Apesar de o fenómeno poder ser observado noutras zonas do país, Bragança, mais concretamente nas aldeias no coração do Parque Natural de Montesinho, é onde o fenómeno poderá ser observado na totalidade. Sendo esse o motivo que está a levar astrónomos, profissionais e curiosos à procura de alojamento na região.
“Já há mais de meio ano que estamos esgotados para o período de 10 a 12”, contou Alexandrina Fernandes, diretora do A.Montesinho, localizado na aldeia de Gimonde.
A responsável acrescentou ainda que essa altura é “uma epóca” que atrai muita gente ao território por “coincidir com as férias escolares”. Ainda assim, Alexandrina Fernandes confessa que desde que o eclipse foi noticiado “as pessoas, nomeadamente as que são da área técnica começaram a fazer reservas.”
“Além das casas também temos um parque de campismo rural e, nos últimos tempos, temos tido também reservas, também devido ao facto do alojamento tradicional estar esgotado. No parque campismo as pessoas podem pôr tendas ou caravanas e podem assistir ao eclipse”
Telmo Cadavez é propriétário do Cepo Verde. Para ele a grande diferença do mês de agosto dos anos anteriores foi a antecipação de marcações.
“Já começámos a notar desde janeiro. Porque nós até divulgámos em janeiro o próprio eclipse no nosso Facebook e noutros meios de comunicação e sentimos essa ocupação imediatamente”, disse, acrescentando que “esta ocupação excessiva ou total, foi antecipada, porque o mês de agosto, é por natureza, um mês de muita afluência e portanto houve aqui uma antecipação desse fenómeno. Uma antecipação e uma concentração em duas ou três semanas, ou até menos, dessa marcação. Porque o esgotar da capacidade ia acontecendo ao longo de abril, maio, junho para agosto”, rematou.
O empresário alertou ainda para as questões de transito e aproveitou para apelar ao bom senso. “As questões do tráfego é preocupante porque apesar da disponibilização de autocarros, muitas pessoas vão querer ir ao local pelos próprios meios. E, se todo este fenómeno se deslocalizou em reservas para Bragança e para concelhos limítrofes, não sei o que é que vai acontecer”, disse destacando que o objetivo não é alarmar, mas sim alertar para estas questões de transito.
“Tinha sido útil, e ainda estamos a tempo, de definir aqui mapa dentro do Parque do Montesinho. Por ser a área onde vai ser mais visível, e foi isso que foi propagado na comunicação social. Nós, já o fizemos e enviamos para todos os nossos hóspedes um mapa de vários pontos distribuídos nestas zonas.”
A correria aos alojamentos não se resume apenas às localidades situadas no Parque Natural de Montesinho. O fenómeno extendesse à cidade de Bragança. Flávio Gonçalves é empresário de hotelaria e restauração na região e conta que o fenómeno “ajuda no negócio.”
O empresário contou que as últimas casas que alugou foi “a pessoas que vêm de França de propósito e ficam três dias alojados na minha casa”, disse acrescentando que também vai ter um impacto na restauração.
“Obviamente que vai ter impacto um bocadinho em tudo, porque há uma necessidade das pessoas consumirem e de gastarem dinheiro, por isso é que vêm. Ou seja, o facto de virem ver o eclipse e virem ver o fenómeno permite que haja movimento económico dentro da cidade. Portanto, vai ter um impacto brutal para todos nós”, rematou o empresário.
A restauração também ganha
Muitos responsáveis da hotelaria lamentam que o fenómeno não ocorra, por exemplo, durante a epóca mais baixa. “É pena o eclipse ser em agosto e não ser na época baixa, mas também se calhar condições de visibilidade não seriam tão garantidas. De resto, sim agosto é sempre um mês de muita procura por nós”, disse Filipe Rodrigues.
Também Telmo, partilha a mesma opinião que Filipe Rodrigues. “Tenho pena que este fenómeno não exista numa época mais baixa, digamos assim, porque agosto é o mês de férias e de grande movimento e portanto, claro que beneficiámos com o projeção do fenómeno aqui em Trás-os-Montes, em Bragança. Mas em termos de ocupação não sei se estamos a ter diferenças para os anos anteriores.”
O que dizem os especialistas
Pedro Mota Machado, é astrónomo do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e Comissário Nacional para o Eclipse 2026, explicou durante a apresentação do Programa Nacional do Eclipse 2026, que “durante cerca de 26 segundos, a população da região do Parque Natural de Montesinho irá observar um eclipse total que revela a Coroa Solar”, isto é, a camada mais externa da atmosfera solar, visível a olho nu apenas em eclipses totais.
Por sua vez, a diretora executiva da Ciência Viva, Ana Noronha afirmou que “o ponto mais importante das observações é numa pequena zona de Montesinho”, nomeadamente nas localidades de Rio de Onor, Varge e Guadramil. Nesses locais, o eclipse poderá ser observado na sua totalidade, “em que o disco do Sol ficará completamente tapado pela Lua” e em que, durante alguns instantes, “vai ser como se fosse de noite, mas uma noite estranha”.
Apesar de o fenómeno atingir a sua máxima expressão nessa área, Ana Noronha sublinhou que “no resto do país, o fenómeno será igualmente impressionante”, embora com menor intensidade.
A responsável considerou também que este eclipse representa uma “oportunidade única”, tratando-se de um acontecimento raro, já que “de facto, é uma coisa que não acontece todos os dias”.
Cuidados redobrados para uma observação segura
Observar o eclipse acarreta o redrobrar de cuidados para evitar problemas de saúde. Segundo a diretora executiva do centro de ciencia viva de Bragança, Clotilde Nogueira podem surgir “problemas de saúde pública”. Assim e de forma a “precaver”, o Centro de Ciencia Viva de Bragança “está alinhada” para informar a população e para formar voluntários.
Entre os cuidados a ter, segundo Ana Noronha, “a primeira indicação é não olhar para lá sem proteção”, informou destacando que os óculos escuros que se usam na praia “não protegem nada.”
A responsável acrescentou ainda que estará em curso uma campanha nacional, em articulação com a Direção-Geral da Saúde e a Associação Nacional de Farmácias, que irá explicar como utilizar óculos certificados, os únicos que podem e devem ser usados na observação do fenómeno.
O Eclipse total é um fenómeno raro, que acontece quando lua, sol e terra se alinham. Estima-se que o último aconteceu em 1912. Após este ano, o Centro de Ciência Viva aponta que o próximo irá decorrer em 2144.

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