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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

AICNAS critica condições de acesso aos apoios para agricultores afetados pelos incêndios

 O Governo anunciou, na passada sexta-feira, uma nova verba de 10 milhões de euros para apoiar a recuperação das explorações agrícolas afetadas pelos incêndios rurais de 2026.


No entanto, a presidente da Associação do Interior Centro e Norte de Agricultura Sustentável (AICNAS), Elisa Morais, considera que as condições de acesso são demasiado exigentes e podem deixar muitos agricultores de fora.

Este é o segundo apoio financeiro, de igual montante, aprovado este ano. A medida destina-se a explorações que tenham sofrido danos superiores a 30% do potencial produtivo e permite financiar a recuperação de plantações, infraestruturas e equipamentos agrícolas.

Os primeiros 10 mil euros de despesa elegível são comparticipados a 100%. Acima desse valor, o apoio é de 80% para agricultores com seguro agrícola e de 50% para os restantes beneficiários.

Elisa Morais considera que o processo de candidatura é agora mais complexo do que no ano passado e diz que muitos agricultores, apesar de terem sofrido prejuízos, não conseguem cumprir os critérios exigidos:

“Nem toda a gente se pode candidatar. A candidatura é muito mais complicada do que foi há um ano. Agora é um projeto. Só se pode candidatar quem tiver prejuízos superiores a 30% na exploração.

Tenho alguns agricultores a quem ardeu tudo, mas há uma grande parte que não pode candidatar-se. É um rebuçado envenenado, como costumo dizer.

Estive hoje a selecionar as pessoas que se podem candidatar e as que não podem.

Não é nada daquilo que foi no ano passado. Mas temos de aproveitar o que há.”

A presidente da associação aponta também a burocracia e as exigências do processo como obstáculos, sobretudo para os agricultores mais idosos.

Entre as dificuldades está a necessidade de utilizar credenciais digitais do cartão de cidadão e reunir faturas, documentação e orçamentos para apresentar as candidaturas.

Elisa Morais critica a falta de simplificação dos procedimentos por parte do PEPAC:

“Há muito mais burocracia. Está tudo mais difícil ao nível dos papéis. Agora tem de ser com as credenciais do agricultor. Há pessoas que nem telemóvel têm e é uma confusão para conseguir fazer o registo.

Desde que entrou o PEPAC, está tudo muito mais complicado.

Antes, com o número e a senha do IFAP, fazíamos tudo. Hoje em dia, não. O IFAP, em vez de facilitar, ainda complica.”

A responsável acredita que, na área onde acompanha os agricultores, apenas dois ou três casos poderão avançar com candidaturas.

Considera ainda que o atual modelo não tem em conta as dificuldades específicas da agricultura do interior, marcada por explorações de pequena dimensão e parcelas dispersas.

Elisa Morais compara o processo com o aplicado no ano passado e critica a quantidade de documentação agora exigida:

“É um rebuçado envenenado. As pessoas com mais idade nem tentam apresentar projetos. Porquê? Porque complicaram o processo.

No ano passado, o procedimento foi diferente. Bastava preencher um formulário.

Indicavam quantas oliveiras tinham ardido nesta parcela. Depois, era a CCDR-N que estimava os prejuízos e pagava ao agricultor.

Este ano é preciso apresentar um projeto. Só que é necessária muita documentação.

É mesmo para as pessoas desistirem. Aqueles dois ou três agricultores mais novos, a quem já expliquei tudo, vão avançar. Já combinei com eles para virem cá. São pessoas novas, que investiram na exploração por conta própria. Vão gastar mais de 10 mil euros.

É só para dizer que abriram as candidaturas. Mais nada.”

Ainda não está concluído o levantamento do número de agricultores do concelho de Torre de Moncorvo que poderão candidatar-se a esta medida. No entanto, cerca de 100 agricultores contabilizaram prejuízos provocados pelos incêndios deste ano.

O novo apoio de 10 milhões de euros abrange prejuízos provocados por incêndios ocorridos entre 1 de maio e 15 de outubro deste ano, em várias regiões de Portugal continental.

As candidaturas destinam-se a localidades que não foram abrangidas pelo aviso anterior, aberto em agosto e encerrado a 27 de outubro.

Maria João Canadas

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