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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 19 de setembro de 2026

Uma em cada nove espécies de aves migradoras está ameaçada de extinção

 A 6ª edição do Estado das Aves do Mundo, divulgado pela Birdlife International a 11 de setembro na Global Flyways Summit, em Nairobi, foca-se nas aves migradoras e nas suas rotas. As causas do declínio são bem conhecidas. Assim como as soluções de conservação, salientam os peritos.

Abetarda (Otis tarda). Foto: Wirestock Creators/Shutterstock

As aves migradoras empreendem viagens extraordinárias ao viajar por todo o mundo entre áreas de reprodução e de invernada.

Duas vezes por ano, milhões de aves, algumas pesando apenas três gramas, fazem migrações extraordinárias atravessando continentes, oceanos, desertos e montanhas.

Flamingos no Lago Natron, Tanzânia. Foto: Akshita Rabdiya

A andorinha-do-mar-árctica (Sterna paradisaea) voa de pólo a pólo, percorrendo o equivalente a quatro viagens de ida e volta até à Lua durante a sua vida. A narceja-real (Gallinago media) voa quase à altitude do Monte Evereste ao voar sobre o Deserto do Saara e o pequeno colibri-de-garganta-rubi (Archilochus colubris), com apenas três gramas de peso, atravessa o Golfo do México sem parar.

Estas viagens dependem de adaptações muito específicas, incluindo sistemas respiratórios eficientes e reservas de gordura substanciais para garantir um voo longo.

Mas não só. As aves migradoras também têm capacidades sofisticadas de orientação e estratégias de comportamento que lhes permitem navegar vastas distâncias e aproveitar picos de disponibilidade de alimento nos locais onde param para abastecer.

Alguns grupos de aves precisam fazer as migrações de dia, para aproveitar as correntes térmicas, mas outras migram de noite para maximizar as oportunidades de alimentação durante o dia, para evitar predadores ou o calor.

Tendência de declínio

Uma em cada nove espécies de aves migradoras está ameaçada de extinção; sete estão confirmadas ou suspeita-se que se tenham extinguido nos últimos 150 anos. Em 2025, o anúncio oficial da extinção do maçarico-de-bico-fino (Numenius tenuirostris) marca a primeira extinção mundial de uma ave na Eurásia e África nos séculos mais recentes.

Abelharuco (Meros apiaster). Foto: Richard Cff/Shutterstock

Muitas espécies outrora comuns têm agora as suas populações depauperadas e 45% de todas as 1843 espécies migradoras do mundo estão em declínio; 30% estão estáveis, 14% estão a aumentar e 11% não se sabe.

Os declínios são particularmente acentuados em algumas rotas migratórias. Das quatro rotas terrestres, a rota da Ásia-Australásia (que liga a Sibéria e o Norte da Ásia ao Sudeste Asiático e à Austrália) tem a percentagem mais elevada de espécies em declínio (53%); a rota que passa por Portugal (rota africano-euroasiática) regista declínios de 41%.

A situação é especialmente grave para as aves marinhas (49%) e aves costeiras (54%).

“O risco de extinção está a escalar”, alerta a Birdlife International, numa era em que a perda de biodiversidade é um dos maiores desafios para a Humanidade.

Desde 1988, um total de 102 espécies migradoras foram classificadas com maior estatuto de ameaça na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Entre elas estão o maçarico-siberiano (Numenius madagascariensis) – que passou de Vulnerável a Em Perigo de extinção – e o papagaio-do-mar (Fratercula arctica), que passou de Pouco Preocupante para Vulnerável.

As causas são bem conhecidas. As mais graves são as espécies exóticas invasoras e doenças, expansão e intensificação agrícola, alterações climáticas, caça e captura ilegal e poluição. “Estas ameaças já estão a ter impactos profundos em várias rotas de migração”, sublinha a federação de organizações dedicadas às aves selvagens. Muitas espécies migradoras enfrentam múltiplas ameaças, o que causa a acumulação de impactos e uma elevada mortalidade das aves durante as migrações.

Mas as soluções também são bem conhecidas. “Programas de conservação por todo o mundo provam que é possível restaurar habitats, evitar extinções e ajudar populações a recuperar. Neste momento, 120 organizações parceiras da Birdlife International trabalham para para conservar as aves migradoras.”

Andorinhão-preto (Apus apus). Foto: Alex Cooper Photography/Shutterstock

Perante esta situação, os governos, cientistas, organizações de ambiente e instituições financeiras reunidos na cimeira de Nairobi assinaram na sexta-feira passada a Declaração de Nairobi para as Rotas Migratórias, comprometendo-se a proteger aves e habitats ao longo de todo o trajeto da migração. 

“As soluções existem: o que é preciso agora é implementá-las à escala das rotas migratórias”, comentou Stuart Butchart, Cientista Chefe da BirdLife International e editor sénior do relatório Estado das Aves do Mundo.

Para a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA-BirdLife), estes resultados reforçam a urgência de uma ação coordenada também em Portugal. “Portugal desempenha um papel crucial nas rotas migratórias entre a Europa e África”, lembrou, em comunicado, Pedro Neto, diretor-executivo da SPEA-Birdlife. “Proteger zonas húmidas, áreas costeiras e habitats agrícolas é essencial não só para as aves que aqui nidificam, mas também para as que cá passam o inverno, e para os milhões de aves que dependem do nosso território como escala. Precisamos de políticas mais ambiciosas e de uma aplicação eficaz das que já existem.” 

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