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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

V Feira do Figo e do Património

II Seminário sobre Património e Cultura

Percurso Pedestre "Trilho de Santa Catarina"

Mercado Medieval Rei d´Orelhão

Saberes Gastronómicos - Lombo de Porco com Castanhas, Massa do Pingo para assar Leitão e Orelha de Porco

LOMBO DE PORCO COM CASTANHAS
Lombo de Porco; Chouriço; Presunto; Entremeada; Castanhas; Alho; Sal; Salsa; Vinho Branco. Prepara‑se o lombo de véspera. Abre‑se o lombo, põe‑se vinho branco, bastante alho e salsa bem triturados, o chouriço, o presunto, a entremeada e enrola‑se tudo ficando assim para o dia seguinte. Recebe uns grãos de sal e vai ao forno durante hora e meia. Cozem‑se as castanhas, descascam‑se e quando o lombo já está apuradinho juntam‑se‑lhe no forno, durante mais 15 minutos.
“Esta receita é recente porque antigamente o lombo era só para o salpicão”

Receita cedida pela Sr.ª Dona Marcelina de Fátima Cordeiro

MASSA DO PINGO PARA ASSAR LEITÃO
Banha; Alho; Colorau Doce; Limão; Vinho Branco; Sal. Esmagam‑se os alhos e junta‑se a banha, o colorau, gotas de limão, vinho branco e sal. Mistura‑se tudo muito misturado e barra‑se o leitão e deixa‑se assim de um dia para o outro. Vai a assar no forno.

Receita cedida pela Sr.ª Dona Arminda de Jesus Silva

ORELHA DE PORCO
Orelha de Porco; Alho; Azeite; Cebola; Loureiro; Sal; Salsa; Pimento Doce.
Põe‑se a orelha de molho no dia anterior.
Coze‑se bem cozida e corta‑se aos bocadinhos.
Tempera‑se com alho picado, uma folha loureiro, uma pitada de pimento doce cebola e salsa picadas.
Rega‑se com um fio de azeite.

Receita cedida pela Sr.ª Dona Marcelina Augusta Centeno

Carta Gastronómica de Bragança
Autor: Armando Fernandes
Publicação da Câmara Municipal de Bragança

Atropela, foge e deixa homem ferido em Santulhão, Vimioso

Um homem de 65 anos ficou gravemente ferido após um atropelamento e fuga, ao início da manhã deste sábado, na aldeia de Santulhão, Vimioso.
Segundo o Comando Territorial da GNR de Bragança, o suspeito de ser o condutor da viatura já foi identificado.

O ferido foi encaminhado e internado no Hospital de Bragança.

Escrito por ONDA LIVRE

Despiste deixa jovem ferida esta manhã no concelho de Macedo de Cavaleiros

Um despiste de uma viatura fez esta manhã, cerca das 9h30, um ferido ligeiro na estrada nacional que liga Castro Roupal a Vinhas, no concelho de Macedo de Cavaleiros.
Ao que apuramos, a vítima, uma jovem na casa dos 20 anos, foi transportada para o Hospital de Bragança.

No local estiveram sete operacionais, apoiados por duas viaturas, entre bombeiros e GNR.

Escrito por ONDA LIVRE

Onde nasceu Portugal? A mim nasce-me em Miranda do Douro!

Onde nasceu Portugal? A mim nasce-me em Miranda do Douro!
Tratado de Zamora
A reflexão efetuada nesta crónica, sobre o local onde verdadeiramente terá nascido Portugal, decorre do pensamento maturado que o atual presidente da Assembleia Municipal de Miranda do Douro, Carlos Ferreira, partilhou comigo.

1) O mais antigo data de 1139. Trata-se da vitória sobre os sarracenos na batalha de Ourique e subsequente autoproclamação de D. Afonso Henriques como Rei de Portugal. Entre historiadores não existe consenso sobre o local da dita batalha. Adiantam-se locais concordantes como Ourique no Baixo Alentejo, mas outras hipóteses mais ou menos apoiadas são lançadas para o debate: Vila Chã de Ourique, Cartaxo (Ribatejo); Campo de Ourique, Leiria (Beira Litoral); Campo de Ourique, Lisboa; ou ainda, Colmenar de Oreja a meio caminho entre Toledo e Madrid, …;

2) O que gera mais consenso remonta a 5 de outubro de 1143, data da assinatura do tratado de Zamora entre o imperador da Hispânia, Afonso VII de Leão e Castela, e seu primo D. Afonso Henriques. É com a assinatura deste tratado que Portugal se autonomiza como Reino frente ao hegemónico Reino de Leão, e é ainda o momento em que começa a contagem para o início da dinastia afonsina. Neste dia é feriado nacional porque se comemora a implantação da República em Portugal, mas para o nosso caso, não tem nada a ver;

3) Por fim, a 23 de maio de 1179, o Papa Alexandre III envia a D. Afonso Henriques a bula Manifestis Probatum, libertando-o da vassalagem que tinha para com seu primo Afonso VII de Leão e Castela, passando desde então a ser vassalo direto do Papa, reconhecendo assim, por redundância e arrastamento, Portugal como país independente para todo o sempre, “… Alpohso illustri Portugalensium Regi, eiusque Haeredibus, in perpetuam rei memoriam.”

A primeira das conclusões que facilmente podemos extrair, é que dos três fundamentais “factos históricos” relatados, nenhum deles ocorre dentro dos nortenhos contornos primordiais do primitivo Condado Portucalense!

Sendo assim, impõe-se de novo a pergunta tantas vezes enunciada: onde nasceu Portugal? Em Guimarães, por ser o local onde se travou a desavinda batalha de São Mamede entre mãe e filho, e que, por outras sobejas razões, se autodenomina “cidade berço”?! Em Coimbra, que reivindica o estatuto de cidade residência dos Condes D. Henrique e D. Teresa, assim como o local do nascimento de seu filho Afonso, nosso 1º Rei?! Em Viseu, que recuando à época proto-romana, se apropria de Viriato e insiste que também ali D. Afonso Henriques teria nascido?! Em Braga, porque foi sede de diocese romana, e cidade intimamente ligada ao dote que o avô de D. Afonso Henriques, Afonso VI de Leão e Castela, doou a seus pais pelo casamento, e que depois logo doaram aos arcebispos?! Em Lisboa, qual pagã Babilónia, que para se transformar na grande cápita que tudo passaria a olhar de cima dos seus jardins suspensos, ao primeiro embate, se deixou conquistar por D. Afonso Henriques e permitiu que o desleixo do seu corneteiro tocasse apenas para o início do saque, para depois, assumir, ad eternum, o recompensador papel de Capital do Reino?!

I anton la nuossa tierra: Miranda de l Douro?! Pois, enquanto mirandeses, cabe-nos destacar o seu papel e importância. É a mais oriental cidade lusa, onde primeiro nasce em Portugal, o mais antigo dos deuses da terra, o omnipotente deus sol (Peinha las Torres 41°34'N 6° 1'W). A voo de pássaro, Zamora fica nas imediações de Miranda do Douro, onde D. Afonso Henriques se armou cavaleiro em 1125 na sua catedral românica, e onde, em 1143, assinou o tratado com o mesmo nome. É no concelho de Miranda do Douro que ainda se mantém viva a língua materna de D. Afonso Henriques, o leonês, promovida a língua oficial de Portugal pela lei 7/99 de 29 de janeiro, a que se convencionou dar o nome de “Lhéngua Mirandesa”. Na verdade, D. Afonso Henriques era neto de Afonso VI imperador de Leão, e filho de D. Teresa de Leão, ambos falantes de língua leonesa, a língua do remoto Reino de Leão. Portanto, D. Afonso Henriques, falaria leonês, tal como seu avô e sua mãe, língua a que hoje chamamos mirandês, embora, tal como os atuais governantes, o nosso primeiro Rei, falasse mais que uma língua, nomeadamente, também o galaico-português. Acreditamos que das suas várias idas a Zamora, a língua que falou com seus primos, outra não seria que o mirandês, assentando aí os primórdios do bom costume português, que consiste em falarmos de bom grado as línguas dos outros. E pouco importa o desdém de alguns, quando querem apoucar esta nobre língua mirandesa, ao afirmarem que os seus falantes não vão além de escassos dez mil. Pois fiquem sabendo, que não sendo o mirandês uma mistura de português e castelhano, é língua de transição entre estes dois idiomas, guardando várias caraterísticas linguísticas, ora da primeira, ora da segunda. Sendo assim, é justo dizer, que o mirandês é ao mesmo tempo compreendido, tanto pelos falantes de português, como pelos falantes de espanhol. Assim, se somarmos todos os falantes de português espalhados pelo mundo (250 milhões), com todos os falantes de espanhol (500 milhões), obtemos 750 milhões, elevando a língua mirandesa à categoria da língua mais compreendida no mundo!

Depois da assinatura do tratado de Zamora, cento e cinquenta e cinco anos mais tarde, em 1297, é Don Dinis que passa por Miranda do Douro, para se dirigir à vila de Alcañices, onde assinaria com Fernando IV de Leão e Castela o “Tratado de Alcañices”. É, portanto, nas imediações de Miranda do Douro, que Don Dinis refundou definitivamente Portugal, restabelecendo a paz, e fixando de forma quase irrevogável, os limites fronteiriços definitivos entre o então reino de Leão e Castela e o reino de Portugal.

Em 1494, quando o reino de Portugal de Don João II e a coroa Castelhana de Fernando II de Aragão, quiseram ser donos do mundo, foi em Tordesillas, quase nas imediações de Miranda do Douro, que se assinaria o tratado com o mesmo nome, e assim, como verdadeiros “armanos”, dividíamos o mundo entre nós: duas partes bastaram!

Já em pleno século XVI, a pedido de Don João III, a 22 de maio de 1545, o Papa Paulo III cria a diocese de Miranda, amputando simultaneamente à arquidiocese de Braga a maior parte do seu território transmontano e excisando todas as concessões territoriais que os mosteiros leoneses ainda detinham em Portugal, consolidando a hegemonia do território intrafronteiras para Portugal.

E vem tudo isto a propósito, de l die de la PROUA mirandesa (dia do orgulho mirandês), o dia 10 de julho, aludindo esta comemoração à data de 1545, quando D. João III decide elevar Miranda do Douro à categoria de cidade.

Paulatinamente, a partir do século XVI, a grande cápita Lisboa fez de Portugal uma carreira junto ao mar, o resto são as costas que não se vêm ao espelho. Com o tempo, a minha terra e todo o interior do país, foi-se contentando a viver de sobras, de migalhas, sem nunca ser capaz de se “zangar de verdade”. Um dia, ninguém sabe bem quando, o país pôs-se a caminho de Lisboa e agora não encontra modo de voltar!

Mas tal como acontece com o omnipotente deus sol, que não restem dúvidas: é em Miranda do Douro que Portugal me nasce primeiro!


Óscar Afonso
Jornal Público

Penúltima matiné de domingo leva Paisiel ao jardim do Museu do Abade de Baçal

Ontem, pela penúltima vez este ano, o jardim do Museu do Abade de Baçal, em Bragança, abriu portas a mais uma matiné.
A Dedos Biónicos, uma promotora independente da cidade, que aposta na promoção de culturas emergentes, urbanas e alternativas, é a responsável pela iniciativa. 

Segundo o director da produtora, Nuno Fernandes, estas "Matinés ao Domingo", que o museu recebe pelo segundo ano consecutivo, convidam miúdos e graúdos a assistir a concertos com música para todos os gostos, idades e feitios. "Começou com a ideia de oferecer música em horários mais disponiveis para outras pessoas, como as crianças, os adultos, e a ideia foi fazer matinés a um domingo à tarde porque achamos que é um dia perfeito para que isso possa acontecer. Tentamos que as matinés sejam sempre diferentes para que possam agradar a miúdos e a graúdos, é o que nós pretendemos".

Ontem, pelo jardim passaram os Paisiel, de João Pais Filipe e Julius Gabriel, artistas que se movem entre a música experimental, o jazz e o rock. Nos últimos anos o espaço tem sido palco de várias actividades em parceria com a comunidade local. Por esta, passaram, ao longo destes dias, músicos de várias nacionalidades e diversas pessoas. "Tivemos cá italianos, alemães, até da Tailândia, americanos e portugueses", explicou Nuno Fernandes sobre os músicos que pelo jardim foram passando. "A iniciativa vai crescendo conforme vai passando a palavra, cada vez têm vindo mais. 

Na última matiné estavam para cima de 150 pessoas. O feedback é muito positivo, normalmente gostam muito dos concertos, porque são coisas transversais e diferentes. Aquilo que agrada mais às pessoas é o ambiente, o ambiente comunitário e de família, as crianças conviverem umas com as outras, isto tudo rodeadas de música", acrescentou ainda.

As "Matinés ao Domingo" começaram este ano a 15 de Julho e terminam a dia 16 deste mês de Setembro.

Escrito por Brigantia
Carina Alves

Feira da Agricultura de Macedo de Cavaleiros em homenagem ao mundo rural

Concursos concelhios de ovinos e caprinos, mercado de produtos regionais, jogos tradicionais, gincana de tractores, garraiada e bênção dos agricultores e de mais de três centenas de máquinas agrícolas: durante dois dias foram diversos os motivos que atraíram centenas de pessoas à Feira da Agricultura, em Macedo de Cavaleiros.
Nesta festa do mundo rural, onde estiveram representadas as freguesias do concelho, os produtores levaram os produtos locais para mostrar a importância que acreditam que a agricultura tem. "As doenças, infelizmente, depende tudo daquilo que comemos, então temos que preservar de facto aquilo que temos de melhor que é a agricultura", afirmou a produtora da freguesia das Arcas, Lúcia Silva. "Eu falo por mim que era professora e deixei a profissão e dediquei-me à agricultura. É muito bom ser agricultora, é muito bom trabalhar na terra, é muito bom trabalhar com as árvores, com os animais. Temos um feedback muito bom, que quem trabalha com pessoas se calhar tem mais dificuldade porque as pessoas têm respostas muito diferentes e com menos generosidade que a natureza", explicou a produtora de Peredo, Raquel Mariano. "É tudo da minha horta, o lucro é pouco por isso tem que se ter muito amor àquilo que se faz para poder produzir alguma coisa", disse ainda a produtora da freguesia do Lombo, Angélica Pedro.

Diversos criadores do distrito brigantino rumaram também à feira movidos pelo concurso concelhio dos ovinos de raça churra galega bragançana e dos caprinos de raça serrana e da cabra preta de Montesinho. "Hoje estamos de rastos em Portugal com a nossa agricultura mas temos que fazer alguma coisa. No meu concelho, praticamente, em quatro ou cinco freguesias, já só eu é que sou pastor. Os concursos são uma coisa bem feita que é para, ao menos, mostrarmos a nossa actividade", contou o criador de cabra serrana, José Morais, vindo de Carrazeda de Ansiães. "Convivemos os pastores uns com os outros, o principal é isso", disse o criador da freguesia de Lamas, Macedo de Cavaleiros, Normando Pombares. Participar nestes concursos "é um vício!", acrescentou. "Os subsídios ainda ajudam, se não fossem os subsídios já não dava mesmo!", acrescentou a mulher de Normando Pombares, Fernanda Correia.

Pela primeira vez, da feira fizeram parte os jogos tradicionais. Vindo de Bornes, António Rogão quis vir abençoar o seu tractor e jogar ao fito como fazia noutros tempos. "A esta feira é a primeira vez. O meu filho disse que era a bênção dos tractores e lá vim. Está muito bom e há aí muitos tractores", confirmou. Sobre os jogos, o visitante conta que "se fosse há coisa de 10 ou 12 anos a coisa era outra" até porque "corria os torneios todos!".

O vereador da câmara de Macedo de Cavaleiros, Rui Vilarinho, que não quis ficar por de fora dos jogos, destaca a adesão. "Nos cinco jogos que fizemos participaram cerca de 160 pessoas, estamos muito satisfeitos. É o primeiro ano, esperamos que no próximo tenha mais adesão ainda e se possível vamos introduzir mais ainda. É uma festa lindíssima!".

A terceira edição da feira aconteceu neste último fim-de-semana no Parque Municipal de Exposições.

Escrito por Brigantia
Carina Alves

domingo, 2 de setembro de 2018

Trabalhos de melhoria no pavimento na variante de Bragança

Informamos que durante os dias 4 e 5 de Setembro de 2018, serão realizados trabalhos de melhoria no pavimento, na variante de Bragança, ligação da rotunda das Cantarias à rotunda de acesso à A4, Samil e S. Pedro de Sarracenos, ficando assim este acesso condicionado durante este período, em horário noturno.

Os trabalhos serão realizados durante o período noturno para minimizar qualquer constrangimento aos utentes. Nos dias em que decorrem os trabalhos, o condicionalismo será levantado durante o dia e só mantido durante a noite.

Pedimos desculpa pelos eventuais constrangimentos causados.

CM de Bragança

Projeções Cinematográficas | Setembro 2018 | Bragança

Bragança - Décadas de 50/60 do Século XX – 4ª Parte

Por: António Orlando dos Santos (Bombadas)
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

A safra das vindimas era trabalhosa e havia uma quantidade razoável de tabernas ou melhor dizendo, vendas de vinho de colheita que apenas abriam para vender os excedentes que o dono do vinho achava serem extras ao cálculo de consumo privado previsto para o futuro próximo que seria até à próxima colheita.

Assim tínhamos as tabernas do Olho do Cú, na Estacada, creio que para escoar o excedente da Quinta da Trajinha. O Malaguetas. Além do Rio, o África, na Alexandre Herculano, quase só vinho branco. O Domingos Lopes, na Rua da República. O Necho na Rua dos Fornos, no Sapato havia uma mas não me recorda o nome do dono que creio ser Porfírio e o Má Cara na Caleja.
Estas são as que recordo neste momento em que escrevo não significando isto que mais tarde não apareçam mais. Vendiam ao copo e à garrafa e de "comes" normalmente só havia, sardinhas de conserva com cebola e coisas simples que não eram de monta, pois a intenção era escoar o vinho rapidamente.
O Outono em Bragança era como diziam na Igreja  "Tempo Comum" que até ao Advento apenas tinha pelo meio um destaque que se chamava São Martinho. Considero este período do Outono, o mais influenciador das relações amorosas e de paixonetas características da juventude que aproveitava o recomeço das aulas para deitar o anzol aos amores que como os peixes de quando em quando mordem o isco. Quando mordiam era sinal que ficavam os amores presos pelo beicinho, mas vezes havia que como soe dizer-se comiam o isco e cagavam no anzol. O vernáculo uso-o aqui excepcionalmente pois outro vocábulo que usasse seria não bater a bota com a perdigota.
A vida fluía numa constante de maturação para os que como eu estavam a crescer e a fazerem-se adultos. Os cafés, as barbearias, os sotos de sapateiros e alfaiates e até algumas lojas comerciais eram palco de conversas e de debates dos mais variados assuntos que passavam mais por um desejo latente e persistente de mudança do que do esclarecimento das mentes pois o que era o Status quo da maioria desmobilizava a gente de participação proveitosa no debate público. Tenho de confessar que na minha forma linear de ver a coisas a Rádio havia feito um trabalho meritório do ponto de vista da optimização da capacidade de fluência comunicacional e as Bibliotecas Itinerantes da Gulbenkian foram uma ferramenta eficaz contra um certo obscurantismo atávico das mentes brigantinas.
Não esqueçamos que Bragança foi o distrito nacional que mais gente deu para a fogueira e cárceres da Inquisição o que não só aos cristãos novos causou medos duradouros que instintivamente os que não caíram nas acusações escolheram passarem por ignorantes do que caírem sob a alçada daquela seita criminosa e sem temor a Deus, a quem só interessava tomar para si o património dos acusados nunca acreditando poderem vir a serem castigados quando Deus os chamasse a capítulo ou se apiedasse dos fracos e sem pau nem pedra castigasse os fortes. 
São Martinho /castanhas e vinho/Vinho novo consolo do povo/Dá Saúde este rico vinho/Bebe-se um almude /Por ti São Martinho/Nesta quadra se explicava toda a filosofia subjacente à comemoração da data de tão popular santo que a esmagadora maioria desconhecia ser de Reims e haver partilhado a sua capa com um pobre que no seu caminho se lhe deparou.
Grandiosas pielas os valentes dos flagrantes de litros sublimaram com o esforço do sistema digestivo em labor forçado só porque era tradição fazê-lo nesse dia e em louvor da estupidez grassante. Era só um dia e passava depressa! 
Aproximava-se a quadra natalícia No tempo do Advento a alegria espalhava-se na Alma do povo. Na Igreja preparava-se a Festa do Nascimento do Messias. Uma história que os Evangelistas relatam mas para a qual não forneceram data. Convencionou-se que fosse o dia 25 de Dezembro e durante quase dois mil anos nunca se questionou esta datação que foi combinada em Concílio. O Natal fez a proeza de se tornar um tempo de amor ao próximo como o Messias ensinou e foi capaz de ser brilhante pela aceitação de um mandamento da Antiga Aliança que ordenava: -Amarás ao teu Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Belas palavras que os Natais que foram passando através dos séculos ajudarem a sedimentar na tradição dos povos e na prática da Caridade que Jesus tanto mandou praticar.
No tempo de São Francisco de Assis começaram a fazer-se os primeiros Presépios que porque o povo amando este santo fez questão de copiar. Séculos passados no tempo do vigésimo e passada que era a primeira metade havia em Bragança uma tradição que as crianças adoravam e os adultos praticavam; fazerem o Presépio para com figuras feitas com as mãos do povo se pudesse representar o Milagre acontecido e memorado por mais de dois milénios, numa gruta ou cabana na Filistina mais propriamente em Belém quando uma jovem mulher dá à luz o Messias que os profetas do seu Deus haviam anunciado!
Na Sé em Bragança caprichava-se para que o cenário montado fosse explícito suficientemente para que assim pudesse surtir efeito nas criaturas e as influenciasse a seguirem o exemplo daquele que viu a luz nas condições mais humildes da escala de valores da sociedade do seu tempo e ainda da que nos anos cinquenta do século vinte poderia ser comparada em milhentos lugares de Trás -os -Montes. E por isso eu amava aquele presépio que se fazia na Sé e que o olhar da criança que era eu parecia a palavra do Salvador materializada. Que lindo o presépio era.
Hoje com a idade já longa continua a ser uma, senão a mais bela recordação da minha infância.
E com o Presépio e o Natal acabava o Ano e eu fazia -me Homem.

Bragança 31 de Agosto de 2018, no dia em que se cumprem sessenta e nove anos que minha mãe numa casa da Caleja do Forte deu à luz um menino que ela nomeou como António Orlando dos Santos, e do pai tomou a alcunha de Bombadas!




A. O. dos Santos 
(Bombadas)

Representando as unidades pastorais e paróquias do concelho de Bragança, 45 andores participaram na procissão de Nossa Senhora das Graças, a padroeira da cidade de Bragança.

"Há cada vez mais pessoas à procura do exorcismo"

O bispo da diocese de Bragança-Miranda revelou hoje que há cada vez mais pessoas a recorrerem à ajuda da Igreja Católica para se libertarem do mal e das suas dependências através do sacramental do exorcismo.
"Há muitas pessoas que nos procuram a pedir ajuda e eu espero que haja mais tempo disponível para responder a estas necessidades. Este tipo de acompanhamento precisa de muita escuta e muita atenção. As pessoas com o ritmo de vida atual querem respostas imediatas, mas este processo requer fé e tempo", vincou José Cordeiro.

Em entrevista à Lusa, o prelado alerta, porém, que são necessárias muitas manifestações tidas como anormais para se optar por recorrer à celebração do exorcismo.

"Quando aparece alguém a falar línguas para as quais nunca teve formação, ou entender línguas para as quais nunca estudou ou com que não conviveu. Pessoas que fazem coisas superiores à sua idade e às suas forças ou realizam algo que ultrapassa a sua capacidade física e que reagem drasticamente diante de um crucifixo ou imagens de santos, estes são alguns dos sinais que nos dão alguns alertas para se ponderar e discernir realizar o exorcismo", exemplificou o responsável.

O bispo alerta que este tipo de sacramental só deve ser efetuado por licença expressa do Bispo diocesano e por sacerdotes a quem seja reconhecida "a sua piedade, ciência, prudência e a sua integridade de vida".

"Não se deve recorrer de imediato ao exorcismo. Deve-se tentar procurar um grupo interdisciplinar, composto por médicos, psicólogos, psiquiatras, sacerdotes, entre outras pessoas que acompanhem estas situações para se perceber onde tudo começou", adiantou o bispo diocesano.

José Cordeiro refere que há muitas pessoas que diante deste "mistério do mal" recorrem “à magia, aos cartomantes ou outras pessoas e outras dimensões que fazem destas questões um negócio".

"Estas situações de magia não libertam, ainda aprisionam mais as pessoas, já que as tornam dependentes e reféns da cura que procuram", alertou.

A oração e o rito do exorcismo é uma resposta para os crentes no sentido "de interceder junto de Deus pelo bem e pela cura e dar um novo sentido à vida da pessoa em causa, sabendo que não há salvação em nenhum outro, a não ser em Jesus Cristo".

"Da minha própria experiência pastoral, há pessoas que vêm à procura de um exorcismo, e após vários encontros, num ambiente crente e de oração, acabam por se sentir libertas por que foram ouvidas e se sentem amadas e sem necessidade de recurso ao exorcismo maior", frisou.

Para o bispo diocesano, os padres e os agentes pastorais terão de estar mais disponíveis para escutar e para a celebração do exorcismo ou para o acompanhamento espiritual das pessoas.

"Nesta reorganização feita na diocese temos tido isso em conta", enfatizou José Cordeiro.

Daí que, adiantou, será reavaliado, a breve prazo, um serviço de acompanhamento interdisciplinar na diocese de Bragança - Miranda, que trata deste tipo de casos, juntando profissionais de diversas áreas científicas e da medicina, à semelhança de outros exemplos espalhados pelo país.

José Cordeiro lembra que o exorcismo é uma celebração litúrgica, pelo que para não cair na "banalização" ou em qualquer tipo "de comercialização" tudo terá de passar pela decisão do bispo de cada diocese.

Agência Lusa

COISAS

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas..."
O coração recolhe-se numa doce lágrima,
Fecha-se a moer a saudade,
a roer alma,
Neste agosto enorme e findo.

De olhos vendados, vislumbro, o
azul imaginário dos montes
Com cortinados de veludo, bordados de
palavras puras!
Onde a raiva morre,
onde a saudade corre como um rio,
em raios de sol alvoriçados!

Na leveza dos sentidos,
no contorno doce do rosto
No roçar suave de uma asa
A esperança que renasce das cinzas!

Nasce a vida…
Na vontade de ser novamente criança
No desejo de regressar à inocência
Onde as lágrimas são escassas
e os risos enchem cestas de alegria


Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.


Participei nas colectâneas:
POEMA-ME
POETAS DE HOJE
SONS DE POETAS
A LAGOA E A POESIA
A LAGOA O MAR E EU
PALAVRAS DE VELUDO
APENAS SAUDADE
UM GRITO À POBREZA
CONTAS-ME UMA HISTÓRIA
RETRATO DE MIM.
ECLÉTICA I
ECLÉTICA II
5 SENTIDOS
REUNIR ESCRITAS É POSSÍVEL – Projecto da Academia de Letras Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina
Livros editados:
-O ROSEIRAL DOS SENTIDOS
-SUSPIROS LUNARES
-DELÍRIOS DE UMA PAIXÃO
-ENTRE CÉU E O MAR
-UMA ETERNA MARGARIDA

sábado, 1 de setembro de 2018

Pinta - oferta permanente


Bragançanos

A Aldeia de Rabal, no concelho de Bragança, recebeu mais uma edição do certame dedicado ao artesanato e produtos regionais.

O mito da vindima

Herdei da minha mãe o gosto pela terra e do meu pai um pouco mais de melancolia, mas, em novo, também era dos que adiava o regresso às aulas para ir à “festa” das vindimas.
Foto: Paulo Ricca
“Antigamente é que era… “. Sim, antigamente a vindima é que era, homens subindo de sol a sol as escadas de xisto do Douro com cestos de sessenta quilos às costas e ainda com força para quatro horas de lagarada à noite, mulheres a sorrir por fora mas tristes de pobreza e de humilhação, crianços abandonados em casa, outros a faltar à escola para ajudar aos baldes e ganhar uns tostões, patrões que só davam sinal no fim do calvário para entregarem o sapatinho à escova dos descamisados e receberem o ramo em troca de uns doces e vinho à discrição.

Sim, antigamente é que era. Gostávamos da vindima porque no resto do ano ainda era pior. “Pais e filhos jogam naquela lotaria. Não que saia prémio que se veja. Todos o sabem. Os magros vinténs que ficam no fim da novena pouco ou nada adiantam. O que é, enche-se o peito doutros ares, sonha-se à ida, pena-se à volta, e muda-se, varia-se, passam-se quinze dias que não cheiram a tristeza nem a fuligem” (Vindima, de Miguel Torga).

Nunca entrei numa roga, mas via-a a passar por Alijó, vinda das aldeias da “montanha”, ainda no concelho mas já fora da região demarcada. Homens e mulheres amontoados nos camiões da Real Companhia Velha, uns acabrunhados pela condição, outros a fazer palhaçadas e a retribuir os piropos, radiantes por passarem umas semanas fora do seu pequeno mundo. Sempre que via o camião a aproximar-se, corria o olhar por todos aqueles rostos, em busca de um bem conhecido, o do meu tio José Augusto, “arrebanhado” em Francelos, uma das tais aldeias “da montanha” de Alijó. Trabalhador incansável, era o grande animador do grupo, sempre a cantar e a dançar, algo que fez até morrer.

Era irmão da minha mãe, com quem compartia o sorriso e o gosto pelo lado festivo da vida. Herdei dela o gosto pela terra e do meu pai um pouco mais de melancolia, mas, em novo, também era dos que adiava o regresso às aulas para ir à “festa” das vindimas. Sim, permitirem-me “dar uns dias” a cortar cachos ou despejar baldes era uma alegria. Mas aquilo moía as costas. Com 13, 14 ou 15 anos parecia que nos cansávamos mais do que qualquer mulher ou homem já derreados. Faltava-nos o calo do trabalho e a vergonha de enganar o patrão. O melhor era a hora da refeição, a meio da manhã, e as cantorias e as anedotas picantes com que as mulheres e os homens animavam o dia.

Não tinha ainda idade para perceber o significado da colheita, a importância de cada cacho e de cada bago, apesar de todos os anos nos repetirem a velha história de que “foi bago a bago que a Ferreirinha fez a sua fortuna”. Nada podia ficar na vinha. Era preciso meter a cabeça debaixo da videira e catar cada bago caído. As uvas tinham mesmo valor. Um hectare de vinha já era coisa de rico. O Douro vivia quase só de vinho do Porto e meia-dúzia de pipas de vinho generoso davam para colocar um filho a estudar na cidade.

Agora… Agora quem ganha dinheiro a sério no Douro é quem compra uvas, sem se preocupar com as doenças da vinha e os imprevistos climatéricos. E sem ir à vindima. Uvas muito abaixo do custo de produção e entregues na adega, contra pagamento pelo Natal ou pela Páscoa, se o comprador for sério. É o mercado. Quando a oferta supera a procura, dá nisto.

Este ano anda um rebuliço pelas aldeias durienses com a falta de uvas, apesar das generosas previsões enviadas pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto ao Instituto da Vinha e do Vinho. Aconteceu de tudo: granizo, ataques severos de míldio, escaldão e, mais recentemente, granizo de novo. Muitos viticultores nem vindima vão ter. Mesmo assim, parece que a produção regional vai satisfazer as necessidades, porque as grandes empresas não dão sinais de querer subir muito ao preço das uvas. Quem vender a 60 cêntimos o quilo de uvas para DOC Douro já pode gabar-se de fazer um bom negócio, apesar de 60 cêntimos ser quase metade do que se paga em Monção por cada quilo de uvas de Alvarinho.

Fazendo bem as contas, há casos em que sai mais barato deixar as uvas na vinha. Há quem o faça, até porque, mais do que nunca, é difícil conseguir gente para a vindima. As famílias são mais pequenas e as aldeias estão a ficar desertas. Hoje, as rogas são cada vez mais multiétnicas e há vindimas em que a língua dominante é o romeno ou o búlgaro.

Já ninguém canta. A música que se ouve sai dos telemóveis, ao gosto de cada etnia. O princípio da nacionalidade repete-se também de forma natural na maneira como o grupo se distribui pela vinha: portugueses com portugueses, romenos com romenos, búlgaros com búlgaros. Há poucas conversas cruzadas e nenhum convívio. O que sobra é a desconfiança mútua, que só se apazigua perante o estrangeiro mais trabalhador ou já com muitos anos de Portugal.

Antigamente é que era… Sim, antigamente, a vindima era o espelho das misérias e das virtudes do Portugal rural, uma época de trabalho, solidariedade e de convívio, mas também de maledicência e de bajulação. Continua igual, mas agora é também um espelho do próprio mundo, cada vez mais xenófobo e competitivo. Tão competitivo que agora só se pára meia hora para comer uma bucha (uma sandes de qualquer coisa).

Todas as colheitas têm o seu quê de festivo. A sua importância sempre se mediu pela merenda, mais rica do que o habitual. É desse momento final, da merenda comida no campo com a família e alguns vizinhos, no melhor espírito da torna-jeira, que tenho realmente saudades. Da vindima fora do âmbito familiar e na condição de assalariado guardo apenas a nostalgia do passado, nada mais. Porque, na verdade, vindimar é um trabalho duro. Começa-se com entusiasmo e acaba-se com alívio. Mas há quem continue a pensar que é uma festa, como nos tais velhos tempos. Os mitos são assim: custam a desaparecer.


Pedro Garcias
FUGAS
Jornal Público