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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Cafés e restaurantes temem quebras de facturação devido à redução do horário de funcionamento a partir de hoje

 Começou hoje o confinamento parcial em 121 concelhos, entre eles 5 do distrito de Bragança.
Os proprietários dos cafés e restaurantes queixam-se das quebras de venda devido à pandemia e apontam que a situação vai agravar-se com as medidas restritivas. A partir de hoje, nos concelhos que entram em confinamento parcial, estes estabelecimentos têm que fechar às 22h30. Rosa da Veiga, proprietária de um restaurante em Bragança, diz não concordar com estas regras e conta que tem sido difícil manter o negócio aberto. “Tem pouco sentido, porque quem vai jantar fora prefere estar um bocado relaxada e ir jantar fora para continuar a olhar para o relógio tem pouca piada. Acho que as pessoas não vão sair de casa. Na semana passada houve pouco movimento ou quase nenhum”, refere.

Rosa da Veiga é também proprietária de uma confeitaria e conta que, apesar das restrições, ainda tem tido algum movimento, mas as pessoas “ficam menos tempo”.

Magno Gonçalves é proprietário também de um café em Bragança e diz concordar com as restrições e que as quebras de venda vão ser ainda mais acentuadas. “Se é para bem de toda a população e de todo o cidadão acho bem. Já sabemos que tem sido uma miséria para o negócio, tem sido fraco, já as coisas não estavam bem, agora com certeza que vai diminuir um bocado”, afirma, explicando que teve quebras de 40 a 50% nos últimos meses.

Ao fim-de-semana os cafés ganham algum movimento depois das dez da noite. Com o encerramento às 22h30, André Guedes, proprietário de outro café, estima que vá ter agora quebras de quase três mil euros.

“A partir das 22h30, principalmente ao fim-de-semana, é quando se factura mais, vai ser ma diferença de menos 2 a 3 mil euros por mês. Funcionários ao mínimo dos mínimos e esperar que as pessoas se tentem adaptar à nova realidade”, afirmou.

Declarações de proprietários dos cafés e restaurantes que estimam que agora com a redução de horário vão sofrer quebras de facturação ainda maiores. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

Despiste de camião causa ferido grave em Torre de Moncorvo

 Um acidente com um veículo pesado de mercadorias provocou, esta manhã, um ferido grave.
O camião despistou-se pouco antes das 8 da manhã, na Quinta do Inferninho, em Torre de Moncorvo. A viatura capotou e o condutor, um homem de 32 anos, ficou encarcerado, segundo informações do comando distrital de protecção civil.

O ferido teve de ser transportado pelo helicóptero do INEM para o hospital de Santo António no Porto.

Além dos Bombeiros Voluntários de Torre de Moncorvo e do Helicóptero de emergência médica, esteve no local uma ambulância de Suporte Imediato de Vida. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: OTC

terça-feira, 3 de novembro de 2020

CASTELO DE VILA FLOR

O “Castelo de Vila Flor” localizava-se na freguesia, vila e concelho de Vila Flor, distrito de Bragança, em Portugal.

Tinha como função a defesa da povoação e deste trecho do caminho de Santiago na região. Do conjunto resta-nos hoje apenas um pequeno troço da primitiva cerca da vila, e o chamado Arco de D. Dinis. Inscreve-se na Região de Turismo Nordeste Transmontano.


História


O castelo medieval


Admite-se que, à época da Reconquista cristã da península Ibérica, a povoação foi fundada por volta do século XI, dentro da política de repovoamento do território promovida pelos reis de Castela. Sede de Concelho, foi inicialmente conhecida como "póvoa de além Sabor", uma vez que se situava além daquele rio, com relação ao reino de Castela.


Compreendida nos domínios do Condado Portucalense, passou a integrar o território português quando da sua emancipação política.


O topónimo Vila Flor é pela primeira vez referido documentalmente na carta de foral passada por Diniz I de Portugal (1279-1325) elevando a povoação a vila (24 de maio de 1286). Reza a tradição local que, quando da sua passagem a caminho da raia mirandesa, indo receber a sua noiva, D. Isabel, o soberano ficou tão impressionado com a exuberância da paisagem e a variedade das flores campestres, que a rebatizou como “Vila-Flor”. No mesmo ano nova vila recebeu a concessão de toda a parte norte do termo de Santa Cruz de Vilariça. Datará deste período a construção do castelo, citado pelo próprio soberano já em 1295, numa carta resolvendo uma contenda entre os concelhos de Vila Flor e Torre de Moncorvo por "razom da fortaleza que mandei fazer em essa vila da torre de meencorvo, e porque eu mandey que metesedes as terças das eigrejas de vila frol primeyramente, e depois que er metesedes as terças da torre de meencorvo na fortaleza de vila frol".


Fernando I de Portugal (1367-1383) doou a vila a João Rodrigues Portocarreiro (1381).


A povoação tomou impulso ao final do período medieval ao acolher famílias judaicas expulsas de outras regiões da Europa, e que aqui desenvolveram a agricultura, o comércio e as manufaturas de curtumes e ourivesaria.


Do século XVI aos nossos dias


Manuel I de Portugal (1495-1521) passou-lhe o Foral Novo (4 de maio de 1512), reformando o anterior. A nova política com relação aos judeus em Portugal, entretanto, afugentou essa população, o que conduziu ao abandono de domicílios e de ofícios e ao declínio da vila.


No século XVIII registou-se a demolição da torre reaproveitando-se a sua pedra para a construção da nova Igreja Matriz.


Na segunda metade do século XIX, por iniciativa da Câmara Municipal, foi demolida uma das portas da cerca (1861), assim como a porta do Rossio, que se abria para o largo do mesmo nome (1868). Em 1875 PINHO LEAL referiu:


"(…) no local que hoje occupa a egreja matriz e que é o ponto culminante do bairro murado (...) houve em tempos remotos um castelo ou torre de menagem. Tendo cahido em ruinas e tornando-se inutil depois da invenção da artilheriam não mais restauraram aquellas obras de defesa e com a sua pedra construíram a egreja anterior á egreja actual, no mesmo sitio do castelo ou da torre" (Op. cit., p. 732.)


O mesmo autor refere ainda a existência, junto à Porta da Vila, de um pequeno lanço das velhas muralhas, tendo contígua uma casa de dois andares (reformada em nossos dias), e denotando grande antiguidade, parecendo ter sido uma torre ou fortim para defesa da dita porta. (Op. cit.)


Em 1944 as vistorias para elaboração do processo de eventual classificação do castelo de Vila Flor constataram que somente restava o arco da Porta Sul (ou de D. Dinis), assim como uma estrutura anexa que faria parte da cerca. Esse conjunto encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 40.361, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 228, de 20 de outubro de 1955.


Nos anos de 1961-1962 um dos proprietários da casa que se adossa à Porta reportou o estado de ruína da estrutura, tendo solicitado à Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) uma intervenção. Sem resposta, em março de 1964, formulou uma queixa, da derrocada de uma parte do imóvel, em virtude do mau tempo, declarando-se estar perante situação de perigo. Entre 1964 e 1965 teve início o processo de compra do imóvel pelo Estado, tendo a DGEMN iniciado, em 1965, os trabalhos de desafogo da muralha e consolidação do arco da porta. Na ocasião foi demolido o prédio em ruína e efetuada a limpeza do terreno libertado e a consolidação do cunhal do prédio contíguo, entre outros.


Em 1999 a Câmara Municipal procedeu o arruamento, a quando do licenciamento pelo Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR).


Do conjunto resta apenas uma portada de arco apontado granítico, onde são visíveis os entalhes para o encaixe das portas, designada por Porta da Vila ou de D. Dinis, defendida por uma torre semicircular, virada a sudeste., construída em pequenos blocos de granito e xisto. Existe ainda uma pequena parte de pano de muralha, mas encontra-se, na sua maioria, embebida na malha urbana, e, por isso, imperceptível. O ligeiro declive é compensado por grandes degraus, calcetados à portuguesa.


Características


Na cota de 537 metros acima do nível do mar, o castelo, urbano, seria constituído pela torre de menagem (PINHO LEAL, 1875:732) e por uma cintura envolvente de muralhas, na qual se rasgavam originalmente cinco portas. Dessas portas restam apenas os vestígios de uma, denominada como Porta Sul ou Arco de D. Dinis, em arco apontado, com as dimensões de 3,5 metros de largura por 4 metros de altura, defendida por duas torres de planta semicircular.


Existem ainda vestígios de um adarve, ou caminho de ronda. A torre e os panos murários que restam são construídos em alvenaria de xisto miúdo.


in:fortalezas.org

DÁ QUE PENSAR…

O Copinhos
 Ao ver através da janela televisiva as longas e demoradas filas de mulheres e homens do credo benfiquista (também sou crente) a esperarem durante horas a sua vez de votarem em tempos de pandemia, de distanciamento, de máscara sobre a boca e o nariz, recordei-me do Tratado de Paixões da Alma do filósofo mais conhecido por Penso, logo existo, ou seja René Descartes. 
O fenómeno da atracção humana pelo jogo tem motivado a atenção de eminentes figuras das áreas da cultura, da filosofia, da antropologia, da sociologia e disciplinas artísticas. Desde Johan Huizinga a Roger Callois, passando por Georges Simmel, Norbert Elias, Desmond Morris e Lévi- -Strauss, cito os que li atentamente, legaram-nos elementos suficientes para reflectirmos acerca desta paixão não raras vezes a resvalar para o grau zero da irracionalidade, do desprezo por si próprio, da queda na cloaca de todo o género de indignidades. Aquela multidão de votantes receberam incómodos que se lhe fossem impostos soltariam gritos, imprecações e queixas ululantes, a receberem a frialdade da noite, expostos ao contágio de um vírus virulento evidenciando enorme apetite por humanos de grossa e perigosa idade é vibrante exemplo de que as paixões tal como os gostos segundo os Romanos não se discutem. 
Um apressado regresso a Bragança dos anos sessenta do século passado faz emergir um nutrido conjunto de apaixonados pelos seus clubes, os ora chamados tifosi de gritos, insultos e algumas cenas de pugilato, porém longe do hooliganismo que personifico em A Laranja Mecânica. O benfiquista Sr. Alberto Rodrigues da Sapataria da Moda ostentava na lapela do casaco o emblema ornado de pedras preciosas e o cartão de sócio, não mostrava exuberâncias durante ou após os jogos, ao invés os também sócios. O Sr. Álvaro do Flórida e irmão Manuel inflamavam-se logo que o árbitro silvava a descontento, enquanto o Sr. Augusto Poças (Pincelas) ficava furibundo, o benquisto Augusto deslocou-se a Berna, aparecendo triunfante ao lado do goleador Águas provocando emoções gozosas e invejas na cidade. Sim, noutro patamar, o dos apaixonados sem a insígnia de sócio, caso do Fígaro Carlos Gardel ou o Sr. Cândido Parente o extravasar de paixão pelo clube que, durante muitos anos prescindiu de jogadores estrangeiros pois abastecia-se nas colónias, era total e, todos sofriam quais mártires modernos na altura das derrotas. 
Então e os «doentes» de outros clubes? Existiam em bom números – calmos, acelerados, furiosos e fanáticos –, recordo a bonomia do portista Sr. Queirós, as birras do também portista Sr. Roque da Silva Moura, os dois faziam reluzir os custosos emblemas, as imprecações do cauteleiro Sr. Guedes, também dos andrades, no entanto, a perder rotundamente no confronto com o sportinguista Toilas que merece a Senhoria mas deu-me vontade de o apelidar sem ela porque assim lhe chamávamos. O pasteleiro Sr. Ribeiro respingava em língua de fogo, de dragão, a torto e a direito ao receber um dichote, mesmo que enrolado num bolo de arroz. Outros nomes ficam no tinteiro da memória porque o espaço não estica, dos mais novos trago à colação o meu estimado amigo Adalberto Castro, adepto do mítico animal dragão, o qual sempre aceitou as minhas ironias, ironias de um benfiquista fiel leitor do trissemanário A Bola, filho de um incandescente que ia rezar nas igrejas pedindo benesses ao Altíssimo destinadas a concederem vitória ao Glorioso. 
Se as preces não surtiam efeito, salpicava-o, humuradamente, de pouco valerem as orações interesseiras. Não apreciava o comentário. Por influência do Ivo Pinho (águia d’ouro e outros águias douradas e prateados) durante algum tempo frequentei o Estádio da Luz, os dogmáticos eram muitos e vesgos, idêntica visão distorcida pulula no reino dos lagartos e parque dos animais criados pelo medo dos homens o breu do desconhecido. Agora, há indícios de regressarmos à época dos alumbrados, os misticismos derivados da pandemia, a sulcarem as redes sociais e as televisões procuram iluminarmos no emaranhado das trevas pandémicas, por isso o jogo rei, o futebol, que os ortodoxos marxistas e maoístas diziam ser uma das expressões da alienação do povo, sustenta o revigoramento da paixão pelo viver no coração de muitos milhões de pessoas confinadas a pensamentos turvos, tristes e trágicos. Daí a prova de vitalidade no dia e noite de 28 de Outubro. 
Nos últimos anos vou a Bragança em voo de pássaro, numa dessas viagens fui a uma casa de comeres chamada Copinhos. Trata-se de uma eclatante capela benfiquista à qual espero voltar quando a peste sucumbir. 
Não se esqueçam: usem máscara!

Armando Fernandes

Resíduos do Nordeste quer incentivar à separação do lixo com guia para a gestão circular

 A Resíduos do Nordeste criou um guia para a gestão circular de resíduos.
O objectivo é incentivar à “alteração comportamental” dos cidadãos, para aumentar os níveis de reciclagem e reutilização dos resíduos. O guia apresenta um conjunto de orientações, explica o presidente da empresa intermunicipal, Hernâni Dias.

“Tem a ver com a forma como devemos comportar perante o lixo que produzimos diariamente, uma das coisas é tentarmos fazer com que consigamos colocar a menor quantidade de lixo nos contentores de lixo indiferenciado e fazermos a deposição nos ecopontos”, explicou.

A partir 2024, a recolha selectiva vai ser obrigatória e em 2027 está previsto que acabem os aterros de lixo. Segundo Hernâni Dias, a Resíduos do Nordeste está a preparar uma candidatura para promover a recolha selectiva de bio-resíduos.

Em Maio deste ano, o Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos aprovou uma candidatura da Resíduos do Nordeste, no valor de 960 mil euros, que vai permitir tratar, diariamente, 30 toneladas de bio-resíduos recolhidos selectivamente. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

“JUDEUS” EM BRAGANÇA: ANOS DE 1700: QUADROS SOCIAIS- PRENDER JUDEUS PARECE CAÇA DE COELHOS

 Ser Tabelião do público, judicial e notas, era, em tempos de outrora, emprego de muita importância e responsabilidade, concedido por mercê d´el-Rei. Ainda de maior responsabilidade, importância e proveito era o cargo de Correio. Pois, na cidade de Bragança, pelos anos de 1700, Francisco Correia acumulava estes dois empregos. E ainda um terceiro, menos remunerado e de menor visibilidade, mas para o qual se exigia muita confiança e seriedade – o de escrivão do Fisco. Competia-lhe fazer o registo de todos os bens, móveis e imóveis sequestrados às pessoas, nos respetivos termos, que eram mandadas prender pela inquisição. 
Para além desses empregos, Francisco Correia tinha uma fazenda avaliada em 4 mil cruzados. Homem de elevado estatuto social, por todos considerado cristão-velho, quis ascender ao reduzido círculo dos Familiares da inquisição que, na área do concelho de Bragança, o decreto regimental publicado em 1693,  limitava a 8 titulares. Não o atingiu, porque não conseguiu provar que Maria da Rocha, sua avó materna, era cristã-velha. Sabia-se apenas que era filha de uma mulher que tinha vindo da Galiza para Soeira, Bragança, dizendo alguns que esta viera como criada de servir e o patrão, Francisco da Rocha, lhe arranjara a tal filha, que casou com Francisco Vilela, do Porto, fixando o casal a morada em Soeira.  A acrescentar suspeitas, apareceram testemunhas a dizer que ele era parente de Maria Teixeira,  que morava na Rua Direita de Bragança e foi presa pela inquisição, bem como o seu filho, José Correia. 
Vejamos agora como devia proceder-se ao sequestro dos bens, socorrendo-nos do Professor António Borges Coelho que escreve: - Ao recado por escrito dos inquisidores, anunciando que se vai proceder à prisão de fulano com sequestro de bens, o juiz e escrivão do Fisco comparecerão “com muita diligência” chamando à sua mão “todas as chaves das tais casas, e das arcas e escritórios” para que se não possa sonegar nem esconder cousa alguma. Estará presente, além do escrivão e do juiz do Fisco, um outro escrivão ou tabelião, para dar fé do inventário.  Resulta, assim, que a presença de Francisco Correia era indispensável quando em Bragança se prendiam os “hereges” com sequestro de bens, para fazer o registo de tudo, incluindo os que o juiz do Fisco mandava vender em “pública almoeda”. 
A propósito destes leilões de bens sequestrados (nomeadamente os bens perecíveis, como o pão, o vinho e outros géneros alimentícios), deve dizer-se que, em 5.2.1622, o inquisidor-geral Fernão Martins Mascarenhas concedeu autorização aos próprios funcionários e agentes da inquisição para neles licitar. Está-se mesmo a ver… como os homens do santo ofício e os seus amigos devoravam os bens dos presos. Por outro lado, os que eram presos, ou desconfiavam que o poderiam ser, procuravam maneira de os esconder, ou, em conluio com parentes e amigos, dizer que determinados bens eram destes e não deles e combinar dívidas e créditos, que lhe devolveriam mais tarde, ou entregariam a seus familiares. Todos os meios que a imaginação permite utilizariam para salvar o máximo de seus bens. 
Por seu turno, as prisões eram efetuadas com todo o segredo, muitas vezes ao domingo, à saída da missa, de modo a evitar que os réus fugissem ou oferecessem resistência. Sim, que às vezes resistiam, como aconteceu com João Oliveira, de Carção, que lutou e esfaqueou com uma navalha o padre que o ia prender, armado com uma catana, quando aquele vinha por um caminho com uma carga de folha de amoreira.  Ainda sobre prisões e sequestro de bens, será oportuno transcrever das “Notícias Recônditas” o seguinte excerto: - Na mesma hora que o prendem, lhe poem na rua sua mulher e filhos. Atravessam-lhe as portas. Fazem inventário de todos os bens. E como se a mulher não tivera parte neles, fica despojada de tudo, sem nenhum remédio. E quando são marido e mulher ambos presos, ficam os filhos em tal desamparo que, em muitas ocasiões, meninos e meninas de 3 e 4 anos se escondem nos alpendres das igrejas e nos fornos (…) pedindo pelas portas. Situemo-nos agora em Bragança, no ano de 1713, ano que começou com mais uma vaga de prisões, logo no mês de Janeiro. Com efeito, foram então presas umas duas dezenas de pessoas, acusadas de judaísmo, entre elas, Miguel da Silva, um homem “riquíssimo de mais de 15 mil cruzados”. Não sabemos quanto rendeu a “caça” (o termo é de Francisco Correia) para o Fisco e que bens terão sido leiloados em “pública almoeda”. Muito poucos e bem pouco renderiam, a crer nas queixas daquele escrivão do Fisco. 
A razão é que, em Bragança, naquela época, porque não havia segredo, antes se anunciava as prisões, com “4 badaladas”. Depois, as prisões eram feitas pelo comandante militar, que era de fora e não conhecia as pessoas e ia com os soldados pelas ruas, perguntando por fulano e sicrano. Efetuadas as prisões, cada soldado procurava abotoar-se ao que podia, se bem que, entretanto, na generalidade dos casos, as casas fossem “limpas” de bens móveis pelo próprio e seus familiares e amigos, como já se disse. De tudo isto, melhor que nós, deu conta aos inquisidores de Coimbra o escrivão Francisco Correia, em carta de 3.7.1713. É um documento interessantíssimo, revelador do ambiente que rodeava as prisões, em nome da inquisição. Vejam: - Muitas vezes tenho dobrado papel para fazer a V. Senhorias esta queixa e nunca me resolvi a fazê-la, com os receios de que fosse menos aceite. A causa é que, como sou escrivão das execuções do fisco e juntamente pretender, há muitos anos, para ser familiar, entendi sempre ser menos querido de V. Senhorias. 
Mas como vejo as prisões serem feitas cada vez pior, com tão má forma e disposição que os bens dos presos os furtam ou lhe ficam outra vez em casa, por isso me decidi fazer este aviso, levado do zelo do santo ofício e dos bens do fisco. (…) E peço a V. Senhorias segredo, que isto bate com um pároco e com um general de armas, que me podem deter desgraças no sertão da terra; porém pode haver outros meios e caminhos para tudo se segurar. Este comissário, assim que vem ordens desse santo tribunal para prender, as entrega ao general das armas para que as dê execução, e é certo que cada um deles quer acertar, porém como este fidalgo não conhece a gente da terra, se fia em cabos, maiores e menores, de maneira que para prenderem Fulano, vão 3 ou 4 e vão a diversas ruas, perguntando por Fulano. E para este efeito, para avisar-se para as prisões, dão 4 badaladas em um sino, aviso total para o judaísmo se levantar da cama e se pôr em fugida. 
Este é o desacerto para as prisões e outros muitos que, por não ser molesto, não relato. Só digo que, no dia de qualquer prisão, parece caça de coelhos. E por esta causa, os soldados furtam os bens, e outras muitas pessoas e talvez os mesmos de casa, como foi a prisão feita a António Mendes, sapateiro, que foi preso em 6 de Junho passado, e 4 horas depois de preso, se deu parte á justiça, tempo que, quando eu entrei em casa, não havia outra coisa nela senão 1370 (réis) de inventário, tendo ele feito 100 000 3 dias antes, em coiros bezerros e sapataria. Um homem com tanto trato e cabedal, se não lhe achou mais, e desta sorte se têm sumido os bens dos outros presos, (…) e a que teve maior descaminho foi o de Miguel da Silva, que sendo riquíssimo, de mais de 15 mil cruzados, se lhe não sequestraram 100 mil réis. E a causa foi que lhe deram assalto em casa para o prender, e como não o achassem, o foram prender 5 léguas desta cidade, e entretanto os de casa a limparam. E ultimamente nem um preso tem ido sem haver roubo na casa em seus bens, ou seja feito pelos da casa ou pelos guardas militares que se lhe põem, de que se tem tirado devassas, mas com isso o fisco perde o seu e as prisões vão como vão. 
Esta mesma presa que leva o portador desta, romperam a parede da casa para lhe furtar vinte e tantas formas de fazer sapatos que se acharam em outra casa, já vendidas. O mesmo que foi nesta e em todas as mais. E por isso, seus sequestros não chegam para os alimentos e fica o santo ofício leso e o fisco grandemente prejudicado. V. Senhoria porá remédio nisto como melhor lhe parecer que, se não fora em mim os muitos anos que tenho de idade, havia de ser eu o portador deste aviso e não havia de ser por papel, a respeito do segredo…

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães

O que guardamos em nós

Por: António Orlando dos Santos (Bombadas)
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...") 

A foto que destapou as recordações
 da minha cidade.
Quase na base da árvore do
 lado esquerdo
vê-se a casa onde nasci.
Vi no Facebook uma foto publicada por Henrique Martins que me fez abrir o baú de recordações e me transportou para outro tempo que foi para mim marcante. 
A primeira reacção foi de nostalgia que se mudou em gáudio por me ser possível rever o local onde nasci, como era nos tempos idos da minha vinda ao mundo. Ainda resta algo das imagens que nos dão a perspectiva de uma cidade velha, quiçá decadente mas pronta para encetar a tarefa que lhe competia de se renovar para o futuro sem renegar o passado. 
E a vida na sua máxima expressão estava ali, naquela rua, naquela gente, naquela comunidade que vivia ali e trabalhava dispersa pela cidade em todos os lugares que foram os da minha criação e que hoje estão diferentes mas mais agradáveis pois que aconteceram factos e se fez obra que democraticamente se pode contestar mas que é palpável e concreta com o timbre das nossas forças e da nossa capacidade.
Mas não são as pedras, que contam, pois que elas não falam, foram as pessoas que me ensinaram, me deram carinho e me emendaram, me mostraram a estrada e me prepararam para a caminhada desta vida já quase passada, mas que se fez com os que me acompanharam nos caminhos lisos e nos penhascais, que alguns pisei com os meus iguais.
Essas imagens que hoje revi fazem-me lembrar de muita gente e muitos momentos que ficaram gravados na minha memória e é só destapar um pouco, para surgirem em catadupa e fluírem livres pelos olhos da minha alma.
Sou homem mas foram as mulheres que mais influenciaram o meu carácter, a minha mãe, a minha irmã mais velha e todas as outras, da minha rua ou não, que todas elas foram parte da minha criação. As  que viviam no tempo em que eu cirandava pelos quatro cantos da cidade em todas as ruas, umas mais serenas  e outras mais loquazes, as que me corrigiam e as que me ralhavam.
Eu era livre como os passarinhos e todos me conheciam, daí eu ter conversa com todos eles, e cedo aprendi que as pessoas sendo todas iguais, umas eram de um feitio e outros de diferente modo. Mas eu já apreendera que todas mereciam o meu respeito, a minha amizade e em lugar cimeiro a minha solidariedade.
E lentamente fui crescendo e assimilando a minha cidade que tinha em si tanta gente boa que trabalhava, estudava, ria e chorava. E a minha alma estava com eles, com os que comigo sentavam nas carteiras da Escola da Estação e obedeciam à ordem imperativa, mas de tom suave da minha querida professora Dª Isabel Belchior, ou comigo jogavam à bola na Cortinha da Albininha Guerra, ou me acompanhavam nos cânticos dolentes de índole religiosa, quando em Janeiro cantávamos à Senhora da Paz. Os que comigo iam ao futebol, ver o Zurdo e o Micá, o Olegário e o Chico Ferreira, o Zé Santana e o João Reis, o Simeão ou o Taiti.
Primeiro foram os tempos da inocência que a minha mãe cuidou e soma dos dias que me despertaram para o grupo de amigos de infância e depois o grupo que fez de mim um homem, mas foi com a geração mais velha a dos meus pais que me fiz capaz de ser quem sou com toda a humildade que seja necessária.
Tenho em outros desabafos mencionado alguns dos homens que me marcaram positivamente, os que me ensinaram com o seu exemplo e palavras certas a acreditar nos homens e a sentir-me seu irmão. O meu pai e o meu irmão mais velho, alguns dos que com eles labutaram na construção de muitas casas nesta cidade, o meu sapateiro, Senhor Malã, o meu amigo, Alberto Garrido, a esmagadora maioria dos comerciantes da Cidade, que nesse tempo eram muitos e sempre prontos a darem uma lição de boas maneiras aos garotos que diziam eram o futuro da humanidade. 
As lições que se escutavam na Barbearia Ideal, com gente de palavra escorreita e atitude equilibrada, foram luzes que me aclararam o caminho às vezes escuro que percorri. Não deixarei de mencionar o meu patrão Zé Poças que me ensinou a ser sereno, atento e trabalhador. Foi um homem de Bragança a quem a cidade muito deve e a quem ainda não se fez justiça, pela sua finura de trato e capacidade empreendedora e compromisso para com a Cidade. Um dia cumpriremos com o dever que temos de dizer aos nossos filhos e netos quem foi este homem, a quem nem uma pedra que diga que ele está ali sepultado fomos capazes de levantar.
Vai longo este relembrar de actos de uma vida que uma foto destapou.
Quero dizer-vos que eu como todos os outros tive mestres no meu ofício que foram influentes no construir da minha vida mas os que mais me transmitiram um sentido que me norteou neste tempo longo que se apressa, foram as mulheres que me criaram e os homens que me ensinaram. Eram gente da minha terra e por isso me sinto agradecido e orgulhoso de lhes pertencer. (Sentei-me à mesa redonda/Bebi da malga que esconda/Um beijo de mão em mão/Povo, povo eu te pertenço/Deste-me alturas de incenso/Mas a tua vida não/. (Pedro Homem de Melo).



Bragança 29/10/2020
A. O. dos Santos
(Bombadas)

"COMPRA NO COMÉRCIO LOCAL".

 Não fique indiferente, há causas que são de todos.
O comércio local está a enfrentar dificuldades severas e as consequências vão afectar toda a sociedade. Não podemos reivindicar apoios da administração local ou central e cada um de nós nada fazer, não dar o nosso contributo. Por isso insistimos, "COMPRA NO COMÉRCIO LOCAL".

O Presidente da Câmara de Bragança, Hernani Dias, junta-se à ACISB neste apelo que fazemos a cada um de vós. "Acredita, TU podes fazer a diferença".

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Clube Académico de Bragança

 

BRAGANÇA: coração de Portugal

Detido por posse ilegal de armas no concelho de Moncorvo

 A GNR deteve um homem de 60 anos por posse ilegal de armas no concelho de Torre de Moncorvo.
A investigação pelo crime de ameaças com arma de fogo decorria há oito meses e no seguimento das diligências policiais, os militares apuraram que o suspeito tinha armas de fogo em situação ilegal. Dando cumprimento a um mandado de busca domiciliária e outro a veículos apreenderam quatro caçadeiras, duas armas de ar comprimido, uma espingarda de fogo, 532 munições de diversos calibres e um punhal.

Foi constituído arguido e os factos remetidos para o Tribunal Judicial de Torre de Moncorvo.

Escrito por ONDA LIVRE

Três feridos em acidente no IC 5 no concelho de Mogadouro

 Um acidente no IC5, no concelho de Mogadouro, fez esta manhã três feridos, um deles em estado grave.
O despiste da viatura ligeira de mercadorias, aconteceu cerca das 7h45 perto da aldeia de Urrós, zona onde havia algum nevoeiro. 

Os feridos, todas da zona de Amarante, foram transportados para o hospital distrital de Bragança pelos bombeiros voluntários de Mogadouro e ambulância de Suporte Imediato de Vida do Centro de Saúde local, que contaram com o apoio da Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Bragança. No local esteve ainda a GNR. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

O Movimento Cultural da Terra de Miranda luta por mais justiça territorial: com propostas, ideias, ações e rostos.

 O Movimento Cultural da Terra de Miranda  luta por mais justiça territorial: com propostas, ideias, ações e rostos. Não somos contra ninguém, mas queremos parte do que nos pertence e pugnamos por melhor repartição da riqueza produzida pelos recursos naturais da nossa Terra.

O nosso manifesto já conta com mais de mil assinaturas: deixamos um agradecimento e um desafio: junta-te a esta causa.

Projeto de internacionalização do turismo de Macedo de Cavaleiros encerra com bom balanço

 Foi com balanço positivo que chegou ao fim o projeto de internacionalização da promoção turística de Macedo de Cavaleiros, promovido pela Associação Geoparque Terras de Cavaleiros e pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços.
Com início em 2015, mas maior atividade a partir de 2018, esta ação conjunta resultou de uma candidatura submetida à CCDR-N, que comparticipou o projeto em 80%.

Antónia Morais, coordenadora executiva do Geopark Terras de Cavaleiros e chefe da Divisão de Turismo da autarquia de Macedo, refere que, nos últimos tempos, se tem notado um aumento do número de visitantes:

“Ano após ano temos vindo a aumentar o número de visitantes ao território, o que é importante. Não se consegue identificar exatamente qual a razão, mas o que é certo é que todas as ações em conjunto nos trazem estes resultados, com cada vez mais pessoas a querer visitar o território pelas belas paisagens que temos e pelo sentido de saber receber que os nossos operadores têm.”

Ao longo deste período foram desenvolvidas várias ações de promoção do território em feiras internacionais, identificação de potenciais mercados e públicos-alvo, organização de ofertas turísticas, criação de catálogos e merchandising, entre outras.

Um projeto importante para turismo e, consequentemente, para o comércio, refere Paulo Moreira, presidente da ACISMC:

“Este projeto acabou por ser importante pois cria uma potencialidade no turismo em Macedo de Cavaleiros e faz aqui uma perspetiva da evolução que acontecerá no futuro.

Esta internacionalização da marca acaba por ser uma mais-valia também para o comércio, pois se tivermos pessoas a visitar o território, o comércio certamente que vai beneficiar porque há consumo e retorno a vários níveis.”

Apesar de o projeto ter chegado ao fim, ambos os promotores concordam que a internacionalização do território deve continuar.

O encerramento do projeto foi assinalado com uma conferência online com o tema “Turismo Local: que Futuro?” que contou com vários oradores, um debate e mais de 70 participantes.

E num ano atípico, marcado pela pandemia, a chefe da divisão de turismo da autarquia diz que no território de Macedo de Cavaleiros houve uma grande procura de visitantes no verão:

“Este verão foi uma época altíssima, muita gente nos procurou por sentir que somos um destino mais seguro. Foram mais turistas portugueses, devido à pandemia, mas acho que este momento foi muito importante para afirmar o turismo de interior.”

O turismo de interior a evidenciar-se durante a crise pandémica.

Escrito por ONDA LIVRE

Aluno do IPB premiado a nível europeu num concurso da Huawei

 Um aluno do Instituto Politécnico de Bragança ficou entre os dez premiados, a nível europeu, num concurso Huawei DigitALL Night 2020.
O objectivo do passatempo era apresentar, num curto vídeo, a visão do aluno sobre as maiores consequências da Covid-19 nas suas vidas e qual a sua sugestão sobre a influência e o poder da tecnologia na melhoria da qualidade de vida na actualidade e no pós-pandemia. A ideia da criação de uma plataforma digital para que professores e alunos trabalhem, aprendam e convivam num ambiente interactivo diferente das tradicionais videoconferências ou aulas à distância, valeu a distinção a Ricardo Bastos.

“A ideia foi criar uma plataforma, que junte o Zoom, que usamos para ter aulas, a Discrod que é uma plataforma onde se pode criar salas, falar com colegas e partilhar informações e a plataforma I Learning da Huawei, para as pessoas tirarem cursos”, explicou.

Ricardo Bastos, aluno do terceiro ano de Engenharia Informática, admite que ficou surpreendido com a distinção.

“Fiquei muito contente, não estava nada à espera, porque foi um evento muito amplo, interagi com colegas de todo o lado, estavam milhares de pessoas a assistir”, contou.

O jovem já tinha participado noutros concursos da Huawei, o que o motivou a participar também neste. Ricardo Bastos, aluno do terceiro ano de Engenharia Informática, foi o único português premiado neste passatempo.

Escrito por Brigantia
Foto: IPB
Jornalista: Carina Alves

Espanhóis juntam-se a Vinhais e Macedo de Cavaleiros na reivindicação de estrada

 A Junta da Galiza e outras instituições regionais espanholas juntaram-se aos municípios portugueses de Macedo de Cavaleiros e Vinhais na reivindicação de uma nova estrada transfronteiriça, numa declaração de apoio divulgada hoje pela Câmara de Vinhais.
A posição de Espanha surge em simultâneo com a moção dos dois municípios enviada ao Governo português, expressando repúdio pela exclusão do Plano Nacional de Investimentos (PNI) 2030 da nova ligação internacional Macedo de Cavaleiros-Vinhais-A Gudiña.

Numa missiva dirigida, em 30 de outubro, ao ministro espanhol dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana, a Junta da Galiza defende que o ministério "ainda está a tempo de incluir esta ligação nos planos de resiliência que Portugal e Espanha esperam apresentar à União Europeia para captar fundos para infraestruturas transfronteiriças".

Na exposição, considera-se “um erro” que esta estrada não tenha sido incluída nos projetos da estratégia conjunta para a fronteira apresentada pelos governos de Portugal e Espanha na cimeira Luso-Espanhola que decorreu na Guarda, a 09 de outubro.

Na carta dirigida ao Governo de Espanha, as entidades regionais lembram que justamente nessa data, em 09 de outubro, a junta da Galiza, a “diputación” de Ourense e 17 autarcas da raia desta zona "assinaram uma Declaração Institucional de apoio e impulso à ligação internacional transfronteiriça, por autoestrada, entre Macedo de Cavaleiros, Vinhais e A Gudiña".

Os subscritores decidiram enviar a declaração ao Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana para que este a faça chegar aos órgãos competentes tanto de Espanha e Portugal como da União Europeia.

A declaração seguiu com o texto agora dirigido ao ministro da tutela, e sublinha a posição comum destes territórios sobre o caráter estratégico “para reforçar a mobilidade na eurorregião Galiza-Norte de Portugal, desta ligação entre o nordeste de Portugal e a futura estação do AVE, o comboio de alta velocidade espanhol, em A Gudiña.

“A estação de A Gudiña supõe uma oportunidade que não se pode desaproveitar para apoiar o desenvolvimento e as oportunidades daquela a que chamaram “Espanha vazia” e para reforçar os laços transfronteiriços entre Portugal e Espanha”, sustentam.

Os subscritores espanhóis defendem que “entre Zamora e Ourense, A Gudiña é o nó que pode articular melhor o território, dando acesso à alta velocidade ferroviária a mais de 73.000 habitantes das comarcas de Viana, Valdeorras, Trives, A Limia y Verín, em Espanha, e aos distritos portugueses de Vila Real e Bragança, que somam 349.000 habitantes.

“Para que seja possível, é necessário desenvolver a rede viária que articule o território e permita uma acessibilidade adequada”, acrescentam, vincando que “tanto em Portugal como na Galiza considera-se imprescindível o impulso por parte de ambos os Estado da ligação por autoestrada com A Gudiña através de Vinhais”.

Os autores da declaração espanhola pedem ao ministro da tutela que “avalie positivamente” esta posição conjunta “estratégica da Galiza e Norte de Portugal”.

ENTENDENDO MACUNAÍMA; - MACUNAÍMA, CEM ANOS DEPOIS

Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS
São Paulo (Brasil)
(colaborador do Memórias...e outras coisas)

N.A: esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com personagens ou fatos novos ou antigos, trata-se de mera coincidência. 

Canto Primeiro( e único):

Macunaíma, "herói de nossa gente" nasceu à margem de um rio seco, em pleno agreste. Descendia de uma tribo Niilista. Desde a primeira infância revelava-se como um sujeito tido por preguiçoso. Ainda menino, buscou a companhia dos meninos maus que se reuniam semanalmente entre os canaviais, para cobrar propina dos outros garotos. Certo dia, um dos seus líderes deu-lhe a cauda de um calango para comer. Objetivo: provar sua coragem e lealdade perante os pitizinhos, nome com que sua turma era chamada. 
O calango havia sido caçado pelo próprio Macunaíma; a mando do chefe, sem saber o porquê. Já os pitizinhos tinham para comer somente as tripas de uma anta dilmal, caçada pelo amigo pessoal de Macunaíma, sem que este o soubesse, numa armadilha esperta. (Havia muitas antas naqueles e outros canaviais. Macunaíma saberia disso depois de algum tempo). 
De tanto aprontar, foi abandonado pela mãe tapuia no meio do mato. Deixaram-no numa canoinha feita de casca de ipê, porém logo que conheceu o Abecedário, novos rios formaram-se, então ele teve que abandonar a canoa e morar por trinta e poucos anos na casa dos pitizinhos, agora com uma das maiores redes para se deitar. Nessa rede cabia todos eles! Tremelicando, com suas perninhas em arco, Macunaíma botou o pé na estrada, até que topou com o Curupira Ceudir e perguntou-lhe como faria para voltar pra casa. Maliciosamente, o Curupira ensina-lhe um caminho errado que Macunaíma, por preguiça, não seguiu, escapando de um monstro. 
No entanto, o Curupira fez feitiço e cortou-lhe um dedo em sonhos. Escapando do monstro, nosso (anti) herói topou com uma voz que cantava uma toada lenta: era um preá, que depois de ouvi-lo contar como enganara o Curupira, jogou-lhe em cima calda fermentada de mandioca. Isto fez Macunaíma crescer, atingindo o tamanho dum homem taludo; no entanto jamais ficou livre do álcool que o preá lhe jogou. 
Numa das muitas vezes que Macunaíma fez transas ("brincadeiras de bobices") com uma tapuia germânica, transformou-se num príncipe lindo perante os índios. Então, nosso (anti) herói, é iniciado num processo constante de metamorfoses: de índio negro, vira branco, depois vira inseto, vira peixe e transforma-se até mesmo num pato e num cordeiro. Tudo para não ter que trabalhar. Consegue uma oca de graça para ficar por oito anos; porém ele a abandona constantemente e os pitizinhos aproveitam-se de sua ausência para apossarem-se dos bens da tribo. 
Em toda a selva os tambores anunciam que Macunaíma sabe dos roubos, porém ele permanece com os olhos e ouvidos fechados. Só mantém sua afiada língua falante. Ninguém percebe, porém sua língua transforma-se em língua de tamanduá. Agora, pode meter a língua nos mais terríveis formigueiros, empanturrar-se de içás e mesmo assim dizer que daquela formiga ele não come. Sua língua rude, áspera, de verniz barato, arranjava tantas desculpas quanto fossem necessárias para manter-se fora de suspeitas, como imóveis comprados por terceiros, mas que ele desfrutava. Também não perdia a chance de ganhar percentagens, quando ainda não havia sido preso na República das Araucárias, com comissões na compra de aviões, quando a Anta Maior estava presidente da Terra Brasilis. 
Há quem diga que 100 anos depois, Macunaíma mantêm-se vivo, mais do que nunca! Ele é e está vivo! Brasileiros e brasileiras; tomem cuidado!

Publicado em: 24/02/2006

Antônio Carlos Affonso dos Santos
– ACAS. É natural de Cravinhos-SP. É Físico, poeta e contista. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos e entre eles, o Pequeno Dicionário de Caipirês e o livro infantil “A Sementinha” além de quatro outros publicados em antologias junto a outros escritores.

Professor acusado de 18 crimes de abuso sexual de crianças numa escola de Macedo

 Um professor de música, de 38 anos, foi acusado pelo Ministério Público de 18 crimes de abuso sexual de crianças na forma agravada, numa escola de Macedo de Cavaleiros.
De acordo com a edição deste domingo do Jornal de Notícias, as vítimas são cinco meninas, que na altura dos factos tinham idades entre seis e sete anos.

O diário acrescenta que professor, ligado a atividades extracurriculares, foi contratado há 13 anos pelo Município de Macedo de Cavaleiros.

As queixas reportam-se a alegados abusos sexuais ocorridos nos anos letivos de 2016/2017 e 2017/2018.

As menores frequentavam a disciplina de música uma vez por semana e terá sido nessas ocasiões que o indivíduo as acariciou.

As crianças relataram aos pais que, durante períodos das aulas em que precisavam de algum tipo de ajuda ou explicação, o docente as acariciava nas nádegas e nas coxas, aproveitando-se da circunstância de usarem saias.

A partir de fevereiro de 2018, as aulas passaram a decorrer na presença de outra professora.

Mediante os factos da acusação, o Ministério Público exige ao arguido uma indemnização de 10 mil euros, a favor das vítimas.

Escrito por Rádio Ansiães (CIR)