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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

ZAGATTI, O SEMEADOR DE SONHOS

Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS
São Paulo (Brasil)
(colaborador do Memórias...e outras coisas)

Houve uma eclosão de meus conceitos literários! Os catadores de materiais recicláveis que trabalham nas ruas são responsáveis por parte do esforço que o ser humano consciente faz para melhorar o nosso habitat no planeta Terra; eles nos ajudam a economizar papéis, ou seja, árvores e oxigênio; ajudam a economizar alumínio, ou seja, deixamos de devastar a natureza e queimar combustível natural para processá-lo; ajudam a economizar derivados de petróleo, como produtos PET, etileno, polipropileno, poliestireno (PE), PVC, ABS e etc. (as siglas são muitas e proferi-las em nada contribuem para o assunto em pauta). Há uma década, havia pessoas que disputavam com os urubus, entre o mau-cheiro de dejetos em decomposição, o botim da luta árdua pela sobrevivência. Dali elas tiravam o sustento, além dos pequenos “confortos”, como comprar uma roupa, um calçado e móveis usados; materiais valiosos, sob seus modos de ver a vida. Normalmente moram em casas improvisadas, de papelão, plásticos e madeira catadas alhures, de cujos materiais faziam suas "casas".
Hoje, espocam em todos os rincões as cooperativas, que de certa forma contribuem para com a cidadania dessas pessoas, pois ao perceberem renda, elas se tornam compradoras e, portanto, fazem parte da sociedade. Em muitas prefeituras, pelo Brasil afora, temos notícias de grupos de pessoas pobres que formam cooperativas e fabricam seu próprio pão, fazem compras em grandes mercados que vendem abaixo dos preços praticados nas cidades e rateiam os víveres e a conta. No entanto, não se iludam com os políticos: a maioria deles, não foge à regra; aproximam-se dessas pessoas com objetivos eleitoreiros. Este comportamento político talvez seja a "Pedra no Caminho" dessa legião de pessoas que trabalham como catadores: a Pedra no Caminho é uma alusão que faço ao lindo poema do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade que, se nesse tema aqui alavancado não cabia; fi-lo caber: e ponto final!

O Sonhador
Existe um catador de papéis, que construiu com um lençol de sua própria casa, cadeiras velhas, pedaços de filmes de cinema e um velho projetor; tudo encontrado nos lixos das ruas de Taboão da Serra, cidade próxima da capital de São Paulo. Com isso tudo, fez um cinema; o É o Mini Cine Tupy, que funciona aos domingos no quintal de sua casa, onde todas as crianças (inclusive muitos adultos) assistem (ou já assistiram) cinema pela primeira vez em suas vidas. 
São sessões gratuitas, onde não faltam carinho, pipocas e até a distribuição de pequenos brindes, distribuídos por sorteio no final das sessões dominicais. Os brindes não são nada sofisticados, são pequenos brinquedos de origem chinesa, comprados em lojas de miudezas (R$ 1,99 cada). 
José Luis Zagatti (ou simplesmente Zagatti) é este homem sonhador. Eu o conhecia de movimentos culturais em que participávamos, em Taboão da Serra, cidade que faz parte da “Grande São Paulo”; onde ele era catador de materiais recicláveis largados nas ruas e praças. Nas suas palavras, ele era um reciclador, nome que considerava mais nobre. 
Certo dia achou uma máquina de projeção de cinema, no lixo de uma empresa. Apaixonado que era por cinema e sem condições de ir a cinemas (em São Paulo um ingresso de cinema chega a USD $15.00 e o salário mínimo mensal não passava, à época, de USD $200.00 – comparem os valores!); o Zagatti levou um tempo “consertando” o projetor de25 mm, ajustando as peças, trocando fios elétricos, substituindo pequenos parafusos e placas de chapas metálicas muito finas, azeitando as articulações, limpando as lentes e fixando-as da melhor maneira, até fazê-lo funcionar. Em outras oportunidades encontrou pedaços de filmes de cinema, os quais foram devidamente limpados. Recortou-os e colou-os uns aos outros, de maneira não cartesiana. Com esse filme, testou seu projetor; com os dois, montou seu próprio cinema! Um amigo dele, também reciclador, achou vários metros de fotogramas, com os quais presenteou Zagatti. Sabendo onde o filme foi encontrado, Zagatti foi até o local, procurou muito e acabou por encontrar quase um milheiro e meio de fotogramas. No domingo seguinte, começou a fazer a limpeza dos fotogramas que tinha em mão; lavou todos os fotogramas com água e sabão, cortou os trechos rasgados ou com imagens apagadas com canivete e colava as partes nítidas com fita adesiva. Montou assim o “filme” com o qual fez a primeira projeção em família. O filme, que poderia ser chamado de “Frankstein” (posto que fosse formado por pedaços de filmes distintos), era apenas uma grande mistura de imagens: cenas de perseguição policial em ruas de Nova Iorque, cenas bucólicas, imagens de documentários mostrando cidades da América do Norte e da Europa, documentários sobre os indígenas do Brasil, ”westerns” (faroeste) e etc.. As imagens não tinham uma sequência grande; trechos da fita não tinham nada em comum com o trecho anterior; nem do posterior tampouco. Não havia som, nem havia uma ordem: MAS HAVIA UM SONHO! 

Quem é o Zagatti
Segundo pesquisa in loco, feita pelo jornalista Júlio César Caldeira, Zagatti é paulista da cidade de Guariba (SP), região de Ribeirão Preto (Brasil); portanto próxima a Cravinhos, cidade natal deste autor. Zagatti entrou pela primeira vez numa sala de cinema, pelas mãos de uma irmã, quando tinha apenas cinco anos de idade, para assistir um filme de “cowboys” (ou western), mais conhecidos como “faroeste”. Desde então, aquele “retrato dinâmico de imagens” projetadas numa grande tela, nunca mais saiu da sua cabeça. Ele declarou, por diversas vezes de que quando chegou à sua casa, após ter visto um filme de cinema pela primeira vez tentou, sem sucesso, fazer um projetor com caixotes de madeira. Era um caixote grande o suficiente para que ele entrasse e pudesse segurar uma lâmpada incandescente acesa, cujo feixe de luz passava imagens através do furo de cerca de 10 cm de diâmetro que fizera na lateral do caixote. Como não havia nenhuma imagem para interceptar o feixe de luz do projetor, punha os dedos à frente da lâmpada e transmitia a sombra de suas pequenas mãos, tentando formar figuras. Pobre, filho de lavradores, não pode ir ao cinema durante muito tempo, até que a família se mudou para Taboão da Serra à procura de trabalho em São Paulo. Uma das atrações da cidade era o Cine Tupy e que ele, por não ter dinheiro, ficava à porta imaginando-se lá dentro recordando-se da experiência que tivera na sua infância.
Começou a fazer biscates para ajudar a família e, o pouco dinheiro que poupava era gasto para ir ao cinema. No início da década de 1990, Zagatti ficou desempregado; como alternativa, tornou-se sucateiro. Enquanto procurava material para reciclar, começou a encontrar pedaços de rolos de filme, como veremos adiante. Ainda em 1997, comprou um projetor de 16 mm por R$ 80,00 (menos de USD $ 50.00), no centro de São Paulo e, nessa mesma noite, projetou num lençol no meio da rua, trechos de filmes que tinha recuperado. Para sua surpresa, cerca de 50 pessoas, entre crianças e adultos, assistiram à sua primeira projeção. Durante a semana, enquanto recolhia sucata, sempre que encontrava locais com muitas crianças, perguntava se poderia exibir naquele local um filme. Então, punha-se, com a ajuda dos filhos, a levar até os locais, à descoberto (ao relento), seu projetor e um lençol que usaria como “tela”.
Durante muito tempo foi essa a sua paixão, mas a chuva às vezes impedia a projeção e foi dai que veio a ideia de montar um cinema. Como a sua casa era pequena, em 2003 vendeu-a e comprou outra, num bairro próximo e, usando o seu dinheiro e o de algumas doações, construiu uma pequena sala de cinema na própria garagem inacabada, batizando-a de Mini Cine Tupy. A partir desse momento, o seu objetivo era passar um filme inteiro e, depois de muita insistência por parte de Zagatti, Arquimedes Lombardi, da “Associação de Colecionadores de Filmes em 16 mm”, ofereceu-lhe um filme de longa-metragem, o “Cruéis Dominadores”, filme norte-americano, preto e branco, rodado em 1951, que tratava sobre o nazismo. O filme era dirigido por William Cameron Menzies. Dessa forma, a 16 de agosto de 1998 foi realizada a primeira projeção de um filme completo por Zagatti. Meio século depois de haver conhecido o cinema, Zagatti apresenta aos moradores da sua comunidade, em Taboão da Serra, Grande São Paulo, a única ideia que eles têm do cinema. Há quinze anos projeta na frente de sua casa em eterna construção, naquilo que ele pretendia chamar de garagem, em sessões gratuitas com direito até a pipocas; filmes antigos em 25 mm ou em 16 mm; numa máquina que ele mesmo comprou por oitenta reais (menos de USD $ 30.00).
Hoje ele é o "dono" do Mini Cine Tupy, que ele abre gratuitamente às pessoas pobres da periferia onde vive; com destaque para as crianças, sempre em maior número. Além da própria “garagem”, a sala de projeções do Mini Cine Tupy funcionou também em outros endereços; tais como a sala da casa de sua mãe e em um galpão emprestado, tudo isso em Taboão da Serra – SP-Brasil. Nas apresentações que fazia no seu Mini Cine Tupy, os filmes eram emprestados e os bancos eram de cimento, mas a alegria era do público e as pipocas eram patrocinadas por ele próprio.

Como as coisas criaram formas
Além do lirismo dessa história, há um fato importantíssimo por trás da atitude do cinéfilo, uma realidade que ele conhece muito bem: "Não há como as pessoas daqui irem ao cinema!", testemunha Zagatti, que ficou mais de vinte anos sem pisar numa sala de projeção. "É com isso que eu me preocupo bastante. A periferia das grandes cidades é esquecida. Em todos os departamentos é assim, principalmente no da Cultura"!
Zagatti nunca havia procurado ajuda do Estado, ou da Prefeitura, para seguir com seu pequeno cinema ou mesmo ampliar suas instalações.
A única ajuda que recebia, há oito anos, era da Associação Paulista dos Colecionadores de Filmes, que lhe fornecia filmes novos, sempre que podiam. "Conversamos bastante. Não sou como eles; sou humilde, mas sou considerado um colecionador também", conta Zagatti com justificável orgulho! 
No entanto, sua humildade não o impede de enxergar a realidade na qual vivem os moradores da periferia. E a vontade de propiciar uma luz no fim do túnel, aliada à sua paixão pelo cinema, o motivou a começar e o impulsiona a continuar. Zagatti costuma dizer que “Uma ou duas hora que as crianças ficam reunidas em torno de uma tela e de um projetor, já é uma forma de diminuir contato com a marginalidade, o que futuramente poderá evitar problemas para elas e para a sociedade de modo geral". Ele ainda cia uma frase de um livro do educador Paulo Freire:  "Ninguém educa ninguém e ninguém se educa sozinho". 

Origem do nome do “cinema do Zagatti”
Quando chegou a Taboão da Serra, o Zagatti conheceu o único cinema que Taboão da Serra teve por muitos anos: o Cine Tupy; cinema este criado e mantido por uma família tradicional de Taboão da Serra. Para se ter uma ideia, mudei-me para Taboão da Serra na década de 1980 e tal cinema já não mais existia havia uns quinze anos. Eu sei até onde funcionava o Cine Tupy, porém jamais vi ao menos uma foto dele; onde sobraram imagens foi na cabeça do Zagatti. Sempre achei esta homenagem do Zagatti uma das maiores demonstrações de sua alma pura. Portanto, o Mini Cine Tupy é uma homenagem do Zagatti ao antigo cinema de Taboão da Serra. O Mini Cine Tupy funcionou por pouco mais de dez anos.

Mais dados sobre o cinófilo Zagatti 
José Luís Zagatti é apenas um dos vários casos que existem em todo o país, de pessoas que, cansadas de esperar alguma atitude dos órgãos públicos, resolveram arregaçar as mangas e criar um movimento de reação da sociedade. "É uma tendência que vem se espalhando no Brasil desta década", analisa a ensaísta e professora Walnice Nogueira Galvão in ..."Uma iniciativa pessoal que tem por ambição sanar lacunas e falhas do tecido social”.
 Bons exemplos, como o do meu amigo Zagatti, devem ser seguidos. Creio que deva haver centenas de Zagattis, espalhados em todo o mundo. O impacto social de sua ação junto aos necessitados acabou por torná-lo famoso na região, depois por todo o país e alguns lugares do estrangeiro. Seu Mini Cine Tupy acabou por transformar-se numa ONG, já que era difícil sustentar prole enorme e custos com o seu cinema.

Como o Zagatti foi “descoberto” e ficou conhecido
O professor de música e canto orfeônico, Nelson, funcionário da Prefeitura Municipal de Taboão da Serra da Secretaria da Educação e Cultura, foi um dos “descobridores” do cinéfilo Zagatti. A sua existência e sua obra solitária na Vila das Madres, bairro paupérrimo de Taboão da Serra, emocionaram o professor de música. Sua história foi repassada ao Secretário de Educação e Cultura e deste ao Prefeito Municipal. 

Zagatti no “dia seguinte” da fama
Nos últimos oito anos; Zagatti não deixou de ser uma pessoa de vida e hábitos modestos, mas deixou de catar material reciclável nas ruas e becos de Taboão da Serra. A notícia de sua existência e sua obra, repassada pelo serviço de assessoria de imprensa da Prefeitura de Taboão da Serra, tornou-se matéria com fotos do jornal “O Estado de São Paulo”. Depois disso, foi convidado a dar entrevista no programa “Mulheres”, da TV Gazeta, de São Paulo. Sua humildade, seus sonhos, sua preocupação com seus filhos e os filhos dos moradores da periferia, sensibilizaram muitos corações. Ele ainda tem aquela “cara que irradia bondade”; a meu ver o seu maior trunfo. 
A efervescência cultural no início dos anos 2000 me fez conhecer pessoalmente o Zagatti (quando este autor começava a levar mais a sério o propósito de escrever literatura, participando ativamente nos movimentos culturais em Taboão da Serra). Propiciou também ao Zagatti ter contato com o pessoal de teatro (à época Taboão da Serra tinha ao menos cinco grupos de teatro; um deles era mantido, ainda que minimamente, pela prefeitura. Pois foi este grupo que deu ao Zagatti a primeira oportunidade de trabalhar em uma peça de teatro experimental, onde o Zagatti participou como adjuvante. Portando um projetor portátil, transformava a peça experimental num caos ainda maior: projetava imagens por sobre os personagens da peça, onde os atores eram a tela. Eu, ACAS, estive lá e constatei a felicidade que ele tinha em participar do evento.
Em toda sua vida Zagatti só havia visto teatro de circo mambembe, lá na nossa terra, no interior de São Paulo. Uma matéria publicada pelo jornal “O Estado de São Paulo”, repercutiu na França. A partir dela vieram jornalistas e gente da televisão para conhecê-lo e ao seu Mini Cine Tupy. Depois que foi mostrado na França, Zagatti foi convidado a participar de programas de televisão em São Paulo: na REDE TV (em programa de auditório), quando ganhou da apresentadora um telefone celular (ou telemóvel, como os lusos dizem). O sucesso e o impacto que sua figura fizeram neste programa foi tão grande, que passados dezesseis  anos, creio que a audiência do tal programa jamais chegou ao número de telespectadores daquele dia. Os jornais franceses compararam sua história e seu Mini Cine Tupy, com o filme premiado mundialmente, o “Cinema Paradiso”. Zagatti participou também do programa de entrevistas mais famoso do Brasil, o “Programa do Jô”, apresentado pelo multiartista Jô Soares (ator, dramaturgo, escritor, diretor de cinema e teatro, cômico e entrevistador por excelência), na poderosa e conhecida Rede Globo de Televisão. Após sua participação, Zagatti recebeu uma dezena de filmes novos, um novo projetor, caixas de som, uma máquina de fazer pipoca e um saco de milho, para fazer as guloseimas.

Popularidade e Reconhecimento
A história de Zagatti já teve direito a três documentários: “Z.inema”, de Carol Thomésendo; “Mini-Cine Tupy”, de Sérgio Block; e “Zagatti”, de Eduardo Felistoque e Nereu Cerdeira, tendo este documentário ganhado diversos prémios em vários festivais de curtas-metragens, no Brasil bem como o troféu Kikito, considerado o Óscar do cinema brasileiro e recebeu o prémio de seleção oficial no Festival de Sundance (EUA) em 2002,[7] sendo provável a passagem à longa-metragem da vida de Zagatti, levada a cabo pela produtora de cinema ZYD.
Zagatti conseguiu popularidade por méritos e reconhecimento. Sobre ele foi feito um filme “documentário” de curta – metragem, filme este premiado no Festival de Cinema de Curitiba, em 2003, onde o Zagatti foi receber o prêmio e arrebatar a plateia de atores e gente de cinema e empresários.
O Filme “Zagatti”, acima referido, ganhou o prêmio de “melhor filme” no 7º Festival dos Festivais de Cinema de Curitiba. O 7º Festival de Curitiba aconteceu entre os dias 19 e 24 de Maio de 2003. O filme mostra um dia na vida do Zagatti, como “catador”. Porém, ao vê-lo puxando seu “carrinho” e separando papelão, metais e não metais; ouvimos uma declaração sua, demonstrando a importância ecológica de seu trabalho. Ele diz que cada papelão que coleta e que vai ser reciclado, é uma árvore a menos a ser abatida na natureza; a mesma coisa a respeito de materiais recicláveis como alumínio, plásticos, cobre, ferro e etc.; como ficou aqui bem claro até um cinema praticamente “emergiu” do lixo. Zagatti recebeu o Kikito - Prémio Especial do Júri no 30º Festival de Gramado, em 2002, pela sua paixão e dedicação ao cinema no Brasil.
Nos jornais locais, em Taboão da Serra, inclusive n´O Taboanense, onde este autor colaborou por um ano; dá-se como certo a execução de um filme de longa metragem sobre o mesmo tema do “Curta Metragem”, que foi premiado. Segundo divulgado, até o intérprete para o lugar de Zagatti já foi escolhido; trata-se nada mais nada menos que o ator Lima Duarte, sobejamente conhecido pelas novelas nas quais participa pela Rede Globo de Televisão, além de trabalhos no teatro e no cinema, naturalmente! Infelizmente, tal filme nunca foi concretizado até os dias atuais.
A jornalista Adriana Bosco assim escreveu, em fevereiro de 2001: “ ... dizia o Zagatti: a primeira vez que eu entrei em um cinema eu estava no colo da minha irmã. Vi aquela imensa tela branca, aquela luz que saia de um lugar escondido e refletia nela depois de atravessar toda a sala; de imediato me encantei!“.
Concordo com a jornalista Adriana Bosco, quando afirma que há que se construir um Mini Cine Tupy em cada cidade pobre do mundo, em todos os continentes. Se os governantes não resolvem os problemas sociais, a esperança de um Mini Cine Tupy em cada um desses lugares miseráveis do mundo, traria senão a redenção, pelo menos a perspectiva de um mundo melhor, com mais esperança. Talvez a nossa presença neste mundo faça sentido se nos irmanarmos nisso, ou se plantarmos esta semente. 
Segundo o jornalista Júlio César Caldeira, José Luis Zagatti é apenas um dos vários casos que existem no Brasil, de pessoa cidadã por excelência que, cansada de esperar por alguma atitude dos órgãos públicos, resolve arregaçar as mangas e criar um movimento, ou principiar uma ação de reação da sociedade. O Zagatti achou seu próprio modo de criar espaço de lazer para as crianças pobres, como até plantar sementes de brasilidade e de cultura. 

Epílogo da vida de um mito da periferia de São Paulo – Brasil
Este autor se preparava para enviar este texto para o site “Memórias e outras coisas”, e tentou mais uma “carpintaria” (embelezamento) do texto, fazendo mais uma pesquisa sobre o amigo, e personagem principal do texto, quando chegou a meu conhecimento a notícia de que meu amigo Zagatti faleceu em 26 de outubro de 2016, vítima de câncer, contra o qual lutou por um ano e sete meses. Eu não sabia do fato, pois estou fora de Taboão da Serra há dez anos e perdi contato com os artistas e intelectuais da cidade. Minha atual situação financeira fez-me deixar de comparecer a muitos lugares, inclusive a cinemas e teatros. Informo que Zagatti deixou nove filhos, três irmãos e dezesseis netos.
Eu, ACAS, lembro a “parábola do semeador”, do texto bíblico:
...” Saiu o semeador a semear a sua semente. E ao semear, parte da semente caiu à beira do caminho; foi pisada e as aves do céu a comeram. Outra caiu no pedregulho e, tendo nascido, secou, por falta de umidade. Outra caiu entre os espinhos; cresceram com ela os espinhos, e sufocaram-na. Outra, porém, caiu em terra boa; tendo crescido, produziu fruto cem por um”!

Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. Nascido em julho de 1946, é natural da zona rural de Cravinhos-SP (Brasil). Nascido e criado numa fazenda de café; vive na cidade de São Paulo (Brasil), desde os 13. Formou-se em Física, trabalhou até recentemente no ramo de engenharia, especialista em equipamentos petroquímicos.  É escritor amador diletante, cronista, poeta, contista e pesquisador do dialeto “Caipirês”. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos” e quatro em antologias, junto com outros escritores amadores brasileiros. São seus livros: “Pequeno Dicionário de Caipirês (recém reciclado e aguardando interesse de editoras), o livro infantil “A Sementinha”, um livro de contos, poesias e crônicas “Fragmentos” e o romance infanto-juvenil “Y2K: samba lelê”.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Passagem de Ano com festas em Macedo de Cavaleiros

Santos atribuídos infundadamente a Bragança

Domício, Pelágia, Áquila, Teodósia, Epárquio e Arcádio

O fundamento para atribuir a Bragança estes santos mártires estriba-se só na autoridade do arcipreste Juliano que, no seu Chronicon nº 140, diz: 
«In Lusitania prope Bracharam, Brigantia, quae quondam Juliobriga dicta est, vigesima tertia martii Sancti martires Domitius, Pelagia, etc.»,  isto é: na Lusitânia, em território bracarense, fica Bragança, chamada outrora Julióbriga.
É de saber que, nos fins do século XV e parte do XVI, houve um furor extraordinário em forjar antiguidades, inventando-se lápides e publicando-se livros de autores dos primeiros séculos da era cristã, que davam como aparecidos então.
Assim, apareceram então obras de Beroso, Caldeo, Magastenas, Persa e todas as mais que publicou João Anio Vilerviense, excepto os fragmentos do verdadeiro Beroso e de outros que estão nos antigos.
Santo Atanásio de Saragoça com os mais escritos de Monte Santo de Granada.
Celedónia, bispo de Braga, na vida de S. Pedro; Gregório Bético; Catálogo dos Mártires de Espanha; Lúcio Flávio Dextro; Marco Máximo; Bráulio, continuação de Máximo; Luitprando; Hamberto Hispalense; Liverato; Aulo Flaco; Dr. Servando; Dr. Pedro Segum, bispo de Orense; Heleca; Julian Perez e toda a notícia que somente consta de Lucas, Florian do Campo e Laimundo Ortega; Angelo Pacense; Aládio e outros, por Fr. Bernardo de Brito; Pedro César Augustaño, fingido por Pellicer Huerta.
A Academia de História Portuguesa, por decreto do ano de 1721, deu as obras destes autores por apócrifas, sem nenhum crédito e mandou que nenhum sócio as seguisse e citasse.
Entre os falsificadores portugueses avulta, além de Fr. Bernardo de Brito, o licenciado Gaspar Álvares de Lousada Machado, secretário do Arcebispo de Braga, D. Agostinho de Castro, o qual depois teve a seu cargo o arquivo da Torre do Tombo, que num e noutro cargo forjou e deturpou vários documentos. Lousada carteava-se familiarmente com outro falsário espanhol, Jerónimo Roman de la Higuera, autor do «Lucio Flavio Dextro», e ambos mancomunados se auxiliavam na obra diabólica de confirmarem reciprocamente por documentos, que diziam extraídos dos arquivos a seu cargo, as notícias dadas por um deles.
No intuito, pois, de lisongearem as sés episcopais, seus prelados e, ao mesmo tempo, salientarem-se por notícias de antiguidade dadas em primeira mão, os falsários, pelo que toca aos santos, iam-se aos martirológios e, sempre que estes não lhes indicavam a terra da naturalidade, distribuíam-nos a seu bel prazer pela diocese que mais lhes agradava. Assim, relativamente aos de que nos ocupamos, o Martirologio Romano diz apenas no dia 23 de Março: «Item Coronae: SS. Martyrum Domitii, Pelagiae, Aquilae, Eparchii et Theodosiae», que padeceram martírio no ano de 300 ou 301. E, como do Martirologio não constava a sua naturalidade, veio logo o fabricador do falso Chronicon, atribuído ao arcipreste Julian Perez, a dizer: «In Lusitania prope Bracharam Brigantiae (quae quondam Juliobriga dicta est) 23 martii, Sancti Martires Domitius, Pelagia, Aquila, Theodosia et Eparchius in Diocletiani persecutione passi».
Também pelos mesmos consta que S. Arcádio (martirizado aos 4 de Março do ano de 61) foi o primeiro bispo de Julióbriga, isto é, de Bragança, mas, como já vimos, nunca a nossa teve tal nome; portanto não lhe pertencem estes santos.

S. Galicano Ovino, S. João e Paulo

É também de Julian Perez que consta originariamente a naturalidade de S. Galicano Ovino, parente de João e Paulo, de quem abaixo falaremos, todos nascidos na nossa Bragança, naquele tempo chamada Julióbriga. S. Galicano padeceu o martírio na cidade de Alexandria, durante a perseguição de Juliano Apóstata, no ano de 362 a 25 de Junho. S. João e Paulo, nascidos, como diz Julian, em Julióbriga, hoje Bragança em Trás-os-Montes, foram martirizados em Roma a 26 de Junho, no tempo do mesmo imperador. Pelas razões já alegadas não pertencem estes santos à nossa Bragança.
De onde concluímos que a nossa Bragança, a Bragança de Trás-os-Montes, nunca foi a Julióbriga de Plínio e Ptolomeu nem o Flavium Brigantium mencionado por este último na Galiza; portanto não lhe pertencem as notícias que neste pressuposto lhe têm atribuído vários escritores baseados no Chronicon de Julian Perez e não é ela a pátria dos santos Domício, Pelágia, Áquila, Teodósia, Éparquio, Arcádio, Galicano Ovino, João e Paulo, nem foi cabeça de bispado no primeiro século da era cristã e seu prelado Santo Arcádio.
Prudentemente andaram, pois, os bispos de Miranda, dos séculos XVI e XVII, evitando o prurido de novidades a que os de outras sés não escaparam em não mandar fazer no código de rezas da diocese comemoração especial de tais santos, venerando-os apenas conforme o rito comum da Igreja.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Vinhais vai fazer chegar ao Governo proposta de medidas compensatórias para produtores da castanha

Em Vinhais, a seca extrema provocou quebras na produção de castanha na ordem dos 50%.
Os prejuízos atingem os 8 milhões de euros e levam a autarquia a pedir medidas compensatórias ao Governo.

Pelo menos dois estabelecimentos foram alvo de furto em Macedo de Cavaleiros

Pelo menos dois pavilhões, um de atividade agrícola e outro de venda de produtos, ambos próximos da Zona Oficial de Macedo de Cavaleiros, foram alvo de furto.
Os prejuízos ainda não estão contabilizados e os casos estão a ser investigados pela GNR.

Notícia em atualização.

Escrito por ONDA LIVRE

Despiste no sentido Bragança-Macedo de Cavaleiros

Um ferido ligeiro foi o resultado de um despiste esta manhã na A4, sentido Bragança-Macedo de Cavaleiros perto da saída para Podence.
O ferido, um indivíduo do sexo masculino de 44 anos, era o condutor e seguia sozinho no veículo.

O alerta foi dado cerca das 10h40 da manhã e o homem foi transportado para o Hospital de Bragança pelos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros.

Durante a limpeza do local o trânsito esteve circulável apenas numa das vias.

No local chegaram a estar sete operacionais apoiados de 3 meios terrestres.

Escrito por ONDA LIVRE

Salto, Saltinho, Saltão é a nova obra do autor brigantino Júlio Borges

À venda está já a obra do escritor brigantino Júlio Borges.
Salto, Saltinho, Saltão é uma obra para crianças, pais, educadores e psicólogos e como explica o autor fala sobre as inseguranças e a baixa auto-estima que é um problema comum e que prejudica o desenvolvimento e integração na sociedade.
“ Esta é a história do Saltarico. Um gafanhoto que tinha medo de falhar e com este livro pretende-se trabalhar as inseguranças e a baixa auto-estima. É também uma forma de ajudar as crianças a superar os seus medos e saberem que só custa começar e depois tudo se alcança e têm que ser empenhados em cumprir os seus sonhos e as suas vontades.”
Júlio Borges é também professor do primeiro ciclo e por isso sempre teve uma tendência natural para escrever para o universo infantil. Esta é já a segunda obra deste autor a primeira é inspirada na sua paixão pela matemática e chama-se País sem números.
“O país sem números surgiu como uma forma dos meus alunos perceberem que a matemática era uma coisa útil no dia-a-dia. E o Salto, Saltinho, Saltão tem muito a ver com as inseguranças que se vivem todos os dias nas escolas. Os miúdos não têm baixa auto-estima, mas são inseguros e têm medo de falhar, de errar porque são muitas vezes pressionados para ter boas notas. Todos têm medo de falhar e às vezes desistem mais facilmente e não se empenham o suficiente porque têm medo de não conseguir cumprir os seus desejos e as suas vontades”, explica. 
Um escritor com raízes em Bragança a apresentar o seu trabalho por todo o país.

Escrito por Brigantia

Apresentação do Livro - "Poema de Aguardente em Casca de Noz"

Anunciadas penalizações para os médicos que abandonem o interior do país numa altura em que a ULS Nordeste recebe 55 jovens médicos internos

Há novas medidas do governo para evitar que a saúde no interior atravesse uma crise por falta de médicos na região.
Os profissionais de medicina interna podem vir a ficar três anos fora do Sistema Nacional de Saúde caso abandonem o interior do país.
Esta é uma das alterações que constam da proposta de decreto-lei do Ministério Público, datada de 6 de Dezembro.
Entre outras medidas, a proposta prevê que os médicos internos voltem a receber incentivos na escolha de hospitais com carências, que se situam por norma no interior do país, Alentejo, Algarve e ilhas, onde terão de permanecer, pelo menos, durante três anos após o fim da formação, como avançou o Jornal Público esta quarta-feira.
Trata-se de um regresso às vagas preferenciais que deixaram de estar contempladas em 2015. No entanto, esta proposta do Executivo socialista prevê, ao contrário do que acontecia anteriormente, penalizações. Os médicos que não cumprirem as regras do contrato ficam impedidos de exercer no Serviço Nacional de Saúde (SNS) durante três anos.
A proposta vai ainda a Conselho de Ministros para ser aprovada.
Entretanto, à Unidade Local de saúde do Nordeste chegaram esta terça-feira 55 médicos internos, 46 de ano comum e 9 de formação específica, que vão aqui aprofundar a sua formação.
Os internos de ano comum irão trabalhar ao longo deste ano no internato em Medicina Interna, Pediatria, Cirurgia, Cuidados de Saúde Primários e mais uma área clínica à sua escolha.
Os restantes 9 vão dividir-se por Medicina Interna, cirurgia, psiquiatria, ortopedia, Medicina Geral e Familiar e Saúde Pública.
Durante a cerimónia de apresentação os responsáveis das várias áreas da ULS deram as boas vindas aos novos profissionais, fazendo votos de que alguns destes jovens médicos possam escolher esta região para se fixar no futuro.

Escrito por Brigantia

Escola Agrícola de Carvalhais, Mirandela

A Escola Profissional Agrícola de Carvalhais - Mirandela, um bem maior!
É a Escola Profissional Agrícola (EPA) com grande centralidade e a única em Trás-os-Montes. Fiquei incomodado por me dizerem que de um grupo de cruzeiros turísticos do Douro lhe quis «deitar a mão», talvez com o pressuposto que lhe cairia no colo ao preço da uva mijona. Só assim se compreende que poderá ter havido todo um processo de bastidores que envergonha. 
Há tanta terra desvalorizada onde investir!... Mas, valeu a firmeza de carácter do ex-Ministro da Educação, Nuno Crato, e a posição firme do ex-Presidente do Município, António Branco. Sem eles e a posição corajosa e constante do actual Director, Taveira Pereira, o mais provável era já não termos esta importante estrutura educativa Mirandelense, ficando mais pobre o concelho e a região. 
Quando Taveira Pereira assumiu a direcção, a EPA estava com ar de abandono. Daí para cá ganhou novo fôlego e já pensa na valência de Turismo Rural, para além da queijaria e da produção de cabrito e anho, tendo por trás o rebanho de ovelhas e o fato de cabra serrana transmontana. 
Estas são as melhores «bombeiras» da quinta, «limpando o mato» e afastando os incêndios. A EPA foi legitimada com o Decreto-Lei 26/89 de 21 de Janeiro e a sua génese assenta na Escola de Práticos Agrícolas criada pelo Decreto-Lei 42737 de 18 Dezembro de 1959, assumindo-se como um factor de desenvolvimento e de promoção de milhares de jovens da nossa região e dos PALOPs (Timor, Cabo Verde e Moçambique). 
Forma técnicos Tratadores de Animais, Agro-pecuária, Turismo Ambiental e Rural, Mecânica e Construção, Gestão Equina, Controlo da Qualidade Alimentar, Viticultura e Enologia e Maquinização Agrícola. Gostaria de ver ali funcionar a valência ligada aos enchidos, já que Mirandela é «Terra da Alheira» e premiada nas «7 Maravilhas Gastronómicas de Portugal». 
Que a nova gestão autárquica prossiga o seu apoio e afaste sempre as águas turvas ou surras.

Jorge Lage
in:atelier.arteazul.net

Mirandela reduz IMI e devolve um por cento do IRS

A Câmara de Mirandela tem para 2018 o maior orçamento dos municípios do distrito de Bragança com 39 milhões de euros e as novidades da redução do IMI e devolução de parte do IRS aos contribuintes.
O documento já foi aprovado pela Assembleia Municipal e inclui dois dos compromissos da nova presidente, a socialista Júlia Rodrigues, que conquistou o bastião social-democrata, em outubro de 2017, e prometeu devolver impostos às famílias.

Em 2018, os proprietários de imóveis do concelho vão pagar menos Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), com a redução da taxa municipal de 0,4% para 0,375. A autarquia vai ainda devolver aos contribuintes um por cento dos cinco por cento de IRS (Imposto sobre o Rendimento Singular) a que tem direito.

Apesar das novas medidas, a autarca admitiu que se trata de um orçamento de continuidade até porque o grosso das verbas, concretamente 17 milhões de euros, destinam-se a investimentos negociados, pelo anterior executivo do PSD, no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU).

Entre estes investimentos, alguns já em obra, está a reclamada intervenção no parque escolar que absorverá seis milhões de euros e contempla a reclamada reabilitação da degradada escola secundária.

Os valores contratualizados no âmbito do PEDU contribuem também para o aumento de 31 para 39 milhões de euros do orçamento municipal deste concelho com menos de 24 mil habitantes.

O orçamento contempla ainda, segundo a autarca, as verbas destinadas ao descongelamento de carreiras dos funcionários municipais.

O plano e orçamento foram aprovados na última Assembleia Municipal de 2017, com 30 votos a favor, um contra e 28 abstenções.

O representante do PSD, Paulo Pinto, justificou a abstenção do partido por se tratar de “um orçamento de continuidade das obras planeadas pelo executivo de António Branco”, o anterior autarca social-democrata.

O CDS-PP decidiu “dar o benefício da dúvida” à presidente eleita há dois meses, como referiu Virgílio Tavares, e o eleito da CDU, Humberto Fernandes votou contra por entender que o executivo socialista “podia ter ido mais longe nas reduções de IMI e de IRS”.

Agência Lusa

Autarquia sonda munícipes para mudar data da Feira das Cantarinhas

A Câmara de Bragança lançou, na terça-feira, uma sondagem nas redes sociais para mudar a data da tradicional Feira das Cantarinhas, também conhecida como a Feira do 03 de maio, para o primeiro fim de semana do mês.
“Mas quem se lembrou desta ideia?” é um dos comentários ao anúncio da autarquia, entre os quais há quem sugira ironicamente que se mude tudo, inclusive o Natal, mas também quem defenda a alteração para o fim de semana por haver maior disponibilidade por parte de eventuais visitantes.

A secular Feira das Cantarinhas decorre anualmente entre 01 e 03 de maio e é o mais antigo certame de Bragança, motivo de atração à cidade pelas típicas cântaras de barro e para os agricultores comprarem o renovo para semearem as novas colheitas.

A Câmara de Bragança publicou, na terça-feira, na página oficial da Internet e na rede social Facebook uma nota em que se dirige ao “senhor munícipe” a perguntar-lhe a opinião: “se, em vez de se realizar nos dias 01, 02 e 03 de maio, passe a realizar-se sempre no primeiro fim de semana de maio (sexta, sábado e domingo)?”

Num breve texto explicativo, é indicado que “o município de Bragança e a ACISB (Associação Comercial) pretendem dinamizar e potenciar a realização da Feira das Cantarinhas, que se realiza nos dias 01, 02 e 03 de maio, independentemente do dia de semana correspondente”.

Refere a nota municipal que a ideia é tornar a feira “mais atrativa e capaz de uma maior dinamização do comércio”.

Alega ainda a autarquia que “tem-se verificado que sempre que se realiza durante a semana (segunda a quinta-feira), o número de visitantes e munícipes que visita a Feira das Cantarinhas é menor do que quando se realiza de sexta a domingo”.

Nesse sentido, pergunta se em vez da data de sempre, o evento deve passar a realizar-se no primeiro fim de semana de maio.

Na página oficial do município na Internet, até às 10:00 de hoje, ganhava a proposta de mudança da data com o “sim” a obter 66,8% dos votos e o “Não” 33,3%.

Na página do município na rede social Facebook, há reações de “tristeza”, “fúria”, mas ganham claramente os “gostos” com os comentários a argumentarem em todos os sentidos.

“Quem se lembrou desta ideia?”, é a pergunta de Maria Amelia Gonçalves, enquanto outros como Paulo Gonçalves defendem que “mais importante que alterar os dias em que o evento se realiza seria a reestruturação do mesmo, há muitos anos que nada de novo oferece”.

Há quem concorde com alteração para o primeiro fim de semana de maio, como Carla Fernandes, para quem “além de facilitar a quem trabalha é também uma forma de dar a conhecer a nossa tradição, principalmente ao país vizinho que todos os fins de semana nos visitam”.

Os defensores da tradição, como Yolanda Pereira, argumentam que “se deve manter” nos dias 01, 02 e 03 de maio e alerta que “é por estas e por outras que este país está a ficar sem tradições nenhumas”.

Entre os comentários sobressaem os que contrariam a lógica da polémica com o humor, como Maria João Maia que sugere: “vamos mudar o Natal para o último fim de semana de Dezembro, dá mais jeito e já agora o Carnaval calhar a uma terça feira também é uma tradição muito fraca, devíamos mudar para a véspera de fim de semana!”.

Agência Lusa

Orçamento negativo aprovado com défice de 4,6 milhões de euros

A Assembleia Municipal de Macedo de Cavaleiros aprovou o Orçamento para o próximo ano com um défice de mais de 4,6 milhões de euros. 
As receitas previstas são de 17 milhões de euros mas os compromissos ultrapassam os 21, 6 milhões. 
O documento foi votado por maioria na passada quarta-feira, 27 de dezembro, em Assembleia Municipal. 
Porém, o Executivo vai propor uma revisão orçamental na primeira metade de 2018, assim que for conhecido o resultado da auditoria que está em curso.

Glória Lopes
in:mdb.pt

DICIONÁRIO DO NOSSO FALAR

Julgo ter lido no Nordeste um artigo no qual se dizia – falar ao nosso modo – está na moda. Se especialistas de «todas as especificidades» linguísticas continuam a esgaravatar nos códices e nas coifas onde se escondem vocábulos ditos arcaicos, caídos em desuso, importa referir os trabalhos de recuperação encetados por não credenciados universitários que o fazem pura e simplesmente no âmbito dos deveres cívicos na esfera do seu quadro de referências espirituais e materiais.
Ora, Joaquim do Nascimento, natural do Alto Douro, transmontano envergonhado como o nomeio no intuito de o picar ao modo de picada de ouriço de castanheiro, ou de alfinetada das mestras costureiras alcandoradas pelas clientes no grau de modistas, é um Cidadão de corpo inteiro, o qual dedica estudo, tempo e fazenda aos costumes e usanças da sua terra – Pereiros – integrante do concelho de S. João da Pesqueira. Frequenta alfarrabistas e vendedores de livros em segunda, terceira ou demais mãos, ao encontrar um documento do seu termo luzem-lhe os olhos, sendo um homem de máximas, sentenças e provérbios, esquece quem tem livros, não tem libras e adquire o pequeno (grande tesouro) ficando à espera do meu comentário, irónico na maioria das vezes.
No seu entender os vocábulos não podem ser zorros, por isso mesmo acaba de publicar o Dicionário do Nosso Falar, onde reúne centenas deles, instrumentos vitais para apreendermos os interstícios do falar das gentes do reu terrunho duriense que aprendi a apreender a dureza e quase epidémica penúria lendo entre outros, João Araújo Correia, Miguel Torga, Domingos Monteiro, Graça e Lisa Pina de Morais e Alves Redol do ciclo do Port-Wine.
Li o livro de um trago de muitos bagos de A a Z, reli ao modo de saborear um cálice (avantajado) de vinho fino, soberbo, de uma só colheita, sem surpresa encontrei termos comuns a todas as regiões, pinga a pinga dos de trá-los Montes, escondidos nas covas e largas luras, protegidos pelos fraguedos, camuflados nos giestais e arvoredos.
Há dias no decurso de um noticiário televisivo falei sobre a Carta Gastronómica de Bragança, antes recebi indicações acerca da intervenção a fazer, sugeri levar uma raba, disseram-me para me abster de tal desejo. Sem grande dificuldade consegui mencionar a deliciosa raiz e trago-a a terreiro porque o Joaquim Nascimento não a refere, certamente, porque no Douro, no Alto Douro, nunca as mulheres nunca as preparam a sós ou na planturosa companhia de salpicão tirado do fumeiro, costelas de porco ainda no adobo, ou simplesmente guisadas com ovos batidos.
O benquisto autor ainda está a tempo de provar e degustar tão substanciosa pitança, fosse eu dado a localismos e escreveria que a cozinha tradicional da Terra Fria é a «melhor do mundo», assisadamente alguém diria o meu mundo ser minúsculo e cujo centre ficou centrado na patusca Argana, no entanto, dentro do quadro dos sápidos sabores transmontanos é um bornal repleto de vitualhas de untar a barbela, de a língua estalejar como os foguetes estrondam nas festas e a memória trazê-los à lembrança a propósito de tudo e a propósito de nada, Assim acontece neste escrito, do falar dos montes pintados (J.A. Correia) dos socalcos sudosos dos galegos às touças, matas e bosques de Bragança e Vinhais, apenas foi o intervalo das rabas, sem serem rebitesas.
Às vezes mastigo a hipótese de os meus leitores levarem as contínuas referências a livros num arremedo de pedantismo que a ser verdade além de ridículo seria bacoco e abstruso ao jeito do pedinte de encómios tão do agrado dos génios de bagatelas. Repito, volto a repetir: a minha vida tem nos livros a sua maior pulsão espiritual. Os livros são os meus maiores amigos, dão-me bons conselhos, ensinam-me, corrigem-me os erros, não me pedem dinheiro emprestado. Ah, esquecia, posso incomodá-los a qualquer momento e não ficam a murmurar injúrias ou críticas.
Bom Ano Novo.



Armando Fernandes
in:jornalnordeste.com

Nós, Transmontanos, Sefarditas e Marranos - GABRIEL FERREIRA HENRIQUES (N. PORTO, 1693)

Todos os 6 filhos de Manuel Henriques Lopes e Mariana de Alvim que chegaram à maioridade foram presos pela inquisição de Lisboa.
O mais velho, Vasco Fernandes Lopes, foi o primeiro a ser conduzido às suas masmorras, ao início do mês de maio de 1725. E depois de reconciliado voltou a ser preso, por não ter feito inteira confissão. No entanto ele vivia afastado dos outros irmãos e do pai, que não lhe perdoaram o facto de se ter juntado com uma “concubina” chamada Francisca Rosa (1) e, enquanto solteiro, desbaratar ao jogo os dinheiros do pai.
O processo de outro filho, António Lopes Henriques, é confrangedor, por se tratar de uma pessoa nitidamente falha de juízo e quase cego. Veja-se a resposta que deu aos inquisidores quando lhe perguntaram se sabia porque estava preso:
- Disse que está preso por ser cristão-novo, para o fazerem cristão-velho. (2)
E agora o retrato que dele nos deixou o escrivão do santo ofício:
- Vinha com gesto mudado e como louco, chorando, e posto que de novo não tenha queixa de doido o parece, por não acertar com respostas nem perceber as perguntas, e ser tartamudo, e algum tanto surdo e vê pouco, e que para fazer o seu nome chega muito o rosto ao papel que quer assinar e está sempre fazendo visagens com os olhos e sobrancelhas trémulas…
Falho de juízo e deficiente físico, António vivia em casa e na dependência do irmão Gabriel Ferreira Henriques, como também as 3 irmãs: Branca Rosa, Francisca Rosa Alvim e Mécia Josefa. Por isso mesmo seriam os 5 presos em simultâneo, dando entrada nos Estaus no mesmo dia: 1.8.1725. (3) Eram todos solteiros, exceto a Mécia Josefa, que era viúva de Francisco Ferreira Isidro, seu primo, natural de Freixo de Espada à Cinta, formado em medicina pela universidade de Coimbra. Aliás, nem chegariam a casar, estando apenas “desposados”. No entanto, tiveram uma filha que, de pouca idade faleceu também.
Seria em 1714, quando o seu pai foi preso e a mãe falecida, que Gabriel Henriques se tornou o “chefe da família” com o irmão deficiente e as irmãs solteiras seu cargo. Moravam em Cascais, tendo ido do Porto dois anos antes. Viviam fundamentalmente da venda de tabaco, tendo ali tomado um estanco. E nesse mesmo ano Gabriel conseguiu arrematar o monopólio da distribuição do mesmo produto no termo de Torres Novas, significando isso uma ascensão à classe dos contratadores. E terá sido também contratador do tabaco na comarca de Portalegre.
O negócio não terá corrido muito bem, já que, dois anos depois o vemos em Lisboa à procura de um emprego na administração do contrato do tabaco. Conseguiu esse emprego de administrador (funcionário da junta do tabaco), primeiro em Leiria e depois em Setúbal. Também aqui as coisas não correriam da melhor forma, pois que o vemos a reclamar 5 mil réis de dívida do ordenado e pagamento de mais de 200 mil réis de “serviços extraordinários” aos contratadores.
De contrário, os contratadores tê-lo-ão executado judicialmente e feito prender por dívidas, recorrendo ele a Gaspar Dias de Almeida, grande mercador, de quem o seu pai (Manuel Henriques Lopes) era amigo e colaborador. Ele lhe emprestou os “duzentos e tantos mil réis” exigidos.
Façamos aqui uma pausa para dizer que Gabriel Ferreira Henriques nasceu pelo ano de 1693, na cidade do Porto. Foram seus pais Manuel Henriques Lopes, de Vila Flor e Mariana de Alvim, da família Isidro, originária de Torre de Moncorvo.
A doutrinação de Gabriel na lei mosaica terá sido feita por Diogo Vaz Faro, homem de negócio do Porto originário de Vila Flor, casado com Isabel Henriques, tia paterna do nosso biografado. Este foi preso pela inquisição de Lisboa, em 1.8.1725, como atrás se disse.
Chamado a fazer o inventário de seus bens, disse que não tinha bens “por estar debaixo do poder pátrio”. Mas há uma nota interessante nesse inventário. É que, quando esteve em Setúbal, emprestou dinheiro a duas freiras do convento de S. João que, em penhor lhe entregaram objetos de ouro, prata, diamantes… (4) E esses mesmos objetos deu-os ele depois a Gaspar Dias de Almeida em penhor do empréstimo acima referido. Acontece que, entretanto, aquele fugiu para Inglaterra, levando as joias penhoradas, pelo que as não poderia devolver. (5)
Contudo, a nota mais importante do seu processo respeita à comunicação entre os prisioneiros e destes com o exterior. Vejam o colorido da cena, acontecida dois meses depois que entrou na prisão, contada pelo próprio:
- Estando no seu cárcere, depois de ter jantado, foi ao dito cárcere buscar a louça um guarda gordo (…) José Moreira e este, vendo a ele declarante aflito, lhe disse que lá estava presa a sua gente. E perguntando-lhe ele declarante que gente, lhe disse que eram suas irmãs, e lhe pôs a mão no nariz ficando este entre dois dedos, a modo de quem põe óculos, do que entendeu que também estava preso seu irmão António Henriques que, por ser falto de vista, usava óculos (…) e passados alguns dias, depois que o dito guarda lhe deu os ditos avisos, lhe deu ele declarante dois quartinhos de ouro que tinha escondidos… (6)
Obviamente que os inquisidores quiseram saber como ele conseguiu entrar na cela com os “quartinhos de ouro” e todos os mais contactos do guarda com os presos… nomeadamente com o prisioneiro João Paz de Almeida, de Freixo de espada à Cinta, a quem, do exterior, chegou uma bolsa com 2 400 réis. E como ele próprio soubera disso. Então ele falou de vários companheiros de prisão seus conhecidos e que falavam entre si muito abertamente, apenas escondendo os nomes. Assim, a ele chamavam o Pombo, o dito Paz de Almeida era o Rouxinol, o companheiro de cela deste, que era estrangeiro, dava pelo nome de Canário, outro era o Pavão… o Papagaio… o Pintarroxo… e “se davam os bons dias e as boas tardes e falavam nas suas causas, de que entendeu que todos eram confessos”. Apenas um deles, um António Dias, não falava e, por isso, entendeu Gabriel que ele “estava negativo e em livramento”.
A bolsa com o dinheiro de que atrás se falou, ter-lhe-á sido enviada por Manuel Álvares da Costa, tecelão de sedas, natural de Bragança, morador em Lisboa (7) o qual, já antes, lhe fizera chegar outras coisas, nomeadamente uma cama, conforme depoimento de Ferreira Henriques:
- Disse que só ouvira dizer ao dito Manuel Álvares da Costa que mandara uma cama de sua casa para o dito paz, e que passado algum tempo se lhe tornou a restituir a dita cama, E ainda que o dito Manuel Álvares lhe não declarou, entende que seria para o dito Paz dormir nela nas Escolas e que lha tornaria a mandar quando o recolheram para os cárceres decretos.
Resta dizer que Gabriel Ferreira Henriques desde o início se mostrou confitente, saindo condenado em confisco de bens e penas espirituais no auto da fé de 13.10.1726, juntamente com seus irmãos.

NOTAS:
1-o de seu pai
ANTT, inq. Lisboa, pº 10560, de Vasco Fernandes Lopes; pº 10157, de Francisca Rosa. A propósito, veja-se o depoimento de Gabriel, irmão de vasco: - Com ele nunca falou coisa alguma, porque tinha pouco trato, era extravagante, e mal procedido, e por andar amigado com uma mulher desonesta, com quem depois casou.
2-IDEM, pº 9638, de António Henriques.
3-IDEM, pº 9632, de Gabriel Ferreira Henriques; pº 1882, de Branca Rosa; pº 9628, de Francisca Rosa Alvim: pº 9936, de Mécia Josefa.
4-Pº 9632: - A dita religiosa lhe deu em penhor duas flores de prata com diamantes e uns brincos de ouro com umas pérolas verdes e uma caixa de prata sobre o dourado e um ou dois anéis e umas cestinhas de filigranas de ouro, uma Senhora da Conceição, de ouro com algumas lasquinhas de diamantes…
5-IDEM: - Vendo-se ele declarante executado e preso a requerimento dos contratadores de tabaco, recorreu ele a Gaspar dias de Almeida, homem de negócio, morador nesta cidade, que lhe emprestasse duzentos e tantos mil réis, como lhe emprestou, e então se valeu de todos os sobreditos penhores e outras peças de sua casa do uso de suas irmãs, para segurança do dito dinheiro, os quais se achavam todos na mão do dito Gaspar Dias ao tempo que se ausentou do reino, e depois da sua ausência, falando com um seu filho chamado José Dias, sobre a matéria dos ditos penhores, este lhe disse que seu pai tinha levado todas as peças de ouro e prata.
6-IDEM: - Tinha o dito dinheiro escondido nos cós dos calções, onde o meteu depois de estar preso, no tempo em que se dilataram a busca-lo, que seria meia hora.
7-IDEM, pº 4446, de Manuel Álvares da Costa.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

Município vinhaense vai devolver 3 por cento do IRS às famílias

Medida da Câmara Municipal de Vinhais pretende “ajudar, um pouco mais”, as famílias do concelho, visto que houve um aumento de 2,5 para 3 por cento em relação ao ano transato.
A proposta da devolução de 3 por cento (%) do IRS às famílias vinhaenses foi aprovada na sessão do dia 28 de dezembro de 2017 da Assembleia Municipal. No entanto, esta medida já havia sido aprovada em Reunião de Câmara a 14 de dezembro de 2017.

Com esta medida a Câmara Municipal de Vinhais pretende ajudar, um pouco mais, as famílias do concelho de Vinhais, visto que houve um aumento de 2,5% para 3%, em relação ao ano anterior.

A autarquia foi uma das que, este ano, aumentou este tipo de apoio às famílias locais.

Bruno Mateus Filena
in:diariodetrasosmontes.com


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Festa dos Reis em Baçal

Transferência da Sé para Bragança


Erecta, como vimos, por bula de 22 de Maio de 1545 a nova diocese em Miranda do Douro, aí permaneceu a Sé episcopal por duzentos e dezanove anos.
Nada, porém, justificava tal preferência dada a essa cidade em concorrência com Bragança, a não ser o capricho de D. Catarina, mulher do rei D. João III, em engrandecer com benefício perdurável a primeira terra por onde entrou ao vir sentar-se no trono português: clima áspero, tristonho, insalubre, pouco fértil e, de mais a mais, deslocada num canto da diocese.
Pretextou-se a comodidade dos povos nos seus negócios eclesiásticos para a nova criação, e no entanto os de Monforte de Rio Livre talvez fossem melhor servidos com Braga, atenta a facilidade das vias de comunicação e relações comerciais, do que tendo de se dirigir a Miranda, obscuro povoado de acessos trabalhosos, sem outras dependências além das eclesiásticas.
Ademais, Bragança, cidade mais importante, além de ser ponto naturalmente indicado por central, mantinha, vivas, antigas tradições de sede episcopal com o seu bispo Santo Arcádio, e, embora por outro lado, nos conste o seu nenhum fundamento, é todavia certo que essa ilusão revestia o facto de um prestígio e influência moral suficientes a granjearem-lhe uma corrente de opinião favorável.
A prerrogativa em que os bragançanos se julgavam de posse de não serem visitados senão pelo bispo; de terem um Auditório Eclesiástico, vigário geral e juiz dos casamentos; de os bispos deverem residir aí durante seis meses no ano; de fornecer os elementos principais para a erecção da nova Sé o mosteiro de Castro de Avelãs, quase convizinho de Bragança, e de esta cidade ser cabeça do famoso ducado da casa reinante, eram outros tantos incentivos que, obrando naturalmente, clamavam pela transferência da Sé episcopal.
Também parece que Miranda desrespeitou algumas vezes os seus bispos; e pelo documento nº 16 vemos como já o bispo D. Francisco Pereira havia alcançado licença régia para a transferência que por então não teve efeito; depois, em 1744, o bispo D. Diogo Marques Morato lamenta «que sendo Bragança tão central logo desde o princípio se não tivesse colocado ali a cadeira episcopal, sendo de mais a mais dotada de ares mais benéficos e melhores águas».
Por último, em 7 de Março de 1764, o bispo D. Frei Aleixo de Miranda Henriques transfere a Sé episcopal de Miranda do Douro para Bragança. «Mandou adiante parte da corporação capitular, incumbida de inaugurar as sagradas funções do culto pelas matinas do dia 7 de Março de 1764, em que naquele ano ocorreu quarta-feira de cinza, enquanto que a outra parte devia terminar o ofício canónico na Sé de Miranda, pelas vésperas e completas do dia 6 do mesmo mês e ano».
O quadro do pessoal da Sé que acompanhou o prelado de Miranda para Bragança constava de trinta e seis pessoas cujos nomes, dignidades, naturalidades, datas de posse e óbitos de alguns menciona o venerável cónego Pires.
Parece que a mudança se fez por simples alvedrio do bispo, mas, como já no tempo de D. Francisco Pereira se obtivera licença régia para isso, é de crer que a questão estivesse legalizada. Seja o que for, o que é certo é que a carta régia de 17 de Novembro de 1764  autoriza a transferência, e em Dezembro seguinte comemorou-se solenemente na igreja de Santa Maria de Bragança o fausto acontecimento.
Ignoramos se durante algum tempo serviria de catedral a matriz de Santa Maria de Bragança, que depois se estabeleceu na igreja paroquial de S. João Baptista até 30 de Janeiro de 1768, data em que foi transferida para a que hoje ocupa, sendo-lhe por doação régia de 2 de Setembro de 1765 cedido todo o edifício contíguo, actual Seminário e mais dependências, que por confisco aos jesuítas, dos quais fora colégio, viera à Coroa para a construção de uma Sé.
Pela bula Pastoris Aeterni, de Clemente XIV, expedida a 10 de Julho de 1770, foi o bispado de Miranda dividido em duas dioceses: uma com sede nesta cidade e a outra em Bragança. Porém nem as necessidades espirituais dos fiéis nem os réditos das duas dioceses comportavam dignamente um tal estado de coisas; o bispo D. Miguel António Barreto de Meneses faz sentir ao pontífice tais inconvenientes, resigna heroicamente à mitra e a 27 de Setembro de 1780 expede Pio VI a bula Romanus Pontifex que une numa só as duas dioceses, prevalecendo a Sé em Bragança.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Convocatória do Fernando Gomes (Rei Preto) para treino à experiência no Benfica - 14 de agosto de 1961


OS CTT E A IMPRENSA REGIONAL

Cartas Perdidas - (Alex Stoen)
Todos os dias se faz festa a propósito de novidades que nos vão desactualizando, isolando e excluindo dos amanhãs, se não entrarmos no frenesim dos bytes na ponta dos dedos. Festa é festa e quem não entra no ritmo que se amanhe, porque não há tempo a perder.
Mas as festas não duram sempre. Por mais ilusões que nos toldem o discernimento, chegará o tempo em que se voltarão a sentir as agruras da realidade, que continuará a condicionar-nos, sem contemplações com a leviandade que ameaça fazer-nos perder o norte.
Na realidade, o mundo pouco tem mudado. A miséria, a violência e o primitivismo continuam aqui ao lado, por todos os continentes, mesmo nas ruas luminosas das grandes metrópoles, que tendem a tornar-se monstros incontroláveis.
A vertigem atingiu tal intensidade que parece natural ouvir afirmações de opinadores encartados, que se dizem tranquilos com a concentração urbana e o esvaziamento do território, alegando que são dinâmicas irreversíveis.
Até agora ainda tem havido quem contribua para temperar a entusiástica tontaria, lembrando que o futuro pode trazer grandes desilusões. Entre os que não se rendem a tal destino estão alguns órgãos de comunicação social regional, rádios e jornais, cumprindo uma missão de participação cívica.
Mas, desde há algum tempo confrontam-se com novos problemas que ameaçam a sua manutenção, porque o serviço da distribuição, em tempo, dos jornais impressos aos assinantes não é garantido, aos que estão espalhados pela diáspora, mas também aos que os recebem no país e na região. Assim se contribui para os distanciar das questões importantes destas terras e destas gentes.
Os assinantes são um dos suportes fundamentais da continuidade dos jornais. Quando não os encontram nas caixas do correio no dia aprazado são levados a reclamar junto de quem não tem culpa e semanalmente se esforça para lhes levar informação contextualizada, opinião diversificada e propostas de reflexão sobre temas da cultura, da economia e da sociedade.
Facilmente se ouvirá a displicente proclamação de que este tipo de órgãos têm os dias contados e nada haverá a fazer. Já é raro encontrar jornais que ainda não estejam presentes no mundo digital, onde surgem oportunidades de expansão, apesar dos riscos de superficialidade que se vão sentindo. Mas isso não pode pôr em causa direitos dos cidadãos, nem de actividades empresariais que com eles mantêm uma relação que deve realizar-se sem percalços inadmissíveis.
Os serviços de correios estão em acelerada degradação desde que foi decidida a privatização. Já se chegou ao ponto de não haver garantias de recepção de cartas registadas, perdidas nos meandros de lojas exteriores aos CTT, contratadas para prestar serviços para os quais não têm, notoriamente, condições.
Perder-se uma carta de condução acabada de renovar e encontrar os jornais de duas semanas ao mesmo tempo na caixa do correio, são sinais de que é preciso voltar a pôr ordem na distribuição postal, um serviço que foi exemplo de idoneidade durante longos anos e se constituiu num direito substancial do nosso quotidiano.


Teófilo Vaz
in:jornalnordeste.com