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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Politécnico de Bragança reclama apoio do Governo a novos investimentos

 O presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Orlando Rodrigues, reclamou hoje do Governo apoio financeiro a novos investimentos para dar resposta ao crescimento da instituição com nove mil alunos e vários projetos de parcerias regionais.
No dia em que o politécnico celebrou 38 anos, o presidente salientou que a instituição “continua a crescer”, mas alertou que “está no limite” em termos de instalações e equipamentos.

“São necessários investimentos, as nossas instalações e equipamentos estão no limite de utilização e reclamam investimentos de manutenção”, afirmou o presidente, vincando que “sem investimento, a manutenção e renovação dos ativos fica comprometida”.

Simultaneamente, Orlando Rodrigues reclama que “é necessário criar condições para o desenvolvimento dos projetos considerados estruturantes para o desenvolvimento do IPB e da região”.

Entre os projetos considerados estruturantes estão o novo campus da Saúde que envolve, como explicou a expansão da Escola Superior de Saúde e o centro para as tecnologias hospitalares limpas, em parceria com a Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste.

Outro projeto é o Laboratório Ibérico de Alimentos, que compreende a construção de infraestruturas de investigação em diversas áreas, promovido em conjunto com a Universidade de Vigo, em Espanha.

O presidente apontou ainda o Laboratório de Artes na Montanha Graça Morais, em parceria com a Câmara de Bragança, o desenvolvimento do polo do IPB no Alto Tâmega e o aumento da oferta de alojamento estudantil.

“Esperamos que as políticas e programas que se anunciam permitiam corrigir parte deste défice de investimento que acumulamos há mais de dez anos”, afirmou.

Orlando Rodrigues lembrou ainda que o IPB criou “mais de 100 novos postos de trabalho científicos no último ano”.

O presidente discursava na cerimónia comemorativa do Dia do IPB, este ano realizada por via digital com diversos convidados, inclusive membros do Governo, como os secretários de Estado do Ensino Superior e para a Valorização do Interior.

A pandemia de covid-19 ditou as restrições das comemorações e tem envolvido o politécnico de Bragança, nos últimos meses, em várias ações de mitigação, com o presidente a recordar que a instituição realizou 41 mil análises a testes à covid-19.

O responsável garantiu que a comunidade académica “não contribuiu para o agravamento de contágios e das taxas de incidência” em Bragança, apresentando números mais baixos que os globais desta zona.

A crise sanitária levou ao segundo confinamento com a maioria da comunidade académica a trabalhar à distância e o presidente do IPB a garantir empenho na disponibilização de recursos neste “período difícil”.

A sustentabilidade social e cooperação institucional foram o mote das comemorações deste ano com o exemplo do Banco Alimentar Mundial, prémio Nobel da Paz, em 2020, na Oração de Sapiência, a cargo do coordenador de emergência, Pedro Matos.

Orlando Rodrigues afirmou também que “o IPB quer ser cada vez uma instituição empenhada com a região, formando as pessoas que a economia precisa, em colaboração ativa com os empregadores e garantindo o conhecimento para o desenvolvimento”.

O presidente do IPB referiu-se ainda à possibilidade de atribuição de grau de “doutor” pelos institutos politécnicos e defendeu que “é inquestionável que nalgumas áreas esta capacidade está claramente demonstrada”.

“Urge encontrar uma solução para este problema”, considerou.

HFI // MSP Lusa

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

SOB…

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")

A serenidade do olhar 
Inatingível e secreto,
prendo a vida,
entre as mãos ansiosas,
dentro do sorriso discreto.
Embalada em misérrimos sonhos,
navego nas nuvens,
Desço, ao rastejar da urze,
Sou mera criatura
Por Deus pai, fui criada,
fui resquício de gente,
No ventre de minha mãe
Por meu pai, implantada!
Incrédula, séptica e descrente,
Pouco mexe comigo,
Que gostem de mim,
Que me odeiem, 
Não me diz nada, de nada 
Isso pouco me importa,
Isso, é-me indiferente.
Sob, a serenidade do olhar
Procuro um resto de sol,
Um naco de fantasia
Um pouco de amor e mar,
Um canteiro, de açucenas
Brancas e perfumadas
No meu castelo de amor,
Onde a alma vai morar
Num reciproco, vai e vem 
Com respeito e amor ao próximo
Sem fazer mal a ninguém.

Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.

Governo volta a controlar fronteira terrestre

 O Conselho de Ministros aprovou hoje a reposição do controlo de pessoas nas fronteiras terrestres.
A possibilidade de suspensão de voos e determinação de confinamento obrigatório de passageiros à chegada quando a situação epidemiológica assim o justificar foi outra das medidas incluídas no novo decreto do estado de emergência que vigora de 31 de Janeiro a 14 de Fevereiro.

Segundo a Ministra da Presidência Mariana Vieira da Silva ficam limitadas às deslocações para fora do território continental de cidadãos por qualquer via, com excepção para viagens por motivos impreteríveis. “Os cidadãos nacionais estão impedidos de qualquer saída ao estrangeiro, independentemente do país”, afirmou.

Os hospitais podem contratar médicos e enfermeiros com formação no estrangeiro, bem como médicos sem a especialidade completa e reformados.

As aulas continuam suspensas até dia 5 de Fevereiro, como previsto, e na semana seguinte é retomado o ensino à distância.

Escrito por Brigantia
Jornalista: OTC

Festival do Butelo e das Casulas e Carnaval dos Caretos 2021 este ano são no online

 É através de um conjunto de iniciativas, online, que o Município de Bragança promove o Festival do Butelo e das Casulas e o Carnaval dos Caretos em 2021, com o objetivo primordial de apoiar (dentro das possibilidades que permite a atual situação pandémica) os produtores locais e de continuar a dinamizar a cultura e as tradições brigantinas.
Um evento criativo e inovador, que vai realizar-se na casa de todos os portugueses, a qualquer hora, a partir de qualquer lugar e à distância de um simples clique. Assim será o Festival do Butelo e das Casulas e Carnaval dos Caretos 2021 que, pretendendo contrariar os obstáculos e dificuldades originados pela COVID-19, se reinventou e, de forma irreverente, vai acontecer, em todo o País, de 1 a 16 de fevereiro.

É através de um conjunto de iniciativas, online, que o Município de Bragança promove o Festival do Butelo e das Casulas e o Carnaval dos Caretos em 2021, com o objetivo primordial de apoiar (dentro das possibilidades que permite a atual situação pandémica) os produtores locais e de continuar a dinamizar a cultura e as tradições brigantinas.

O Festival do Butelo e das Casulas vai, assim, realizar-se online, através da plataforma Dott/Ctt, que contará com a participação de 17 produtores do Concelho de Bragança, que estarão a comercializar produtos, como fumeiro (butelo, salpicões e chouriças), casulas, azeite, bebidas (vinho e licores), mel e artesanato regional. Um investimento, na ordem dos 14 mil euros, que será suportado pelo Município de Bragança.

Também a partir de casa, os apreciadores da boa gastronomia podem aprender a confecionar alguns pratos à base de produtos locais, com destaque para o butelo e casulas, a castanha e o mel, com chefs que vão “colocar aos mãos na massa” e revelar alguns dos seus segredos na cozinha. Vão ser, ainda, realizadas diversas ações junto de influencers, com vista à promoção do evento e dos produtos locais.

Já o Carnaval dos Caretos 2021 vai chegar a todos os portugueses, também, de forma digital, através de iniciativas, como oficinas pedagógicas, destinadas, sobretudo, à comunidade escolar, a exposição de um artesão de máscaras e “Diálogos com Arte”.

Assim, nos dias 10, 11 e 12 de fevereiro, os mais pequenos (e toda a comunidade escolar) podem aprender, online e sob a orientação de artesãos, a construir máscaras em lata e fatos de caretos do território de Bragança.

A 13 de fevereiro, vai decorrer a inauguração “Máscara: o ser e o fazer”, do artesão Isidro Rodrigues, no Museu Ibérico da Máscara e do Traje, seguida de “Diálogos com Arte”, com António Tiza e Isidro Rodrigues. Iniciativas transmitidas através do Facebook do Município de Bragança.

No último dia, a 16 de fevereiro, o ator André Gago vai falar sobre “O Papel da Máscara no Teatro”, em Diálogos com Arte, também através do Facebook do Município de Bragança.

D. João da Câmara: "A Burrinha Branca"

 Meu avô tinha uma burrinha branca, que parecia um macho.

Era branca e lustrosa como um cotãozinho de serralha, esbelta, com as mãozinhas muito finas, viva, com as orelhitas muito curtas. Uma estampa.

Quando o avô saía nela, não havia general em campo de batalha que mais garboso se apresentasse. Tic-tic! — lá iam os dois pelos caminhos. Vinham as mulheres às portas e era um coro:

— Benza-te Deus, burrinha!

É que tinha uns modos que prendiam o olhar de todos.

Homens havia que embirravam com o avô, por causa daquela fortuna, e diziam ao vê-los:

— Raios os partam!

Mas o velhote não cuidava de mulheres, desprezava invejosos e só pensava na burra.

Chamava-se Pomba, pomba por dentro e por fora, tão branquinha d’alma como de pêlo.

Muito meiga, quando o avô lhe levava a ração, esfregava nele a cabeça, mexia as orelhas e dava ao rabo, que é o modo por que os burros fazem festas à gente. O avô dava-lhe beijos.

Por todas essas aldeias, nunca vi gato nem cão, animalzinho mais querençudo.

Assim passaram muitos meses de muita paz e sossego.

Lá o nosso vizinho sapateiro é que se mordia de inveja. De amarelo que era fez-se verde, de magro um trinca-espinhas. Era dono dum cavalinho lazão, coxo, peludo, calçado de três pés e bebendo em branco.

Pois ainda queria comparar o diabo do homem!...

Ora isto da malha branca da testa correndo pelo focinho até ao beiço é de mau agouro. Diziam os mouros que os cavalos assim marcados tinham na cabeça a mortalha do cavaleiro. Até onde seja verdade não sei; mas vi mais de uma vez o lazão aos coices nas estrelas e o sapateiro no chão com as costelas amolgadas.

Pois, apesar disso, só para fazer rabiar o avô, dizia que não trocava!...

A Pomba era um apetite. Invejavam-lhe ovelhas a mansidão.

O avô calava-se, porque bem conhecia o sapateiro. Ria-se, sem que ninguém desse por isso, que eram tantas as rugas na cara que mais uma, menos uma não fazia diferença. Onde se lhe conhecia a alegria era nos olhos, uns olhitos pequeninos, já sem cor.

A burrinha a trote — tic-tic! — e ele:

— Bons dias, vizinho!

Então o cavalicoque escanzelado, muito malcriado, tinha o mau sestro de rinchar.

O avô não gostava do atrevimento; mas que havia de fazer senão conformar-se com o namoro desaforado de quantos quadrúpedes na terra havia? Era a linda cabecinha branca apontar entre os umbrais da cocheira e logo cada zurro de repicaponto, que, fosse a Pomba como certas mulheres, seria a aldeia um céu aberto.

Ela, muito dengosa — tic-tic! — olhava para todos de soslaio, mas nenhum encarava de fito.

Eu levava-a muita vez a pastar. E, como o avô não queria que ela perdesse um só ponto da reputação, dizia- me sempre:

— Não percas o animaizinho de vista. Não deixes de piar a burra.

Nem o mais pintado se lhe havia de chegar, que eu tinha sempre o olho nela e nunca as peias me haviam esquecido.

Entretanto chegou o mês de abril e toda a charneca se encheu de flores, desde as copas mais altas dos sobreiros até as ervinhas, que se escondem envergonhadas debaixo das moitas.

A burrinha abria muito as ventas, respirando o ar fresco da madrugada, que cheirava a alecrim e a rosmano, que nem eu sei encarecê-lo! Os estevais eram todos em flor e a charneca parecia um mar todo ele verde e branco, quando o vento cursava por essas mesas fora.

Ela gostava de ouvir os passarinhos, que até parece que os entendia. Não há como maus exemplos. Andava azougada e o avô inquieto.

Peia-me a burra — dizia sempre.

Iam tamanhos desaforos pela aldeia...!

Mas quem havia de pensar...?

* * *

Ora, por esse tempo, a Pomba fez quatro anos, o que é também a primavera na vida dos burros.

Uma certa manhã, o sol, depois de três ou quatro dias de chuviscos, apareceu de repente limpo de nuvens e com tanta luz, que as abelhas embebedaram-se todas. Era um zunir lá pelos ares, que até dava alegria à gente. E lá embaixo no montado, ao pé do rio, ainda os rouxinóis se não tinham calado, já os trigueirões andavam cantando. Era dia de festa tanto na terra como no céu!

Ora um homem pode ser marreca, aleijado e feio como eu sou, há coisas que lhe vão direitinhas à alma.

Larguei a burra no ferregial e fui-me deitar debaixo da figueira.

Dizem que o sol, quando nasce, é para todos: por que não havia de haver uns raios para mim? Tanta moça boa na aldeia e eu estropiado, sem me atrever...

Pus-me a olhar para aqueles montes, donde o sol vinha a subir. Um moinho ao longe bracejava, com as velas muito brancas, que mal se viam no céu todo em volta cintado de cor de sangue. Zuniam as abelhas, cantavam os pássaros, e o cheiro das flores, em que me tinha deitado, trepava-me à cabeça. Fechava os olhos encadeados com a luz do céu e punha-me a sonhar. O sol apareceu por detrás do monte, correu uma aragem, as florinhas do rosmano curvaram-se, escondendo-se na troca dos beijos. Passaram no ar duas borboletas brancas, uma atrás da outra, e pelas ervas andavam gafanhotos aos saltos. Eu pensava em muita coisa junta e cantarolava baixinho uma cantiga, que tinha ouvido de longe, num baile da véspera:

Qual a distância e a lonjura

Onde o sentido caminha,

Onde é que ele vai parar,

Isso ninguém adivinha.

Ora, os versos que eu cantava, a burra também os sabia. Tinha-me esquecido peá-la e, quando voltei a mim, não vi da burra nem rastos!

E ali fiquei eu, não sei que tempos, como um simplacheirão, de queixos caídos e mãos a abanar, sem achar uma idéia que me alumiasse, sem ver remédio de vida, a tremer das fúrias do avô.

Depois, muito cozido com as paredes, fui até a cocheira. Talvez a Pomba tivesse tomado o caminho de casa.

O avô, satisfeito como um gato ao borralho e descansando em meu cuidado, assentara a barba sobre o peitilho, e no pátio, sentado no banco de pedra, dormia ao sol.

A burra não estava.

Fui para a charneca. Onde via esteva pisada, procurava achar um rasto. Levava numa palhinha a medida certa da ferradura; mas as poucas horas de sol naquela manhã tinham endurecido a terra.

O sol foi subindo e até ao meio dia andei léguas. O coração batia-me tanto, que me fazia doer. Não parei. Ia a doida, sem destino. Bateram na vida ave-marias. Dei por mim a quatro léguas da aldeia. Calaram-se os pássaros; as papoulas das estevas enrolaram-se para dormir; anoiteceu, e eu deixei-me ficar toda a noite na charneca, a tremer de susto e de frio. Toda a santa noite um mocho piou e eu pensei na coça que me esperava. Se não fosse a marreca, tinha fugido para assentar praça. Uma daquelas só pela fortuna! E toda a noite tive nos ouvidos a mesma cantiga... Mas quem podia adivinhar...?

Era quase madrugada, quando cheguei a casa.

Mal o avô me avistou, bateu-lhe o queixo como em terçãs, e até os beiços se lhe fizeram brancos.

— E a burra? — perguntou.

— Por felicidade, nessa altura, a Pomba entrou no pátio, a passo, de orelha muito murcha, como quem traz peso na consciência.

Foi o que me valeu. Eu, que tanta praga durante a noite lhe rogara, tive até vontade — palavra! — de desatar aos beijos á minha salvadora.

Mas já o avô a tinha agarrado. O desgosto não lhe havia feito esquecer o costume, pelo contrário, e uma melhor matadela de bicho tornava-o ainda mais terno.

O que ele disse á burra! O que ele lhe disse!

* * *

Mas embora o velho perdoasse, o mal estava feito. Breve disso se convenceu. Primeiro foram apenas suspeitas, passados dias uma certeza.

O avô andava envergonhado. Já, quando passava em frente da porta do sapateiro, não largava chalaças para a loja. O caso tinha sido falado. Isto de más-línguas na aldeia!... O avô parecia-lhe que a honra da burra tinha o que quer que fosse com a honra dele. Dantes sempre cantando — tiro-liro-liro! — andava matuto agora. “Quem se ria?... Vão lá saber!” Nasceu-lhe um ódio enorme a todas as cavalgaduras a quem pudesse atribuir a desgraça. Desafogava comigo e dava-me bofetadas, cada vez que dizia “não a peaste!” O asno do moleiro era amarelo com uma cruz nas costas e tinha fama de reqüestado. Nunca mais o pude ver. Contra todos tinha uma pedra no sapato e, quando o lazão rinchava, dizia: “Desavergonhado !“ Mas não desconfiava dele. Tão feio!...

Quis ver se a Pomba se traía. Quando passeava pela aldeia na burrinha, ia-lhe sempre observando qualquer gestozinho das orelhas. E ela muito séria... tic-tic!...

* * *

Uma madrugada vim dar parte ao avô de que havia mais um machinho na cavalariça.

Nem sequer acabou de engolir o copinho de aguardente e atravessou como doido o pátio.

Um macho! Um macho!... Mas então quem?... quem?

A luz da alvorada mal coava pelos intervalos da telha vã, cobertos de teias de aranha, onde se balouçavam palhas. Foi preciso que eu acendesse a candeia.

Como a Pomba enternecida lambia o filhinho!

Era um machinho lazão, muito feio, calçado de três pés, bebendo em branco.

Quando o avô lhe não deu ali um estupor, é porque já não morre.

O caso, é claro, fez bulha, ainda mais do que o primeiro.

Eram quase dez horas da manhã, quando o avô, que se fora encostar na cama, ralado pelo desgosto, ouviu uma voz alegre, que lhe gritava:

— Parabéns!

Veio a porta furioso e mostrou o punho ao sapateiro, que se afastava, findo, a chouto, no lazãozinho coxo peludo, calçado, dos três pés e com a tal malha de mau agouro...

Ora o que desconsolou o avô foi o que me deu alegria para a vida. Aquilo do cavalico que animou-me, porque a burra estava despeada e foi até onde muito bem lhe pareceu. São gostos. Pobrinho duma figa n’alma, no corpo e na algibeira, vivi desde então com uma esperança.

* * *

Quando o marrequita acabou de contar a história, a Caetana que andara servindo os fregueses, pôs-se vermelha.., vermelha...

— Até mais logo — disse ele, saindo.

O diabo do marreca tinha sorte!

Nota:
Texto-fonte: D. João da Câmara. Contos, 1900, extraído da edição de 1974 da Editora Três

Movimento Cultural da Terra de Miranda não desiste e envia Carta Aberta à Procuradora Geral da República

 Segundo o MCTM, “ a audição parlamentar do Ministro do Ambiente e da Ação Climática e do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, na 11ª Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território a 27 de janeiro de 2021, referente ao negócio de venda pela EDP de 6 barragens em Trás-os-Montes”, não revelou dados que permitam compreender os contornos deste negócio.
Depois de uma carta aberta aos deputados da nação, o Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM) envia agora uma carta aberta à Procuradora Geral da República, Lucília Gago, sempre com o mesmo intento de esclarecer o negócio de venda pela EDP de 6 barragens em Trás-os-Montes.

Segundo o MCTM, “ a audição parlamentar do Ministro do Ambiente e da Ação Climática e do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, na 11ª Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território a 27 de janeiro de 2021, referente ao negócio de venda pela EDP de 6 barragens em Trás-os-Montes”, não revelou dados que permitam compreender os contornos deste negócio.

Perante “o silêncio do Senhor Ministro às questões colocadas pelos diferentes Grupos Parlamentares”, o MCTM resolveu requerer a intervenção da Procuradora Geral da República, no sentido de averiguar por que motivo o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, “aceitou autorizar a venda das 6 barragens pela EDP sem exigir qualquer contrapartida para o Erário Público, como o Senhor Ministro hoje confirmou na Assembleia da República”, refere –se na carta aberta enviada a Lucília Gago.

