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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Constituição da República Portuguesa traduzida em mirandês

 A Constituição da República Portuguesa ganha uma nova versão, agora traduzida em mirandês.


A nova edição vai ser apresentada no dia 17 de setembro, data em que se assinala o Dia da Língua Mirandesa.

A tradução, desenvolvida ao longo de vários meses, inclui o texto constitucional de 1976 e as sete revisões da Constituição, num trabalho de adaptação jurídico-linguística.

Segundo o comissário da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa, Alfredo Cameirão, a tradução da Constituição é da responsabilidade da Associação da Língua e Cultura Mirandesa, com publicação a cargo da Assembleia da República:

“Este é um momento bastante simbólico: a chegada da língua mirandesa ao nosso texto legal fundamental. Do ponto de vista simbólico, é um momento muito importante também, porque é a colocação da língua mirandesa no patamar legal mais alto da República Portuguesa.”

Para a presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, este é um momento que deve ser vivido com orgulho:

“Esta situação de chegarmos a este patamar tão nobre para a língua mirandesa, que é a tradução da Constituição da República Portuguesa, a lei fundamental do país, é algo que tem que nos encher a todos de orgulho.”

Mas as celebrações não ficam pela Constituição.

A iniciativa integra um programa comemorativo com início a 17 de setembro. No dia 18, será apresentada a tradução para mirandês do livro “O Nosso Reino”, o primeiro romance de Valter Hugo Mãe, numa tradução de Alcides Meirinhos.

As celebrações prosseguem entre os dias 25 e 27 de setembro, com a Festa das Línguas, em Picote:

“Decorrerá a Festa das Línguas, em Picote, com a reunião de várias entidades e várias organizações que, de uma forma ou de outra, estão ligadas à promoção, defesa e divulgação das línguas minoritárias, ibéricas, europeias, essencialmente portuguesas e espanholas.

Aí decorrerão também várias atividades, com teatro em mirandês, música em mirandês, debates, palestras e apresentações de livros.”

Mais do que celebrar uma língua, estas iniciativas procuram garantir que o mirandês continua a ser falado, escrito e transmitido às novas gerações.

Para Alfredo Cameirão, esse papel começa em cada falante:

“A primeira coisa que cada mirandês, a título individual, pode fazer para promover e defender a língua mirandesa é, desde logo, utilizá-la, portanto, falá-la e escrevê-la em todas as oportunidades que tiver.”

Uma responsabilidade que Helena Barril associa também à identidade e ao futuro do território:

“Nós temos a obrigação de a preservar, de a valorizar e de a promover, para que nos continuemos a afirmar como um território, não só nesta área geográfica que somos e que nos orgulhamos de ser, mas também na potencialidade que temos de ir mais além e mostrar aquilo que somos.”

A língua mirandesa é reconhecida por lei desde 1999 e continua a ser uma das principais marcas identitárias do Planalto Mirandês.

Em Miranda do Douro, setembro é o mês de celebrar o mirandês, uma identidade que procura afirmar-se no presente para continuar a fazer parte do futuro da Terra de Miranda.

Fotografia: Município de Miranda do Douro

Filipe Ventura Alves

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