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| Abutre-preto. Foto: Francesco Veronesi / Wiki Commons |
Apesar da má imagem que muitos lhes quiseram dar, e dos mitos que ainda existem, os abutres são uma peça essencial no funcionamento dos ecossistemas. Estas aves necrófagas encarregam-se de remover dos campos corpos em decomposição que, de outra forma, poderiam contaminar as águas ou a transmitir doenças.
Além disso, na ausência dos abutres, outras espécies oportunistas – como ratazanas ou cães assilvestrados – iriam proliferar, trazendo problemas sociais, sanitários e alterando processos ecológicos.
Abutre-preto (Aegypius monachus):
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| Abutre-preto. Foto: Juan Lacruz/Wiki Commons |
Temos a sorte de viver num país onde também mora o maior abutre da Europa. O abutre-preto mede três metros da extremidade de uma asa à outra. Desaparecido de Portugal na década de 70, só voltou a nidificar aqui em 2010. Os números têm vindo lentamente a aumentar e hoje a espécie já nidifica em cinco locais diferentes do país, mas ainda há muitas ameaças por resolver e hoje a espécie está classificada como Em Perigo de extinção em Portugal. Entre essas estão as linhas elétricas, os pesticidas químicos e presas contaminadas com chumbo.
Em novembro de 2022 começou um projeto LIFE para tentar duplicar o número de casais a nidificar em Portugal. O esforço coordenado de várias equipas no terreno já está a dar resultados: no ano passado foram registados entre 119 a 126 casais no Tejo Internacional, no Baixo Alentejo (Herdade da Contenda, em Moura), na Reserva Natural da Malcata, na Vidigueira/Portel e no Douro Internacional.
Saiba aqui o que fazer para conseguir ver este abutre majestoso em Portugal.
Grifo (Gyps fulvus):
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| Grifo (Gyps fulvus). Foto: Emiliya Toncheva/Wiki Commons |
O grifo é a espécie de abutre mais comum do nosso país. Estima-se que existam, pelo menos, 1200 casais em Portugal Continental. Esta espécie vive em colónias e estará em expansão em Portugal e na Europa.
Esta espécie de abutre ocorre no interior do país e concentra a sua população nidificante em dois territórios: o nordeste do país e a Beira Baixa/Alto Alentejo. A maior colónia do país fica nas Portas do Ródão, com 101 casais confirmados.
Segundo o portal Aves de Portugal, o grifo “está presente no nosso país ao longo de todo o ano, mas efectua movimentos amplos fora da época de reprodução, surgindo então noutras zonas do território.”
Abutre-do-egipto (Neophron percnopterus):
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| Abutre-do-Egipto. Foto: Artemy Voikhansky/Wiki Commons |
Também conhecido como britango, esta espécie está classificada como Em Perigo de extinção em Portugal. Em 2016 foi nomeada a Ave do Ano no nosso país.
O abutre-do-egipto, com a sua característica face amarela e plumagem branca e preta, é o mais pequeno dos abutres ibéricos. Tem 65 centímetros de comprimento e dois quilos de peso. Esta ave está em Portugal de Abril a Setembro, para se reproduzir. Passa os meses mais frios em África.
Alimenta-se de carcaças de outras aves e mamíferos e de fruta e vegetais já em estado de decomposição. Por dia, este abutre pode viajar 80 quilómetros em procura de alimento. Segundo a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA/Birdlife), esta é uma das aves mais “inteligentes”. Por exemplo, consegue usar pedras para partir ovos de avestruz para se alimentar, quando está em África.
De acordo com a SPEA, nos últimos 40 anos a população de britangos na Europa tem sofrido um declínio de cerca de 50%. “As principais ameaças são a redução de disponibilidade alimentar, o uso ilegal de veneno, a perturbação dos locais de nidificação, a colisão com linhas elétricas e a electrocussão.”
E sabia que estas aves conseguem atravessar o Estreito de Gibraltar em apenas 20 minutos?





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