ano, considerou que houve "um descuido muito grande" por parte de todos, desde produtores a entidades oficiais.

"A ânsia de meia dúzia de pessoas de ganhar dinheiro fácil acabou por introduzir uma praga que já se esperava, mas que se esperava que não que fosse a tão curto prazo", frisou.

José Gomes Laranjo explicou que os focos desta praga foram detetados em novas plantações, feitas este inverno e com castanheiros híbridos importados.

"Importados um pouco à margem da lei, castanheiros que não tinham os passaportes fitossanitários e que, infelizmente, a maioria deles, estava infetada", salientou.

O presidente da RefCast acrescentou que "foram plantados milhares de castanheiros destes e um pouco por toda a região de Trás-os-Montes".

Agora, segundo o também investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, é importante que os produtores estejam atentos às novas plantações, detetem os focos de infeção e atuem de imediato eliminando os galhos infestados.

"Temos uma janela de oportunidade de um mês para atuar e se fizermos uma ação drástica durante este mês conseguiremos ainda minimizar o impacto desta cultura", salientou.

Explicou que durante este período será possível ver "os castanheiros infestados e a praga ainda não saiu do castanheiro para ir contaminar as árvores adultas que estão a dar fruto".

Esta vespa aloja os seus ovos nos gomos dos castanheiros. Só quando estes formam novos ramos é que se percebem as deformações e inchaços nas folhas. Depois de infetados, os ramos não conseguem dar mais fruto.

José Gomes Laranjo referiu que estão a ser feitos ensaios a nível da luta biológica contra esta praga, que consiste na introdução nas áreas afetadas de parasitóides, insetos que são capazes de exterminar esta vespa.

A vespa do castanheiro entrou na Europa através da Itália, onde já dizimou uma percentagem significativa da produção.

PLI // MSP
Lusa/Fim

Situada no alto da colina da Nossa Senhora do Sardão, a Cidadela de Bragança é um dos núcleos muralhados mais harmoniosos e bem preservados de Portugal

Quem vem do centro de Bragança, a pé ou de automóvel, precisa de atravessar duas portas flanqueadas por dois torreões para ter acesso ao velho burgo muralhado: primeiro a Porta da Vila, alguns metros depois a Porta de Santo António.
Se em tempos idos tal estrutura garantia uma dupla segurança contra os invasores, agora o que se deixa para trás são os ruídos do atarefado vaivém da urbe que continua a crescer a ocidente. Aqui a atmosfera é de uma absoluta tranquilidade, apenas quebrada pelos ecos de uma conversa de vizinhas, o som de um rádio que se escapa de uma janela e a correria de uns poucos garotos que ainda habitam o casario alvo.
Nas pequenas hortas rodeadas de muros baixos crescem figueiras, cerejeiras e legumes, mas a ânsia de verdura dos seus moradores não parece satisfeita pelos extensos contornos do Parque Natural de Montesinho que se avista do cimo das muralhas. Os jardins prolongam-se nas vielas estreitas, em vasos muitas vezes improvisados onde crescem flores de todas as cores. E, logo que chega a Primavera, cada pedaço de solo bravio enche-se de papoilas e malmequeres, sobrevoados por bandos agitados de pardais.

Viver entre muralhas:
Se em momentos de maior silêncio o pequeno núcleo de cerca de sessenta habitantes parece deserto, basta procurar os recantos soalheiros. É por aí que se reúnem os mais idosos à conversa. Elas quase sempre de rendas no regaço, eles com algum cão aos pés, deitando um olho às traquinices dos netos que acabaram de chegar da escola. E todos com muitas décadas de vida passadas dentro do núcleo muralhado - um dos mais harmoniosos e bem conservados do país -, à sombra de vetustos monumentos, que desde sempre se habituaram a ter como companheiros de brincadeiras.

