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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

V Concurso Cão de Gado Transmontano

"Aulas de Culinária"

2ª Edição AZIBOSUNSET

Ema Dantas, natural de Miranda do Douro: a avó de 52 anos que sobe montanhas pela saúde mental

Ema Dantas quer subir aos oito cumes mais altos do mundo, um objetivo que apenas dois portugueses conseguiram atingir.
Monte Kosciuszko
A luta contra o estigma da saúde mental transformou a vida da luso-canadiana Ema Dantas, uma avó de 52 anos, que quer completar a subida aos oito cumes mais altos do mundo como forma de sensibilizar a opinião pública.

Natural de Miranda do Douro (distrito de Bragança), a viver no Canadá desde os quatro anos, Ema Dantas iniciou em 2017 uma aventura que termina em 2020 quando subir aos oito pontos altos do planeta.

"A minha mãe passou por uma depressão ao longo de 26 anos. Ela morreu há seis anos (com 66 anos). Foi uma doença que passou despercebida. Não teve a ajuda que necessitava e muitos de nós passamos por isso. É necessário alertar a sociedade a questão da saúde mental", afirmou a empresária.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) "uma em cada cinco pessoas" terá problemas de saúde mental e Ema Dantas reconhece que, na adolescência, passou "por isso", superando-o "com algumas dificuldades", mas muitas pessoas "não o conseguem" e "necessitam de ajuda".

A luso-canadiana criou em 2017 a fundação Peaks for Change (Cumes da Mudança), uma instituição sem fins lucrativos sobre a saúde mental, e, desde então escala os pontos mais altos do mundo para angariar apoios.

Para já foram alcançados a Pirâmide Carstensz (Indonésia, 4.884m), o Monte Kilimanjaro (Tanzânia, 5.895m), o Elbrus (Rússia, 5.642), o Monte Vinson Massif (Antártida, 4.892), Aconcágua (Argentina, 6.961) e Denali (Estados Unidos, 6.190).

Para completar o desafio, Ema Dantas espera até final deste ano atingir os 2.228 metros do Monte Kosciuszko (Austrália) e, em 2020, terminar escalar os 8.848 metros do Monte Evereste (Nepal e Tibete).

No dia 28 de junho, Ema Dantas atingiu em 12 dias o topo do Monte Denali, o mais alto da América do Norte, aquele que considerou o "maior desafio até aqui".

"Quando terminar, quero entregar cerca de 700 mil dólares canadianos (477 mil euros) ao Centro de Vícios e Saúde Mental - CAMH de Toronto, que será canalizado para um novo centro que vai abrir em 2020 e que vai assistir pessoas com problemas de saúde mental", sublinhou.

A coragem e determinação de Ema Dantas fazem-na "superar" o medo por alturas com um objetivo claro: "fazer a diferença por uma sociedade justa".

"Continua a haver muito estigma na saúde mental e ainda há muito trabalho pela frente. Se uma avó de 52 anos consegue subir aos pontos mais altos do mundo, qualquer pessoa pode acabar com o estigma da saúde mental e enfrentar este problema como uma doença normal", realçou.

A empresária treina diariamente, três vezes por semana com a ajuda de um instrutor privado, algo que já faz parte da sua vida para "cumprir uma promessa" que agora "é um objetivo pessoal".

"No verão de 2020, em princípio o objetivo é cumprido. Mas o trabalho não fica por aqui. Vamos continuar a trabalhar no tema da saúde mental não só no Canadá, mas também em países do terceiro mundo, educando crianças, adolescentes e mulheres, a lidarem com esta doença", concluiu.

Apenas dois portugueses conseguiram atingir os Cumes do Mundo, o montanhista João Garcia (1999) e o piloto e alpinista Ângelo Felgueiras (2010), sendo que Ema Dantas será a primeira mulher portuguesa, caso tenha sucesso.

Agência Lusa

Em 1933 é que se sabia da poda

Projeto ibérico aposta em atrair turismo científico a partir da arquitetura tradicional

 A antiga casa dos avós serve de exemplo a um projeto ibérico que quer criar na fronteira uma nova atração para turismo científico, com modelos das soluções tradicionais de construção a partir dos materiais e condições locais.
O Biourb Natur junta entidades portuguesas da região de Bragança e espanholas de Castela e Leão na recolha e aplicação de técnicas da arquitetura tradicional e no aproveitamento das condições naturais na construção e soluções energéticas.

Os promotores estão a preparar intervenções em cerca de uma dezena de edifícios nos dois lados da fronteira que irão servir de montra a um turismo científico, o alvo do investimento de mais de 1,6 milhões de euros, financiado em 1,2 milhões pelo Fundo Europeu para o Desenvolvimento Regional (FEDER), no âmbito do programa INTERREG VA Espanha-Portugal (POCTEP).

"Queremos dirigir-nos a gente que seja capaz de ter um conhecimento científico das atuações feitas, de maneira que não vamos ver um edifício, vamos ver como funciona esse edifício, ver um território, o que há nesse território", disse à Lusa Felipe Romero, do Instituto de Construção de Castela e Leão.

Alem desta instituição, são parceiros do projeto do lado espanhol a entidade regional de Energia de Castela e Leão, a fundação CIDAUT e a fundação Património Natural de Castela e Leão, e do lado português a Câmara e o Instituto Politécnico de Bragança.

O projeto arrancou em 2015 e devia terminar no final deste ano, mas vai ser prorrogado por mais meio ano, o tempo necessário para executar as intervenções nos edifícios, como explicou Vicente Leite, o representante do parceiro Politécnico de Bragança.

Os edifícios em causa são casas dos parques naturais em Espanha e duas antigas escolas primárias e o posto aquícola de Castrelos, em Bragança.

Esta é já uma segunda fase do Biourb, que anteriormente tinha feito um trabalho de recolha e criado quatro rotas sobre a arquitetura tradicional e o potencial dos edifícios construídos com materiais, técnicas e contextos locais.

As rotas não conseguiram chegar ao comum dos cidadãos, como reconheceu Felipe Romero, para quem na fase anterior faltou aquilo que agora está a ser feito e que "é contar com os agentes do setor turístico, com os que realmente se dedicam à promoção do turismo e da visitação do território".

A rede de edifícios - e como conseguir incluí-la nos roteiros turísticos - está a ser discutida com os diferentes agentes dos dois lados da raia para conseguir chegar a um turismo científico capaz de analisar o que de diferente oferecem estas soluções.

"Estas soluções distinguem-se, por um lado pela utilização de materiais naturais, renováveis da zona: a pedra, a madeira, as coberturas vegetais, e por outro lado, o emprego de soluções de aproveitamento energético passivo, sem custos", concretizou Felipe Romero.

São, acrescentou, "soluções desligadas da rede de energia, que não necessitam de gasóleo, gás, apenas do sol, da orientação e das condições naturais envolventes", e que pretendem mostrar que podem ser aproveitadas "para um melhor conforto dos edifícios" associadas à arquitetura contemporânea.

"Podemos demonstrar que a utilização de materiais locais tem menos custos de transporte, ambientais, se forem bem projetadas não têm um impacto ambiental grande e podem ser construídas pelas empresas locais, portanto gerar atividade de pequenas empresas e recuperar outras", sustentou.

O português Vicente Leite conclui que "estas técnicas não são generalizadas porque não são ainda suficientemente dominadas pelos técnicos, pelos operacionais que estão no terreno a conceber, a projetar e a implementar".

O representante do politécnico de Bragança sublinhou que o objetivo deste projeto ibérico é justamente "que sirva de exemplo e impulso para disseminar " estas soluções.

O posto aquícola de Castrelos será um exemplo de "como é possível tirar proveito da energia hídrica sem soluções megalómanas, altamente violadoras do ambiente ou perturbadoras".

"Vamos fazer pequenos aproveitamentos hídricos de muito pequena escala que ainda não são usados, e uma produção hídrica de muito pequena escala integrada no próprio fluxo da água de abastecimento dos tanques e restituição ao rio [Baceiro]", concretizou.

O equipamento quer mostrar "como se pode produzir energia elétrica a partir de uma fonte hídrica de potencia pequenina, mas que funciona 24 horas por dia e devidamente integrada naquele contexto, com o apoio adicional da energia solar fotovoltaica durante os períodos de verão quando o caudal do rio é menor e há necessidade de bombagem".

