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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Fúria Desmedida

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


A demagogia é uma das principais armas do populismo radical para se insinuar junto da população para obter a sua confiança e alcandorar-se aos corredores do poder de onde estenderá os tentáculos para destruir as estruturas democráticas, de forma a perpetuar-se fechando a porta de entrada a qualquer outra força que, democraticamente, o queira desalojar. Por isso é necessário desmascará-lo antes que consiga lograr os seus sinistros intentos. O maior problema passa, precisamente, pelo uso de uma arma eficaz, contra a demagogia, a falsidade e até a mentira descarada que é usada sem qualquer regra, moderação ou limite. A única forma (e mesmo essa, que em normais circunstâncias seria suficientemente elucidativa, tem uma eficácia reduzida) passa pela exposição dos resultados conhecidos e verificáveis nos locais onde atingiu a cadeira da governação sendo, não só, mas também, por isso, um farol para as dezenas de movimentos de extrema direita por esse mundo fora: os Estados Unidos da América!

Trump, o maior charlatão dos políticos contemporâneos conseguiu (e ainda vai conseguindo embora, cada vez menos, a crer nas sondagens, valendo estas o que valem) ludibriar os seus apoiantes garantindo-lhe a sua genialidade e forma irrepreensível de intervenção no espaço público. Um dos casos mais emblemáticos é a recente e catastrófica aventura no Golfo Pérsico. O senhor Donald, logo no seu primeiro mandato, garantindo ser o único presidente americano com sabedoria e coragem garantiu que a situação herdada de Obama, no que concerne ao diálogo com o Irão, resolveu rasgar os tratados assinados para enveredar por uma lógica de sanções pois essa era a forma de vergar os persas e obrigá-los a abandonar os trabalhos de enriquecimento de urânio. Durante o consulado de Biden, pouco se adiantou para se sair do buraco onde o anterior inquilino da Casa Branca deixara o relacionamento, minado pela desconfiança. Regressando a Washington para finalmente resolver a situação de forma clara, inteligente, valorosa e definitiva Trump “destruiu” pelas armas todo o complexo nuclear e assim tornar dócil e brando o inimigo para retomar as negociações. Só que este ficou desconfiado, renitente e nada cooperante, recusando-se aceitar a genialidade do líder supremo das américas. Foi então que a brilhante mente iluminada decidiu resolver de vez o problema, mandando matar a elite política e explodir o arsenal militar iraniano. Em menos de três semanas estariam vergados e rendido.

Mas não. Não se ajoelharam, antes pelo contrário, ripostaram e fecharam Ormuz, trazendo o caos ao comércio mundial do petróleo. E de pouco adiantava ameaçá-los da destruição total! Recusavam reconhecer o prodigioso visionarismo trumpiano. Eis se não, quando, o “tio Sam” (re)descobriu as virtualidades das sanções que, quando impostas por Obama eram estúpidas e ineficazes. Mas de pouco serviram.

O fracasso é tal que o inquilino da avenida Pensilvânia, encurralado nas magníficas teias que teceu para apanhar o tolo adversário, está agora tão aflito nas eleições de meio de mandato que, num inédito conclave do seu partido vem prometer cinco mil dólares a cada americano para, de novo, confiarem nele.

Se a sua administração é tão extraordinária quanto o próprio apregoa, a vitória não seria um dado adquirido? Pelos vistos não é…

Também por cá temos seguidores do admirável guru americano. Se não fosse demasiado penoso, demasiado caro, demasiado temerário, demasiado perigoso, quase arriscaria que haveria de valer a pena pô-los à prova no governo da coisa pública.

Em Albufeira a coisa não está a correr nada bem. Em S. Vicente, na Madeira, também não!


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

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