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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Semana da Cultura Mirandesa arranca com a Festa dos Pendões e celebra os 481 anos da elevação de Miranda do Douro a cidade

 Os pendões voltaram a percorrer as ruas de Miranda do Douro e deram o pontapé de saída para a Semana da Cultura Mirandesa, iniciativa que serve para assinalar os 481 anos da elevação de Miranda do Douro a cidade.


Os pendões são enormes estandartes de tecido, com cores e símbolos próprios de cada localidade, cuja origem poderá remontar aos tempos da Reconquista Cristã. Durante séculos identificaram comunidades e acompanharam cerimónias religiosas, mas muitos acabaram esquecidos em igrejas, capelas ou arrecadações. Entre quem continua a manter viva esta tradição está João Pedro Luís, natural de Aldeia Nova, que transportou o pendão da sua terra. “Este foi o único pendão de toda a vida saiu. Este é que deu a vida a todos os outros pendões. Nunca esteve encerrado, quer dizer, está durante o ano, mas sempre saiu na festa de São João das Arribas. Isto era um símbolo de guerra e agora faz parte de um símbolo de união entre as pessoas. Os pendões eram a marca do território. Então, em vez de andarem uns contra os outros, agora juntaram-se e uniram-se, que é a coisa mais linda do mundo, unir os pendões”. 


O desfile reuniu estandartes das aldeias mirandesas e das regiões espanholas vizinhas. Um trabalho desenvolvido pela Associação da Língua e Cultura Mirandesa permitiu localizar muitos desses pendões, restaurá-los ou recriá-los, devolvendo-lhes o lugar que ocupam hoje nas celebrações da identidade mirandesa. E é assim que, desde 2015, este desfile se realiza anualmente em Miranda.

Na Festa dos Pendões, a presidente da Câmara de Miranda do Douro, Helena Barril, recordou que a iniciativa nasceu precisamente da necessidade de preservar um património que corria o risco de desaparecer. “Bem-haja o momento em que se iniciou este evento, que permite ir partilhando com o lado de lá essa comunhão. Dá-nos muita satisfação. Percebemos que é um dos fortes elementos identitários do território. Como tem essa relevância, também não poderíamos deixar, enquanto executivo, de estar a apoiar esta iniciativa e continuar a seguir o seu caminho. Isto une os povos e percebermos que temos muito a unir-nos que a separar-nos”.


Com 481 anos de história, apesar da riqueza patrimonial e cultural, Helena Barril admite que o principal problema do concelho continua a ser a perda de habitantes. “Neste momento falta população, à semelhança do que acontece em muitos territórios de Portugal, a perda da população nativa. Temos sentido, ao longo dos últimos anos, a vinda até nós de comunidades de imigrantes, o que também nos dá e reforça muito a esperança no futuro, mas gostaríamos também que houvesse da população nativa, que não se perdesse tanto essa população. Muito do trabalho que desenvolvemos também é para modernizar Miranda, trazer população até ao território, mas de facto para esse desidrato temos que também ter muito apoio do Governo Central”. 

A Festa dos Pendões marcou apenas o início da Semana da Cultura Mirandesa, organizada para assinalar os 481 anos da elevação de Miranda do Douro a cidade, concedida por D. João III. Ao longo da semana decorrem concertos, exposições, apresentações de livros, recitais, espetáculos de dança, atuações dos Pauliteiros, música clássica, ópera e várias cerimónias institucionais.


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