Outros edifícios, como as escolas, vão ser reconstruídos "usando materiais e técnicas como a parede de tronco que faz circular o ar de forma diferente no verão e no inverno, durante o dia, durante a noite, para ajudar a climatizar, a aquecer quando é necessário e não deixar aquecer quando faz calor".

No caso dos edifícios do lado espanhol, vão ser feitas "alterações/adaptações que permitam que sejam climatizados sem consumo de energia elétrica, apenas basicamente por manipulação de fluxos de ar, impedindo um fluxo de ar quente quando ele não é desejável ou aproveitá-lo quando é necessário".

HFI // ROC
Lusa/fim

Úlceras de pressão podem agora ser monitorizadas através do telemóvel

Desde o início do mês que os utentes da Unidade de Cuidados na Comunidade da Unidade de Local de Saúde do Nordeste podem monitorizar a evolução das úlceras de pressão através do telemóvel.
Trata-se de mais uma medida de assistência promovida pela Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSN) que, desde o início do mês de julho, permite que através de um telemóvel, seja possível analisar e medir a dimensão da lesão, monitorizando a evolução da mesma e o sucesso dos tratamentos efetuados.

Mas vamos então perceber como funciona esta nova ferramenta.

Com recurso a um telemóvel smartphone, disponibilizado pela ULSN, os profissionais de saúde terão apenas de tirar uma fotografia à ferida, e através de uma aplicação gratuita (Imito Measure), especificamente para uso profissional e associada ao e-mail institucional, podem acompanhar a evolução do problema e solicitar apoio de outros profissionais se necessário.

Numa publicação, a ULSN explica que, inicialmente, uma ferida por pressão começa com “uma ligeira vermelhidão na área afetada” e ocorre quando “há uma diminuição da circulação sanguínea provocada pela pressão aplicada a uma área específica. Podem ser afetadas várias camadas da pele, músculos e ossos.”

A ULSN a dispor de uma nova ferramenta que através de um telemóvel permite acompanhar a evolução e assim adequar os tratamentos de úlceras de pressão.

Foto: Facebook ULS Nordeste 
Escrito por ONDA LIVRE 

UTAD e IPB parceiros numa investigação iberica

O projeto Iberphenol dispôs de 2,2 milhões de euros para o desenvolvimento de uma rede de investigação ibérica que está a criar uma base de dados com a composição fenólica de produtos, como o vinho, azeite ou frutas.
Os compostos fenólicos, constituintes naturais das plantas, são particularmente importantes em frutas, hortícolas ou plantas aromáticas e a sua identificação e quantificação revelam informações importantes a respeito da qualidade dos alimentos e dos potenciais benefícios que os mesmos podem exercer na saúde.

“O principal objetivo do projeto é evidenciar a qualidade dos produtos portugueses e espanhóis com base na constituição dos produtos fenólicos”, afirmou à agência Lusa Eduardo Rosa, investigador do Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real.

O Iberphenol é, segundo o responsável, “um projeto pioneiro” e “inovador” porque é uma rede de investigação ibérica em compostos fenólicos que “se está a constituir pela primeira vez” e se “foca num grupo de compostos extremamente importante” devido ao seu efeito na saúde.

A UTAD integra essa rede de investigação que junta parceiros portugueses e espanhóis.

O Iberphenol é liderado pela Universidade de Salamanca e agrega também as universidades de Vigo e Valladolid (Espanha) e academias as portuguesas de Coimbra e do Porto, através das Faculdades de Ciências e de Farmácia e do Instituto Politécnico de Bragança. Do setor privado participa a empresa espanhola produtora de vinhos Bodegas Matarromera.

Eduardo Rosa explicou que na base de dados que está a ser criada já foram inseridas “à volta de 5.000 entradas (dados) de quase uma centena de produtos".

Entre os produtos, o investigador destacou a uva e os seus derivados como o vinho ou o bagaço, a azeitona e o azeite, a castanha e produtos derivados do castanheiro, como por exemplo a flor, os frutos vermelhos, os citrinos, cerejas, a baga de sabugueiro, plantas aromáticas e medicinais.

Eduardo Rosa elencou o vinho como sendo um dos produtos mais emblemáticos, até pela importância económica que tem para Portugal e Espanha.

“Estes compostos imprimem determinadas características de sabor, de cor e de aroma aos produtos, acentuando a sua qualidade”, frisou.