Nesse documento, o MCTM solicita ainda à Procuradora Geral da República que “indague por que motivo o Senhor Ministro do Ambiente não impediu que o contrato de venda que autorizou contivesse cláusulas de planeamento fiscal agressivo destinadas a evitar o pagamento do Imposto do Selo, do IMT, do IRC e da Derrama, apesar de estar alertado previamente, pessoalmente e por escrito, para essa possibilidade. Na audição parlamentar de hoje (27/01/2021), o Senhor Ministro confirmou não ter assegurado que o contrato respeitasse a lei fiscal vigente, mas não respondeu à razão pela qual não cumpriu essa obrigação, apesar de essa questão ter sido colocada por todos os partidos”, sublinha o Movimento transmontano no texto que endereçou à Procuradora Geral da República.

Os signatários do movimento insurgem-se desde há algum tempo contra “a falta de transparência” deste negócio, tendo vindo a exigir a obrigação de a EDP pagar ao Estado os impostos devidos sobre esta transação, o que se traduziria em mais de 110 milhões de euros a aplicar na região e nos concelhos onde se situam os empreendimentos hidroelétricos que passaram para a gestão da eléctrica francesa ENGIE.

O MCTM é constituído por associações culturais e personalidades dos concelhos do Planalto Mirandês.

Na audição parlamentar de ontem o ministro do Ambiente garantiu que “se houver imposto pago ou a pagar” pela venda de seis barragens da EDP, a um consórcio liderado pela Engie, “o montante será, com certeza, entregue aos municípios”. Matos Fernandes, voltou a referir que “o Governo cumpre e cumprirá a Lei. Se houver imposto pago ou a pagar, o montante será, com certeza, entregue aos municípios”, assegurou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, que na mesma audição também disse que ao acusá-lo “de isentar a EDP” do pagamento de impostos referentes àquela operação “é não saber nada das coisas”.

Curta-metragem "Aldeia do diabo" filmada em Cidões nomeada para prémio no Fantasporto

 Uma curta-metragem gravada em Cidões, no concelho de Vinhais, está nomeada para o prémio de melhor filme no Fantasporto.
A “Aldeia do Diabo” é da responsabilidade de alguns alunos do mestrado de Cinema da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, que em 2019 rumaram à região, no âmbito de uma residência artística, criada pela instituição de ensino.

Tiago Fernandes, docente na UBI e coordenador da residência, revela que da visita resultou ainda outra curta-metragem e mostra-se satisfeito com os resultados que estão a ter.

“Esta nomeação é muito importante porque o festival é muito antigo e já deu a conhecer nomes sonantes do cinema internacional. É muito gratificante para nós docentes e para os alunos”, explicou.

Tiago Fernandes é natural do concelho de Vinhais e acreditou que era enriquecedor que os seus alunos conhecessem a Festa da Cabra e do Canhoto, que anualmente acontece em Cidões, no dia 31 de Outubro, para dar as boas vindas à estação escura. A “Aldeia do Diabo” é uma espécie de homenagem à festa e às gentes que lhe dão vida.

“A festa foi um dos motivos para a marcação da data da residência porque acreditei que a experiência os ia marcar. Contudo, não esperava que quisessem fazer um filme sobre o evento. Não é propriamente um documentário sobre a festa, mas sim sobre a relação que os habitantes da aldeia têm com a figura do diabo”, acrescentou.

A residência artística levou sete alunos a Vinhais. Tiago Fernandes considera que tão importante como os prémios ou as nomeações é a aprendizagem que a visita proporcionou aos estudantes.

Está previsto que o filme esteja em exibição no Rivoli, no Porto, entre os dias 23 de Fevereiro a 7 de Março. Contudo, tanto estas datas como a de divulgação do prémio podem ser alteradas por causa da Covid-19. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

O eucalipto não tem lugar no HotSpot de Biodiversidade

 A equipa da Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural está a realizar ações de eliminação e controlo de eucaliptos (Eucalyptus globulus) nos terrenos do HotSpot de Biodiversidade com o objetivo de remover esta espécie nociva dos solos e promover a floresta autóctone, através da plantação de várias espécies nativas como o zimbro, espécies do género Quercus, freixo, entre outras.

Controlo de eucaliptos nos terrenos do HotSpot de Biodiversidade. Fotografia Palombar.

O eucalipto, originário da Austrália, é uma espécie invasora muito prejudicial. O eucalipto promove “uma dramática redução da biodiversidade do território” e provoca “autênticos desertos à sua volta”, concluiu o estudo "Inhibitory effects of Eucalyptus globulus on understorey plant growth and species richness are greater in non‐native regions" publicado na revista Global Ecology and Biogeography em 2017.

Controlo de eucaliptos nos terrenos do HotSpot de Biodiversidade. Fotografia Palombar.

As substâncias químicas presentes nas folhas dos eucaliptos impedem o crescimento das raízes de outras espécies nativas, mostrou a investigação. Adicionalmente, o eucalipto consome água em excesso e contribui de forma significativa para a propagação de incêndios. Em Portugal, esta espécie foi introduzida com foco na indústria, sendo o seu cultivo em monocultura destinado sobretudo à produção de pasta para papel.

O HotSpot de Biodiversidade é um projeto da AEPGA - Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino desenvolvido em parceria com a Palombar que tem como grande objetivo restaurar e promover a salvaguarda da biodiversidade no Sítio de Importância Comunitária Rios Sabor e Maçãs, abrangido pelos concelhos de Vimioso e Mogadouro, através da criação de uma micro-reserva onde serão aplicadas medidas de conservação em habitats prioritários, restauro ecológico em áreas artificializadas e campanhas de educação ambiental.

Petição quer acabar com monopólio das patentes de sementes e animais

 O movimento internacional "NO PATENTS ON SEEDS!" lançou recentemente uma petição contra a existência de patentes de plantas e animais. A petição exige que o European Patent Office (EPO) implemente medidas urgentes para proteger os agricultores, os criadores e a biodiversidade, e para acabar com o monopólio de patentes sobre sementes e animais.
As organizações membros do "NO PATENTS ON SEEDS!" estão preocupadas com o número crescente de patentes de sementes e animais de consumo humano e com o seu impacto sobre a agricultura, a pecuária, o meio ambiente e a diversidade de fauna e flora.

Enquanto não houver uma solução para este problema, o movimento defende que deve haver uma moratória dos pedidos de patentes que estão a decorrer na União Europeia para travar a sua concessão.

A conservação de variedades de sementes tradicionais é fundamental para promover a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas

Todos os anos, a Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural faz sementeiras de variedades tradicionais de cereais – trigo barbela e serôdio – e de leguminosas – garroba –, em Modo de Produção Biológico, para alimentar pombos e outras espécies-presa de fauna selvagem, como o coelho-bravo e a perdiz-vermelha. As sementes são compradas pela Palombar aos produtores locais, pelo que, além de contribuirmos para promover a biodiversidade, fomentamos a economia circular e sustentável.

Patentes não! A biodiversidade não pertence a ninguém!

A Palombar já subscreveu!

Assina a Petição AQUI.

Mais Informação AQUI.

Regulamento da albufeira do Tua aguardado há uma década

 Um dos entraves ao avanço do Plano de Mobilidade do Vale do Tua começou a ser ultrapassado com o anúncio, hoje, da discussão pública do Programa Especial da Albufeira de Foz Tua, segundo os responsáveis locais.
Quase uma década depois da constituição da comissão de acompanhamento do processo, foi publicado hoje em Diário da República o anúncio da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) da abertura do período de discussão pública, a partir da próxima semana, do programa que regulamentará o uso da albufeira.

Este é o primeiro passo para resolver “uma das burocracias que era preciso ultrapassar” no plano de mobilidade, disse à Lusa Júlia Rodrigues, presidente da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua, a entidade que gere o projeto.

O Plano de Mobilidade Turística e Quotidiana é a principal contrapartida pela construção da barragem de Foz Tua e contempla a reativação de um troço da antiga linha do Tua, mas também da albufeira, nomeadamente com a disponibilização de barcos para turismo.

A concretização do plano tem sido sucessivamente adiada por alegadas questões burocráticas das quais dependem licenças e outras autorizações, tanto para a via-férrea como para a albufeira.

“É absolutamente essencial que se tivesse dado este passo para a consulta pública”, vincou Júlia Rodrigues, referindo-se ao programa que regulamentará o uso da albufeira.

A discussão pública inicia-se cinco dias apôs a publicação em Diário da República, com um mês para receber contributos, a que se seguirá a análise e decisão da APA.

A preocupação local é saber se “estão vertidas na parte documental, as exigências que os municípios fizeram em sede da comissão de acompanhamento”, como referiu a autarca.

Os cinco municípios da área de influência da barragem, concretamente Mirandela, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Murça e Alijó, constituem, junto com a EDP, a agência de desenvolvimento, também ela uma contrapartida pela construção da barragem.

A Agência manifestou recentemente “descontentamento” e “cansaço” com o arrastar do processo de revitalização da linha do Tua e o plano de mobilidade.

O regresso do comboio aos cerca de 30 quilómetros, entre a Brunheda e Mirandela, que restam da centenária linha do Tua, tem sido sucessivamente adiado, apesar de já terem sido investidos 20 milhões de euros e estarem prontos a avançar barcos e comboio do operador turístico, o empresário Mário ferreira.

O projeto contempla também serviço de transporte ferroviário para as populações com outras carruagens.

O arranque do comboio já foi anunciado e adiado várias vezes e, no último ponto de situação, a Agência informou que “a Infraestruturas de Portugal (IP) já realizou a inspeção” às últimas obras, sugerindo algumas correções, que já foram efetuadas”.

A Agência garante que se aguarda apenas “pela inspeção final por parte da IP”.

Informou ainda que “está em fase final de negociação a cedência pela empresa “Metro de Mirandela” de duas automotoras para recuperação, que serão afetas ao processo de mobilidade”, para transporte da população.

Revelou também que, “está ainda em fase de discussão a construção do PMO, que será o ponto de apoio operacional onde se instalam as oficinas para manutenção dos equipamentos envolvidos na operação de mobilidade”.

HFI // ACG Lusa

Carnaval de Bragança com butelo e caretos 'online' em fevereiro

 O festival das tradições de carnaval de Bragança, em torno do típico enchido butelo e dos Caretos, decorre este ano ‘online’, na primeira quinzena de fevereiro, devido à pandemia de covid-19, divulgou hoje a Câmara Municipal.
As ruas da cidade de Bragança e uma tenda instalada na Praça Camões foram, em anos anteriores, o palco do festival do Butelo e das Casulas e do Carnaval dos Caretos, organizados pelo município que este ano decidiu levar os eventos a “casa de todos os portugueses”, através da Internet.

“A qualquer hora, a partir de qualquer lugar e à distância de um simples clique, assim será o Festival do Butelo e das Casulas e Carnaval dos Caretos 2021 que, pretendendo contrariar os obstáculos e dificuldades originados pela covid-19, se reinventou”, segundo a apresentação feita pelo município.

Assim, de 01 a 16 de fevereiro, “é através de um conjunto de iniciativas ‘online’ que o município de Bragança promove o Festival do Butelo e das Casulas e o Carnaval dos Caretos em 2021, com o objetivo primordial de apoiar, dentro das possibilidades que permite a atual situação pandémica, os produtores locais e de continuar a dinamizar a cultura e as tradições brigantinas”.

O festival que promove o prato típico do carnaval nesta região, à base do enchido de ossos, o butelo, e as casulas ou cascas, as vargens de feijão secas, realiza-se através da plataforma Dott/Ctt e que contará com a participação de 17 produtores do concelho de Bragança.

Além do butelo e das casulas, os produtores terão também para venda outros enchidos do fumeiro regional, como salpicões e chouriças, e produtos locais, desde o azeite ao mel ou artesanato regional.

A Câmara de Bragança revelou que investe “14 mil euros” neste formato, que proporcionará também aos “apreciadores da boa gastronomia” a oportunidade de aprenderem a confecionar alguns pratos à base de produtos locais.

Para o efeito, alguns chefes de cozinha vão “colocar as mãos na massa” e revelar alguns dos seus segredos para a confeção destes pratos.

Os tradicionais mascarados que costumam sair à rua por altura do Carnaval, os Caretos, vão ter uma época festiva mais resguardada, mas marcarão também presença de forma digital, através de iniciativas como oficinas pedagógicas, destinadas, sobretudo, à comunidade escolar.

Entre 10 e 12 de fevereiro, os mais pequenos podem aprender ‘online’, e sob a orientação de artesãos, a construir máscaras em lata e fatos de caretos do território de Bragança.

A 13 de fevereiro será inaugurada a exposição “Máscara: o ser e o fazer”, do artesão Isidro Rodrigues, no Museu Ibérico da Máscara e do Traje, seguida da iniciativa “Diálogos com Arte”, com o autor e o estudioso destas tradições António Tiza.

Estas iniciativas têm transmissão e direto através da rede social Facebook do município de Bragança.

As festividades do Carnaval ‘online’ terminam a 16 de fevereiro, com o ator André Gago a falar sobre “O Papel da Máscara no Teatro”, na iniciativa “Diálogos com Arte”, transmitida também na página do Facebook do município.

HFI // JAP Lusa

Eventual imposto pela venda de barragens irá “com certeza” para municípios

 O ministro do Ambiente garantiu hoje que “se houver imposto pago ou a pagar” pela venda de seis barragens da EDP, a um consórcio liderado pela Engie, “o montante será, com certeza, entregue aos municípios”.
“O Governo cumpre e cumprirá a Lei. Se houver imposto pago ou a pagar, o montante será, com certeza, entregue aos municípios”, assegurou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, ouvido pela comissão parlamentar de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, na Assembleia da República.

O ministro estava a ser ouvido a propósito da venda pela EDP de seis barragens em Trás-os-Montes (Miranda do Douro, Picote, Bemposta, Baixo Sabor, Feiticeiro e Tua), por 2,2 mil milhões de euros, a um consórcio liderado pela Engie.

O governante considerou ainda que acusá-lo “de isentar a EDP” do pagamento de impostos referentes àquela operação “é não saber nada das coisas”.

Em causa está a alteração ao Orçamento do Estado para 2021 (OE2021), proposta pelo PSD, para a criação de um fundo com receitas do trespasse da concessão de barragens, que será constituído por receitas fiscais dos impostos que incidem sobre a negociação das concessões da exploração das barragens, por metade das receitas correspondentes a novas concessões, rendas legais ou contratuais devidas ou destinadas pelos concessionários aos municípios de Alijó, Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Murça, Torre de Moncorvo e Vila Flor.

O Imposto do Selo sobre o trespasse resultará numa receita que ascende a 110 milhões de euros, sendo que este deve ser auto liquidado pelo contribuinte e declarado até ao dia 20 do mês seguinte ao da operação que o gerou.

De acordo com a deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua, não é conhecido se essa verba foi paga até 20 de janeiro e também não ficou esclarecido durante a audição desta tarde.

Uma vez que as barragens estão classificadas como bens de domínio público, classificação essa que decorre de informação que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) fornece à Autoridade Tributária (AT) - não se aplica a cobrança de impostos de património, como, por exemplo o Imposto Municipal Sobre Imóveis (IMI), restando a derrama (que é sempre para os municípios) e o imposto de selo.

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, foi também ouvido pela comissão e, quando questionado sobre se as entidades envolvidas na operação consultaram previamente a Autoridade Tributária (AT), disse que “a AT não tem de ser consultada antes dos privados fazerem operações, ainda que versem sobre bens de domínio público”.

“A AT não valida previamente as operações jurídicas entre privados. O que faz é responder a pedidos de informação vinculativa. […] O nosso sistema fiscal é largamente baseado na confiança nas declarações dos contribuintes, […] há obrigações declarativas dos contribuintes, a que se segue uma obrigação do Estado de verificação e correção”, sublinhou Mendonça Mendes.

O secretário de Estado assegurou, ainda, que a preocupação do Governo é “a arrecadação de receita fiscal de forma justa” e que isso só é possível “se todos os contribuintes, grandes ou pequenos, pagarem aquilo que devem pagar”.

Assim, “se houve planeamento fiscal abusivo”, que lese o Estado português e beneficie os privados envolvidos no trespasse das barragens, Mendonça Mendes explicou que ”há dezenas de cláusulas antiabuso” previstas na legislação portuguesa, às quais a AT pode recorrer para corrigir a situação.

“Vamos deixar o tempo correr. […] Eu devo abrir uma inspeção quando tenho os elementos suficientes que me permitam solidificar a defesa do Estado”, disse o secretário de Estado, acrescentando não ter “a mínima dúvida de que a AT irá aplicar a lei”.

O Orçamento do Estado para 2021 prevê que os potenciais impostos que decorram da venda das barragens da EDP devem ficar alocados aos 10 municípios afetados.

O Governo criou, em 14 de dezembro, um grupo de trabalho para analisar o impacto da venda das barragens, que tem nova reunião marcada para quinta-feira e, segundo o ministro do Ambiente, apresentará ainda em março propostas para um roteiro de desenvolvimento da região.

MPE // MSF Lusa

Detidos em flagrante suspeitos de cinco furtos em residências em Mogadouro e Miranda

 A GNR deteve em flagrante uma mulher de 20 anos e um homem de 32, por furto em residência, no concelho de Mogadouro.
Perante uma denúncia de que estaria a ocorrer um furto numa habitação, esta segunda-feira, os militares da Guarda deslocaram-se de imediato ao local e surpreenderam o casal enquanto estava a perpetrar o roubo.

Depois da detenção, foi realizada uma busca domiciliária, tendo sido encontrado material que seria proveniente de cinco furtos que aconteceram nos concelhos de Mogadouro e Miranda do Douro.

Além de uma caçadeira, uma carabina e uma pistola, a GNR apreendeu na casa dos detidos diversos electrodomésticos, artigos de mobiliário, peças de ourivesaria, máquinas e ferramentas.

Os suspeitos já têm antecedentes criminais por ilícitos da mesma natureza e vão ser hoje presentes ao Tribunal Judicial de Mogadouro para conhecerem as medidas de coacção. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: OTC

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Os Escravos do Vale do Tua

 Doze anos, caros concidadãos. Doze anos para o Plano de Mobilidade continuar parado, cheio de pontos de interrogação, e intervenções por terminar. O termo “Portugueses de Segunda” não poderia ser melhor materializado, no que ao Nordeste Trasmontano.

Não se pode ser escravo do conservadorismo e mediocridade dos outros. Mas é precisamente isso que se está a passar há doze anos no vale e na Linha do Tua.

Ponto prévio: já passa da hora de se largarem chavões parvos. Chamar a Linha do Tua de “antiga” faz menos sentido que chamar o Mosteiro dos Jerónimos de “antigo”: é anterior à Linha do Tua, e já não tem as funções de mosteiro. Carimbar à força de anacrónico o que só o tem sido por desleixo do Estado é algo que não consigo de todo aceitar.

A aplicação do infame Plano de Mobilidade do Vale do Tua demora tanto que quando for concluída já nem a messiânica barragem do Tua será propriedade da EDP, incluída que está no lote de barragens vendidas recentemente – a “Mãe de todas as Barragens” incluída, dizendo muito do “Interesse do Estado” com que foram impostas. Que fique claro o absurdo da sua situação actual: o processo legal de construção desta barragem, que veio destruir parte da Linha do Tua por argumentos sobejamente falaciosos, já foi concluído em 2009. Desde então todas as entidades envolvidas, da EDP aos Governos e autarcas locais, sabem que o troço Brunheda – Cachão, com exploração ferroviária suspensa desde Agosto de 2008 devido a um acidente mas a jusante deste, não seria inundado pela albufeira.

Contudo, chegámos a 2016, e a exploração deste Plano – já então com 7 anos de atraso – foi entregue à Douro Azul, e entrámos num novo capítulo da História Trágico-Ferroviária da Linha do Tua. Em poucas semanas avançaram-se com obras de recuperação no troço Brunheda – Cachão, que o agora ultra zeloso Estado deixou chegar ao ponto de se roubarem dezenas de metros de carris e centenas invadidos por mato. Desde então, o mesmo Estado que lavara as mãos da quase mais elementar conservação da via e estações, tem vindo a exigir, aos bochechos, obras atrás de obras, inspecções atrás de inspecções. Cinco anos depois, vinte milhões de euros depois, várias intervenções e obras depois, vários adiamentos da reabertura da Linha do Tua depois, e ainda falta mais uma enésima inspecção depois das enésimas intervenções, não sendo claro se a via sequer ficou preparada para voltar à sua velocidade máxima de projecto – a da sua construção no século XIX – de 50 km/h, a qual desde a década de 1980 baixou para 45 km/h ou menos. E a discussão sobre a utilização da albufeira só agora vai arrancar também…

Mas não fica por aí. As automotoras do Metro de Mirandela ainda nem sequer foram intervencionadas para voltar a um serviço que prestam à região desde 1995, e interrompido desde Dezembro de 2018, precisamente para se terminarem as obras na via. E ainda está em discussão a construção de novas oficinais de manutenção de material circulante, quando estas já existem em Carvalhais desde 1995, a apenas 4 km de Mirandela, num troço de carácter urbano que querem encerrar para transformar em ecopista. Doze anos, caros concidadãos. Doze anos para o Plano de Mobilidade continuar parado, cheio de pontos de interrogação, e intervenções por terminar. O termo “Portugueses de Segunda” não poderia ser melhor materializado, no que ao Nordeste Trasmontano diz respeito, através desta barafunda sem fim, justificada por uma burocracia absurda e um empurrar e protelar de responsabilidades infindável. Vergonhoso, é dizer muito pouco disto tudo.

Daniel Conde

Vinhais decide não cobrar rendas municipais durante este ano

 A Câmara de Vinhais, no distrito de Bragança, decidiu isentar durante todo o ano de 2021 as famílias e empresas do pagamento de rendas dos edifícios municipais para atenuar os efeitos da pandemia de covid-19, divulgou hoje a autarquia.
A medida foi aprovada em reunião de Câmara, na segunda-feira, e junta-se “às já tomadas pela autarquia desde o início da pandemia de covid-19, que tem exigido da parte do poder local uma maior preocupação pelo bem-estar social e financeiro das famílias”.

O município transmontano justifica ainda que “o estado atual da evolução da doença no país e no concelho de Vinhais exige a aplicação de medidas extraordinárias no setor social e económico, de forma a reduzir as consequências desta crise”.

O executivo municipal decidiu ainda manter este ano a medida já adotada em 2020 de apoio aos produtores pecuários, com a autarquia a assumir os custos da desparasitação de todos os animais”, num concelho onde este setor tem relevância económica, nomeadamente no fumeiro certificado.

Além de custear a desparasitação efetuada pela Organização de Produtores Pecuários (OPP), a autarquia decidiu ainda comparticipar os medicamentos utilizados para terapêutica de bovinos, ovinos, caprinos e suínos que sejam assistidos pelo piquete veterinário.

As medidas de apoio ao setor pecuário aplicam-se a todo o ano de 2021 e implicam um investimento municipal de 25 mil euros.

“Sendo este um setor de importância vital para o concelho de Vinhais e atendendo que os efeitos da pandemia se mantêm, sem ter ainda um fim à vista, é fundamental apoiar os produtores do concelho”, sustente a autarquia.

HFI // JAP Lusa, Foto: António Pereira

BRAGANÇA: ANOS DE 1700: QUADROS SOCIAIS- PRESOS COMO FAUTORES DE HERESIAS

 Procuravam saber os inquisidores se foi apenas com a leva de Novembro de 1714 que se deixaram os presos comunicar com parentes e amigos, ou se isso era já vício antigo. A esse respeito, veja-se a informação dada pelo comissário Miguel Ferreira Perestrelo:  - Eu mal posso avisar das pessoas que falaram com os presos, porque na verdade não sei, porque assisto em Rebordãos (…) recomendei sempre que não falassem os presos com pessoa alguma pois me diziam que deixavam falar, e me responderam que nenhuma pessoa ia falar com eles; porém sempre fiquei com algum escrúpulo pelo que me diziam, e juntamente pelo que ouvia estes anos atrás que faziam o mesmo. E por essa razão escrevi que me parecia houvesse uma Pastoral que toda a pessoa que deixasse falar os presos seria presa; para que dessa sorte se cuidassem os escrúpulos e murmurações…
Depreende-se desta informação que tal vício vinha já de antes e que o remédio recomendado seria uma “Pastoral” que fosse lida nas igrejas ameaçando os depositários que seriam presos, se permitissem tais irregularidades. No mesmo sentido vai o testemunho do comissário Manuel Camelo de Morais que até apresenta um exemplo concreto. Veja-se: - A respeito de evitar as comunicações com os presos, tenho feito as diligências necessárias e possíveis para evitar este inconveniente; mas que não tem remédio, sem se descobrir algum género de castigo, porque agora me consta que este preso, estando em casa do sargento-mor desta praça, onde o mandei pôr, o deixou falar com algumas pessoas da nação, quando era uma hora da noite, sem embargo de lhe recomendar a ordem de Vossas Senhorias e do castigo que merecem por esta culpa. 
Enquanto a atalhar à comunicação dos presos pelo caminho, também me parece impossível, que a ser preciso, à noite, nas estalagens, acomodam-se juntos e na estrada falarem uns com os outros, sem os familiares poderem dar remédio neste prejuízo.  Em outra carta do mesmo comissário para a inquisição de Coimbra se nota a sua preocupação, referindo que, na ocasião de receber uns mandatos de prisão, ele recorreu aos serviços do Conde de Alvor, então a comandar as tropas em Bragança, informando: -O senhor Conde de Alvor fez a prisão de três, com toda a satisfação; e recolheu uma presa para dar o exemplo às pessoas desta terra que se desprezavam de recolher presos.
Analisando estas e outras informações, o inquisidor António Portocarreiro explicava que as irregularidades aconteciam por causa das “pendências temporais que deles têm”, significando que até aquelas pessoas, das melhores famílias cristãs-velhas, gente da nobreza e do clero, estavam dependentes do dinheiro e dos favores dos cristãos-novos. E o mesmo inquisidor concluía: - Era tão contrário e devasso em todos os depositários o fazerem essas permissões que delas tinham, todos os que eram presos, ocasião de ajuntarem o modo com que haviam de formar e provar as suas contraditas, ou as pessoas de quem haviam de dizer, ou o tempo em que haviam de confessar, para que pudessem sair livres da pena que merecessem ou outras pessoas tivessem tempo de se ausentar.  Tudo visto e ponderado, decidiram os inquisidores chamar a Coimbra as 8 pessoas em cujas casas foram depositados os presos. No entanto, não foram mandados ir todos ao mesmo tempo.
Assim, no dia 16 de junho, o cura da igreja de S. João Batista assinava a certidão seguinte: - Certifico eu como, por ordem do Rev. Manuel Camelo Morais, abade desta igreja e comissário do santo ofício, que notifiquei a Teodora de Almeida, Sebastião Gomes e João Martins Garcia, todos moradores nesta cidade para que dentro de 15 dias aparecessem na referida inquisição… Apresentaram-se os três na inquisição, no dia 1 de Julho seguinte. Teodora de Almeida, 55 anos, era irmã do padre Bernardo Rebelo, em cuja casa esteve depositada Maria do Couto, viúva de Francisco Domingues. Confessou que efetivamente deixara as pessoas falar com a prisioneira e que não fora advertida pelo comissário para o não fazer e “entendia ela declarante que não cometia culpa alguma em dar o dito consentimento”. Obviamente que os inquisidores lhe chamaram a atenção para a gravidade do ato e a avisaram que, se voltasse a cometer semelhante culpa, seria castigada com todo o rigor, o que ela prometeu cumprir. Sebas - tião Gomes, 40 anos, era escrivão dos mantimentos da tropa, filho de Sebastião Gomes e Maria Pires, natural da aldeia de Rebordãos, casado com Maria da Costa. Em sua casa esteve depositado Francisco Rodrigues Ferreira. Tal como os outros, foi acusado de “impedir o reto ministério do santo ofício e fautoria de judaísmo”.
A sessão com o inquisidor Dr. José Gama Lobo foi em tudo semelhante à de D. Teodora de Almeida, bem como o aviso ameaçador. João Martins Garcia, 50 anos, tecelão de sedas, viúvo de Ana da Costa. Interrogado pelo inquisidor Portocarreiro, confessou que, de facto, lhe foi recomendado que não deixasse o preso falar com ninguém. No entanto não respeitou esta recomendação, por ver que os outros depositários deixavam falar, “entendeu que também o podia fazer”. Os depositários Bento da Cunha e Pedro Ferreira de Sá foram notificados no mês seguinte, em 8.7.1715, pelo cura da igreja de S. João, por ordem do comissário Botelho de Morais, recebida de Coimbra no dia anterior. O primeiro apresentou-se na mesa do referido tribunal no dia 23 seguinte e foi interrogado pelo inquisidor Gama Lobo. Apresentou-se como cristão-velho, guarda da Alfândega de Bragança, de 60 anos de idade, viúvo de Maria da Silva. Disse que tivera depositada em sua casa, dois anos atrás, uma cristã-velha chamada Úrsula de Figueiredo e em Novembro passado uma filha de João de Castro, meirinho dos assentos, cristã-nova, Mariana de Castro. Procuravam saber os inquisidores se foi apenas com a leva de Novembro de 1714 que se deixaram os presos comunicar com parentes e amigos, ou se isso era já vício antigo. 
A esse respeito, veja-se a informação dada pelo comissário Miguel Ferreira Perestrelo: - Eu mal posso avisar das pessoas que falaram com os presos, porque na verdade não sei, porque assisto em Rebordãos (…) recomendei sempre que não falassem os presos com pessoa alguma pois me diziam que deixavam falar, e me responderam que nenhuma pessoa ia falar com eles; porém sempre fiquei com algum escrúpulo pelo que me diziam, e juntamente pelo que ouvia estes anos atrás que faziam o mesmo. E por essa razão escrevi que me parecia houvesse uma Pastoral que toda a pessoa que deixasse falar os presos seria presa; para que dessa sorte se cuidassem os escrúpulos e murmurações… Depreende-se desta informação que tal vício vinha já de antes e que o remédio recomendado seria uma “Pastoral” que fosse lida nas igrejas ameaçando os depositários que seriam presos, se permitissem tais irregularidades. No mesmo sentido vai o testemunho do comissário Manuel Camelo de Morais que até apresenta um exemplo concreto. Veja-se: - A respeito de evitar as comunicações com os presos, tenho feito as diligências necessárias e possíveis para evitar este inconveniente; mas que não tem remédio, sem se desde seu nome. Confessou que efetivamente consentira que várias pessoas cristãs-novas falassem com a prisioneira. Perguntado se fora avisado para não autorizar tal abuso, respondeu que se encontrava fora quando entregaram a prisioneira em sua casa, a sua filha e por isso não sabia responder. O resto já os leitores imaginam: recomendações, ameaças…
Quanto a Pedro Ferreira de Sá Sarmento, em cuja casa esteve depositado Henrique Rodrigues Ferreira, logo no dia em que recebeu a ordem de apresentação em Coimbra, muniu-se de um atestado, passado pelo Dr. Francisco Mendes Franco, médico do partido da cidade de Bragança, que enviou para Coimbra, juntamente com a seguinte carta por ele escrita: - O Reverendo comissário abade de s. João desta cidade me avisou que, no termo de 15 dias, fosse à presença de Vossas Senhorias. E os meus achaques, que constam da certidão junta, me impossibilitam a prontidão com que desejo e devo obedecer a Vs. Sas. Mando o meu filho e quando o seu préstimo não seja suficiente que me escuse desta jornada, peço a Vs Ss se dignem dispensar o termo até refrescar o tempo, porquanto desejo muito oferecer-me aos pés de Vs. Sas e mais livre das minhas queixas empregar-me no serviço de tão santo tribunal. 

Bragança, 9 de Julho de 1715.
Pedro Ferreira de Sá Sarmento.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães

Em 20 anos a Palombar já recuperou 150 pombais e agora ajuda a construí-los

 A Palombar, criada há mais de 20 anos, surgiu com o propósito de identificar pombais na região para os recuperar e repovoar.
Estes ícones arquitetónicos do Nordeste Transmontano estão fortemente associados à comunidade rural e contribuem para a protecção da biodiversidade.

Assim, dada a importância destas estruturas, além da requalificação, a Palombar está, pela primeira vez, envolvida na construção de raiz de um pombal. José Pereira, presidente da entidade, explica que o pedido partiu de uma empresa de vinhos, em Freixo de Espada à Cinta.

“O proprietário da quinta teve interesse que esta tivesse uma componente de promoção da biodiversidade. Há todo um ciclo associado às boas práticas agrícolas que pode ser aqui desencadeado, usando os serviços do ecossistema, sejam os morcegos, corujas das torres e do mato, assim como as águias, os morcegos e os próprios pombos, que ajudam à produção de estrume para fertilização das terras e eliminação das ervas que são pragas”, afirmou.

José Pereira acredita que é preciso apostar cada vez mais nestas boas práticas agrícolas.

“É preciso percorrer o caminho de tornar mais sustentáveis as práticas agrícolas”, sendo que o “futuro da agricultura passa por um bom ecossistema agrícola” onde se encontrem as espécies que possam controlar naturalmente as pragas.

Actualmente a associação está a gerir a repovoação em mais de 80 pombais.

A associação faz 21 anos no mês de Março. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves