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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

"Queremos, por exemplo, cortar uma árvore e não nos deixam" disse um habitante do Parque de Montesinho

Assinalam-se hoje os 40 anos da criação do Parque Natural de Montesinho.
As pessoas que residem na área abrangida têm vindo, desde há muito, a manifestar-se contra a forma como é gerida a área protegida. Na aldeia de Aveleda, em Bragança, a população está revoltada pela acumulação de areia no rio.

“O Parque Natural de Montesinho está a implicar, não deixa fazer aqui represa, temos areia que nos enche o leito do rio. Quando é Inverno, o leito sobe e vai a água para as casas e não deixam tirar a areia nem deixam limpar nada. Queremos, por exemplo, cortar uma árvore e não nos deixam. Antes não era assim”, referiu Manuel Cardoso, habitante de Aveleda.

José Torrão vive em Varge, concelho de Bragança, e acredita que os terrenos devem ser limpos, porque só dessa forma a natureza é conservada. Porém, já foi multado por ter limpado a sua propriedade.

“Eu fui multado porque limpei o meu terreno. Eles é que deviam vir ver agora, se vale a pena limpar ou não vale a pena limpar. Fui multado com 2821€ e depois mais 100€ para os papeis deles e depois fizeram fazer-me o levantamento da terra, paguei mais 300€ e aquilo resolveu-se em 3000 e tal euros”, explicou.

Amílcar Lourenço, de Rabal, Bragança, já sabe as normas do parque e, por isso, tira as licenças sempre que precisa de cortar árvores perto do rio. Ainda assim, defende que antes da existência do parque as pessoas sabiam preservar a flora da região.

“Torna-se mais difícil, porque antes era à vontade do cidadão. Eu já cortei (árvores) e tenho tirado licença e, às vezes, tem que se esperar algum tempo. Ultimamente nem me parece que tem havido mais pressão, eles apenas querem que a gente tire a licença. Antigamente ninguém controlava e as árvores estão lá, já centenárias, já vinham dos nossos pais”, disse.

Os autarcas de Bragança e Vinhais, concelhos que integrantes do Parque de Montesinho, também já por várias se tinham mostrado contra a gestão feita pelo ICNF da área protegida.

A cerimónia de celebração dos 40 anos da criação do Parque Natural de Montesinho acontece hoje em Bragança com a presença da secretária de Estado do ordenamento do Território, que se deslocará ainda a Vinhais.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

LENDA DE CASTRO VICENTE

Conta a lenda que, pelo século VIII da era cristã, quando os Mouros dominavam ainda a Península Ibérica, por estas terras do Nordeste Transmontano, havia um mouro que se encontrava na fortaleza do monte Carrascal, onde é hoje o Santuário de Balsamão da freguesia de Chacim, concelho de Macedo de Cavaleiros.
Este mouro lançara um odioso tributo – o Tributo das Donzelas -que conseguiu impor aos povoados destas imediações. Consistia o nefando Tributo, em obrigar todas as donzelas, no dia do casamento, a irem passar a noite de núpcias, no leito do mouro poderoso e sensual.
Aconteceu que uma formosa donzela de Castro foi pretendida pelo filho do chefe dos «Cavaleiros das Esporas Doiradas» de Alfândega da Fé. A jovem honesta e digna recusava-se ao casamento, para não se sujeitar ao tributo das donzelas que o infame mouro do monte Carrascal exigia. O noivo garantiu-Ihe que o mouro não a obrigaria a prestar esse tributo, porque no dia do casamento mobilizaria os «Cavaleiros das Esporas Doiradas», para fazerem frente ao cruel e tirânico mouro.
Numa manhã radiosa, os noivos e muito povo dirigiram-se para a capela do Santo Cristo da Fraga, onde se realizariam os esponsais. Quando o cortejo regressava a casa dos pais da noiva, um possante e feroz mouro, cumprindo as ordens do Emir do monte Carrascal, raptou a Noiva e colocou-a no cavalo, sendo acompanhado por uma grande e terrível escolta de soldados mouros. Ainda não tinham chegado os «Cavaleiros das Esporas Doiradas» de Alfândega. Quando chegaram dirigiram-se para o monte Carrascal, seguindo à frente o noivo desorientado.
No sopé do monte Carrascal, travou-se um terrível combate, entre mouros deste monte e os cristãos de Castro, de Alfândega e de mais povoações circunvizinhas. No ardor do combate, apareceu no Céu, a imagem branca de Nossa Senhora, qual Divina Enfermeira, com um vaso de bálsamo na mão, a curar os cristãos feridos que, de novo, voltavam para o combate. O noivo conseguiu penetrar na alcova do cruel e tirânico mouro, o Emir, a quem decepou a cabeça. Ao seu encontro vem a sua querida esposa já desfalecida, mas ilesa do nefando tributo.
Deste acontecimento resultou o nome de Castro Vicente (em documentos antigos aparece com a designação de VENCENTE), pela vitória alcançada; Alfândega, nome de origem árabe (Alfandagh...) recebeu o nome de Alfândega da Fé.
A chacina dos mouros deu o nome a Chacim. Diz a tradição que a Capela-Mor do actual Santuário de Balsemão fora uma antiga Mesquita de mouros; assim como o Santuário do Santo Cristo da Fraga de Castro Vicente sobranceiro ao rio Sabor, fora também uma Mesquita de mouros que tinha sido conquistada pelos Cristãos, na época histórica da reconquista, e onde se tinha realizado o casamento da donzela de que nos fala a Lenda de Castro Vicente.

RECOLHA (1985) de António Neto Pinto – Castro Vicente

FICHA TÉCNICA:
Título: CANCIONEIRO TRANSMONTANO 2005
Autor do projecto: CHRYS CHRYSTELLO
Fotografia e design: LUÍS CANOTILHO
Pintura: HELENA CANOTILHO (capa e início dos capítulos)
Edição: SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE BRAGANÇA
Recolha de textos 2005: EDUARDO ALVES E SANDRA ROCHA
Recolha de textos 1985: BELARMINO AUGUSTO AFONSO
Na edição de 1985: ilustrações de José Amaro
Edição de 1985: DELEGAÇÃO DA JUNTA CENTRAL DAS CASAS DO POVO DE
BRAGANÇA, ELEUTÉRIO ALVES e NARCISO GOMES
Transcrição musical 1985: ALBERTO ANÍBAL FERREIRA
Iimpressão e acabamento: ROCHA ARTES GRÁFICAS, V. N. GAIA

ULSNE preenche oito vagas nas áreas Hospitalar e Cuidados de Saúde Primários

A Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste preencheu oito vagas para médicos especialistas nas áreas Hospitalar e de Cuidados Saúde Primários. Mas ficaram ainda sete lugares por preencher.
Foram agora colocados 2 especialistas na área de Medicina Interna, 2 de Cirurgia Geral, 1 em Neurologia, 1 em Ortopedia, 1 em Psiquiatria e 1 em Medicina Geral e Familiar.

Nesta fase do concurso ficaram por preencher sete vagas, uma na especialidade de Oftalmologia, duas na de Otorrinolaringologia, uma de Pediatria, duas de Medicina Interna e uma de Urologia.

Foram preenchidas a totalidade das vagas a concurso no caso das especialidades de Cirurgia Geral, Neurologia, Ortopedia, Psiquiatria e Medicina Geral e Familiar.

Segundo a ULS Nordeste, isso “contribui para a melhoria da dotação de pessoal médico em áreas fundamentais” melhorando a actividade assistencial prestada nas Unidades de Saúde.

No âmbito deste concurso, falta ainda serem conhecidos os resultados relativos à colocação de oito clínicos em outras tantas especialidades (Anestesiologia, Cardiologia, Doenças Infeciosas, Gastrenterologia, Ginecologia/Obstetrícia, Medicina Física e Reabilitação, Nefrologia e Pneumologia).

Em comunicado, a ULS do Nordeste congratula-se com os resultados desta primeira fase do concurso para recém-especialistas de 2019, que, dizem, “demonstrar a atratividade da instituição para profissionais altamente qualificados”.

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)

Os Anjos Têm Olhos Azuis

Por: Manuel Amaro Mendonça
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

No princípio tudo estava escuro. Pequenos pontos de luz, quase como estrelas, viam-se ao longe. Estaria a ver o céu? Estaria deitado num prado relvado numa noite estrelada de verão? Algumas “estrelas” moviam-se lentamente e outras com mais velocidade… mas moviam-se sem dúvida. Estrelas cadentes? Tantas? O universo estava definitivamente vivo!
O negrume intimidador parecia até convidativo, sentia vontade de se juntar àquela dança de estrelas, de ser uma delas a vogar na imensidão. Sentia isso, mas não percebia o que sentia mais, havia uma leveza, uma ausência de algo… O seu corpo; percebia que mandava comandos aos dedos e depois aos braços e às pernas, mas não sabia se eram executados. Na escuridão absoluta, mexia os braços e as pernas e não tocava em nada. Não, não estava deitado no prado verdejante, antes flutuava naquela matéria escura, longe das estrelas. Flutuava? Caía! Uma sensação de terror percorreu o corpo que não sentia e arrepiou os pelos do pescoço que não sabia se estavam lá.
Agora estava… no fundo do mar? A sua visão ondulava, como que debaixo de água e havia pequenas fitas verdes, que partiam do chão coberto de seixos e areia dourada, agitavam-se, tentando libertar-se e fugir para a superfície. Vendo-as de perto, parecia distinguir rostos que apareciam e desapareciam em expressões de angustia ou simplesmente desespero. Por entre as fitas, passavam por vezes corpos escuros, como golfinhos luzidios e sorridentes, flutuando, nadando?
“Isabel?” O pensamento pareceu ganhar forma e solidez e como as sombras escuras, nadou para longe. Mas o que quer que fosse que o fez pensar naquele nome, não se fora embora e o rosto dela acudiu-lhe à memória, dolorosamente.
Uma das sombras escuras pareceu imobilizar-se à distância e observa-lo, por entre as ondulantes fitas verdes. Depois, nadou decididamente na sua direção enquanto se metamorfoseava numa mulher, de cabelos escuros e esvoaçantes. O corpo coberto por um diáfano vestido branco, ocultava-lhe os pés, que agora caminhavam. Toda ela era em tons de cinzento, sobressaindo da tonalidade azulada das águas e do verde das fitas entre eles.
“Luís.” A voz quente ecoou-lhe na privacidade dos seus pensamentos. “Vieste!”
“Como poderia não vir?” Ele achava que tinha lágrimas nos olhos, se eles existissem.
“Não devias!” A voz que o acariciava, repreendia-o. “Fiz-te muito mal, deixei-te...”
“Disse-te que o meu amor estava para além de tudo. Não podia deixar de vir.”
Ela “flutuou” em volta dele fazendo-o rodar sobre si próprio e reluzir fracamente, como um holograma. Encostou o nariz ao dele, focando os expressivos e brilhantes olhos azuis, a única parte que parecia manter-se colorida nela.
“Os teus olhos… tão azuis!” Ele suspirou mentalmente.
“Já eram azuis, assim continuam.” Ela afirmou pragmática.
“Todos os anjos têm olhos azuis?” Era mais um pensamento do que propriamente uma pergunta.
“Porque achas que sou um anjo?” Havia divertimento na interrogação.
“És bela como um anjo, flutuas… tens olhos azuis...”
“A beleza, é a dos teus olhos. Aqui somos todos iguais: simples sombras acinzentadas, vagueando numa tristeza morna. Libertos da prisão do corpo, mas presos numa decisão precipitada. São os teus olhos que me veem com amor e constroem aquilo que não se vê… como podiam os olhos serem azuis, num mundo onde o cinzento reina?”
“Mas há os teus olhos, azuis, as fitas verdes que se querem libertar do chão de areias douradas. A própria água é um azulado cristalino!” Ele contrapôs.
O rosto dela mascarou-se de uma tristeza momentânea, antes de brilhar novamente com esperança. Ergueu lentamente uma mão que usou para acariciar com suavidade o rosto de Luís, que se tornou sólido para receber o afago. E ele sentiu aquele toque suave e meigo, embora sem calor, mas igual a tantos outros, há tantos milhares de anos atrás.
“És um anjo sim!” Concluiu ele, de olhos fechados, com um sorriso beatífico. “Agora estou feliz.”
“Também estou feliz por te ver.” Os lábios finos dela arredondavam-se num sorriso subtil, mas os olhos tremiam numa tristeza profunda. “Fiz-te muito mal e gostava de te poder compensar… não sei se alguma vez conseguirei… Fiquei feliz por te ver, mas não pode ser assim!”
“Que dizes?” Todo o corpo dele começava a adquirir uma solidez igual à dela e os dois seres, cinzentos, flutuavam um em frente ao outro, de mãos dadas.
“Não pode ser assim.” Ela repetiu, afastando o azul dos olhos para se perderem no horizonte. “Ainda não é hora! Não podemos ficar juntos.”
“Porquê? O que se passa?” Havia alarme nos pensamentos fazendo tremeluzir as águas, pressentindo o desequilíbrio.
“Não é hora, simplesmente.” Ela soltou as mãos dele e afastou-se uns centímetros. “Tens de ir!”
“Não quero!” Ele insistiu, o corpo cintilando entre desvanecer-se e agrupar-se num corpo quase sólido.
O rosto dela endureceu por uns segundos mas rapidamente voltou a máscara do amor e os seus lábios estreitaram-se num beijo. No segundo seguinte, empurrou-o com violência e imprimiu forte o pensamento: “Vai!”
Foi de um salto só que ele caiu da banheira, de joelhos sobre o tapete da casa de banho, completamente encharcado e nu.
Chorando de dor e saudade, vomitou golfadas de água e comprimidos mal digeridos.

Manuel Amaro Mendonça nasceu em Janeiro de 1965, na cidade de São Mamede de Infesta, concelho de Matosinhos, a "Terra de Horizonte e Mar".

É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (Agosto 2015), "Lágrimas no Rio" (Abril 2016) e "Daqueles Além Marão" (Abril 2017), todos editados pela CreateSpace e distribuídos pela Amazon.

Ganhou um 1º e um 3º prémio em dois concursos de escrita e os seus textos já foram seleccionados para mais de uma dezena de antologias de contos, de diversas editoras.

Outros trabalhos estão em projeto e saírão em breve, mantenha-se atento às novidades AQUI.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

BRAGANÇA - Projeções Cinematográficas | Setembro 2019

Manuel Ventura Teixeira Lopes – Estátua do Duque de Bragança (1964)

Em 1964, sendo Presidente da Câmara de Bragança Adriano Augusto Pires (1954-1967), as comemorações do V Centenário do Foral de Bragança concedido por D. Afonso V foram assinaladas com a inauguração, junto às muralhas, da estátua de D. Fernando (1403 1478), 2.º Duque de Bragança, pelo Presidente da República, Américo Tomás.

No ano anterior, a 29 de novembro, em reunião camarária, fora tomada a decisão de pedir ao ministro das Obras Públicas e à Casa de Bragança a oferta das estátuas dos funda-dores D. Fernando e D. Afonso V, a serem inauguradas por ocasião das Comemorações do V Centenário da criação da Cidade, ficando a Câmara com o compromisso de efetuar todo o arranjo urbanístico necessário à sua implantação na Praça do Professor Cavaleiro de Ferreira.
Pela imprensa local, tomamos conhecimento do desenrolar das festividades que ocorreram na Cidade, dando início às comemorações.
Na Sé de Bragança celebrou-se um solene Te Deum, onde compareceram altas individualidades, entre as quais se destacavam o duque de Bragança, D. Duarte Nuno, como representante da Casa de Bragança, e o Governador Civil do Distrito, Horácio António Gouveia, bem como todo o Cabido da Sé. Após a cerimónia religiosa, seguiu-se na Domus Municipalis a sessão solene comemorativa do V Centenário da Cidade, destacando-se o discurso do Presidente da Câmara, Adriano Augusto Pires, no qual foi mencionada a decisão de se erigir uma estátua a D. Fernando, 2.º duque de Bragança, cuja execução fora entregue ao escultor Manuel Ventura Teixeira Lopes, que já estivera em Bragança a fim de estudar a localização que iria ter à entrada da cidadela, no jardim do lado sul.
Em 24 de abril de 1964, o mesmo jornal referia que o Ministério das Obras Públicas pagaria a quantia de duzentos contos pela estátua, sendo o pedestal da responsabilidade da Câmara Municipal, com a ajuda da Casa de Bragança. Em 26 de junho, a imprensa refere que, devido às dificuldades financeiras do Município, o ministro das Obras Públicas, Eduardo de Arantes e Oliveira, concedeu, para além da verba referida, quatrocentos e setenta e cinco contos para a realização da totalidade da obra, tendo em vista as comemorações agendadas de 20 a 30 de agosto.
A escolha do local para a ereção da estátua pertenceu à Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que ficava também com a incumbência de orientar e fiscalizar os trabalhos, sendo da responsabilidade do arquiteto Viana de Lima o estudo relativo ao ajardinamento da zona. Por fim, a 30 de agosto, na presença do Presidente da República e demais autoridades, e como ponto alto dos festejos comemorativos, foi lido pelo diretor-geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, Pena da Silva, o auto de entrega da estátua de D. Fernando à Cidade de Bragança, sendo o monumento descerrado pelo almirante Américo Tomás.
Por fim, e uma vez que o Ministério das Obras Públicas havia coberto as despesas da execução da estátua, a verba concedida pela Fundação Casa de Bragança para o pedestal teve outro destino; com efeito, na reunião camarária realizada em 4 de setembro, foi apresentado um ofício da referida fundação, determinando que essa quantia ficaria “destinada à criação de dois prémios anuais de quinhentos escudos cada um, a atribuir a dois alunos (um rapaz e uma rapariga) que completem o curso de instrução primária (2.º grau) nas escolas primárias desta Cidade, devendo os prémios ter o nome de “D. Fernando, 2.º Duque de Bragança”.
Manuel Ventura Teixeira Lopes, o autor da estátua em bronze do 2.º Duque de Bragança, está ligado por laços familiares a uma notável família de escultores de Gaia, cujo máximo expoente foi o grande mestre Teixeira Lopes, seu tio. Nascido em Gaia (1907-1992), iria, para além da sua carreira artística, ter um papel importante como conservador da Casa Museu Teixeira Lopes. Representado em vários museus portugueses, destacando-se entre todos o Museu Nacional Soares dos Reis, Manuel Ventura Teixeira Lopes tem obra espalhada por terras transmontanas, destacando-se particularmente esta em Bragança.

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

Futebol Espetáculo é na TASKA

Novos ninhos de vespa asiática detetados no concelho de Macedo de Cavaleiros

Têm vindo a ser detetados ninhos de vespa velutina (ou asiática) no concelho de Macedo de Cavaleiros. O primeiro foi descoberto no ano passado, na aldeia de Malta, mas há cerca de duas semanas, um novo ninho foi identificado e destruído no centro da aldeia de Bornes.

Pedro Mascarenhas, responsável pelo pelouro da Proteção Civil do Município Macedense, acredita que na zona envolvente destas aldeias possam existir mais focos desta vespa:

“Descobrimos no ano passado um ninho na zona de Malta que estava desocupado. Há pouco tempo, foi descoberto e destruído um ninho ocupado, no centro da aldeia de Bornes. Ao estarem no centro da aldeia, desconfiamos que na zona envolvente também possa haver, e se foram detetados em Malta e em Bornes, leva-nos a crer que aquela zona da serra possa ter mais ninhos de ambos os lados.”

Fica por isso o alerta a toda a população para que contactem todas as associações envolvidas na exterminação desta praga, sempre que desconfiem da existência de um ninho:

“A nossa preocupação é que as pessoas estejam atentas e se virem alguma coisa, ou desconfiarem que é um ninho de vespa asiática, pelo sim pelo não é melhor comunicarem e depois alguém irá tirar dúvidas e verificar. Se for, será destruído. A Câmara Municipal assinou um protocolo com a Associação de Produtores de Mel – A Seita da Abelha e com os Bombeiros Voluntários. São as três associações que estão responsáveis por destruir os ninhos. Para já, intervimos em duas situações, mas estamos preparados para as que possam aparecer para evitar que haja ferimentos ou danos pessoais.”

A vespa asiática é ligeiramente mais pequena que a vespa crabro. Tem o tórax e cabeça pretos sem manchas de cor e o abdómen também preto apenas com um segmento amarelo.

Escrito por ONDA LIVRE

Corpo de homem de 51 anos encontrado a boiar no rio Tua

A GNR encontrou o corpo de um homem de 51 anos no rio Tua, na localidade de Sobreira, no concelho de Murça.
O homem, residente em Sobreira,  estava desaparecido desde ontem, e depois do alerta da família a GNR iniciou as buscas, vindo a encontrar esta manhã o cadáver a boiar no rio.

No local estiveram os bombeiros de Murça com 15 homens e 7 viaturas.

INFORMAÇÃO CIR (Universidade FM)

Acção de sensibilização para o uso do tractor é uma das novidades da IV Feira da Agricultura, em Macedo de Cavaleiros

De 6 a 8 de Setembro, Macedo de Cavaleiros recebe a quarta edição da Feira da Agricultura.
Este ano, as novidades passam pela realização de palestras e mesas redondas com temas direccionados aos agricultores.

“É também destaque a importância da raça mirandesa na nossa região e comercialização das carnes DOP e as políticas locais de descentralidade alimentar. No domingo a novidade surge seguir ao almoço, e antes da gincana de tractores, com uma acção de sensibilização sobre segurança na utilização do tractor agrícola, visto que a nossa região, infelizmente, é muito comum haver acidentes de tractor e normalmente sempre com fins trágicos”, avança Rui Vilarinho, vereador do Município de Macedo.

Uma forma de levar mais conhecimento aos técnicos agrícolas, já que este é o sector com mais impacto económico na região transmontana.

“Acho que temos a necessidade de aprender cada vez mais sobre o conceito agrícola, sobre aquilo que é a sua exploração e o respeito pelo ambiente. O conhecimento é algo que não ocupa lugar e é aquilo que mais rico tem o ser humano, a nossa missão também é levar até ao agricultor o conhecimento para depois ele poder aplicá-lo e que surta o efeito que desejamos”, disse.

De regresso está o concurso de jogos tradicionais que vai na segunda edição. Depois de no ano passado ter reunido cerca de 300 participantes, o objectivo é conseguir dinamizar ainda mais a actividade. E há boas expectativas para o certame.

Nesta quarta edição da Feira da Agricultura mantém-se a venda e exposição de produtos endógenos, os concursos de raças autóctones, provas e degustações e a habitual gincana de tractores. A abertura oficial acontece no dia 6 às 18h30, no Parque Municipal de Exposições.

Escrito por Onda Livre

Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite

As produções agrícolas são a base da economia de Carrazeda de Ansiães e vão estar em destaque, durante o fim de semana, no certame dos produtos que movimentam mais de 20 milhões de euros no concelho transmontano.

Há 20 anos que a Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite é a montra do potencial agrícola do município do distrito de Bragança ribeirinho do Douro e do Tua e, entre sexta-feira e domingo, junta cerca de 80 expositores representativos da economia regional.

O evento tem espaço também para a animação musical, manifestações e usos rurais do concelho e a reprodução de uma quinta agrícola para os mais novos experimentarem o papel dos agricultores.

A maçã dos pomares plantados no planalto de Carrazeda de Ansiães é o produto agrícola que distingue este município que produz cerca de 25 mil toneladas por ano em mais de 700 hectares, como indicou o presidente da câmara, João Gonçalves, em entrevista ao jornal Mensageiro de Bragança.

De acordo ainda com o autarca, esta atividade agrícola que representa “cinco milhões de euros diretos” para a centena de produtores do concelho.

A área de plantação tem vindo a aumentar e a produção tem garantido o escoamento, sendo a falta de mão-de-obra uma das principais dificuldades com que se deparam os agricultores num concelho com pouco mais de seis mil habitantes.

Há vários anos que os produtores recorrem ao trabalho de migrantes, estando já fixada no município uma comunidade de estrangeiros considerável que se multiplica na época das campanhas agrícolas, nomeadamente na apanha da maçã e na vindima, que ocorrem por esta altura do ano.

O vinho é o produto agrícola com maior peso económico, mais de 15 milhões, segundo as contas do autarca deste concelho integrado na zona demarcada do Douro com 2.500 hectares de vinhas.

Para melhorar as condições de apoio às atividades agrícolas, a autarquia pretende alargar em mais 40 lotes a zona industrial a pensar sobretudo no armazenamento de fruta.

O regadio é outra preocupação e a razão da ambição de uma nova barragem pensada para o Lugar da veiga, próximo da vila de Carrazeda de Ansiães, avançou João Gonçalves.

O potencial agrícola, mas também turístico do concelho está em destaque durante os três dias da feira numa tenda com 1.100 metros quadrados de área de exposição e venda, como informou a autarquia.

O município espera “milhares de visitantes” no certame composto ainda por uma outra área de exibição e venda dos restantes produtos locais e regionais onde se destacam os frutos secos, mel, doces regionais, folares, bolas de carne, queijos, fumeiro e enchidos.

As noites serão animadas com artistas nacionais como Carolina Deslandes, Calema e Emanuel.

No segundo dia da feira, as ruas da sede de concelho “vão encher-se de cor e alegria com a passagem do cortejo etnográfico” representativo “das mais antigas manifestações e usos rurais deste território”.

No domingo há também a vertente religiosa com uma procissão de todos os oragos (padroeiros) do concelho em andores enfeitados com flores naturais.

Foto: Antonio Pereira
in:diariodetrasosmontes.com
C/Agência Lusa

Antigos coordenadores do Parque Natural de Montesinho querem maior proximidade às populações

Numa altura em que se assinalam os 40 anos da criação do Parque Natural de Montesinho, antigos dirigentes da área protegida esperam que o modelo inicial do parque regresse e haja uma maior aproximação às populações, como afirmam que acontecia nos primeiros anos.

Carlos Guerra, que esteve à frente do Parque Natural de Montesinho entre 1993 e 1998, critica a filosofia de gestão dos últimos anos que levou ao afastamento dos residentes na área do parque e espera que o 40.º aniversário seja um ponto de viragem. “Espero que haja o regresso ao que eram os princípios e os valores que estiveram na génese da criação do PNM, a conservação da natureza, da paisagem, mas também um bom exemplo do que deve ser o desenvolvimento sustentável. O PNM tem uma área habitada que é do tamanho da ilha da Madeira e que tem muita gente a viver lá dentro e há diferentes categorias e usos do solo. Nos últimos anos, infelizmente, a política do ICNB e do ICNF correspondeu sobretudo a uma maior atenção sobre o que seria apenas os valores da conservação da natureza, a instituição afastou-se completamente da sua génese, que foi sempre uma gestão de uma forma muito articulada com as populações e trabalhando para o bem-estar das populações”, destacou.

Carlos Guerra considera que um parque não pode ser uma reserva natural e recorda que já houve tempos em que as populações que integram esta área protegida se identificavam com o PNM.

Dionísio Gonçalves também recorda os primeiros anos do parque como de convivência mais saudável dos habitantes com o parque e os seus dirigentes. O primeiro coordenador desta área protegida considera que foram as populações “os arquitectos do parque”.

Também para Dionísio Gonçalves, que foi coordenado do parque de 1979 a 1983 e ente 1986 e 1992, é preciso trabalhar para uma aproximação entre a direcção e as populações. “Segundo tenho conhecimento, as pessoas que vivem no parque sentem-se como que perseguidas. As equipas têm de andar em cima das populações, por causa das directivas, da poluição. Os objectivos da criação do PNM foram ajudar a que os arquitectos do parque, as pessoas que vivem cá e que construíram esta paisagem se pudessem manter e continuar a construir essa paisagem. Tem de haver uma ligação muito estreita entre as pessoas que vivem e os que têm de executar as tarefas de gestão”, afirmou.

O Parque Natural de Montesinho, que integra território dos concelhos de Bragança e Vinhais foi instituído a 30 de Agosto de 1979, num decreto lei que valorizava “a riqueza natural e paisagística do maciço montanhoso Montesinho - Coroa e os valiosos elementos culturais das comunidades humanas que ali se estabeleceram”. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

«QUALQUER DIA» poema de São Marques, diz Luiz Vinagre

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")



Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.

Participei nas colectâneas:
POEMA-ME
POETAS DE HOJE
SONS DE POETAS
A LAGOA E A POESIA
A LAGOA O MAR E EU
PALAVRAS DE VELUDO
APENAS SAUDADE
UM GRITO À POBREZA
CONTAS-ME UMA HISTÓRIA
RETRATO DE MIM.
ECLÉTICA I
ECLÉTICA II
5 SENTIDOS
REUNIR ESCRITAS É POSSÍVEL – Projecto da Academia de Letras Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina
Livros editados:
-O ROSEIRAL DOS SENTIDOS
-SUSPIROS LUNARES
-DELÍRIOS DE UMA PAIXÃO
-ENTRE CÉU E O MAR
-UMA ETERNA MARGARIDA

Carta de Pero Vaz de Caminha a El Rey Don Manuel I de Portugal…

Por: Silvino dos Santos Potêncio
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..")
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil – desde 1979
Senhor, posto que o Capitão-Mor desta vossa frota, e assim (mesmo) os outros Capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não deixarei de  também  dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que – para o bem contar e falar – o saiba pior que todos fazer!
 Todavia tome Vossa Alteza a minha ignorância por boa vontade, a qual bem certo creia que, para aformosentear nem afear, aqui não há-de pôr mais do que aquilo que vi e me pareceu.
 Da marinhagem e das singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza – porque o não saberei fazer – e os pilotos devem ter este cuidado. 
 E portanto, Senhor, do que hei de falar começo; 
 E digo que; 
A partida de Belém foi – como Vossa Alteza sabe, segunda feira a 9 de Março. E sábado, 14 do dito mês, entre as oito e nove horas nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grande Canária. E ali andámos todo o dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas mais ou menos, houvémos vista das Ilhas de Cabo Verde, a saber da Ilha de São Nicolau, segundo o dito de Pero Escobar, piloto. 
 Na noite seguinte, à segunda-feira (quando) amanheceu, se perdeu da Frota Vasco de Ataíde com a sua Nau, sem haver tempo forte ou contrário para (isso) poder ser!
 Fez o Capítão suas diligências para o achar, em umas e outras partes. Mas… não apareceu mais! 
E assim seguimos o nosso caminho, por este mar de longo, até que Terça-Feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de Abril, topámos alguns sinais de terra, estando (distantes) da dita Ilha -  segundo os piltos diziam, obra de 660 ou 670 léguas – os quais (sinais) eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, e assim mesmo outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam de fura-buchos. 
Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvémos vista de Terra! A saber;primeiramente de um Grande Monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o Capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!
Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças. E ao sol posto umas seis léguas da terra, lançámos âncoras, em dezanove braças – ancoragem limpa. Ali ficámo-nos toda aquela noite. E quinta-feira pela manhã, fizemos vela e seguimos em direitura à terra, indo os navios pequenos diante – por dezassete, dezasseis, quinze, catorze, doze, nove braças - até meia légua da terra, onde todos lançámos âncoras, em frente da boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas, pouco mais ou menos. 
E dali avistámos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos que chegaram primeiro. Então lançámos fora  os batéis e esquifes. E logo vieram todos os Capitães das Naus a esta Nau do Capitão-Mor. E ali falaram. E o Capitão mandou em terra a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou a ir-se para lá, acudiram pela praia homens aos dois e aos três, de maneira que, quando o batel chegou à boca do rio, já lá estavam dezoito ou vinte!...
 Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram. Mas não pode deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Sómente arremessou-lhe um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça, e um sobreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro de penas de ave,compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas como de papagaio…

(in: “O BRASIL DE 1500” – Volume I)

Autor: Silvino Potêncio – Emigrante Transmontano em Natal/Brasil) 

Nota de Rodapé: este documento encontra-se resguardado e conservado na sua forma original no Museu Nacional “Torre do Tombo” em Lisboa, e algumas das fotos inseridas neste livro são da coleção do Autor em visita ao Castelo de Belmonte – Guarda – Portugal 
E.T. o Autor foi Membro da Comissão Nacional dos Descobrimentos Portugueses nomeada pelo Conselho de Ministros e Esta Comissão exercida no período (1986-2002) foi um organismo público criada pelo Decreto-Lei n.º 391/86, de 22 de Novembro, e integrada na Presidência do Conselho de Ministros, que tinha como objectivo a preparação, organização e coordenação das celebrações dos descobrimentos portugueses dos séculos XIV, XV, XVI e XVII. 
 A CNCDP foi extinta pelo artigo 2.º da Lei n.º 16-A/2002, de 31 de Maio, regulamentado pelo Decreto-Lei n.º 252/2002, de 22 de Novembro do mesmo ano, sendo as suas funções e arquivos absorvidos pelo Ministério da Cultura.


Silvino dos Santos Potêncio, nascido a 04/11/1948, é natural da Aldeia de Caravelas no Concelho de Mirandela – Trás-Os-Montes - Portugal.
Este Autor tem centenas de crônicas, algumas já divulgadas sob o Título genérico de “Crônicas da Emigração”.  Algumas destas crônicas são memórias dos meus 57 anos na Emigração foram incluídas nos Blogs que todavia estão inacessíveis devido ao bloqueio do Portugalmail.pt, porém algumas foram já transcritas para a Página Literária. 
Presidente Fundador do Clube Português de Natal e Membro activo de várias páginas em jornais virtuais ligados ao Mundo da Lusofonia.
01 – POEMAS DE ANGOLA – “Eu, O Pensamento, A Rima!...”
02 – E-Book (Livro Electrônico): “UM CONVITE P’RA TOMAR CHÁ”
03 - CURRIÇAS DE CARAVELAS- TROVAS COMENTADAS é uma Antologia que contém  Trovas  e Textos Auto Biográficos da Aldeia Transmontana. 
        São livros da minha autoria já prontos para Edição e publicação brevemente. 
Actualmente mantenho uma página literária própria, como Emigrante Transmontano em Natal/Brasil, no Portal Recanto das Letras.   
O sitio do Escritor Silvino Potêncio  www.silvinopotencio.net  está aberto a visitas de todos os leitores de Lingua Portuguesa. 


Muito grato pela Atenção e receba um Forte e Fraterno Abraço.

Pode adquirir Ebook´s do autor AQUI.

Homem de 62 anos detido por suspeita do crime de tráfico de estupefacientes

A PSP de Vila Real identificou um indivíduo do sexo masculino, de 62 anos, por suspeita de crime de tráfico de estupefacientes.
O suspeito, natural do distrito de Bragança, mas a residir em Vila Real, chamou a atenção das autoridades por ser frequente a sua presença nos locais conectados com o consumo e tráfico de droga.

A PSP de Vila Real monitorizou o individuo e após algumas vigilâncias foi identificado, tendo sido apreendidos 450 euros e um telemóvel, por estarem relacionados com a atividade de tráfico de estupefacientes.

O suspeito aguarda em liberdade o decorrer das diligências de investigação que ainda decorrem na PSP de Vila Real.

INFORMAÇÃO CIR (Universidade FM)

Mascarados ibéricos divulgados em pacotes de açúcar

Os mascarados ibéricos, do distrito de Bragança e da província de Zamora, estão agora a circular por Portugal e Espanha através de pacotes de açúcar.
Por proposta da Academia Ibérica da Máscara, a Delta Cafés acaba assim de emitir para distribuição um conjunto de dez saquetas de açúcar com pinturas relativas a estas figuras. António Tiza, presidente da academia, sublinha que este é “um meio poderoso" de difundir esta marca identitária das duas regiões. “Representa um meio importante de divulgação desta cultura que é comum, esta é uma forma de entrar, quase sem darmos conta, nos sítios que as pessoas frequentam e quando pegam num saquinho de açúcar e vê a imagem dos caretos, que estão perfeitamente identificados”, afirmou.  

As imagens que figuram nos pacotes de açúcar são da autoria de Luís Canotilho, o primeiro presidente da Academia Ibérica da Máscara. As pinturas de óleo sobre papel deram origem, na altura, a uma exposição no Museu do Abade de Baçal, em Bragança, e depois a um baralho de cartas. O artista e também professor vê-se agradado com a ideia desta cultura estar a ser dada ainda mais a conhecer. “É importante divulgar a cultura transmontana, que é genuína, é única e também temos de ter essa missão. A cultura alimenta-se através da divulgação, porque de outra maneira não se consegue projectar, tudo o que não é divulgado, não existe”, sustentou o artista autor dos trabalhos representados nos pacotes de açúcar.

Os caretos de Grijó de Parada, do concelho de Bragança, os de Ousilhão, do concelho de Vinhais, e os diabos de Riofrio de Aliste, de Zamora, são alguns dos mascarados que estão a circular nos pacotes de açúcar. 

Escrito por Brigantia
Foto: Academia Ibérica da Máscara
Jornalista: Carina Alves

Aprovado alargamento a todo o país do sistema de informação cadastral simplificada e do Balcão Único do Prédio

O Governo já aprovou o alargamento, a todo o território nacional, do sistema de informação cadastral simplificada e do Balcão Único do Prédio.
Pretende-se desta forma aumentar o conhecimento efectivo sobre os proprietários e a propriedade rústica.

Fazendo deste balcão, o BUPI, um instrumento de facilitação e incentivo do processo de registo de prédios, o objetivo é conhecer a propriedade rural para melhorar o ordenamento e protecção do território, explicou, em conferência de imprensa, a secretaria de Estado da Justiça, Anabela Pedroso. “O objectivo estratégico tem a ver com o conhecimento da propriedade, do proprietário e a possibilidade de fazer de forma mais ágil e fácil os procedimentos de justificação e de registo de prédio rústico omisso. Com isto vem-nos permitir que pelo menos nos 150 municípios que têm propriedade rural e não têm nem o chamado cadastro geométrico nem o predial se possa começar a ter um conhecimento mais claro da propriedade e do seu proprietário”, destacou.

A simplificação do processo e a gratuitidade do registo são incentivos para aumentar a área conhecida. “Mantem-se o modelo inicial de gratuitidade para o cidadão ou para as entidades públicas e vem permitir uma situação que nos parece importante do ponto de vista de agilização, todo o procedimento de justificação e registo de prédio omisso passa a ser feito de forma muito mais simplificada e vem permitir poder colocar algumas das peças associadas ao processo de forma desmaterializada e electrónica”, esclareceu.

Este alargamento a todo o país do projecto-piloto, que se iniciou em 10 concelhos, entre eles o de Alfândega da Fé, vai ainda permitir a partilha de informação entre os serviços da administração central.

O diploma, que já foi aprovado em conselho de ministro, é um dos elementos da Reforma das Florestas, integra o Programa de Valorização do Interior, bem como do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

terça-feira, 27 de agosto de 2019

As Festas da Cidade e um Arraial que sempre neste dia, ou noite, 21 de Agosto, recordo para me sentir cada vez mais parte desta terra e suas gentes, quer os recordados estejam vivos ou hajam já descido com o corpo à terra e espírito ao céu subido.

Por: António Orlando dos Santos (Bombadas)
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

Abílio Fogueteiro

Era um dia de Arraial no ano de 1958 e era já pronto o Edifício Domingos Lopes que o distinto comerciante do mesmo nome oferecia à cidade e se haveria de tornar numa referência para todos os que visitam Bragança e para os nados e criados aqui, que o identificam hoje como o Edifício do Flórida que ainda não existia.

Instalou-se no rés-do-chão a chamada cabine de som que servia de Zona Cerebral e de Coordenação do som para o perímetro que circundava a área central do que era a cidade nesse tempo, a saber, Rua Direita até à Escola Velha, área do Mercado, Praça da Sé e Rua de Trás, Rua dos Oleiros, Rua da República, Alexandre Herculano até à Flor da Ponte e o Jardim António José de Almeida que na parte inferior servia de plataforma às Verbenas e à Mina e o tabuleiro superior de ambos os lados serviam de recinto de Baile e tinham barracas de entretenimento que também se estendiam pela Rua da República dando um verdadeiro ar de festa à cidade. 
Na Praça Prof. Cavaleiro de Ferreira e até mais ou menos metade da Avenida João da Cruz ficavam instalados os Carrocéis e as tendas que sendo para as mais variadas actividades transformavam a cidade num verdadeiro Arraial. 
No Edifício Domingos Lopes o Senhor José Sabino Ribeiro com a sua sabedoria e discernimento montou todo o equipamento para que a música e as mensagens áudio fossem claras e pudessem assim deliciar a população e coordenar toda a logística que uma Festa desta envergadura implicava.
Havia no ar um certo ambiente de modernidade e o edifício referido, acabado de construir e com o aparato de todos aqueles aparelhos que o Senhor Sabino Ribeiro ali expunha com todas aquelas luzinhas, verdes, vermelhas, laranja em constante piscar, faziam a nossa imaginação voar e admirados toda a garotada da Caleja e outros bairros da cidade, confluíam para a frente dos painéis de vidro que ocupavam todo o perímetro da Cabine de Som que a nós nos parecia mais uma central atómica do que um simples estúdio de áudio montado e coordenado pelo mais conceituado técnico de Rádio e Electricidade que era para nós, garotio daquele tempo uma Lenda Viva. 
Orlando Lopes
Licínio Gorgueira
Os locutores de serviço, lembro ainda claramente eram o Snr. Licínio Gorgueira e o Snr. Orlando Lopes, Pachilro, que ainda diz presente e é um dos homens que mais trabalhou graciosamente para o prestígio da sua cidade, tendo ocupado postos em praticamente todas as instituições desde o meu tempo de menino. 
Com todo o sistema montado e a funcionar sobre esferas, andávamos nós em constante correrio entre o Campo do Toural, onde havia Tiro aos Pombos,Tiro aos Pratos, Gincana de Automóveis e Jogos de Futebol, a Praça dos Tribunais e todos os outros locais onde mexesse a Festa, quando ouviamos anunciar através da aparelhagem sonora que no dia do Arraial à noite estaria entre nós para nos deliciar com a sua voz maravilhosa a fadista Dina Lopes, nossa conterrânea que atuaria em homenagem à sua cidade, graciosamente, nos estúdios montados no novel edifício apenas inaugurado e que, como ela, eram uma honra para a cidade e região. 
Todos os garotos sabiam quem era Dina Lopes que recordo hoje aqui e a quem presto homenagem pelo encanto, o orgulho e a esperança que trouxe à garotada da Caleja e também o prazer que a mim próprio nos meus oito anos inocentes e esperançosos me transmitiu quando chegada a hora e depois de haver sido anunciada cantou para a cidade um fado que era naquele tempo muito popular e que ainda hoje tenho na memória pois foi ela que fez com que não houvesse rapaz ou rapariga da minha criação que não cantasse o FADO das QUEIXAS. 
(P'ra que te queixas de mim / Se eu sou assim como tu és /Barco perdido no mar / Que anda a bailar com as marés /Tu bem sabias que eu tinha queixumes / De tantos ciúmes que sempre embalei / Tu bem sabias que amava deveras /Porém quem tu eras / Confesso não sei ! Não sei quem és nem quero saber / Errei, talvez , mas que hei-de eu fazer /...
Falta dizer que a Dina era irmã da Miquelina, minha amiga, mãe do Paulo Bragança e que eu não sei hoje qual foi o seu trajeto artístico. Guardo no entanto esse tempo inesquecível que nos reservou esse pedaço de felicidade que ainda hoje trago comigo e que guardo como preciosidade do tempo em que eu vivia as Festas da Cidade. Quanto ao parentesco com o Paulo Bragança é também para mim uma alegria pois é de facto uma realidade que herdamos características dos nossos maiores que basta aperfeiçoar e elas se concretizam naturalmente.
A Dina Lopes tinha uma voz maravilhosa e o Paulo é também um excelente cantor de Fado e não só.

Nota: A música deste fado é de Carlos Rocha e a letra de Frederico de Brito. Foi um dos fados de que mais gostei pelo seu ritmo rápido e a sua poesia um tanto teatral mas bem concebida. 


A guitarra desempenha um papel maior e a menção ao ciúme, tema recorrente no fado, é bem conseguido com a menção do mar e das tragédias que lá se viveram.  (Barco perdido no mar, que anda a bailar com as marés. O fado, o mar e o ciúme, três tópicos do imaginário português que hoje passaram a secundários, pois a poesia musicada atual é duma pobreza quase absoluta. 
Há algumas exceções, mas só para confirmarem a regra.

21 de Agosto, dia que precede a noite do Arraial deste ano de 2019 




A. O. dos Santos
(Bombadas)

Terra Flor Encerra com Balanço Positivo

Olavo Bilac foi um dos cabeças de cartaz da XVI Terra Flor, Feira de Produtos e Sabores.