O investigador considerou ainda que as “condições climáticas” verificadas nos dois países ibéricos, nomeadamente o clima mais quente e seco, “claramente acentuam a síntese destes compostos e permitem que os produtos tenham essa diferenciação”.

O responsável afirmou ainda que, ao se destacar a “qualidade dos produtos”, se estão a fornecer “argumentos científicos” para ajudar a potenciar as exportações dos produtos ibéricos.

“É evidente que a qualidade dos produtos não reside só na composição fenólica, reside também em muitos outros constituintes como os açúcares, proteínas, aminoácidos e ácidos orgânicos, mas começamos por aí porque é um grupo muito importante de compostos”, explicou o investigador.


Eduardo Rosa destacou as características benéficas para a saúde que são atribuídas aos compostos fenólicos, como o efeito antioxidante, anticancerígeno, cardioprotetor, anti-inflamatório, antienvelhecimento e antimicrobiana.

O projeto arrancou em 2017, vai estender-se até dezembro de 2019 e contou com um investimento que ronda os 2,2 milhões de euros, financiados pelo programa INTERREG - POCTEP (Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal).

Eduardo Rosa disse haver a intenção de prolongar o projeto, de forma a que a “base de dados possa ser constantemente atualizada com mais informações e produtos, enriquecendo assim a informação disponibilizada às empresas”.

Até ao final do ano realizar-se-ão dois congressos, um em Ourense e outro em Coimbra, para apresentação de conclusões do projeto e para abrir portas a novos parceiros.

in:diariodetrasosmontes.com
C/Agência Lusa

Palácios, Bragança, acolheu festival que não quer deixar morrer a música tradicional e o ciclo do pão

Pela vigésima primeira vez, a aldeia de Palácios, no concelho de Bragança, recebeu o Festival de Música e Tradição da Lombada.
Nos primeiros anos o evento celebrava apenas a cultura dos gaiteiros e tocadores da região. Segundo Raul Tomé, presidente da Associação Cultural e Ambiental de Palácios, que organiza o evento, as tradições associadas ao ciclo do pão também foram integradas no festival para relembrar como se faziam estes trabalhos noutros tempos. “Quisemos preservar a música tradicional aqui da região da Lombada e resolvemos fazer um convívio entre os tocadores que havia nas aldeias próximas. Posteriormente, no mesmo encontro, e alargando o número de dias, inserimos o ciclo do pão para mostrar aos mais novos como é que os nossos antepassados passavam sacrifícios para sobreviver. Aquilo que era habitual nas aldeias era o comunitarismo por isso nunca se começava a acarreja sem toda a gente ter feito a segada”.

Esmeralda Aliste, com 74 anos, habitante de Palácios, recorda como era feita a segada quando era jovem. “Não havia máquinas, não havia nada para segar. Uma pessoa tinha que segar como aqui vemos. Juntavam-se alguns, conforme era a família. Antigamente até pagavam a jeira para ir a segar”.

A iniciativa contou com um workshop de cuscos transmontano. A socióloga Patrícia Cordeiro, que tem estado a trabalhar na recolha de informação e testemunhos sobre este produto, diz que há cada vez mais pessoas interessadas em saber como se faz cuscos. “No ano passado fizemos o workshop aqui pela primeira vez porque o tema está integrado neste festival. As pessoas foram-nos abordando e relembrando que havia aqui gente que na infância se lembrava de ver avós e tias a fazer. Este ano já toda a gente estava à espera que houvesse workshop”.

O presidente da câmara de Bragança também pôs mãos ao trabalho durante a manhã de segada. Hernâni Dias acredita que há cada vez mais curiosos a participar. “É algo que marca positivamente aquilo que são as nossas tradições e muita gente que não conhece vem aqui. Há pessoas que fizeram mais de 700 quilómetros para estar aqui o que mostra que tem interesse sob o ponto de vista cultural e etnográfico, não só para o território como para o país”.

A música tradicional ibérica também esteve representada em vários momentos, sobretudo com o vigésimo primeiro Encontro de Gaiteiros e Tocadores do Nordeste.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Em ano de transição L Gueiteiro leva cultura mirandesa a Picote

A aldeia de Picote, no concelho de Miranda do Douro, acolheu, de sexta a domingo, o festival L Gueiteiro.
Para satisfação dos locais, o evento, que pretende revitalizar os elementos mais marcantes da cultura mirandesa, como a música, a língua, o burro e a gastronomia, voltou, passados dez anos, a esta aldeia. “É uma tradição que não se devia perder nem acabar”, disse Fernando Martins. “Temos que manter as raízes e as nossas origens. Não podemos deixar morrer isto”, explicou Paulo Costinha. “Encontro que está bem. É bom recordar mas devia ser mais vezes ainda”, contou Lázaro Fernandes.

Durante 16 anos, além do gaiteiro, o burro também dava nome ao festival. A Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino e a Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural deixaram a organização, que ficou apenas a cargo dos Galandum Galundaina. Paulo Preto, deste grupo, confirma que os objectivos do festival se mantêm. “A grande essência é mesmo a cultura mirandesa e a música mirandesa, a divulgação, trazer a música, a cultura e dinamizar as pequenas aldeias despovoadas. É um ano de transição e não vale a pena esconder isso. Está a ser só promovido pelos Galandum Galundaina. Tínhamos a AEPGA e ainda esperamos um dia voltar a estar com eles”.

Já Paulo Meirinhos, também membro do grupo, explica que a cultura musical destas terras está a revitalizar-se por causa de festivais como este e da padronização da gaita-de-foles. “Festivais como este, e ao longo destes anos que fizemos o festival e desde começamos com Galandum, fomo-nos apercebendo que esta é uma cultura que faz sentido hoje em dia. Às vezes quando se pensa em fazer algo só por fazer e para preservar o que faziam os velhos não é suficiente. Temos que fazer as coisas de maneira a actualizar o que era feito e trazer a cultura tradicional para os dias de hoje”.

O festival itinerante recebeu, este ano, Peste e Sida, Galandum Galundaina, Comvinha Tradicional e Quinteto Reis.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Dez anos de Red Burros Fly-In: a aviação celebrada em Mogadouro

Ao longo do fim-de-semana, o aeródromo de Mogadouro acolheu o Red Burros Fly-In. O evento, que assinalou dez anos, pretende celebrar a aeronáutica e levá-la a miúdos e graúdos.
No discurso de abertura, Francisco Guimarães, director do evento e presidente da câmara de Mogadouro, frisou que a construção do heliporto municipal, no aeródromo, poderá ser uma realidade ainda este ano. “Está em fase final de concurso a construção do heliporto aqui. Levantaram-se várias hipóteses, de ser construído mais próximo da vila, mas entendemos que as condições aqui são as melhores. Vamos ter que sinalizar também para que tenha condições nocturnas e por isso o investimento é um bocadinho mais caro. Vamos construir o heliporto aqui no aeródromo para podermos estar de forma preventiva para aquilo que houver necessidade. Tínhamos a construção do heliporto já projectada mas não tínhamos possibilidade de o ter feito, vamos lançar o concurso para ver se ainda este ano o temos construído”.

O tempo pouco convidativo que se fez sentir não deixou participar as mais de 120 aeronaves previstas mas a animação não faltou e Francisco Guimarães sublinhou a dinâmica que é trazida à região. “Também já houve aqui uma semana dedicada às Térmicas, em que muita gente vem para aqui e traz os seus planadores e ao longo do dia vão voando. Já essa semana começa por esgotar um bocadinho a unidade hoteleira de Mogadouro. Claro que com este evento esgota não só Mogadouro como os concelhos vizinhos, como Miranda do Douro e Vimioso”.

O evento contou ainda com saltos em paraquedas protagonizados pela equipa “Falcões Negros”. Rui Carvalho, primeiro sargento do Exército Português, conta que esta é das provas que mais seduz quem vem assistir. “Falcões Negros é a equipa de demonstração que representa o Exército Português. Esta equipa também faz provas de precisão e aterragem e demonstrações de paraquedismo. Somos o emblema do Exército Português no paraquedismo. Esta equipa é composta por dez elementos, aqui estamos três e há outros elementos a fazer uma prova de precisão em Vila Nova da Barquinha. É uma das provas que mais deslumbra as pessoas. É diferente, não é todos os dias que se vê paraquedistas a aterrar”.

Pelo Red Burros passou Cástor Fantoba, campeão europeu de acrobacia. O piloto espanhol reforça que é evento importante para promover a aviação. “Parece-me muito bem organizado. É uma iniciativa muito interessante para promover a aviação em geral e para ajudar a que toda a gente que voa, dos dois lados da fronteira, venha aqui passar um fim-de-semana interessante e conhecendo a zona de Mogadouro. Há a possibilidade de conhecer o Alto Douro, beber estes vinho e comer esta carne.. que melhor?”.

Um piloto, que seguia de Mirandela para o evento, teve que fazer uma aterragem de emergência em Vale Benfeito, no concelho de Macedo de Cavaleiros, por causa de uma indisposição. A aeronave ficou destruída mas o piloto saiu ileso e foi ele mesmo que deu as coordenadas do lugar em que se encontrava.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Trail Running: Lucinda Moreiras e Manuel Curral vencem 2º Trail Nocturno de Mirandela

A prova, organizada pelo Associação Mirandela a Correr, integra o cartaz das festas de Nossa Senhora do Amparo e levou à cidade do Tua 340 participantes e várias localidades do norte do país.
Manuel Curral destacou-se no sector masculino ao vencer a prova dos 10 Km. Para atleta do Ginásio Clube de Bragança foi “um triunfo especial”, já que correu em casa, num percurso com alguma dificuldade. “O percurso tinha várias subidas e descidas. Sendo uma prova nocturna obrigou-nos a usar a lanterna e foi um pouco complicado, mas como íamos em grupo correu bem”, acrescentou.

Em femininos, Lucinda Moreiras alcançou o lugar mais alto no pódio. A atleta do Grupo Desportivo de Bragança, que se estreou no Trail Nocturno de Mirandela, mostrou mais uma vez que está em grande forma. “Foi uma sensação muito boa. É um pouco difícil correr à noite e também estava um pouco cansada, mas a organização convidou-me para participar e vim com todo o gosto. O percurso era bom e acessível”, disse a atleta brigantina.

Este ano o número de participantes duplicou, 340 na corrida e caminhada. Hélder Silva, da organização, considera que a prova superou as expectativas e garante a sua continuidade em 2020. “Estamos muito satisfeitos com a prova. Deixar uma palavra à confraria das festas que foram espectaculares e é uma parceria para durar. Quanto ao número de atletas aumentou bastante e o objectivo era promover a festa do desporto e este convívio entre os atletas”.

Porto, Famalicão, Vila Real, Bragança, Chaves, Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé foram algumas das localidades representadas na segunda edição do Trail Nocturno Nossa Senhora do Amparo, em Mirandela.

A Associação Mirandela a Correr vira agora o foco para a Corrida de São Silvestre, que está marcada para o dia 22 de Dezembro.  

Jornalista: Susana Madureira
Escrito por Brigantia

Foi inaugurada a nova fachada do Santuário da Nossa Srª do Amparo, em Mirandela.

A aldeia de Palácios, no concelho de Bragança, recebeu mais uma edição do Festival de Música e Tradição, com três dias receados de atividades.

domingo, 28 de julho de 2019

Recordando Bragança de antigamente

Por: Humberto Pinho da Silva
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."

Acedendo a instâncias de familiar, em abrasadora tarde de Agosto, abalei para o Nordeste, em busca de Bragança; cidade que assistiu a parte da minha juventude.
Quantas décadas correram desde a última visita? Não sei!; quatro?, talvez mais…quase meio século!…
Tinha vinte anos; era jovem, e o coração transbordava de ilusões…O destino levou-me a Trás-os-Montes; e em Bragança permaneci quatro anos, que foram longos e monótonos.
Quis Deus que encontrasse nessas agrestes paragens: aconchego e amor. Aconchego de mãe, e o amor de três maravilhosas crianças, que não sendo minhas irmãs, amei-as como se fossem.
Apeei-me, sobretarde, na moderna rodoviária. Ai de mim! Julgava reconhecer a cidade!… mas necessitei de aturadas pesquisas…
Como se transformou a minha querida cidade!… A vetusta estação ferroviária - agora extinta,- metamorfoseou-se, lavou o rosto, aperaltou-se com graciosos e originais bancos.
Desci à Praça da Sé - pensando de mim para mim: para onde foi a Bragança dos meus verdes anos?!… - Graças a Deus, o afamado clube lá estava sobre o elegante “Chave D’Ouro”,assim como a Sé (agora catedral), o “Café Central”, o “Flórida” e a livraria, modernizada, do Sr. Silva…mas... o Montepio, o Liceu, para onde foram?!…
Enveredei por Abílio Beça, caminhando para o Seminário.
A custo atentava descortinar estabelecimentos, lojistas da minha juventude, mas o esforço foi vão.
A Avenida do Sabor - outrora elegante e snobe, - não passa agora, de vereda desarrumada, com muitas casas delapidadas.
Estaquei na deserta residência do Dr. Pires - nos anos sessenta ouvia-se chilrear irrequietos petizes ; mais a baixo, a do Dr. Flores, com o jardinzinho, onde brincava a bela e meiga menina dos totós, transformado em horta mal cuidada.
Nesse peregrinar pelo passado, cheguei à cidadela. Pelo caminho “vi” - como os olhos se enganam! - “velhos” rostos de meninas que frequentaram o “Sagrado Coração de Jesus”….Como se assemelham! Como a vida se repete!...
Bragança ataviou-se. Está mais cuidada, mais graciosa, mais formosa.
O Fervença e o jardim - onde jovens casadoiros passeavam outrora em quentes noites de Verão, - ganharam espaço, tornando-se quase irreconhecível.
Valeu-me o “Floresta”, velho “amigo”, onde saboreei, nos anos sessenta, apetitosos pratinhos de camarão…
O Loreto alindou-se de sóbrios candeeiros à antiga, e a linha férrea deu lugar à Avenida Sá Carneiro; mas…vieram-me as lágrimas aos olhos… - a humilde Rua da Boavista ficou mutilada!…salvou-se, ainda bem, a casa onde vivi…
Enquanto deambulava, recordei figuras populares do passado: a senhora da Moagem, que me saudava com afecto; o Dr. Artur Flores, que tomava o cafezinho no “ Chave D’Ouro”; o Major Montanha; o Sr. Silva, da livraria; o Sargento Mário, de Vinhais; o Padre Telmo; o Professor Bi; o Sr. Manuel do “Café Lisboa”; a simpática menina da Agência de Viagens; a elegante Fátima; o bondoso Mané…e tantos, que a memória não guardou, mas o coração conserva.
E nesse deambular pelo passado, pareceu-me escutar, destacada da vozearia do café, a voz cheia, forte do Dr. Flores - o melhor médico de então, que sempre tinha a formula, que só ele conhecia, para sarar os males. 
O Dr. Artur Flores parecia estar sempre zangado. Constava que possuía um coração de oiro. Dentro daquele austero Homem, que muitos temiam e tremiam, havia alma generosa, pronta a acudir carenciados…desprotegidos da sorte.
Que saudades sinto da minha pequenina cidade! Bragança das Cantarinhas!, das festas e romarias!, das casas e varandas de madeira!,dos becos tortos e ruas estreitas!, de endiabrados estudantes!, de meninas de olhos cinza e pele cor de centeio!… Que saudades Deus meu! Como é refrigério para a alma recordar esses velhos, e sempre presentes, tempos!…


Humberto Pinho da Silva nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

Acabei com as cápsulas de café e não ajudei o ambiente

Cá em casa acabaram as cápsulas de café. Fui desencantar a antiga máquina de café italiana de ir ao lume e arrumei a máquina que me fazia gastar duas a três cápsulas de plástico por dia. As notícias de continentes e ilhas feitas de plástico, de aves, peixes e baleias com os estômagos repletos de plástico pesavam-me na consciência.
Também mudámos a alimentação cá em casa. Com as miúdas mais crescidas voltamos às refeições vegetarianas na maioria dos dias da semana. Tentámos alterar os hábitos nas compras, mas com muito pouco sucesso: tudo tem várias camadas de plástico a envolver outras camadas de plástico. Passámos a andar com sacos grandes no carro e sempre que podemos recusamos outros sacos nas lojas. Na praia adotámos a “nova regra” que esteve a circular na internet e apanhamos todos os papéis e plásticos que encontramos. Em casa começámos a comprar sacos do lixo biodegradáveis, vendem-se na internet e são caríssimos, mas sentimos que tinha mesmo de ser. As lâmpadas são LED há já vários anos.

Durante a semana não usamos carro; eu uso o metro e as Giras para me deslocar, vou levar as miúdas à escola a pé e a minha mulher vai de bicicleta para o emprego, demora 40 minutos para cada lado, mas prefere a bicicleta ao metro, mesmo quando chove e faz frio.

Temos feito um esforço grande para falar com as nossas filhas sobre os problemas do ambiente. É um dos temas que mais discutimos, mas elas sabem quase tudo porque na creche e no jardim de infância têm trabalhado as questões do planeta com muita frequência. Neste aniversário, em vez de prendas pedimos aos amigos para contribuírem com 5 euros para podermos ir dormir com os tubarões ao Oceanário. Ficámos todos contentes com a iniciativa, mas a boneca LOL ganhou o pódio das melhores prendas.

Falamos com elas sobre reduzir, reutilizar e reciclar, muito embora o “reduzir” e o “reutilizar” tenham ficado para trás e só ensinamos às crianças a reciclar, porque parece que não se pode ensinar que consumir demais é sempre mau para o ambiente.

Apesar de todas estas ações conscientes e necessárias não contribuímos um milímetro para a redução dos problemas ambientais, para a redução do plástico nos oceanos ou para o combate e mitigação das alterações climáticas. Mesmo se todos os nossos amigos fizessem exatamente o mesmo que nós não faríamos nenhuma diferença. Não somos ambientalistas simplórios.

Greta Thumberg explica bem o paradoxo que vivemos: “Quando tinha mais ou menos oito anos, ouvi falar pela primeira vez de uma coisa chamada alterações climáticas, ou aquecimento global. (…) Disseram-me para desligar as luzes para poupar energia e para reciclar papel de modo a poupar recursos”. Mas, “se queimar combustíveis fósseis era assim tão mau, ao ponto de ameaçar a nossa própria existência, como é que as pessoas conseguiam continuar a agir como antes? Porque não havia restrições? Porque não passava a ser ilegal fazê-lo?”.

“Temos de agir como se a nossa casa estivesse a arder. Porque está.” – afirma Greta Thumberg, que nada tem de ambientalista simplória e conhece os dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – “Se as emissões têm de parar, então temos de travar essas emissões. Para mim é preto ou branco. Não há áreas cinzentas quando se trata da sobrevivência. Ou continuamos a ser uma civilização ou não continuamos. Temos de mudar.”

O sistema de produção capitalista começou a queimar combustíveis fósseis há 200 anos e temos neste momento a maior concentração de gases de efeito de estufa dos últimos 3 milhões de anos. Estamos a meio da sexta extinção em massa, duzentas espécies extinguem-se por dia e o ritmo desta extinção é pelo menos mil vezes superior às anteriores.

Nunca aconteceu nada assim e até agora quem tem sentido mais os efeitos das alterações climáticas são os países mais pobres, justiça climática é justiça social.

Cá em casa sabemos que os milhares de jovens que saíram às ruas nas greves climáticas dos últimos meses têm toda a razão: a questão não é alterarmos os nossos padrões de consumo individual ou votarmos com a carteira. A questão é mudar o sistema de produção capitalista, é manter o carvão e o petróleo debaixo da terra e fazer a transição energética, mesmo que os lucros das grandes empresas se reduzam, porque não há planeta B.


Ricardo Sant'Ana Moreira, Investigador em Trabalho e Segurança Social
Jornal Económico

Concerto Final do I Estágio de Bandas Filarmónicas - Foi no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiro que os alunos do estágio de verão, apresentaram o resultado destes dias de trabalho.

O Dia dos Avós foi celebrado com um convívio entre avós e netos, em Alfândega da Fé.

Rita Gaetano Donizetti foi o espetáculo que abriu as festas de Mirandela acompanhados pela orquestra da Esproarte.

Dois homens sofreram queimaduras graves com soda caustica em Bragança

Dois homens, de 44 e 46 anos, ficaram feridos, um deles com gravidade, ontem, ao manusear soda caustica. O acidente aconteceu em Bragança, no Bairro do Pisco.
Os homens sofreram queimaduras graves, na parte posterior do corpo, nas costas, braços e pernas, segundo avançou fonte dos bombeiros de Bragança.

As vítimas foram encaminhadas para um hospital no porto, sendo que a que ficou com ferimentos mais graves teve de ser transportada pelo helicóptero do INEM.

O alerta foi dado às 14h20m.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves