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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

A MONDA DOS TRIGAIS

Quando a gente precisava de mondar os trigos, isto é, tirar-lhe toda a erva, chamavam- se mulheres para arrancá-la.
A dona do trigal já sabia que tinha que ir ver como corria o trabalho.
Cantavam todo o dia, conversavam e criticavam. Dava o tempo para tudo.
Mas elas, de vez em quando, olhavam para o caminho, e mal viam a dona chegar, começavam a cantar assim:


Que gente é aquela,
Que vem ao pendão?
É a menina fulaninha, (diziam o nome)
Com o seu batalhão.

Então faziam um raminho de florinhas que havia no trigal e entregavam à dona. Pois em troca se lhe entregava um pacote de rebuçados. Já há alguns anos que este trabalho foi substituído por curas e assim terminaram as mondas.

Mondai, mondai, mondadeiras!
Cantai as vossas canções,
Que se espalhem pelos ares,
Alegrando os corações.

RECOLHA (1985) de Judite Moreno, Sambade – Alfândega da Fé.

FICHA TÉCNICA:
Título: CANCIONEIRO TRANSMONTANO 2005
Autor do projecto: CHRYS CHRYSTELLO
Fotografia e design: LUÍS CANOTILHO
Pintura: HELENA CANOTILHO (capa e início dos capítulos)
Edição: SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE BRAGANÇA
Recolha de textos 2005: EDUARDO ALVES E SANDRA ROCHA
Recolha de textos 1985: BELARMINO AUGUSTO AFONSO
Na edição de 1985: ilustrações de José Amaro
Edição de 1985: DELEGAÇÃO DA JUNTA CENTRAL DAS CASAS DO POVO DE
BRAGANÇA, ELEUTÉRIO ALVES e NARCISO GOMES
Transcrição musical 1985: ALBERTO ANÍBAL FERREIRA
Iimpressão e acabamento: ROCHA ARTES GRÁFICAS, V. N. GAIA

Bragança: pousada modernista com identidade transmontana

A pousada dirigida pelos irmãos «Geada» é um ícone da arquitetura da cidade. E aqui funciona o G, primeiro Estrela Michelin de Trás-os-Montes.
Quarto da Pousada de Bragança

Desenhada no final dos anos 1950 por José Carlos Loureiro, a Pousada de Bragança foi um «grito de liberdade» deste arquiteto da escola do Porto. Quem o diz é António Gonçalves, mais conhecido por Tó «Geadas», que faz dupla na pousada e respetivo restaurante com o seu irmão Óscar, que recentemente conseguiu pôr Bragança no mapa das estrelas Michelin.

A cidade transmontana estava, na época do Estado Novo, «a 10 horas do poder central e o arquiteto pode dar asas à criatividade. Toda a Pousada foi concebida sob uma ótica muito diferente do que era a estética da época», explica António, apontando para as enormes janelas que percorrem toda a extensão da sala e do restaurante. «Tudo é panorama» que enquadra o Castelo de Bragança e a cidadela que o envolve.

Foi há cinco anos que os irmãos ficaram responsáveis pela Pousada, que lhes foi concessionada pelo Grupo Pestana. Foi o momento ideal para desenvolverem um projeto próprio que já andavam pelas suas cabeças. Mas a ligação da família Gonçalves àquele edifício é bem anterior. Foi ali que o pai deles, Adérito Gonçalves, começou a trabalhar com apenas 11 anos e também onde viveu durante parte da sua vida. Depois de lá sair, com toda a experiência que ganhou na área, abriu o restaurante Geadas, em Vinhais, que veio dar origem ao Geadas de Bragança.

Desde que foi parar às mãos dos irmãos, a Pousada já mudou muito. A última intervenção mais a fundo tinha sido efetuada em meados dos anos 1990, pelo arquiteto original. «Nessa altura, ele imprimiu ao edifício a estética daquela década. Agora, decidi voltar atrás, e com um arquiteto local voltei-me novamente para os anos 1950 e 60. «O nosso maior medo era descaraterizar a unidade», admite António. Por isso, o regresso ao modernismo era o regresso à personalidade original do edifício. A palete de cores utilizada (os azuis, os verdes, os cinzentos) vem do painel de azulejos de Júlio Resende e da tapeçaria da Graça Morais, que se encontram nas paredes da confortável sala com lareira e do restaurante. «A partir destes elementos começou a deambular-se pelos 28 quartos – todos eles com vista para o castelo – e pelo próprio restaurante, imprimindo uma estética modernista», conta. Desde aí que o espaço tem vindo a crescer em visibilidade e prestígio.

Cinco anos depois de tomarem conta do espaço estão, dizem os próprios, «a colher os frutos» do seu trabalho. O restaurante foi distinguido o ano passado com uma estrela Michelin, a primeira para Trás-os-Montes. O que enche de orgulho os irmãos, que moldaram o espaço espelhando a sua forma de estar e a sua identidade.






Evasões
(Fotografias de Rui Manuel Ferreira/Global Imagens)

GNR alerta cidadãos para ocorrência de possíveis burlas por causa das novas notas

As novas notas de 100 e 200 euros já entraram em circulação na terça-feira. Por causa das possíveis burlas, tanto a GNR como a PSP estão a alertar os cidadãos de que as novas notas irão circular a par das notas da primeira série.
O capitão Hernâni Martins, Oficial de Comunicação e Relações Públicas da GNR de Bragança, reforça que deve haver especial cuidado pois não é preciso trocar as notas antigas nem há recolha ou troca destas porta a porta. “Com a entrada em vigor destas novas notas, poderá haver tendência em que alguém se aproveite da situação para efectuar burlas. É neste contexto que as pessoas devem ter cuidado redobrado pois não existe forma nenhuma de trocar as notas porta a porta, isso está fora de questão. As pessoas que queiram trocar notas têm de o fazer através de uma agência bancária”.

