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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

IPB lança Laboratório Colaborativo MORE para estreitar trabalho com as empresas

No âmbito da semana aberta da internacionalização e competitividade, o Instituto Politécnico de Bragança lançou, ontem, o Laboratório Colaborativo MORE. Segundo o presidente do IPB, Orlando Rodrigues, o objectivo é criar um caminho mais estreito entre centros de investigação e empresas.
“É um projecto que teve duas fases, uma primeira em que se aprovou a concessão do título do laboratório colaborativo e agora estamos na parte final de estabelecimento de candidatura a financiamento, temos um financiamento indicativo de 4,3 milhões de euros a 3 anos”, destacou.

Além do lançamento do laboratório, a par desta semana aberta houve ainda, ontem, um simpósio sobre internacionalização e competitividade. Orlando Rodrigues destaca que é preciso que os politécnicos trabalhem mais com as empresas. “Foi uma discussão muito produtiva. Os politécnicos são as instituições de ensino superior que estão mais próximas das empresas e das suas necessidades, por isso têm maior responsabilidade de se ajustar. Temos de trabalhar mais próximo das empresas”, destacou.

Orlando Rodrigues deixou claro, no primeiro dia da semana aberta da internacionalização, que é preciso qualificar ainda mais já que os tempos de mudança exigem outros perfis de pessoas qualificadas. Quem também tem a mesma ideia, e defende que é necessário qualificar quem já está qualificado, é o ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, presente ontem nas iniciativas do politécnico.

“Formamos 4 em cada 10 jovens de 20 anos, temos necessariamente de alargar a penetração e temos de formar mais adultos, porque 75% dos estudantes têm menos de 25 anos”, referiu o ministro.

A semana aberta da internacionalização do politécnico acontece até sexta-feira tem tido iniciativas que pretendem fazer uma reflexão sobre a instituição e o futuro desta. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Ensino do Mirandês em Lisboa tem "bastante" procura

Vinte anos após o reconhecimento do mirandês como segunda língua oficial em Portugal, em Lisboa tem "bastante" procura, apesar da falta de apoios de que se queixam os seus divulgadores.
Numa pequena sala da Casa de Trás-os-Montes em Lisboa, funciona à segunda-feira e em horário pós-laboral uma aula de língua mirandesa, onde até um aluno francês de Erasmus já se inscreveu para aprender esta língua falada no nordeste transmontano.

Antes de dar início a mais uma aula, António Cangueiro, professor de mirandês, falou à Lusa sobre este seu percurso, que começou ainda com o escritor, professor universitário, estudioso e divulgador da língua mirandesa Amadeu Ferreira, que instituiu o curso em Lisboa há dez anos.

"O primeiro ano ainda foi com Amadeu Ferreira, ele vinha dar literatura e eu e outro amigo, Francisco Domingues, vínhamos dar as classes", lembrou.

A funcionar há dois anos na Casa de Trás-os-Montes, as aulas de mirandês são atualmente lecionadas em conjunto com outra professora, Adelaide Monteiro, e "a procura tem sido bastante", assegura.

"A prova está aqui nos cursos da Casa de Trás-os-Montes. No ano passado findaram o curso 15 alunos, um deles era de origem francesa, que veio fazer Erasmus e teve interesse, matriculou-se e frequentou o curso", contou, assegurando que "há muito interesse desde que a língua foi aprovada como língua oficial".

No entanto, faltam apoios do Estado: "a língua mirandesa não tem qualquer apoio oficial", alertou.

"Eu venho para aqui a minhas despesas, a outra amiga vem cá por iniciativa própria, a Casa de Trás-os-Montes abre-nos a casa para darmos aqui o curso, mas o esforço é nosso, é pessoal, a nível do Estado não tem havido apoio nenhum para este curso, e é pena", lamentou António Cangueiro, apoiado por alunos, de todas as idades, que iam chegando e se juntavam à conversa.

Recorda também que no ano passado, alguns representantes do Parlamento Europeu estiveram em Miranda do Douro a fazer uma auscultação à população e às escolas, "para que o Estado assinasse a Carta Europeia das Línguas Minoritárias, porque se assinar essa carta compromete-se com alguma coisa, algo que não tem feito e continua a não fazer".

Para este professor é difícil compreender como é que o Estado aprova uma língua e depois não cria normas nem apoios financeiros anuais para a língua se poder divulgar.

Apenas em Miranda do Douro existe um professor no ensino oficial, que "é colocado todos os anos e mesmo assim é uma dificuldade enorme para ele ser colocado".

Em Lisboa, o custo das aulas é cinco euros, um valor "simbólico" que mais não é do que uma "ajuda para pagar a luz", refere.

A maior parte dos alunos ali inscritos mora na zona de Lisboa e inscreve-se sobretudo por curiosidade, mas também já houve alunos transmontanos e alentejanos, quase todos com formação superior, descreve António Cangueiro, traçando um perfil dos alunos.

Leonardo Antão é um desses alunos, e o mais antigo em Lisboa, tendo começado a aprender nos primeiros cursos ministrados por Amadeu Ferreira.

"Procuro vir todos os anos, pelo amor que tenho à língua mirandesa, porque a aprendi em pequenino, ao colo da minha mãe, que falava só língua mirandesa e que era, por ironia do destino, analfabeta, mas a língua dela era o mirandês".

No extremo oposto, Gerson Costa é o aluno mais recente do curso. Inscrito desde dezembro do ano passado, este jovem, dono de uma empresa de tradução, descobriu casualmente, através da página do Facebook, que a Casa de Trás-os-Montes lecionava aulas de mirandês e que esta era a segunda língua oficial portuguesa.

Assegura que não foi por motivos profissionais, apenas por curiosidade pessoal, que se inscreveu, porque, já que está no campo das línguas, achou que "ficava bem, pelo menos, entender aquilo que é dito na outra língua portuguesa do país".

E é nessa mesma lógica, que Gerson Costa tem dificuldade em entender como é que uma língua oficial, não o é na prática.

"Começa a haver literatura, as pessoas continuam a falar mirandês em casa, os mais velhos falam, mas para isso não era preciso ser uma língua oficial, não era preciso regulamentar. Para ser uma língua oficial, precisa de ser falada na Câmara Municipal, precisa de ser falada nas assembleias de Junta de Freguesia, precisa de ser falada no tribunal da cidade, e isso falta".

O presidente da Casa de Trás-os-Montes, Hirondino Isaías, mostra-se empenhado na divulgação do mirandês, razão por que assinou um protocolo com a Associação de Língua Mirandesa, no sentido de criar este curso.

No entanto, queixa-se da falta que faz "o poder central dar o passo definitivo, que é o Ministério da Cultura aprovar uma pequena verba para a divulgação ao nível das escolas" em outros concelhos do país, como acontece em Miranda do Douro.

A língua mirandesa é uma língua oficial de Portugal desde 29 de janeiro de 1999, data em que foi publicada em Diário da República a lei que reconheceu oficialmente os direitos linguísticos da comunidade mirandesa.

Agência Lusa

Confraria do Javali ajuda famílias carenciadas do concelho de Macedo com alimentos

Este ano, no âmbito da Feira da Caça e do Turismo, a Confraria do Javali deixou de lado a entronização de novo confrades e organizou uma ação solidária.
O intuito foi o de recolher bens alimentares que serão distribuídos por famílias carenciadas do concelho de Macedo de Cavaleiros, como explica António Silva, Grão-Mestre da confraria:

“A confraria este ano não fez cerimónia de entronização de confrades, que por decisão da direção, vai passar a ser feita de dois em dois anos. No entanto, vamos intercalar sempre com uma atividade de caráter social, como foi o caso deste ano, em que todos os confrades contribuíram com bens alimentares que foram entregues à Santa Casa da Misericórdia, que os recebeu muito amavelmente e agora vai fazer a distribuição por famílias carenciadas que estão referenciadas por eles.

O nosso objetivo é que esses bens cheguem a essas pessoas que, no fundo, estão “envergonhadas” e escondidas.”

A Confraria do Javali reúne, atualmente, 51 confrades.

Escrito por ONDA LIVRE

“Este será, talvez, o momento mais difícil da caça das últimas três décadas”

Doenças e políticas do setor cinegético são as principais causas, diz Arlindo Cunha, vice-presidente da Federação Nacional de Caça.
“Talvez estejamos a atravessar o momento mais difícil da caça em Portugal das últimas três décadas. Isto deve-se, sobretudo, às doenças dos coelhos, recentemente também dos javalis, e, por outro lado, à própria política do setor que não está adaptada às novas situações. Não se justifica que os caçadores paguem para o Estado certos custos, como por exemplo as taxas, no caso das reservas associativas, que representa 4 milhões de euros por ano, o que é muito. Os caçadores são cada vez menos, há menos caça e estão desanimados.

O próprio legislador que gere a caça, o Estado, tem que ter isto em conta  e rever os custos que caem sobre os caçadores.”

Sobre haver partidos e associações a quererem acabar com a caça, o vice-presidente da Federação Nacional de Caça, considera que são ‘”pessoas intolerantes”:

“É evidente que há pessoas que sempre viveram do alcatrão e não conseguem perceber que há vida para além disso. São, sobretudo, pessoas intolerantes que têm a sua visão do mundo, que nós aceitamos mas não partilhamos. São visões que pretendem acabar com tradições milenares, entre as quais a caça, que está muito associadas à vida económica e cultura do meio rural. É por isso que temos de as defender e, a título algum, podemos aceitar que nos queiram impor, de forma intolerante, certas restrições à nossa cultura.”

Declarações à margem do seminário “A caça em Trás-os-Montes: Ameaças e Oportunidades”, que aconteceu em Macedo de Cavaleiros inserido na XXIII Feira da Caça e Turismo e XXV Festa dos Caçadores do Norte.

Escrito por ONDA LIVRE

Federação Portuguesa de Atletismo visita distrito para estudar implementação de programas desportivos

O Diretor Técnico Nacional da Federação Portuguesa de Atletismo passou ontem pelo distrito de Bragança para visitar as pistas de atletismo e estar reunido com membros dos municípios.
Uma visita que teve como objetivo conhecer o território para, no futuro, implementar programas estratégicos direcionados às necessidades desportivas da região, na área do atletismo,  como explica José Santos:

“Nós temos um programa na direção técnica nacional da federação que prevê apoiar as associações. Como tal, vamos ao encontro delas e eu tenho este distrito à minha responsabilidade.

Hoje foi o primeiro contacto de forma a perceber a realidade do distrito para depois fazermos um projeto de programa de apoio para desenvolvimento desportivo do atletismo neste distrito.

O objetivo deste apoio é conseguir fazer com que as associações tenham mais atletas federados e melhores treinadores para apoiar esses mesmos atletas.

O apoio vai ser feito através de formações, cursos e algum apoio de apetrechamento móvel que possa melhor a qualidade técnica dos atletas.”

E numa primeira análise, o diretor técnico nacional adianta que ainda há muito a fazer no distrito pelo atletismo:

“Eu penso que se pode melhorar imenso e há campo de manobra para isso. É por isso que eu estou aqui e essa é a minha convicção.”

Para Rodolfo Moreno, presidente da Associação de Atletismo de Bragança, o apoio da Federação Portuguesa de Atletismo é uma mais-valia para desenvolver a modalidade no distrito:

“A visita do diretor técnico nacional traduz-se numa porta de conhecimento e de suporte em termos de desenvolvimento da modalidade no distrito.

Este apoio será direcionado aos treinadores e aos próprios clubes em termos de suporte teórico e de desenvolvimento desportivo, e depois, consequentemente, vai-se traduzir no aumento do número de atletas, praticantes e de eventos desportivos disponíveis.”

A visita do Diretor Técnico da Federação Portuguesa de Atletismo passou ontem pelos concelhos de Bragança, Vinhais, Macedo de Cavaleiros, Vila Flor, Alfândega da Fé e Mogadouro.

Escrito por Onda Livre

manter a casa quente sem gastar mais eletricidade

Chega o inverno, as temperaturas baixam e a fatura da eletricidade sobe e muito. É o normal para grande parte das famílias. Mas há especialistas que alertam para formas que - comprovadamente - permitem manter a casa quente e seca, sem ter de ligar o aquecedor, a lareira ou o ar condicionado. Experimente segui-las e poupe até 10% do orçamento familiar, a média estimada destinada ao aquecimento das casas.

1. De dia, deixe entrar toda a luz e mais alguma

Temos a sorte de viver num país onde o inverno tem muitos dias de sol. Aproveite-os. Logo pela manhã, abra as cortinas, as persianas, as portadas e deixe-o entrar até haver luz. Quer melhor forma de aquecer a casa gratuitamente?

2. Não deixe o calor fugir

Ao contrário do que deve fazer ao início da manhã, ao fim da tarde, idealmente antes do sol se pôr, é importante fechar as janelas e correr as persianas e os cortinados, para manter a temperatura quente e seca dentro de casa.

3. Atenção ao isolamento de portas e janelas

Sem um bom isolamento na casa, todo e qualquer esforço é inglório. As portas e janelas são alguns dos pontos mais fracos quando se trata de reter o calor. Inspecione as suas janelas, caixilharias, portadas, frinchas, fissuras e vidraças: elas são grandes responsáveis pelo desperdício de energia.
Há várias soluções, em conta, disponíveis em grandes superfícies destinadas à casa ou em drogarias, para resolver o problema da retenção do calor e poupar energia. Experimente, por exemplo, isolar os vidros com películas de proteção contra o frio ou o isolamento autoadesivo com vedação em borracha e espuma, que garantem que o ar quente fica do lado de dentro e o ar frio do lado de fora.

4. Divisões menos usadas, portas fechadas

Quanto maior o espaço, quantas mais divisões, mais o ar frio circula. Quantos mais pisos ou sótão, mais o ar quente sobe. Se pensar nisto, percebe que há ganhos de energia se mantiver fechadas as portas dos acessos, das divisões da casa, sobretudo aquelas que usa menos ou não usa de todo, como a dispensa, o sótão ou o quarto de visitas.  Desta forma, impede que o ar frio circule, mantendo o ar quente nas zonas mais importantes.

5. A decoração também ajuda

Não deixe as paredes despidas, quando pode ter fotografias, quadros, estantes, espelhos e móveis a preencher o vazio e a reter o calor.

6. Mais mantas, mais almofadas e cortinas

Além das paredes, vista o resto da casa. Abuse nos têxteis, que além de protegem do frio, deixam o espaço mais preenchido e confortável.
- Coloque umas cortinas de tecido grosso e pesado;
- Tapetes e carpetes de tecidos felpudos e invernosos, impedem a fuga de calor pelo chão, ajudando a manter os ambientes aquecidos;
- Almofadas, mantas e cobertores são sinónimo de conforto.

Se com estas medidas conseguir manter a temperatura da casa estável entre 21 a 25 graus de dia e entre 15 e 17 à noite, saiba que está nos valores recomendados para ter um sono melhor e ativar o metabolismo.

por Contas Connosco

Exposição de Isidro Rodrigues "Máscaras Rituais da festa dos rapazes de Aveleda - Bragança", no Museu da Máscara.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Sendim deu a conhecer o Cartaz dos Solstícios e as Jornadas Culturais

DOR

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas..."

Um sol que se apaga na palidez da pele,
Uma dor que rasga o grito.
Uma febre que rompe a memória.
Uma balada de lágrimas,
que lava a cegueira dos sonhos.
Um corpo roto, uma história!
Uma torre de cinzas a desmoronar
Uma dor submersa,
nas profundezas do ser!
Um gemido a germinar!
Uma dor…
Um terço,
Uma incrédula oração,
nas mãos a rezar…
Um céu aveludado
Um Deus cansado
Um anjo fugido,
que prometeu vir-me salvar.
Promessas…
Que importa?
Vida ou morte, não interessa
Mais tarde ou mais cedo tem que acontecer
Um dia tem mesmo que chegar.

Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.

Participei nas colectâneas:
POEMA-ME
POETAS DE HOJE
SONS DE POETAS
A LAGOA E A POESIA
A LAGOA O MAR E EU
PALAVRAS DE VELUDO
APENAS SAUDADE
UM GRITO À POBREZA
CONTAS-ME UMA HISTÓRIA
RETRATO DE MIM.
ECLÉTICA I
ECLÉTICA II
5 SENTIDOS
REUNIR ESCRITAS É POSSÍVEL – Projecto da Academia de Letras Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina
Livros editados:
-O ROSEIRAL DOS SENTIDOS
-SUSPIROS LUNARES
-DELÍRIOS DE UMA PAIXÃO
-ENTRE CÉU E O MAR
-UMA ETERNA MARGARIDA

A Feira da Caça e Turismo fechou as portas da XXIII edição, em Macedo de Cavaleiros

Santalha, no concelho de Vinhais, já tem a igreja requalificada

Nós Transmontanos, Sefarditas e Marranos - FRANCISCO MARCOS FERRO (N. TORRE DE MONCORVO, C.1655)

Em meados do século XVII, uma das famílias hebreias mais consideradas em Moncorvo era a de Pedro Marcos Ferro, casado com Branca Gomes.(1) A maioria dos parentes de Pedro viviam em Chaves e Lebução,(2) enquanto a parentela de Branca se foi de Vila Flor para Viseu.

Pedro fora casado em primeiras núpcias com uma mulher que não identificamos, que lhe deu um filho chamado Lopo que foi casar e morar em Faro, dedicando-se ao comércio.

Branca Gomes, foi a segunda mulher de Pedro Ferro. Em determinada altura, o casal deixou Moncorvo e foi para Salamanca. E na universidade local se formariam dois de seus filhos: um em medicina e outro em leis. Regressados a Portugal, foram assentar morada em Pinhel, enquanto os filhos casavam e se dispersavam. Vejamos:

Lopo Marcos Ferro, médico, casou com Leonor Pereira e foi estabelecer-se na cidade algarvia de Tavira.

O filho Diogo Vaz Faro, foi grande mercador na cidade do Porto, essencialmente dedicado ao negócio do tabaco. Era casado com Isabel Henriques, de Vila Flor, filha de Vasco e Mécia Fernandes.(3)

Francisco Marcos Ferro, advogado, nasceu por 1655, em Moncorvo. Estudou na universidade de Salamanca e casou com Maria Henriques, irmã da citada Isabel Henriques. O casal cedo se mudou para Viseu e, por 1694, foram para o Porto.

Entre a elite da burguesia Portuense, Francisco Ferro ocupava um lugar cimeiro e tudo parecia correr de feição quando, em 22.10.1698, a inquisição de Coimbra decretou a sua prisão.(4) E enquanto ele recolhia à cadeia, a mulher e os filhos e muita parentela sua, de Chaves, Lebução, e outras terras, procurou os caminhos da fuga, embarcando no navio Nª Sª la Coronada, com destino a Livorno, em Itália. Porém, escalando o porto de Cádis, foram presos pela inquisição de Espanha.(5)

Quando o prenderam tinham acabado de chegar ao Porto os barcos da frota da carreira do Brasil. E neles vinham mercadorias para o Dr. Ferro. Vejam:

— 211 arrobas de açúcar (mais de 3 toneladas!) que valiam uns 330 mil réis; 39 arrobas de carvão, no valor de 140 ou 150 mil réis; 10 arrobas de pau cravo avaliadas em 30 mil réis; 24 moios de solas, que valiam 30 mil réis.

Refira-se que estas mercadorias vinham em diversos navios e à responsabilidade de várias pessoas que, naturalmente, ganhavam a sua comissão e para o Brasil tinham levado mercadorias do mesmo Ferro para vender. Vejam que tipo de mercadorias:

— Espingardas, mosquetes de pederneira e morrão, espadas, adagas, chapéus, facas marinheiras, meias de lã, mantos de seda, panos de peneiras, cachimbos…

Muitos destes produtos eram importados, nomeadamente de Holanda e para as bandas do Norte o Ferro exportava principalmente azeites, em ligação com seu cunhado Manuel Henriques Lopes.(6)

Advogado… mercador… Francisco Marcos era também rendeiro e trazia arrematadas as rendas do morgadio de Moçâmedes, da abadia de Queirã e da Misericórdia de Viseu…

Do inventário de bens, destaque para o preço de um “vestido de primavera” que comprou para uma filha por 50 mil réis e para a sua livraria avaliada em 70 mil réis, constituída por livros de “direito e ordenação” e os 5 livros do Pentateuco.

Foi denunciado por seu primo Francisco Rodrigues Brandão e pelos amigos António e Alexandre Mesquita, todos naturais de Vila Flor e moradores em Viseu.

Outras denúncias chegaram do Porto, em sumário feito pelo deputado da inquisição D. Tomás de Almeida, em 1692. Uma das testemunhas ouvidas neste sumário declarou o seguinte:

— Disse que sabe que Francisco Marcos Ferro, Diogo Vaz Faro e Manuel Henriques Lopes, que são cristãos-novos, e eles o não negam, e Diogo Vaz Faro disse que eles eram mais honrados e que todos os mais eram uns manganos mestiços.

Ter-se-iam estes 2 irmãos e seu cunhado por “mais honrados” que os outros cristãos-novos? A verdade é que, em 12.5.1701, Pedro Furtado, seu companheiro de cela na cadeia de Coimbra, se apresentou perante o inquisidor Mascarenhas de Brito contando que ouvira Marcos Ferro falar de si mesmo nos seguintes termos:

— Disse que ele, Francisco Marcos Ferro, era descendente da Real Casa de David e estimava muito ser cristão-novo inteiro e os que não eram cristãos-novos inteiros eram mestiços, vis e baixos, e que lhe fazia grande injúria quem com eles o comparava.

Esta declaração foi confirmada por outro companheiro de cela, chamado António da Fonseca dizendo que “ele se prezava muito de ser judeu, descendente da tribo de David”. Mais tarde, houve desentendimentos graves entre o Ferro e o Furtado, sendo este mudado de cela. Para o seu lugar foi Domingos Pires. E estas foram 3 testemunhas que contra Francisco Marcos acrescentaram um rol de denúncias.

Desde logo foi acusado de dizer que Cristo não era o Messias prometido, antes era o Anticristo que, em vez de “congregar o povo santo”, viera separá-lo; que nele se não cumpriram as profecias e por isso os teólogos e doutores da Lei o não reconheceram e nele só acreditou “a gente popular ignorante e gentia”.

Com muitas citações da Bíblia, disse que se a tribo de Judá se dispersara pela Sefarad, e que 9 tribos e meia foram para a terra de Assaret, que fica para além dos desertos e está defendida por um rio de pedras que estão sempre a bater umas contra as outras. E com argumentos tirados dos livros dos Profetas, afirmava que o Messias viria no ano de 1708, em que as 12 tribos se juntariam e reconstruiriam o templo de Jerusalém. E, citando o Bandarra, dizia que “nos três que vêm o reo haverá açoites e castigo”, referindo-se aos 3 inquisidores, que ele classificava como “os ministros da crueldade”, que prendiam para roubar os bens dos prisioneiros. E agora veja-se uma esta denúncia do mesmo Pedro Furtado:

— Disse que o santo ofício não prendia ninguém senão por herege, e que a ele réu faziam grande injúria os que o tinham por herege, dando a entender que não fora batizado (…) mas que era circuncidado.

Obviamente que logo os inquisidores mandaram os médicos examinar, concluindo estes que não havia qualquer sinal de circuncisão.

Aquelas foram apenas algumas das heresias apontadas pelos três companheiros de cárcere, das quais Francisco Marcos Ferro (através do seu procurador) soube defender-se muito bem, conseguindo provar que aqueles três homens não mereciam qualquer crédito, que eram padres e que puxavam por ele conversas acerca das Escrituras, que depois deturpavam, e sendo ele cristão-novo e estando preso por judeu não era crível “que se declarasse com os ditos padres e lhes confessasse o que era (…) pelo que se deve julgar que os testemunhos dos ditos padres não são capazes de fazerem prova”.

Na verdade, Pedro Furtado nem sequer se chamava assim, pois o nome verdadeiro era Manuel Carvalho. E entre eles houvera grandes desavenças, ameaçando Francisco que o “havia de açoitar e meter num alguidar”.(7) Este padre era natural de Serpa, cura da igreja de Sambade, filho de António Machado, familiar do santo ofício. Foi preso por sodomia e se fazer passar por mulher.

O padre António da Fonseca, natural de Amarante, morador em Midões, viveu em Coimbra a maior parte do tempo. Dele faria o conservador da universidade o seguinte retrato: “embusteiro, fingido e suspeito da nossa santa fé”, e o escrivão de Santa Cruz o considerava “teólogo de larga consciência” cujas “práticas e conversações eram sempre picantes”.(8)

O padre Domingos Pires era natural de Soutelo Mourisco, Vinhais, pároco de Bouzende, junto a Bragança. Foi preso porque andava amancebado com uma moça e pedia aos fregueses que a “venerassem por santa”.(9)

Na defesa de Francisco surgiu entretanto um contratempo: o seu procurador abandonou o processo dizendo que “lhe parecia que este se defendia maliciosamente e entendia que ele era judeu (…) pelo que entendia do modo e dizer do dito réu ser este fino judeu”.

Apesar disso, a pena de Francisco, lida no auto-da-fé de 18.12.1701, foi relativamente leve: abjuração, cárcere e hábito a arbítrio e 60 mil reis para despesas do santo ofício.

Notas:

1 - Branca Gomes era filha de Francisco Rodrigues Brandão e Isabel Gomes, que foram morar para Viseu.

