Sobre o Blogue
SOBRE O BLOGUE:
Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço.
A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)
Organizado pela associação local AEPGA, conta ainda na co-organização, para além da Galandum Galundaina Associação Cultural, com a Câmara Municipal de Miranda do Douro.
O Festival Itinerante da Cultura Tradicional "L Burro I L Gueiteiro" surge como um esforço de revitalizar e valorizar dois elementos chave da cultura mirandesa – o Burro de Miranda e o tocador de Gaita-de-Fole -, bem como enfatizar a relação tradicional existente entre ambos – era o primeiro quem transportava o segundo até aos arraiais que este ia animar pelas diferentes aldeias do Planalto Mirandês.
Assim, este Festival planeado ao longo de meses toma forma em 5 dias de itinerância pelas aldeias de Miranda, levando burros, gaiteiros, teatro, dança e música ao encontro das populações locais, geralmente desprovidas deste tipo de evento cultural.
Local: Marzagão, CARRAZEDA DE ANSIÃES, BRAGANÇA
Informante: Maria Adelaide Moutinho (F), 80 anos
Conta-se que vivia na antiga vila de Ansiães, no castelo, um grupo de mouros temidos por todas as povoações vizinhas. O pároco, com a ajuda da sua freguesia, decidiu elaborar um plano para acabar definitivamente com os mouros.
Mandou reunir todos os rebanhos de cabras existentes nas redondezas e nos chifres dos animais foi colocado um archote preso e atacariam de noite. Chegada a noite, os homens e todo aquele exército de cabras subiram a íngreme ladeira da vila de Ansiães, com seus archotes iluminados, aparentando ao longe uma grande massa humana com os archotes nas mãos.
Os mouros, perante tal espectáculo, fogem apressadamente para o vale onde os aguardavam valentes homens decididos a matá-los. Ali os mouros, junto com o seu chefe Aldranjo, foram chacinados. No lugar na chacina existe uma cruz a assinalar a morte e ao mesmo tempo a vitória. Ainda hoje os habitantes de Marzagão designam o lugar da chacina de Vala Dranjo e outros Vala Dreinjo. O mesmo situa-se no sopé do monte, onde assenta a vila de Ansiães e alarga-se para o terreno onde se encontra Marzagão.
Fonte:PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro (Narrações Orais)
Local: BRAGANÇA
Coletor:Francisco Alves
Na base poente do Cabeço da Velha [em Labiados, concelho de Bragança], junto à margem do rio Contense, sítio chamado Rachas, fica a Pala dos Mouros, também dita Pena Veladeira, sob a qual há uma gruta, a pala no dizer do povo, que pode acobertar um rebanho de quarenta ovelhas (…)
Pelos anos de 1860 foram desencantar a riqueza do Cabeço da Velha uns quantos sonhadores de tesouros, naturais de Baçal e Sacoias, acompanhados de um padre e de uma bruxa (...). Ainda conheci o padre, a bruxa (tia Martinha, de Sacoias) e os homens o tio Vicente e o tio Nicolau, aquele de Sacoias e este empregado na máquina de destilação de vinhos de Baçal.
O padre era natural de Baçal, onde faleceu em 1892, e muitas vezes me contou o caso. Ele lia, lia no Livro de S. Cipriano, o autêntico, um códice antigo, manuscrito, se bem me recordo, pois os modernos, impressos, nada valem, dizia ele, e exorcismava sem cessar (é também condição indispensável), metido dentro de um pentalfa inscrito num círculo que traçou no terreno, do qual não podia sair, sob pena de ficar tudo sem efeito; a bruxa, dentro de um signo Salomão, fazia conjuros e deitava as varinhas do condão e os homens cavavam, cavavam, sem parar e calados.
Tudo corria admiravelmente, indicando que o tesouro estava prestes a sair. Neste comenos surge na escavação um sapo enorme, colossal (era o diabo, guarda do tesouro), a abrir e fechar a boca, num gesto de os papar a todos. Os homens aterram-se, o padre recua um pouco, saindo do círculo, a bruxa faz o mesmo e de repente a trincheira esboroa-se, apanhando o Nicolau pelas pernas; o tesouro, uma enorme bola de oiro, maior que a roda de um carro, reginga pela ladeira abaixo, até se esfrangalhar no rio, sentindo-se nitidamente o tilintar do oiro nos fraguedos e lajes das margens, e um medonho tufão arrasta os sonhadores, por cima de carrascos e fraguedos, a muitos metros de distância, deixando-os assaz maltratados e sem poderem regressar a casa no mesmo dia ou só muito tarde. A bruxa, porém, foi vista logo em Sacoias, sã e escorreita, com a cantarinha debaixo do braço a ir buscar água à fonte. E sempre assim! O tesouro lá está, dizem os da carolice; falta, porém, a coragem precisa para o desencantar.
Fonte:PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros
Júlio Moreira Fragata nasceu em Seixo de Anciães, concelho de Carrazeda de Anciães, no distrito de Bragança, a 17 de Abril de 1920.
Em 1932 começou os estudos preparatórios no Seminário da Costa (Guimarães). Entrou no noviciado da Companhia de Jesus em 1937, onde efectuou os estudos de Humanidades Clássicas, vindo depois para Braga, para o Curso de Filosofia. Obteve a Licenciatura em 1947, ano em que deu início aos estudos de teologia na Universidade de Granada, prosseguindo-os, em 1949, na Faculdade de Teologia da Universidade de Innsbruck (Áustria), onde teve como professor o célebre teólogo Karl Rahner, S. J.. Licenciou-se em teologia em 1951.
Defendeu depois, em 1954, em Roma, na Universidade Gregoriana, a tese de doutoramento sobre A Fenomenologia de Husserl como Fundamento da Filosofia, escrita num estilo simples e muito claro. Após o doutoramento veio ensinar História da Filosofia Moderna e Contemporânea na Faculdade de Filosofia de Braga. Desde essa data e até 1960, ministrou vários cursos no Centro de Estudos Humanísticos, anexo à Universidade do Porto, sobre História da Filosofia Moderna, nomeadamente do Renascimento a Kant, Fenomenologia de Husserl, Filosofia da Existência e Materialismo Dialéctico.
A partir de 1965, ficou incumbido da Regência da Cadeira de História da Filosofia Moderna na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Diário do Governo de 2.2.65). Entretanto, a convite da Faculdade de Filosofia de Nova Friburgo (Brasil), aí passou 3 meses a dar um curso de História da Filosofia Contemporânea e proferiu várias conferências no Rio de Janeiro sobre « Fenomenologia e Filosofia da Existência ».
Desde 1962 fez parte da Direcção da secção de Filosofia da VERBO – Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, na qual colaborou assiduamente. Foi membro fundador do Centro de Estudos Fenomenológicos, fundado em Coimbra, de cuja Direcção fez parte de 1965 a 1985, Presidente da Assembleia Geral da Associação Jurídica de Braga, Director da Faculdade de Filosofia de Braga da UCP de 1968 a 1971 e de 1978 a 1985, Superior Provincial da Província Portuguesa da Companhia de Jesus de 1971 a 1977.
Além de Professor de História da Filosofia Moderna e Contemporânea na Faculdade de Filosofia de Braga e na Faculdade de Letras do Porto, teve também a seu cargo a leccionação das cadeiras de Ontologia e Metafísica, Filosofia Teológica e Metodologia.
Orientou várias teses de Mestrado e de Doutoramento e fez parte de numerosos júris de doutoramentos, de concursos e agregações de professores nas Universidades Portuguesas.
Deu retiros espirituais a bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas, jovens e proferiu inúmeras conferências de índole filosófica, pastoral e cultural. Contam-se por milhares as cartas a seus correspondentes que iam da gente simples a bispos e catedráticos.
Teve um papel preponderante no lançamento da secção de Viseu da Universidade Católica Portuguesa e na extensão madeirense (Funchal) desta Universidade, tendo sido Director de uma e de outra.
Em colaboração com os Catedráticos Alexandre Morujão, Francisco da Gama Caeiro e António Paim, orientou os trabalhos preparativos da Enciclopédia de Filosofia Logos, que actualmente se compõe de 5 volumes.
A Câmara Municipal de Braga, em reunião de 17.10.1985, atribuiu-lhe a Medalha de Mérito da Cidade, cuja entrega foi feita no anfiteatro da Faculdade de Filosofia, pelo Presidente da Câmara, Francisco Soares Mesquita Machado, a 25.11.1985, numa sessão em que estavam presentes o Senhor Arcebispo Primaz de Braga, D. Eurico Dias Nogueira, os Reitores da Universidade do Porto e da Universidade Católica Portuguesa, o Reitor em exercício da Universidade do Minho, o ex-reitor da Universidade do Minho e actual Director da Faculdade de Filosofia, Lúcio Craveiro da Silva, professores e alunos da Faculdade de Filosofia da UCP e de outras Universidades e alguns dos muitos amigos do homenageado.
Além da Medalha de Mérito, a Comissão de Toponímia da Câmara Municipal de Braga atribuiu o nome do P. Júlio Fragata à Avenida situada em frente do hipermercado Feira Nova.
O Ministério da Educação (Gabinete do Ministro) emitiu o seguinte louvor :
« Considerando os altos serviços prestados à causa do ensino em Portugal pelo Prof. Doutor Júlio Moreira Fragata, director da Faculdade de Filosofia de Braga, da Universidade Católica Portuguesa ; considerando o seu excepcional valor como profundo e original pensador nos domínios filosófico e humanístico ; considerando a excelência da sua vasta obra científica e de investigação; considerando o seu grande contributo para a expansão do ensino superior universitário em Portugal : louvo publicamente o Prof. Doutor Júlio Moreira Fragata pelos assinaláveis serviços prestados a este Ministério e ao País ».
30-10-85. – O Ministro da Educação, João de Deus Pinheiro – (Diário do Governo, II Série - N.º 267 - 20-11-1985 10 861).
Na Assembleia da República, O Sr. Deputado Dr. Agostinho Domingues teve uma intervenção para pôr em relevo a personalidade invulgar do Prof. Júlio Fragata, pela profundidade do seu saber e da sua cultura, mestre e pedagogo, de uma simplicidade e de uma disponibilidade cativantes, marcando indelevelmente todos quantos puderam beneficiar um pouco da sua lição de ciência e vida e lamentou a perda de um dos raros filósofos do nosso tempo. E transcreveu um pequenino excerto de um poema que uma aluna do P. Fragata lhe dedicara :
Era a lição ao vivo da simplicidade,
Que decorria sem filosofemas
E o professor não preparava esquemas,
Só a trazia consigo simplesmente,
Nesse modo de ser condescendente,
Que marca quase sempre o homem superior.
(Diário da Assembleia da República, 1 Série, N0 28, Reunião Plenária de 30.1.1986)
A Câmara Municipal de Viseu, na reunião de 6.11.1985 deliberou prestar Homenagem « ao insigne Professor Doutor Júlio Moreira Fragata, Director da Faculdade de Filosofia de Braga da Universidade Católica Portuguesa pelos extraordinários serviços desenvolvidos a favor de Viseu, designadamente a sua valiosa e relevante acção, que, inequivocamente contribuiu, para a criação e implementação nesta cidade da Secção da Universidade Católica, estabelecimento de ensino superior, de iniludível valor social e cultural para esta região beiraltina do interior do País. Mais deliberou dar o nome a uma artéria da cidade, do cidadão ilustre, que à cultura do nosso País dedicou sempre a sua invulgar inteligência, perpetuando, assim, o reconhecimento justo dos Viseenses como preito de indelével gratidão... »
Nos últimos seis meses de vida, foi vítima de um câncro maligno, dando provas, durante a doença, de uma virtude heróica e de uma fé amadurecida.
A 27 de Dezembro de 1985, despediu-se desta vida a cantar com os que o acompanhavam na última agonia : « In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum » – « Nas tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito ».
Bernardino Fernandes, S. J.
A sua obra escrita compõe-se de: Livros : A Fenomenologia de Husserl como Fundamento da Filosofia ; Problemas da Fenomenologia de Husserl ; Noções de Metodologia. Para a elaboração de um trabalho científico (com 3 edições e editado também no Brasil) ; Vivências cristãs ; Mais forte que a morte – reflexões cristãs (obra póstuma) ; História da Filosofia Moderna (Apontamentos das aulas coligidos pelos alunos e revistos pelo autor) ; Problemas da Filosofia Contemporânea (obra póstuma – colectânea de artigos publicados, alguns deles difíceis de encontrar).
Inúmeros artigos publicados em diversas revistas, muitos deles na Revista Portuguesa de Filosofia, de que foi Director ; 65 vocábulos na Enciclopédia Verbo de Cultura. Colaborou ainda em livros escritos por diversos autores, em Jornais e Prólogos a diversos livros.
Tomou parte em diversos Congressos em Portugal e no estrangeiro.
Foi-lhe dedicado um número especial duplo da Revista Portuguesa de Filosofia no ano seguinte ao seu falecimento (R. P. F. 42 (1986-3/4) 225-493).
(Texto cedido pela Faculdade de Filosofia)
Local: Uva, VIMIOSO, BRAGANÇA
Informante: Albino Rodrigues (M), 64 anos
Conta-se que certo dia o Diabo, ao passar pelo termo de Uva, Vimioso, encontrou uma amendoeira em flor e sentou-se em baixo, pensando que estaria prestes a dar fruto. Entretanto passou por ali Nosso Senhor e perguntou-lhe:
— Que estás a fazer?
— Estou à espera que esta árvore dê fruto. Como já está em flor, não deve demorar.
— Não preferes antes ir esperar o fruto da cerejeira?
— Isso é que não. Esta já está em flor e a cerejeira ainda nem botões tem.
E assim lá continuou sentado à espera que a amendoeira desse frutos. Entretanto passou o tempo, a cerejeira começou a florir e logo deu os seus frutos. E toda a gente se consolou com eles.
Quanto à amendoeira, tudo estava muito atrasado. E o Diabo já começava a perder a paciência. Por fim, lá apareceram as amêndoas. O Diabo, cansado de esperar, tratou logo de as ir comendo. Só que por cada uma que comia era tão grande a carranca que fazia, que afugentava tudo à volta.
Passados alguns dias voltou a comer e aconteceu a mesma coisa. As amêndoas continuavam amargas.
Até que perdeu de vez a paciência e acabou por se ir embora, a rogar pragas, e sem ter comido uma única amêndoa de jeito.
Fonte:PARAFITA, Alexandre Antologia de Contos Populares
Local: Castro Vicente, MOGADOURO, BRAGANÇA
Quando Nosso Senhor ia com a cruz as costas, subindo por um monte acima que se chama Monte Calvário havia muitas estevas floridas de um lado e do outro mas todas tinham as flores brancas sem as pintas vermelhas, como aquela que vimos ali atrás.
Nosso Senhor ia deitando muito sangue da cabeça devido aquela coroa de espinhos que lhe puseram para fazer pouco dele por ter dito que era rei e esse sangue caiu em cima das estevas e manchou as flores.
Mais atrás ia Nossa Senhora chorando muito e caiu uma lágrima de sangue dos olhos dela que também manchou uma flor.
De maneira que as estevas que têm seis “folhas” são as que apanharam o sangue de Nosso Senhor e a lágrima de Nossa Senhora; as que têm cinco só apanharam o sangue de Jesus para nos lembrarmos das cinco chagas; e as que são só brancas, não apanharam sangue nenhum.
Fonte:OLIVEIRA, Casimiro Raízes: Poesia, Contos e Lendas
Uma vaga de calor está atravessar o país e deverá afectar com maior intensidade o nordeste transmontano, a partir deste fim-de-semana, prevendo-se temperaturas acima dos 40 graus, em algumas localidades.
A próxima terça-feira é o dia em que se esperam as temperaturas mais elevadas.
Mirandela será a cidade mais do distrito de Bragança, com 44 graus, já no domingo prevê-se que chegue aos 41 e amanhã aos 40 graus. Segue-se Freixo de Espada à Cinta, Alfandega da fé e Torre de Moncorvo que devem atingir os 40 graus. No Domingo prevê-se uma temperatura máxima de 38 graus para Alfandega da Fé, Freixo de Espada à Cinta e Torre de Moncorvo. Macedo de Cavaleiros e Vila Flor deverão chegar aos 37 graus. Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso devem ter temperaturas de 36 graus, Bragança e Carrazeda de Ansiães 35 e Vinhais não deverá ultrapassar os 34 graus.
O comandante distrital de Operações de Socorro da Autoridade Nacional para a protecção civil alerta para os cuidados a ter, de forma a evitar a deflagração de incêndios. “É expectável um tempo quente e seco, com permanência de condições favoráveis à ocorrência e propagação de incêndios florestais.
A Autoridade Nacional de protecção Civil recorda e reforça que, de acordo com a legislação em vigor, nos locais onde o risco de incêndio é elevado, não é permitido a realização de queimadas ou fogueiras, a utilização de equipamentos de queima e combustão destinados à iluminação ou à confecção de alimentos, queimar matos, fumar ou fazer lume de qualquer tipo nos espaços florestais e vias que os circundem”, frisa o comandante do CDOS. Noel Afonso deixa ainda conselhos à população, essenciais para enfrentar este período com temperaturas elevadas.
“É também possível a afectação de grupos populacionais mais vulneráveis como os idosos e crianças e doentes do foro cardio – respiratório. Recomenda-se a adopção de medidas de autoprotecção como beber água com regularidade ou sumos de fruta naturais sem açúcar, evitar bebidas alcoólicas e com elevados teores de açúcar, evitar a exposição ao sol nas horas de mais calor e evitar fazer muito esforço físico, devido às temperaturas elevadas”, adverte Noel Afonso.
A vaga de calor vai permanecer durante a próxima semana.
Escrito por Brigantia
Lançamento do meu segundo livro no meu concelho, Carrazeda de Ansiães, "Eu e os meu ilustres convidados" (contos) no dia 27/6/2015 pelas 15 horas no CITICA.
Nota: Não são contos para crianças.
À atenção das pessoas do concelho, especialmente de Ribalonga, a minha terra, que queiram dar-me a honra de estar presentes.
O meu muito obrigada
Maria Gabriela de Sá,
A população de Mourão, no concelho Vila Flor, Bragança, está a braços com a Justiça devido a uma tradição de São João denominada "Queima do Gato" que envolve um animal vivo.
A GNR confirmou à Lusa que iniciou diligências para identificar os autores no âmbito de um inquérito aberto no Tribunal de Vila Flor depois de várias denúncias. Também a associação de defesa dos animais Grupo Gato Urbanos anunciou hoje que vai avançar com uma queixa-crime no Departamento de Investigação e Ação Penal, constituindo-se como assistente do processo, "com o objetivo de levar à justiça os responsáveis e cúmplices e para que esta barbara e vergonhosa prática não se repita mais".
O ritual foi divulgado nas redes sociais onde se gerou uma onda de indignação que já fez eco na aldeia, onde a população garante que "nunca morreu nenhum gato" e que o último que foi sujeito a esta prática "está bem".
A "tradição" chegou ao conhecimento público através de um vídeo colocado nas redes sociais com a duração de cerca de cinco minutos que, segundo a descrição do Grupo Gatos Urbanos "mostra um gato colocado dentro de um recipiente de barro e levantado a alguns metros de altura, num poste".
"O poste vai sendo queimado e à medida que as chamas envolvem o recipiente com o animal lá dentro ouvem-se os gritos lancinantes do animal em sofrimento atroz. Quando o poste arde, projeta-se no chão, sendo que o animal cai de uma altura superior de três metros, fechado no recipiente a arder, recipiente esse que se estilhaça no chão", descreve.
Nesse momento "vê-se o gato em chamas a "gritar" agonizantemente enquanto a população ri, esbraceja e se diverte com o suplício do animal que corre em círculos, tentando alivio e fuga, desorientado em agonia extrema", continua aquela organização, indicando, que o crime foi denunciado pela Associação Midas.
A associação Grupo Gatos Urbanos informou que vai requerer "informações sobre o estado atual do animal alvo de sacrifício/maus tratos e que sejam efetuadas todas as diligências necessárias para a identificação dos promotores, autores e participantes deste crime".
"Nunca morreu nenhum gato e este está bem, a GNR já o veio ver", afirmou à Lusa Aida Alves, habitantes de Mourão que encara como "ridícula" a situação que está a gerar-se em torno do caso.
Com 80 anos, Aida Alves garantiu que desde sempre que existe esta tradição associada às festas de São João e que "há três ou quatro anos que é (usado) o mesmo gato".
Segundo contou à Lusa é um habitante da aldeia que tem gatos que oferece o animal para este ritual.
Aida Alves reconheceu que nesta festa o animal "queimou uma bocadinho o pelo", acrescentando que "a dona foi busca-lo, tratou-o e está bem".
"Está aí bem bonito, podem vir ver. Já cá veio a Guarda e já o viu", declarou.
Confrontada com a lei que pune os maus tratos e sofrimento infligido aos animais, Aida Alves responde com uma pergunta: "e não há lei para os cães abandonados que deixem por aí?".
As festas de São João são organizadas pelos poucos mais novos que mantém laços com esta aldeia de Trás-os-Montes "onde existem apenas meia dúzia de velhos", como disse à Lusa Aida, que teme que agora se acabe com a tradição e fiquem "cada vez mais abandonados".
HFI // JGJ
Lusa/fim
Aos 52 anos, Duarte Moreno leva quase dois à frente dos destinos do município. Nesta entrevista aborda todos os temas, desde os projetos de futuro para o Azibo à sentença do tribunal que decretou a perda de mandato e à convivência com o CDS, com quem teve de negociar no Executivo.
Mensageiro de Bragança: Que balanço faz deste mandato?
Duarte Moreno: Faço um balanço bastante positivo, apesar de diversas contrariedades existentes no decurso deste ano e meio. Concretizámos algumas situações do nosso programa eleitoral, como a descida do IMI para o mínimo, dar dois por cento aos nossos concidadãos da parte do IRS.
Temos dado, também, aos nossos alunos do 1º ciclo, os manuais gratuitos. Estamos agora a trabalhar nos alunos do 2º, 3º cliclos e secundário. Na área social atribuímos aos mais carenciados diverso material. Vamos arrancar brevemente com a carrinha móvel para as pequenas reparações das pessoas que têm mais carências. Podem ir desde a substituição de uma lâmpada a tomadas, desentupir canos, mudar uma torneira que pinga. A Unidade Móvel de Saúde também é para funcionar, para que as pessoas não se desloquem por pequenas coisas, como a medição da glicémia ou a tensão. Também estamos a ver outras questões que têm a ver com a ação social, para as pessoas poderem ter animadores sociais.
Estamos com um protocolo com a ULS para a Unidade dos Cuidados Paliativos móvel, de que somos parceiros.
Tivemos grandes guerras, como a do héli, que pensamos ter ganho. Também a da saída das urgências. Perdemos um pouco com a unidade de cuidados continuados mas ganhámos a de paliativos. Em termos de economia, andamos sempre à procura de empresas. A zona industrial é disso exemplo, com as construções que ali estão a nascer.
MB.: Tem muitas vagas?
DM.: Não, temos poucas, o que é pena. Muitos terrenos foram vendidos e a reversão é difícil. E a zona industrial ainda não está concluída em termos de infra-estruturas. Notificámos alguns proprietários para construírem ou devolverem os terrenos. Alguns estão a devolver, para começarmos a construir.
Também mantemos a dinâmica de termos uma das melhores praias da Europa. Continuamos com a bandeira azul. Na conferência de imprensa fomos dados como exemplo de Portugal e da Europa em termos de praias fluviais, o que significa que estamos a melhorar cada vez mais e a atribuir-lhe, cada vez mais, uma importância significativa.
No turismo, integramos parte integrante da UNESCO com o Geoparque Terras de Cavaleiros. Também a Reserva da Biosfera traz uma mais-valia.
Estamos a fazer parcerias com concelhos do litoral, aonde levamos as nossas exposições temporárias. Já estivemos na Maia e em Oliveira de Azeméis, para que eles possam vir.
Gostaríamos de trazer para cá as pessoas que vêm ao Azibo, para que venham desfrutar do espaço.
MB.: O que é preciso para que isso aconteça?
DM.: A vontade dos macedenses era que houvesse uma avenida até ao Azibo, o que está fora de questão pois temos uma paisagem protegida. De qualquer forma, queremos melhorar os acessos até ao Azibo a partir de Macedo de Cavaleiros. Temos de usar outras estratégias para as pessoas virem até cá, como oferecer mais qualquer coisa para que as pessoas também cá venham. Temos o museu de Arte Sacra. Até outubro vamos abrir o de Martim Gonçalves de Macedo e o de arqueologia. São ofertas que podemos garantir. Apesar de Macedo ter cerca de 170 anos, tem muito património. Vê-se isso no Geoparque. Foi um processo difícil mas que teve retorno. Tivemos cá franceses de um outro geoparque, pelo interesse da castanha. Os italianos ficaram muito agradados com os nossos freixos. E, de facto, temos tido muitas visitadas no geoparque. Tivemos um grupo enorme da Luftansa.
Além disso continuaremos a ter todas as nossas atividades, como a Feira da Caça ou o caretos, a Feira do Mel, a Feira da Saúde, a mostra agrícola e a Feira de S. Pedro. No verão temo as festas das freguesias, mais o vólei de praia.
MB.: Chegou a falar-se de um campo de golfe, de um hotel... Esses projetos ainda estão de pé?
DM.: Estamos a terminar o PDM e o campo de golfe continua.
MB.: Continua a estar previsto e a ser um objetivo da autarquia?
DM.: Continua. O parque de campismo também. Não aquele de massas mas que possa atrair pessoas, de forma diferente. A zona também já está identificada e agora só precisamos de arranjar os investidores. A autarquia não pode estar em tudo porque não temos vocação de gestão em espaços dessa natureza. Cabe-nos dar todas as condições aos promotores que queiram vir. Estamos a concluir uma brochura para divulgar o nosso concelho junto dos investidores.
MB.: E o hotel?
DM.: Temos identificados três locais. Claro que não é uma hotelaria de grandes dimensões. Também estão previstos bungalows e uma envolvência com turismo de natureza, das torres de escalada ao rapel.
MB.: Neste momento existem duas praias. Tem previsto o alargamento da zona balnear?
DM.: Vamos ver o que os fundos comunitários nos permitem. Temos prevista mais uma praia fluvial e duas piscinas fluviais. Também está previsto um pavilhão de remo. Não para guardar materiais mas para a competição. Mais um parque de merendas, na zona mais próxima de Macedo, que tem uma profundidade grande. Há algumas pontes que queremos fazer para encurtar caminhos.
MB.: Chegou a dizer-se que a realização da Feira de S. Pedro poderia estar em causa este ano. O que aconteceu?
DM.: O modelo vinha esgotado. Temos uma associação comercial que só se dedica, há vários anos, à Feira de S. Pedro. É o único motivo da sua existência. Penso que não deve ter como mote único a realização da feira. Deve ter motivos mais latos e de ajuda aos seus associados, que são as empresas de Macedo. Isso não vinha acontecendo e decidimos mudar o figurino e criar uma comissão de festas e feiras, aprovada em reunião de câmara e constituída.
Essa comissão é composta por nove elementos. Este ano tivemos pouco tempo mas estamos a concretizar a própria festa e feira empresarial.
MB.: Mas ouviram-se algumas críticas do presidente da Associação Comercial, de que poderiam estar em causa alguns empregos.
DM.: A vocação da Associação tem a ver com os seus associados, poder fazer formação, rentabilizar as instalações. Não pode ser a feira de S. Pedro a pagar salários aos funcionários. O protocolo que estava instituído desde 1987 dizia que, se houver receitas, ficam para a associação. Se der prejuízo, é a Câmara que paga tudo. Assim não custa gerir. Agora temos um orçamento, que até pode ser ultrapassado, mas é uma comissão que gere, tem rosto, de todos os quadrantes políticos. Se formos por este caminho, vamos todos.
O que queremos é atrair visitantes. A Associação tem de atrair empresas para ter um certame com força, dinâmico e que pelas empresas atraia visitantes.
MB.: Com esta mudança, mudou também o orçamento?
DM.: O orçamento mudou um pouco.Só no fim é que se fazem as contas mas está previsto gastar menos. Orçamento chegou a rondar os 200 mil, 170 mil... Este ano não queremos ultrapassar os cem mil euros. E vamos ter mais um dia. Penso que vai correr bem. Deixamos de ter algumas coisas que existiam, como convites e entradas gratuitas. As coisas custam dinheiro e, por isso, têm de ter retorno. As entradas serão pagas no recinto mas teremos festas fora do recinto. Fecha sempre às 00h30 e, depois, dinamizaremos a cidade, para que as pessoas venham para a rua e estejam algum tempo em vez de estarem fechados no recinto.
in:mdb.pt
Já deu entrada no tribunal de Mirandela, o caso de alegada negligência na assistência médica a uma mulher de 69 anos, na urgência do hospital de Mirandela, que viria a falecer uma semana depois.
Depois da própria Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSNE) ter concluído que houve negligência de um médico, a família da vítima esperou por uma resposta da queixa apresentada à Ordem dos Médicos, para suspender em definitivo o profissional de saúde em causa.
Três meses depois não houve qualquer avanço e a família avançou com uma ação em tribunal contra o médico e a ULSNE. “A negligência não chega. É preciso justiça”, é desta forma que Fernanda Gonçalves, uma das filhas da vítima, justifica o facto da família ter avançado com esta ação em tribunal.
in:mdb.pt
Durante o passado fim-de-semana, dias 20 e 21 de Junho, a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo assinalou a chegada do Verão com um conceito diferente do habitual, destinado a crianças e famílias.
O Festival do Solstício teve lugar na Santa Leocádia com uma vista privilegiada para a vila de Moncorvo.
Foram várias as atividades realizadas no âmbito do ambiente e da ciência que proporcionaram um dia diferente e culturalmente enriquecedor para os muitos participantes que por ali passaram. Destaque para as oficinas da ciência, observação astronómica, animação infantil, visitas orientadas e workshops. O festival contou também com um lado lúdico, tendo-se realizado concertos com Rão Kyao, Carlos Rodrigues, Escola Municipal Sabor Artes, Ricardo Tojal, Aldebaran Duo e Dj Who.
O Festival terminou com uma performance de boas vindas ao verão, onde o Grupo Alma de Ferro Teatro representou todo o fenómeno astronómico e pagão que marca e celebra o início do Verão.
O Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Nuno Gonçalves, explicou que “ O Solstício de Verão tem muito a ver com o clima e a luminosidade que Torre de Moncorvo tem e um local ímpar para a realização destas atividades”, salientando ainda que se pretende “um ambiente de qualidade com perspetivas de futuro e isso só se consegue ensinando às crianças o porquê e a importância de preservamos o ambiente.”