quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Trabalhadores da saúde em greve… pelo mesmo

Esta sexta-feira, os profissionais da saúde voltam a estar em greve.
A falta de pessoal ao serviço e igualdade das condições de trabalho continuam a ser as principais reivindicações, que em greves anteriores não foram minimamente satisfeitas, afirma Orlando Gonçalves, Coordenador do Sindicato da Função Pública do Norte e membro da Comissão Executiva da Federação Nacional.

“Nada. Não mudou absolutamente nada. Nem chegamos a ser mais chamados para concluir aquilo que foi negociado, havia duas cláusulas sem acordo e a questão das 35 horas mantém-se.

Também reivindicamos o descongelamento de carreiras, embora seja algo que abrange mais áreas. Desde 2005 que há congelamento das progressões e promoções das mesmas, portanto, há já 12 anos.

Aumentos salariais, o último que nem sei se se pode considerar aumento, foi de 1,9% e já em 2009. Esta é uma situação transversal a toda a função pública.

Mas o que aqui está também a criar desconforto é que, a grande maioria dos trabalhadores da saúde, e não só, estão com o salário mínimo nacional, este que tem sofrido algumas atualizações, ao passo que os outros não.

Os primeiros três níveis remuneratórios da administração pública foram já ultrapassados pelo salário mínimo. Hoje, ganha tanto o trabalhador que entre agora como aquele que já lá está há 20 anos.”

Orlando Gonçalves aponta ainda para a necessidade de alterar a legislação que rege o INEM, questão que, diz, foi já denunciada ao Ministério da Saúde.

“Não sei o que o governo pretende fazer do INEM nem o que o próprio serviço está a fazer pois, um ano depois do decreto estar em vigor, a formação para os novos trabalhadores devia já ter acontecido ou estar, no mínimo, homologada. 

Colocar trabalhadores que vão para lá ganhar mais do que aqueles que já lá estão há 20 anos vai criar descontentamento e as coisas irão funcionar ainda pior.

Mas isso é um problema que só se resolve fazendo uma alteração à lei, colocando os trabalhadores que já lá estão há muitos anos no primeiro nível remuneratório. E isto seria o aumento de cerca de 45 € a cada um, nada de extraordinário, daí a não haver justificação para a situação atual. A necessidade de mais pessoas a trabalhar no INEM é tremenda.”

Em Trás-os-Montes é esperada uma forte adesão à paragem de sexta-feira, que se tem notado crescente de greve para greve.

“As greves na saúde têm andado na ordem dos 80% e 90% nos grandes centros, os hospitais ficam praticamente a funcionar só com os serviços mínimos. Na ULS Nordeste e no conjunto da zona transmontana, a adesão tem-se situado à volta dos 50% a 60%. É sempre um pouco abaixo da média nacional e da própria região Norte, mas tem sido cada vez maior.

Segundo as nossas perspetivas sindicais, baseadas na mobilização que fizemos e pelo trabalho sindical que temos feito para preparar esta greve, pensamos que, pelo menos, Vila Real e Chaves vão ter uma adesão bastante forte como aconteceu na anterior, onde em Chaves foi quase total.”



Ainda segundo o coordenador, para fazer face à falta de pessoal na área da saúde, é necessário, em todo o território nacional, contratar mais de 5 mil profissionais.

A greve vai ter início às 20h de amanhã e acaba às 8h de sábado, horário de início e fecho do primeiro e último turnos de dia 20, respetivamente.

Escrito por ONDA LIVRE

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