2 - Neste ramo da família ligado ao Dr. Manuel Mendes, contam-se vários médicos, formados também por Salamanca.

3 - Inq. Coimbra, pº 9984, de Vasco Fernandes Lopes, o Malrasca; pº 2439, de Mécia Fernandes; pº 10572, de Isabel Henriques.

4 - Idem, pº 6198, de Francisco Marcos Ferro.

5 - ANDRADE e GUIMARÃES – Jacob (Francisco) Rodrigues Pereira Cidadão do mundo, Sefardita e Marrano, pp. 89 – 99, ed. Lema d´Origem, Porto, 2014.

6 - Inq. Coimbra, pº 8521, de Manuel Henriques Lopes. Quando foi preso estava carregando um barco de azeites no porto da Figueira da Foz.

7 - Inq. Coimbra, pº 7622, de Pedro Furtado.

8 - Idem, pº 10318, de António da Fonseca.

9 - Ibidem, pº 3011, de Domingos Pires.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães

AH! GRANDE CÃO DE GADO TRANSMONTANO

Olá gentinha boa e amiga!

Estamos a findar o mês de Janeiro e nestes últimos dias o vento também apareceu e fez com que as temperaturas máximas e mínimas subissem, embora o povo diga que quando há vento nunca há bom tempo.

A tia Lavínia, com 90 anos, de Paredes (Bragança), sogra da minha cunhada Elsa, contou-me que se lembra, desde criança, de ouvir dizer aos mais antigos que depois do 20 de Janeiro anda o São Sebastião com uma cajata a mandar embora o nevoeiro. Certo é que a partir desse dia o nevoeiro desapareceu. O santo fez a parte dele. A nível agrícola há pouco que fazer, porque ainda é cedo na opinião de alguns. Outros há que já andam na limpa das oliveiras. Durante estes dias de Janeiro quase toda a gente está na cama até que acabe o programa. Muita da nossa gente também anda gripada.

Na passada quarta-feira constatámos ser assim, porque das 26 participantes, 18 disseram-nos que estavam “arrampanados” com a gripe. Por isso mesmo, a tia Bininha, de Carrazedo de Montenegro (Valpaços), ligou a aconselhar à família o consumo de tangerinas nesta altura do ano, porque são um bom remédio que ajuda a prevenir a gripe.

A vida é feita de alegrias e tristezas. Vamos começar pelas tristezas, dando conhecimento do falecimento da tia Elisa Rodrigues, irmã do Jorge Rodrigues, que nos liga da Alemanha, partiu aos 60 anos, ela que foi nossa companheira em algumas viagens e minha vizinha durante alguns anos. Os sentimentos à família enlutada e que em paz descanse a sua alma. Ao nível das alegrias, estiveram de aniversário, na última semana, a tia Glória (71), de Ludares (Vila Real); o tio Isolino (69), de Barqueiros (Mesão Frio); o tio Abílio Cruz (62), de Santo Estêvão (Chaves); a tia Austelina (75), de Horta da Vilariça (Torre de Moncorvo) e a tia Maria da Conceição (55), de Uva (Vimioso). Muitos parabéns e mais anos de vida na nossa companhia.

Agora vamos falar-vos do Cão de Gado Transmontano, que teve mais um concurso na 4.ª Feira Rural de S. Julião (Bragança).

No passado sábado mais uma vez me senti em casa pois já me considero da Lombada, onde estou casado há quase 28 anos e, pelo terceiro ano consecutivo, estive em directo, das 6 às 10 da manhã, desde S. Julião, na promoção da 4.ª Feira Rural da Terra e da Gente da Lombada.

Esta feira também serve todos os anos para que as pessoas da freguesia possam mostrar o que de melhor produzem, sejam produtos agrícolas ou de artesanato, que aproveitam para comercializar neste evento. Como esta é uma feira rural, desde o primeiro ano que se apostou na realização de concursos, como o de Ovinos da Raça Churra Galega Bragançana e o de Cão do Gado Transmontano.

Também se realizaram duas montarias ao javali, uma na quinta-feira e outra no Domingo, dia em que foram abatidos 32 javalis.

No sábado teve lugar a chega de touros, com cinco lutas, uma das quais demorou mais de 35 minutos. Neste dia, da parte da manhã, também se realizou uma caminhada rural.

Domingo foi um dia repleto de desporto. Realizaram-se provas de trail e BTT. Contam os locais que nunca se viu tanta gente na Lombada.

Em conversa com os nossos amigos pastores chegamos à conclusão que quase todos têm pelo menos um cão de gado transmontano, pois segundo diz o povo “perdido é o gado onde não há cão que o guarde”. Os cães desta raça são apelidados de “atletas de todo o terreno”, pois estão aptos a fazer grandes distâncias por terrenos muito acidentados como são os da nossa região. São cães de um dono só, que adoram meiguices, embora não sejam delicados. São ciumentos e possessivos e gostam muito de andar em liberdade.

A média de vida destes cães é de 12 anos e o seu peso médio é de 60 quilos. Uma das suas grandes características tem a ver com o seu tamanho, pois serve para impor respeito quando os lobos tentam atacar o rebanho, nunca se esquivando ao confronto com aqueles predadores e casos já houve em que lutaram até à morte.

O tio Delmino, de Grijó (Bragança), disse-nos que neste momento tem dez cães de gado transmontano. Já a nossa tia Antónia, pastora de Rio Frio (Bragança), nunca sai com o gado sem os seus cinco cães.

Tio João
in:jornalnordeste.com

Detidos por fogo posto a contentores do lixo

O Comando Territorial de Bragança, através do Posto Territorial de Alfândega da fé, deteve esta segunda-feira à noite, em flagrante delito, dois homens de 33 e 46 anos, por atearem fogo a sete contentores do lixo na via pública, em diferentes pontos daquela localidade.
"Pelas 20:30, a GNR recebeu a comunicação de que estariam vários contentores do lixo a arder, tendo de imediato sido efetuada uma operação policial, no sentido de localizar os seus autores, o que acabou por acontecer cerca das 22 horas. Os suspeitos foram detidos, em flagrante, quando se preparavam para incendiar o sétimo contentor", explicou aquela força de segurança, em comunicado.

De acordo com a mesma fonte, os indivíduos, com recurso a um isqueiro, incendiavam papéis e colocavam-nos no interior dos contentores, facto que para além dos danos causados, provocaram algum alarme social.

Nesta ação estiveram ainda empenhados militares da estrutura de Investigação Criminal do Comando Territorial de Bragança.

Após terem sido presentes esta terça-feira ao Tribunal Judicial de Macedo de Cavaleiros, cada indivíduo ficou sujeito ao pagamento de uma multa de 900 euros à Câmara Municipal de Alfandega da Fé e a 120 horas de trabalho comunitário.

AGR
in:mdb.pt

Mentor da lei apela a políticos para que ajudem a promover a língua

O antigo deputado Júlio Meirinhos, conhecido como mentor da chamada Lei do Mirandês, apela à classe política para que promova a segunda língua oficial em Portugal, não de forma "folclórica", mas criando um debate sério em torno da temática.
Apesar do reconhecimento oficial, com a publicação em Diário da República em 29 de janeiro de 1999, o mirandês continua "a não ter um enquadramento institucional adequado", sendo preciso ir mais além, em processos como a assinatura da Carta Europeia das Línguas Minoritárias (CELM) ou no ensino, onde há muito tempo estas ações são reclamada por autarcas, estudiosos, linguistas e falantes.

Em entrevista à agência Lusa, Júlio Meirinhos defende que o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) tem um papel "importantíssimo" para que esta língua seja reconhecida no Conselho da Europa.

"Há coisas que os particulares não conseguem fazer. Mas terá de haver entidades estatais que apoiem a segunda língua oficial em Portugal, que foi aprovada por unanimidade através da Lei n.º 7/99 na Assembleia da Republica, para que esta secular forma de comunicar prevaleça no futuro", vincou o também antigo presidente da Câmara de Miranda do Douro.

No que respeita à CELM, há 35 princípios mínimos que cada signatário do documento terá de cumprir na área da educação, administração local, justiça, media, vida económica, relações transfronteiriças ou cooperação institucional.

Dos 47 estados-membros do Conselho da Europa, 22 não assinaram a CELM, não sendo um ato obrigatório.

Por outro lado, Júlio Meirinhos endereçou uma mensagem ao secretário de Estado para a Valorização do Interior, defendendo que há muito por fazer no interior, sendo precisa uma atuação "séria" junto do MNE.

"Nós precisamos como de pão para a boca que esta nova secretaria de Estado interceda junto do MNE e do Governo, já que a assinatura da CELM iria ajudar-nos a aceder a fundos comunitários para que possamos fazer projetos permanentes para a divulgação da língua mirandesa a todos os níveis. É este é um desafio que eu deixo ao senhor secretário de Estado, João Catarino, que pegue em algo que não vai endurecer a carga fiscal dos portugueses", enfatizou Júlio Meirinhos.

O antigo deputado socialista salienta que este mecanismo de reconhecimento como a CELM seria importante para que o mirandês fosse reconhecido fora de portas, sendo uma língua que se fala há mais de 800 anos.

"O mirandês não regrediu, devido ao esforço das instituições locais tais como a Câmara Municipal, o Agrupamento de Escolas, a Associação de Língua e Cultura Mirandesa e dos falantes, que têm uma vontade férrea, para que o mirandês não se perca. Contudo é preciso uma um apoio do exterior para que a ‘lhégua' se mantenha viva", afiançou Meirinhos.

Se o futuro apresenta algumas incertezas, há 20 anos o reconhecimento do mirandês trouxe um novo alento a esta que se tornou na segunda língua oficial em Portugal.

"É preciso uma discriminação positiva e dar passos certos como se fez há 20 anos", vincou Júlio Meirinhos.

Júlio Meirinhos lembrou que, em 1882, o filólogo José Leite de Vasconcelos clamava uma lei de proteção para o mirandês.

"Houve muitos caminhos a percorrer até à oficialização do mirandês. Não foi tarefa fácil, mas conseguiu-se", concluiu aquele que é tido como o "pai" da segunda língua oficial em Portugal.

Miranda do Douro assina protocolo para cumprir Carta de Línguas Minoritárias

O município de Miranda do Douro vai avançar com a assinatura de um protocolo com a Associação de Língua Mirandesa para cumprir os 35 princípios da Carta Europeia das Línguas Minoritárias, disponibilizando 25 mil euros para tal.

"A partir do momento em que o protocolo seja assinado, pretendemos que Portugal fique com todas as garantias formais para proceder à ratificação da Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias (CELM) e assim dar um novo impulso ao mirandês", disse à Lusa o presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Artur Nunes.

O autarca salientou que com a assinatura deste protocolo serão elaborados um conjunto de documentos para endereçar aos diferentes ministérios ligados ao processo, como é caso dos Negócios Estrangeiros, da Educação e da Justiça.

A presidente do Comité de Peritos para as Línguas Minoritárias havia defendido, em Miranda do Douro, no distrito de Bragança, que Portugal reúne as condições necessárias para a assinatura da CELM.

Contactado pela Lusa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros avançou que Portugal respeita, no essencial, a substância da CELM sem que haja vinculação do Estado português à mesma.

"O Secretário Executivo da Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias foi aliás convidado pelo Presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro a visitar a região em dezembro 2017, visita que teve todo o apoio das autoridades portuguesas", vincou fonte oficial do MNE.

Segundos os representantes da Associação de Língua e Cultura Mirandesa (ALCM), foram avaliados os 35 princípios mínimos da CELM com que Portugal tem de se comprometer.

Cada signatário do documento terá de cumprir um número mínimo na área da educação, administração local, justiça, média, vida económica, relações transfronteiriças e cooperação institucional.

O protocolo entre a câmara e a ALCM deverá assinado na terça-feira, dia em que se cumprem 20 anos da publicação em Diário da República do “Reconhecimento oficial de direitos linguísticos da comunidade mirandesa”.

O documento promete, igualmente, ajudar a certificar os professores de língua mirandesa para lecionar a disciplina de Língua e Cultura Mirandesa ou a alteração da flexibilidade curricular, para evitar que todos os anos seja necessária uma autorização especial do Ministério da Educação.

Adicionalmente, pretende-se estabelecer um conjunto de compromissos científicos com diferentes universidades portugueses e estrangeiras, entre outras propostas.

A ideia da assinatura do protocolo com ALCM passa "por reforçar o papel do mirandês, como língua minoritária, para que seja cada vez mais protegidas em Portugal e no mundo".

Por seu lado, o Ministério da Educação validou a oferta de mirandês, legitimando o seu enquadramento no currículo, no contexto da autonomia e flexibilidade curricular.

"Tem sido garantida à escola a possibilidade de selecionar os seus professores através de mobilidade", acrescentou fonte do Ministério da Educação.

Do lado dos responsáveis da ACLM, a criação de um "grande portal" utilizando as novas plataformas de comunicação seria uma forma de levar o mirandês cada vez mais longe, e ao mesmo tempo transformá-lo numa referência para estudantes, investigadores, falantes ou até mesmo não falantes, para que possam aprender esta forma de comunicar.

"No que toca ao mirandês, uma das necessidades mais urgentes será a criação de um portal que possa disponibilizar informação sobre esta língua. Ou seja, um sítio onde tudo que esta relacionado com a língua mirandesa, possa ser consultado livremente, por todos os interessados nesta temática", indicou o presidente da ACLM, Alfredo Cameirão.

Agência Lusa

O protocolo "Portugal a Nadar" traduz-se na formação de técnicos de natação para aumentar a qualidade do ensino da modalidade

A capital do fumeiro recebe mais uma edição do certame

Memórias da RTP - 1991-09-25 - Delegação da RTP em Bragança

Nova delegação da RTP em Bragança é inaugurada com a presença de Fernando Rocha, do Conselho de Administração e José Eduardo Moniz, director do Canal 1.
Clica na imagem para aceder ao video

Roteiro dos sabores fumados de Trás-os-Montes

Em pleno inverno, a região celebra um santo popular do verão, chamando "São João das chouriças" à sucessão de feiras dedicadas ao fumeiro. De Chaves a Vinhais, Montalegre e Bragança, são oportunidades para provar os melhores presuntos e enchidos de porco bísaro e iguarias da região, como mel, folares e pão.

Toda a gente sabe o que é uma alheira, que é um enchido de carne e gordura de porco, misturada com carne de aves (ou de caça, vaca, salpicão ou presunto envelhecido), pão de trigo, azeite e banha, condimentados com sal, alho, colorau e, por vezes, picante. Poucos sabem, no entanto, que só a de Mirandela tem direito a certificação regional, e apenas se for feita com porco de raça bísara (de criação circunscrita aos distritos transmontanos, Bragança e Vila Real, magro, de pernas altas e orelhas pendentes, bem diferente do roliço alentejano) pelo menos a 50%, eventualmente cruzado com as raças Landrace, Large White, Duroc e Pietrain.

E sabe o que é o butelo, habitualmente servido com casulas (cascas de feijões secas, demolhadas e cozidas), que a tradição, em Bragança, manda comer por altura do Carnaval, essa festa que na região assume uma identidade particular, assente nos coloridos caretos de máscaras narigudas? Nada mais que um enchido artesanal, envolvido pela bexiga ou pelo bucho do porco e recheado de ossinhos do espinhaço e das costelas, com carne agarrada.

Estas e muitas outras informações, além de exemplares de alta qualidade, para degustar e comprar, estarão à disposição de quem, até março, partir à descoberta dos sabores transmontanos nas sucessivas feiras de fumeiro que a região promove anualmente por esta altura, com o intuito de mostrar o que nela melhor se faz e recebendo milhares de curiosos e apreciadores dos seus enchidos artesanais fumados, que atualmente representam um volume de negócio de 50 milhões de euros por ano, só em quatro concelhos transmontanos: Mirandela, Vinhais, Montalegre e Boticas.

Foi precisamente em Boticas que começou a rota dos fumeiros de Trás-os-Montes, com a Feira Gastronómica do Porco, que decorreu de 11 a 13 de janeiro, "importante fonte de receita para o concelho", segundo o seu presidente da câmara, Fernando Queiroga, onde se elegeu a melhor chouriça e melhor salpicão num certame com 39 produtores.

Ainda nas terras frias de Trás-os-Montes, em pleno planalto barrosão, no sopé da serra do Larouco, destaca-se outro certame, que se autointitula "a feira-rainha do fumeiro" e popularizou o slogan "São João das chouriças" graças às cerca de 50 toneladas de chouriças, chouriços, farinheiras, alheiras, sangreiras (enchidos de sangue), pás, pés, barrigas, salpicões e presuntos, tudo fumado com os aromas de lenha seca da melhor estirpe, que costuma ter à venda: é a de Montalegre - que se realiza de 24 a 27 de janeiro, como de costume no Pavilhão Multiusos da vila onde estão sediados os irmãos Gonçalves, criadores dos vinhos Mont'Alegre, que muito têm feito pela reputação do vinho transmontano.

Trata-se de uma "montra do mundo rural" - da apicultura à panificação, em que o pão de centeio é ex-líbris -, que injeta cerca de 2,5 milhões de euros na economia local, entre o negócio dos produtores de fumeiro e o comércio, restauração e hotelaria.

Não é de subestimar, mas também não vale a pena entrar em depressão se não conseguir conciliá-la com a sua agenda: logo no fim de semana seguinte, de 1 a 3 de fevereiro, e sem sair do distrito de Vila Real, também há feira em Chaves (onde aos enchidos se junta o famoso presunto, o pastel, o folar e outros artigos de panificação), enquanto em São João de Corveira, no concelho de Valpaços, a mais modesta Feira de São Braz, que se realiza há 200 anos, junta ao negócio de fumeiro, o artesanato, a animação musical e até as chegas de bois (lutas de toiros, também com lugar de destaque em Montalegre).

Já no distrito de Bragança, impõe-se a Feira de Fumeiro de Vinhais, vila envolvida pela serra da Coroa e nobres castanheiros, de onde vêm os frutos de primeira qualidade que alimentam os suínos - por aqui chamados leitões, laregos, farrôpos e marranchos -, matéria-prima de enchidos de exceção, certificados com Indicação Geográfica Protegida (como as alheiras de Mirandela), entre chouriços azedos e chouriças de carne, bofe, sangue ou doces, salpicões, presuntos e alheiras. Decorre em fevereiro, com grande sucesso, desde 1981, este ano de 7 a 10.

Nas terras frias, Bragança fecha as festas com o Festival do Butelo e das Casulas, que coincide com o Carnaval dos Caretos: de 1 a 3 de Março, a cidade celebra de uma assentada - na Praça Camões, por três dias - o melhor da gastronomia e da cultura da região, incluindo ainda folclore e artesanato.
Finalmente, a 2, 3, 9 e 10 de março - sem sair de Trás-os-Montes, mas entrando já pelas terras quentes (abaixo dos 600 metros de altitude e com um microclima de verões abafados e escaldantes) - é a vez de Mirandela celebrar a sua famosa alheira numa feira que abrange os restaurantes da cidade e alia os enchidos a outros produtos típicos do concelho, dos queijos aos vinhos, azeites, compotas, cogumelos, mel e pão.

Feira de Fumeiro de Montalegre
24 a 27 de janeiro, Pavilhão Multiusos: 5.ª, 17h-2h; 6.ª e sáb., 10h-2h; dom., 10h-20h

Sabores de Chaves
1 a 3 de fevereiro, Pavilhão Municipal: 6.ª, 14h-24h; sáb., 10h-24h; dom., 10h-20h 

Feira de São Braz
2 e 3 de fevereiro, no centro da aldeia de São João da Corveira, Valpaços: sáb., 20h-24h; dom., 10h-20h

Festival do Butelo e das Casulas
1 a 3 de março, Praça Camões, Bragança: 6.ª a dom., 10h-20h 

Feira do Fumeiro de Vinhais
7 a 10 de fevereiro, centro de Vinhais, Pavilhão Fumeiro: 5.ª, 14h-19h; 6.ª a dom., 10h-20h

Feira da Alheira de Mirandela
2-3 e 9-10 de março, Parque do Império, Mirandela: sáb. e dom., 10h-20h

Revista Sábado

O MEL TURÍSTICO E A REGIONALIZAÇÃO

Afigurava-se-lhe que o seu currículo, até ali, demonstrava amplamente ser o candidato mais bem preparado para suceder ao detido Merlchior Moreira, no blasonado cargo de Presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal. Afigurava-se-lhe que a hegemonia da «sua» família socialista o iria apoiar e proteger de modo o exame eleitoral ser mero pró-forma, um aperitivo de vinho fino antes do suculento jantar de entronização. Raciocinava, era certo, que ninguém está na cabeça dos outros, ele próprio sabia quão volátil é palavra dada no circuito político, muitas recordações desse género guardava desde o seu primeiro mandato enquanto Presidente da Câmara de Miranda do Douro, benjamim posteriormente condecorado por Ramalho Eanes. Adiante!

Intensas e mastigadas palavras nos bastidores acordaram-no do sonho, avisaram-no da existência de outro candidato saído da mesma família, escorado na génese portuense, enfunado pela brisa do litoral, podendo reivindicar costado bragançano. E o currículo lembrou o sevilhano mirandês? Ora, o currículo! O rival foi deputado oriundo da Jota, coevo de Jamila Madeira, dele os anais parlamentares não rezam nada de relevante, ficaram as incursões nocturnas, no presente exerce burocraticamente um cargo na Torre dos Clérigos, estando a ler o dicionário e manuais de economia turística. Um espanto!

O transmontano sentiu um amargor a amolecer-lhe os cantos da boca, consequência de não ter sabido granjear outros esteios a sustentarem a sua propositura. O acontecido era grande culpa dos outros sem dúvida, mas também culpa dele e de quem lhe disse serem favas contadas. Saiu-lhe a fava, preta, favas tenras, verdinhas só na Primavera.

O Dr. Júlio Meirinhos teve de aceitar um lugar sem lustre num órgão consultivo, daqueles onde se colocam comendadores ao modo de jarrões de várias qualidades de louça, desde a porcelana ao barro de Pinela.

Lastimo este desfecho para o antigo membro do Leal Senado de Macau e Governador Civil de Bragança.

Este exemplo, mais um, cimenta a minha velha e firme recusa da regionalização a qual é muito querida nas bandas da Comissão Coordenadora e Desenvolvimento do Norte, cujo Presidente tal como Luís Braga da Cruz vê na dita regionalização a fórmula mágica capaz de num ápice resolver os problemas existentes no Porto e arredores, tal como Astérix derrubava romanos depois de ter tomado o xarope do druida.

O senhor professor Sousa tem todo o direito em erguer o pendão do regionalismo muito distante do outrora defendido pelo sincero amigo da sua região, refiro-me a Ferreira Deusdado, eu também ainda tenho o direito a defender posição contrária porque não sou do Norte, sou de Trás-os-Montes, parafraseando o meu saudoso amigo Afonso Praça.

Se tivermos em linha de conta as afirmações do Presidente da Câmara do Porto logo verificamos a sua disposição tentacular no princípio para o Porto tudo, para os vizinhos as migalhas, os acima de Baltar, nada. O senhor professor Sousa não navega em águas muito diferentes das do Dr. Rui Moreira, por tacitismo e realidade territorial procura atrair os autarcas do Nordeste, já os beira Douro é uma questão de pormenor, recentemente o município da Carrazeda de Ansiães transferiu-se dando a ideia de não estar só nesse propósito. Razão tinha o almocreve ao exclamar – onde há lúcaros, não há escrúpalos! – , por assim ser, repito o escrito durante a campanha do referendo: “os nordestinos ganham mais tendo como tutela o Terreiro do Paço, do que a Torre dos Clérigos”.

Enquanto do Professor Marcelo professar as dúvidas professadas no decurso de referendo estou descansado, o Senhor Professor Sousa terá de continuar a gritar até ficar rouco, o problema reside na possibilidade de o Presidente da República se converter tal como Rui Rio está (quase) convertido.

Eu sei, nós sabemos, da gula alfacinha, gula aumentada dada a insegurança e custo de vida noutras cidades europeias, apesar da voracidade lisboeta nós, os do interior, das serranias, do gelo, do fumeiro, dos lameiros primaveris, do Estio tórrido, do fumeiro, do folar, das trutas de pinta vermelha, os vindos do «reino maravilhoso», caso se interessem conseguem fazer medrar os seus direitos no seio da burocracia estatal. Inúmeros exemplos o atestam.

Os Nordestinos têm o dever de afirmarem a singularidade de terem chegado à capital desprovidos de padrinhos, de capital, de penduricalhos reluzentes, disfarçaram a pobreza estudando, afirmando-se, dizendo o evidente – podemos andar de socos, mas não somos brutinhos –, depressa demonstraram as qualidades de poderem ser burros, nunca de jericos. Entendem caríssimos capatazes do Porto?

Várias vezes, nestas colunas, critiquei Melchior Moreira, a crítica residia no facto de o antigo deputado privilegiar a «aulazinha» dos tempos de S. Bento em detrimento do Nordeste, na dele contava o litoral dos votos, o rio do vinho generoso e as arribas fronteiriças. Saiu sem honra e glória.

O noviço Presidente pode ribombar feliz e contente, porém não se esqueça de Marco Aurélio e a efemeridade da glória. Trago a terreiro Marco Aurélio porque os seus comentários filosóficos continuam na ordem do dia, caso queira conselhos acerca da política turística faça o favor de rumar até Delfos, o oráculo continua difuso e intrigante.



Armando Fernandes
in:jornalnordeste.com