Foi chumbado o projeto que previa a instalação de 30 aerogeradores, de 120 metros de altura, nos concelhos de Torre de Moncorvo e Carrazeda de Ansiães.
De acordo com a Quercus a instalação deste parque eólico afectaria “espécies protegidas ameaçadas e a paisagem do Alto Douro Vinhateiro”, classificada como património mundial. Razões que terão estado na origem da emissão do parecer desfavorável da Declaração de Impacte Ambiental (DIA), por parte do novo Secretário de Estado do Ambiente, Carlos Manuel Martins, que concluiu o processo de avaliação de impacte Ambiental no passado mês de Dezembro.
Na origem desta reprovação terão estado também as características das áreas agrícolas e da floresta de sobreiro e azinheiras e também a destruição do habitat prioritário dos zimbrais.
Refere a DIA que “no entanto, os impactes negativos mais significativos previstos com a implementação do parque eólico serão sobre as aves e comunidade de morcegos”.
Relativamente à comunidade de morcegos foram identificadas 24 espécies, tendo 9 estatuto de ameaça”. No que se refere às aves, foram identificadas na área de implantação do projecto, 14 espécies protegidas de aves de rapina, sendo que 4 têm o estatuto “em perigo” e 2 têm o estatuto de “vulnerável”. Caso o projecto avançasse, existiria o risco de colisão das aves com aerogeradores e com linhas eléctricas, nomeadamente de 2 casais de Águia de Bonelli, entre outras.
No passado mês de Outubro, a Quercus tinha efectuado uma participação à UNESCO devido ao projecto do Parque Eólico de Torre de Moncorvo afetar a paisagem na Zona Especial de Protecção do Alto Douto Vinhateiro.
Informação CIR (Rádio Brigantia)
Número total de visualizações do Blogue
Pesquisar neste blogue
Aderir a este Blogue
Sobre o Blogue
SOBRE O BLOGUE:
Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço.
A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)
(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Impacto ambiental favorável de exploração mineira em Moncorvo permite analisar concessão
O Ministério de Economia avançou hoje que com a Declaração de Impacto Ambiental (DIA) "favorável" se preenche um pressuposto para análise do pedido de concessão de exploração mineira em Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança.
A proposta de exploração já se encontra a ser "instruída" pela Direção-Geral de Energia e Geologia.
Em nota enviada à agência Lusa, o ministério tutelado por Manuel Caldeira Cabral, explica que o pedido de concessão e exploração está em curso e dentro dos termos legais.
Porém, ainda é "prematura" qualquer pronúncia sobre o desfecho da proposta apresentada pela concessionária.
"Existe um contrato de exploração experimental em curso, desde 2012, para as minas de Torres de Moncorvo", indicou.
A tutela acrescenta, que este projeto mineiro, com a DIA aprovada, embora de "forma condicionada" demonstra estar acautelado os valores ambientais e de qualidade de vida das populações locais em matéria ambiental.
"Este é um projeto que se reveste especial relevância, pois é gerador de emprego e desenvolvimento social para a economia regional e nacional", acrescentou.
Contactado, o presidente o presidente da câmara de Torre de Moncorvo (PSD), Nuno Gonçalves, avançou que se aguardada com "elevada" expectativa pelo desfecho de todo o processo, concordando que o mesmo é vital para o desenvolvendo local, regional e nacional.
O ministério do Ambiente indicou no passado dia 13 de novembro que a proposta do EIA para a exploração mineira em Torre de Moncorvo obteve um parecer "Favorável Condicionado".
O processo de avaliação de impacto ambiental reporta-se à reativação das Minas de Ferro de Moncorvo, uma exploração a céu aberto de quatro depósitos minerais de ferro (depósitos do Eluvial da Mua, da Carvalhosa, de Pedrada e de Reboredo-Apriscos), para produção de concentrados de ferro e de inertes densos.
As minas de Torre de Moncorvo foram a maior empregadora da região na década de 1950, chegando a recrutar 1.500 mineiros.
A exploração de minério foi suspensa em 1983, com a falência da Ferrominas, e o ferro esquecido até que a MTI - Minas de Ferro de Torre de Moncorvo, uma empresa de capitais nacionais e estrangeiros, ganhou, em 2008, os direitos de prospeção e pesquisa e, em 2011, foi-lhe atribuída pelo Governo a concessão de exploração durante 60 anos, até 2070.
FYP // MSP
Lusa/Fim
A proposta de exploração já se encontra a ser "instruída" pela Direção-Geral de Energia e Geologia.
Em nota enviada à agência Lusa, o ministério tutelado por Manuel Caldeira Cabral, explica que o pedido de concessão e exploração está em curso e dentro dos termos legais.
Porém, ainda é "prematura" qualquer pronúncia sobre o desfecho da proposta apresentada pela concessionária.
"Existe um contrato de exploração experimental em curso, desde 2012, para as minas de Torres de Moncorvo", indicou.
A tutela acrescenta, que este projeto mineiro, com a DIA aprovada, embora de "forma condicionada" demonstra estar acautelado os valores ambientais e de qualidade de vida das populações locais em matéria ambiental.
"Este é um projeto que se reveste especial relevância, pois é gerador de emprego e desenvolvimento social para a economia regional e nacional", acrescentou.
Contactado, o presidente o presidente da câmara de Torre de Moncorvo (PSD), Nuno Gonçalves, avançou que se aguardada com "elevada" expectativa pelo desfecho de todo o processo, concordando que o mesmo é vital para o desenvolvendo local, regional e nacional.
O ministério do Ambiente indicou no passado dia 13 de novembro que a proposta do EIA para a exploração mineira em Torre de Moncorvo obteve um parecer "Favorável Condicionado".
O processo de avaliação de impacto ambiental reporta-se à reativação das Minas de Ferro de Moncorvo, uma exploração a céu aberto de quatro depósitos minerais de ferro (depósitos do Eluvial da Mua, da Carvalhosa, de Pedrada e de Reboredo-Apriscos), para produção de concentrados de ferro e de inertes densos.
As minas de Torre de Moncorvo foram a maior empregadora da região na década de 1950, chegando a recrutar 1.500 mineiros.
A exploração de minério foi suspensa em 1983, com a falência da Ferrominas, e o ferro esquecido até que a MTI - Minas de Ferro de Torre de Moncorvo, uma empresa de capitais nacionais e estrangeiros, ganhou, em 2008, os direitos de prospeção e pesquisa e, em 2011, foi-lhe atribuída pelo Governo a concessão de exploração durante 60 anos, até 2070.
FYP // MSP
Lusa/Fim
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Estrada entre Argozelo e Coelhoso foi interditada por causa do mau tempo
A GNR fechou a circulação na estrada de ligação entre Coelhoso e Argozelo, esta segunda-feira, devido à subida do caudal do rio Sabor provocada pela pluviosidade intensa.
"A ponte está em vias de ficar submersa pelo que a circulação foi interditada a pessoas e veículos", adiantou o tenente-coronel Carlos Felizardo, responsável pelo gabinete de relações públicas do comando de Bragança.
Os bombeiros de Bragança foram também chamados a intervir em duas inundações, hoje no concelho.
Uma das ocorrências aconteceu na escola das Beatas, onde a água se acumulou no recreio, dificultando a entrada. A outra teve lugar na aldeia de Donai, numa residência.
in:mdb.pt
![]() |
| Escola das Beatas - Bragança |
Os bombeiros de Bragança foram também chamados a intervir em duas inundações, hoje no concelho.
Uma das ocorrências aconteceu na escola das Beatas, onde a água se acumulou no recreio, dificultando a entrada. A outra teve lugar na aldeia de Donai, numa residência.
in:mdb.pt
Proteção Civil recomenda cuidados redobrados devido à descida da temperatura e às previsões de queda de neve
A Autoridade Nacional de Proteção Civil emitiu um comunicado onde alerta a população para o mau tempo, uma vez que as previsões meteorológicas apontam para queda de neve nas regiões do Norte e do Centro acima dos 800 metros de altitude a partir do final da tarde desta segunda-feira até ao fim da manhã de quarta-feira.
Há ainda condições propícias à formação de gelo no período noturno.
A Proteção Civil recomenda também especial cuidado aos habitantes das terras altas do interior devido à descida acentuada da temperatura mínima prevista para terça-feira, associada ao vento forte.
Há ainda condições propícias à formação de gelo no período noturno.
A Proteção Civil recomenda também especial cuidado aos habitantes das terras altas do interior devido à descida acentuada da temperatura mínima prevista para terça-feira, associada ao vento forte.
Município de Bragança prepara comunidade para um novo cenário resultante das alterações climáticas
A Câmara Municipal de Bragança prepara a comunidade para um novo cenário resultante das alterações climáticas. Com esse objectivo realiza no próximo dia 6 de janeiro o Workshop de debate sobre a adaptação deste município às Alterações Climáticas.
O município de Bragança é parceiro do Projeto ClimAdaPT.Local, coordenado pela Fundação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e financiado pelo Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (MFEEE/EEA-Grants) e pelo Fundo Português de Carbono.
O projeto, de acordo com a Estratégia Europeia de Adaptação às Alterações Climáticas (AC) e a Estratégia Nacional de Adaptação às AC, tem cinco grandes objectivos que passam pela promoção e disponibilização do conhecimento local sobre esta nova problemática; criação de uma comunidade de agentes municipais sensibilizados para o tema e capacitados para utilizar ferramentas de apoio à decisão em adaptação e a redução de barreiras e constrangimentos ao envolvimento de agentes locais em processos de adaptação às AC.
O projecto pretende ainda a integração da adaptação nos processos de planeamento e decisão dos agentes municipais e sectoriais e a definição de medidas de adaptação às AC a nível local.
O ICS ULisboa - Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, enquanto parceiro do projeto, ficou responsável pelo envolvimento dos atores-chave (sob a coordenação do Prof. João Ferrão e da Profª Luísa Schmidt). Nesse âmbito, tem vindo a colaborar com a autarquia na identificação de atores-chave locais, cujos contributos possam ser utilizados na elaboração de uma estratégia municipal especificamente dedicada à adaptação às alterações climáticas.
O workshop, aberto a toda a comunidade, pretende a recolha de contributos para a Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climática e realiza-se no dia 6 de Janeiro de 2016, na Sala de Formação do edifício da Câmara Municipal de Bragança. A sessão decorrerá entre as 14h30 e as 19h30 e incluirá apresentações e mesas de debate.
PROGRAMA:
in:noticiasdonordeste.pt
O município de Bragança é parceiro do Projeto ClimAdaPT.Local, coordenado pela Fundação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e financiado pelo Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (MFEEE/EEA-Grants) e pelo Fundo Português de Carbono.
O projeto, de acordo com a Estratégia Europeia de Adaptação às Alterações Climáticas (AC) e a Estratégia Nacional de Adaptação às AC, tem cinco grandes objectivos que passam pela promoção e disponibilização do conhecimento local sobre esta nova problemática; criação de uma comunidade de agentes municipais sensibilizados para o tema e capacitados para utilizar ferramentas de apoio à decisão em adaptação e a redução de barreiras e constrangimentos ao envolvimento de agentes locais em processos de adaptação às AC.
O projecto pretende ainda a integração da adaptação nos processos de planeamento e decisão dos agentes municipais e sectoriais e a definição de medidas de adaptação às AC a nível local.
O ICS ULisboa - Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, enquanto parceiro do projeto, ficou responsável pelo envolvimento dos atores-chave (sob a coordenação do Prof. João Ferrão e da Profª Luísa Schmidt). Nesse âmbito, tem vindo a colaborar com a autarquia na identificação de atores-chave locais, cujos contributos possam ser utilizados na elaboração de uma estratégia municipal especificamente dedicada à adaptação às alterações climáticas.
O workshop, aberto a toda a comunidade, pretende a recolha de contributos para a Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climática e realiza-se no dia 6 de Janeiro de 2016, na Sala de Formação do edifício da Câmara Municipal de Bragança. A sessão decorrerá entre as 14h30 e as 19h30 e incluirá apresentações e mesas de debate.
PROGRAMA:
in:noticiasdonordeste.pt
Festival Geada dobrou em número de visitantes
A música eletrónica foi a grande novidade do festival de inverno mirandês que culminou, em noite de passagem de ano, com o rito do Enterro do Velho.
Cultura, tradição, música, natureza e sustentabilidade, tudo contribuiu para que a sétima edição do Geada tivesse registado um aumento impressionante no número de visitantes. Comparativamente ao ano passado, o festival em Miranda do Douro quase que duplicou em público, tendo acolhido entre 500 a 1000 pessoas por dia. De cariz familiar e com o intuito de reviver as tradições mirandesas, o evento que decorreu no final do mês de dezembro introduziu a música eletrónica como a principal novidade em 2015. Num festival de inverno que pretende ser uma manifestação artística do povo e cultura mirandesa, ouviram-se músicas do mundo, as mais recentes tendências da música tradicional portuguesa e agora, também, o som da juventude e do século XXI, a música eletrónica.
Com o lema “Bamos derretir l carambelo” (vamos derreter o gelo), em idioma mirandês, o Festival Geada teve início a 28 de dezembro com uma série de iniciativas que incluíram a tão célebre ronda das adegas, música tradicional com destaque para a atuação do grupo Quinteto do Reis e as danças dos afamados pauliteiros. A primeira noite surpreendeu a organização, a cargo da Associação Recreativa da Juventude Mirandesa, pelo número de pessoas, cerca de 500, que aderiram à ronda das adegas típicas do centro histórico de Miranda do Douro.
A 29 de dezembro, na primeira noite de concertos, os grupos Nação Vira Lata, Cindazunda e os Pauliteiros de Miranda entusiasmaram o público num evento que pretende festejar e divulgar a cultura, a língua e as tradições das Terras de Miranda. Assim, todos os participantes puderam dançar em redor da fogueira do galo e ao som de gaitas-de-foles, bem como experimentar a dança dos pauliteiros, tocar instrumentos tradicionais e procurar descobrir a língua mirandesa.
No dia seguinte, foi a vez dos Cabra Cega, Trangolomango e Trasga tomarem conta do palco no Pavilhão Multiusos. O último dia do festival, que se quer internacional, uma vez que recebe jovens oriundos, inclusive, da vizinha Espanha, aconteceu em noite de passagem de ano encerrando, assim, a sétima edição do Geada 2015. A proposta foi uma festa de fim-de-ano nada habitual com o Enterro do Ano Velho. A concentração aconteceu às 23h30 no Largo do Castelo, onde se enterrou um boneco que simboliza o ano velho.
Bruno Mateus Filena
in:diariodetrasosmontes.com
Cultura, tradição, música, natureza e sustentabilidade, tudo contribuiu para que a sétima edição do Geada tivesse registado um aumento impressionante no número de visitantes. Comparativamente ao ano passado, o festival em Miranda do Douro quase que duplicou em público, tendo acolhido entre 500 a 1000 pessoas por dia. De cariz familiar e com o intuito de reviver as tradições mirandesas, o evento que decorreu no final do mês de dezembro introduziu a música eletrónica como a principal novidade em 2015. Num festival de inverno que pretende ser uma manifestação artística do povo e cultura mirandesa, ouviram-se músicas do mundo, as mais recentes tendências da música tradicional portuguesa e agora, também, o som da juventude e do século XXI, a música eletrónica.
Com o lema “Bamos derretir l carambelo” (vamos derreter o gelo), em idioma mirandês, o Festival Geada teve início a 28 de dezembro com uma série de iniciativas que incluíram a tão célebre ronda das adegas, música tradicional com destaque para a atuação do grupo Quinteto do Reis e as danças dos afamados pauliteiros. A primeira noite surpreendeu a organização, a cargo da Associação Recreativa da Juventude Mirandesa, pelo número de pessoas, cerca de 500, que aderiram à ronda das adegas típicas do centro histórico de Miranda do Douro.
A 29 de dezembro, na primeira noite de concertos, os grupos Nação Vira Lata, Cindazunda e os Pauliteiros de Miranda entusiasmaram o público num evento que pretende festejar e divulgar a cultura, a língua e as tradições das Terras de Miranda. Assim, todos os participantes puderam dançar em redor da fogueira do galo e ao som de gaitas-de-foles, bem como experimentar a dança dos pauliteiros, tocar instrumentos tradicionais e procurar descobrir a língua mirandesa.
No dia seguinte, foi a vez dos Cabra Cega, Trangolomango e Trasga tomarem conta do palco no Pavilhão Multiusos. O último dia do festival, que se quer internacional, uma vez que recebe jovens oriundos, inclusive, da vizinha Espanha, aconteceu em noite de passagem de ano encerrando, assim, a sétima edição do Geada 2015. A proposta foi uma festa de fim-de-ano nada habitual com o Enterro do Ano Velho. A concentração aconteceu às 23h30 no Largo do Castelo, onde se enterrou um boneco que simboliza o ano velho.
Bruno Mateus Filena
in:diariodetrasosmontes.com
Incêndio em Miranda do Douro deixa casal desalojado
Um casal ficou desalojado após um incêndio que destruiu por completo a habitação onde viviam, na vila de Sendim, em Miranda do Douro.
As chamas consumiram totalmente a casa e na origem do fogo, terá estado uma lareira acesa.
As chamas consumiram totalmente a casa e na origem do fogo, terá estado uma lareira acesa.
Chuva, vento e neve de regresso à região
12 distritos estão hoje em alerta laranja, entre eles Bragança e Vila Real, devido à previsão de mau tempo para esta primeira segunda-feira do ano.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, para Bragança e Vila Real, até às 18h desta tarde, espera-se chuva persistente, por vezes forte e rajadas de vento que podem atingir os 110 km nas terras altas. Também a neve pode visitar a região, acima dos 800 metros.
Escrito por ONDA LIVRE
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, para Bragança e Vila Real, até às 18h desta tarde, espera-se chuva persistente, por vezes forte e rajadas de vento que podem atingir os 110 km nas terras altas. Também a neve pode visitar a região, acima dos 800 metros.
Escrito por ONDA LIVRE
Tradição do Farandulo de Tó voltou a sair à rua no primeiro dia do ano
Numa altura em que por todo o Nordeste Transmontano se sucedem as festas dos rapazes, na aldeia de Tó, concelho de Mogadouro, a tradição do Farandulo repetiu-se no primeiro dia do ano.
Na também chamada festa do menino, um cortejo de quatro figuras acompanhadas por gaiteiros percorre a aldeia.
Quem segue à frente é o farandulo um rapaz figura vestido de negro e com a cara e as mãos pintadas da mesma cor, que tenta pintar cada rapariga da aldeia, tentando sempre retirar um ramo das mãos da sécia, defendida por sua vez pelo moço.
Um ritual que tem vários significados como conta José Neto, habitante da aldeia. “É uma festa de rituais pagãos, celebra o solstício do Inverno. É associada às estações do ano. A Sécia é a Primavera, o moço é o Verão, o Mordomo o Outono, e o farandulo o Inverno”, refere. Mas visto que a festa “tinha uma grande predominância e envolvia toda a juventude a igreja ‘puxou-a’ para si e deu-lhe o significado de a fuga de nossa senhora para o Egipto”, adianta. Os habitantes e naturais de Tó acompanham o farandulo.
Mas não são os únicos, há visitantes curiosos com esta tradição que assistem. “Já tinha visto uma vez e é uma tradição engraçada, no fundo é um ritual de passagem, então faz parte da tradição e acho importante que não se perca”, afirma Cecília Monteiro, que mora em Gaia.
Mesmo com a mudança da celebração que antes acontecia no dia 6 de Janeiro, para dia 1, de acordo com o presidente da junta de freguesia de Tó, António Marcos, a festa ancestral tem-se mantido mas com alguma dificuldade. “Tem sido uma luta constante da junta de freguesia tentar mover as pessoas em volta da festa.
Apesar de todos gostarem de neste dia participar na festa, fazer parte íntegra dela não é fácil, porque não aqui permanentemente”, frisa. A festa do farandulo, um ritual característico de Tó, no concelho de Mogadouro, continua a sair à rua.
Escrito por Brigantia
Na também chamada festa do menino, um cortejo de quatro figuras acompanhadas por gaiteiros percorre a aldeia.
Quem segue à frente é o farandulo um rapaz figura vestido de negro e com a cara e as mãos pintadas da mesma cor, que tenta pintar cada rapariga da aldeia, tentando sempre retirar um ramo das mãos da sécia, defendida por sua vez pelo moço.
Um ritual que tem vários significados como conta José Neto, habitante da aldeia. “É uma festa de rituais pagãos, celebra o solstício do Inverno. É associada às estações do ano. A Sécia é a Primavera, o moço é o Verão, o Mordomo o Outono, e o farandulo o Inverno”, refere. Mas visto que a festa “tinha uma grande predominância e envolvia toda a juventude a igreja ‘puxou-a’ para si e deu-lhe o significado de a fuga de nossa senhora para o Egipto”, adianta. Os habitantes e naturais de Tó acompanham o farandulo.
Mas não são os únicos, há visitantes curiosos com esta tradição que assistem. “Já tinha visto uma vez e é uma tradição engraçada, no fundo é um ritual de passagem, então faz parte da tradição e acho importante que não se perca”, afirma Cecília Monteiro, que mora em Gaia.
Mesmo com a mudança da celebração que antes acontecia no dia 6 de Janeiro, para dia 1, de acordo com o presidente da junta de freguesia de Tó, António Marcos, a festa ancestral tem-se mantido mas com alguma dificuldade. “Tem sido uma luta constante da junta de freguesia tentar mover as pessoas em volta da festa.
Apesar de todos gostarem de neste dia participar na festa, fazer parte íntegra dela não é fácil, porque não aqui permanentemente”, frisa. A festa do farandulo, um ritual característico de Tó, no concelho de Mogadouro, continua a sair à rua.
Escrito por Brigantia
Novo projecto da paragem de autocarros divide opiniões em Macedo de Cavaleiros
A localização da paragem de autocarros divide opiniões em Macedo de Cavaleiros.
Durante décadas, a população reclamou a construção de uma Central de Camionagem, que chegou a ser projectada pelo executivo socialista liderado por Luís Vaz. Entretanto, para os sucessivos executivos sociais-democratas, o projecto deixou ser uma prioridade.
Os autocarros, que fazem linhas nacionais e internacionais e que fazem escala em Macedo de Cavaleiros antes de chegar a Bragança, deixaram, há cerca de três anos de parar na Rua Viriato Martins, junto ao antigo Bairro Social da Alegria, para pararem no jardim da Rua das Flores, junto ao bairro da Bela Vista.
O Município entende que a melhor solução é melhorar este espaço, tornando-o numa paragem de autocarros com melhores condições para os seus utentes. O autarca, Duarte Moreno, considera que esta é a solução mais adequada às características da população de Macedo de Cavaleiros. “Mediante a saúde financeira do próprio país, esta será a solução mais adequada para a nossa cidade. Em Macedo, os autocarros param cerca de cinco minutos, mas não ficam parados durante muito tempo, para fazer interface com outros, como acontece em alguns locais. Com pouco dinheiro, podemos resolver um problema que os utentes têm hoje, que é o facto de não terem condições para estarem à espera do autocarro” frisa o autarca.
O investimento, que ronda os 150 mil euros, prevê a construção de três bilheteiras, uma pequena sala de espera, casas de banho e a instalação de uma pala protectora da chuva e do sol junto à paragem, que terá lugar para quatro autocarros. Além deste projecto, o Município está também a preparar um outro para o arranjo da zona envolvente. Projectos que não agradam a todos.
O Partido Socialista considera que ainda continua a justificar-se uma Central de Camionagem, tal como foi projectada há 14 anos. O presidente da concelhia do PS de Macedo de Cavaleiros, Pedro Mascarenhas, apelida as obras desta paragem de “remendo”, que em nada contribui para resolver os problemas da cidade. “Isto é um projecto que não tem em consideração as verdadeiras necessidades não só da população de Macedo de Cavaleiros, mas também de todos os utilizadores dos transportes. Eu acho que isto é um projecto de quem já desistiu e de quem não acredita na própria terra. Isto é o baixar dos braços do Dr Duarte Moreno. Não passa de um remendo que não vai resolver os problemas de Macedo de Cavaleiros nem dignificar em nada esta cidade”, considera o socialista.
Também no seio da população macedense e dos utentes dos transportes, as opiniões em relação à paragem de autocarros divergem. Mas todos parecem concordar que é necessário um espaço com melhores condições do que aquele existe actualmente. “Achava melhor onde estava antigamente, porque era mais central. Quem estiver no centro da cidade, tem que vir de táxi para a nova paragem”, constata Marcolino Monteiro.
Já José Xavier não concorda com o novo projecto. “O novo projecto, só é para estragar o que está feito, para não fazerem aqui nada, como já fizeram noutros sítios”, considera o utilizador dos transportes. Mas há também quem concorde com a nova localização. “ Eu acho que este local é o mais adequado porque tem melhores acessos ao IP2 e à A4. No centro da cidade era mais complicado, aqui acho que tem melhores condições para os autocarros”, refere Altino Libório.
O Município de Macedo de Cavaleiros garante que as obras da paragem de autocarros vão avançar nos próximos meses, devendo estar concluídas antes do próximo Inverno.
Escrito por Brigantia
Durante décadas, a população reclamou a construção de uma Central de Camionagem, que chegou a ser projectada pelo executivo socialista liderado por Luís Vaz. Entretanto, para os sucessivos executivos sociais-democratas, o projecto deixou ser uma prioridade.
Os autocarros, que fazem linhas nacionais e internacionais e que fazem escala em Macedo de Cavaleiros antes de chegar a Bragança, deixaram, há cerca de três anos de parar na Rua Viriato Martins, junto ao antigo Bairro Social da Alegria, para pararem no jardim da Rua das Flores, junto ao bairro da Bela Vista.
O Município entende que a melhor solução é melhorar este espaço, tornando-o numa paragem de autocarros com melhores condições para os seus utentes. O autarca, Duarte Moreno, considera que esta é a solução mais adequada às características da população de Macedo de Cavaleiros. “Mediante a saúde financeira do próprio país, esta será a solução mais adequada para a nossa cidade. Em Macedo, os autocarros param cerca de cinco minutos, mas não ficam parados durante muito tempo, para fazer interface com outros, como acontece em alguns locais. Com pouco dinheiro, podemos resolver um problema que os utentes têm hoje, que é o facto de não terem condições para estarem à espera do autocarro” frisa o autarca.
O investimento, que ronda os 150 mil euros, prevê a construção de três bilheteiras, uma pequena sala de espera, casas de banho e a instalação de uma pala protectora da chuva e do sol junto à paragem, que terá lugar para quatro autocarros. Além deste projecto, o Município está também a preparar um outro para o arranjo da zona envolvente. Projectos que não agradam a todos.
O Partido Socialista considera que ainda continua a justificar-se uma Central de Camionagem, tal como foi projectada há 14 anos. O presidente da concelhia do PS de Macedo de Cavaleiros, Pedro Mascarenhas, apelida as obras desta paragem de “remendo”, que em nada contribui para resolver os problemas da cidade. “Isto é um projecto que não tem em consideração as verdadeiras necessidades não só da população de Macedo de Cavaleiros, mas também de todos os utilizadores dos transportes. Eu acho que isto é um projecto de quem já desistiu e de quem não acredita na própria terra. Isto é o baixar dos braços do Dr Duarte Moreno. Não passa de um remendo que não vai resolver os problemas de Macedo de Cavaleiros nem dignificar em nada esta cidade”, considera o socialista.
Também no seio da população macedense e dos utentes dos transportes, as opiniões em relação à paragem de autocarros divergem. Mas todos parecem concordar que é necessário um espaço com melhores condições do que aquele existe actualmente. “Achava melhor onde estava antigamente, porque era mais central. Quem estiver no centro da cidade, tem que vir de táxi para a nova paragem”, constata Marcolino Monteiro.
Já José Xavier não concorda com o novo projecto. “O novo projecto, só é para estragar o que está feito, para não fazerem aqui nada, como já fizeram noutros sítios”, considera o utilizador dos transportes. Mas há também quem concorde com a nova localização. “ Eu acho que este local é o mais adequado porque tem melhores acessos ao IP2 e à A4. No centro da cidade era mais complicado, aqui acho que tem melhores condições para os autocarros”, refere Altino Libório.
O Município de Macedo de Cavaleiros garante que as obras da paragem de autocarros vão avançar nos próximos meses, devendo estar concluídas antes do próximo Inverno.
Escrito por Brigantia
Concerto Solidário angaria fundos para ajudar família que perdeu a casa num incêndio
Ontem, 600 euros foram angariados num Concerto Solidário, organizado pela Vimont, a União de Freguesia de Vilar do Monte e Castelãos, a Câmara Municipal e algumas associações privadas, a reverter a favor da família que no passado dia 19 de dezembro perdeu a casa num incêndio.
Otávio Aires, membro da direção da Vimont, revela que há outras formas de ajudar, e que mais atividades estão previstas.
Já Carlos Justo, presidente da União de Freguesia, louva a participação dos conterrâneos da família neste evento. Ainda não há data para o início das obras prometidas para a casa do casal e dos dois filhos, mas estará para breve.
A família afetada pela tragédia também esteve presente. Maria Cepeda agradece a todos que têm ajudado a superar dias difíceis.
200 pessoas assistiram a este Concerto Solidário, abrilhantado pela Orquestra de Sopros do IPB e pela Banda 25 de Março de Lamas.
Dia 17, está previsto um BTT e Trail Solidário, organizado novamente pela Associação Vimont, em parceria com instituições públicas da aldeia de Vilar do Monte e do concelho de Macedo de Cavaleiros.
Se quiser ajudar:
Banco Bic
NIB:007900006950288910133
IBAN:PT50007900006950288910133
Escrito por ONDA LIVRE
Otávio Aires, membro da direção da Vimont, revela que há outras formas de ajudar, e que mais atividades estão previstas.
Já Carlos Justo, presidente da União de Freguesia, louva a participação dos conterrâneos da família neste evento. Ainda não há data para o início das obras prometidas para a casa do casal e dos dois filhos, mas estará para breve.
A família afetada pela tragédia também esteve presente. Maria Cepeda agradece a todos que têm ajudado a superar dias difíceis.
200 pessoas assistiram a este Concerto Solidário, abrilhantado pela Orquestra de Sopros do IPB e pela Banda 25 de Março de Lamas.
Dia 17, está previsto um BTT e Trail Solidário, organizado novamente pela Associação Vimont, em parceria com instituições públicas da aldeia de Vilar do Monte e do concelho de Macedo de Cavaleiros.
Se quiser ajudar:
Banco Bic
NIB:007900006950288910133
IBAN:PT50007900006950288910133
Escrito por ONDA LIVRE
domingo, 3 de janeiro de 2016
Incêndio consome habitação e deixa casal desalojado em Sendim
Um incêndio consumiu este sábado, uma habitação na vila de Sendim, concelho de Miranda do Douro, deixando um casal jovem desalojado.
O comandante dos bombeiros de Sendim, José Ramos disse que quando chegaram ao local as chamas já tinham tomado conta da habitação e que as chamas saiam pelas portas e janelas.
“O casal foi alojado em casa de familiares”, indicou o comandante.
in:mdb.pt
O comandante dos bombeiros de Sendim, José Ramos disse que quando chegaram ao local as chamas já tinham tomado conta da habitação e que as chamas saiam pelas portas e janelas.
“O casal foi alojado em casa de familiares”, indicou o comandante.
in:mdb.pt
sábado, 2 de janeiro de 2016
Mirandês, a outra língua portuguesa
Década e meia após conquistar o estatuto de língua, o mirandês enfrenta um novo obstáculo: a desertificação da região de Miranda do Douro.
Glória Vaqueiro vai na berma da estrada, a poucos metros da fronteira com Espanha e a outros tantos da aldeia de Constantim. Equilibrada em cima da burra, faz questão de explicar o porquê do meio de transporte – cada vez mais raro, mesmo em terras de Trás-os-Montes. “Não sei andar de bicicleta e nunca tirei a carta de carro. A burra dá-me jeito para ir aqui e além e é nova, só tem seis anos. É mansinha.”
A fala da transmontana é estranha: as palavras são portuguesas, mas o sotaque faz lembrar o castelhano. Mas também não é mirandês. “Só falo mirandês com quem também fala”, avisa. Glória, a dona da burra, tem 68 anos, vive com uma reforma de 400 euros e ainda se lembra do tempo em que “toda a gente” andava de burro ou a cavalo. Até o Dr. Barros, o médico de serviço na região, que morreu “há já muitos anos”, mas que palmilhava as aldeias de Miranda do Douro a cavalo para assistir os doentes em casa.
Agora toda a gente tem carro e os médicos, que escasseiam na região, não fazem serviços ao domicílio. O hospital mais próximo da aldeia de Constantim fica a mais de 15 quilómetros, em Miranda, e, se o caso inspirar cuidados de maior, só pode ser resolvido em Bragança, a quase 60 quilómetros de distância. “Mudou quase tudo, só não muda a política, que é sempre a mesma”, atira Glória, ainda do alto da burra. O que também não mudou é a língua mais usada pelos habitantes de Constantim e das outras aldeias de Miranda do Douro: o mirandês, a outra língua de Portugal, anterior à própria fundação do país e que, em 1999, ganhou o estatuto de língua minoritária.
O problema é que há cada vez menos gente em Trás-os-Montes para manter viva a tradição. Em Constantim, por exemplo, só resistem 80 habitantes (há duas décadas eram mais de 300). Na aldeia há uma única criança, com 12 anos, e o casal mais jovem anda na casa dos 40. Para os mais velhos – os que resistem –, o primeiro contacto com a língua portuguesa só se deu à chegada à escola, numa altura em que o mirandês era falado em todas as casas, mas apelidado de “fala caçurra” – a língua das gentes incultas. Glória ainda conseguiu fazer a terceira classe, mas praticamente não sabe ler. “Sei fazer o nome e orientar-me se precisar de andar de camioneta.”
A pouca escolaridade acabou por fazer com que nunca tenha esquecido a língua materna, o mirandês. “Só uso o português para falar com gente de fora ou quando tenho de ir à cidade”, explica.
Não há um cálculo rigoroso das pessoas que ainda falam a outra língua. Sabe-se, com certeza, que continua a ser usada em todas as aldeias do concelho de Miranda do Douro e ainda em três povoações vizinhas que pertencem ao concelho de Vimioso: Vilar Seco, Angueira e Caçarelhos. No total são 500 quilómetros quadrados de território, na fronteira com a província espanhola de Zamora, em que as palavras são ditas de uma outra forma.
Em 1900, o linguista José Leite de Vasconcelos estimava que existissem 15 mil falantes. Actualmente, o número não deverá ir além dos 7 mil. A diminuição de falantes foi uma constante ao longo de todo o século xx, sobretudo a partir da década de 60. Na altura, muitos chegaram a apostar que o mirandês se extinguiria de vez, muito provavelmente por volta de 1980. As profecias mostraram-se apressadas, apesar de tudo apontar para a sua extinção: em meados do século passado, com a construção das barragens do Douro, chegaram ao concelho de Miranda do Douro centenas de trabalhadores, todos falantes de português. Instalaram-se em praticamente todas as aldeias.
O mirandês deixou assim de ser a língua dominante. Nessa época, o ensino generalizou-se (nas escolas só era ensinado o português) e apareceu o fenómeno da televisão – também falada em português. Enquanto isso, muitos rapazes de Miranda eram incorporados no exército, por força da guerra colonial. E nas ex- -colónias, longe de Trás-os-Montes, foram obrigados a assimilar o português.
O mirandês foi caindo em desuso, até que conseguiu o estatuto de língua regional, em 1999, através da Lei 7/99. Portugal deixou assim de ser o único país monolingue da Europa. No mesmo ano foi aprovada a Convenção da Língua Mirandesa, criada para normalizar a escrita – uma espécie de acordo ortográfico do mirandês, que sentou à mesma mesa falantes, estudiosos e linguistas das universidades de Lisboa e de Coimbra. O princípio era simples: manter a diversidade na fala, mas criar unidade na escrita. É que o mirandês tem vários dialectos, que variam de aldeia para aldeia. E foi sempre uma língua oral, até 1884, quando José Leite de Vasconcelos publicou o poemário “Flores mirandesas” – a primeira obra escrita em mirandês. Aos poucos, a língua começou a ser escrita e actualmente existe mais de uma centena de obras publicadas – entre traduções e livros originais.
L PORSOR FALANTE Sozinho, o professor e vice-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) já traduziu dezenas de obras. Por pura carolice. Amadeu Ferreira nasceu em Sendim, saiu de Trás-os-Montes para se fazer doutor em Direito e construiu uma carreira sólida em Lisboa. Nos corredores da CMVM ninguém adivinha que só aprendeu a falar português aos 18 anos: em casa e na vila de Sendim só se ouvia o mirandês. Hoje, aos 62 anos, o seu domínio da língua portuguesa é perfeito, mas o inconsciente teima em pregar partidas: Amadeu Ferreira confessa que sonha sempre em mirandês. Nas horas vagas, entre o trabalho na comissão e as aulas de Direito na Universidade Nova, o professor dedica-se às traduções. Já traduziu os “Quatro Evangelhos” (“Ls quatro eibangeilhos”, em mirandês), “Os Lusíadas”, a “Mensagem”, de Fernando Pessoa”, “O Principezinho” e alguns poetas clássicos, como Horácio. Mas o recordista de vendas é o livro “Asterix l gaulés” (“As Aventuras de Astérix”) – já se venderam quase 8 mil exemplares e num espaço de apenas três meses chegou à terceira edição.
Nos últimos anos têm sido publicadas uma média de seis obras por ano. “É um trabalho cultural de cidadania”, conta Amadeu Ferreira, alertando para a pouca atenção que os sucessivos governos e as instituições locais, em Trás-os-Montes, têm dado à língua de Miranda. “O mirandês aguentou mais de mil anos, tem-se feito muito trabalho, mas não podemos continuar a assumir as responsabilidades das entidades públicas”, critica. Depois de se ter dado o reconhecimento da língua, há quase 15 anos, houve conversas com ministros, promessas de todos os governos e da Câmara Municipal de Mirandela.
“Na prática, os apoios para que a língua continue viva têm sido poucos ou nenhuns”, denuncia o professor. “A necessidade de defender as línguas minoritárias é cada vez mais uma evidência, de maneira a preservar uma parte indispensável do património cultural da humanidade e da identidade do país”, sublinha, acrescentando que as línguas estão permanentemente em perigo. “Por serem humanas, morrem se não forem cuidadas”. Amadeu Ferreira propõe, por exemplo, que a autarquia de Miranda do Douro passe a escrever em mirandês e que sejam criados incentivos de emprego aos falantes. Mais urgente que tudo o resto, diz o vice-presidente da CMVM, é a criação de um instituto central do mirandês – uma espécie de Instituto Camões à escala da língua de Miranda. O próprio ensino, que existe mas não é obrigatório, precisaria de ser mais apoiado: “Por não ser obrigatório, pode acabar a qualquer momento, deixando de se fazer a transmissão da língua.” Ou seja, a lei proclamatória de 1999 não chega. É preciso agora “que o Estado concretize os compromissos que assumiu em lei, porque a democracia linguística é um elemento importante da democracia, que deve assentar no respeito pela diferença”, resume.
L MIRANDES NAS SCUOLAS O ensino do mirandês arrancou em 1985, na Escola Preparatória de Miranda do Douro, com turmas do quinto e do sexto ano. A partir de 1999, com a proclamação da língua, o ensino foi regulamentado e alargado a todas as escolas da cidade, mas só como disciplina opcional. “A regulamentação sofre de graves deficiências, o que tem levado a uma diminuição do número de horas lectivas, à ausência de manuais e à existência de poucos professores”, aponta Amadeu Ferreira. Foram apresentadas várias propostas ao Ministério da Educação no sentido de melhorar o ensino, mas nunca foram atendidas.
Desde que se tornou oficial, o ensino tem sido ministrado sobretudo por professores autóctones, com formação nas áreas das Línguas ou da História. Duarte Martins, natural da aldeia de Malhadas, no concelho de Miranda, é há oito anos um dos mestres do mirandês. Aprendeu a falar em casa, mas só muitos anos mais tarde aprenderia a escrever a língua – depois de passar por um curso de Verão na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).
Para quem aprendeu a língua de ouvido, o trabalho dos últimos anos é notável. Basta entrar na aula de mirandês da turma de 15 alunos do 4.o B da Escola Básica de Miranda do Douro. Os miúdos têm só dez anos, já vão no quarto ano da disciplina e falam mirandês como gente crescida. A aula acontece do princípio ao fim em mirandês e ninguém falha uma resposta.
No ensino básico, e apesar de a disciplina ser opcional, a taxa de adesão é de quase 100%, mas vai diminuindo à medida que os alunos avançam no nível de ensino. “A taxa mais baixa regista-se no secundário, porque nessa fase os alunos já têm outras preocupações e menos tempo disponível”, justifica o professor. Mesmo assim, estima-se que nos últimos anos mais de 2 mil crianças tenham aprendido mirandês na escola. Só que ensinar sem mais nada não chega para manter a língua viva. Para começar, porque assim que os alunos chegam ao 12.o ano, são obrigados a sair de Miranda do Douro se quiserem prosseguir estudos. Ou, simplesmente, arranjar trabalho. “A problemática da preservação da língua está directamente ligada ao problema da fixação dos jovens. O nosso trabalho de transmissão da língua é feito, mas os falantes saem da região e na maioria dos casos nunca mais voltam, distanciando-se das suas raízes e, consequentemente, da sua cultura”, diz o professor.
L NUOBO PELIGRO Os indicadores socioeconómicos de Miranda do Douro mostram que o mirandês enfrenta agora uma nova ameaça. Real e difícil de contornar. Só entre 2001 e 2011, de acordo com os dados do censo, a população residente no concelho diminuiu 7,3%. Há dois anos havia apenas 7462 pessoas a viver na região, espalhadas por uma área total de cerca de 487 quilómetros quadrados. O número de falantes cai todos os anos – sempre que morre um velho perde-se um pedaço de cultura e os indicadores apontam para um aumento exponencial do envelhecimento populacional. Além disso, nos últimos dez anos, a taxa de desemprego subiu de 3,3% para 4,5% – o que tem levado muitos mirandeses a fugir para outras regiões do país e até para o estrangeiro.
Um dos exemplos do que a desertificação fez a Trás-os-Montes é a aldeia de Vilar Seco, no concelho de Vimioso, onde o mirandês ainda sobrevive. No único café da aldeia juntam-se todos os finais de tarde meia dúzia de velhos. Há 14 anos que não nasce uma única criança na terra. E há quase 30 que a aldeia – com pouco mais de 200 eleitores – é atravessada por uma linha de comboio abandonada. Nas paredes do café multiplicam-se cartazes escritos em mirandês. Um deles anuncia a próxima batida à raposa. Há uns anos, caçar uma podia render 3500 escudos. Hoje só sobram cinco caçadores e as peles de raposa pouco valem. “Há uns tempos apareceu aí um espanhol a comprar, pagava 10 euros por cada uma”, conta o presidente da junta, Armando Pinto, que vive em Vimioso, a quase 20 quilómetros de distância.
Outro dos cartazes expostos anuncia um torneio de sueca – os prémios variam entre um porco com 70 quilos, cordeiros, galos e chouriças. “Foi-se toda a gente embora, mas aqui há uns anos ainda havia trabalho”, garante o autarca. Nos arredores da aldeia existiam meia dúzia de grandes estábulos, que chegavam e sobravam para empregar a gente da terra, além de uma serralharia e uma carpintaria. Fechou tudo. “É irónico não termos gente, porque nunca existiram tantas estradas e tanta qualidade de vida na região como agora”, desabafa o presidente da junta.
ANQUANTO LHA LHENGUA FUR CANTADA A fuga da população tem sido a maior dor de cabeça de Paulo Meirinhos, membro do grupo de música tradicional Galandum Galundaina, que nos últimos anos se tem dedicado a dar aulas de Música às crianças de Miranda do Douro e a formar novos grupos de cantares, de danças e de tocadores da região. “Conseguimos formar os grupos, porque há interesse por parte dos mais jovens, mas a dificuldade é mantê-los. Acabam todos por se ir embora daqui e temos de começar tudo de novo”, lamenta. A língua mirandesa é uma espécie de chapéu que abriga toda uma cultura específica de Miranda e que se reveste das mais variadas formas – do teatro aos contos, das lendas aos saberes e fazeres. Passando pela música. Os Galandum Galundaina – que já gravaram três discos, um DVD e correm meio mundo a cantar em mirandês – fazem parte de uma nova geração de músicos que têm preservado a língua em forma de cantar.
São três irmãos – Paulo, Alexandre e Manuel Meirinhos – e ainda Paulo Preto. Todos estudaram Música fora da região, mas escolheram regressar às origens. Constroem instrumentos, compõem, recolhem sons tradicionais e dão-lhes uma nova roupagem. Mais moderna. “O que temos ensinado aos mais novos é que, se quisermos preservar a cultura, não podemos parar no tempo. É preciso pegar naquilo que é tradicional e trazê-lo para os novos tempos”, defende Paulo Meirinhos.
O avô dos três irmãos era carpinteiro e tocava num dos muitos grupos de pauliteiros que existiam na região – hoje sobram apenas 40 ou 50. Como herança, deixou aos netos os bombos e as caixas que tocava. E ainda o gosto pela música tradicional. “Que é muito importante na transmissão da língua”, defende Paulo Meirinhos. “Nos nossos concertos há muita gente que não fala mirandês, mas que canta em mirandês”, garante.
Unir a modernidade e a tradição tem sido também a tarefa, nas últimas duas décadas, de Mário Correia – o responsável pelo Centro de Música Tradicional Sons da Terra em Sendim. O edifício, inaugurado recentemente, era a residência de um padre, mas foi reconvertido em espaço cultural com a ajuda de financiamentos comunitários.
Nas prateleiras há centenas de CD e DVD etiquetados e meticulosamente organizados: são o resultado de dez anos de recolha no terreno de cantares e dizeres tradicionais, interpretados pela gente das aldeias de Miranda. Carolice de Mário Correia, que nem sequer é de Trás-os-Montes: os pais eram minhotos, nasceu e cresceu no Porto e formou-se em Economia. Passou pela gestão de grandes empresas, pela Inspecção-Geral de Finanças e pela Inspecção Tributária. Até que um dia decidiu fazer as malas e rumar a Miranda com uma ideia na cabeça: gravar os sons dos gaiteiros tradicionais, que na altura em 1994, estavam praticamente em extinção. O economista foi ficando, estabeleceu-se na vila de Sendim, criou uma editora – a Sons da Terra – e já lançou mais de uma centena de discos. Pelo meio inventou o Festival Intercéltico de Sendim, que está nas rotas internacionais dos festivais de músicas do mundo e que este ano vai para a 14.a edição.
O centro abriga ainda uma biblioteca, que tem servido de apoio a investigadores e estudantes da língua mirandesa – que chegam do mundo inteiro. Já passaram por Sendim estudiosos japoneses, polacos, espanhóis, húngaros, alemães, brasileiros ou austríacos. A maioria da clientela que vai chegando – cerca de 70% dos utilizadores da biblioteca – é estrangeira. E as raras vezes que aparece um português as diferenças são notórias: “Os investigadores portugueses vêm a contar os tostões e praticamente sem material de suporte”, conta Mário Correia.
Outra das jóias do centro é um espólio de mais de 50 mil fotografias antigas que permitiram fixar no tempo rostos de antigos gaiteiros, cantores e pauliteiros. Todos falantes de mirandês. “O monumento mais vivo são as pessoas”, diz Mário Correia. Mas as pessoas são a matéria que mais vai faltando em Miranda do Douro.
in:ionline.pt – por Rosa Ramos
Glória Vaqueiro vai na berma da estrada, a poucos metros da fronteira com Espanha e a outros tantos da aldeia de Constantim. Equilibrada em cima da burra, faz questão de explicar o porquê do meio de transporte – cada vez mais raro, mesmo em terras de Trás-os-Montes. “Não sei andar de bicicleta e nunca tirei a carta de carro. A burra dá-me jeito para ir aqui e além e é nova, só tem seis anos. É mansinha.”
A fala da transmontana é estranha: as palavras são portuguesas, mas o sotaque faz lembrar o castelhano. Mas também não é mirandês. “Só falo mirandês com quem também fala”, avisa. Glória, a dona da burra, tem 68 anos, vive com uma reforma de 400 euros e ainda se lembra do tempo em que “toda a gente” andava de burro ou a cavalo. Até o Dr. Barros, o médico de serviço na região, que morreu “há já muitos anos”, mas que palmilhava as aldeias de Miranda do Douro a cavalo para assistir os doentes em casa.
Agora toda a gente tem carro e os médicos, que escasseiam na região, não fazem serviços ao domicílio. O hospital mais próximo da aldeia de Constantim fica a mais de 15 quilómetros, em Miranda, e, se o caso inspirar cuidados de maior, só pode ser resolvido em Bragança, a quase 60 quilómetros de distância. “Mudou quase tudo, só não muda a política, que é sempre a mesma”, atira Glória, ainda do alto da burra. O que também não mudou é a língua mais usada pelos habitantes de Constantim e das outras aldeias de Miranda do Douro: o mirandês, a outra língua de Portugal, anterior à própria fundação do país e que, em 1999, ganhou o estatuto de língua minoritária.
O problema é que há cada vez menos gente em Trás-os-Montes para manter viva a tradição. Em Constantim, por exemplo, só resistem 80 habitantes (há duas décadas eram mais de 300). Na aldeia há uma única criança, com 12 anos, e o casal mais jovem anda na casa dos 40. Para os mais velhos – os que resistem –, o primeiro contacto com a língua portuguesa só se deu à chegada à escola, numa altura em que o mirandês era falado em todas as casas, mas apelidado de “fala caçurra” – a língua das gentes incultas. Glória ainda conseguiu fazer a terceira classe, mas praticamente não sabe ler. “Sei fazer o nome e orientar-me se precisar de andar de camioneta.”
A pouca escolaridade acabou por fazer com que nunca tenha esquecido a língua materna, o mirandês. “Só uso o português para falar com gente de fora ou quando tenho de ir à cidade”, explica.
Não há um cálculo rigoroso das pessoas que ainda falam a outra língua. Sabe-se, com certeza, que continua a ser usada em todas as aldeias do concelho de Miranda do Douro e ainda em três povoações vizinhas que pertencem ao concelho de Vimioso: Vilar Seco, Angueira e Caçarelhos. No total são 500 quilómetros quadrados de território, na fronteira com a província espanhola de Zamora, em que as palavras são ditas de uma outra forma.
Em 1900, o linguista José Leite de Vasconcelos estimava que existissem 15 mil falantes. Actualmente, o número não deverá ir além dos 7 mil. A diminuição de falantes foi uma constante ao longo de todo o século xx, sobretudo a partir da década de 60. Na altura, muitos chegaram a apostar que o mirandês se extinguiria de vez, muito provavelmente por volta de 1980. As profecias mostraram-se apressadas, apesar de tudo apontar para a sua extinção: em meados do século passado, com a construção das barragens do Douro, chegaram ao concelho de Miranda do Douro centenas de trabalhadores, todos falantes de português. Instalaram-se em praticamente todas as aldeias.
O mirandês deixou assim de ser a língua dominante. Nessa época, o ensino generalizou-se (nas escolas só era ensinado o português) e apareceu o fenómeno da televisão – também falada em português. Enquanto isso, muitos rapazes de Miranda eram incorporados no exército, por força da guerra colonial. E nas ex- -colónias, longe de Trás-os-Montes, foram obrigados a assimilar o português.
O mirandês foi caindo em desuso, até que conseguiu o estatuto de língua regional, em 1999, através da Lei 7/99. Portugal deixou assim de ser o único país monolingue da Europa. No mesmo ano foi aprovada a Convenção da Língua Mirandesa, criada para normalizar a escrita – uma espécie de acordo ortográfico do mirandês, que sentou à mesma mesa falantes, estudiosos e linguistas das universidades de Lisboa e de Coimbra. O princípio era simples: manter a diversidade na fala, mas criar unidade na escrita. É que o mirandês tem vários dialectos, que variam de aldeia para aldeia. E foi sempre uma língua oral, até 1884, quando José Leite de Vasconcelos publicou o poemário “Flores mirandesas” – a primeira obra escrita em mirandês. Aos poucos, a língua começou a ser escrita e actualmente existe mais de uma centena de obras publicadas – entre traduções e livros originais.
L PORSOR FALANTE Sozinho, o professor e vice-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) já traduziu dezenas de obras. Por pura carolice. Amadeu Ferreira nasceu em Sendim, saiu de Trás-os-Montes para se fazer doutor em Direito e construiu uma carreira sólida em Lisboa. Nos corredores da CMVM ninguém adivinha que só aprendeu a falar português aos 18 anos: em casa e na vila de Sendim só se ouvia o mirandês. Hoje, aos 62 anos, o seu domínio da língua portuguesa é perfeito, mas o inconsciente teima em pregar partidas: Amadeu Ferreira confessa que sonha sempre em mirandês. Nas horas vagas, entre o trabalho na comissão e as aulas de Direito na Universidade Nova, o professor dedica-se às traduções. Já traduziu os “Quatro Evangelhos” (“Ls quatro eibangeilhos”, em mirandês), “Os Lusíadas”, a “Mensagem”, de Fernando Pessoa”, “O Principezinho” e alguns poetas clássicos, como Horácio. Mas o recordista de vendas é o livro “Asterix l gaulés” (“As Aventuras de Astérix”) – já se venderam quase 8 mil exemplares e num espaço de apenas três meses chegou à terceira edição.
Nos últimos anos têm sido publicadas uma média de seis obras por ano. “É um trabalho cultural de cidadania”, conta Amadeu Ferreira, alertando para a pouca atenção que os sucessivos governos e as instituições locais, em Trás-os-Montes, têm dado à língua de Miranda. “O mirandês aguentou mais de mil anos, tem-se feito muito trabalho, mas não podemos continuar a assumir as responsabilidades das entidades públicas”, critica. Depois de se ter dado o reconhecimento da língua, há quase 15 anos, houve conversas com ministros, promessas de todos os governos e da Câmara Municipal de Mirandela.
“Na prática, os apoios para que a língua continue viva têm sido poucos ou nenhuns”, denuncia o professor. “A necessidade de defender as línguas minoritárias é cada vez mais uma evidência, de maneira a preservar uma parte indispensável do património cultural da humanidade e da identidade do país”, sublinha, acrescentando que as línguas estão permanentemente em perigo. “Por serem humanas, morrem se não forem cuidadas”. Amadeu Ferreira propõe, por exemplo, que a autarquia de Miranda do Douro passe a escrever em mirandês e que sejam criados incentivos de emprego aos falantes. Mais urgente que tudo o resto, diz o vice-presidente da CMVM, é a criação de um instituto central do mirandês – uma espécie de Instituto Camões à escala da língua de Miranda. O próprio ensino, que existe mas não é obrigatório, precisaria de ser mais apoiado: “Por não ser obrigatório, pode acabar a qualquer momento, deixando de se fazer a transmissão da língua.” Ou seja, a lei proclamatória de 1999 não chega. É preciso agora “que o Estado concretize os compromissos que assumiu em lei, porque a democracia linguística é um elemento importante da democracia, que deve assentar no respeito pela diferença”, resume.
L MIRANDES NAS SCUOLAS O ensino do mirandês arrancou em 1985, na Escola Preparatória de Miranda do Douro, com turmas do quinto e do sexto ano. A partir de 1999, com a proclamação da língua, o ensino foi regulamentado e alargado a todas as escolas da cidade, mas só como disciplina opcional. “A regulamentação sofre de graves deficiências, o que tem levado a uma diminuição do número de horas lectivas, à ausência de manuais e à existência de poucos professores”, aponta Amadeu Ferreira. Foram apresentadas várias propostas ao Ministério da Educação no sentido de melhorar o ensino, mas nunca foram atendidas.
Desde que se tornou oficial, o ensino tem sido ministrado sobretudo por professores autóctones, com formação nas áreas das Línguas ou da História. Duarte Martins, natural da aldeia de Malhadas, no concelho de Miranda, é há oito anos um dos mestres do mirandês. Aprendeu a falar em casa, mas só muitos anos mais tarde aprenderia a escrever a língua – depois de passar por um curso de Verão na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).
Para quem aprendeu a língua de ouvido, o trabalho dos últimos anos é notável. Basta entrar na aula de mirandês da turma de 15 alunos do 4.o B da Escola Básica de Miranda do Douro. Os miúdos têm só dez anos, já vão no quarto ano da disciplina e falam mirandês como gente crescida. A aula acontece do princípio ao fim em mirandês e ninguém falha uma resposta.
No ensino básico, e apesar de a disciplina ser opcional, a taxa de adesão é de quase 100%, mas vai diminuindo à medida que os alunos avançam no nível de ensino. “A taxa mais baixa regista-se no secundário, porque nessa fase os alunos já têm outras preocupações e menos tempo disponível”, justifica o professor. Mesmo assim, estima-se que nos últimos anos mais de 2 mil crianças tenham aprendido mirandês na escola. Só que ensinar sem mais nada não chega para manter a língua viva. Para começar, porque assim que os alunos chegam ao 12.o ano, são obrigados a sair de Miranda do Douro se quiserem prosseguir estudos. Ou, simplesmente, arranjar trabalho. “A problemática da preservação da língua está directamente ligada ao problema da fixação dos jovens. O nosso trabalho de transmissão da língua é feito, mas os falantes saem da região e na maioria dos casos nunca mais voltam, distanciando-se das suas raízes e, consequentemente, da sua cultura”, diz o professor.
L NUOBO PELIGRO Os indicadores socioeconómicos de Miranda do Douro mostram que o mirandês enfrenta agora uma nova ameaça. Real e difícil de contornar. Só entre 2001 e 2011, de acordo com os dados do censo, a população residente no concelho diminuiu 7,3%. Há dois anos havia apenas 7462 pessoas a viver na região, espalhadas por uma área total de cerca de 487 quilómetros quadrados. O número de falantes cai todos os anos – sempre que morre um velho perde-se um pedaço de cultura e os indicadores apontam para um aumento exponencial do envelhecimento populacional. Além disso, nos últimos dez anos, a taxa de desemprego subiu de 3,3% para 4,5% – o que tem levado muitos mirandeses a fugir para outras regiões do país e até para o estrangeiro.
Um dos exemplos do que a desertificação fez a Trás-os-Montes é a aldeia de Vilar Seco, no concelho de Vimioso, onde o mirandês ainda sobrevive. No único café da aldeia juntam-se todos os finais de tarde meia dúzia de velhos. Há 14 anos que não nasce uma única criança na terra. E há quase 30 que a aldeia – com pouco mais de 200 eleitores – é atravessada por uma linha de comboio abandonada. Nas paredes do café multiplicam-se cartazes escritos em mirandês. Um deles anuncia a próxima batida à raposa. Há uns anos, caçar uma podia render 3500 escudos. Hoje só sobram cinco caçadores e as peles de raposa pouco valem. “Há uns tempos apareceu aí um espanhol a comprar, pagava 10 euros por cada uma”, conta o presidente da junta, Armando Pinto, que vive em Vimioso, a quase 20 quilómetros de distância.
Outro dos cartazes expostos anuncia um torneio de sueca – os prémios variam entre um porco com 70 quilos, cordeiros, galos e chouriças. “Foi-se toda a gente embora, mas aqui há uns anos ainda havia trabalho”, garante o autarca. Nos arredores da aldeia existiam meia dúzia de grandes estábulos, que chegavam e sobravam para empregar a gente da terra, além de uma serralharia e uma carpintaria. Fechou tudo. “É irónico não termos gente, porque nunca existiram tantas estradas e tanta qualidade de vida na região como agora”, desabafa o presidente da junta.
ANQUANTO LHA LHENGUA FUR CANTADA A fuga da população tem sido a maior dor de cabeça de Paulo Meirinhos, membro do grupo de música tradicional Galandum Galundaina, que nos últimos anos se tem dedicado a dar aulas de Música às crianças de Miranda do Douro e a formar novos grupos de cantares, de danças e de tocadores da região. “Conseguimos formar os grupos, porque há interesse por parte dos mais jovens, mas a dificuldade é mantê-los. Acabam todos por se ir embora daqui e temos de começar tudo de novo”, lamenta. A língua mirandesa é uma espécie de chapéu que abriga toda uma cultura específica de Miranda e que se reveste das mais variadas formas – do teatro aos contos, das lendas aos saberes e fazeres. Passando pela música. Os Galandum Galundaina – que já gravaram três discos, um DVD e correm meio mundo a cantar em mirandês – fazem parte de uma nova geração de músicos que têm preservado a língua em forma de cantar.
São três irmãos – Paulo, Alexandre e Manuel Meirinhos – e ainda Paulo Preto. Todos estudaram Música fora da região, mas escolheram regressar às origens. Constroem instrumentos, compõem, recolhem sons tradicionais e dão-lhes uma nova roupagem. Mais moderna. “O que temos ensinado aos mais novos é que, se quisermos preservar a cultura, não podemos parar no tempo. É preciso pegar naquilo que é tradicional e trazê-lo para os novos tempos”, defende Paulo Meirinhos.
O avô dos três irmãos era carpinteiro e tocava num dos muitos grupos de pauliteiros que existiam na região – hoje sobram apenas 40 ou 50. Como herança, deixou aos netos os bombos e as caixas que tocava. E ainda o gosto pela música tradicional. “Que é muito importante na transmissão da língua”, defende Paulo Meirinhos. “Nos nossos concertos há muita gente que não fala mirandês, mas que canta em mirandês”, garante.
Unir a modernidade e a tradição tem sido também a tarefa, nas últimas duas décadas, de Mário Correia – o responsável pelo Centro de Música Tradicional Sons da Terra em Sendim. O edifício, inaugurado recentemente, era a residência de um padre, mas foi reconvertido em espaço cultural com a ajuda de financiamentos comunitários.
Nas prateleiras há centenas de CD e DVD etiquetados e meticulosamente organizados: são o resultado de dez anos de recolha no terreno de cantares e dizeres tradicionais, interpretados pela gente das aldeias de Miranda. Carolice de Mário Correia, que nem sequer é de Trás-os-Montes: os pais eram minhotos, nasceu e cresceu no Porto e formou-se em Economia. Passou pela gestão de grandes empresas, pela Inspecção-Geral de Finanças e pela Inspecção Tributária. Até que um dia decidiu fazer as malas e rumar a Miranda com uma ideia na cabeça: gravar os sons dos gaiteiros tradicionais, que na altura em 1994, estavam praticamente em extinção. O economista foi ficando, estabeleceu-se na vila de Sendim, criou uma editora – a Sons da Terra – e já lançou mais de uma centena de discos. Pelo meio inventou o Festival Intercéltico de Sendim, que está nas rotas internacionais dos festivais de músicas do mundo e que este ano vai para a 14.a edição.
O centro abriga ainda uma biblioteca, que tem servido de apoio a investigadores e estudantes da língua mirandesa – que chegam do mundo inteiro. Já passaram por Sendim estudiosos japoneses, polacos, espanhóis, húngaros, alemães, brasileiros ou austríacos. A maioria da clientela que vai chegando – cerca de 70% dos utilizadores da biblioteca – é estrangeira. E as raras vezes que aparece um português as diferenças são notórias: “Os investigadores portugueses vêm a contar os tostões e praticamente sem material de suporte”, conta Mário Correia.
Outra das jóias do centro é um espólio de mais de 50 mil fotografias antigas que permitiram fixar no tempo rostos de antigos gaiteiros, cantores e pauliteiros. Todos falantes de mirandês. “O monumento mais vivo são as pessoas”, diz Mário Correia. Mas as pessoas são a matéria que mais vai faltando em Miranda do Douro.
in:ionline.pt – por Rosa Ramos
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Tabafeias
![]() |
| Armando Fernandes |
O sábio Leite de Vasconcelos acerca da tabafeia anota: “É, em Bragança, uma espécie de chouriço feito de dobrada, galinha, pimento, etc.”. O erudito Padre Francisco Manuel Alves escreveu: ”fabricadas de Outubro a Fevereiro” a atestar a sazonalidade, o notável Paulo Plantier (1884) no capítulo de Fumeiro de Carne de Porco à Transmontana alude a tobafada, na minha opinião, depois de ter cotejado as receitas, uma variante de tabafeia,
O probo e meticuloso investigado Fernando Castelo Branco, na obra Arte Popular Portuguesa, refere serem “celebradas as tabafeias de Bragança”. Se dúvidas existissem sobre a leveza denunciadora de exacerbado e espúrio bairrismo da Sra. Vereadora, acrescento o facto de no notável receituário Cozinha do Mundo Português, a receita de tabafeia é consignada a Bragança.
Acérrimo inimigo de chauvinismos venham eles de onde vierem, pouco atreito a vaidades localistas, amante da exaltação das referências imateriais e materiais de Trás-os-Montes, eu não sou nortenho, sou transmontano (sem jactância, muito menos fundamentalismo) aborrece-me este tipo de afirmações a acirrarem rivalidades abstrusas e despropositadas. Na intenção de ajudar a Autarca, peço-lhe o favor de consultar o Anuário Comercial editado até aos anos setenta do século passado, se o fizer verificará que em 1952, os anúncios apregoavam tabafeias (enchidos frescos) feitos e vendidos em Bragança por Artur das Neves, José Augusto de Carvalho, José Veloso, viúva de Marcial Veloso Barata, Maria da Assunção e Maria da Conceição Rocha.
Nos anos quarenta as tabafeias mais afamadas eram as fabricadas nas casas do Sr. Armando Barata e do Sr. Artur Neves. Obviamente, pelo menos nos concelhos frios do Nordeste, a tabafeia era concebida e, tal como acontece em relação a milhares de produtos, as receitas variavam dando plena vazão ao anexim: cada terra com seu uso, cada roca com seu uso.
A Sra. Vereadora faz muito bem, sonoros aplausos lhe prodigalizo, em defender e promover as representações culinárias mirandesas, mas por favor não à custa de reclamar exclusividade para o que é herança cultural de todos os nordestinos.
A continuar assim será paradigma do conhecido ditado: quem o alheio veste, na praça o despe.
in:mdb.pt
Carção é a aldeia que conserva mais tecedeiras...
Luísa Minga, 53 anos, é a última de uma família de tecedeiras de Carção, no concelho de Vimioso, aldeia onde ainda vivem cerca de uma dúzia de artesãs do tear, apesar de só já restarem cinco que o fazem esporadicamente. A avó, mãe, tias e irmãs foram tecedeiras, as filhas fugiram de uma profissão que exige uma paciência quase infinita.
Terra onde existiam de todos os ofícios. Carção chegou a ver urdir teia sobre teia entre 40 a 50 mulheres que viviam da arte de manusear o tear, ofício que não cativa as raparigas de agora e que, por isso, poderá estar em risco de extinção. As tecedeiras mais jovens já dobraram os 50 anos e, apesar de há poucos anos se ter realizado na localidade um curso de formação em tecelagem, as formandas não deram continuidade à actividade, ainda que uma se tivesse aventurado e chegado a comprar um tear. “Acabou por desistir, isto não é fácil, está toda o dia sentada”, conta Luísa Minga, que vê no peso do tear e no seu difícil transporte um entrave à entrada de jovens na actividade. Tecer é uma actividade de resignação e perserverança, de tal ordem que motivou Penélope, a mais célebres das tecedeiras conhecidas na história da humanidade, enquanto aguardava o regresso de Ulisses. Quase sempre se tece em retiro, não fossem os dedos de conversa que se trocam com quem entra e sai e com a família e a solidão seria quase total. O tear é difícil de deslocar para a soleira da porta, onde sempre se trocam opiniões com quem passa. As costas, os dedos e os olhos sofrem com a exigência do trabalho, neste caso alumiado com a escassa luz de uma fresta, em anexo de cimento, sem qualquer tipo de aquecimento e conforto. “Nunca aqui tive lume, sempre me fui arranjando assim”, garante a tecedeira de Carção.
Motivos que sobram quem quer outros trabalhos. “Isto vai acabar tudo, os novos não querem, as profissões dos pais passavam para os filhos, mas isso era dantes, as minhas filhas não querem saber nada disto, uma ainda entrou uma vez ao tear, numa manta de farrapos, mas não quis”. Ela confessa que tem pena, gosta muito, “o tear dava-se mais do que a costura, que ainda tentei aprender”.
Luísa Minga foi uma tecedeira tardia, começou bem depois do que as irmãs, que deram as primeiras laçadas ainda meninas, e do que a maior parte das jovens da terra, que aprendiam o ofício mesmo antes de se sentaram nos bancos da escola, aquelas que tinham o privilégio de se poderem alfabetizar. Casos raros. Quarta classe feita, lá pelos “11 anicos”, recorda a tecedeira, passou a andar com o pai “a caminho da horta”, como a missão de orientar a mula que andava em volta da nora para puxar água. É que o raio do bicho não se cria sacrificar sozinha em tarefa tão rodopiante. “Ela não queria andar só em volta da «noria»”, relembra. Além das tonturas de tanto andar à roda, à roda, Luísa Minga ainda andava descalça, para poupar os sapatos, já que tinha de passar por poças de água. Lá ia cantarolando uma modinha, para não dar pelo peso do tempo que tardava em passar.
A sério, a sério, só começou a tecer já casada, iniciou-se com as mantas de farrapos, depois aventurou-se pelas cobertas (colchas), porque as outras três mulheres da família, mãe e duas irmãs, já não tinham mãos a medir para as encomendas. Não foi difícil entrar no ofício de tanto que já as tinha visto tramar a teia do tear, sempre foi ajudando a fazer as franjas das ditas cobertas.
Tempos difíceis eram aqueles que exigiam viagens pelas aldeias à procura de clientela ou a levar encomendas. “Muita gente procurava, não havia estes tendeiros que andam pela porta agora a vender”. Os cobertores de lã, quentes, mas pouco “amerosos” (macios), que picavam no corpo eram feitos em Santulhão, mas elas também os armavam. “As senhoras traziam a lã, o algodão ou o linho, primeiro tingíamos a lã, da cor que era pedido, em grandes caldeirões, era nas têmperas fervíamos a lã onde deitava-mos as tintas. Tínhamos de estar sempre a mexer para não se pegar ao fundo da caldeira, era então lavada e seca ao sol”.
Havia quem fizesse uma colcha em 15 dias ou um mês, mas para tal feito era preciso estar ao tear noite e dia. “A minha mãe não saia, trabalhava madrugada fora, na encomenda das Almas, na Quaresma, parava momentaneamente quando o grupo de cantores cruzava a rua ao pé de sua casa, para não parecer mal, estar a trabalhar pela madrugada, mal passavam continuava a tecer”. As encomendas eram muitas, havia necessidade de lhe dar vazão. “Ela só vivia disto, o meu pai fazia agricultura, mas não dava nada”. Tanto esforço pouco recompensado era, as cobertas eram baratas, chegavam a ser vendidas a cinco coroas (2$50) ou cinco escudos. Mesmo assim a mãe teceu até aos 84 anos.
Luísa Minga ainda aceita encomendas, o trabalho é agora mais rentável e uma colcha das abertas, custa entre 200 a 250 euros, as fechadas vão para mais, porque exigem muito trabalho. Este ano tem tido sempre encomendas, carpetes, tapetes, naperons, “mas já não é como antigamente, vêm uma senhora ou outra por surpresa”, referiu.
Tece em qualquer material, algodão, lã ou linho. Noutros tempos tecia em linho fino, belas toalhas e lençóis. “Dava muito trabalho, como era muito fino era preciso andar sempre a bater de um lado para o outro a lançadeira, levava-me um dia a tecer três ou quatro varas, mas também havia a estopa, um linho mais grosso”.
in:o-informativo.com
Terra onde existiam de todos os ofícios. Carção chegou a ver urdir teia sobre teia entre 40 a 50 mulheres que viviam da arte de manusear o tear, ofício que não cativa as raparigas de agora e que, por isso, poderá estar em risco de extinção. As tecedeiras mais jovens já dobraram os 50 anos e, apesar de há poucos anos se ter realizado na localidade um curso de formação em tecelagem, as formandas não deram continuidade à actividade, ainda que uma se tivesse aventurado e chegado a comprar um tear. “Acabou por desistir, isto não é fácil, está toda o dia sentada”, conta Luísa Minga, que vê no peso do tear e no seu difícil transporte um entrave à entrada de jovens na actividade. Tecer é uma actividade de resignação e perserverança, de tal ordem que motivou Penélope, a mais célebres das tecedeiras conhecidas na história da humanidade, enquanto aguardava o regresso de Ulisses. Quase sempre se tece em retiro, não fossem os dedos de conversa que se trocam com quem entra e sai e com a família e a solidão seria quase total. O tear é difícil de deslocar para a soleira da porta, onde sempre se trocam opiniões com quem passa. As costas, os dedos e os olhos sofrem com a exigência do trabalho, neste caso alumiado com a escassa luz de uma fresta, em anexo de cimento, sem qualquer tipo de aquecimento e conforto. “Nunca aqui tive lume, sempre me fui arranjando assim”, garante a tecedeira de Carção.
Motivos que sobram quem quer outros trabalhos. “Isto vai acabar tudo, os novos não querem, as profissões dos pais passavam para os filhos, mas isso era dantes, as minhas filhas não querem saber nada disto, uma ainda entrou uma vez ao tear, numa manta de farrapos, mas não quis”. Ela confessa que tem pena, gosta muito, “o tear dava-se mais do que a costura, que ainda tentei aprender”.
Luísa Minga foi uma tecedeira tardia, começou bem depois do que as irmãs, que deram as primeiras laçadas ainda meninas, e do que a maior parte das jovens da terra, que aprendiam o ofício mesmo antes de se sentaram nos bancos da escola, aquelas que tinham o privilégio de se poderem alfabetizar. Casos raros. Quarta classe feita, lá pelos “11 anicos”, recorda a tecedeira, passou a andar com o pai “a caminho da horta”, como a missão de orientar a mula que andava em volta da nora para puxar água. É que o raio do bicho não se cria sacrificar sozinha em tarefa tão rodopiante. “Ela não queria andar só em volta da «noria»”, relembra. Além das tonturas de tanto andar à roda, à roda, Luísa Minga ainda andava descalça, para poupar os sapatos, já que tinha de passar por poças de água. Lá ia cantarolando uma modinha, para não dar pelo peso do tempo que tardava em passar.
A sério, a sério, só começou a tecer já casada, iniciou-se com as mantas de farrapos, depois aventurou-se pelas cobertas (colchas), porque as outras três mulheres da família, mãe e duas irmãs, já não tinham mãos a medir para as encomendas. Não foi difícil entrar no ofício de tanto que já as tinha visto tramar a teia do tear, sempre foi ajudando a fazer as franjas das ditas cobertas.
Tempos difíceis eram aqueles que exigiam viagens pelas aldeias à procura de clientela ou a levar encomendas. “Muita gente procurava, não havia estes tendeiros que andam pela porta agora a vender”. Os cobertores de lã, quentes, mas pouco “amerosos” (macios), que picavam no corpo eram feitos em Santulhão, mas elas também os armavam. “As senhoras traziam a lã, o algodão ou o linho, primeiro tingíamos a lã, da cor que era pedido, em grandes caldeirões, era nas têmperas fervíamos a lã onde deitava-mos as tintas. Tínhamos de estar sempre a mexer para não se pegar ao fundo da caldeira, era então lavada e seca ao sol”.
Havia quem fizesse uma colcha em 15 dias ou um mês, mas para tal feito era preciso estar ao tear noite e dia. “A minha mãe não saia, trabalhava madrugada fora, na encomenda das Almas, na Quaresma, parava momentaneamente quando o grupo de cantores cruzava a rua ao pé de sua casa, para não parecer mal, estar a trabalhar pela madrugada, mal passavam continuava a tecer”. As encomendas eram muitas, havia necessidade de lhe dar vazão. “Ela só vivia disto, o meu pai fazia agricultura, mas não dava nada”. Tanto esforço pouco recompensado era, as cobertas eram baratas, chegavam a ser vendidas a cinco coroas (2$50) ou cinco escudos. Mesmo assim a mãe teceu até aos 84 anos.
Luísa Minga ainda aceita encomendas, o trabalho é agora mais rentável e uma colcha das abertas, custa entre 200 a 250 euros, as fechadas vão para mais, porque exigem muito trabalho. Este ano tem tido sempre encomendas, carpetes, tapetes, naperons, “mas já não é como antigamente, vêm uma senhora ou outra por surpresa”, referiu.
Tece em qualquer material, algodão, lã ou linho. Noutros tempos tecia em linho fino, belas toalhas e lençóis. “Dava muito trabalho, como era muito fino era preciso andar sempre a bater de um lado para o outro a lançadeira, levava-me um dia a tecer três ou quatro varas, mas também havia a estopa, um linho mais grosso”.
in:o-informativo.com
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