Hernâni Martins esclarece ainda que a GNR tenta sensibilizar a população para o perigo das burlas e que os militares que prestam esse serviço têm formação por elementos do Banco de Portugal. “Os militares que prestam serviço junto da população mais vulnerável têm informação acerca das notas, dos mecanismos de segurança e dos alertas que devem passar à população, no âmbito do policiamento comunitário, com base na formação já dada por elementos do Banco de Portugal. Procuramos sempre, nesta fase, introduzir o tema das novas notas. Vão entrar em vigor para um determinado número de anos por isso os alertas nunca são demais”.

Neste âmbito, o Banco de Portugal também deixou alertas à população, salientando que ninguém está mandatado para trocar notas em nome desta entidade. As novas notas vão circular em simultâneo com as antigas e vão sendo recolhidas ao longo do tempo pelos bancos centrais da zona euro. As novas notas têm a mesma cor mas são mais pequenas e têm novos elementos de segurança.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Não vai faltar cereja para o certame que honra o fruto de Alfândega da Fé

Cereja em bastante quantidade e, possivelmente, de melhor qualidade: são as garantias do presidente da Cooperativa Agrícola de Alfandega da Fé para o certame que, há mais de 30 anos, presta homenagem à cereja, o ex-libris desta vila transmontana.

Segundo refere ainda Eduardo Tavares, a Festa da Cereja, que começa a sete de Junho, este ano conta com mais sete produtores de Alfândega da Fé e de concelhos vizinhos. “Este é um ano bom. Em termos de quantidade, podemos considerá-lo normal para aquilo que será o potencial produtivo da cultura. É um ano razoável a bom e, sendo um ano bom, não irá faltar cereja na Festa da Cereja. Face às condições climatéricas, certamente será um ano melhor que o passado e até em termos de qualidade esperemos que possa ser melhor. Este ano temos mais produtores na feira”.

No ano passado, a cooperativa havia candidatado a cereja de Alfândega da Fé a produto de Identificação Geográfica Protegida. Segundo o também vice-presidente do município, seria uma mais valia para toda a região que a candidatura, que ainda está em análise, fosse aceite. “em Trás-os-Montes temos várias menções, DOP's e IGP's, esta seria mais uma a juntar a outras. Tendo esta IGP uma área geográfica alargada a outros concelhos, é uma mais valia para a região e acima de tudo para os seus produtores, para os poucos produtores de cereja que existem que, efectivamente, veem uma actividade difícil, completamente desorganizada e com esta IGP poderíamos ter aqui um processo base de organização”.

Eduardo Tavares frisa que não há muitos produtores no concelho e que há alguma desorganização no sector. Neste sentido, a cooperativa tem tomado algumas medidas para atrair produtores mais jovens. “No concelho temos entre 12 a 15 produtores, não são muitos, é verdade, mas tem havido algum abandono. Entretanto, estão a chegar novos produtores, o que também é bom. Temos alguns produtores e bons produtores, também aqui noutros concelhos, em Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Vila Flor, que também importa, de facto, ajudar porque falta organização. Em primeiro lugar, estamos a fazer este trabalho de criar esta IGP. Há três anos também fizemos um arrendamento de terras nossas, da cooperativa, por 20 anos, para que jovens agricultores se associassem a nós”.

A Cooperativa Agrícola de Alfandega da Fé foi criada em 1973 e, neste momento, está também a fazer a contabilização e o cadastro de hectares de cerejeiras, quer do concelho quer dos limítrofes.

Escrito por Brigantia
Foto: CM Alfândega da Fé
Jornalista: Carina Alves

Trasladação de D. Abílio Vaz das Neves para a Catedral

D. Abílio Augusto Vaz das Neves, 40.º bispo da Diocese de Bragança-Miranda, vai ser trasladado para a Catedral, em Bragança.  A celebração terá lugar a 8 de junho, data em que se assinala o 125.º aniversário do seu nascimento.
Natural de Ifanes, no concelho de Miranda do Douro, foi ordenado presbítero em 07.12.1919 e ordenado bispo a 28.01.1934.

Exerceu o seu ministério episcopal como bispo diocesano de Cochim (India), entre 02.02.1934 e 06.12.1938. Mais tarde, em 30.03.1939, viria a assumir a Diocese de Bragança-Miranda onde esteve como Pastor até 20.02.1965.

Foi durante o seu episcopado que se fundou o jornal "Mensageiro de Bragança" (1940), a Casa de Trabalho Patronato de Santo António (1940), a congregação das Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado (1950), o Colégio de S. João de Brito (Bragança) e o Colégio Diocesano (Mogadouro).

Responsável pela conclusão das obras do Seminário de S. José, em Bragança, também mandou fazer obras na atual Casa Episcopal bem como no Seminário de Vinhais. Apoiou a construção da Escola do Magistério Primário de Bragança criando incentivos para os melhores alunos e apoiou a instalação do Carmelo da Sagrada Família, em Torre de Moncorvo.