O senhor Miguel, por exemplo, tem na memória os prolongados invernos, com neve que chegava acima dos joelhos e o espectáculo que era ver dali a paisagem coberta por um manto branco; mas também os tórridos estios quando se mergulhavam os melões dentro da água gelada da cisterna da Domus Municipalis para os manter frescos.
Agora, em tempos de frigoríficos e para evitar actos de vandalismo, a porta do monumento só abre a horas certas, recebendo os turistas na sua atmosfera gelada, refrescante oásis durante o Verão e um pesadelo nos meses frios, quando o vento se insinua constantemente pelas janelas que enfeitam cada um dos cinco lados do edifício.
Com uma forma de pentágono irregular, a sua singularidade não se limita à arquitectura, de que é exemplar único em toda a Península Ibérica. De origem misteriosa, os historiadores não conseguem datar com precisão a época da sua construção. Enquanto alguns autores a situam no século XII, outros defendem a teoria de que terá sido erguido no século XV, sendo o seu estilo românico civil tardio. Outras teses chegam a atribuir-lhe uma raiz romana ou grega. Ao certo, sabe-se que foi sobretudo um importante reservatório de água, com um subterrâneo composto por uma cisterna abobadada - a "Sala d'Água" -, tendo o piso térreo sem divisões e com uma bancada de granito ao longo das paredes - a Casa da Câmara" - servido como lugar de reunião dos "homens bons" do concelho, a partir do século XVI. Poderá igualmente ter albergado os peregrinos que rumavam a Santiago de Compostela, já que a cidade era um importante ponto de passagem.

Muralha e Cidadela:
A seu lado, formando um harmonioso conjunto, fica a Igreja de Santa Maria, de fundações românicas mas completamente reconstruída no século XVIII, na qual se misturam os estilos renascentista e barroco. Enquanto no seu interior se destaca a pintura do tecto, o exterior distingue-se pela bela fachada principal, com colunas decoradas por folhas de videiras e cachos de uvas.
Junto à fachada oeste do castelo, abrigado agora por uma alameda de grandes plátanos, encontra-se o velho pelourinho, onde eram castigados os criminosos da época medieval. Curiosamente, a coluna está assente sobre uma figura suíno-mórfica, a que os locais chamam de "Porca da Vila", e que representa um berrão. Os berrões eram um ídolo pré-histórico, sendo o seu culto uma prática característica dos povos transmontanos. O monumento é encimado pelo escudo das armas de Bragança e um capitel do qual partem quatro braços, cujas extremidades são decoradas com carrancas.

De Brigantia a Bragança:
Da primitiva Brigantia, fundada cerca de dois séculos antes do nascimento de Cristo, nada resta. Guerras entre árabes e cristãos, com os consequentes saques e destruição, arrasam por completo a povoação que na época se dividia em dois núcleos distintos: um situado no lugar da actual cidadela e outro no vale onde agora se encontra a Sé. Em 1130 volta a ser reconstruída por ordem de Fernão Mendes, cunhado de D. Afonso Henriques. Cinco décadas mais tarde D. Sancho I concede-lhe foral mandando erguer a fortificação, indispensável na zona de fronteira do jovem reino. O castelo surge então no lugar de Benquerença, pertencente aos frades beneditinos do Mosteiro de Castro de Avelãs. Em finais do século XIV a vila é oferecida como dote por D. Fernando I a uma das suas cunhadas, irmã de D. Leonor Teles. Finalmente, Bragança torna-se ducado em 1422, tendo como primeiro duque D. Afonso, filho ilegítimo de D. João I e genro de Nuno Álvares Pereira. Com o correr dos anos, o burgo torna-se próspero e nove anos depois D. Afonso V eleva-o finalmente à categoria de cidade, a pedido do segundo duque, D. Fernando. Ironicamente, nenhum dos membros da Casa de Bragança alguma vez ali estabeleceu residência. Enquanto o primeiro Duque preferiu construir o Paço Ducal nas suas propriedades de Guimarães, os nobres seguintes escolheram o clima ameno do sul, habitando o Paço de Vila Viçosa.

Domus Municipalis e Igreja de Sta. Maria:
Entretanto, os séculos XV e XVI vêem surgir na cidade um importante centro de manufactura de tecidos de luxo como veludos e damascos. A sua fama era tal que se comparava "a doçura das carícias femininas ao toque dos veludos de Bragança". Simultaneamente, a fortaleza situada no alto da colina da Nossa Senhora do Sardão, ia sofrendo constantes restauros. No reinado de D. Afonso IV (1325-57), são atribuídas à vila as terças das igrejas da região "para repairamento dos muros". Este facto é confirmado numa carta escrita por D. Fernando, onde afirma que a cerca está deteriorada e a requerer muitos trabalhos, finalmente levados a cabo em finais desse século. A Torre de Menagem é então construída, numa obra que demora 30 anos a concluir. De arquitectura gótica, distinguindo-se pela elegância as janelas em ogiva, ameias e seteiras, as suas linhas apresentam semelhanças com alguns castelos ingleses, do mesmo período.

Histórias de guerreiros e princesas...
Ainda dentro do recinto da fortaleza, mas encostada ao pano de muralha, ergue-se a enigmática Torre da Princesa, de base quadrangular e linhas simples. Era aí que habitavam os governadores e alcaides do castelo, não sendo utilizada para fins militares. O seu nome, de origem desconhecida, deu azo a diversas lendas e histórias populares. Os relatos estendem-se no tempo, tendo como protagonistas as personagens históricas de Dona Brites, Dona Sancha e a bela Leonor, infelizes vítimas de amores não correspondidos, maridos ciumentos ou intrigas da corte. Talvez por ter um final feliz, a mais conhecida é a que relata o amor secreto entre Diana, sobrinha do senhor do castelo, e Ricardo, cavaleiro que partiu para as cruzadas em busca de glórias que o tornassem digno de esposar a jovem. Dez anos se passaram e vendo que a sobrinha recusava todos os pretendentes e que nenhum argumento a demovia de esperar, toda a vida se necessário fosse, D. Hermenegildo resolve utilizar um último estratagema. Disfarçando--se de fantasma, aparece uma noite no quarto dizendo que é a alma de Ricardo, morto em combate, e que a liberta da sua promessa. No mesmo instante uma luz intensa ilumina a alcova, assustando o pretenso espírito que desiste dos seus intentos. Dias depois, Ricardo regressa vitorioso e o casamento realiza-se.
O castelo que assistiu a ferozes batalhas e se insurgiu ao lado do povo contra o domínio filipino, viu chegar bravos soldados empunhando a primeira águia napoleónica que os franceses perderam em território peninsular, vive agora em merecido descanso. Extinto em 1958 o Batalhão de Caçadores n.º 3 que o ocupava, alberga actualmente o Museu Militar, nos cinco pisos da Torre de Menagem. Percorrê-los é ficar a conhecer um pouco mais da nossa História e ter oportunidade de reflectir como todo o equipamento bélico usado era afinal tão inofensivo, se comparado com as novas armas de destruição maciça. Vale a pena começar pela cripta para descer a acanhada escada de caracol até às antigas masmorras. O primeiro piso, além da cisterna, apresenta, na Sala do Gungunhana, interessantes artefactos utilizados por diversos povos africanos e a história do célebre chefe tribal que ousou desafiar o poder colonial em África. A partir do segundo piso, as exposições sucedem-se por ordem cronológica, num total de 14 divisões, desde a Sala D. Afonso Henriques até à Sala da Primeira Guerra, estando patente em cada uma delas o armamento utilizado na época correspondente. Assim, às cotas de malha medievais seguem-se as bestas e armaduras quinhentistas, as espadas e mosquetes do século XVII, as carabinas e sabres do século seguinte. O primeiro conflito mundial termina a extensa colecção, com uma série de fotografias e postais mostrando soldados portugueses na frente da batalha.

Ana Pedrosa

Autarquia de Mogadouro dota Casa da Cultura com equipamento digital e em 3D

A câmara de Mogadouro vai proporcionar aos munícipes a oportunidade de verem cinema digital e em três dimensões no auditório da Casa da Cultura, investindo 60 mil euros em equipamento de "última geração".
Em declarações à agência Lusa, o autarca de Mogadouro Francisco Guimarães disse que nos últimos meses o auditório da Casa da Cultura tem sofrido melhorias ao nível da qualidade do som e luz da casa de espetáculos, o que torna o espaço mais funcional.

"Apostamos no cinema porque queremos que os mogadourenses tenham acesso às mais as mais recentes novidades cinematográficas e porque entendemos que as localidades do interior têm os mesmos direitos que as dos grandes centros urbanos", frisou o autarca independente eleito nas listas do PS.

Apesar de a projeção de cinema não ser rentável, a autarquia de Mogadouro, no distrito de Bragança, está apostada em manter de forma sessões regulares aos fins de semanas e sempre com as mais recentes novidades da indústria cinematográfica.

Para já, estão programadas duas sessões experimentais para quarta-feira destinadas aos alunos das escolas do concelho com o filme" Velocidade Furiosa 7".

A partir de 02 de maio, as sessões de cinema serão regulares, estando ao dispor do público óculos para filmes em 3D.

A autarquia investiu ainda mais 40 mil euros em luz e som para proporcionar melhores condições de trabalho ao grupo de teatro de Mogadouro que têm em fase de preparação alguns trabalhos" inéditos".

Agência Lusa