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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 5 de setembro de 2026

Cientistas descobrem o que torna o canto das aves bonito

 Os cantos de aves mais variados, agudos e não demasiado intensos são os que consideramos os mais agradáveis, segundo um estudo realizado na Alemanha. O melro ficou em primeiro lugar.

Melro-preto (Turdus merula). Foto: Manfred Richter/Pixabay

O que torna o canto dos pássaros bonito? Uma equipa de investigadores alemães levou a um laboratório um grupo de 84 adultos para ouvirem as vocalizações de 123 espécies de aves europeias e as classificarem de acordo com o seu grau de agradabilidade.

“Não é preciso ser um ‘apaixonado por aves’ para achar os sons das aves bonitos”, disse, em comunicado, a autora principal do estudo, Nadine Kalb, da Universidade de Tübingen, autora do artigo publicado a 2 de setembro na revista Frontiers in Bird Science.

“A capacidade para reconhecer as aves pela aparência ou pelo canto não teve qualquer influência na forma como as pessoas classificaram os sons. Isto sugere que o prazer proporcionado pelo canto das aves está ligado a algo mais fundamental do que simplesmente saber o que estamos a ouvir.”

A agradabilidade é subjetiva, baseada na perceção e influenciada pelo gosto pessoal.

Os investigadores suspeitavam que algumas características acústicas, como uma amplitude elevada – percepcionada como um som intenso – estariam associadas a uma classificação de agradabilidade mais baixa. Mas também suspeitavam que algumas características pessoais, como os conhecimentos dos participantes sobre aves, poderiam influenciar essas avaliações.

“Sou observador de aves desde os 10 anos, embora, nessa idade, não soubesse nada sobre serviços dos ecossistemas ou análises acústicas”, afirmou Christoph Randler, da Universidade de Tübingen, autor sénior do estudo. “Tenho muito interesse nas relações entre os seres humanos e as aves. Os sons das aves são frequentemente considerados um dos aspetos mais agradáveis de passar tempo na natureza, e estudos anteriores demonstraram que podem contribuir para a recuperação psicológica e o bem-estar. No entanto, nem todos os sons de aves são percepcionados de forma igualmente positiva”, acrescentou.

Os 84 participantes neste estudo ouviram pequenos excertos de vocalizações de 123 espécies de aves selvagens comuns em toda a Alemanha.

Depois, foram convidados a classificar cada excerto numa escala de um a cinco e a responder a perguntas para avaliar os seus conhecimentos e percepções sobre as aves.

Depois, os cientistas analisaram os excertos, medindo aspetos como a amplitude, a frequência, a complexidade e cruzaram estes dados com as classificações de agradabilidade atribuídas pelos participantes e com o seu interesse prévio por aves.

Melros em vez de corujas-das-torres

O canto do melro (Turdus merula) foi considerado o mais agradável, enquanto o da coruja-das-torres (Tyto alba) foi considerado o menos agradável. Os cantos dos melros também foram considerados altamente restauradores.

Uma largura de banda mais estreita e uma maior complexidade foram percecionadas como mais agradáveis, tal como os cantos com frequências mais elevadas ou com uma amplitude relativamente baixa. Os cantos que obtiveram as classificações mais elevadas também evitavam uma faixa de frequências à qual a audição humana é particularmente sensível.

“É possível que estejamos biologicamente predispostos a preferir sons mais variáveis, com amplitudes e frequências moderadas, porque estes são sinais de um ambiente seguro, saudável e restaurador, onde podemos relaxar”, explicou Kalb.

No entanto, os cientistas salientam que outros fatores que não puderam testar, como a frequência com que as aves vocalizam – algumas espécies vocalizam mais frequentemente do que outras – também podem influenciar a percepção de agradabilidade.

Para dar continuidade a esta investigação, os autores gostariam de realizar estudos de maior dimensão, com amostras mais diversificadas, incluindo mais homens, pessoas de diferentes culturas e observadores de aves mais experientes.

“Gostaria muito de investigar de que forma os sons das aves influenciam as pessoas em ambientes reais”, afirmou Randler. “Também gostaria de integrar dados ecológicos, análises acústicas e respostas psicológicas para compreender de que forma as alterações na biodiversidade, como a perda de espécies, se traduzem em mudanças na experiência que as pessoas têm da natureza. Isso ajudaria a compreender melhor o papel que os ecossistemas saudáveis desempenham no apoio tanto à biodiversidade como ao bem-estar humano.”

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