Desde 2009 que a Raça Churra Galega Mirandesa, originária do planalto mirandês e em risco de extinção, tem registado uma diminuição do seu efectivo. Preocupada com a situação, a Associação Nacional de Criadores de Ovinos de Raça Churra Galega Mirandesa (ACOM) alerta para a necessidade de promover o seu desenvolvimento e proteger a espécie. Alargar a produção desta raça de ovinos, reconhecida em 2012 pela Comissão Europeia como Denominação de Origem Protegida (DOP), é o grande objectivo.
Pamela Raposo, secretária técnica da ACOM, afirma ao Café Portugal que a intenção da associação é contribuir para o desenvolvimento e aumento do efectivo reprodutor da raça Churra Galega Mirandesa.
E explica porquê: «desde 2009 temos assistido a uma diminuição do número de animais de raça pura devido a multifactores, como a idade elevada dos agricultores, o abandono das áreas rurais e a tendência de aposta em animais de raças exóticas».
A raça, que se caracteriza pela sua elevada rusticidade e de pequeno porte, concentra-se nos concelhos de Miranda do Douro e Vimioso e «a ACOM gostaria de incentivar os concelhos vizinhos a explorar esta raça uma vez que ela tem características de grande adaptabilidade à região».
Actualmente existem 6500 fêmeas reprodutoras e 176 machos reprodutores, distribuídos por 45 criadores no concelho de Miranda do Douro e 12 criadores no concelho de Vimioso, informa Pamela Raposo, acrescentando que «existem depois sócios em Freixo de Espada a Cinta, Mogadouro, Vila Flor e Macedo de Cavaleiros com um número muito reduzido.
«São estes os concelhos que a ACOM tem intenção de divulgar e promover um aumento de animais de raça pura no futuro próximo», adianta.
Esta raça e os seus produtos «são de elevada qualidade e a carne dos cordeiros foi reconhecida em 2012 pela Comissão Europeia como DOP», recorda a responsável.
«Basicamente esta certificação garante a rastreabilidade do histórico do animal. É uma forma de garantir que o que chega ao prato do consumidor final tem associado todo um registo do sistema de exploração. Desde do maneio reprodutivo, alimentar e higiene sanitária. Já la vai o tempo em que os criadores produziam e o mercado fazia o resto. A ACOM e a ChurraCoop (Cooperativa de Ovinos Mirandeses) têm trabalhado no sentido de garantir essa segurança alimentar e de colocação deste produto no mercado nacional e internacional», acrescenta Pamela Raposo.
«Saber-fazer» como mais-valia:
Para a secretária técnica da ACOM, o aumento do consumo desta carne «tem uma relação directamente proporcional ao aumento de animais desta raça».
A ACOM através dos seus associados e da percepção do dia-a-dia no campo entendeu que os agricultores têm a capacidade do «saber-fazer», sabem produzir com qualidade e possuem os conhecimentos da raça, do maneio e da região em que se inserem. Onde eles têm maior dificuldade é no escoamento e promoção deste produtos, portanto a ChurraCoop tem como objectivo escoar através da procura directa de clientes, feiras e mercados internacionais.
A raça Churra Galega Mirandesa está classificada segundo a Direcção-Geral de Alimentação e Vetrinária (DGAV) como ameaçada por possuir um efectivo de 6500 fêmeas, avisa a técnica.
«Esta extinção tem a ver com os factores mencionados em cima (êxodo rural, procura de outras raças e aumento da idade dos criadores). A ACOM e a DGAV têm a finalidade de conservar esta raça num âmbito de melhoramento genético animal. Focamos a preservação da raça em garantir que os progenitores estão inscritos no Livro Genealógico de Adultos da Raça», sublinha.
E salienta que, com este trabalho, está garantido «o historial e paternidade do animal resultante de uma cobrição de animais explorados em linha pura. Os adultos são avaliados pela sua morfologia, padrão da raça e analise ao perfil genético».
A ACOM tem no terreno uma equipa de técnicos que são responsáveis pela preservação da raça. No fundo, os técnicos de campo «têm a função de desenvolver acções como inscrição no Livro de nascimentos, controlos de performances dos cordeiros nascidos e apoio técnico em geral, sanidade animal, recomendações alimentares, etc.», acrescenta a Pamela Raposo, lembrando que prestam um «auxílio mais próximo do criador, actualizam documentos e esclarecem dúvidas que possam existir de forma mais rápida».
A ACOM, sedeada em Miranda do Douro, além do programa de melhoramento genético animal, exerce a sua actividade promovendo concursos pecuários, participa em feiras gastronómicas e de agricultura, promove sessões de formação aos associados e trabalha em programas de trocas de carneiros.
Ana Clara; Fotos - Luís Cordeiro
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