(pela Junta Governativa do Reino)
19.janeiro.1919 – 23.janeiro.1919
BRAGANÇA, 1.12.1872 – IZEDA, 29.4.1962
Oficial do Exército. Proprietário.
Curso da Arma de Infantaria da Escola do Exército.
Governador civil de Bragança (1919), pela Junta Governativa do Reino.
Natural da freguesia de São Pedro de Sarracenos, concelho de Bragança.
Filho de António Carlos Leitão Bandeira, grande proprietário, ativo militante do Partido Regenerador e por diversas ocasiões vereador na Câmara Municipal de Bragança, e de Maria Amália Rodrigues Galelo.
Neto paterno de Carlos Valeriano Leitão Bandeira, um dos homens mais abastados do distrito de Bragança, vereador da Câmara local e governador interino da praça de Bragança.
Casou com Maria do Coração de Jesus Cameirão Afonso (23.4.1912), de quem teve dez filhos:
António Carlos (n. 28.3.1919), os gémeos Maria Eugénia e Fernando (n. 12.1.1922), Álvaro (n. 8.3.1928), Afonso Henriques, Cristiano Carlos, José Maria, Inácio, Maria Augusta e Duarte Nuno. Cavaleiro da Ordem de Torre e Espada (1903). Cavaleiro da Ordem Militar de S. Bento de Avis (1.1.1909). Medalha de prata Rainha D. Amélia (24.3.1902). Medalha de prata de comportamento exemplar (1907). Medalha de ouro de serviços distintos e relevantes no Ultramar (1946).
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Pertencente a uma família aristocrática de Bragança, Carlos António Leitão Bandeira, depois de concluídos os estudos no Liceu de Bragança, enveredou pela carreira militar, iniciada em 6 de novembro de 1891 no regimento de Caçadores 5, como voluntário. Frequentou o Curso da Arma de Infantaria e foi promovido a alferes por decreto de 13 de maio de 1895, esteve ao serviço dos regimentos de Caçadores 7 (13.5.1896), Infantaria 6 (27.10.1896), Infantaria 14 (26.1.1897), Infantaria 11 (31.3.1897) e Caçadores 3 (30.6.1897).
Em 1898, foi, por escasso tempo, professor do 2.º ano na Escola Regimental e em setembro de 1899 passou ao regimento de Infantaria 10.
Em abril de 1900, foi requisitado para uma comissão de serviço dependente do Ministério da Marinha e Ultramar no distrito de Timor. Desembarcou naquele território em julho seguinte, e ali fez parte das forças em operação contra os rebeldes na região de Aileu e no reino de Manuhafi, chegando a adjunto do chefe de Estado-Maior em Timor. Enquanto estava nesta comissão de serviço, foi promovido a tenente (24.8.1901). Deixou Timor em 1903, e pelo seu desempenho naquele território ultramarino foi agraciado, em 1902, com a medalha de prata Rainha D. Amélia.
Regressado a Portugal, foi nomeado ajudante de campo do comandante da 12.ª Brigada de Infantaria (19.9.1903) e passou à situação de adido por ir servir na Guarda Fiscal (16.11.1905).
Em junho de 1906, foi promovido à patente de capitão e no mês seguinte embarcou para Angola, para servir na 8.ª Companhia Indígena de Infantaria, sendo depois nomeado capitão -mor do Cuango. Fez parte da coluna de operações Além-Cubango entre agosto e novembro de 1906, tomando parte em diversos recontros.
Mais tarde, foi promovido a major do Regimento de Infantaria 32 e depois a tenente-coronel, passando para o Regimento de Infantaria 10, em Bragança. Era comandante deste último Regimento quando foi proclamada a Monarquia no Porto, em 19 de janeiro de 1919, aderindo à restauração monárquica liderada por Paiva Couceiro. No mesmo dia da proclamação, foi nomeado governador civil de Bragança por despacho da Junta Governativa do Reino, com sede no Porto, constante da nota do comandante militar da cidade de Bragança, José Aurélio Ferreira Machado.
Dois dias depois, na madrugada de 21 de janeiro, começaram a ouvir-se em Bragança os “vivas” à Monarquia e a D. Manuel II. Com efeito, nesse dia, aderiu ao levantamento monárquico, além do regimento comandado por Carlos Leitão Bandeira, também o regimento de Infantaria 30. Depois de solenemente proclamada a Monarquia em Bragança, pelas 11 horas da manhã, com a formatura de todas as forças da guarnição, que em seguida desfilaram pela cidade, Leitão Bandeira foi investido no cargo de governador civil, por despacho da Junta Governativa do Reino.
José Aurélio Machado, comandante de Infantaria 30, prendeu então vários oficiais que declararam não acatar as ordens da Junta, e enviou para Mirandela uma força do comando do capitão Inocentes, para aí proclamar a Monarquia. A proclamação da Monarquia em Bragança foi seguida de assaltos a casas de republicanos, e numerosos estabelecimentos comerciais de Bragança foram assaltados e vandalizados, o mesmo acontecendo ao Grémio Brigantino da cidade, movimento espontâneo que ficaria conhecido por Traulitânia.
Contudo, a sua vigência reduziu-se a três dias, uma vez que, em 23 de janeiro de 1919, apesar dos esforços de José Aurélio Machado para sufocar os republicanos, o regimento de Infantaria 10, à revelia do seu comandante Leitão Bandeira, juntamente com o 6.º grupo de Metralhadoras e alguns civis, levantaram-se aos gritos de “vivas à República” e ocuparam a cidade, “batendo os grupos monárquicos civis que abriam fogo contra as nossas patrulhas avançadas”, de que resultou a morte de um soldado. Nesse dia, segundo o Boletim Republicano do Distrito de Bragança, já “as bandeiras republicanas flutuavam nos edifícios públicos e nas casas particulares da cidade”, num autêntico volte-face, que levou ao imediato afastamento de Leitão Bandeira como governador civil.
Com a capitulação monárquica, Carlos Leitão Bandeira foi julgado no Tribunal Militar do Porto e condenado a cinco anos de degredo, que depois lhe foram comutados. Demitido do Exército por decreto do Ministério da Guerra de 20.2.1919, apenas foi reintegrado em 1.9.1931. A sua reabilitação culminaria com a atribuição da Medalha de Ouro de Serviços Distintos e Relevantes do Ultramar, com a indicação “Homenagem Nacional aos Heróis da Ocupação do Império”, por decreto de 10 de setembro de 1946.
Além de militar, foi também um grande proprietário em Izeda, concelho de Bragança.
Homem de uma cultura superior, o Museu de Bragança ficou a dever-lhe uma lápide de granito que ele próprio encontrou em Izeda, dedicada a Jovi Optimo Maximo.
Faleceu em abril de 1962, aos 89 anos, ficando sepultado em Izeda, no jazigo de família da sua mulher.
O papel de Bragança em defesa da República,durante a Monarquia do Norte (1919)
O movimento revolucionário do dia 23 de fevereiro, levado a cabo pela guarnição desta cidade e por um grande número de civis, foi um golpe audacioso e feliz, posto em cena com uma mestria rara.
A Bragança cabe a honra de ser a primeira cidade da província que sacudiu o jugo monárquico, proclamado a dia 21 de janeiro. Já no dia 23 as bandeiras republicanas flutuavam nos edifícios públicos e nas casas particulares da cidade. Tendo acabado de desempenhar esse papel glorioso e tendo prestado esse relevante serviço ao regímen, Bragança destaca em seguida um grande reforço para Chaves, a fim de defender aquela vila, ameaçada pelas colunas realistas de Vila Real.
Depois preparava-se para a organização defensiva de Mirandela, vila de uma importância estratégica grande. Quase todos os seus elementos de combate para ali são enviados.
Voluntários da República e forças do Exército, e Guardas Fiscal e Republicana para ali seguem, à medida que se vão concentrando na cidade. Todas as munições existentes têm o mesmo destino.
Hoje pode dizer-se sem inconveniente algum que Bragança quási se desarmou para defender Chaves e Mirandela. Quando se deu o último combate de Mirandela em Bragança, havia apenas para cada Mauser cinco cartuchos. Há muita gente que desconhece este facto, que é absolutamente verdadeiro.
A defesa de Mirandela constitui uma das páginas mais brilhantes desta campanha contra os inimigos do regímen. Oficiais, voluntários e praças, todos ali se cobriram de glória.
Essa resistência de dez dias em Mirandela levada a cabo pelas forças de Bragança atrasou enormemente a ocupação de parte do distrito pelas forças realistas e deu tempo a que outras colunas, tendo efetuado a sua concentração, marchassem ao seu encontro com o fim de as aniquilar.
Fonte: Boletim Republicano do Districto de Bragança, n.º 1, de 26 de março de 1919.
Fontes e Bibliografia
Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Boletim Republicano do Districto de Bragança, n.º 1, de 26 de março de 1919.
Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal, n.º 1, 19.1.1919.
Diário do Governo, 2.ª série, 22.2.1919.
Ilustraçao Portugueza, II série, Lisboa, 1919.
ALLEGRO, José Luciano Sollari. 1988. Para a história da Monarquia do Norte. Amadora: Bertrand.
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. VII, X e XI.
Bragança: Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus.
BANDEIRA, Lourdes Leitão, 2010 – A família Leitão Bandeira de Bragança. Bragança: Câmara Municipal de Bragança.
SOUSA, Fernando de (coord.). 2013. Bragança na Época Contemporânea. Bragança: Câmara Municipal de Bragança.
Publicação da C. M. Bragança

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