sexta-feira, 21 de abril de 2017

José António Furtado Montanha

Nasceu em Bragança a 6 de Maio de 1882; filho de José Cândido Furtado Montanha e de D. Felismina de Assunção Furtado, de Bragança. Foi em 1918 nomeado director da agência do Banco de Portugal nesta cidade.
Não é por questões de letras, apesar de muito com elas ter lidado e de ter colaborado, nos seus belos tempos, mui especialmente nos jornais da terra, que aqui incluímos cheios de satisfação o José Montanha; é pelo seu fervente regionalismo e pelos seus excelsos sentimentos humanitários; é pelas lágrimas que tem enxugado, pelas dores e misérias que tem suavizado, pela fome que tem apagado, pelas suas benemerências em prol da humanidade sofredora. É que ninguém melhor que ele tem realizado o pertransiit benefaciendo. O fácies de José Montanha ilumina-se por tal forma após a esmola ao necessitado – enquanto os olhos, num quase marejamento de lágrimas, traduzem a tortura causada pela miséria alheia – que só a luz divinal pode explicar a emotividade psíquica que lhe vai na alma.
É enorme e indescritível a lista das suas benemerências morais. E as regionalistas?! Lápide epigráfica, faiança; espécie numismática, etnográfica, bibliácea; artefacto artístico de difícil obtenção é só dizer:
José: F... tem isto que devia estar no Museu Regional de Bragança, por ser nele que pode utilizar à ciência, à arte, à humanidade estudiosa, mas não o cede. O Zé Montanha, o nosso J-o-s-é corre a mão pelo mento, fixa os olhos num ponto interno que só ele vê, esboça o gesto de um passo, rociando-lhe ao mesmo tempo leves tons de sorriso a comissura dos lábios e diz: arranja-se... e tantas voltas dá que tudo se aplana.
É que ele e o doutor Raul Manuel Teixeira são a alma do Museu e do movimento regionalista da nossa terra; sem eles, aquele não passaria de um armazém de velharias... Quantas notícias para esta obra temos obtido por intermédio destes dois bragançófilos, que seriam impossíveis sem a sua cooperação! São os grandes Mecenas da mesma, juntamente com os quatro memorados no oferecimento da primeira página deste volume.
O José Montanha casou a 10 de Agosto de 1914 com D. Elisa do Céu Fernandes, nascida em Bragança a 11 de Fevereiro de 1890; é filha de Jesuíno Augusto Fernandes e de D. Cristina dos Anjos Fernandes.
Há deste matrimónio os seguintes filhos: Lia do Céu Fernandes Montanha, nascida em Bragança a 21 de Maio de 1915; José António Fernandes Montanha, nascido nesta cidade a 18 de Dezembro de 1924, e Raquel do Céu Fernandes Montanha, nascida na mesma cidade a 20 de Abril de 1929.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

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