No dia 22 de Fevereiro de 2004, teve lugar a inauguração, de um espaço de cultura e de lazer na aldeia de Podence – Macedo de Cavaleiros – que foi “baptizada” como “Casa do Careto”.
Os visitantes, que em qualquer altura do ano se deslocarem a Podence, vão poder encontrar um espaço que é dedicado ao mais famoso símbolo de actividade pagã do Nordeste Transmontano.
Onde outrora foi uma escola, hoje aprende-se tudo sobre as figuras enigmáticas e diabólicas que são os Caretos, enquadrando-se o visitante num mundo de cor e tropelias. Esta associação foi criada para não deixar morrer a história e a tradição.
A “Casa do Careto” aposta, ainda, na realização de eventos culturais e recreativos, enquadrados no roteiro turístico do Nordeste Transmontano é composta por uma sala de exposições permanente, uma vez que aí estão expostos todo o ano o espólio das figuras enigmáticas dos Caretos, tudo o que lhes pertence, as suas vestes, uma réplica de um tear que servia para fazer as mantas de lã para fazer depois os seus fatos, onde podemos observar e admirar algumas imagens captadas pelas máquinas fotográficas, que registaram os momentos mais divertidos da animação carnavalesca, alguns quadros pintados a óleo, que foram oferecidos por amigos e simpatizantes da casa do Careto tendo, como tema, o Careto e as suas diabólicas brincadeiras.
Em exposição estão também alguns quadros da pintora Graça Morais, que a Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros ofereceu à casa. Estão expostas outras obras de arte que foram oferecidas, por anónimos, e que se encontram na sala merecendo todo o apreço e consideração por quem as visita.
A casa do Careto serve também de sede ao grupo etnográfico que espalha o saber e a cultura da tradição e que é, actualmente, constituído por cerca de quarenta elementos, todos homens.
Homenagem feita aos Caretos de Podence por Paulo Raposo:“Interrompendo os longos silêncios de cada Inverno,
Como que saindo discretos e imprevisíveis dos recantos de Podence,
Surgem silvando os Caretos e os seus fonéticos chocalhos,
Bem cruzados, nas franjas coloridas de grossas mantas.
É tempo de Carnaval…
E os mascarados suspendem o tempo,
Como suspensos se encontram os enchidos no fumeiro,
Discretam a boémia, o riso e o excesso,
Como decretada está o seu inevitável e cíclico fim.
E no ano seguinte, tudo se repete nessas sortidas,
Imprevisíveis e nas “chocalhadas”,
Viris nas moças mais afoitadas,
Nas mulheres voluntariamente desatentas,
E nas velhas risonhas e nostálgicas.
A tradição carnavalesca é um palco, para a imaginação,
Fértil da memória em Podence,
E é também uma arte popular, cheia de caminhos por descobrir,
Tantos quantos a comunidade,
Que a imagina, for capaz de explorar,
E que emergem das montanhas do presente.
Foi justamente dessas vontades de construir,
Um património e criar cultura no presente,
Que nasceu a casa do Careto.
Que a sua porta dê para a rua…
Território onde moram definitivamente “os Caretos”.
Paulo Raposo, 2004 (registo de parede na Casa do Careto)
Mariana Especiosa do Rosário
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

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