Entre 1940 e 1948 realizou Congressos Eucarísticos em Bragança, Miranda do Douro, Mirandela e Torre de Moncorvo. Em 1945, por ocasião dos 400 anos da Diocese, convocou o último Sínodo Diocesano, no qual se promulgaram as novas Constituições do Bispado.

Deu passos determinantes para que a Diocese tivesse uma Catedral com dignidade.

Aos 71 anos  pediu a resignação episcopal. A 20.02.1965, a Santa Sé publica oficialmente a sua resignação, passando a assumir a titularidade episcopal de Silli (em Numídia) até 27.01.1971.

Faleceu em Macedo de Cavaleiros, a 07.03.1980.

A celebração (oração no cemitério de Ifanes, às 09h00, seguida de eucaristia, às 10h30, na Catedral) será presidida por D. José Cordeiro, bispo diocesano, e contará com a presença do presbitério, dos familiares, autoridades e fiéis leigos.

PROGRAMA

09h00 - Oração no Cemitério de Ifanes (Miranda do Douro)
10h30 - Eucaristia na Igreja Catedral (Bragança) seguida de sepultamento no Pátio dos Bispos

in:diariodetrasosmontes.pt

Encerramento "Bragança Ativa" e "Desporto Sénior no Espaço Rural"



Idosos do concelho de Bragança celebram Desporto Sénior no Meio Rural

Cerca de 200 pessoas, de várias aldeias do concelho de Bragança, vieram ontem até à cidade para se reunirem e conviverem. Este encontro é anual e marca o término do “ano lectivo” das actividades desportivas que frequentam nas suas localidades
Os idosos aplaudem o Desporto Sénior no Meio Rural que, uma vez por semana, em dez freguesias, os junta para praticar ginástica. “Faz-nos sair, faz-nos conviver a todos, é uma coisa boa”, contou Aníbal Alves, de Parada. “Estou sempre em casa, é uma maneira de sair de casa. No dia da ginástica andamos mais... convivemos, além de fazer um pouco de exercício físico e é muito bom”, disse Fátima Meirinhos, também de Parada. “Convivemos, desenferrujamos as pernas e a língua. É uma coisa muito boa, estamos muito contentes. Há sete anos e continuamos”, referiu Lucinda Caldeira, de Paçó de Rio Frio. “Se não houvesse esta ginástica, metade das pessoas estavam sentadas e doentes e assim saímos e convivemos uns com os outros e é uma alegria”, contou Estér Rego, da mesma aldeia que Lucinda. “É uma maneira de ocupar o tempo livre e faz bem. Às vezes reunimos com pessoas que estamos muito tempo sem ver”, disse Isolina Lopes, de Bragada. “Faz-nos manter activos e conviver”, salientou Julieta Alves, de Pinela.

O Desporto Sénior no Meio Rural insere-se no programa Bragança Activa. O vereador da câmara, Miguel Abrunhosa, frisa a importância do projecto na promoção de um estilo de vida mais saudável e no combate à solidão. “Temos mantido o número de participantes embora tenha havido algumas freguesias que têm pedido para também serem incluídas neste programa, estou a falar, por exemplo, de Gostei, que nos anos anteriores não participava. O objectivo, de facto, é promover o convívio, as pessoas mexerem-se. No âmbito do programa Bragança Activa, durante o ano, também são feitos alguns rastreios em parceria com a Unidade Local de Saúde do Nordeste. Contribui para um território mais saudável e feliz”.

Estes seniores reuniram-se, pela manhã, no Pavilhão Municipal Arnaldo Pereira. Este ano a actividade não ficou por aqui e ao longo do dia houve tempo para conhecerem alguns espaços da cidade como o Museu Ibérico da Máscara e do Traje, o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais e a domus municipalis.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Idoso fica gravemente ferido em acidente com motocultivador em Vale Benfeito (Macedo de Cavaleiros)

Um idoso de 93 anos ficou gravemente ferido ao final da tarde desta quarta-feira após ter caído de um motocultivador num caminho rural na aldeia de Vale Benfeito, Macedo de Cavaleiros.
Ao que apuramos, a viatura não chegou a virar, mas o impacto da queda deixou a vítima com algumas fraturas e acabou por ser transportada para o Hospital de Bragança. Segundo um familiar, foi o próprio idoso que ligou a chamar ajuda. Na altura do acidente, encontrava-se na companhia da esposa.

O alerta para o acidente foi dado às 19h47 e no local estiveram seis operacionais, apoiados por três viaturas, entre bombeiros e GNR de Macedo de Cavaleiros.

Escrito por ONDA LIVRE

A Lei do UsoCapião!

Por: Silvino dos Santos Potêncio
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..")
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil – desde 1979
Ladrões e Mentirosos são dois tipos de pessoas que eu não tolero e não importa quem sejam. Próximos ou afastados, conhecidos ou desconhecidos e até falsos Amigos,  são muito mais comuns do que se pode pensar. Isto me leva ao pensamento de lembrar aquele proverbial ditado; “no melhor pano cai a nódoa” e, vos escrevo hoje isto aqui por infeliz facto constatado “in loco” por mim mesmo que já estou na Emigração há mais de 58 anos. Todavia nos dias de hoje, podem crer!, isso acontece quase por todo o lado.
Na hora de emigrar e cada um tem sempre um motivo forte o bastante para viajar, não importa quais sejam as dificuldades. Muitas vezes é a falta do suficiente até para comer, e quase sempre por obra do destino ou um certo fatalismo na ânsia da liberdade em ir mais além e melhorar de vida. E com essa vontade no tino da sobrevivência nós nos aventuramos pelos caminhos nunca dantes trilhados, e portanto cada passo dado é uma nova aventura cujo final, eu acho que nem mesmo Deus sabe o que será?!   
O direito Português tem bases seculares e uma delas é o entendimento Latino do “uti possidetis”  -  O qual formou a base do Princípio do Direito Internacional. Princípio este que estabelece que quem ocupa um território ou propriedade pertencente a outrem durante um longo tempo, o usuário se acha no direito de o possuir o que tiver sobre ele, prédio ou construção urbana?!
Na prática esta arenga é muito comum e se traduz popularmente em um sentimento idealista muito em voga ultimamente ou seja: “a terra a quem a trabalha”!, mas…e tem sempre um “mas” para ser questionado em julgamento nas barras dos tribunais. Isso porque a Lei se chama “usocapião” e não usurpação. Ou seja; é preciso  comprovar o uso da terra e adquirir o direito de facto de a possuir e utilizar.
O meu Pai, que Deus já lá tem desde 01 de Abril de 1969, ele foi “Feitor” de várias Terras na Aldeia onde nasceram os 11 Filhos porém destes todos, só 8 sobrevivemos e, sendo eu o mais novo, acabei por me tornar o primeiro Emigrante da Família quando completei os  meus 13 anos de idade. Os meus Irmãos mais velhos todos tinham saído já de casa mas apenas para cumprir o serviço militar, como também o havia feito o nosso Pai, no tempo dele. Depois do serviço militar cumprido todos voltaram ao lar.
Por certo ele jamais soube o que é a Lei do Usocapião, e mesmo que soubesse,  pelo pouco que ele me ensinou enquanto estive em casa,  posso jurar que ele jamais tomaria tal atitude.  -  O tempo passou, a evolução das leis e das mentalidades se adaptou a quem estiver presente e, de certa forma, surge então o também muito popular dichote; “quem vai ao mar, perde o lugar”.
Acontece que, muitos de nós Emigrantes fomos e ainda continuamos a ir “ao mar”, e demoramos para voltar. A grande maioria de nós, principalmente aqueles que atravessamos o mar nas suas múltiplas direcções,  demoramos tanto tempo para voltar ao lar, que quando voltamos, a mais das vezes já nem encontramos nada que o valha para recordar, para visitar, para reviver ao menos as lembranças de um passado já tão distante  definitivamente perdido na poeira do tempo.
- Mas a decepção maior é quando alguém usa a “ Lei do Usocapião”. Esta  entra em vigor,  e o sujeito deserdado daquilo que lhe pertence por direito consanguíneo ou não, ele  tem apenas duas alternativas: contratar um Jurídico especializado nesse tipo de usurpação do que era de todos, e acaba por gastar todas as economias duramente angariadas lá na “Estranja” onde a vida de “Cigano sem Pátria e sem Lar”, se exerce dia após dia, ano após ano, com um único lenimento na ideia que é o pensamento em voltar às origens. Geralmente perde a luta porque a Lei é cara, mas perde muito mais porque a amizade a confiança deixou de existir.
A burocracia dos cartórios, dos notários, dos Tribunais custa os olhos da cara, e é o argumento mais usado pelos mentirosos, usuários dessa mesma Lei. É a arenga dos oportunistas, daqueles que nunca saíram do ninho e,  sobretudo, é uma batalha perdida de quem está ausente há muitos anos.
A outra alternativa é bem mais simples, mas dói mais, muito mais! - Dói no Coração e na Alma de quem nunca conseguiu subir na vida de Emigrante porque a honestidade e a dignidade do Emigrante é um caminho sempre a subir. Muitos ficam pelo caminho… outros desistem antes mesmo de enxergarem o óbvio que é o esquecimento porque quem não é visto não é lembrado.
Esquecer é desistir de tudo, e isso  nem sempre é fácil. Porém nós  esquecemos!,… esquecemos  e olvidamos mais facilmente quando conhecemos a realidade da vida. Nós  sabemos que desta vida nada levamos.
Por isso eu costumo glosar pensamentos como este do Grande Miguel Torga: “Como a gente se perde! A linguagem que o meu sangue entende — é esta. A comida que o meu estômago deseja — é esta. O chão que os meus pés sabem pisar — é este.  E, contudo, eu não sou já daqui. Pareço uma destas árvores que se transplantam, que têm má saúde no país novo, mas que morrem se voltam à terra natal”.
Vez por outra eu me defronto com os meus próprios pensamentos os quais, muitos, muitos!… eu os deixo registados em frases minhas com base na própria experiência pessoal. E vos digo; eu não tenho prémios nem loas das muitas ações que eu já fiz na vida. Para me acalmar eu recordo só as boas, e das más me resta somente uma grande “ferida”! Nada mais…

Silvino dos Santos Potêncio, nascido a 04/11/1948, é natural da Aldeia de Caravelas no Concelho de Mirandela – Trás-Os-Montes - Portugal.
Este Autor tem centenas de crônicas, algumas já divulgadas sob o Título genérico de “Crônicas da Emigração”.  Algumas destas crônicas são memórias dos meus 57 anos na Emigração foram incluídas nos Blogs que todavia estão inacessíveis devido ao bloqueio do Portugalmail.pt, porém algumas foram já transcritas para a Página Literária. 
Presidente Fundador do Clube Português de Natal e Membro activo de várias páginas em jornais virtuais ligados ao Mundo da Lusofonia.
01 – POEMAS DE ANGOLA – “Eu, O Pensamento, A Rima!...”
02 – E-Book (Livro Electrônico): “UM CONVITE P’RA TOMAR CHÁ”
03 - CURRIÇAS DE CARAVELAS- TROVAS COMENTADAS é uma Antologia que contém  Trovas  e Textos Auto Biográficos da Aldeia Transmontana. 
        São livros da minha autoria já prontos para Edição e publicação brevemente. 
Actualmente mantenho uma página literária própria, como Emigrante Transmontano em Natal/Brasil, no Portal Recanto das Letras.   
O sitio do Escritor Silvino Potêncio  www.silvinopotencio.net  está aberto a visitas de todos os leitores de Lingua Portuguesa. Conta já com mais de 56.000 visitantes à data actual.

Muito grato pela Atenção e receba um Forte e Fraterno Abraço. 

quarta-feira, 29 de maio de 2019

OPERAÇÃO MAIO-NORDESTE (BRAGANÇA, 1975)

Placa informativa sobre a mendicidade, à entrada de uma igreja de Bragança.

OPERAÇÃO MAIO-NORDESTE (BRAGANÇA, 1975)

Foto da entrada da Delegação do Banco de Portugal, em Bragança, notando-se a presença de um mendigo, com os pés muitos feridos e praticamente descalço.

DUELO

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas..."


De asas partidas
Tufões e arrufos 
De espírito restrito, 
Entre o mal e o decente
Fez-se um duelo 
Entre vaidoso e valente!
Abafa-se o choro
A lamúria e o lamento´
Na noite inviolável
Faz-se o duelo
Sobrepõe-se a razão
Na dor abafada 
No bater do coração!
Debatem-se, corpos
Entre vivos e mortos
Como numa armadilha
Malvada matilha,
Cilada imprevista
Maldita traição!
Acontece o duelo
entre a morte e o amor
entre o sol e a lua
Entre o frio e o calor!
De espada em riste,
Loucura e temor
De jeito, imperfeito
Inveja e rancor!
Lutou a tristeza,
A angústia e a dor!
Areia e deserto
A noite está escura
O céu fica perto!
Bondade e brandura 
O peito já arfava
De medo e vazio.
O duelo terminava…
Vencia a verdade
Abraçava a humildade,
semeadora de sonhos,
lavradora de encantos
No duelo marcado
morria o pecado,
De inveja e de dor
Venceu o honrado
Ganhou o amor

Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.

Participei nas colectâneas:
POEMA-ME
POETAS DE HOJE
SONS DE POETAS
A LAGOA E A POESIA
A LAGOA O MAR E EU
PALAVRAS DE VELUDO
APENAS SAUDADE
UM GRITO À POBREZA
CONTAS-ME UMA HISTÓRIA
RETRATO DE MIM.
ECLÉTICA I
ECLÉTICA II
5 SENTIDOS
REUNIR ESCRITAS É POSSÍVEL – Projecto da Academia de Letras Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina
Livros editados:
-O ROSEIRAL DOS SENTIDOS
-SUSPIROS LUNARES
-DELÍRIOS DE UMA PAIXÃO
-ENTRE CÉU E O MAR
-UMA ETERNA MARGARIDA

O Corpo da Guarda Velho e a RUA do ESPÍRITO SANTO em Bragança

Interessa-nos, porém, insistir que algumas ruturas introduzidas pela Revolução Liberal, apesar do relativo radicalismo, não invalidaram que a vida social, incluindo o lazer e a festa, continuasse a ser pautada por certas regras de convivência que, por sua vez, implicavam o controlo e o combate às ações individuais ou coletivas que as pudessem fazer perigar.

Edifício do Corpo da Guarda Principal

Tumultos, banditismo e roubos, circulação de estrangeiros e desconhecidos são alguns exemplos que justificavam a presença de um corpo de segurança incumbido de velar pela tranquilidade do quotidiano. Nesta perspetiva, o privado e o público cruzavam-se com o poder que estava cometido ao Corpo da Guarda, um organismo do domínio militar dotado de funções policiais, o que justificava a presença de uma prisão nas suas instalações. Por outro lado, interessa-nos a circunstância da sede desta instituição se implantar numa rua pública, a Rua do Espírito Santo, numa casa com pouco espaço disponível, que em nada se distinguia das outras habitações com caráter residencial que definiam o arruamento. A casa interessa-nos, sobretudo, pela sua articulação com a rua e com as transformações que iriam acontecer e ainda porque, quando se decidiu a sua mudança para um edifício novo que se construiu de raiz, optou-se por um espaço tradicional, relativamente bem consolidado na malha urbana.
O sítio da implantação do Corpo da Guarda Velho também não mostrava cuidados particulares, apesar de compreender a existência de algum espaço livre na sua frente principal. Seria justamente para se ganhar comodidade que, nos últimos anos do século XVIII, se decidiu a construção de novas instalações que observaram no seu delineamento a tríade albertiana firmitas, utilitas, venustas. Apesar da considerável envergadura física deste edifício, para a sua implantação não houve a preocupação de se procurar um sítio que pudesse polarizar algum movimento de renovação urbana. Mais uma vez, preferiu-se a malha exterior ao castelo mas interior à antiga grande barreira da Cidade, optando-se por um dos lados da Praça de S. Vicente, ocupando-se, talvez em parte, a superfície onde estava a antiga casa da Alfândega. Embora se possa admitir que as obras de construção pudessem ter sido iniciadas ainda no século XVIII, o seu crescimento, pautado pelos desenhos do engenheiro militar José de Morais Antas, ocorreu já sob as luzes da nova centúria.
Com este lance foi possível substituir as antigas instalações da Rua do Espírito Santo que, uma vez alienadas, acabaram por ir parar à posse da Santa Casa da Misericórdia. No início da segunda metade do século XIX, a casa da primeira sede do Corpo da Guarda voltaria a estar em foco por causa de algumas medidas de reordenamento urbano que a Câmara intentava pôr em marcha, especialmente direcionadas para a correção do perfil de alguns arruamentos e para as questões de higiene pública.
Na sessão realizada em 3 de setembro de 1856, no âmbito de considerações relativas à Rua do Espírito Santo, “uma das melhores da Cidade”, os vereadores ressaltavam a existências de acidentes e a forma como o casario desta rua estava longe do alinhamento atual. De facto, todos reconheciam que a rua “se acha deformada e deturpada com a saliência da casa chamada o Corpo da Guarda Velho e com o coberto da de António Claudino Rodrigues”.
Na ata desta sessão explicitava-se bem como o alpendre da casa de António Claudino representava um problema sério, por “tolhe[r] a vista da mesma rua”, tal como era problemático o recanto existente junto ao Corpo da Guarda Velho, sistematicamente convertido em “depósito de imundície, que a maior diligência não pode evitar, e favorece além disso a prática de atos indecentes e desonestos”. Impondo-se a realização de melhoramentos naquela artéria, livrando-a “daquele deturpamento”, a Câmara deliberou: “comprar ou haver por qualquer meio da Santa Casa da Misericórdia o domínio direto daquela casa do Corpo da Guarda Velho, que lhe rende a pensão anual de doze mil réis”; “contratar com o enfiteuta João Baptista de Carvalho, e com o dito António Claudino, a cedência de parte da casa e o coberto, que têm de ser demolidos mediante uma indemnização justa ou pedir judicialmente as suas expropriações”; “obtida que seja uma e outra coisa, ordenar-se a demolição da casa e coberto, de maneira que se restitua à rua pública a porção do terreno que as casas ocupam fora do alinhamento e perfil da mesma rua”.
Esta decisão foi levada a cabo, como se conclui de um assento de despesa no valor de 400$000, “para a demolição e reedificação do alpendre de António Claudino Rodrigues e casa de João Baptista de Carvalho [marceneiro, que vivia no Corpo da Guarda Velho] na Rua do Espírito Santo para aformoseamento da mesma [rua]”. Por conseguinte, era em nome do alinhamento das ruas que se eliminava o alpendre de uma habitação.
Estes elementos e soluções construtivas eram relativamente frequentes nos nossos aglomerados populacionais.
Umas vezes eram fonte de embaraço para a circulação, outras vezes, pelos seus materiais e pela qualidade da sua fábrica, acrescentavam caráter às casas e espaços públicos onde tinham sido construídos – nesta segunda asserção, valerá a pena darmos nota do interesse da Câmara Municipal pela “aquisição de um alpendre situado no Largo da Praça de Santiago na cidadela para o aformoseamento da mesma”. Decidida a compra, na sessão de 6 de dezembro de 1858, nomearam-se os louvados para procederem à avaliação de custos, achando-se ser justo o pagamento de 24 000$000 réis aos proprietários da casa onde se encontrava o alpendre, José António Ribeiro, cabo de veteranos, e sua mulher, Emília da Assunção. Que o alpendre estava em uso, vê-se pela notícia de venda, nomeadamente quando se escreveu que “está na frente” da casa dos vendedores, naquela que será a praça mais antiga de Bragança, agora já com a sua importância muito limitada.
Face ao interesse da edilidade, presume-se que se tratava de uma obra de pedraria que se impunha pela conjugação harmoniosa dos elementos arquitetónicos e talvez pelo programa decorativo de que não se fez qualquer menção. Nada mais se sabe a respeito desta obra que, mais tarde, acabaria por ser desmontada e seguir outro destino. Em todo o caso, mesmo sendo vaga, a hipótese de alguns dos seus elementos terem sido incorporados posteriormente num dos corpos do edifício do antigo Paço Episcopal não deve ficar excluída.
Seja como for, a configuração geral e a tendência para o delineamento retilíneo da intervenção urbanística foi matéria que, a partir da segunda metade do século XIX, esteve no centro das preocupações de sucessivos executivos municipais. Neste programa também se dava atenção aos edifícios problemáticos quanto à segurança das pessoas e das construções com que confinavam. Neste sentido, destaquem-se os exemplos de uma casa sita na Rua dos Oleiros, onde vivia o carpinteiro António de Castro, a qual, pela sua ruína, tornava previsível o desabamento, “com prejuízo da segurança de indivíduos, mas também da casa que lhe fica superior”. 
Avaliado o problema, não houve dúvidas de maior em se deferir, na sessão de 26 de março de 1857, a demolição da fachada principal deste edifício. Outro exemplo, tratado na mesma reunião, respeitava a outra casa com frontaria para a Praça do Colégio ou Praça da Sé e que era propriedade de Francisco de Assis Barata.
Uma das razões que sustentavam a importância desta Praça decorria do papel que desempenhava na articulação com os acessos para algumas povoações do Concelho e com os itinerários que levavam às vilas e cidades mais distantes. Por isso, era indispensável que tanto a Praça como as principais artérias urbanas se modernizassem para serem mais cómodas e também para causarem boa impressão aos forasteiros que demandavam a urbe. Daí o ânimo em se continuar, com custos suportados pela Câmara e pelo cofre das Obras Públicas, a obra da rua “construída a Mac-Adam que da Ponte do Loreto vem à Praça do Colégio”, mais tarde, denominada Rua Alexandre Herculano.
Seria nesta mesma sessão municipal, realizada em 31 de outubro de 1860, que as atenções dos homens da governança se detiveram na folha em que estava riscada uma planta destinada ao novo edifício para acomodar a Câmara.
Um tema antigo pois, como já foi dito. Se em 1840 se chegou a deliberar a transferência das sessões para o edifício do Paço Episcopal, a partir de 1843, o Barracão das Eiras com as respetivas valências institucionais, de lazer e de comércio, passou a marcar a ordem do dia.

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

DIA DE S. MARTINHO (11 DE NOVEMBRO)

Neste dia é costume algumas pessoas andarem pelas casas, provando os vinhos
novos com castanhas assadas. Quando se sentiam animados com as provas cantavam
assim:



Era o vinho, pois era o vinho
Era a coisa que eu mais adorava!
Só por morte, mesmo só por morte,
É que o vinho eu deixava.

Ai! Da adega fiz a sepultura
Ai! Do tonel fiz o caixão.
Eu sou o pai da ramboia.,
Quero morrer com o copo na mão.

Como podem as pessoas;
No dia de S. Martinho.
Honrá-lo desta maneira:
Com bailes e jarras de vinho!

RECOLHA (1985) de Judite Moreno, Sambade – Alfândega da Fé.

QUADRA ALUSIVA A S. MARTINHO


Meus Senhores, Boa Noite lhes venho dar
É festa de S. Martinho, temos muito que festejar
Também os senhores da mesa eu quero saudar
Que Deus lhes dê muita saúde para esta casa orientar

Nós idosos estamos na Terceira Idade
Se não fosse a Santa Casa onde nos iríamos arrumar
Porque junto ao fim ninguém nos quer aturar
Mas isto é uma roda! Roda, roda sem parar
São uns a sair e outros a entrar

Também as nossas empregadas eu não quero deixar
Que Deus lhes dê muita saúde para nos acompanhar
Também aos nossos tocadores lhes quero dizer muito obrigado
Que venham por aqui muitas vezes para cantarmos o fado
Agora vou terminar que a garganta não me ajuda
Quero-a mandar limar com uma laranja madura

RECOLHA 2005 SCMB, ABÍLIO AUGUSTO GONÇALVES, Idade: 94.
Localização geográfica: MÓS – ORIGEM + 50 anos.
(AUTORIA DO SR. ABÍLIO GONÇALVES)

FICHA TÉCNICA:
Título: CANCIONEIRO TRANSMONTANO 2005
Autor do projecto: CHRYS CHRYSTELLO
Fotografia e design: LUÍS CANOTILHO
Pintura: HELENA CANOTILHO (capa e início dos capítulos)
Edição: SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE BRAGANÇA
Recolha de textos 2005: EDUARDO ALVES E SANDRA ROCHA
Recolha de textos 1985: BELARMINO AUGUSTO AFONSO
Na edição de 1985: ilustrações de José Amaro
Edição de 1985: DELEGAÇÃO DA JUNTA CENTRAL DAS CASAS DO POVO DE
BRAGANÇA, ELEUTÉRIO ALVES e NARCISO GOMES
Transcrição musical 1985: ALBERTO ANÍBAL FERREIRA
Iimpressão e acabamento: ROCHA ARTES GRÁFICAS, V. N. GAIA

31.º aniversário da APAC, Núcleo Regional Norte

Festival Ibérico ObservArribas: três dias para descobrir as aves, paisagens e cultura únicas do Douro Internacional

A 3.ª edição do ObservArribas – Festival Ibérico de Natureza das Arribas do Douro decorre entre os dias 31 de maio e 2 de junho. Este ano, o festival mudou-se para pleno centro de Miranda do Douro, onde haverá, entre outras novidades, uma mostra de cinema de ambiente.

Na sexta-feira, 31 de maio, será apresentado o documentário Portugal, Património Natural. E até 2 de junho, haverá dezenas de oportunidades de explorar as Arribas do Douro, descobrir águias e abutres, e conhecer de perto a cultura desta região ímpar.

Durante três dias, centenas de observadores de aves e amantes de natureza virão descobrir as aves, paisagens e tradições desta região esculpida pela natureza. Desde observar abutres e águias – as maiores aves da Europa –  e fazer passeios e piqueniques no Parque Natural do Douro Internacional ao contacto com os burros mirandeses e danças tradicionais, o ObservArribas terá atividades para todos os gostos.  


As principais protagonistas do festival serão, sem dúvida, as aves. Os participantes poderão aprender a identificar espécies pelo canto, ver as aves das arribas em cruzeiros pelo Douro, ou mesmo descobrir como as observações de cada um podem ajudar os cientistas que estudam e protegem as aves selvagens. 
Britango

Na feira dedicada aos produtos e serviços ligados à natureza e à região no Largo do Castelo, bem no centro de Miranda do Douro, miúdos e graúdos terão oportunidade de pôr mãos à obra: os adultos podem fazer película aderente sem plásticos, a partir de cera de abelha, enquanto os mais novos reutilizam materiais do dia a dia para fazer binóculos. E todos vibrarão com os “Cães CSI” na demonstração do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR.

Com dezenas de atividades a decorrer ao longo dos três dias, não só em Miranda do Douro, mas também nos outros concelhos do Parque Natural do Douro Internacional (Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo), e no Parque Natural Arribes del Duero, do lado espanhol, o III ObservArribas convida os amantes de natureza a explorar a beleza natural e cultural das Arribas do Douro.


Mais informações AQUI.


Escolas do distrito poderão ter mais verbas para requalificação

A secretária de estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, afirmou que para ultrapassar o problema dos concursos desertos de requalificação de escolas, o ministério está a tentar atribuir mais verbas aos projectos.
Em muitos casos, no distrito tem-se repetido o cenário de falta de empresas a candidatar-se para realizar estas obras o que atrasa a requalificação do património escolar. Ontem, em Bragança, a secretária de estado disse ter esperança que numa segunda tentativa as obras sejam adjudicadas. “Creio que algumas delas já estão a ter apoios comunitários, como é o caso de alfândega da Fé. Essa questão dos concursos desertos é uma questão é uma questão que estamos a ter porque, felizmente, houve algum aumento do investimento, não só na área da educação mas em geral. Como há mais concursos a decorrer, os empreiteiros têm mais dificuldades e estamos a ter a realidade de alguns concursos a ficar desertos em todo o país mas são obras que estão me curso. Seguramente que, num segundo momento, através de um novo procedimento acabará por se adjudicar porque são obras que já estão autorizadas e já há dinheiro para elas, já estão fora do papel e é uma questão de tempo. Às vezes o que nós conseguimos fazer e estamos, neste momento, com a reprogramação dos fundos comunitários, é majorando com mais algumas verbas e pondo novamente a concurso com um valor superior”.

Para além de Alfândega da Fé, outros dos casos é o da escola sede do Agrupamento Dr. Ramiro Salgado, em Torre de Moncorvo. O município teve de repetir o concurso como esclareceu o autarca Nuno Gonçalves. “Estava com dois milhões e 250 mil euros, o que se mostrou ser manifestamente insuficiente uma vez que a obra foi colocada a concurso e o concurso ficou deserto. Nesta reprogramação que estamos a negociar, quer com o Estado central quer com a CCDR, a nossa proposta, que foi acolhida, é que a escola secundária de Torre de Moncorvo tenha três milhões de euros para a sua recuperação. Obviamente que isso vai levar a um esforço maior por parte da autarquia, cerca de meio milhão de euros, mas estamos cá para assumir esse compromisso, assim corram as coisas como nós queremos e que possa ser levada a novo concurso para iniciarem as obras”.

Já quanto a Vinhais, que no ano passado desistiu da construção de um novo centro escolar, foi a semana passada lançado o concurso para a requalificação da actual escola sede do agrupamento. A secretária de estado Adjunta e da Educação visitou, ontem, o Agrupamento de Escolas Abade de Baçal, em Bragança, a única capital de distrito que, nos quase quatro anos em funções no governo, ainda não conhecia.

Escrito por Brigantia

Excesso de endividamento de Freixo de Espada à Cinta desceu 15% no último ano

O município de Freixo de Espada à Cinta ainda se encontra em processo de saneamento financeiro, por furar o excesso de endividamento, no entanto, a redução deste valor foi de 15% no último ano, segundo a autarca.
De acordo com o relatório do Conselho de Finanças Públicas, no final de 2018, Freixo de Espada à Cinta encontrava-se no patamar entre 1,5 e 2,25% do rácio de dívida em relação à receita. Maria do Céu Quintas destaca que no último ano o excesso de endividamento da câmara desceu mais do que é exigido. “No último ano, em relação aquilo que nós éramos obrigados a baixar a dívida, todos os anos, em 10%, em relação ao que está acima do endividamento permitido. No ano passado até baixamos 15%, fomos além daquilo que era necessário”.

A autarca adiantou ainda que, visto que o município se encontrava no patamar mais baixo de excesso de endividamento, o ano passado foi possível fazer empréstimos de substituição para liquidar o Programa de Apoio à Economia Local (o PAEL) e os processos de reequilíbrios financeiros. “Durante o ano de 2018 nós já estávamos abaixo dos 2,25% o que nos permiti fazer os empréstimos de substituição para podermos liquidar o PAEL. Começamos o processo ainda o ano passado, ainda em Setembro. Este ano, já em 2019, quando contratamos e liquidamos, liquidamos o PAEL, reequilíbrios e mais um outro. São cinco empréstimos que liquidamos e fizemos três para substituição desses. Ficamos com um alivio porque taxas mais baixas e tivemos que pagar menos juros”.

A dívida total do município de Freixo também reduziu, situando-se nos 12 milhões e 600 mil euros, a 31 de Dezembro de 2018, ao passo que um ano antes se cifrava nos 13 milhões e 300 mil euros. Segundo a autarca, desde 2013, a redução do valor da dívida foi de 6 milhões de euros.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro