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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 29 de agosto de 2015

A Bruxa de Trás os Montes

Era uma aldeia bastante deserta, tinha alguns habitantes dos quais alguns eram desconfiados e carrancudos, gente simples do campo sem papas na língua, todos viam os visitantes com mau olhar, pois geralmente não iam visitar o campo mas sim a famosa Bruxa que lá habitava. 
Ela habitava num lugar mais afastado da aldeia, tinha uma estrada esburacada somente de terra e nada mais, raramente passava algum carro e quando passava era em serviço para buscar a bruxa Zulmira Pitão. 
Ela ficava um pouco distante da aldeia, numa encosta os carros tinham que parar antes de chegar a sua casa que era velha, quase caindo de podre, janelas partidas, umas ainda se via a velha tinta de cor branca, outras com outros tons e cores velhas e com as tintas descascando aos poucos. Tinha um alpendre, cheio de gatos, plantas mal cuidadas, galinhas pela casa, não existia lugar algum que tivesse arrumado, tudo estava na maior confusão. 
Lembro que em frente da casa existia um lago cujas águas estavam inquinadas, fedendo mesmo, o cheiro incomodava juntamente com os milhões de mosquitos que ficavam a fazer delicias naquela porcaria. Tinha um cão sarnento, cheio de pulgas, focinho feio e todo desengonçado que dava vontade de rir. 
Ao lado existia o curral dos burros, um velho casal, segundo o povo fala que sempre existiram, mas nunca viram tanta vida assim... 
Falavam quase a praguejar: 
- Coisas de bruxas sabem lá que raio de feitiços que ela faz, melhor e nem abrir a boca senão ainda nos transforma em sapos. 
Dizia o povo sempre a resmungar.
Acho que ninguém aceitava com bons olhos a sua bruxa da aldeia, alguns queriam falar, mas todos tinham medo dela, ela praguejava tanto, que eles fechavam as portas e janelas de sua casa, quando ela passava com medo que ela atirasse algo para dentro de suas casas. Engraçado alguns colocava sal grosso e Arruda debaixo dos tapetes para que nada de ruim entrasse em suas casas. 
Às vezes escutava uma ladainha estranha, tipo proteções e rezas, para que, segundo eles protegerem as suas famílias de todos os mal do corpo e da alma. Engraçado o que uma mulher solitária produzia tanto medo, acho que ela tinha mais força que um exército em batalha.
Quando algo de mal acontecia na aldeia, tudo era culpa da bruxa, morria o gado, era a bruxa, adoecia pessoas, era a bruxa, uma verdadeira perseguição contra ela. Às vezes ela sentia revoltada demais com tanta conversa e tanto ódio da aldeia, ela jamais fez nada que prejudicasse o seu povo.
Ora certo dia uma criança adoeceu, ardendo em febre, logo outra criança começa a ter os mesmos sintomas e assim ficaram mais crianças doentes. O povo estava aflito, sem saber como fazer sem carros para transportá-las para locais com médicos e dar a devida assistência a elas. Resolveram entre todos pedir que um médico fosse a sua aldeia, mas preparado para ficar lá. 
Demoraria três dias a chegada do medico isto se não chovesse, pois ai seria o cabo dos trabalhos o carro geralmente atolava na lama e era difícil para tirá-lo de lá. Tinha uma mãe que estava aflita vendo o seu filho a perder as suas forças e quase já nem o escutava a respirar e foi em busca de ajuda. 
Quem podia ser a Bruxa Zulmira Pitão, ela com o seu coração ansioso, batendo, ofegante e de lágrimas correndo pela face completamente desesperada. A bruxa já sabia do que estava acontecer na aldeia, saiu bem cedo para a montanha, com os seus utensílios e foi cortar algumas plantas que só ela sabia que podiam curar. Quando estava a chegar a sua casa quando dá de caras com aquela mulher e que ajoelha em grandes prantos pedindo ajuda. 
Logo acede ajudar a mulher e parte com ela para a aldeia, para espantos de alguns dos seus habitantes, ela prepara algumas infusões e outros tipos de mezinhas e aplica no menino doente. Ninguém mais quis a sua ajuda esperando talvez pelos reais resultados, mas temendo que a bruxa fizesse das dela. 
Passou a noite e o menino ardia ainda em muita febre, falava em grandes delírios, nem por um segundo a bruxa abandonou o menino, sendo uma pessoa humana e até bastante meiga e simpática para espanto dos pais. Já eram sete horas da manhã e o menino começava a acalmar e baixava a sua febre, voltando aos poucos as suas cores a face, acordou mais tarde pedindo comida, dizia ele que já não comia há séculos e sorrindo para a bruxa ele exclamou: 
- Estranho esta noite eu vi um anjo vestido de branco e parecias tu. 
Sorrindo a bruxa, falou: 
- Quem sabe se não vistes mesmo um belo anjo, mas certamente não fui eu. 
Ainda ficou mais um dia naquela casa, sentindo o respeito e arrependimento daquela família que se desfaziam em amabilidades e atenções de gratidão. 
Chega o medico a aldeia, não tem mãos a medir com tanta criança doente, administrava medicamentos, fazia de tudo, mas nada fazia melhorar aquelas crianças para desespero dele. O povo estava sem saber o que fazer, alguns diziam que foi a bruxa que provocou aquilo para castigá-los, algumas mulheres mandavam calar os seus maridos com medo de vir a precisar dela. 
Passaram mais três dias sem quaisquer resultados nem sequer uma melhora daquelas crianças, o desespero já tomava conta do povo e daqueles pais incapazes de ajudar os seus filhos. Um dos homens cansado de ver que o medico nada fazia falou bem de alto e para todos: 
Falou uma mulher completamente desesperada.
- Eu pedir ajuda a bruxa, quem quiser virá comigo, não posso mais por a vida da minha filha em risco por orgulho. O medico estava renitente e exclamava: 
- Que pode uma bruxa fazer com os seus chás e suas mezinhas contra os medicamentos poderosos da medicina, somente o este povo que vive na ignorância. 
Alguns encolheram os ombros e seguiram a sua viagem e foram pedir ajuda a bruxa que logo ela se prontificou ajudar as suas criancinhas. 
Logo todas elas, melhoravam a olhos vistos, ficando todos os dias mais fortes, mais alegres. Corriam felizes todas as crianças da aldeia, aquela aldeia voltou a ser a mesma, mas não nos maus julgamentos e tratos da Bruxa Zulmira. Toda a aldeia agradeceu e fez uma grande festa em sinal de agradecimento. 
Moral da desta historia, afinal as bruxas não são tão ignorantes e nem bichos do monte, esta aqui salvou vidas com a sua sabedoria, humildade e conhecimento das plantas...

A LENDA DOS TRÊS RIOS

Diz a lenda que três ribeirinhos alegres e saltitantes queriam ver o mar e um dia resolveram meter-se a caminho.
    -Partimos logo de manhã muito cedo - disse um deles.
    -Partimos antes do nascer do Sol - disse o outro.
    -E vamos ver qual de nós chega primeiro ao mar - disse o último.
    O luar brilhava nas águas adormecidas dos três ribeirinhos.

    No outro dia, o primeiro a acordar bocejou, agitou as águas e pensou:
    -Partirei já e assim serem o primeiro a chegar!
    O ribeirinho que sempre ouvira chamarem-lhe Tajo deixou-se escorregar pela montanha. Como era um ribeirinho muito alegre saudava os povoados e as gentes;  a todos dizia adeus e informava:
    -Vou a caminho do mar; tudo é muito lindo, mas eu quero ver o mar. Adeus, adeus.
    Brincava com as raparigas que lavavam a roupa nas suas águas claras, escolhia os caminhos mais belos entre pinheiros, oliveiras e pomares. Aos ribeirinhos que encontrava dizia sempre:
    -Vou para o mar! Venham comigo! Vamos para o mar!
    E muitos abraçavam aquele ribeirinho aventureiro . Cada vez mais forte, o Tajo seguia feliz e encantado com as terras que banhava.
    Um dia, uma menina que brincava com as ondas pequeninas chamou-lhe Tejo e ele gostou do novo nome.
    -Tejo serei para quem me veja.
    E para os pescadores, ele ficou a ser o Tejo que lhes dava o sustento de cada dia. Para os lavradores, ele é o Tejo que lhes rega as terras.
    Calmo e divertido, o Tejo chegou ao mar entrou nele de braços abertos. Ali estava, azul e refrescante, o mar que procura por tão longo caminho.
    Entretanto, tinha acordado outro ribeirinho, aquele que se habituara a que lhe chamassem Ana e sabia que outros que davam o nome de Uadi-Ana, ou seja, Rio Ana.
    Ainda ensonado, não sabia bem qual o melhor caminho para chegar ao mar. Ora corria para um lado, ora mudava para outro. mas sabia que o desejo mar se encontrava para sul.
    E lá seguia, entre terras baixas e secas; mais tarde entre rochedos queimados pelo sol.
    Apercebeu-se então de que o povo o chamava por um novo nome. Agora, para todos, ele era o Guadiana.
    Fez amizade com o Caia e Degebe, uns ribeirinhos tímidos que também queriam ver o mar e se juntaram a este novo amigo.
    Um dia, assim em boa união, encontraram o mar, um mar bem azul e águas tépidas e límpidas. O bom do rio Guadiana mergulhou no Oceano Atlântico feliz como uma criança que brinca na areia.
    Mas não era ele o primeiro a encontrar o Oceano pois o Tejo, que saíra mais cedo, mais cedo encontrara o mar.
    Enfriorado e dorminhoco, o terceiro ribeirinho só acordou quando o sol já tinha acordado há muito tempo.
    -Estou atrasado! Já é muito tarde! - pensava o ribeirinho ensonado.
    Lembra-se de que lhe tinham chamado Durius, mas agora as gentes que o olhavam e lhe chamavam Duero. Corria por terras baixas e secas onde se demorava a observar os campos cultivados.
    Mas não deixa de pensar
    -Vou ser o último! É preciso correr!
    E partiu de abalada  esgueirando-se por corredores pedregosos saltando rochedos, correndo apressado, cada vez mais apressado.
    Nas suas margens subiam encostas cobertas de vinhedos com folhas verdes na Primavera e folhas douradas no Outono, escondendo pesados cachos de uvas maduras.
    -Quero chegar ao mar, mas vou ser o último, já sei, vou ser o último! -

Por isso, o Douro que também é Duero e já foi Durius, acabou por seguir o caminho mais agitado.

Jovens detidos com droga e um bastão de basebol

Dois jovens de 19 anos foram ontem detidos, em Macedo de Cavaleiros, por tráfico de droga e posse ilegal de arma branca.

Na altura da detenção, um dos indivíduos estava na posse de 28,3 gramas de haxixe e outro tinha um bastão de basebol. Ambos acabaram detidos. A droga e o bastão foram apreendidos, assim como um carro ligeiro.

Escrito por ONDA LIVRE

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Mirandela foi palco dos Talentos de Mirandela que decorreu pelas ruas da cidade

O centro cultural de Alfândega da Fé recebeu uma exposição de pintura de Levi Guerra

Mais um ano de Festas da Cidade de Bragança no Parque Eixo Atlântico com um cartaz diversificado pensado para agradar a todo o público

Para Que Este Mundo Não Acabe - Documentario Dedicado a Trás-Os-Montes

Colgadeiros de l tiempo

Amadeu Ferreira
Hai a cousicas, cachicos, sfergantes, an que l tiempo queda parado, cumo se se coalhasse, colgado nua eiternidade que mos abre jinelas d’adonde yá nun queremos salir. Todo, inda las cousas mais lhanas, queda ende çfrente i relampa sentidos que nunca habiemos manginado. Ban-mos fugindo ls dies nun anfadado ranran, deixamos-mos arrastrar por esse sereno bibir que nun aspera nada, afazemos ls uolhos al loçque foçque de l mesmo laboriar de siempre, i ende todo se buolbe an cinzento sien quelor. La campanina de l reloijo toca to las manhanas a la mesma hora, i apuis bénen ls mesmos géstios, las mesmas rues, las mesmas pessonas, las mesmas squinas, las mesmas dénias. Ye la redundeç de l tiempo, siempre armano, sien milagres, an que l melhor ye que nada se passe, afeitos que stamos a la maldade de l que ye nuobo, l nuobo que siempre dá muito trabalho. Mas aqueilha redundeç ten frisgos por adonde se speta ua luç que mos arrepassa i bemos para alhá de la costra de las cousas i de l bacento que mos rouba la quelor. Todo dura solo un sfergante, eiterno porque yá nun s’apaga i mos aperta cumo un abraço para to la bida.
Yá nun se me lembra bien porque habie ido daqueilha beç al spital de Bergáncia, muito menos se era eimbierno, primabera, berano ou outonho. Sei que era a meia tarde, porque las ties andában a antregar las merendas puls quartos. A l’antrada de l quarto, mie mai quedou-se un cachico a cumbersar cun tie Baltesara, baixico cumo se faláran de cousas que nun se puoden dezir. You nien fazie eideia que tiu Jesé Paxareiro staba eilhi naquel quarto, ouparado de poucos dies i çpedido de ls doutores. Anquanto asperaba, bie-lo bien, alto i largo, la cara siempre cuas rosas yá a zbotar pa l roixo, la gorra a tapar l relamposo de la calabeira yá sien celras. La mie casa quedaba nua caleija por adonde atalhában ls que le íban a tener a la taberna, na rue de Santo Cristo. Poucas bezes alhá antrei, nun sei a mercar l quei. Ua beç, benie el na burra, de Forcaleiro, staba you i miu pai ne l Rincadeiro, i eilhi quedou el anriba la burra, stribado na rede, a dar al tarabielho, ls uolhos siempre de risa i un falar sereno i pensatible, mais de preguntas do que de repuostas. Yá ábren la puorta de l quarto adonde stá i purparo-me para ber aquel home grande agarrado a la cama, ambrulhado an delores, sumido pul mal que le arrochaba ls poucos dies de bida. De çtraído, nun sei cumo todo se passou, quando uns uolhos, mais grandes do que soles, me agarrórun cun ua fuorça que mal fui capaç de me bulhir. Solo als poucos me fui dando de cuonta de las manos, cun uns dedos largos i gordos de calhos, a arredundar un molete, tan branco que relampaba ne l pardo de la teç. Falaba cumo quien houbira nacido eilhi mesmo, angulhindo la bida a cachos cunsante mordie l molete, que reçumaba a manteiga. Todo mundo calhado a oubi-lo, mas nun oubi nien ua palabra de l que dixo, agarrado por aqueilhes uolhos, ambrulhado por aqueilhas manos que habien feito la bida nun molete i se deixaba comer als cachos. Sentei-me nua cadeira, atrelundado. L tiempo habie-se-me ancarambelado, colgado cumo pingones an die de cencenhada. Inda hoije alhá stou, arrepasasado por aqueilhes uolhos grandes cumo soles, anliado por aqueilhes dedos largos que arredóndan un molete que nunca s’acaba, arremansado naquel quarto que se habie anchido de algo que nunca habie spurmentado. Fui un sfergante de pura felcidade, cumo se l cielo se houbira arramadao para aquel quarto de l spital de Bergança. Pula bida fuora, muita beç pensei cumo la bida ye anjusta quando ten priessa de salir de ciertos queixilhos an que la cumponimos, assi cumo agarrada a un retrato.
Se falo eiqui de tiu Jesé Paxareiro, que coinci algo de loinge por anhos i anhos, ye solo por bias daquel sfergante de cielo. Fui solo ende que antendi la fuorça que le salie d’andrento i que solo un home buono puode tener, cumo se un oupor de nubre se zapegasse de l sarro de la taberna. Ye la díbeda que tengo para cun el i que nunca le pagarei: fui ende que ampecei a acraditar an milagres i a saber que eilhes éran ua cousa bien çfrente daqueilho que me cuntában. Bonda que séiamos capazes de los ber, esses frisgos por adonde la bida subirte a la muorte. Hoije dou mais un passo al botar para fuora este scrito que traio antresgantado zde aquel die.
Passados uns uito dies de haber stado naquel quarto de l spital de Bergáncia, mie mai dixo-me al telifone que se habie muorto tiu Jesé Paxareiro. Nun acraditei, que para mi inda come la bida als cachos, an figura de molete, i apuis le sal por uns uolhos que bótan luç que chega para bolber la nuite an die. Hai cousas i giente que nunca se muorren, dependendo de nós fazé-los bibir, nua gratidon sien a todo l que mos fui dando bida. Inda hoije perciso desse sfergante, cumo se la bida me stubira colgada del. Cumo esse, tengo outros sfergantes, puras spriéncias místicas que nun se repíten. Por eilhes sei a que tierra pertenço i de que giente bengo. Esso me bonda i naide me lo puode roubar.

16 de Júnio de 2006
Amadeu Ferreira

Homem avistado em flagrante a furtar gasóleo foi detido pelas autoridades

Na noite de 26 para 27 foi detido em flagrante,por volta da meia-noite, em Macedo de Cavaleiros, um homem por furto de gasóleo.

O indivíduo foi avistado por populares, enquanto retirava gasóleo do depósito de um pesado de mercadorias estacionado num parque perto do centro da cidade.

Alertada, a GNR seguiu no encalço do infrator, e acabou por detê-lo numa rotunda, junto à aldeia de Lamas. Foi apreendido um bidão com cerca de 20 litros de gasóleo, uma mangueira e o carro usado no furto.

O homem já foi presente a tribunal, e ficou sujeito a Termo de Identidade e Residência.

Escrito por ONDA LIVRE

Procura-se mão-de-obra em Carrazeda de Ansiães

O Concelho nortenho de Carrazeda de Ansiães precisa de gente para trabalhar na campanhas da maçã, azeite e vinho. Jeira é paga entre 30 a 40 euros, ao dia.

Apesar das filas intermináveis nos centros de emprego de diversos concelhos do país, em Carrazeda o presidente da Câmara oferece trabalho nas campanhas da maçã, do azeite e do vinho. Este concelho produz entre 15 a 20 milhões de euros anuais com a produtividade agrícola.

O presidente quer gente disposta a trabalhar na agricultura, que considera um trabalho tão digno como trabalhar, por exemplo, num escritório.

O pagamento é efectuado ao dia, a valer entre 30 a 40 euros a jeira.

Porto Canal

Festas e refeições rituais em Trás-os-Montes

I – A magia da festa 
Os habitantes de Trás-os-Montes (TOM), nomeadamente em  Barroso vivem em comunidades fechadas, entre altas montanhas:  Larouco e Gerês, Cabreira e Barroso, com fundos vales, colinas  suaves, planaltos e extensas planícies, ao longo dos rios Cávado, e  Rabagão, povoados de lagos artificiais.
São aldeias pequenas, concentradas, de granito escuro e telha  recente que substituiu o colmo negro, com ressaibos e parecenças aos  castros celtas, que deram origem ao nosso povoamento medieval. 
Região interior, de uma monotonia relaxante, sem indústrias,  cada vez menos habitada, servida por ruas e estradas estreitas,  recentemente alcatroadas. Esbarramos do lado norte com a Galiza  irmã a comungar connosco no ancestralismo e pureza de tradições e língua. 
Poucas escolas, a não ser a primária, que agora vai fechando pela  desertificação galopante, O Transmontano aprendeu a ler e contar,  apenas para emigrar, tirar a carta, e saber assinar o nome e pouco  mais lhe serve o que aprendeu. Os que aprenderam algo mais voltam  aos torrões ou emigram. 
Casa c'anta caibas, terra c'anta veijas, afirma a ansiedade de  espaço aberto, arável, e o conformismo ao desconforto da casa. 
Ontem as famílias eram numerosas, hoje reduzidas ao casal e  um, ou 2 filhos. A autoridade vai-se diluindo e a juventude é menos  participante, e mais atraída pela extroversão ao meio tradicional.  
Há uma separação de sexos, trabalhos e responsabilidades repartidas, serviços exclusivos, no profano e no religioso, que dão ao homem superioridade, exibida e persistente. 
Sendo o homem um animal religioso, reconhece o homem de TOM que há um Deus que nos domina e governa. Bendita seja a luz do dia, bendito seja quem a cria... é a oração do Barrosão ao levantar. A religião é temida e respeitada porque dá respostas a todas as grandes inquietações que desde a nascença acompanham o nosso homem, que nasce religioso. E o transmontano tem à sua volta um universo religioso. O segredo surge fácil. A sua origem e o seu destino são perguntas que só no sagrado encontra resposta. No nascer, viver e morrer encontra sempre em tela de fundo o sagrado, que o atrai. E faz nascer e desenvolver uma mentalidade simbólica e uma cultura em que o homem se sente em simbiose com a vida e com o mundo. 

A religiosidade é conatural ao Transmontano, e mistura-se com a magia e superstição indivisamente. Com a mesma certeza admite Deus e o demónio, as bruxas, videntes, santos, extravagâncias mágicas, espíritos que povoam a mente mágico- -religiosa do Transmontano. 
O ciclo festivo do ano, é religioso, e mágico e ilude e aligeira e faz esquecer o peso da vida agrícola, económica, familiar, social. 
Os santos de cada dia, os da paróquia e das redondezas são os necessários e bastantes para satisfazer a falta de médicos e restabelecer a saúde e necessidades afectivas e psíquicas do homem. 
A procura dos santos e da magia aumenta na medida em que o descrédito do médico e da farmácia cresce. 
Todas as festas religiosas são uma afirmação de presença do divino na vida, e também uma afirmação conjunta da comunidade como tal, força viva, actuante, dominante, que atrai as gentes e os vizinhos. 
A festa congrega, famílias, amigos, estranhos que alargam a geografia de influência da terra e da família. Exibe-se, abre-se a casa, a adega, a cozinha, a caixa do pão e presunto. 
O grande objectivo da festa é o equilíbrio da saúde, a satisfação de dívidas de vivos e mortos, aos santos, da parte da família e também dos animais domésticos de quem aquela depende.
O prazer da festa está na tentativa de encontrar o sagrado, apaziguar os santos, pagar dívidas sagradas, promessas, fazer novos contratos com o sagrado, regressar feliz da abundância de tudo quanto a festa lhe deu. O gosto de ver, sentir, apalpar o sagrado de perto, atrai o Homem Transmontano que sacraliza espaços, a rua, a casa, os objectos, as pessoas, a comida, o dinheiro, com o fim de contentar os santos para que vivam em paz com Deus e com os homens. 
A crença é escrupulosa, inalterável, de efeito certo e rápido, infalível. Postas as condições, resultam os efeitos. Não admite alterações, é normativa, tem regras comummente aceites e exigidas, sem atitude crítica. Nestas qualidades e seu cumprimento assenta a eficácia e força mágica da festa, da religiosidade popular, da crença. 
Não há casamento pobre... e a festa é o enlace profundo do profano como sagrado, do Homem com a divindade, que revela e exige abundância, generosidade, extravagância, alegria, drama, participação colectiva. 
 II – O Pão da festa
Igual que nas velhas civilizações orientais, bíblicas, as festas e comidas sagradas hoje verificadas e outras já desaparecidas, têm semelhança, paralelismo, sequência, continuidade histórica. 
São compromissos com a divindade, promessas colectivamente propostas e aceites seladas pelo sagrado em que se envolvem. 
No monte Sinai fez Javé aliança com o povo. Caso se cumpram as cláusulas, serei o vosso Deus, caso não virão os castigos, as pragas do Egipto, os gafanhotos. Lev. 26. Os Cananeus tinham com o Deus Baal as suas promessas. 
A promessa compromete a divindade e a colectividade, o povo inteiro, a aldeia e exclui as outras, tanto do cumprimento, como do castigo. 
A divindade escolhe o povo, o acto ritual, o dia e o local. A refeição é geralmente o sinal do acordo. As bênçãos e pragas de hoje são mais ou menos parecidas às da Bíblia, a peste, a fome, a guerra. 
Por isso a festa não pode morrer, nem parar. Repete-se cada ano para que tudo siga bem. 
Os grandes acordos de hoje, políticos e económicos e as grandes decisões tomam-se à mesa, ainda hoje: a boda, o pedir a noiva, o enterro, a festa do santo, as partilhas, os réis, a festa dos rapazes, a dos pastores, a das comadres, compadres, etc.
Existe ainda a tradição de imolar um animal. O touro, o anho, o cabrito. Os hebreus tinham já sacrifícios de comunhão mesmo sem sacerdotes. O animal morto era tripartido: uma parte para Deus, outra para o sacerdote, outra para o povo.
Os romanos nos altares e aras que ergueram por todo o lado nos fóculos, cipos e fossetes, repartiam carnes, sangue e vísceras com fins rituais.
Hoje os povos das diferentes civilizações seguem o mesmo caminho.
Por todo o País e ilhas os bodos (votos), em memória do espírito Santo nas ilhas e Ribatejo, e a outros santos como S. Sebastião, S. Brás, no Norte, Nossa Senhora na zona centro Leiria, Coimbra e Viseu, sobrevivem contra todos os ventos, carestias e marés, ainda para afastar as pestes, epidemias, fomes, guerras. As capelas de S. Sebastião estão situadas na entrada dos povos donde sopram os maus ventos ou donde vem as pragas às culturas.
O pão entra no ritual principal da festa. Na refeição é o elemento comum. Na região de Coimbra e Leiria os bodos são o pão levado em açafates, à cabeça dos mordomos. O pão da festa é o mimo das crianças.
O Pão é sagrado. Beija-se quando cai ao chão. Não se deve deixar cair, ou atirar com ele. Oferece-se aos Santos, às almas. Estas vêm ao lar comer as migalhas da mesa assim como o menino Jesus no Natal.
Tem uma certa perenidade, não apodrece o pão de S. Sebastião, S. Estevão, S. Lourenço, S. Brás. Pelo país dia 1 de Maio, e no Barroso dia 23 de Junho as maias colocam-se nas searas e nas casas para que o pão e a família sejam protegidas das pragas.
Dia da Ascenção o sacerdote faz rogações, procissões, ladainhas para afastar as pragas das colheitas sobretudo do pão.
Trazido para a eira, no fundo da meda faz-se uma cruz, já feita também no medoucho, e outra na coroa da meda.
A sacerdotisa que o amassa, traça sobre ele a cruz rogando: S. Mamede te levede, S. Vicente te acrescente, S. João te faça pão. E para que por fim saia perfeito e crescido, diz traçando a cruz com a pá na porta da fornalha: Cresça o pão no forno...
Ao partir o encerto tem que se fazer ainda uma cruz com a faca no pão do lado que assentou no forno.
O das festas rituais tinha forno próprio no adro, na casa do santo, do pároco, ou na casa dos mordomos. No Couto de Dornelas vão fazer um forno para a festa de S. Sebastião.
Este pão da festa foi novamente benzido na igreja ou em casa dos mordomos pelo sacerdote com água benta.
Levado depois para casa, não apodrece. É incorruptível. Participa do poder da divindade de curar e durar. Cura os presentes na festa e os que ficaram em casa, pessoas e animais. 
Comia-se nos adros e igrejas primitivamente, nas festas e enterros. D. Manuel, alguns bispos e padres acabaram com alguns usos nalgumas terras, noutras passou a celebrar-se fora da igreja. Nos cemitérios à saída dos funerais ainda existe o uso em muitos povos.
Conforme o calendário o exige, a tradição o impõe, e a generosidade se mantém há prendas rituais que ainda sobrevivem.
Eis algumas. 
Levar a cesta recheada de pão e géneros no parto do primeiro filho do vizinho. A chouriça dada aos afilhados dia de reis e Ano novo; o falar da Páscoa dado ao Padre, o alqueire de grão da primícia, as cabeceiras, pelo mortório; a água de S. Brás e o pão para as doenças da garganta; o pão da boda que ainda dura, as amêndoas da boda, o vinho que o namorado, que namora fora tem de pagar; o galo de Domingo gordo, morto e comido, as castanhas de S. Martinho e as fogueiras nos montes, as maias, castanhas do dia 1 de Maio para dores de cabeça; o leite que lavou os pés de S. Mamede bebido pela mãe que produz mais leite; o carolo dos enterros que se leva para casa e se come para aliviar o morto de penas e o vivo de doenças; as ervas e chás apanhadas na noite de S. João para tomar todo o ano; as carnes afumados e outras dadas aso santos e almas e leiloados aos Domingos ao fim da missa; os jantares do espírito Santo, nas Beiras entre a Páscoa e o Pentecostes, oferecidos pelos Mordomos; os reis de S. Sebastião em Valdanta e a comida oferecida pelos mordomos que fazem 25 anos de casados; a festa dos rapazes na zona de Bragança com a morte da vitela, comida em honra de S. Estevão em Dezembro; o abate de touros na festa do Espírito Santo em Leiria e Santarém; o cordeiro que se come dia de S. João, etc.

António Lourenço Fontes 
Revista de Guimarães, n.º 103, 1993, pp. 101-107

História do Mouro

Local: Duas Igrejas, MIRANDA DO DOURO, BRAGANÇA

Era no tempo qu'os mouros andavam à cata dos cristãos.  E um mouro apanhou um cristão e trazia-o a lavrar c'um burro.  E depois, de noite, metia-o numa arca.  E o mouro dormia em cima da arca.  E inda c'uma espada, pa tê-lo...  E algemado de pés e mãos.

E 'tá ainda lá, no Nazo, ainda, as algemas.  Então ainda está lá os ferros dos pés e os ferros das mãos.  Estão lá, postos na capela.  Ah, ah, esta história é verdadeira.
E o cristão sempre rezava a Nossa Senhora que o livrasse das mãos do mouro, porque sofria muito d'andar a lavrar c'o animal, não é?, e dos maus tratos que le dava.
Até que uma noite, sem saber como nem como não, o mouro acordou ao som dos sinos.  Portanto na mourama não havia sinos, porque não havia igrejas, não é?  E disse pò cristão:
--Acorda, cristão.  Na tua terra há cencernas?
(Que diziam inda os antigos.  Isto ouvia aos meus avós, não é?  Cencernas, que eram sinos.)
E disse:
--Pois há.
Diz:
--Até aqui foste tu o meu escravo.  Hoje sou o teu escravo, porqu'estamos na tua terra. 
E então o cristão tinha prometido fazer um poço à Virgem do Nazo se fosse libertado das mãos do mouro.  E ele estava muito longe, e sem sabê como nem como não apareceram ali.  Não se sabe...  Acordaram só ali, na terra cristã, mesmo ao pé da igreja.
E a depois o mouro viu que o Deus do cristão que era mesmo um Deus verdadeiro, que não era nada d'impostorice, porque era impossível serem transportados pr'ali, e ele a dormir.  Deitou-se na parte dos mouros e acordou ali, que era muito longe.  Não sei onde é que era, não diz.
E antão foi ele, até ele próprio qu'ajudou a fazer o poço lá no Nazo, e ainda lá está.
(Esta foi a tal história que eu disse que vi no livro que diziam que tinha sido não sei onde é que era, mas não foi.  É no Nazo. [...]  Foi em Miranda do Douro.  Estão as algemas ali, está lá o cristão assim, de joelhos, algemado, e está um quadro na parede, mui entiguíssimo, e está o mouro co'a lança.  'Tá co'a pintura lá.)

Fonte:FONTES, Manuel da Costa Portuguese Folktales in North America: Canada n/a, sem editora, s/d , p.7A233:94

A INTELIGÊNCIA, OS ELEITORES E OS BURROS

Jorge Nuno
Partindo do nada, como de costume, logo pairou no ar a ideia de escrever sobre Bragança, pois – por mais estranho que pareça – foi considerada a 3.ª cidade mais inteligente do país, situando-se no Top 4, juntamente com Lisboa, Porto e Oeiras, num estudo independente intitulado “Portuguese Smart Cities Index 2015”, efetuado pela IDC – líder mundial em Market Intelligence.

Da inteligência, por oposição, surge-me de imediato a ideia de escrever sobre burros. Pode-se pensar, e com razão, que os decisores têm dificuldade em agir, em planear e, finalmente, colocar no terreno as condições necessárias à prevenção de incêndios, e pode-se intuir que estou a pensar em “burrice”, por essa falta de estratégia nacional. Na verdade, sabemos que anualmente os incêndios se tornam um flagelo, pondo em risco bens e pessoas, exigindo um enorme esforço humano e financeiro no seu combate, particularmente na época de verão, e que ano após ano vamos assistindo, nem que seja à distância, nos primeiros minutos dos telejornais. Foi com agrado que soube que burros de terras de Miranda do Douro iriam ser usados na prevenção de incêndios florestais, num projeto a cargo da Associação para o Estudo e Proteção de Gado Asinino (AEPGA) e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), experiência que se vai iniciar em 2016, tal como tem vindo a apresentar resultados positivos o projeto que promove a terapia com burros destinado a crianças com deficiências físicas e mentais, incluindo crianças autistas ou com dificuldades de relacionamento, e também com o envolvimento da AEPGA e da UTAD.

Sinto um aviso sonoro de chegada de correio eletrónico, e interrompo o raciocínio e o início da escrita. Trata-se de uma mensagem, contendo um link, enviado por um amigo jornalista e escritor, por quem nutro uma grande estima, devido ao seu perfil e envolvimento generoso no associativismo e na cultura. Nesse artigo, aborda com incidência o interior do país, apesar de viver no litoral, no distrito de Setúbal. Realça a “alteração do mapa das freguesias”, levando ao fim de imensas sedes de Juntas de Freguesia, com “perda do poder autárquico”, o “fim do programa de apoio para a terceira idade”, o retirar de “Centros de Saúde, Repartições de Finanças, Tribunais, Escolas (…)”, originando um forte retrocesso nas vidas dos cidadãos, deixando no ar uma inquietante preocupação quanto ao défice de esclarecimento e à intenção de voto destes portugueses que vivem no interior, com tendência para favorecer “quem lhes fez tanto mal”.

Vivendo eu no interior, por opção, e conhecendo esta realidade, não posso deixar de concordar com a maioria do conteúdo deste artigo. Acrescento que políticas erradas, ao longo de décadas, acelerou a desertificação do interior e considero que o país, de forma desproporcionada, está mesmo inclinado para o litoral, onde se promove o investimento e se concentram populações. Mas quanto ao sistema eleitoral usado para as legislativas, ao método de Hondt e representatividade na Assembleia da República (AR), ao excessivo número de deputados eleitos, aos elevados gastos nas campanhas eleitorais, ao financiamento dos partidos, aos lobbies instalados, à falta de interesse dos partidos políticos em promoveram “reformas” internas, que apregoam para o Estado, com consequências no bolso do cidadão… em tudo isto, de forma corporativa, defende-se o status quo. Não é inocente, ingrata ou de gente “burra”, “atrasada” ou pouco esclarecida, a opinião generalizada que paira sobre a classe política, com políticos de topo na hierarquia do Estado a ter pontuação negativa, que é como quem diz: vergonhosamente abaixo de zero.

Os portugueses, seja de que região forem, são livres de votar na formação partidária que quiserem, de votarem em branco, ou de não votarem, engrossando a enorme lista de abstencionistas em todo o país, como aconteceu nas últimas eleições para as legislativas, com abstenção de 41,1% (a mais alta de sempre) e nas últimas presidenciais, com 53,37% (também número recorde), a que se juntam mais os votos nulos e em branco, levando a que a atitude dos portugueses fosse associada a “indiferença, laxismo e falta de confiança”, perante o ato eleitoral, a política e os políticos.

Mas se ainda resta a dúvida quanto ao peso pouco expressivo dos eleitores que vivem no interior do país, deixo aqui o número de eleitores e o número de deputados a eleger no próximo ato eleitoral de outubro. Na faixa interior do país, que considerei composta pelos círculos eleitorais de Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre e Évora (eliminando Beja, por também ter território no litoral), há um total de 735.141 eleitores inscritos nos cadernos eleitorais, que colocam 16 deputados na AR. No círculo eleitoral de Setúbal há 725.783 eleitores que colocam 18 deputados na AR. Constata-se que os cinco distritos do interior citados têm mais 9.358 eleitores e elegem menos dois deputados que o de Setúbal. Só cinco distritos do litoral – Aveiro, Braga, Lisboa, Porto e Setúbal – elegem 60% dos deputados.

Na hora de votar – e falta cerca de um mês – o esclarecimento é importante, e nem quanto a isso os partidos políticos chegaram a acordo, preferindo fazer debates televisivos prévios, relacionados com os ditos debates que (tudo indica) não se vão realizar. Entretanto, há que deixar os burros fazer o seu trabalho, desde que em prol do bem comum, seja em terras de Miranda ou onde quer que se encontrem. Na hora de votar… há que fazer uso da inteligência, consciente que todas as ações/decisões produzem consequências, e ainda mais, quando se fala de inteligência coletiva, a exigir “reformas” do sistema partidário e firme mudança de atitude.

© Jorge Nuno (2015)
in:jorgenuno-letras.blogspot.pt

Aposta em explorações de mirtilos aumentam na região

Encontrar mirtilos no nordeste transmontano há alguns anos, poderia ser considerado uma plantação exótica. Mas hoje-em-dia há cada vez mais produtores deste fruto vermelho, sendo actualmente cerca de 20 os que estão instalados na região, em particular nos concelhos de Bragança, Mirandela e Vila Real.
A concorrência não é problema. Para Nuno Rodrigues, produtor de Pinela, que investiu numa plantação de frutos vermelhos há 4 anos, e que começou este verão a fazer a primeira colheita de mirtilos, a necessidade é mesmo de aumentar a área de cultivo para fazer face à procura. O problema está, no entanto, “em conseguir terrenos em regadio” na região. “Falta-nos algumas condições em determinados locais. Onde era possível construir regadios não existem e os que existem estão a ser muito mal aproveitados como o da Barragem da Castanheira e do Azibo”, refere o empreendedor. 
O trabalho dos produtores de mirtilo da região funciona já em rede. Das 18 toneladas de produção de mirtilo de Nuno Rodrigues, este ano, 11 hectares são próprios e 30 hectares são relativos a comercialização de outros produtores, contando no próximo ano ter 45 a 50 toneladas produzidas. A grande maioria é para exportação e a procura exige um aumento de 60 hectares de aérea de cultivo. 
O produtor garante que a rentabilidade do fruto, até porque o gosto pelo fruto “não é uma moda”. “Estamos a recusar encomendas todos os dias. Temos contratos formados para os próximos 20 anos”, refere Nuno Rodrigues. 
Uma cultura que parece fazer sucesso, na região. As condições de clima e solo contribuem para a qualidade. 

Escrito por Brigantia

Autarca de Carrazeda reclama plano de regadio para o planalto de Ansiães

O presidente da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães reclama um plano de regadio para o planalto de Ansiães.
José Luís Correia entende que os produtores devem ter um papel activo e associar-se, mas exige às autoridades, nomeadamente ao Ministério da Agricultura, a concretização de um projecto que evite problemas de rega como o que este ano se faz sentir devido à falta de chuva.
“Espero que não haja dois ou mais anos de seca seguidos, porque, nesse caso, temos uma situação drástica para os produtores. Tenho alertado os responsáveis para a necessidade de fazer um plano de regadio para o planalto de Ansiães”. Preocupações demonstradas numa altura em que arranca a Feira da Maçã, Vinho e Azeite. 
Outra das dificuldades encontrada pelos produtores do concelho, em particular os de maçã, tem a ver com a conservação e comercialização do fruto. 
O autarca espera que este certame ajude a abrir portas no sentido de melhorar esses aspectos de negócio no sector. “O crescimento da plantação das pomóideas, que se tem registado nos últimos anos, não tem sido acompanhado pela questão do frio, cuja rede querem ampliar. 
Este ano, eventualmente, os produtores vão deparar-se com esse problema da conservação, porque é um ano excelente de produção de maçã, são mais de 600 hectares de pomares que podem produzir 40 toneladas por hectare”, refere o autarca. O presidente do município acredita que o evento tem contribuído já para a aumentar o negócio dos produtores. 
A XX edição da feira da Maçã, Vinho e Azeite arranca esta sexta-feira e estende-se até domingo. 
Os produtos agrícolas mais importantes na economia de Carrazeda de Ansiães vão estar em destaque, sendo mais um factor potenciador do turismo no concelho. 

Escrito por Brigantia

Autarcas apostam na melhoria das ligações entre o Nordeste Transmontano e Castela

As autarquias transfronteiriças de Miranda do Douro e Zamora (Espanha), deram início a um processo de aproximação, tendo em vista o incremento das relações bilaterais, entre os dois municípios banhados pelo rio Douro.
Numa reunião de trabalho que decorreu na passada sexta-feira na cidade espanhola de Zamora, os dois autarcas ibéricos reivindicaram melhores ligações rodoviárias entre a região de Castela e o Nordeste Transmontano com o prolongamento do IC-5 para Espanha, via Miranda do Douro-Sayago-Zamora.
As questões culturais, ambientais e económicas também fizeram parte da ordem de trabalhos, havendo mesmo uma "estratégia" a ser preparada quanto a estas matérias.
Outras da pretensões que esteve em cima da mesa foi o prolongamento da Autoestrada Trasmontana desde Quintanilha (Bragança), transformado a estrada espanhola nº 122, até Zamora, em autoestrada, de modo "a travar os constantes acidente mortais que acontecem naquele traçado".
O presidente da câmara de Miranda do Douro, Artur Nunes, defendeu que as ligações rodoviárias com Zamora são importantes, bem como o seu consequente prolongamento para o resto da Europa, de forma a atrair turistas.

in:mdb.pt

Governo espanhol quer ligar-se a Portugal por autoestrada

O Governo Espanhol anunciou a intenção de concluir a ligação de Zamora à fronteira com Portugal através de autoestrada.
A obra no troço de 16,6 quilómetros entre Alcanices e a ponte internacional de Quintanilha deverá ser adjudicada já no próximo ano de 2016. O projecto inclui ainda três outros troços entre Zamora e Alcanices, que totalizam mais de 55 quilómetros. Os estudos prévios desta parte do traçado estão parados desde 2008 e deverão ser igualmente retomados. Segundo adiantou o jornal castelhano La Opinion de Zamora, a intenção de reactivar os projectos da A-11, que fará a tão aguardada ligação entre Zamora e a fronteira, foi anunciada depois de uma reunião entre a Ministra das Obras Públicas espanhola e o presidente da província de Zamora.
O governo do PP consignou para a empreitada 1,8 milhões de euros do orçamento de investimento para o próximo ano.

Duplicar a faixa de rodagem da Nacional 122 e transformá-la em autoestrada é agora considerada uma prioridade pelo governo espanhol, depois da construção da autoestrada da rota da prata, entre Zamora e Benavente, e as obras do comboio de alta velocidade que deverá chegar em breve à capital da província espanhola vizinha.

Informação CIR (Rádio Brigantia)

GNR apreende planta de cannabis em Mogadouro

Ontem, foi detido pelo Núcleo de Investigação Criminal de Miranda do Douro, um homem de 37 anos, em Mogadouro, por cultivo de cannabis.

O homem tinha uma estufa, segundo informa a GNR, num espaço contíguo à casa, onde tinha uma planta num vaso, com mais de 2 quilos de peso.

Fica sujeito a Termo de Identidade e Residência.

Escrito por ONDA LIVRE

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Mapas do Distrito de Bragança em 1705

Igreja Matriz de Ansiães / Igreja de São Salvador / Igreja de Ansiães

Portugal, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Lavandeira
Arquitectura religiosa, românica. Igreja paroquial de planta longitudinal composta por nave e capela-mor mais baixa e estreita, com fachada principal em empena truncada, rasgada por portal escavado, composto por várias arquivoltas e tímpano profusamente decorado, encimado por pequena fresta. Fachadas rematadas em cornija, assente em cachorrada, as laterais rasgadas por portas travessas e janelas em arco de volta perfeita assentes em colunas. Capela funerária adossada.
Número IPA Antigo: PT010403070003
Categoria
Monumento
Descrição
Planta longitudinal composta por nave, capela-mor mais baixa e estreita e, no exterior, adossada obliquamente ao cunhal direito, uma capela funenária quadrangular. De volumes articulados, disposição horizontalista e com coberturas diferenciadas de duas águas na nave e capela-mor. Fachadas em cantaria aparente, rematadas por cornija assente em cachorrada simples e beiral. 
A IGREJA tem a fachada principal voltada a O., com portal escavado, de volta perfeita, constituído por cinco arquivoltas boleadas, as exteriores decoradas por motivos fitomórficos, geométricos, animais, actividades rurais e, na interior, vários Apóstolos, as quais assentam em capitéis figurativos, com humanos e animais fantásticos; o tímpano apresenta Cristo em Majestade, circundado por mandorla e por tetramorfo. Sobre o portal, pequena fresta e a fachada remata em empena truncada. A fachada lateral esquerda, virada a N., possui duas frestas, ladeadas por duas colunas de fuste liso, anel inferior e capitéis decorados com animais e elementos fitomórficos, e uma porta de arco em volta perfeita, assente em impostas salientes, uma delas decorada com palmeta, e tímpano vazado com cruz de Malta. O volume da capela-mor é cego, com os cachorros decorados com elementos antro e zoomórficos. 
Fachada lateral direita, virada a S., rasgada, na nave por duas frestas e portal escavado, em arco de volta perfeita, assente em duas colunas de fuste liso, toros e escócias na base e capitéis cúbicos com decoração fitomórfica; sobre estes, duas impostas decoradas com entrelaçados e moldura exterior denteada. O tímpano ostenta uma cruz pátea vazada, sendo o lintel arredondado e ornado com vários lóbulos. Na capela-mor, abre-se, num pequeno ressalto do muro, um arcossólio em arco apontado, com moldura estriada, assente em capitel de motivo vegetalista no lado direito e imposta saliente no oposto. A cachorrada é decorada com motivos zoomórficos. Fachada posterior em empena, rasgada nos volumes da nave e capela-mor por frestas centrais. INTERIOR com arco triunfal de volta perfeita, com decoração de palmetas e capitéis com motivos geométricos. Na nave existe um pequeno núcleo museológico onde se incluem fragmentos do pelourinho de Ansiães e estelas sepulcrais decoradas com símbolos solares, cruzes de Malta e Templária e estrelas judaicas *2. CAPELA funerária da família Sampaio de planta quadrangular, com fachada principal virada a NO. com portal escavado em arco de volta perfeita, assente em impostas salientes e dupla moldura, a interior boleada, com tímpano decorado por cruz pátea, a qual, constitui o único elemento decorativo. 
Remate em cornija assente em cachorrada decorada com motivos boleados. Fachadas laterais, em empena, rasgadas por fresta e a posterior remata em cornija assente em cachorrada ainda com vestígios da primitiva decoração e rasgada por fresta. INTERIOR rasgado por dois arcossólios ligeiramente apontados e mantendo as tampas dos sarcófagos.
Acessos
EN 214, a 3 km. a S. de Carrazeda de Ansiães, no largo de Castelo de Ansiães
Protecção
MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 14 985, DG, 1.ª série, n.º 28 de 03 fevereiro 1928
Grau
1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.
Enquadramento
Rural, isolado, o monumento está inserido na cerca do Castelo de Ansiães (v. PT010403070002), que se situa no topo do mais alto de quatro montes, junto à porta de Santiago, no lado S. do castelo.
Descrição Complementar
Utilização Inicial
Religiosa: igreja matriz
Utilização Actual
Marco histórico-cultural: igreja
Propriedade
Pública: estatal
Afectação
Sem afectação
Época Construção
Séc. 13
Arquitecto / Construtor / Autor
ARQUITETO: Baltazar de Castro (1930).
Cronologia
1160 - D. Afonso Henriques concede foral a Ansiães; 1198 - foral dado por D. Sancho I; 1219 - concessão de feira à vila por D. Afonso III; séc. 13, meados - construção da igreja; pertencia ao padroado real e era comenda da Ordem de Cristo; séc. 13, finais / séc. 14, inícios - construção da capela funerária adossada à fachada principal para panteão da família Sampaio; 1384 - reconstrução dos muros da fortificação; 1442 - reconstrução da igreja; 1510 - D. Manuel I dá foral novo; 1706 - segundo o Padre Carvalho da Costa é reitoria do padroado real e rende 80$000, sendo cabeça da Comenda do Salvador e a ermida de São João Baptista é cabeça de outra comenda; o Comendador de ambas é Manuel de Melo, porteiro-mor e regedor da Casa da Suplicação e Prior do Crato; 1966, 21 Junho - o imóvel encontrava-se sem portas; 1967, 7 Setembro - segundo memória descritiva, o imóvel estava em ruínas, com a cobertura parcialmente caída; 1987 - projecto de criação de uma Sala Municipal de Arqueologia na igreja; 1995 - projecto de investigação arqueológica contemplando a vila medieval, enquadrada no Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos (PNTA) e na linha da investigação medieval do Grupo de Estudos de História da Viticultura Duriense e do Vinho do Poto (GEHVID); 1998, 4 Dezembro - relatório dos trabalhos arqueológicos, sendo referidos os vestígios de uma estrutura de fundição artesanal de sinos no meio da nave, de onde se retirou um conjunto significativo de escórias de metal e fragmentos de argila; verificou-se a existência de uma necrópole medieval, com várias sepulturas antropomórficas escavadas na rocha.
Características Particulares
Capela de fundação românica, mantendo portal axial com programa iconográfico e escultórico bastante desenvolvido que se terá devido a, pelo menos, duas mãos, uma que daria espacialidade às figuras e outra, mais elementar, que as aplana. O tímpano com Cristo em Magestade rodeado por tetramorfo e vários santos nas arquivoltas. A cachorrada e capitéis laterais mostram decoração fitomórfica. A profusão decorativa dos elementos estruturais denota influências directas da escola de Braga. A capela funerária, adossada obliquamente a um dos cunhais da fachada principal, mantém, no interior, arcossólios em arcos apontados, alguns preservando as tampas dos sarcófagos que encerram. No interior da igreja, mantém-se vasto espólio proveniente das imediações e interior.
Dados Técnicos
Sistema estrutural de paredes portantes.
Materiais
Granito na estrutura, modinaturas, cachorradas, decoração; madeira nas portas.
Bibliografia
AFONSO, Belarmino, A Arte Religiosa na Diocese de Bragança, in Brigantia, vol. I, Bragança, 1981; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Geografia da Arquitectura Românica, in História da Arte em Portugal, vol. 3, Lisboa, 1986, pp. 51 - 130; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, O Românico, in História da Arte Portuguesa, vol. 1, Lisboa, 2001; BARROCA, Mário Jorge, A Epigrafia Medieval Portuguesa, Porto, 2000; Castelo de Ansiães visitável até 2006, in I Informativo, 20 Janeiro 2005; COSTA, António Carvalho da (Padre), Corografia Portugueza..., Lisboa, Valentim da Costa Deslandes, 1706, tomo I; FERNANDES, Paulo Almeida, A igreja de São Salvador de Ansiães, in Brigantia, Bragança, 1999; GASPAR, Luís Pereira, Douro. Estudos e Documentos, Porto, 1998; História da Arte Portuguesa [dir. PEREIRA, Paulo], vol. II, Lisboa, 1993; MORAIS, João Pinto de e MAGALHÃES, António de Sousa Pinto de, Memórias de Ansiães, Carrazeda de Ansiães, 1985; PEREIRA, Ricardo Manuel Paninho, De Ansiães a Carrazeda de Ansiães, s.l., 1991; RODRIGUES, Jorge, O Poder no Românico Português, in Propaganda e Poder. Congresso Penincular de História da Arte, Lisboa, 2001; Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976; VERDELHO, Pedro, Roteiro dos Castelos de Trás-os-Montes, Chaves, 2000; VITORINO, Pedro, O Portal Românico de Ansiães, Porto, 1925.
Documentação Gráfica
IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN; GEHVID
Documentação Fotográfica
IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN
Documentação Administrativa
IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN; IPPAR; Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães; GEHVID
Intervenção Realizada
DGEMN: 1930, 15 maio - Portaria publicada no DG n.º 110, 2.ª série, nomeando o arquiteto Baltazar de Castro, diretor interino dos Monumentos Nacionais do Norte, para integrar a Comissão administrativa das obras a executar na Igreja e Castelo Carrazeda de Ansiães, comissão que era constituída ainda por Manuel de Melo Sampaio (Visconde de Alcobaça) e António Bernardo Ferreira Trigo Moutinho; 1946 - restauro da igreja; 1958 - reconstrução da cobertura; 1966 - construção do taipal de vedação da porta de acesso à igreja; 1967 - construção da cobertura, colocação das portas da igreja; colocação de cantarias em falta; execução de frechais em betão armado para apoio do telhado da cabeceira; limpeza geral com remoção da vegetação do interior; 1976 - reparação da cobertura e reconstrução das portas da igreja, consolidação da capela-mor, colocação de forro de telha; 1977 - reparação das portas da nave.
Observações
*1 - DOF: Ruínas da Igreja de Ansiães / Igreja de São Salvador de Ansiães. *2 - as colunas há muito que desapareceram para serem reutilizadas noutros fins; uma das colunas estava há uns anos em Alganhafres; os altares colaterais seriam dedicados a Nossa Senhora do Rosário e a São Brás.
Autor e Data
Ernesto Jana 1994 / Marisa Costa 2001
Actualização
Paula Noé 1999

in:monumentos.pt