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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

MEU AMOR

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


Já fui morada na fogueira dos teus olhos.
Habitei-te como quem entra num templo
feito de carne, vertigem e tempestade.
Bebi o teu amor
como quem bebe o mar sem medo de morrer afogado,
e deixei que o teu prazer
me atravessasse as veias
como vinho derramado sobre feridas abertas.
Conheci os corredores escuros da tua dor.
Dormi nas celas húmidas da tua solidão.
Fui pássaro preso
na gaiola silenciosa do teu peito,
onde o amor tinha o som
de correntes beijando o chão.
E ainda assim,
amei-te.
Amei-te com a violência das marés
quando destroem rochedos
só para lhes tocar outra vez.
Amei-te com esta fome absurda
de quem encontra abrigo
numa casa em ruínas.
Depois parti.
Ou talvez tenha sido a vida
a arrancar-me de ti
com mãos de nevoeiro.
Perdi-me.
Entre ruas sem nome,
esquinas cheias de rostos vazios,
avenidas iluminadas por luzes frias,
fui desaprendendo o caminho da tua voz.
As cidades cresceram dentro de mim
como labirintos,
e cada passo afastava-me
da memória exata das tuas mãos.
Tentei regressar.
Deus sabe como tentei.
Mas o amor, às vezes,
é uma morada que muda de lugar
enquanto estamos ausentes.
E agora vivo assim:
procurando desesperadamente
a estrada que conduzia ao teu abraço.
Porque já estive em ti.
Vivi-te.
Sorvi-te até ao último silêncio.
E desde que me perdi o caminho de volta,
nenhum mundo voltou a parecer casa.

M.C.M (São Marques)


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

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