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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

AECT León-Bragança parceiro em projetos europeus sobre Património Cultural Rural e Participação Social Ativa

 O objetivo deste projeto é analisar os melhores métodos e boas práticas no contexto da participação cívica, a nível internacional, de modo a receber formação adicional e a aprender novas metodologias de fomento da participação cívica em determinados grupos-alvo.


O AECT León-Bragança está envolvido, enquanto parceiro, na concretização de dois projetos financiados pelo Programa ERASMUS+, focados na Participação Social Ativa, “My Language-Your Language”, e no Património Cultural Rural, “Rural Heritage”, cujas atividades decorrerão ao longo dos próximos dois anos e que foram debatidas em sessões, nos dias 10 e 12 de fevereiro.

O projeto “My Language-Your Language”, coordenado pela entidade alemã “Bem-Estar Social de Colónia”, terá, também, como parceiros, a “Academia de Educação Política e Promoção da Democracia”, da Áustria, a “Associação de Agências da Democracia Local”, de Itália, e o AECT León-Bragança.

O objetivo deste projeto é analisar os melhores métodos e boas práticas no contexto da participação cívica, a nível internacional, de modo a receber formação adicional e a aprender novas metodologias de fomento da participação cívica em determinados grupos-alvo.

Já o projeto “Rural Heritage”, coordenado pelo AECT León-Bragança, visa promover um plano de formação de guias-intérpretes do Património Cultural Rural.

Para delinear as estratégias a adotar, a sessão contou com a participação de 13 especialistas em património cultural, formação profissional e desenvolvimento rural de cinco países europeus (Itália, Eslovénia, Hungria, Portugal e Espanha), pertencentes às entidades que integram o consórcio do projeto: o AECT León-Bragança e a empresa de consultoria ambiental SERVIMA, ambas com sede em León (Espanha); a CORANE, Associação de Municípios do Nordeste de Portugal, com sede em Bragança; a Universidade de Budapeste, Eötvös Loránd, na Hungria; o Centro Oficial do Instituto de Educação e Formação Profissional da República da Eslovénia (CPI); e FOR.ES, um centro privado italiano de formação profissional em Trento.

O objetivo do projeto é contribuir para a profissionalização e para o desenvolvimento económico baseado no património para fins turísticos no meio rural, através de um plano de formação e de materiais de formação profissional, tanto para professores e alunos, como para a população rural, procurando melhorar o acesso à formação e qualificação para todos.

Visa, também, sensibilizar para a importância do património cultural rural, tangível e imaterial, promovendo o intercâmbio intercultural e intergeracional do património rural europeu.

Ao longo dos dois anos, serão promovidos, nos diferentes países, reuniões de trabalho, seminários, eventos e ações de formação com o objetivo de promover redes de aprendizagem e comunicação entre os beneficiários do projeto, as autoridades, as empresas e os agentes sociais, ligados direta ou indiretamente com a temática do projeto.

As diversas ações do projeto estarão abertas a todos os cidadãos, com preferência para os oriundos do meio rural.

Turismo do Porto e Norte convida a (re)descobrir a região com visitas virtuais

 Uma campanha de divulgação do destino que privilegia, naturalmente, a componente digital, em estreita colaboração com os Municípios da região do Porto e Norte, que assume especial importância numa época em que as pessoas sentem um especial apelo pelas tão ansiadas viagens.
Presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal,
Luís Pedro Martins
O Turismo do Porto e Norte tem em curso na página de facebook uma campanha de promoção, convidando os seguidores a (re)visitarem o destino através de apelativos vídeos, que evidenciam alguns dos locais mais emblemáticos e diferenciadores de todos os seus subdestinos, preparando desde já o day-after ao confinamento.

Uma campanha de divulgação do destino que privilegia, naturalmente, a componente digital, em estreita colaboração com os Municípios da região do Porto e Norte, que assume especial importância numa época em que as pessoas sentem um especial apelo pelas tão ansiadas viagens. Estas visitas virtuais pretendem estimular o desejado regresso à normalidade, no sentido de transmitir a mensagem aos visitantes que o Porto e Norte de Portugal destaca-se sempre pela arte de tão bem receber. “Estamos a preparar as escapadinhas de primavera e as férias de verão, queremos mostrar toda a diversidade do destino e as condições únicas no âmbito dos recursos naturais e culturais, assim como a diversidade e qualidade dos serviços turísticos da região. O Porto e Norte proporciona férias inesquecíveis, com toda a confiança e segurança, chanceladas pelo elevado número de selos Clean&Safe que a região ostenta”, considera o Presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Luís Pedro Martins.

São enaltecidas as valências mais apelativas e diferenciadoras do território, privilegiando as motivações do “novo” turista, especificamente, o contacto com a natureza e com as raízes culturais. A campanha está a ser lançada em colaboração com os municípios, e convida-nos a viagens virtuais por paisagens únicas, rituais iconográficos seculares, património classificado, gastronomia de eleição ou pela apaixonante realidade dos melhores vinhos do mundo. “Esta Campanha é direcionada para os turistas internacionais que manifestam uma enorme vontade de regressar ao nosso destino, porquanto elegem sempre a nossa região para as suas férias, mas também aos muitos turistas portugueses que irão ter a oportunidade de redescobrir os encantos do Porto e Norte, a exemplo do que sucedeu no verão, onde a nossa região foi escolha de grande parte dos turistas que fizeram férias em Portugal”, revela Luís Pedro Martins.

O Turismo do Porto e Norte continua ativo e dinâmico na promoção do destino, principalmente junto do mercado nacional, aquele que maioritariamente assegurará a operação de verão. A entidade tem também em marcha uma campanha digital de promoção direcionada para os mercados de maior proximidade, com especial incidência no mercado espanhol, acreditando que no Verão será possível alcançar níveis de visitação superiores ao do período homólogo de 2020, em que o destino obteve resultados interessantes, se atendermos ao contexto pandémico em que ainda vivemos.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Fronteira de Moimenta (Vinhais) reabre durante algumas horas a partir da próxima terça-feira

 A fronteira de Moimenta, no concelho de Vinhais, vai voltar a estar aberta de manhã e à tarde a partir de terça-feira.
O ministério da Administração Interna informou que decidiu acrescentar mais dois Pontos de Passagem Autorizada, além do de Vinhais, também o de Ponte da Barca, que vão funcionar nos dias úteis entre as 6 e as 9 horas da manhã e as 17 e as 20 horas.

O presidente da câmara de Vinhais, Luís Fernandes, congratula-se com a decisão do governo.

“A partir do dia 2 a fronteira na Moimenta da Raia vai estar aberta de manhã e ao final da tarde. É muito bom tendo em atenção que há vários trabalhadores transfronteiriços que tinham de se deslocar várias dezenas de quilómetros”, afirmou.

O autarca considera que é uma boa solução para as necessidades dos cerca de 20 trabalhadores transfronteiriços, que evitam assim fazer dezenas de quilómetros, já que tinham de se deslocar por Vila Verde da Raia ou Quintanilha.

Os autarcas de Vinhais e da vizinha Espanha tinham realizado um protesto simbólico na fronteira de Moimenta, na passada segunda-feira, para pedir a reabertura do ponto de passagem, uma reivindicação atendida.

A partir de terça-feira o distrito de Bragança vai ter uma fronteira aberta em permanência, em Quintanilha, Bragança, duas ao início da manhã e ao fim da tarde, a de Moimenta e a de Miranda do Douro, e um ponto de passagem autorizado às quartas e sábados em Rio de Onor. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Até sempre, Tio Ernesto

 Faleceu o "Tio" Ernesto ‘Carriça’, o último ferreiro de Vale de Frades e do concelho de Vimioso faleceu no dia 21 no Lar de Santa Eulália, em Pinelo.
“A sua herança está connosco. Que descanse em Paz!”, dizem os seus amigos, que decidiram homenagear o fiel depositário do saber ancestral.

Diz o Zé que...

Mogadouro paga portes de produtos do concelho até 30 quilos por encomenda

 O município de Mogadouro vai promover a Freira Franca Produtos da Terra em formato 'online' propondo pagar os custos com o envio das encomendas até 30 quilos de peso.


A iniciativa vai decorrer a partir de segunda-feira, prolonga-se até 30 de abril, e estava incluída no cartaz festivo das Amendoeiras em Flor, que há duas edições não se realiza devido à pandemia de covid-19.

"Este ano vamos assinalar as festividades das Amendoeiras em Flor, em formato 'online', já que pela segunda edição consecutiva não podemos realizar as tradicionais atividades ao vivo, por impedimento da pandemia provocada pelo novo coronavírus", disse à Lusa o presidente da Câmara de Mogadouro, Francisco Guimarães.

Segundo o autarca deste concelho do distrito de Bragança, os custos do envio de todas encomendas para Portugal Continental e Ilha, serão suportado pelo município, até 30 quilos de peso por encomenda, desde que os produtos sejam comprados via 'online'.

"Nós já dispomos da plataforma 'Mogadouro On' e, com este tipo de atividades, pretendemos dinamizar esta ferramentas e contribuir para a promoção económica dos produtos endógenos produzidos no nosso concelho", vincou o autarca.

Com está modalidade, agora, implementada, os compradores não terão custos acrescidos com os produtos adquiridos na plataforma 'Mogadouro On'.

De momento os portes serão pagos para o continente e ilhas, não estando colocada de lado a hipótese de alargar esta iniciativa ao mercado da diáspora.

"Vamos tentar acordar com empresas de transporte e logística os preços para a distribuição dos produtos do concelho de Mogadouro", concretizou Francisco Guimarães.

Segundo o autarca aquisição dos produtos com origem no concelho de Mogadouro, é umas das formas de apoio aos produtores locais de vinho e aos que confecionam fumeiro, queijos, doçaria, frutos secos, mel ou mesmo para o escoamento de produtos hortícolas.

Os produtos a comercializar e as encomendas a realizar pode ser registados AQUI no site oficial do município de Mogadouro.

Minas de ferro de Moncorvo exportam primeiras 50 mil toneladas para a China

 A concessionária das minas de Moncorvo vai exportar para a China as primeiras 50 mil toneladas de agregado de ferro de alta densidade, certificado, provenientes do depósito da Mua, revelou hoje à Lusa o presidente da empresa.
"Vamos exportar para a China as primeiras 50 mil toneladas de agregado de ferro de alta densidade, após a certificação do nosso produto por parte da União Europeia. Trata-se da nossa primeira encomenda, após reativação do projeto mineiro de Torre de Moncorvo, concretizou o presidente da Aethel Mining Limited, Ricardo Santos Silva.

O projeto, no distrito de Bragança, foi retomado no dia 13 março de 2020, após 38 anos de abandono, estando previsto um investimento de 550 milhões de euros para os próximos 60 anos.

"Os negócios que estamos a efetuar com China são muitos atrativos, já que o preço do ferro está historicamente alto e anda por volta dos 170 dólares por tonelada", indicou.

Segundo o empresário, esta primeira encomenda vai sair do porto de Leixões, no concelho de Matosinhos, distrito do Porto. Até chegar aos navios, o agregado de ferro será transportado por camião, nesta primeira fase.

"Em futuras encomendas e no prazo de meio ano, prevemos que o transporte para Leixões seja feito também por via ferroviária e fluvial utilizando a linha férrea do Douro e a Via Navegável do Douro [VND]", indicou Ricardo Santos Silva.

Para já, a empresa concionaria já chegou a acordo com empresas da região ligadas aos transportes para colocar 50 camiões nas estadas, com vista ao transporte do agregado de ferro até ao porto de Leixões.

"Os camiões vão fazer cerca de 50 a 60 viagens diárias entre o local de armazenamento do agregado de ferro e o porto de mar", vincou o empresário.

De acordo com o empresário, cada camião poderá transportar entre as 24 e as 28 toneladas de agregado de ferro de alta densidade e uma operação que será efetuada nas próximas seis semanas.

Na mira da Aethel Mining está também o porto de Sines (Setúbal), para onde será envido a matéria-prima, a partir do porto de Leixões.

A homologação do produto mineiro feira pela União Europeia vai permitir produzir vários tamanhos de "brita" de agregado com tamanhos que variam entre os cinco e os 40 centímetros de comprimento.

A empresa tem já contactos para fornecimento deste tipo de matéria-prima para países do norte da Europa, tais como a Inglaterra, Bélgica, França e Espanha. Em fase de contactos estão incluídos países árabes.

"A exportação para estes países só está dependente da nossa capacidade de logística e gostaríamos de produzir dois milhões de toneladas de agregado de ferros de alta densidade. Contudo, estamos dependentes da capacidade de transporte do produto", enfatizou.

No sítio da Mua, já é possível verificar em laboração a primeira linha produção em laboração, nãos estando excluída a criação de uma segunda linha.

A Aethel Mining prevê uma capacidade de produção de duas mil toneladas por dia de agregado de ferro de alta densidade, que será utilizado em múltiplas funções desde o ornamento orla costeira, até à contrição de grandes edifícios.

A empresa mineira contratou cerca de duas dezenas de colaboradores e pretende aumentar o número, procurando no mercado regional "mão de obras especializada".

O empresário só lamenta os contratempos caudados pela pandemia covid-19, o que veio atrasar o processo de exploração mineira.

A Aethel Mining Limited, uma "empresa britânica detida exclusivamente" pelo português Ricardo Santos Silva e a americana Aba Schubert, "que já havia recebido a aprovação da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), em novembro de 2019, para assumir o controlo da mina de Torre de Moncorvo", que tida como um "depósito de minério de ferro muito significativo no coração da Europa".

As minas de ferro de Torre de Moncorvo foram a maior empregadora da região na década de 1950, chegando a recrutar 1.500 mineiros.

A exploração de minério foi suspensa em 1983, com a falência da Ferrominas.

Medição Ambulatória da Pressão Arterial chega a quase todo o distrito e evita deslocações ao Porto e a Vila Real

 O novo MAPA (Medição Ambulatória da Pressão Arterial) de 48 horas está disponível em praticamente todo o distrito de Bragança. Além de trazer vantagens em relação ao anterior método de diagnóstico da hipertensão, também permite que quem tenha de fazer o exame evite deslocações a Vila Real ou ao Porto.
Para já as máquinas podem ser instaladas em 10 dos 12 concelhos, à excepção de Vila Flor e Freixo de Espada à Cinta, em farmácias e clínicas de análises clínicas, permitindo aos doentes serem diagnosticados no concelho de residência, como explica Paulo Jaloto, da farmácia Nova Central em Bragança, que tem a representação do serviço no distrito e onde é possível ter acesso a este exame de diagnóstico. “É uma forma de as populações de todos os concelhos não terem que se deslocar, por vezes, 600 quilómetros porque é preciso ir pôr e tirar. Uma pessoa de Miranda teria que ir a Vila Real, faria esse número de quilómetros. Há dois concelhos que ainda não tê. Estamos a tentar chegar a um acordo com os nossos parceiros. Esperemos chegar em breve para levar este serviço a todas as populações”.

Actualmente no distrito são feitos cerca de 150 mapas por mês, mas Paulo Jaloto garante que há capacidade para aumentar a quantidade de exames.

Este MAPA faz a medição da pressão arterial de hora em hora no período de dois dias, nomeadamente durante o sono, dando valores reais e anulando o efeito da “bata branca”, explica o médico internista e especialista nesta área António Pedro Machado. “A MAPA de 48 horas é muito complexa. Permite ter acesso à pressão arterial durante o sono porque a pressão que temos durante o dia dá um contributo muito modesto para o risco”.

As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte no país e representam um terço de toda a mortalidade, estando estas patologias relacionadas com a hipertensão arterial.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Rotary Club de Bragança doa computadores para alunos mais carenciados

 O Rotary Club de Bragança vai entregar 10 computadores ao agrupamento de escolas Emídio Garcia, em Bragança.
Devido à dificuldade em obter este material informático no mercado, a instituição ainda só conseguiu distribuir dois computadores. Segundo o presidente dos rotários de Bragança, Nuno Gomes, o agrupamento está a tentar perceber quais são os alunos com mais carência. “Eu pedi aos professores Carlos Fernandes e David Maltez que nos identificassem mais alunos. Os computadores são urgentes e necessários agora. Pretendemos distribuir dez e já estamos a ajudar”.

Neste período de pandemia o Rotary Club de Bragança tem vindo a desenvolver acções para ajudar aqueles que estão atravessar dificuldades económicas e também para angariar material de protecção contra a Covid-19. “Distribuímos produtos de protecção e demos 25 cabazes de alimentos a estudantes africanos”.

Os primeiros dois computadores foram entregues no dia 16 de Fevereiro. Os restantes serão atribuídos quando chegarem ao Rotary Club de Bragança. Um investimento de cerca de dois mil e trezentos euros para a compra de 10 computadores.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

Parque Natural Regional do Vale do Tua promove formação Dark Sky®

 Depois da certificação do Vale do Tua como “Destino Turístico Starlight”, o Parque Natural Regional do Vale do Tua desenvolve ações de formação para criar Rede Oficial de Parceiros.

Pinturas Rupestres de Pala Pinta - Alijó. Foto: Miguel Claro

Preparar o território, agentes públicos e privados, para que se possa retirar proveito da certificação como destino Turístico Starlight é o principal objetivo da formação que o Parque Natural Regional do Vale do Tua (PNRVT) está a promover.

Segundo uma nota de imprensa do PNRVT “pretende-se criar uma Rede Oficial de Parceiros que deverão estar preparados para receber os astroturistas“. Para isso, estão previstas três ações de formação que se debruçam sobre os temas da Poluição Luminosa, Astronomia e Divulgação de Ciência, Astroturismo, Arqueoastronomia e Novos Produtos. A participação na formação é um dos critérios de integração na Rede Oficial de Parceiros.

“Esta formação é totalmente gratuita e é obrigatória para os agentes que queiram integrar a nossa Rede Oficial de Parceiros, entendemos que não basta ter um produto certificado, é necessário ter conhecimento sobre essa matéria e saber trabalhá-lo como produto turístico”, defende o diretor do PNRVT, Artur Cascarejo.

A formação, a cargo da Associação Dark Sky®, é dirigida a técnicos de turismo e outros colaboradores ligados ao setor nos municípios; unidades de alojamento, de restauração, empresas de animação turística ou lojas de artesanato e de produtos regionais. Todos estes agentes locais poderão integrar a Rede Oficial, desde que participem no processo de formação e, após este, sejam definidas as medidas necessárias que tenham de ser implementadas face aos requisitos do Dark Sky® Vale do Tua, seja ao nível da adaptação do serviço a este mercado específico, seja no âmbito do combate à poluição luminosa.

Esta formação destina-se também a empresas que pretendam oferecer serviços considerados na categoria de astroturismo. Destinada ao mesmo público alvo, esta formação é mais intensa e inclui parte prática. Pretende preparar os formandos a iniciar as visitas guiadas a olho nu.

Este grupo vai receber formação especifica sobre ferramentas de apoio e uso de equipamentos óticos que lhes permitirá iniciar as visitas guiadas a olho nu, mas também desenvolvimento de sessões de observação astronómica com equipamento de observação adequado, assegura a fonte do PNRVT.

A formação avança em meados de março e as horas previstas de formação são diferentes, de acordo com o grau de especialização, a Formação para empresas que pretendem oferecer serviços considerados na categoria de astroturismo, é mais intensa e exige várias sessões práticas.

Anta de Zedes – Carrazeda de Ansiães. Foto: Miguel Claro

“Somos o terceiro destino turístico certificado em Portugal, depois do Alqueva e das Aldeias de Xisto, mas somos a primeira área protegida a receber esta certificação, o que obviamente nos orgulha. Agora cabe aos agentes do território prepararem-se para saber usar esta nova e enorme possibilidade de crescimento e de afirmação do destino Vale do Tua”, afirma Artur Cascarejo, que insiste na importância desta formação.

Movimento acusa Governo de ignorar "montagem jurídica" da EDP na venda de barragens

 O Movimento Terra de Miranda acusou hoje Governo de ignorar a “montagem jurídica de planeamento fiscal” preparada pela EDP para evitar o pagamento de impostos na venda de seis barragens na bacia hidrográfica do Douro.


"O mais grave em todo este processo é que o Governo, na pessoa do senhor Ministro do Ambiente, tendo sido alertado por escrito para esta montagem jurídica de planeamento fiscal, nada tenha feito para obstar a que a EDP pudesse ter querido interpretar as entrelinhas da Lei para evitar o pagamento dos impostos devidos", disse à Lusa Aníbal Fernandes, um dos membros do Movimento Cultural Terra de Miranda (MCTM).

Para o representante do MCTM, tido como apartidário, "a aparente operação realizada é de muito mais elevada complexidade jurídica do que o negócio real que consistiu na venda das concessões de uma empresa para outra".

"Acresce que o Estado tem direito de preferência sobre a transmissão das concessões e por isso, no mínimo, deveria ter procedido a uma avaliação das vantagens e inconvenientes de o ter feito. Tanto quanto é sabido, esse direito de preferência não foi exercido", esclareceu Aníbal Fernandes.

O MCTM reagiu assim às declarações do presidente executivo da EDP que afirmou hoje que a operação de venda de seis barragens no Douro ao consórcio liderado pela Engie foi "uma operação normal", garantindo que foram "escrupulosamente" cumpridas "todas as leis" e pagos "os impostos devidos".

Miguel Stilwell de Andrade, presidente executivo da EDP disse hoje em conferência de imprensa que a venda das seis barragens se trata de uma operação perfeitamente 'standard' e normal.

"Nós não contornámos a lei. Funcionámos dentro do enquadramento legislativo que existe", sublinhou.

De acordo com o movimento, “em nenhum momento das declarações proferidas, resulta que estivessem reunidas as condições para que este negócio fosse considerado uma operação de reestruturação empresarial, nem tão pouco um regímen de neutralidade fiscal das fusões e cisões de Sociedades”.

Para aquele Movimento transmontano é “paradoxal o facto de o Estado não ter exigido qualquer contrapartida pelo trespasse destas concessões, nem tão pouco a exigência de que as partes envolvidas tomassem por bem resolver de uma vez por todas os enormes impactes ambientais causados pela construção das barragens”.

Entre eles, destacam-se “as grandes pedreiras a céu aberto em plena área urbana que persistem há mais de 50 anos”, segundo o MCTM.

Em 21 de fevereiro, o BE acusou o Governo de ter permitido "um esquema da EDP para fugir aos impostos" da venda de barragens e anunciou que vai chamar os ministros das Finanças e do Ambiente à Assembleia da República.

No domingo, a dirigente do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua disse, com base na análise do contrato de concessão de seis centrais hidroelétricas do Douro Internacional, ter sido acrescentada uma adenda para "dar a forma de reestruturação empresarial - cisão e fusão - a um negócio que é uma venda pura e simples" da EDP à Engie, com recurso a "uma empresa veículo".

"Para que não restem dúvidas, o Governo, através da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), permitiu um esquema da EDP para fugir aos impostos, ao imposto de selo no valor de 100 milhões [de euros], abdicou de exercer os seus poderes de forma a proteger o interesse público", acusou Mariana Mortágua, em conferência de imprensa, na sede do BE, em Lisboa, no dia 21 de fevereiro.

O Público noticiou hoje que o movimento cultural Terra de Miranda critica a "construção jurídica" usada pela EDP para transferir barragens para o consórcio francês, considerando "claramente abusiva" e com o objetivo de "evitar o pagamento de impostos".

Em 13 de novembro de 2020, foi anunciado que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tinha aprovado a venda de barragens da EDP (Miranda, Bemposta, Picote, Baixo Sabor e Foz-Tua) à Engie.

A EDP concluiu, em 17 de dezembro, a venda por 2,2 mil milhões de euros de seis barragens na bacia hidrográfica do Douro a um consórcio de investidores formados pela Engie, Crédit Agricole Assurances e Mirova.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

... quase poema... ou dos silêncios

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

No hospital espera as melhoras que tardam. A aldeia fica deserta. Longos silêncios.... Os santos ainda andam por perto vigilantes nos beirais das casas… ou no murmúrio, ou nos gemidos dos hospitais.
… já vai qualquer coisa melhor! Diz o seu homem.
Ele ficou em casa, parte a lenha, mas o lume não arde… falta o jeito da mulher.
Eu partia a lenha… ela lá a punha no lume!
… eu bem queria fazer-lhe mais visitas...
… vivíamos tão bem!
Às vezes ralhávamos… mas era só como a conta do outro… para dizer alguma coisa.
Tinha duas pitas, ontem uma amanheceu morta… gorda… poedeira!
… o que não acontece a um homem!
Vivíamos tão bem!
Faça-lhe uma visita e as melhoras.
Os vizinhos fazem-me falta… e a soalheira já não amornece a conversa que falta.
Sinto no corpo o frio húmido do hospital e o longo deserto da aldeia.
O vizinho regressa a casa sozinho.
… o que não acontece a um homem!

Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

Lá pra Trás-os-Montes - Os Burricos

“Plano de Recuperação e Resiliência não atende às necessidades e pretensões do território”

 Os autarcas não entendem a exclusão das Terras de Trás-os-Montes do PRR e contestam este documento, reivindicando que os investimentos, há muito reclamados pelo território, sejam incluídos no PRR.


O Conselho Intermunicipal da CIM das Terras de Trás-os-Montes reuniu, extraordinariamente, para analisar e discutir o Plano de Recuperação e Resiliência (PPR), que se encontra em consulta pública. Este órgão, que integra os Presidentes das Câmaras Municipais de Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais, considera que este Plano não atende às necessidades e pretensões do território, hipotecando o seu desenvolvimento e futuro.

“Ironicamente, uma estratégia que assume a resiliência económica, social e territorial do país como a principal prioridade, apresenta-se como um atentado à capacidade de resiliência deste território do interior do país. O Conselho Intermunicipal da CIM das Terras de Trás-os-Montes entende que este PRR nada mais é do que um paliativo para esta região, condenando-a a uma morte lenta e dolorosa“, frisam os autarcas do Conselho Intermunicipal da CIM das Terras de Trás-os-Montes numa nota de imprensa enviada à Comunicação Social.

Os autarcas transmontanos contestam a ausência de investimentos estruturais por parte do Estado português. “Basta olhar para o que está previsto no mapa dos investimentos na ferrovia, defendida como um investimento de futuro para o desenvolvimento do país. Os distritos de Bragança e Vila Real são os únicos sem investimentos previstos neste campo. Uma zona completamente em branco, que revela que, apesar das mais valias da sua proximidade a Espanha e consequentemente à Europa, é totalmente esquecida pelo Governo. Aliás, de todos os investimentos reivindicados pela CIM apenas dois são contemplados no PRR (Ligação Vinhais-Bragança e de Bragança à Puebla de Sanábria)“, enfatizam.

O caso mais flagrante é o de Vimioso, cuja ligação rodoviária a Bragança, “apesar de prometida e com projeto praticamente concluído não consta“, temendo-se, agora, que as anunciadas promessas de concretização desta obra, não passem disso mesmo.

“Este é um investimento que desde sempre foi assumido como prioritário, até porque permitirá a ligação rápida de 2/3 deste concelho a Espanha. O Conselho Intermunicipal questiona a seriedade do Governo em todo este processo e reivindica a inclusão desta ligação. Caso semelhante é o da Ligação do IC5 de Miranda do Douro a Espanha, que apesar de ser um dos projetos assumidos como prioritários e acordados entre Portugal e Espanha, durante a última Cimeira Ibérica, não aparece no Plano“, salienta-se no comunicado de imprensa.

Os autarcas não entendem a exclusão das Terras de Trás-os-Montes do PRR e contestam este documento, reivindicando que os investimentos, há muito reclamados pelo território, sejam incluídos no PRR. Para além das ligações rodoviárias, do estudo e investimento na ferrovia, em causa estão também o Aeroporto Regional de Trás-os-Montes, a ligação Macedo-Vinhais-Gudiña, a implementação da rede de fibra ótica em toda a região e cobertura total da rede 5G, a revitalização do complexo agroindustrial do Cachão, o investimento no regadio, investimento na saúde, o apoio à Rede Natura, aos Parques Naturais do Douro Internacional e Montesinho, bem como aos Lagos do Sabor e Parque Regional do Vale do Tua, o apoio à utilização de rede carregamento rápido em todos os concelhos, o apoio à implantação do hidrogénio na região, o apoio ao sistema de armazenamento de energia produzida na região.

