A região transmontana destacou-se na competição com 52 medalhas atribuídas aos seus vinhos, num evento que contou com jurados de 14 nacionalidades e que voltou a colocar o território no mapa da excelência vitivinícola internacional.
Entre os vinhos distinguidos do brigantino Frederico Jacinto estão um tinto de 2024, premiado com medalha de ouro, e ainda um tinto de 2025 e um branco de 2025, ambos com medalha de prata.
Para o produtor as distinções representam uma validação importante do trabalho desenvolvido. “É um orgulho grande, tenho a certeza que estou a fazer um grande trabalho”, afirmou.
Formado em Viticultura e Enologia, Frederico Jacinto regressou a Trás-os-Montes após experiências fora da região e decidiu apostar na criação da sua própria marca, num contexto marcado pela falta de oportunidades no setor.
O projeto “Frederico MJ” nasceu de forma artesanal, com pequenas produções e vinhas arrendadas em São Pedro Velho, no concelho de Mirandela, tendo evoluído progressivamente para uma estrutura mais consolidada.
Atualmente, a produção ronda as 7000 garrafas entre tintos, branco e rosé, ainda em escala reduzida, o que obriga a uma gestão cuidada da distribuição.
O grande passo do projeto passa agora pela aposta na Quinta do Escairo, no concelho de Vinhais, uma propriedade com “cerca de 70 hectares”, onde o produtor pretende aumentar significativamente a produção e diversificar a atividade. “Aluguei agora a Quinta do Escairo, com a intenção de aumentar a produção e realizar outros eventos lá na quinta”, explicou.
A visão de Frederico Jacinto vai muito além da produção de vinho. O objetivo é transformar o espaço num polo de enoturismo e experiências ligadas ao território, combinando vinho, gastronomia e eventos. Entre os planos estão provas de vinho, jantares vínicos e experiências de enoturismo, mas também eventos de maior dimensão. “Também quero ali realizar caça turística e, com o tempo, poder fazer eventos como casamentos e batizados”, referiu.
Esta expansão surge também como resposta à necessidade de crescimento do negócio e de maior estabilidade produtiva, depois de alguns anos a trabalhar com vinhas arrendadas. “Se não fosse este projeto tinha saído da região, porque não estava a haver outra opção que me prendesse cá”, reconheceu.
Entre os vinhos que integram o projeto de Frederico Jacinto, o tinto reserva 2025 ocupa um lugar especial, não apenas pela sua construção enológica, mas sobretudo pelo significado pessoal que transporta. Este vinho distinguir-se-á por um estágio prolongado de cerca de 14 meses em barricas de carvalho francês, mas é, acima de tudo, uma homenagem familiar. “O rótulo tem a imagem do meu avô, é uma homenagem a ele”, explicou Frederico Jacinto.
Segundo o jovem produtor, esta é uma forma de agradecer a influência que o avô teve no seu percurso. “Era uma pessoa a quem estava muito ligado e acho que sem os conselhos dele não chegaria onde estou”, referiu.
No contexto do crescimento da marca, este tinto reserva assume-se como um dos vinhos mais simbólicos do portefólio de Frederico Jacinto.


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