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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Ernesto José Rodrigues - ‘A humanidade não se salva se o mal nos torna maus, pois seremos iguais a quem, assim, nos venceu’

Quando é que surgiu a sua vontade de escrever ficção e de publicar?

Confessei, no limiar da tese de doutoramento (1996), ter entrevisto, em Cuore. Libro per i Ragazzi (1886), a primeira, e inolvidável, relação entre contar e comover. A ilusão era completa: tratava-se de “un alunno di terza”, de oito anos, como eu, que “notava man mano in uno quaderno, come sapeva, quello che aveva visto, sentito, pensato, nella scuola e fuori”. Eu perseguia, mormente, o excitante ‘Racconto mensile’, por fim em lágrimas no que narra as andanças do pequeno genovês Marco, que, “Dagli Apennini alle Ande”, busca as origens, seja, a mãe – motivo de eleição na minha prosa. Longe de mim compreender que, nesse Coração traduzido por Miguel de Novaes (irmão de Faustino Xavier e de Carolina, casada com Machado de Assis), sobrenadava a visão de uma outra Itália, na pós-unificação, úbere de virtudes e patrioticamente sentimental. Ou como um país de comunas, senhorias, fragmentos – assim as aventuras encaixadas no percurso da personagem –, se torna adulto.

Esse desejo inconsciente de emular quem nos surpreende activou-se desde os dez anos; aos 14, tinha dez capítulos à Camilo bem argumentados, e, aos 16 [1972], em vésperas de me estrear na poesia (Inconvencional, 1973), inaugurava a contística de A Flor e a Morte (1983), variedade precedida pela estreia ficcional de Várias Bulhas e Algumas Vítimas (1980).  A publicação desta novela, celebrada no tempo, impôs-se desde 1978, quando já ia em três livrinhos de versos e presença na antologia de Maria Alberta Meneres, O Poeta Faz-se aos Dez Anos (Assírio & Alvim, 1973).

Onde é que, por norma, encontra a inspiração para escrever as suas obras?

Viageiro atento a factos civilizacionais, com cinco anos em expatriamento dourado sobre o Danúbio, tudo vai do espírito do lugar, que me fez, simultaneamente, comunidade local e regional, ou já povo transladando-se em continentes. Desde João de Barros e da nossa rica cronística, História e Geografia são índices de Modernidade; no meu caso, uma geografia particular, ora na Pátria Breve (2000) nordestina, ora em movimento, que cumulei n’A Serpente de Bronze (1989), rodando entre Santa Apolónia e Budapeste, na demanda de uma Europa unida, ou casa comum europeia concretizada em 2004. Rolam Espanha, França, Alemanha, Áustria, e convoco Itália, segundo personagens incomuns. Lisboa e Bled (Eslovénia) quinhentistas são cenário n’O Romance do Gramático (2011); Londres e o Afeganistão, em Uma Bondade Perfeita (2016). Moçambique está em dois romances inéditos. E correm, entretanto, a par da linha de Cascais, de uma Lisboa parlamentar (Passos Perdidos, 2014), uma Torre de Dona Chama (1994) natal e A Casa de Bragança (2013), cidade onde me justifiquei escritor, e nos passeia até Fez e Europa Central medievas. A História vem desde D. Afonso Henriques, segundo parataxes e outras formas de apresentação do tempo.

Quais as temáticas mais presentes na sua escrita?

Demanda e desvelamento, em busca da conseguida serenidade. Pais e filhos que se buscam, mesmo se julgam ir noutro sentido, como no inédito Um Passado Imprevisível. Outrem também dirige as nossas vidas, e, ainda que ao lado, há rostos fechados que a composição ilumina. Enquanto se constrói uma relação, cria-se um espaço, seja o da língua portuguesa em seus vultos maiores, seja o de uma nova Europa, mas também o da memória de infância, de uma juventude filtrada, até ao sacrifício digno e à bondade.

Que aspectos destacaria na sua mais recente obra, Uma Bondade Perfeita, que acaba de vencer o Prémio PEN Clube Português (Narrativa)?

Numa alternância de dois narradores (com seus nomes curiosos, Clemente e Filodemo, a par dos demais, significativos, cuidado que sempre tenho) sempre aquém da omnisciência, tem este romance, logo nas primeiras linhas, solução que só se abre na última página. Esta diligência ‘policiária’ acompanha-me regularmente.

Em 2010, quando o terminei, falava-se pouco de refugiados, mas eu sentia que essa condição em que ciclicamente se vê a humanidade voltaria a assombrar a Europa e o Mediterrâneo. Também cabe à literatura sinalizar ameaças. O pano de fundo de uma catástrofe colectiva remetia-nos, ao tempo, para o Afeganistão, onde coloquei, numa guerra e lugares indefinidos, vítimas de carne e osso, percursos individuais determinados pelo psicopata Menigno.

Quem nos salva é, não o altruísmo mecânico de mãe biológica, mas Ágata (bondosa, em grego), que, erguida entre as maiores violências, persegue o bem supremo da paz de consciência, e culmina neste Séneca: «Sabes o que eu chamo ser bom: ser de uma bondade perfeita, absoluta, tal que nenhuma violência ou imposição nos possa forçar a ser maus.»

A humanidade não se salva se o mal nos torna maus, pois seremos iguais a quem, assim, nos venceu. É isso a escalada da guerra, não raro alimentada pelos media manipuladores. Ser defensivo é outra coisa, e, desde logo, obviar à iniquidade, que conduz à servidão, nem que a única saída, sempre em aberto, seja a morte – digna, como a de Ágata.

Quais os momentos mais marcantes no seu percurso enquanto escritor?

Afora a emoção da estreia (1973), cujos 40 anos foram comemorados com dois títulos – Do Movimento Operário e Outras Viagens, poesia, e A Casa de Bragança – e celebrações oficiais nesta cidade, na terra natal e na Assembleia Municipal de Mirandela, retenho a recepção crítica tangente às sugestões narrativas de Várias Bulhas… e às aventuras da língua e de modos dialógicos n’A Serpente de Bronze, enquanto espero que alguém veja a disseminação polifónica de Bakhtine em Torre de Dona Chama. Como não me distingo do investigador, crítico e ensaísta que também sou desde a adolescência, marcante foi, após 23 a pensar em Tomé Pinheiro da Veiga, editar-lhe Fastigínia (2011), sabendo embora que Mágico Folhetim. Literatura e Jornalismo em Portugal (1998) tem maior repercussão. Enfim, o tradutor agradeceu os galardões máximos do Estado húngaro atribuídos a um intelectual estrangeiro.

O que é, para si, um bom livro?

É aquele que autoriza estas perguntas: como se combinam, pertinentemente, os elementos na sistematização, ou concorrência, da obra? Como se inscreve esta, e o seu género, na solidária evolução literária? Como se relaciona (e, com ela, o sistema agora já transformado) com os díspares subtextos (social, económico, etc.)? Nem todos os livros são essa composição problemática.

Sei, também, que, sendo (1) instituição, a obra vive na sua precária (2) autonomia interna; se for (3) um saber primeiro – que me comove –, e puder questionar as bases da inquietação e prazer, para em mim encontrar o que no texto vejo, melhor ainda. Nem sempre coincide essa tripla frente; mas bastam alguns reconhecimentos no criador que sou, além de leitor, para considerar o livro bom.

E o que faz de um escritor um bom escritor?

Eu desejo morrer escritor, sem o valorativo bom, que posso aplicar às obras (desde logo, às anónimas); mas uns são preferidos a outros, como sabe quem actualizou o Dicionário de Literatura (2003-2004) de Jacinto do Prado Coelho. Capricho do tempo, podem ser melhores, sem que os ausentes não deixem de ter qualidade. Estou verbetado em vários dicionários; não, neste.

Para terminar, gostaríamos que nos indicasse os seus 7 escritores de eleição e os 7 livros que, indubitavelmente, recomendaria.

Escrevi sobre, e traduzi, umas centenas de títulos, além de ter falado sobre outros em aula, e lido obras-primas que não verti em prosa crítica. O herói d’A Serpente de Bronze leva para férias europeias cinco livros: Os Lusíadas; Peregrinação; História Trágico-Marítima; Itinerário, do padre Jerónimo Lobo; Jornada d’el-rei D. Sebastião a África. São exemplares, inclusive no anonimato autoral, de imagens da nação, que persigo. Substituo os dois últimos pela Castro, de António Ferreira, e Fastigínia, completando o septeto com Os Maias e a minha edição crítica d’A Queda Dum Anjo (2016). Autores de eleição: Cervantes, Flaubert, Kafka, Pessoa, Buzzati, Borges, Márai.

in:escritores.online

Em Outeiro não há memória de uma altura de seca como esta

Outubro foi o mês mais quente dos ultimos 87 anos, com uma temperatura média 3 graus acima do habitual nesta época.
Todo o continente está em situação de seca preocupante. Em Bragança, na aldeia do Outeiro, a populaçao está a ser abastecida pelos Bombeiros Voluntários. 
Os moradores garantem que sempre tiveram água em abundâcia e os mais velhos não se recordam de anos como este.

Este ano a vila de Vinhais comemorou de forma diferente a Noite das Bruxas, com um peddy paper que fez as delícias de miúdos e graúdos

Constituído Conselho Associativo da Lusofonia para Jovens Empreendedores

Foi oficializado o Conselho Associativo da Lusofonia – Jovens Empreendedores (CALJE), no passado dia 24 de Outubro, em Alfândega da Fé, onde tem a sua sede, com a tomada de posse dos órgãos sociais.
Esta associação surge por vontade de um grupo de pessoas de vários países da lusofonia para fortalecer os laços empresariais e educativos, promovendo a cooperação entre os seus membros através da língua portuguesa.

“Queremos levar soluções urgentes aos Estados Membros de forma a reduzir o índice de analfabetismo no seio dos jovens africanos e ajudá-los a desenvolverem as suas comunidades com a produção de alimentos e o turismo rural, onde a Europa e América serão grandes parceiros estratégicos dos países lusófonos na permuta de serviços de todas as ordens uma vez que as economias subdesenvolvidas estão cada vez mais debilitadas pela dependência da moeda estrangeira", refere o presidente da direcção, Maquito Daniel.

O CALJE é constituído por membros de todos os países lusófonos o que têm a função de assessorar a direcção na apresentação dos projectos às entidades oficiais de cada país. Nesta cerimónia foi também apresentado o plano de actividades para 2018. Um plano que inclui projectos estruturantes para os países lusófonos.

A realização de quatro congressos internacionais que pretendem reunir empreendedores e entidades oficiais de todos os Estados Membros do CALJE com o objectivo de assinalar as potencialidades económicas e as fragilidades para que esta associação posicione o seu desempenho para cumprir os seus objectivos de forma eficiente. Serão estabelecidos protocolos com os ministérios de educação dos países envolvidos para que o CALJE consiga obter 50 bolsas para cada país membro. Sendo o CALJE o coordenador o este processo.

É também objectivo deste conselho a criação de um gabinete de apoio ao empreendedorismo, cultura e desporto - Formação e centro de estágio em contexto real de trabalho. Este gabinete pretende ser o impulsionador para que os jovens lusófonos possam encontrar o caminho para desenvolver os seus projectos e ingressar no mercado de trabalho. Este gabinete será composto por uma equipa técnica multidisciplinar que encaminhará os jovens que nele procurarem ajuda.

O projecto de desenvolvimento dos produtores da região de Trás-os-Montes e Alto Douro para transacção de bens é o projecto mais importante para o CALJE. É um projecto que pretende colocar no terreno uma equipa técnica que identifique produtores do território com capacidade de produção, reunindo produtos alimentares para permutar com os países africanos que se deparam com a falta de divisa e também falta de produção de alguns bens essenciais que neste momento importam de outras regiões e países. Este será um contributo significativo para o desenvolvimento de todos os estados e da região de Trás-os-Montes e Alto Douro, também esta uma região desfavorecida do interior de Portugal.

No final do ano realizar-se-á gala do CALJE, um evento que pretende agradecer e homenagear todas as entidades que tornaram as actividades do CALJE possíveis bem como melhorar e consolidar o relacionamento entre os seus membros e associados. “As estatísticas dizem-nos que a europa possui mais de 500 milhões de consumidores, e à volta de todos os países membros da CPLP, tirando Portugal e o Brasil, não estão devidamente industrializados nos mais variados sectores fabris, o que me permite afirmar que para 500 milhões de consumidores europeus, deve existir nos Estados Membros da nossa comunidade mais de 150 milhões são mão-de-obra desqualificada por razões conhecidas por todos.

Face ao objectivo do CALJE, junto da Rota do Azeite de Trás-os-Montes e Alto Douro, dinamizar as trocas comerciais entre os países da CPLP e a União Europeia (estendendo para a América do Norte e Sul)”, frisa Maquito Daniel.

Para a Coordenadora do Gabinete de Apoio ao Investimento da Diáspora no Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Luisa Pais Lowe, este é um projecto que assume uma “característica fundamental para o desenvolvimento dos países da lusofonia que é a aliança entre a economia e o desenvolvimento social”. Luisa Pais Lowe prontificou-se nesta cerimónia apoiar o CALJE com vista a explorar em conjunto formas de cooperação.

Os orgãos sociais estão agora empossados para começar a desenvolver o trabalho deste primeiro mandato trienal.

in:noticiasdonordeste.pt

Homem natural de Castelãos perde vida em acidente de trabalho em França

Um homem de 46 anos natural da aldeia de Castelãos, Macedo de Cavaleiros, foi na terça-feira vitima de um acidente de trabalho perto da cidade de Annecy, França, onde estava emigrado, que acabou por lhe tirar a vida.
O português procedia, no momento, a trabalhos em uma estrada quando foi atingido por uma viga metálica.

Segundo um jornal local francês, ainda chegou a ser transportado com vida para o hospital da região, mas acabou por falecer horas depois.

Ao que apuramos, as autoridades francesas já estão a investigar as causas deste acidente.

O funeral deve acontecer em França.

Escrito por ONDA LIVRE

Garantida castanha de qualidade e em abundância

Hernâni Dias aproveitará a presença de um membro do Governo na inauguração da Feira para recomendar medidas compensatórias para os produtores que façam face aos prejuízos decorrentes da fraca produção de castanha.
O Pavilhão do NERBA em Bragança será o palco, uma vez mais, da Feira Internacional do Norte. Já na sua 16ª edição, a Norcaça, Norpesca & Norcastanha regressa, em 2017, à capital de distrito entre os dias 2 e 5 de novembro e com um orçamento semelhante ao do ano transato, a rondar os 78 mil euros.

A gastronomia, natureza, desporto, cultura, debates e algumas das principais atividades do Nordeste Transmontano intimamente ligadas ao património cinegético e endógeno da regiãoassumem, anualmente, um lugar de destaque num certame que privilegia “tudo o que de melhor se faz na nossa terra”.

Expositores com “produtos de excelência” de todo o Portugal e da vizinha Espanha marcarão presença em Bragança já a partir de amanhã. No entanto e para além do grande atrativo que representa, não só o retorno do maior aquário móvel da Europa como, também, da luta de touros que terá lugar, novamente, no domingo no recinto exterior do NERBA, convém não esquecer o 1º Passeio de Clássicos “Rota da Castanha”, a Prova de Santo Huberto, a Semana Gastronómica que já decorre em 15 restaurantes da cidade e o X Fórum Internacional dos Países Produtores de Castanha.

“Haverá toda uma componente de formação e de debate ligada ao setor da caça, da pesca e da castanha com a organização do X Fórum Internacional que versará sobre o tema dos cogumelos, do mel e da problemática das alterações climáticas e do impacto negativo que pode ter na agricultura, na caça, na pesca e na castanha”, explica o presidente da Câmara Municipal de Bragança, para quem este certame, tem como objetivo principal “a promoção dos produtos autóctones”.

Produtores de Trás-os-Montes lamentam falta de apoios do Governo, após uma época em que a seca extrema deu origem a uma tremenda queda da produção que afetou, também, a própria qualidade do fruto do qual dependem milhares de famílias

De acordo com Hernâni Dias, é importante “sensibilizar a comunidade científica, quer os produtores e os próprios cidadãos para estas questões que estão a ter um impacto direto na produção da castanha para tomarmos alguma atitude para combatermos o que está a acontecer”, sobretudo, este ano em particular, devido à fraca produção de castanha. “Essa é uma questão que nos preocupa imenso”, assevera o edil brigantino que garante, no entanto, que “haverá castanha em abundância”.

De sublinhar que a cerimónia de inauguração da 16ª Feira Internacional do Norte contará com a presença de um membro do Governo, apesar do presidente da Câmara Municipal de Bragança não ter querido desvendar a sua identidade na conferência de imprensa de apresentação do evento. “Nós iremos ter um membro do Governo na abertura da Feira, a quem, na altura, transmitiremos as nossas preocupações e as dos nossos agricultores para que possa, eventualmente, haver alguma medida compensatória que faça face aos prejuízos decorrentes desta fraca produção”, assegura Hernâni Dias, depois de uma seca prolongada ter originado uma enorme queda na produção transmontana e ter afetado muita da qualidade da castanha.  

Compõem, ainda, a agenda do certame iniciativas como a exposição e demonstração de cetraria, Cozinha Estudantil Internacional a cargo dos alunos estrangeiros do Instituto Politécnico de Bragança, a Maratona Ibérica da Castanha, o Percurso Pedestre “Por entre os Soutos”, demonstrações da apanha mecânica da castanha, esculturas em madeira realizadas por Emmanuel Courtot, animação musical com vários concertos, espetáculos de falcoaria e concursos, entre outras atividades permanentes como exposição de pintura, fotografia e a habitual exposição de quadras de S. Martinho.

Bruno Mateus Filena
in:diariodetrasosmontes.com

Projeto piloto promete abrir as portas da Basílica de Santo Cristo em Outeiro

A Pastoral do Turismo da diocese de Bragança-Miranda está a trabalhar num projeto piloto que tem como objetivo abrir as portas da Basílica de Santo Cristo em Outeiro.
O anúncio foi feito aos jornalistas nas III Jornadas Nacionais de Pastoral do Turismo em Bragança, na passada sexta-feira, pela diretora do Serviço, Alexandrina Fernandes, que não quis entrar em detalhes por ser um projeto demasiado prematuro.
“O nosso objetivo é esse (manter a basílica aberta). Usarmos os meios tecnológicos que existem ao dispor da igreja e das pessoas, e que nos permitam não ouvirmos aqueles comentários que é: “cheguei, isto é lindíssimo e agora não posso entrar”. A melhor forma de termos  as igrejas salvaguardadas é com gente”, referiu.

Marta Pereira
in:mdb.pt

Produção de castanha ainda é pior do que se esperava

A produção de castanha ainda é mais baixa do que os agricultores esperavam.
O alerta é do responsável pelo Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos, Albino Bento, admitindo que “se trata de um ano péssimo”, sobretudo nas zonas de cotas mais baixas, entre os 600 e os 700 metros de altitude, voltadas para o sul. “A produção é baixa , a qualidade também não é boa e o preço também está inferior ao habitual”, enumera Albino Bento.

Glória Lopes
in:mdb.pt

Impasse na escolha dos executivos das juntas da Sé e Samil pode levar a novas eleições

Foi chumbada a lista proposta por Telmo Afonso para o Executivo da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, em Bragança, cuja votação ocorreu durante a primeira assembleia de freguesia, na passada terça-feira, para instalação dos órgãos da junta.

Glória Lopes
in:mdb.pt

Peças emblemáticas do Abade de Baçal restauradas em exposição

Um capote e um chapéu que o Abade de Baçal usou durante longos anos estão agora em exposição no museu com o seu nome, em Bragança, que celebra um século de existência.
Restauradas com a colaboração da União de Freguesias da Sé, Santa Maria e Meixedo, as peças são consideradas “emblemáticas” pela directora do Museu do Abade de Baçal, Ana Maria Afonso, já que os objectos são expressões da vida austera do abade e da sua dedicação à investigação e preservação da história da região.

“Ele era peregrino, andava a pé, sabemos as investigações que fazia, as viagens que fez de Baçal ao museu a partir de 1925, altura em que foi nomeado director, e até 1935, ele vinha todas as semanas e o capote era certamente o “escudo” que o acompanhava, quer nas vindas ao museu, quer nas investigações que fazia, que nas visitas aos espaços rurais quando lhe diziam que havia um achado arqueológico, por isso penso que o capote e o chapéu o devem ter acompanhado ao longo de muitos, muitos anos”, referiu.

A apresentação ao público do capote e do chapéu foi o pretexto para mais uma tarde cultural no jardim do museu, com a participação do Coral Brigantino Infantil.

Entretanto, a casa do Abade de Baçal, ainda não viu definido um destino, apesar de ter sido constituída, na Assembleia Municipal de Bragança, uma comissão que decidiu propor a compra do imóvel pela câmara, para que sejam ultrapassadas questões de propriedade dos herdeiros, que têm contribuído para adiar qualquer intervenção.

A directora do museu também se mostra preocupada com a degradação que a casa tem vindo a sofrer.

“Enquanto directora e sobretudo como cidadã, evidentemente que me preocupa toda essa situação. Acho que é muito importante que se resolva e que haja algo de concreto relativamente a esse processo, nem que mais não seja reatar a classificação do edifício que, pelo menos, salvaguarde futuras intervenções menos respeitosas relativas à história e ao que ela representa”, sublinhou Ana Maria Afonso.

Para já ainda não há nenhuma solução à vista para a parte do imóvel em Baçal que está votado ao abandono. 

Escrito por Brigantia

Programas de reinserção não foram benéficos para a Cadeia de Izeda segundo sub-director geral de reinserção e serviços prisionais

O sub-director geral de reinserção e serviços prisionais considera que os reclusos de Izeda podem ter sido prejudicados no âmbito dos projectos de reintegração, que na opinião de Paulo Moimenta de Carvalho não terão sido bem direccionados.
“Em termos daquilo que são os programas de reinserção temos também que ter esta perspectiva: Izeda sempre esteve ligada a Bragança, sob a mesma direcção e, na realidade, os projectos tinham mais a ver com a reintegração através de protocolos com câmaras, regimes abertos, etc, eram vocacionados todos para Bragança. A partir do momento em que estas realidades passam a ser mais estanques, Izeda terá que se reorganizar”, salientou.

Mas o responsável avança que o estabelecimento prisional é “apontado como uma das âncoras do serviço para manutenção de um projecto agro-industrial ou agro-pecuário. Então vai-se apostar nessa vertente em Izeda”.

No plano de 10 anos para a reestruturação dos estabelecimentos prisionais a nível nacional, está prevista uma intervenção naquela infra-estrutura. Não se sabe se incluirá a ampliação dos campos de cultivo da prisão mas o responsável dos serviços prisionais garante que “há projectos para a melhoria da produção de azeite” no estabelecimento prisional.

Quanto a algumas queixas em relação ao pouco impacto na vida económica da vila do concelho de Bragança com a instalação da cadeia de Izeda, Paulo Moimenta de Carvalho explica que não é possível “fazer adjudicação directa de produtos”, mas entende que “pelo fenómeno de visitas, pelo facto de as pessoas estarem ali sediadas em termos de trabalho”, acredita que “se não houvesse o estabelecimento prisional a situação económica de Izeda seria pior”.

A cadeia de Izeda tem cerca de 250 reclusos. 

Escrito por Brigantia

“Beleza Solidária” juntou testemunhos sobre o cancro sem esquecer a beleza

Familiares de doentes oncológicos do distrito de Bragança podem agora receber apoio psicológico gratuitamente. O protocolo foi assinado há cerca de dois meses entre a ULS e Liga Portuguesa Contra o Cancro, ao qual o núcleo da Liga de Bragança se junta com outros acordos, nomeadamente com o Instituto Politécnico de Bragança, como refere Armando Machado, responsável pela delegação de Bragança da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
“A Liga Portuguesa Contra o Cancro responsabilizou-se por dar formação a todas as psicólogas da ULS do Distrito e em contrapartida os familiares dos doentes oncológicos passaram, desde que foi assinado o protocolo, a ter consultas gratuitas em todo o Distrito onde está implementada a ULS. Em relação ao IPB fizemos vários protocolos de cooperação e foi-nos dispensada uma psicóloga que assumiu a responsabilidade das consultas nas nossas instalações no Mercado em Bragança, uma vez por semana e daí deu como consequência termos já admitido uma psicóloga a tempo inteiro para dar resposta a todas as questões que nos sejam feitas. Temos um projeto extremamente aliciante para a educação para a saúde que passa pela formação que a Liga dá aos agrupamentos escolares.”
Num distrito onde dados de rastreios apontam que, entre 16% a 20 % das pessoas submetidas aos testes, têm de fazer exames complementares.

António Machado deixa ficar um apelo e diz que a liga está disponível para a criação de outros núcleos em concelhos onde não existem, como é o caso de Macedo de Cavaleiros.

“Deixo também ficar o apelo para que as pessoas não fiquem em casa, que façam os seus rastreios. A prevenção é fundamental. Do dia 1 ao dia 5 de Novembro precisamos de muitos voluntários na rua que queiram disponibilizar-se a andar com a latinha porque isso vai fazer face para projetos de investigação, como no apoio ao cancro da mama, da pele, todo o tipo de cancro. A Liga Portuguesa Contra o Cancro tem dito publicamente que há necessidade e que a Liga quer estar cada vez mais próxima das populações, das populações mais desfavorecidas. Obviamente que se Macedo de Cavaleiros e as outras localidades pretenderem fazer o mesmo que nós estamos a fazer, seria óptimo. Nós estamos disponíveis para os apoiar na primeira fase até à sua implementação.”
Declarações à margem do evento “Beleza Solidária”, inserido na campanha Outubro Rosa que tem como objetivo conscientizar a população, um pouco por todo o mundo, para a importância do diagnóstico precoce do cancro da mama.

Uma iniciativa que consistiu na venda de produtos de beleza com 10 % do valor pago por cada artigo a reverter para a Liga Portuguesa Contra o Cancro.

A organizadora foi Carla Teixeira, consultora de beleza de uma marca de cosméticos, e foi desta forma que tentou sensibilizar as pessoas para a doença.

“Este mês eu achei por bem fazer algo diferente, algo que me mexesse um bocadinho também com a pessoa. Como já foi dito não é só aos outros, pode ser a qualquer um de nós que pode tocar. Foi mesmo com esse intuito, depois do evento doar 10% das vendas para o IPO, neste caso que será para a Liga. Acaba por ser uma vertente um pouco mais solidária. A auto-estima é algo que é fundamental. Não é nós dizermos eu sou mais do que os outros; é nós sentirmos-nos mais bonitas. Porque embelezar a vida de uma mulher é muito bonito e eu gosto muito de o fazer.”
Entre as participantes encontramos Filomena Machado, tem 49 anos e aos 46 foi-lhe diagnosticado cancro de mama. É uma vencedora porque, como ela própria diz, “não enterrou a cabeça na areia” e deixa ficar o mesmo conselho a todas as mulheres.

“Não ignorem alguns sinais que o corpo vai dando porque de facto é fundamental um diagnóstico precoce. Na minha situação foi no espaço de 2/3 dias que eu notei alteração. Podia ter achado aquilo estranho e deixar andar, esperar mais 8 ou 15 dias para ver se a situação passava, mas não. Contactei logo o meu médico, fez-me encaminhamento e passados 15 dias estava a fazer cirurgia e o meu médico deu-me os parabéns porque de facto a minha atitude de não meter a cabeça na areia foi o que me salvou. A aparência é importante por isso eu hoje também estou aqui.”
O evento “Beleza Solidária” juntou várias mulheres na tarde de sábado no salão da Junta de Freguesia de Macedo de Cavaleiros para saber mais sobre a doença do cancro da mama e dar um contributo para a Liga portuguesa Contra o Cancro.

Escrito por ONDA LIVRE

Ernesto Rodrigues distinguido com Prémio PEN Clube Português na categoria de narrativa

O escritor transmontano Ernesto Rodrigues  foi distinguido com o prémio literário PEN Clube Português na categoria de narrativa. “Uma Bondade Perfeita”, obra editada pela Gradiva, foi a vencedora deste ano em decisão por maioria. O júri foi constiuido por Teresa Salema, Francisco Belard e Helena Barbas.
Os Prémios Literários do PEN Clube Português destinam-se a galardoar anualmente as melhores obras publicadas no ano anterior, em língua portuguesa e em 1ª edição, nas modalidades de Poesia, Ensaio e Ficção. Patrocinados pela Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB) têm o valor pecuniário de 5.000 euros em cada uma das 3 categorias. 

Ernesto Rodrigues  é natural de Torre Dona Chama, concelho de Mirandela, e é tradutor e ficcionista. É autor de uma vasta obra distribuída pelo ensaio e pela ficção e exerce ainda a atividade de professor auxiliar com agregação da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde dirige o Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias. (CLEPUL). 

"Várias Bulhas e Algumas Vítimas" (1980), "A Flor e a Morte" (1983), "A Serpente de Bronze"(1989), "Torre de Dona Chama" (1994), "Histórias para Acordar" (com ilustrações de Célia Rodrigues e Lídia Rodrigues, 1996), "O Romance do Gramático" (2011), "A Casa de Bragança" (2013) e "Uma Bondade Perfeita" (2016) são algumas das suas obras publicadas.

A cerimónia de entrega dos prémios decorrerá na Sociedade Portuguesa de Autores, no dia 21 de Novembro, às 18.30 horas.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

FullNumber leva Trás-os-Montes à cimeira tecnológica

A 'start-up' FullNumber, de Torre de Moncorvo, vai à Web Summit mostrar soluções informáticas associadas à segurança de bens transacionáveis, sendo "única" representação de Trás-os-Montes na cimeira tecnológica, disse hoje fonte daquela empresa de base tecnológica.
O promotor da 'start-up' do distrito de Bragança, disse hoje à Lusa que a FullNumber já investiu mais de meio milhão de euros na criação e desenvolvimento de programas informáticos "capazes de garantir a segurança de bens transacionáveis" à escala mundial.

"A empresa é uma resposta a um problema real na área da segurança de bens de bens transacionáveis, dificultando desses bens no mercado paralelo", explicou hoje a Lusa o diretor executivo da FullNumber, Paulo Jaloto.

Para o empresário transmontano, o mérito da empresa encontra-se na identificação de um problema social - a propriedade ilegítima e transação de bens em mercados paralelos - e posterior conceção e desenvolvimento de uma solução eficaz, inovadora e com potencial impacto universal, através de protocolos com parceiros chave", justificou o empresário transmontano.

Criar a FullNumber foi, como frisou, "o passo lógico como empresário consciente dos problemas que afetam o mercado e a segurança de bens, procurando abraçar novos desafios, quebrar barreiras e evoluir".

A internacionalização da empresa está prevista para 2018, com a criação até sete postos de trabalho, destinados a pessoas especializadas em novas tecnologias.

"Mal comece a internacionalização da empresa, será montado um escritório em São Paulo, no Brasil com a finalidade de projetar a empresa para o futuro e à escala global", afiançou Paulo Jaloto.

Os mercados prioritários da FullNumber serão a França, Inglaterra, Brasil, México e Estados Unidos.

Fundada em 2010 por Paddy Cosgrave e os cofundadores Daire Hickey e David Kelly, a Web Summit é um dos maiores eventos de tecnologia, inovação e empreendedorismo do mundo e evoluiu em menos de seis anos de uma equipa de apenas três pessoas para uma empresa com mais de 150 colaboradores.

A cimeira tecnológica, que nasceu em 2010 na Irlanda, vai manter-se em Lisboa até 2020 e poderá ficar por mais dois anos.

Este ano, a Web Summit decorre entre 06 e 09 de novembro no Altice Arena, em Lisboa.

Agência Lusa

Feira anual da castanha e dos produtos da terra de Vimioso ajuda produtores locais a escoar produtos

A terceira edição da Feira da Castanha e dos Produtos da Terra de Avelanoso, concelho de Vimioso, aconteceu no passado fim de semana.
Um evento anual que traz gente e negócio ao meio rural.


1 de Novembro é o dia que homenageia os fiéis defuntos

Abóboras do Halloween esculpidas em Bragança

Empregado de mesa cultiva e recorta frutos e vegetais para decorar bares e casamentos.
Pedro Rodrigues é um empregado de mesa da aldeia de Formil, Bragança, mas nesta época do ano, dedica-se à decoração das abóboras que semeia nos seus terrenos.
Os frutos são esculpidos, decorados e iluminados com velas no interior, acabando em quase todos os bares do concelho, na Noite das Bruxas (de ontem para hoje).
E tudo começou por acaso. "Houve um ano em que tive abundância de abóboras e resolvi fazer desenhos dedicados ao Halloween, em dois locais na cidade. 
Desde aí, não tenho mãos a medir", diz ao CM.
Há cinco anos, o homem de 42 anos estava a dar os primeiros passos na arte de ‘carving’ (escultura em frutas e legumes), mas tinha um problema - faltava-lhe material para praticar. Resolveu então encher os campos com produtos que pudesse cultivar, de forma a gastar menos dinheiro nestes treinos. 
O que começou numa formação para complementar o trabalho no ramo da hotelaria, transformou-se num negócio. Durante o resto do ano, dedilha melões, melancias e outras frutas - na maioria para casamentos. E aí tudo tem que ser perfeito.
Mas nas abóboras, confessa, além de aproveitar para dar asas à imaginação, não está preocupado com a precisão: "É um pouco o vale-tudo. Pode ir torto. Quanto mais feio, melhor. Pode também ser engraçado", explica. Em Formil, os idosos acham a transformação engraçada. Passam, curiosos, no quintal. Os mais novos, entram. Querem ver, mexer e ajudar. 
Como o vizinho Gabriel. "Talvez um dia possa ajudar na parte da produção", brinca o escultor, que diz ter nas crianças "um controlo de qualidade". "Elas dão espaço ao imaginário", conclui.

Tânia Reis
Correio da Manhã

Memórias da RTP - 2010-01-18 - Abate de castanheiros

Trinta castanheiros plantadas há cerca de três décadas foram cortados pela metade do tronco por vandalismo.
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Memórias da RTP - 2010-01-18 - Janeiras em Alfaião

Cantares das Janeiras é mantido nas freguesias do concelho de Bragança.
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“Desta idade nunca vi tamanha seca”. O retrato de quem precisa dos bombeiros para ter água

No concelho de Vimioso, poupar é agora “mais que obrigatório”. Poupa-se a água “como em tempos se poupava o azeite, para que nunca faltasse na almotolia”.
Foto: Olímpia Mairos
Aos 91 anos, Celeste não se lembra de um ano assim. Em Outeiro, no concelho de Bragança, as nascentes secaram e a população é abastecida diariamente por uma cisterna dos bombeiros.

“Da minha idade nunca vi tamanha seca”, lamenta a senhora de cabelos brancos e rosto sereno, mergulhando o pensamento no baú das memórias para dizer que “sempre houve uns anos mais secos do que os outros, mas como este nunca”.

“Isto está mau, muito mau. Se não fossem os bombeiros, morríamos à sede. Nem tínhamos água para fazer o comer. Nem para nada…”, conta Celeste. E prossegue: “os quintais e os jardins estão secos, até corta mesmo o coração ver isto tão seco. É tão triste, quando isto aqui era tão bonito”.

Poupar é agora “mais que obrigatório”. Celeste conta que, em casa, poupa em tudo e até o banho é mais rápido do que o habitual. “Temos que poupar a água, como em tempos se poupava o azeite para que nunca faltasse na almotolia”, exemplifica.

Urbino António, 80 anos, também não se lembra de um “ano assim”.

“Aqui não faltava a água. Este ano é que está uma coisa nunca vista”, lamenta o octogenário, realçando que, apesar de não haver água na aldeia, os bombeiros nunca a deixaram acabar”.

“Vem o camião todos os dias e, às vezes, até mais do que uma vez ao dia, e vazam a água na ‘mãe de água’ que temos lá cima e de lá vem para nossas casas”, conta.

João, 60 anos, está por perto e envolve-se na conversa para dizer que “a água nunca faltou nas torneiras, nem no lar da aldeia, mas vai faltando para os animais, coitadinhos”. “Este é um ano muito escravo, mesmo os animais quase não têm água para beber”, conclui.

Francisco Rodrigues, 38 anos, está por trás do balcão da associação da aldeia. Conta à Renascença que a água ainda “não faltou para tirar café, mas vai faltando para os animais” e “o que vale é que os agricultores se ajudam uns aos outros e têm recolhido água em alguns poços. Trazem a água em baldes ou em cisternas e é assim que vão dando de beber ao gado”, diz.

Ao percorrermos a aldeia, onde se situa a basílica menor de Santo Cristo, é notória a escassez de água. Os espaços que antes eram verdes estão agora secos e as torneiras dos diversos fontenários não deitam água.

Em Outeiro vivem cerca de 80 pessoas. Na localidade existe também um lar de terceira idade.

Vimioso vive situação “muito dramática”

O concelho de Vimioso, no Nordeste transmontano, é o que sente mais a falta de água. O rio Maçãs e outros pontos de captação que abastecem o concelho estão praticamente secos. O presidente da Câmara de Vimioso, Jorge Fidalgo, diz que a falta de água é "muito dramática".

“Assumo que estamos a viver uma situação muito dramática no que respeita ao abastecimento de água ao concelho”, afirma o autarca transmontano.

Desde finais de Setembro que há um transporte diário de cerca 600 metros cúbicos de água por dia, da barragem de Veiguinhas, em Bragança, para servir as localidades de Argozelo, Carção, Santulhão e Matela, “que é praticamente metade do concelho”.

No resto do concelho, que é abastecido pelo rio Angueira, ainda vai havendo água para consumo, mas com regras já impostas e uma maior fiscalização por parte dos serviços municipais para evitar o desperdício.

“Emitimos um aviso à população que, em situações excepcionais, a distribuição de águas poderá ser limitada apenas para consumo doméstico e para a pecuária e vamos encetar uma fiscalização muito rigorosa”, conta o autarca.

O presidente da autarquia teme mesmo que os outros sistemas abastecimento que estão dispersos pelas freguesias do concelho, como furos artesianos, possam entrar em colapso e não ter água para o abastecimento público.

D. Celeste admite que nunca viu uma situação
de seca como a que se vive no concelho.
Foto: Olímpia Mairos/RR
A autarquia já fez chegar à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) um projecto de alteamento dos açudes do rio Maçãs para que de futuro estas situações não se repitam.

O autarca lamenta que apesar de existirem “dois projectos licenciados para a construção de represas, uma no rio Maçãs, no montante de mais de um 1,5 milhões de euros, e outra no rio Angueira, no valor de cerca de 700 mil euros, o Governo nunca abriu avisos para o benefício de fundos comunitários para investir neste tipo de equipamento”.

Olímpia Mairos
Rádio Renascença