18.janeiro.1913 – 21.março.1914
VALENÇA, 28.4.1865 – LISBOA, 12.7.1941
Oficial do Exército.
Curso da arma de Infantaria na Escola do Exército.
Governador civil de Bragança (1913-1914, 1915, 1920).
Natural da freguesia de Cristelo Covo, concelho de Valença.
Filho de José Ribeiro, militar, e de Maria Joana Pereira, costureira.
Casou com Hermengarda Lagoa (4.9.1901), de quem teve oito filhos: Beatriz Lagoa Ribeiro (n. 25.7.1902), Armando Lagoa Ribeiro (n. 4.5.1905), Albertina Lagoa Ribeiro (n. 25.4.1907), Leonor Lagoa Ribeiro (n. 5.12.1908), Carlos Cândido Lagoa Ribeiro (n. 16.12.1910), Artur Alberto Lagoa Ribeiro (n. 24.10.1914), Vasco Lagoa Ribeiro (n. 16.10.1919) e Maria Elisa Lagoa Ribeiro (n. 18.6.1927)
Medalha comemorativa da Revolução de 31 de Janeiro de 1891.
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Custódio José Ribeiro nasceu numa família humilde. O seu pai, José Ribeiro, embora natural de Lamego, encontrava-se aquartelado em Bragança, onde era, à época do nascimento de Custódio, cabo da esquadra de Caçadores n.º 7, e a sua mãe era costureira, nascida e criada em Cristelo Covo.
Seguindo os passos do seu pai e do seu padrinho Custódio José Gonçalves Pereira, de quem tomou o nome próprio e que se reformou no posto de major, Custódio José Ribeiro seguiu a vida militar e teve um importante percurso no Exército português. Começou por assentar como voluntário no batalhão de Caçadores n.º 9 em 8 de setembro de 1884 e fez o curso da classe de cabos com distinção. Porém, a sua participação na malograda revolta republicana do Porto de 31 de Janeiro de 1891 pelo lado dos revoltosos, era então 2.º sargento aspirante a oficial do regimento de Artilharia n.º 1, ditou a interrupção da sua carreira militar.
A implantação da República a 5 de Outubro de 1910 prontamente o reabilitou, e embora viesse a ser colocado na reserva, em 1911, no posto de tenente, por ser considerado incapaz de todo o serviço por motivos de saúde, a sua elevada competência levou-o a ser chamado a prestar serviço ativo no regimento de Sapadores Mineiros, entre 1818 e 1819. Para efeitos de reforma, passou a capitão em março de 1916, a major em maio do mesmo ano e em agosto de 1923 foi promovido ao posto de tenente-coronel.
Distinguiu-se principalmente pela sua atividade docente no Instituto Profissional dos Pupilos do Exército de Terra e Mar, onde durante 14 anos foi professor efetivo, desde a sua criação em 1911 até 1925, onde lecionou as disciplinas de Francês e Geografia, colaborando em vários trabalhos relacionados com estas funções e recebendo um voto de louvor pela “muita competência, zelo e dedicação” que revelou no exercício do seu cargo.
Foi governador civil do distrito de Bragança por decreto de 18 de janeiro de 1913, cargo de que tomou posse a 23 do mesmo mês, e foi exonerado a 21 de março de 1914; segunda vez por decreto de 9 de janeiro de 1915, cargo de que tomou posse a 15 do mesmo mês, sendo exonerado a 10 de fevereiro seguinte; e terceira vez por decreto de 14 de abril de 1920, tomando posse do cargo a 22 do mesmo mês e sendo exonerado a 16 de outubro seguinte.
Faleceu em Lisboa, a 12 de julho de 1941, aos 76 anos.
Circulares de Custódio José Ribeiro a recordar aos administradores dos concelhos do distrito de Bragança o fim dos passaportes coletivos e a crise de trabalho no Brasil (1914)
Exmo. Senhor Administrador do Concelho,
Sendo a concessão de passaportes coletivos autorizados simplesmente por costume, visto que a lei de 27 de abril de 1907 nada prescreve a tal respeito, e convindo acabar com uma tal ilegalidade, embora suavemente, resolveu o Exmo. Ministro do Interior que de ora em diante e provisoriamente se incluam nos passaportes coletivos apenas os filhos menores, exigindo-se aos de maior idade e sem distinção de sexo um passaporte individual embora emigre em companhia dos pais, o que comunico a V. Exa. para os devidos efeitos.
Saúde e Fraternidade.
Bragança, 1.º de novembro de 1913
O governador civil,
Custódio José Ribeiro
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Exmo. Senhor Administrador do Concelho,
Da ordem do Exmo. governador civil e para os devidos efeitos, transcrevo abaixo a circular que do Ministério do Interior baixou a esta secretaria, com data de 2 do mês corrente:
“Encarrega-me o Exmo. Ministro do Interior de comunicar a V. Exa. para conhecimento e no interesse dos indivíduos que pretendam emigrar para o Brasil, que por comunicação recebida, por intermédio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, do nosso cônsul no Brasil, é de toda a conveniência que V. Exa. faça constar a crise de trabalho por que estão passando, nos diferentes ramos de atividade, os nossos compatriotas residentes naquele Estado, ao ponto de as turmas que ultimamente para ali foram engajadas pela firma Paulo & Filhos – Praça da Batalha, 82, Porto, terem sido votadas ao abandono apenas ali desembarcaram, e nesta impressionante situação assim continuam”.
Saúde e Fraternidade.
Bragança, 6 de janeiro de 1914.
O secretário-geral interino
Fonte: Arquivo Distrital de Bragança, Governo Civil de Bragança, Correspondência Expedida,
Circulares expedidas de 1913 a 1930, 1.ª repartição, circular n.º 36.
Fontes e Bibliografia
Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Arquivo Distrital de Viana do Castelo, Assentos de Baptismos, Paróquia de Cristelo Covo (Santa Maria), 1865.
Arquivo Histórico Militar, processo individual de Custódio José Ribeiro.
Publicação da C.M. Bragança

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