Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

As ruínas não rezam, lamentam-se


Ensimesmado na sua mesa de trabalho, trauteia, quebrando o silêncio de um Nordeste sem seminaristas, levados pela emigração e pelos berços vazios, o saudoso Abade de Baçal, Francisco Manuel Alves. Aponta agora chaves de leitura: “Meus saudosos amigos, já mandei estender a palha no curral, fazer a merenda e, encher o garrafão… mas sei que não vindes (…) manias de um ancião que vos não esquece.” Olho para ele, de “Diário da República” na mão, a fitar as ruínas de parte da sua antiga casa, a interrogar-se junto de um Juiz que teima em não falar: “Explica-me esta sentença pelo avesso”.

Falo do Despacho n.º 166/2026, que suspendeu o apoio aos Equipamentos Urbanos, matando o programa que desde 1979 financiava as TNS (Trabalhos de Natureza Simples). O oxigénio das nossas ermidas sumiu sem deixar rasto. “Fecham as contas e cortam-nos a fidalguia de bem receber”, suspira o Abade. “O Governo celebrou por cá a nova Universidade (UBNI). Louvável! Mas onde vão os doutores apreciar a nossa história se as ermidas se desfazem em caliça? Pedaço de asno quem acreditar que as honrarias de Lisboa douram a ignorância de quem deixa cair o património da terra.”

Em vez de lamentos, assine-se um Pacto de Reabilitação Coesa em que o Estado mantém o empurrão das antigas TNS, descentralizando dinheiros e gestão. Porque as ruínas não rezam, lamentam-se. Que o Senhor da messe envie novos operários para a Sua vinha, jovens que queiram assumir o altar e a escrita, herdando o testemunho da plêiade de sacerdotes que nos precederam.

Só com o património de pé voltaremos a banquetear ministros com o bom vinho e o presunto com toucinho de três dedos. “Abram a porta ao bom senso antes de tudo ruir”, refletia o Abade, como quem escreve um memorial sobre as cinzas, mas na esperança de que o madeiro volte a crepitar.

Pe. Estevinho Pires

Sem comentários:

Enviar um comentário