Estas serão algumas das áreas a incluir na proposta a realizar no âmbito da consulta pública do PRR. A CIM das Terras de Trás-os-Montes relembra ao Governo que este território é parte integrante do todo nacional e que não pode ser excluído de uma estratégia que pretende “Recuperar Portugal e construir o futuro”, apelando, assim, para que não seja negado o futuro a este território e às suas gentes.

Associação Ibérica de Municípios Ribeirinhos do Douro transforma-se em Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial

 A Comissão Executiva da Associação Ibérica de Municípios Ribeirinhos do Douro (AIMRD), decide transformar-se em Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT).


Desde a sua criação, em junho de 1994, que a Associação Ibérica de Municípios Ribeirinhos do Douro (AIMRD) é a entidade de cooperação hispano-lusa de referência no eixo do Douro e pelo Douro, mas agora a AIMRD retoma o acordo de transformação em Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial com o objetivo de dar mais um passo na promoção, desenvolvimento e defesa no âmbito dos municípios ribeirinhos do Douro, da nascente até à foz.

A decisão acordada no dia 25 de fevereiro, na Comissão Executiva, atualiza o debate interno sobre a conveniência ou não da transformação nesta figura, avalizada pela Comissão Europeia, muito especialmente, tendo em conta o novo período de programação de fundos europeus 2021-2027 e perante as possibilidades que oferecem os regulamentos.

Nas palavras do Presidente da AIMRD e Presidente de Câmara de Mirando do Douro, Artur Nunes, a transformação da AIMRD em AECT é o passo mais lógico, imposto pelos tempos atuais e pela normativa em vigor que influencia o âmbito da cooperação e as suas entidades.

Artur Nunes sublinha “a grande importância que tem esta transformação da AIMRD já que, o espaço territorial que engloba, constituiria um verdadeiro Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial, e não apenas transfronteiriça, potenciando o eixo Douro-Duero como principal eixo de cooperação entre Castela e Leão e o Norte de Portugal“.

Este processo, que se prevê dilatado no tempo, passa pela elevação da proposta da Comissão Executiva ao Conselho Geral, sendo este órgão plenário da organização aquele que terá de tomar a decisão definitiva sobre esta transformação.

ONDA LIVRE TV – Conversa Aberta Ep. 9 | Delegada de Saúde do distrito de Bragança, Dra. Inácia Rosa

Casal fica gravemente ferido em despiste na EN216

 Um homem e uma mulher ficaram gravemente feridos, esta tarde, na sequência do despiste do veículo ligeiro em que seguiam, na Estrada Nacional 216, que liga Macedo de Cavaleiros a Mogadouro.
O casal, natural de Castelo Branco, no concelho de Mogadouro, cuja idade ainda não foi possível apurar, teve mesmo de ser desencarcerado.

No local a prestar assistência às vítimas estão 15 homens, apoiados por seis viaturas, e ainda a VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação).

Escrito por ONDA LIVRE

Ligação à Sanábria vai avançar ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência

 A ligação Bragança-Puebla de Sanábria e a Nacional 103 entre Vinhais-Bragança são as duas estradas do distrito que entram na lista dos projetos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) colocado em consulta pública pelo Governo na semana passada.
Está previsto um investimento de 110 milhões de euros em infraestruturas rodoviárias que melhorem e reforcem as ligações transfronteiriças entre Portugal e Espanha.

O montante que visa “alavancar o desenvolvimento da mobilidade transfronteiriça e a redução dos custos de contexto concretizando um conjunto de investimentos”, explicou fonte governamental.

Glória Lopes

Monjas trapistas de Palaçoulo já produzem iguarias

 ‘Amaretti’ tenros, amêndoas vestidas, pãozinho do peregrino, trancinhas e ‘torrones’ tenros são algumas iguarias que as monjas trapistas de Palaçoulo já estão a produzir no Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja.


Os cinco produtos de pastelaria tradicional são confecionados de acordo com as receitas típicas italianas e estão disponíveis na loja da Casa de Acolhimento (Mosteiro), onde também há dezenas, terços, porta-chaves, pulseiras e livros infantis à disposição de quem quiser adquirir.

Recorde-se que as monjas trapistas vão vivendo do fruto do seu trabalho, na produção agrícola e de artesanato.

Das palavras que nos desqualificam

 
Um Reino Maravilhoso, de Miguel Torga (1941) era citado com tanta frequência em cerimónias, discursos, vídeos promocionais e afins que a sua repetição exaustiva rondava o ridículo. Claro que o texto teve o seu tempo e terá a sua beleza, mas como jornalista já não aguentava ouvir as duas palavrinhas mágicas.

Este texto é só para vos estimular a parar de repetir sempre a mesma coisa; é só para vos desafiar a tirar do gira o disco riscado.

Escrevi isso numa nota de um livro meu que anda por aí, sem fama nem glória (como é próprio a tudo que é meu e nosso) e, desde que voltei, pensei até que já vos tivesse passado essa fixação, mania, paixão.

Creio que não. Tudo está bastante igual, estancado entre a praça das bolas e o belíssimo Castelo, não há dia que passe sem vos vir à mente a citação do um escritor de Vila Real. De Vila Real! Por amor de Deus! Ainda se os houvesse em Mirandela, a “flor do Tua”, sempre ficaria mais perto!

Há coisas que devemos deixar de dizer, para que deixem de existir. Não, podeis continuar a citar essa coisa dos reinos, quando todos os reis estão mortos.

O que deveis de deixar de dizer e, sobretudo, escrever, sugiro, sejam coisas como: “interior”; “Portugal profundo”; “desertificação rural” e outras que por ora esqueci, mas dizeis e vos colocam de parte, à parte de um país normal, são da cabeça e nada esquizofrénico.

Eu sei que não faltam razões para vos queixardes. É assim hoje, como foi outrora, no tempo do Camilo Castelo Branco e, nesse tempo ainda havia gente a obrar a terra, a fazê-la parir à força espigas de pão nosso e erva da nossa carne.

Eu sei. Mas, de pouco servem palavras quando não tendes o poder de mudar as coisas. Eram quatro deputados. Passaram a três. Talvez cheguem a dois... E os exemplos, alguns semelhantes ao anjo do Camilo... podemos debater outras coisas, como uma mudança na legislação eleitoral, por exemplo. Eu sei, quereis a regionalização, mas não podemos mandar neles. Eles são mais. Teremos de ser, certamente, um pouco melhores. Talvez nem fizesse grande diferença mudar a lei eleitoral legislativa, mas dar-me-ia mais ânimo saber que o meu voto, como nas presidenciais, conta igual a qualquer outro. Reparai, os deputados, três, não nos podem realmente representar. Têm o dever de disciplina e essas coisas todas. E também sabeis que na hora de escolher sois mais portugueses do que apenas portugueses transmontanos. Escolheis o que quereis seja primeiro-ministro ou estais no contra. E, se sois do contra, lá ficam os vossos votos, em vão contados, a boiar em saco roto, igualzinhos aos não votos dos que nem sequer deram um passo e fizeram um X com a caneta apoiada no dedo médio. O dedo médio até dava jeito à nossa belíssima capital, mas nós (em larga escala) seremos daqueles requintadíssimos “portugueses de bem”, porque nem escolha teremos.

Não sei o que seria melhor. Assim, talvez fosse bom para os inomináveis e não é isso que quero, mas seja feita a vossa vontade, que eu, hoje, como outrora, depressa me despacho disto tudo, porque em verdade vos digo se pode viver no mundo inteiro (e morrer também, claro!).

Então, enquanto reflectis ou não reflectis em outras reivindicações, sugiro apenas que pareis de vos tratar como parte decepada deste catita país, pequenino e, um nada, fofinho.

Primeiro, isto aqui não é um reino, nem uma república. Faz parte de uma República sem rei nem grande dote, que não se deveria dar ao luxo de desperdiçar o tanto que desperdiça, talvez por ainda se julgar dona do “Novo Reino” sublimado, ou porque seja difícil gerir contas pequenas. Se fazeis parte, ou reivindicais a independência, como a Catalunha, a integração no reino de Espanha, ou parai lá com isso, porque não resulta!

Segundo e mais importante ainda, Portugal não tem interior porque um país é um interior cercado sobre si mesmo dentro de uma fronteira. Se quereis dizer que estais longe da praia, então sejamos concretos, Bragança não tem comboio para Lisboa porque os Lisboetas não vêm aqui à praia. Os fundos vão para o Porto, porque eles têm aquele passeio da Foz que é máximo! A inclinação marítima é coisa que vem já dos tempos da Taprobana, coisa para ter mais de 500 anos. Não é fácil calcar deste lado e invertê-la, mas podemos viver com inclinações. Chamemos-lhe o que é, e não é interior nenhum que aqui não andamos com a entranhas de fora, nem com o peito ao léu no Inverno! É uma inclinação, um desequilibro mental, não nosso, mas do país, coitadito, inclinou e agora continua inclinado e inclinado estará.

Insisto, quando não podemos mudar a realidade, podemos mudar as palavras. Isso é nossa liberdade. Podemos descrevê-la melhor, interiorizá-la melhor, fazer dela uma realidade mais aceitável. Em vez de sermos do interior, somos do rectângulo inclinado sobre o Atlântico. Fica bonito! Ou então, mais prático, sou de perto de Espanha o que é muito real. “As regiões ao pé de Espanha são discriminadas em relação às regiões do litoral na atribuição de fundos comunitários”. Ficava bem nas notícias que eu, graças a Deus, já não escrevo. (Não é preciso dizer “negativa” porque discriminação em português significa sempre coisa má) Chamava a atenção de Espanha, o que é preciso. Também é preciso chamar a atenção da Europa. Para os restantes europeus um país do tamanho de Portugal ter um tal interior “esquecido e ostracizado” não faz qualquer sentido. Agora se lhes formos dizer que o dinheiro vai todo para os ricos das praias e os que estão ao pé de Espanha, por estarem ao pé de Espanha, não apanham nada, nem linhas, nem comboios, nem ligações à Europa (auto-estradas só depois das outras e a pagantes), nem gente que sai toda para povoar lá os bairros das cidades grandes deles... Até podia resultar. Não sei. Melhor era sem dúvida.

Depois, vem tudo o resto. Aqui, pelo menos este ano, não há desertificação nenhuma. (Há é muito mato a crescer entre pinheiros, eucaliptos e estevas e Deus permita que não se esqueçam daquilo que já aconteceu.) Existem duas palavras na língua portuguesa para definir dois conceitos distintos, embora semelhantes. Uma é desertificação, que deveria ser usada apenas para definir o conceito de lugar ermo, sem vegetação e sem espécies animais de grande ou médio porte, incluindo animais que se chamam gente. Outro é o despovoamento e contra esse já D. Sancho lutava no seculo XII. Parece que é coisa antiga, coisa de reino pequeno. Mas, ao pensar nisso, vejamos os que fez D. Sancho I e, em vez de “combater a desertificação”, passemos a sugerir políticas de repovoamento (não o cinegético que esse está a bombar, lá para a minha zona) dos concelhos despovoados. Afinal o que eram os forais? Poderíamos sugerir “novos forais” (fica bonito e chama a atenção), assim forais para a administração do território com baixa densidade populacional, a requalificação agrícola, a qualificação tecnológica (porque à industrial já não chegaremos) e isenção de pagamento de impostos ao “rei”.

Pois, aqui vem logo o problema de dar mais poder aos presidentes de câmara o que em dicionário português médio e desprivilegiado de fidelizações (a não ser as bancárias e as das telecomunicações) mais “incentivos” à fixação de população por mérito incerto ou condicionado e, até, desmérito. Além disso, quem teria coragem de fazer uma reforma agrícola e uma requalificação rural, de verdade, incluindo esses recursos riquíssimos que, como a fronteira é só humana, vieram de Espanha, os cinegéticos, sim? Então deixemos as coisas como estão. Não vale a pena sequer estar a pensar em outra coisa. Não falemos mais disso. Não estamos desertos nem despovoados. Somos só portugueses e os portugueses uns são ricos, outros pobres e outros, cada vez menos, remediados.

Como somos portugueses, e cidadãos do mundo, não nos tratemos a nós próprios como súbditos de um rei imaginário, que vive num paraíso encantado de sonhos onde irão afluir toneladas de turistas, colocados a torrar nas fragas, no sol de Julho, ou no escuro do Inverno, a juntar cepas no lume de um lar que é nosso mas vive só na nossa cabeça, sugiro apenas...

Ana Preto
Bragança, 23 de Fevereiro 2021

Páscoa incerta para criadores de cabrito e cordeiro

 A venda de cabrito e cordeiro vai levar a que a Páscoa seja de angústia para alguns criadores mas de alívio para outros. Pela região, as preocupações entre as associações também já são algumas.
Os criadores de cabrito e cordeiro certificado, na distrito, começam a antever problemas, temendo que os animais fiquem nas corriças.

Tiago Melim, tem 42 anos e é criador de cabras de raça serrana, em Murça. É um dos 200 associados da Associação Nacional de Caprinicultores da Raça Serrana e foi através da entidade que no ano passado, apesar do cenário se ter mostrado bastante negro, conseguiu dar a volta à situação e vender os animais. Este ano, prevê algumas dificuldades mas tem esperança de sobra. “Várias pessoas que nos encomendaram o cabrito continuaram a comprá-lo durante o ano e esperemos que assim aconteça também na Páscoa. Com esforço, conseguiremos vender”.

O criador considera que o mais importante é que haja união. “Foi um ano extremamente criativo para se conseguir vender os produtos, tanto o queijo como o cabrito. Todos juntos, sendo organizados na comercialização, facilita imenso”.

Carlos Matias também é criador de raça serrana e é de Vilar Chão, no concelho de Alfândega da Fé. No ano passado também foi a associação que lhe valeu e acredita que agora há-de correr tudo bem. “Vender vendem-se bem. Vendi igual porque foi a associação que me os comprou, pelo valor justo. Havia pessoas que os queriam comprar por trinta euros mas vendi-os por 50. Tomara eu mais para vender”.

E se as vendas são boas, os apoios nem por isso. Talvez seja esta a causa de nenhum dos filhos lhe querer seguir as pisadas. “Se me dessem mais algum também o recebia, mas se não derem também me desenrasco. Tenho dois filhos que me ajudam nas horas vagas, mas estão a estudar e querem fazer a vida deles”.

Arménio Vaz é o presidente da direcção da associação a que pertencem estes dois criadores. Depois de no ano passado se ter vendido “de norte a sul”, confirma que a salvação passa pela fidelização de vários clientes. “Devido à informação com que ficámos, de contactos, as pessoas continuam a aderir e penso que não teremos dificuldade em escoar o cabrito”.

Para Arménio Vaz o mais preocupante é o desinteresse dos jovens pela actividade. “Ou de hoje para amanhã há incentivos fortes para que a juventude se interesse pelo trabalho ou há raças que estão em perigo de extinção. O pessoal mais jovem não quer abraçar este tipo de trabalho”.

O cenário de vendas não é positivo para todos. Andrea Cortinhas, secretária técnica da Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Churra Galega Mirandesa, diz que as dores de cabeça já começaram. “Vai ser mais um ano muito complicado a nível de vendas. Vamos ter que gerir a situação de forma criativa. Já no ano passado, entre vender zero e vender alguma coisa, tivemos que nos reinventar e começámos a fazer as vendas online, através do Facebook”.

No Natal passado as vendas foram poucas e a quadra trouxe um problema: muitos animais não foram vendidos com a Denominação de Origem Protegida. “Houve muita procura de negociantes externos. Levaram cordeiros bastante pequenos. Nós optamos por não trabalhar esse produto e os criadores optaram por fazer negócios exteriores. O ano de 2020 foi péssimo”.

Jorge Laranjinha, director administrativo da Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Churra Galega Bragançana, também não está muito confiante. “Vão-se vender mas a percentagem de venda é muito baixa. Com o levantamento do confinamento venderam-se, em 2020, e vende-se, mas não é o preço nem a altura desejável”.

A situação faz com os preços também não sejam os ideais. Jorge Laranjinha considera que é necessário que se crie uma estrutura forte para promover os animais. “O preço que está a ser praticado não é aquele a que atribuímos o valor do cordeiro. Há muitos intermediários e o valor de lucro maior fica neles”.

A pandemia de Covid-19 trocou as voltas a muitos sectores de actividade e, em jeito de ciclo vicioso, não poupou sequer a agricultura.

A Páscoa é uma das épocas mais lucrativas para quem ainda se dedica à actividade. Contudo, os criadores transmontanos começam a dar voltas à cabeça, procurando ideias para vender os animais, que podem ser levados a preço abaixo do real valor.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves