Já não há ilusões. Depois de termos assistido à degradação da classe política, depois de termos assistido à degradação faseada das instituições, depois de termos assistido ao aumento generalizado da corrupção que tomou de assalto os cofres públicos, depois de termos assistido ao empobrecimento da população, depois de termos assistido à degradação e controle da comunicação social, depois da constante perda de direitos, depois de tudo isto e o mais que aqui não escrevi e sobretudo depois da complacência silenciosa do Presidente da República perante a extrema gravidade do estado da Nação, constata-se que o país está à beira do tombo final.
Esta partidocracia favorecida por um sistema eleitoral pouco democrático e por uma sociedade alheada dos seus deveres cívicos, conduziu-nos ao precipício. Fez-se uma teia de leis e contraleis que favorecem uns em detrimento de outros, transformaram a justiça em injustiça e tornam intocáveis os controladores do sistema que se posicionam agora acima da lei. O dinheiro está refém de um sistema bancário usurário que cobra muito aos pobres e perdoa muito aos ricos.
O desenvolvimento do país há muito que sufocou. O património público foi vendido ao desbarato de forma a favorecer os mesmos do costume e este retângulo à beira mar plantado está agora transformado numa colónia de férias de gente endinheirada. Os portugueses nativos, afogados em impostos para pagar as isenções concedidas a quem os devia pagar, há muito que perderam a qualidade de vida e encetaram uma fuga em massa do país que concede mais direitos aos estrangeiros que aos seus próprios cidadãos. A saga da destruição da sociedade e do país no seu todo, segue a sua marcha sem que ninguém a detenha.
A dependência de países terceiros aumenta a cada dia que passa. Estamos dependentes da alimentação, do vestuário e de outros bens essenciais e para faturarmos alguma coisa dependemos do turismo. Tornamo-nos num pais onde os ordenados e as reformas do povo são na generalidade os mais baixos da Europa e onde simultaneamente se pagam os preços mais altos pelos bens essenciais. O cerco aperta-se, a corda estica e a esperança num pais melhor, justo e promissor, dissipou-se como nevoeiro em dia de ventania. Mais vez a história repete-se e os portugueses nada aprenderam com ela.

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