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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

PENSAR O FUTURO PARA ALÉM DA DESGRAÇA

 
A Terra continua o rodopio à volta do Sol. No horizonte de, pelo menos, quatro mil milhões de anos o mais provável é que não haja alterações nos equilíbrios que mantêm o planeta azul em translação tranquila à volta da estrela que lhe garante a vida, com as forma que conhecemos, ou outras que podemos imaginar, sem grande risco de cair em erro retumbante.
Podia dizer-se isto de forma seca, talvez cortante, reduzindo-o à frase a vida continua para além de todas as tragédias. É o que vai acontecer, depois de algumas lágrimas, do cansaço e do desânimo que deixarão certamente marcas, mas o apocalipse fica para mais tarde.
As gerações do presente têm vivido, nalgumas partes do mundo, tempos nunca vistos de prosperidade, comodidade e segurança, sem tomar consciência de que há sérios riscos de os caminhos trilhados poderem conduzir ao desastre. Não seria a primeira nem a última vez na história da humanidade, fértil em desilusões demolidoras.
A situação que vivemos poderia despertar-nos para a contingência de cada um, mas também para a importância da solidariedade transgeracional, milenar, perscrutando os tempos que virão, para não deixarmos um mundo, um país e uma região piores dos que os encontrámos.
O território que nos calhou tem condições para proporcionar vidas gratificantes aos que vierem a nascer aqui, desde que, finalmente, se encontrem formas de promover a coesão na defesa das condições que abram possibilidades ao futuro.
Estamos a poucos dias de mais uma cimeira ibérica, cuja agenda anunciada parece reflectir a consciência pesada dos responsáveis políticos dos dois países, depois de longas décadas de gestão dos interesses imediatos, de falta de estratégia conjunta, de novo riquismo exuberante em Lisboa, Madrid ou Barcelona, que varreram para as traseiras os problemas reais da península, agravando desigualdades e comprometendo o desenvolvimento da maior parte do território e das gentes que lhe deram vida.
Não vai ser desta vez que os participantes terão em conta posições firmes de quem representa os que subsistem do lado de cá e de lá da maldita raia, capricho de grupos temporariamente dominantes, mais do que do sentimento das populações, impiedosamente sangradas numa vertigem de imediatismo que condensa os sete pecados capitais.
Não será, porque os representantes políticos do distrito não souberam nem quiseram encontrar forma de mostrar a força que temos. Nem estes, nem os que se sentaram nos cadeirões do poder no último meio século, em São Bento ou nas câmaras dos doze municípios. Nem vale a pena falar de tempos anteriores, quando a submissão servil, o provincianismo anacrónico e o arrependimento do futuro cobriram a região com o véu cinzento da miséria e da tristeza.
Daqui a um ano há eleições autárquicas. Se ainda houver sentido de cidadania, as candidaturas terão em conta a necessidade vital de definir uma estratégia conjunta de defesa dos interesses regionais, que se traduza na mudança das políticas que nos têm deixado a um passo da asfixia.
Doutra forma, continuaremos a assistir ao ridículo das fantochadas, com bonecos manipulados por peritos da dissimulação e da demagogia, que lançarão gargalhadas de desprezo sobre os patêgos, mais uma vez caídos no engodo da banca onde se anunciam os milagres da banha da cobra.

Teófilo Vaz

Vacina da gripe vai ter com as pessoas no distrito de Bragança

 Autoridades de saúde de Bragança vão disponibilizar a vacina em todas as juntas de freguesia do distrito. Mas há quem prefira chá e cama.
Começou esta segunda-feira a vacinação contra a gripe, mas só para grupos específicos: lares de idosos, Unidades de Cuidados Continuados, utentes e funcionários, profissionais de saúde, grávidas e reclusos. Para a população em geral, principalmente maiores de 65 e doentes crónicos, a vacina da gripe só começará a ser disponibilizada a partir do dia 19 de outubro.

Em tempos de pandemia, as autoridades pedem que se vacine o maior número de pessoas, mas também pedem serenidade e calma. No distrito de Bragança, para que as pessoas não se desloquem, em massa, aos centros de saúde, farmácias e hospitais, todas as Juntas de Freguesia vão servir de local para tomar a vacina.

"Antes de o utente ir procurar a vacina, vai a vacina ter com o utente." Quem o diz é Maria Adelaide Batista, dos Cuidados de Saúde Primários da Unidade Local de Saúde de Bragança. Acrescenta que "os grupos de enfermagem de todos os Centros de Saúde fizeram um plano para cada Centro. Vão marcar datas para irem às juntas de freguesia, vacinar os seus utentes, para que seja pacífico, para que não haja alarmismos".

E esta é a mensagem mais importante que a saúde pública de Bragança quer fazer chegar aos habitantes. Em todas as juntas de freguesia do distrito haverá equipas de profissionais a dar vacinas. Maria Adelaide Batista pede serenidade.

"As pessoas devem estar calmas, as vacinas vão ser para todos, vão ser vacinados na sua junta de freguesia. Não corram aos Centros de Saúde porque vai também prejudicar o trabalho normal do Centro de Saúde e não se beneficia a população."

A vacinação, pelo distrito e no país só começará, na segunda fase, dia 19 de outubro. Inácia Rosa, delegada de Saúde de Bragança, pede às pessoas que se vacinem porque o diagnóstico da gripe e da Covid-19 é muito semelhante.

"Quantos mais se vacinarem, mais facilita o diagnóstico diferencial, dada a situação que estamos a viver. Para se fazer uma vacina para este ano teve por base o tipo de vírus que ocorreram no hemisfério sul. Há quatro vírus que vão estar cobertos por esta vacina, o que nos facilita o diagnóstico diferencial entre gripe e coronavírus."

E quanto menos gente, nesta fase de pandemia, tiver que ir aos hospitais, melhor. Inácia Rosa acrescenta que obtenção da vacina é fácil e não é só gratuita para os maiores de 65 anos.

"Abaixo dos 65 anos existem grupos com patologias que entram na gratuitidade. E para outras pessoas, que não estejam nesses grupos mas que acham que se devem vacinar podem pedir uma receita ao médico de família e que é dispensada nas farmácias comunitárias com comparticipação de 37%. O objetivo é sempre o de que as pessoas não tenham consequências, que não apanhem a gripe e depois, os serviços de saúde."

A vacina da gripe pode ser tomada até ao fim deste ano. Sem comparticipação custa 7 euros

Com chá de cebola, carões de abóbora, figos e mel

Mas se os serviços de saúde apelam à vacinação, há muita gente que não quer ouvir falar dela. Celeste Silva é a proprietária do café Términus à saída de Bragança. Tem uma doença crónica nos ossos. Nunca tomou a vacina da gripe nem a vai tomar.

"Não! Porque acho que isso ainda traz mais vírus do que os que temos. Nunca a levei. O ano passado a médica ainda me disse mas eu não quis tomá-la, por causa dos problemas de saúde e tinha medo que me constipasse mas mesmo assim não a tomei."

Noutro bairro da cidade, na esplanada da gelataria Sabores do Céu, Maria da Conceição com 72 anos também não quer saber da vacina. "Eu não, nunca tomei. Porque não gosto e não gosto porque também não preciso. Tenho passado bem sem a vacina. Nunca me constipo e quando me constipo, tenho que a curar."

E cura-a com um remédio caseiro. "Com chá de cebola e carões de abóbora e figos, tudo fervido com cascas de cebola e mel e depois bebo. E está a gripe curada!"

Ao lado a amiga Maria Alice tem também uma cura barata para a gripe. "Olhe vou para a cama (risos)." E aos 74 anos continua a não querer vacinar-se. "Porque acho que isso não é eficaz. Quem tem tendência a gripar-se, gripa-se de qualquer maneira e quanto menos medicamentos a gente meter para o organismo, melhor."

Guilhermino Morais foi ali tomar um café e toma a vacina da gripe há quatro anos. Este ano vai fazer o mesmo, ele e a esposa. "Espero, logo que que elas venham, ser dos primeiros. É que realmente sinto-me bem em tomá-la, eu e em casa a patroa também faz a mesma coisa. Ela ainda mais porque é doente de risco. E fico bem com el (vacina)."

Com ou sem mezinhas caseiras, em ano de pandemia, as autoridades de saúde pedem e sugerem que se tome a vacina da gripe.

Afonso de Sousa

ANTROPOCÊNTRICO

 
Vi por duas ou três vezes na national geographic um programa chamado os Irwins. Nele uma voluntariosa família australiana corre o país em operações de resgate de animais feridos ou em perigo, que inclui centros de acolhimento, tratamentos, cirurgias e restituição ao meio natural sempre que possível. Tudo devidamente acompanhado por apaixonados beijos e abraços aos bichos por parte dos Irwins. 
Não duvido das boas intenções, porém delas está o inferno cheio e a mim aquilo parece-me ser o resultado de consciência pesada pelas patifarias que per saecula saeculorum lhes temos andado a fazer. É justo sentir culpa quando fundamentada: uma das bases da nossa civilização reside na convicção da superioridade do homem relativamente aos outros animais, meros objetos para nosso usufruto. Juízos em causa própria que têm servido de justificação para os matarmos a fim de lhes comermos a carne, vestirmos a pele e os considerarmos fonte de inúmeras matérias-primas, os tirarmos aos montes, domesticando-os, para nos protegerem e servirem, os escravizarmos nos trabalhos mais pesados, os cruzarmos entre si, criando raças que satisfazem os nossos caprichos, os enjaularmos e exibirmos como objetos de diversão, os usarmos para descarregar neles ódios e frustrações, os submetermos a torturas indescritíveis na pesquisa científica, os privarmos mesmo do direito à existência provocando a extinção de espécies inteiras. 
Muitos povos, partindo do princípio da sacralidade e da dignidade de todos os seres vivos sem exceção, desconhecem aquela hierarquia. O caso mais conhecido são os hindus, mas há outros. Em certas culturas tradicionais, de cada vez que se mata um animal para alimentação ainda se faz uma cerimónia em que se lhe pede desculpa por esse ato repleto de cinismo (como lhe chamou o filósofo edgar morin) que consiste em tirar a vida a um ser para a dar a outro. Nós consideramo-los um estorvo à expansão e à loucura humanas, enclausuramo-los em campos de concentração a que chamamos jardins para os protegermos da sua única ameaça, nós próprios, e em nome da ciência fazemos com eles muitas coisas que têm a marca da arrogância e do preconceito antigo. Inclusive, as relações na aparência mais benignas exibem aquela atitude preconceituosa básica. 
Passará pela cabeça da malta do pan que a expressão “animais de companhia” assume que o papel deles é satisfazer uma necessidade humana sem que alguma vez a sua vontade seja tida em conta? Por mais que os apapariquem, ocorrer-lhes-á que obrigá-los a vegetar em apartamentos significa negar-lhes o direito à liberdade no seio da natureza e de acordo com as suas leis? Quais serão os seus sentimentos sobre isso? O que nos diriam se os pudessem exprimir? Tal como muitos outros, os Irwins são sem dúvida sinais de civilização, mostras de que a consciência e o desejo de proteger estão a despontar. É melhor que nada, e por este andar talvez um dia se venha a pedir perdão à bicharada por tanto abuso, como agora se faz com os descendentes dos escravos. 
Mas eles parecem-me fazer parte de uma vaga de gente citadina “ambientalista” que não consegue abrir mão de nenhum conforto material, coleciona sempre mais e mais objetos inúteis, venera as mil bugigangas oferecidas pela tecnologia moderna e disfarça através do “protecionismo” extremista o remorso de precisar de três planetas para sustentar o estilo de vida que leva. Também tenho muito respeito pelos animais e sinto um enorme peso por ainda não ter conseguido deixar de os comer. 
Tirando esse pecado, sou dos que param na estrada para enxotar uma lebre que se me atravesse à frente do carro (o que já aconteceu várias vezes) e incapaz de fazer mal a seja o que for que mexa, até mesmo a uma mosca exasperante. Mas acho que eles passam bem sem declarações de amor piegas e dispensam absolutamente ser tratados como pessoas. Aliás a nossa ação só os pode prejudicar. 
Tirando os que são um produto do nosso egoísmo e não sobreviveriam sozinhos, os que ainda são livres só precisam de nós para que os deixemos em paz. E isso pode começar, por exemplo, por recusar o dogma segundo o qual a população humana deve aumentar de forma desregulada como tem vindo a acontecer. É a maneira mais eficaz de não invadir os seus ecossistemas e de os deixar lá sossegados com a menor intervenção possível da nossa parte.

Eduardo Pires

Nós, Transmontanos, Sefarditas e Marranos- OS LEDESMA - FAMÍLIA E MOBILIDADE: ANTÓNIO MANUEL DE LIMA, ADVOGADO.

 
Jerónima Ledesma e Fernando Fonseca tiveram uma filha que nasceu em Bragança, por 1683 e foi batizada com o nome de Maria da Fonseca. Esta casou com Manuel Rodrigues Lima, também nascido em Bragança, pela mesma altura. 
Na sequência de mais uma investida da inquisição, Manuel Rodrigues Lima foi-se apresentar-se em Coimbra onde foi ouvido, admoestado e mandado regressar a casa. O mesmo caminho e idêntico procedimento foram seguidos por Maria da Fonseca. Sobre Manuel Rodrigues Lima, diremos que era filho de José Rodrigues Lima e Maria Henriques, família radicada em Mirandela, com fortes ligações a Vinhais. Manuel Rodrigues e Maria da Fonseca tiveram vários filhos, mas só dois chegaram à idade adulta. 
O mais velho, nascido por 1711, chamou-se José Rodrigues Lima, como o avô paterno. Seria um homem com bastante relevância na sociedade Brigantina, pois ocupava o posto de Capitão de Ordenanças, geralmente disputado por gente da maior nobreza cristã-velha. No entanto, ele teria perfeita noção dos perigos que corria, em matéria de fé, pois que em 6.8.1749, decidiu apresentar-se na inquisição de Coimbra. Mandado de regresso a casa, foi chamado em Abril de 1754 para ouvir sua sentença e abjurar de seus erros. Foi casado com Isabel Perpétua Rosa, de uma família bem martirizada pelo santo ofício. Com efeito, Jerónimo José Ramos, irmão de Isabel, seria um dos últimos, senão o último judeu brigantino a ser queimado nas fogueiras da inquisição de Lisboa, em 1754.  
António Manuel de Lima, o outro filho, nasceu em Bragança, por 1718. Completados os estudos preliminares, em Bragança, rumou a Coimbra a estudar Leis. Concluído o curso, o jovem advogado, “por se achar com algum dinheiro e viver na lei de Moisés, e lhe dizerem que, em Londres, havia liberdade de cada um viver na lei que queria”, para ali embarcou e por lá ficou durante 6 meses frequentando a sinagoga para aprofundamento da lei mosaica e fazendo-se circuncidar.  
Este seria o objetivo principal da viagem, como ele próprio referiu, deixando entender que a sua formação e entrada na vida ativa e adulta impunha a circuncisão, ritualidade essencial para ser judeu. Aliás, em Bragança esta ideia seria corrente e são conhecidos bastantes casos de homens que foram circuncidar-se lá fora e voltaram à terra, geralmente fazendo algum proselitismo. Foi o caso de José Rodrigues Mendes, morador na Rua Direita que, em Bragança, foi educado por “judeu de nação” e depois se dirigiu a Londres para ser circuncidado, tomando o nome de Moisés Mendes Pereira. Regressado a Bragança, dava informações sobre o que lá vira e como ali se vivia. Contou, por exemplo que ali encontrou Francisco Lopes Franco, filho bastardo de Baltasar Lopes Franco, capitão de ordenanças de Chacim, e de uma cristã-velha e que, por isso mesmo, por ser meio-judeu, teve de ser purificado com muitos banhos e cerimónias, para ser admitido na sinagoga e circuncidado. Falou também de outros Brigantinos que encontrara em Londres, nomeadamente os filhos de André Lopes da Silva; a família Costa Vila Real, cujo líder era João da Costa Vila Real, que foi circuncidado aos 73 anos de idade; Luís de Sá, porteiro da sinagoga da Bevis Marks, casado com de Ester Sá e seu irmão Alexandre, aliás, Abraham de Morais, casado com Mariana (Sara) da Costa Vila Real; António Mendes Álvares, filho de Gabriel Álvares Lotas, casado com Maria Josefa. Mas não era só a Londres que iam circuncidar-se. 
Também a Livorno, aproveitando muitas vezes a viagem a Roma onde iam buscar um documento da Cúria Papal que lhes permitia casar-se dentro da família, com tias ou primas. Veja-se, a propósito a seguinte declaração feita pelo médico brigantino Francisco Furtado Mendonça: - Disse que havia 24 anos, em Bragança, em casa de Francisco de Almeida, meirinho do assento, ausente em Génova, e que o mesmo se circuncidara em Livorno e que tinha livros impressos na Holanda, enviados por judeus daquela sinagoga e deles formava cadernos de calendários para observância das festas, os quais distribuía pelos cristãos-novos de Bragança e lhos deu a ele, médico, para se servir deles  Também por Livorno, a caminho de Roma, passou e lá se demorou José Rodrigues Gabriel, que, mais tarde. Contou aos inquisidores: - Há 34 anos, em Livorno, em casa de Gabriel de Medina, natural deste reino, homem de negócio, entre práticas ele lhe disse que para seguir a lei de Moisés tinha que se circuncidar, e com efeito ele se circuncidou na casa do mesmo, dali a poucos dias, para cujo efeito veio um cirurgião que o cortou na presença do mesmo Gabriel de Medina e outros 4 judeus, que ele não conhecia.
 António de Morais, esse foi circuncidar-se a Bayonne, em França, onde tomou o nome de Jacob de Morais. Regressou a Bragança onde era torcedor de seda, e foi preso, em 1718, quando contava 30 anos. Veja- -se a sua confissão: - Haverá 7 anos que se mudou para Bayonne e que o circuncidou em casa dele réu um judeu francês chamado Samuel Talavera e lhe puseram o nome de Jacob e pelo tal nome foi tratado e conhecido pelos judeus e ali fazia a guarda das cerimónias da lei com Lopo de Mesquita, torcedor de seda e hoje se chama Abraham de Mesquita, tendeiro, natural de Bragança e com Salvador Mesquita, filho deste, tratante de chocolate, casado com uma filha de Mécia de Morais e hoje em Bayonne se chama Isaac de Morais. Voltemos a Londres, ao encontro de António Manuel Lima que ali terá contactado com alguns familiares fugidos da inquisição, muito em particular Abraão Mendes Campos, aliás, Diogo de Campos Pereira, natural de Lebução. Diogo era também formado em direito por Coimbra e, por 1720, morava em Lebução, casado com Clara Maria de Mesquita Campos, que, em Londres se fez judia e tomou o nome de Sarah Mendes Campos. 
Diogo, aliás, Abraham, tinha 5 filhas, uma das quais se chamou Teresa Maria de Campos, que casou com Baltasar Mendes Cardoso. O casal teve vários filhos e duas filhas. Uma delas, batizada com o nome de Rosa Maria de Campos, casou com Francisco Rodrigues Álvares, que faleceu no terramoto de 1755. A outra, Josefa Teresa, foi casada com José Álvares de Lima, irmão do anterior e ambos primos de António Manuel de Lima e de Baltasar Mendes Cardoso, pai das mesmas.  Pois, é bem possível que tenha sido em casa deste seu parente, Abraão Mendes Campos que, em 1740, o jovem advogado António Manuel de Lima, se tenha hospedado, prolongando-se a estadia por meio ano. Em Londres passou a Páscoa, confessando ele que a “celebrou por dois dias, comendo neles pão asmo e um cordeiro”, como a lei de Moisés determina. 
Quatro anos depois, em Agosto de 1744, vivia já em Lisboa o advogado Lima, quando, em Londres, faleceu Abraão Mendes, tendo feito testamento no dia 20 do mês anterior. E nesse testamento, incluiu a cláusula seguinte: - Item, deixo e lego a Branca, filha de José Rodrigues Lima, de Mirandela, cinquenta mil réis.  
Não pudemos exatamente situar este José Rodrigues Lima na árvore genealógica dos Lima, de Mirandela. Sabemos é que estava casado com Violante Pereira, irmã do testador, Abraão Campos Pereira. E sabemos também que aquele José Rodrigues Lima e Violante Pereira, sua mulher, para além da Branca da Silva contemplada no testamento do tio, tiveram um filho chamado Alexandre Pereira que casou com Luísa Maria Bernarda, filha de André Lopes dos Santos, da família Raba.  
Em Lisboa, regressado de Londres, António Manuel Lima empenhar-se-ia na divulgação dos seus ideais religiosos e catequização na lei de Moisés, como se depreende da seguinte confissão de André Lopes dos Santos (Raba): - Disse que indo a casa de António Manuel de Lima, que mora por detrás da igreja de Santa Justa (…) e estando ambos sós, puxou o dito António Manuel Lima de um livro que lhe disse que era a Sagrada Escritura e que cuidasse bem em que Deus sempre era Deus verdadeiro e que ele fora circuncidado em Londres, havia 10 anos, por isso não lhe faltava Deus, antes o favorecia muito…

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães

Projeções CINEMATOGRÁFICAS - BRAGANÇA

 

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Região de Turismo do Nordeste Transmontano

 


PREDIDOMUS - BRAGANÇA

 


Escola Secundária da Sé - BRAGANÇA

 

𝗕𝗿𝗮𝗴𝗮𝗻𝗰̧𝗮 𝗮𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮 𝘂𝗺 𝗻𝗼𝘃𝗼 𝗽𝗼𝗿𝘁𝗮𝗹 𝗱𝗲𝗱𝗶𝗰𝗮𝗱𝗼 𝗮𝗼 𝗧𝘂𝗿𝗶𝘀𝗺𝗼

 Integrado nas Comemorações do Dia Mundial do Turismo, o Município de Bragança apresentou, hoje, o site “Visit Bragança”. Um portal online turístico integrado na campanha de promoção territorial “Bragança. Naturalmente!”, desenvolvida no segundo semestre de 2020 e que tem atraído turistas à região, sobretudo portugueses. Visite AQUI o site.
“Braganca mostra-se como um destino seguro e natural, com excelentes resultados ao nível do turismo, apesar do momento atípico que vivemos. Este site é uma nova ferramenta ao serviço do turismo, não apenas para o concelho, mas à escala regional”, refere Hernâni Dias, Presidente da Câmara Municipal de Bragança, na apresentação do portal “Visit Bragança”. “Este instrumento enquadra-se num plano concertado para o desenvolvimento da região – Bragança. Naturalmente! -, que, dois meses após o seu lançamento, apresenta resultados assinaláveis, com um aumento da estada média dos turistas e das taxas de ocupação hoteleira”, sublinhou, frisando, porém, que “todos sabem que estes resultados, fantásticos por si, não chegam para compensar as perdas provocadas pelo confinamento e pela pandemia, mas servem para mitigar, de certo modo, os seus efeitos no tecido empresarial local, nomeadamente no setor do turismo, que muito representa para a região”. 

𝗢 𝘀𝗶𝘁𝗲 𝘀𝘂𝗿𝗴𝗲 𝗱𝗲 𝘂𝗺 𝗽𝗹𝗮𝗻𝗼 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗲𝗿𝘁𝗮𝗱𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼 𝘁𝘂𝗿𝗶𝘀𝗺𝗼
É através do portal “Visit Bragança” (turismo.cm-braganca.pt), que o Município de Bragança convida os turistas a vivenciarem todo o território, tirando proveito de experiências e lugares ímpares. 

O site desvenda alguns detalhes que fazem de Bragança um destino imperdível e inesquecível, permitindo que os visitantes acompanhem a experiência turística, desde o período preparatório da visita, passando pela chegada e estadia, até ao período pós regresso (com a partilha da experiência de visitação).

Este site, multilingue, vai ao encontro das últimas tendências de User Experience e User Interface Design, contemplando já um design responsivo, acessível e user friendly, com as mais recentes diretivas de Acessibilidade Web.

O visitante poderá, assim, aceder, de forma intuitiva e rápida, a informação turística sobre os quatro principais ativos turísticos de Bragança: Gastronomia; Cultura; Natureza; Património.

Privilegiou-se o recurso a imagens/fotografias, enquanto veículo de comunicação, de largura e altura total e páginas longas que imergem o utilizador na sua marca e mensagem, dando uma sensação de lugar e fonte de inspiração.

Os conteúdos foram selecionados de forma a transmitir um nível de experiência cativador e de excelência, privilegiando, assim, o verde, o movimento e os contrastes de cores.

Destaque, ainda, para os Imperdíveis de Bragança em que os turistas são convidados a desfrutarem de experiências únicas. 

Posicionar Bragança como local de turismo anual e não apenas sazonal é um dos objetivos deste site, através da divulgação de experiências para cada estação “Bragança ao longo do ano”. 

O turista tem, ainda, a possibilidade de personalizar a sua viagem escolhendo percursos/rota pré-existentes ou criando os seus.


𝗧𝘂𝗿𝗶𝘀𝗺𝗼 𝗱𝗲 𝗡𝗮𝘁𝘂𝗿𝗲𝘇𝗮 𝗰𝗼𝗺 𝗺𝗮𝗶𝗼𝗿 𝗽𝗿𝗼𝗰𝘂𝗿𝗮 𝗲𝗺 𝟮𝟬𝟮𝟬

Apesar da pandemia que tem afetado o turismo em todo o mundo, o turismo rural no concelho de Bragança cresceu, nos meses de verão, face ao ano de 2019, após o arranque da campanha “Bragança. Naturalmente!”. 

O alojamento rural registou, nos meses de verão, taxas de ocupação próximas dos 100 por cento, tendo-se verificado um aumento significativo da estada média dos turistas (na sua maioria portugueses oriundos das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e do Algarve), passando de uma média de uma ou duas noites para cinco noites.  

Já na cidade, as unidades hoteleiras registaram quebras nas taxas de ocupação, à semelhança daquilo que se verificou um pouco por todo o mundo, mas conseguiram aumentar a estada média dos hóspedes (dos quais cerca de 90 por cento eram portugueses), que passou de uma para três noites. 

Números que comprovam a aposta e investimento do Município na promoção turística, com especial enfoque para a recente campanha “Bragança. Naturalmente!”. 

𝗙𝗶𝗹𝗺𝗲 “𝗕𝗿𝗮𝗴𝗮𝗻𝗰̧𝗮. 𝗡𝗮𝘁𝘂𝗿𝗮𝗹𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲!” 𝗰𝗵𝗲𝗴𝗮 𝗮 𝘂𝗺 𝗺𝗶𝗹𝗵𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮𝘀
O filme “Bragança. Naturalmente!” (a primeira ação da campanha promocional), apresentado no passado mês de julho, chegou já a mais de um milhão de pessoas, das quais 27 por cento são da área metropolitana de Lisboa, 21,4 por cento do Porto e 11 por cento de Braga. 

Além das redes sociais, website e outdoors digitais institucionais, o vídeo foi partilhado por meios de comunicação social, bem como diversas plataformas online em todo o país. 

Ações que complementaram o investimento efetuado na instalação de outdoors em locais estratégicos (como A1 e A28) e o desenvolvimento de uma campanha nos principais canais generalistas portuguesas (RTP, SIC e TVI). 

Foi, ainda, promovida uma viagem para dois vloggers, cujas publicações sobre Bragança foram visualizadas por mais de 177 mil pessoas. 

Segue-se, agora, o lançamento de quatro pequenos vídeos sob as temáticas: Gastronomia, Património, Cultura e Natureza, e um vídeo viral, cujo objetivo é continuar a influenciar os turistas, atraindo-os para Bragança, que se afirma, cada vez mais, como um destino natural.  

Já no início de outubro, vai realizar-se a ação “Instantes”, com a presença jornalistas e influenciadores digitais, que, através das suas publicações, vão dar a conhecer o território de Bragança.

…a revisitar os sonhos

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Já não sei como se chamam… as coisas verdadeiramente importantes, às vezes, já se me encostam ao canto da memória. E são importantes porque vêm da infância, onde as coisas eram mágicas e tinham um significado fantástico e cheio de símbolos no reino fabuloso do faz de conta.
Às vezes ainda consigo regressar ao passado e revisitar estas plantas verdes, ornamentando soberbamente, numa exuberância ímpar, as paredes mais sombrias do povoado. 
E lá está de novo a criançada da minha infância que ainda brincava na rua, a fazer magníficos chouriços enfiando as folhas desta abundante planta, umas nas outras… e logo o coração adivinhava apetitosos e abundantes chouriços que animavam a tarde e a brincadeira.
Já mais para o fim do Verão esta planta deita umas sementes granuladas… então que arroz fantástico se cozinhava na imaginação que criava e recriava a raridade do arroz que tardava a chegar às cozinhas mais humildes.
Por fim… no brincar que nunca esgota o sonho, espremiam-se as folhas nas mãos que eram verde e logo escorria um magnífico azeite… azeite dos pobres… luz da candeia… azeite do faz de conta.
Serão chapéus, estas plantas?!… mil nomes terão por esse mundo de Cristo, mas para mim, serão para sempre os sonhos da minha infância que se materializam no fulgor do verde.

Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.


I Festival de Arte Urbana encheu de cor as ruas macedenses

 Desde este fim de semana que Macedo de Cavaleiros tem mais cor.
Há caixas elétricas pintadas com os rostos de grandes nomes da literatura portuguesa que dão nome a algumas ruas da cidade, instalações e até uma exposição de caça sonhos. Tudo isto se deve ao I Festival de Arte Urbana – Senãra que decorreu de quinta até domingo.

Uma iniciativa que teve um feedback positivo e que se espera que traga mais gente até à cidade macedense, refere Elsa Escobar, vice-presidente do Município Macedense:

“Este festival trouxe pinturas, instalações e trouxe vida a ruas que por norma não são visitadas. Ainda há pouco alguém me dizia que este festival foi a forma de saberem os nomes de algumas ruas da cidade que não são muito conhecidas. Recebi também uma fotografia de um menino perto das pinturas da rua Miguel Torga e a mãe dizia-me que ele ficou curioso por saber quem era o escritor e já pediu o livro ‘Os Bichos’. Isto é, sem dúvida, a cultura a ser divulgada e propagada. 

Esperemos que com isto haja mais interesse por iniciativas deste género e que traga gente a Macedo, que as pessoas tenham vontade de vir visitar.

Achei piada que já houve alguém que se entusiasmou e perguntou se seria possível pintar um armário elétrico na sua rua. Vamos ver o que é possível fazer.

O feedback é muito positivo, temos tido muitos gosto e comentários no facebook, mais as mensagens que vamos recebendo.”

Mas os mais novos não ficaram de fora deste festival. Na Casa Falcão está patente uma panóplia de caça sonhos elaborados por alunos do 1º ciclo:


“Durante o período de confinamento, uma das atividades desenvolvidas pela equipa multidisciplinar com os alunas foi a elaboração de um caça sonhos. A propósito deste festival, lembraram-se de recolher todos os caça sonhos e expô-los para que as pessoas pudessem ver aquilo que eles foram fazendo. É uma forma de mostrar aquilo que é feito na educação e promove as visitas ao museu.”  

Nos dois primeiros dias do festival houve ainda animação nas ruas com um mimo, um saxofonista e estátuas vivas.

Durante a tarde de domingo, os jovens passaram pelo Jardim 1º de Maio para uma intervenção artística em primeiro nome: uma instalação onde podiam escrever uma mensagem ou apenas desenhar.

O Festival trouxe à cidade várias intervenções de arte urbana e espetáculos de rua, que visam despertar o interesse da comunidade pela cultura e arte contemporâneas.

Escrito por ONDA LIVRE

CARRAZEDA DE ANSIÃES VAI TER DOIS APOIOS À FIXAÇÃO DE JOVENS NO CONCELHO

 O presidente da Câmara Municipal João Gonçalves submeteu, na passada sexta –feira, duas propostas de regulamentos à aprovação da Câmara Municipal que têm como objetivo conceder apoios à fixação de jovens no concelho de Carrazeda de Ansiães.
Os documentos submetidos partem do prossuposto de que é necessário criar condições propícias que visem o aumento do número de residentes em permanência no concelho. Consideram ainda que esta necessidade será mais facilmente colmatada através do desenvolvimento de uma estratégia integrada de dinamização que passa pela criação de emprego, atração de investimento e aumento de rendimentos, contribuindo para gerar atratividade e o regresso e a fixação da população em idade ativa a este território.

Uma das propostas de regulamento terá como objetivo apoiar o arrendamento jovem ou a aquisição de casa própria através da concessão de um apoio monetário, a outra terá como objetivo conceder um incentivo fiscal na aquisição de casa própria, a jovens do concelho de Carrazeda de Ansiães.

Nos próximos dias, as duas propostas de regulamento serão devidamente publicitados no sitio institucional do Município permitindo a apresentação de contributos, durante 10 dias úteis, por parte dos munícipes interessados.

Presidente da Turismo do Porto e Norte alerta que taxas de ocupação na região não foram suficientes para compensar quebras

 Assinalou-se, ontem, o Dia Mundial do Turismo. A propósito da data, Luís Pedro Martins, presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, deixou um alerta: as taxas de ocupação na região, que foram boas durante o verão, não chegam para compensar as quebras sentidas.
“Vínhamos todos de uma situação bastante difícil em que o turismo, de um modo geral, na região, caiu cerca de 60% em abril e 95% em maio. Iniciamos uma recuperação que se acentuou entre junho e agosto. Em Trás-os-Montes atingimos taxas de ocupação como nunca tinha acontecido, mas claramente que não chega para aquilo que se perdeu e para aquilo que aí vem.”

Este ano, olhando para a região do Porto e para a de Trás-os-Montes, os números inverteram-se, no que toca às taxas de ocupação. Apesar da quebra já se estar a sentir, Luís Pedro Martins acredita que, pelo menos, os olhos estiveram postos neste território e, assim, daqui para a frente, o cenário pode inverter-se.

“Enquanto falo de taxas de ocupação de 80 a 90% para Trás-os-Montes ou Douro ou Minho, tivemos cerca de 15% na região da área metropolitana do Porto. A única coisa que a pandemia trouxe de menos negativo foi colocar os holofotes nestes territórios. Acho que a partir destas férias de verão vamos ter muitos clientes fiéis.”

Luís Pedro Martins acredita que o paradigma pode mudar e haja cada vez mais gente a visitar a região. Assim, o presidente da entidade acredita que é preciso que se aposte na capacidade hoteleira.

Em Trás-os-Montes, as taxas de ocupação bateram recordes, este verão. Os números ficaram a dever-se, sobretudo, aos turistas nacionais, que procuraram a tranquilidade e segurança que a região oferece.

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)

Portugal quer mais informação de Espanha sobre exploração mineira junto a Bragança

 O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, esclareceu hoje que Portugal pediu mais informação a Espanha para emitir um parecer técnico sobre uma exploração mineira junto à fronteira com Bragança alvo de contestação de autarcas e ambientalistas.
O projeto previsto para a zona de Calabor, a cinco quilómetros do concelho de Bragança, esteve em discussão pública durante o mês de agosto e alguns partidos portugueses juntaram-se também aos protestos exigindo uma posição do Governo português.

Questionado hoje pela Lusa durante uma visita oficial a Mirandela, no distrito de Bragança, o ministro do Ambiente afirmou que “sobre a avaliação de impacte ambiental não há posições do Governo, há posições técnicas” que estão a ser tratadas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Segundo disse, “foi enviada informação para Portugal no âmbito da consulta transfronteiriça de uma AIA (Avaliação de Impacte Ambiental), não foi considerada pela APA que essa informação fosse suficiente para que pudesse ser feito um juízo do lado português e foi solicitada mais informação a Espanha, a qual ainda não chegou”.

O ministro vincou que “há um processo de avaliação transfronteiriço, Portugal foi consultado, a APA não está satisfeita com os elementos que lhe foram enviados, foram pedidos mais elementos a Espanha”.

“Não há decisões do Governo português sobre minas noutro país, existe, sim, uma avaliação técnica, do que for essa avaliação de impacte ambiental e, se de facto foram preocupantes os impactes ambientais para Portugal, ela será chumbada no lado português”, salientou.

O projeto espanhol em causa esteve em discussão pública até 21 de agosto e visa a exploração a céu aberto de estanho e volfrâmio da mina Valtreixal, de Sanábria, em Calabor, Pedralba de la Pradería a cinco quilómetros do concelho de Bragança.

A promotora é a Valtreixal Resources Spain, pertencente a um grupo canadiano do setor, e aponta para a criação de 200 postos de trabalho diretos e 400 indiretos com um investimento de 35 milhões de euros para reativar a exploração de volfrâmio e estanho inativa desde a década de 1970.

A proximidade do local com zonas protegidas como a Serra da Culebra do lado espanhol e o Parque Natural de Montesinho, em Portugal, ou a aldeia comunitária de Rio de Onor, assim como de vários cursos de água, faz parte dos argumentos dos contestatários.

O Bloco de Esquerda e o PSD questionaram o Ministério do Ambiente, por escrito, na Assembleia da República, reclamando uma posição do Governo português perguntando se o assunto será levado à cimeira ibérica agendada para outubro.

A associação ambientalista Quercus informou que fez chegar um parecer negativo ao processo de auscultação pública e que espera que o Governo de Portugal “venha a emitir uma Declaração de Impacto Ambiental (DIA) negativa” ao projeto.

A associação transfronteiriça RIONOR também se manifestou contra o empreendimento alegando que a instalação da mina “gera muito poucos empregos” nesta zona interior de Espanha e Portugal “e os malefícios são incalculáveis”, nomeadamente a nível ambiental.

O projeto já mereceu a contestação de outras associações ambientalistas como a Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural e o FAPAS (Fundo para a Proteção dos Animais Selvagens), do lado português.

O presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, defende que o projeto “terá de ser revisto, bem como o processo de impacto ambiental".

Do lado espanhol, o autarca de Puebla de Sanábria, José Fernandez Blanco, opõe-se à exploração mineira por considerar que irá causar problemas ambientais e afastar o turismo de natureza.

A favor manifestou-se Francisco Guerra Gomez, o autarca de Pedralba de la Pradería, a zona onde se localizam as minas, em Espanha, para quem "o empreendimento será muito bom para toda a região” e “os empregos que a empresa vai criar vão fazer crescer a economia dos dois lados da fronteira".

Workshop de internacionalização propôs ajudar empresários da região

 A fim de ajudar os empresários da região na internacionalização, um processo que muitas empresas estão a ter e outras podem vir a conhecer, foi promovido, no NERBA – Associação Empresarial, em Bragança, um workshop para definir estratégias.
Anabela Batista, analista de mercado e uma das oradoras, considera que os empresários estão abertos a saber tudo que podem fazer já que há bastante desconhecimento matéria. “O objectivo foi, basicamente, dar a conhecer os factores críticos de sucesso internos que uma empresa tem pela frente, quando decide iniciar o processo de internacionalização, que não é simples”.

Para o sucesso do processo de internacionalização é preciso ter em conta o poder do marketing digital. Diana Almeida, consultora de marketing e outra das oradoras, explicou que é fundamental conhecer-se o cliente para que tudo funcione. “Um boa estratégia de marketing, de criar conteúdo para o nosso segmento, é muito importante”.

Ricardo Terrinho tem uma empresa de marketing e consultoria. Ainda não está em processo de internacionalização mas pensa fazê-lo no futuro e por isso aproveitou a iniciativa. “Vamos tentar no futuro. Temos uma estratégia a quatro anos”.

João Pereira é produtor de vinho. Como a empresa já está em processo de internacionalização, o empresário precisava conhecer algumas estratégias. “Foi muito interessante tanto no aspecto da internacionalização como do marketing digital”.

Um workshop que decorreu sexta-feira, no NERBA.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

A minha avó Filomena

 
Uma pessoa nasce por sorte e um bocado ao calhas. Mercê de milhares de acasos no tempo e nos lugares, alguém a todo o momento se cruza com alguém e se entrelaça física e emocionalmente.
Quanto a mim, deu-se a bendita circunstância de quando o século XX ainda era acabado de despontar, de o meu bisavô Genésio e a minha bisavó Maria se terem conhecido e entendido ao ponto de fazerem nascer a minha avó Filomena.
Dizem que ele foi estroina e um valdevinos, e que ela foi e é uma santa pelo que padeceu por causa dele, mas isso são linhas de outra costura. Depois um dia conto-lhes mais em pormenor. Não os conheci, mas pelo que ouvi dizer, vale a pena contar, ainda que tenha que se dar algum desconto em cada ponto.
Gabiru de todo, meteu-se na política e na luta entre monárquicos e republicanos com situações de faca na liga. Dizem os mais velhos que era aguerrido e pingueiro, se é que me entendem. Se calhar por via disso trabalhar não era com ele.
No entanto, teve arte para ir a Lamego encantar a minha bisavó Maria Rebelo para lhe desencantar a vida na quinta em Queimada que acabou por vender arruinado e sem bens ao luar. Andou sempre na boa-vai-ela, ao contrário da mulher coragem que sofreu ao ponto de ganhar por direito um lugar no paraíso.
Moldada pelo que viu e porque teve a sorte de ser mais enxertada na mãe que no pai, a minha avó Filomena foi um assombro de pessoa. Grande e inteira, digna e honesta, generosa em toda a essência, visionária e lutadora, nada regateou e tudo deu.
Soube ser e soube estar. Caseira na Quinta da Seara situada mesmo no centro da vila de Armamar, teve o condão de fazer daquele pedaço de terra um microcosmos onde todos entravam e todos saíam. A força da gravidade era tal, que nem o enorme cão a preceito chamado Fiel, metia medo ou era impedimento para qualquer visitante. Sabia que ali também era o reino dos sem eira nem beira, terra onde não medra a erva daninha da maldade.
Pelo enorme portão de ferro que dava acesso a um largo terreiro, entrava quem queria unicamente dois dedos de conversa, quem quisesse saber ou falar de novidades, quem quisesse matar a fome, quem quisesse umas brasas de vides para o lume, quem quisesse guarita para uma noite por andar sem destino e ao sabor do vento.
Ricos e pobres, todos cabiam no coração da minha avó. Aflitos ou tranquilos, certos ou duvidosos, todos podiam contar com os ouvidos dela para escutar aperreações ou alegrias. A enorme cozinha onde crepitava uma enorme lareira era chão onde medrava a partilha. Floria fortificada pelo raiar daquele sol que era a minha avó.
Faleceu quando eu já era homem acabado de entrar às “sortes” e prestes a receber convocatória para ir assentar praça no quartel militar. Passei muito tempo com ela. Cuidou de mim com esmero e carinho. Fui bafejado pelo seu exemplo.
Por isso a tenho comigo. Faz boa parte daquilo que tenho cá dentro e me diz de onde vim e para onde devo ir. O meu bisavô Genésio se calhar também, quando às vezes me puxa para o arredio. Mas não me importo. Valeu a pena ele ter existido, pois foi pai da minha avó.

Manuel Igreja

Ossadas humanas em Carrazeda de Ansiães investigadas pela Polícia Judiciária

 Achado junto ao IC5, próximo de terreno de vinha e oliveiras.
A Polícia Judiciária (PJ) de Vila Real está a investigar a descoberta de ossadas humanas junto de um terreno agrícola na aldeia de Areias, Carrazeda de Ansiães. As ossadas foram encontradas pelos donos da propriedade, ao final da manhã de ontem, quando trabalhavam nas vinhas.

Deram o alerta à GNR, que fez deslocar ao local uma patrulha. Dada a natureza do achado, foi acionada a PJ, que se deslocou ao local para recolher indícios. Cabe agora aos inspetores investigarem a quem pertencem e apurarem as circunstâncias em que foram parar ao local.

As ossadas encontravam-se perto de uma zona onde existe uma vinha e oliveiras, junto à estrada que liga Areias à localidade de Pinhal, no mesmo concelho, que foi usada como local de apoio aquando da construção do IC5. O local tem como único acesso um caminho em terra batida.

A população de Areias está intrigada e não faz ideia de quem possam ser. Referem que o único desaparecimento de que havia registo na zona era um homem com problemas mentais, mas que as últimas informações que tiveram davam conta de que estaria internado numa instituição em Bragança.

Tânia Rei

IKEA abre pontos de recolha em Bragança e Vila Nova de Gaia

 Depois de, em julho, a IKEA ter inaugurado pontos de recolha de encomendas na Guarda em Guimarães, eis que mais duas cidades passam também a contar com esta novidade.
A partir de hoje, Bragança e Vila Nova de Gaia já têm disponível um Ponto de Recolha IKEA. Nestes locais, operados por parceiros da empresa sueca, os clientes poderão levantar as suas compras online, realizadas através do site da marca, pelo valor de 25€, independentemente do valor ou dimensão da encomenda.

O Ponto de Recolha de Bragança irá funcionar na Loja Sittio, Rua Doutor António Machado nº12, 5300-428 Bragança. Neste local, podem ser recolhidas as encomendas de segunda-feira a sábado, entre as 08h e as 20h (encerra todos domingos e feriados).

No caso de Vila Nova de Gaia, o serviço irá operar no espaço Activos24, na Rua da Urtigueira 486, Canelas, 4410-304 Vila Nova de Gaia, nos dias úteis entre as 09h-13h e as 14h-18h (encerra todos os sábados, domingos e feriados).

Recorde-se que, além dos que mencionámos, existem ainda pontos de recolha em Aveiro, Beja, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria, Madeira, Santa Maria da Feira, Setúbal-Palmela, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu, Évora e São Miguel (Açores).

Por: Alexandre Lopes

Casal detido perto do Porto fazia revenda de droga em Mirandela

 Um homem, de 29 anos, e uma mulher, de 31, foram detidos, no sábado, por tráfico de droga na A1, perto do Porto.
No âmbito de uma investigação, que decorria desde o final de 2019, os militares da GNR apuraram que o casal adquiria produto estupefaciente no distrito do Porto e fazia o seu transporte e subsequente revenda na cidade de Mirandela e no concelho da Mealhada, a clientes pré estabelecidos.

No seguimento das diligências, foram realizadas duas buscas domiciliárias. Foram apreendidas mais de mil e quinhentas doses de haxixe, 34 comprimidos de ecstasy, sete doses de folhas de cannabis, óleo de cannabis, LSD líquido e em gelatina, sementes de folhas de cannabis, 52 790 euros em numerário, assim como uma balança de precisão, vários produtos e equipamentos para preparação e acondicionamento de estupefaciente, dois telemóveis, um computador portátil e um veículo.

Os detidos serão presentes a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Mirandela, durante o dia de hoje.

Escrito por Brigantia