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(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
domingo, 29 de outubro de 2023
Miranda do Douro discorda do número de mortes de bovinos indicados pela DGAV
“Não posso acreditar nos dados avançados pela Direção-Geral de Veterinária, porque os dados avançados não correspondem à realidade vivida nas explorações do meu concelho”, afirmou Nuno Rodrigues.
Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da câmara de Miranda do Douro, no distrito de Bragança, disse que foram pedidos dados a médicos veterinários que prestam serviço naquele concelho e que foram registadas cerca de 70 explorações afetadas e mais de 700 animais infetados, havendo ainda o registo de, pelo menos, 37 mortes.
O autarca acredita que atualmente os números de animais de raça bovina mortos com DHE são “bem mais” e podem mesmo ultrapassar a meia centena, só no concelho de Miranda do Douro.
Nuno Rodrigues apelou ao Ministério da Agricultura que olhe para estes agricultores que se têm esforçado para evitar danos maiores provocados pela DHE.
“Depois de um verão muito seco esta doença agora deixa os agricultores em dificuldades porque os animais que morrem terão de ser repostos, o que agrava a situação económica das explorações pecuária”, disse.
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária disse na quarta-feira à Lusa que o principal foco, na região Norte, da Doença Hemorrágica Epizoótica se verifica em Trás-os-Montes, onde tinham sido identificados, até esse dia, 33 casos.
A DGAV indicava ainda que a DHE é uma doença viral que afeta os ruminantes, em especial os bovinos e os cervídeos selvagens, com transmissão através de mosquitos.
“A doença está incluída na lista de doenças de declaração obrigatória da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA)”, indicou à Lusa a mesma fonte.
Este organismo acrescentou que, sempre que é detetada uma suspeita de doença, efetua-se colheita de amostras e envio de material ao laboratório, com a respetiva notificação da suspeita aos serviços oficiais da DGAV.
Quanto à origem DHE, a DGAV diz não poder afirmar com segurança qual a proveniência da doença nesta região, mas tratando-se de uma doença transmitida por vetor (mosquito), poderá ter origem no restante território nacional ou em território espanhol.
Questionada pela Lusa, a DGAV indicou ainda que não há limitação de movimentação, que apenas se aplica a trânsito animal de e para outro estado-membro ou país terceiro.
Medicina Primitiva - Na Madrugada dos Tempos – Parte 15
Transportaram o ferido numa padiola, logo seguidos por um dos estrangeiros, de nome Amanur e quase toda a população da aldeia. Passaram pela área ainda não preenchida do círculo que já contava com seis imponentes megálitos. Deitaram-no sobre a pedra que servia de mesa para os sacrifícios e mantiveram-lhe os braços seguros enquanto Zia invocava a atenção de Swol e Mensis.
O céu estava encoberto, mas as franjas das nuvens refletiam a luz forte da lua que brilhava bem acima delas. Não fora isso, estaria uma noite magnífica, de um céu estrelado onde Mensis governava invicta sobre as humildes estrelas, que eram as fogueiras do povo do céu.
O chefe apressou-se a ir buscar a sua cabeça de leão cerimonial e o cocar de penas da mulher. Vários homens acorreram a trazer madeira e fogo para acender no meio do círculo, aos pés da pedra sacrificial frente ao ídolo Swol. A cerimónia teria de ter tudo o que era exigido para obter o favor dos deuses.
Os mais próximos olhavam espantados enquanto Nehir esculpia e aguçava uma fíbula de corvo e utilizava os finos ossos das costelas para esvaziar o interior do osso maior. Em poucos minutos, obteve um pequeno tubo reluzente e afiado, que estendeu em oferta para o céu.
Zia, já devidamente ataviada com o seu cocar de penas de pomba, “cantava” a Swol, enquanto circulava em volta do monólito que o representava. Entoou a história, cantada por pais aos filhos durante incontáveis gerações, do dia em que Manu, o primeiro homem, abriu os olhos. Lembrou aos deuses como Swol e Mensis se apaixonaram por aquele ser indefeso e desceram dos céus para o ensinar a sobreviver sem garras nem dentes temíveis. Como Tharun atirou o fogo dos céus, fendendo em milhares de lascas o Grande Carvalho de onde nasceu o mundo, dando o fogo e criando as lanças para os homens. Lembrou como Swol, cuidou de Manu e usou o seu calor para derreter as neves e florescer as plantas e como o seu brilho atraiu os animais de todos os tamanhos e feitios para que ele se alimentasse. Cantou sobre Mensis que se transfigura no céu noturno e que vela sobre a noite, trazendo a luz sobre a escuridão e o poder sobre os espíritos das sombras.
Depois estendeu as mãos sobre o objeto que a filha lhe apresentava e invocou os nomes Da Pater e Da Mater[1] para que guiassem a mão de Nehir. Em seguida, pegou de num cesto de vime fechado, uma pomba completamente cinzenta e, após a exibir aos céus por poucos segundos, torceu-lhe o pescoço sem cerimónia.
Um dos homens estendeu uma pequena taça de barro a recolher o sangue que a sacerdotisa vertia ao abrir ao meio a ave sacrificada.
O círculo exterior do santuário estava preenchido por um enorme grupo de homens e mulheres, agora que se lhe juntavam os elementos da responsabilidade de Tailan. Erem, com a cabeça de leão sobre a sua, conduzia-os num som gutural grave, que fazia vibrar o peito e os próprios menires, ritmando com o bater de uma grossa vara numa pedra e acompanhado por alguns homens que ressoavam peles esticadas sobre quadrados de madeira.
A sacerdotisa tomou a taça com o sangue e aspergiu o ferido que se debatia cada vez com menos intensidade. Depois pintou uma linha vermelha no rosto do paciente desde o queixo até ao cabelo, dividindo-o ao meio e exclamou: — Em nós, existem Swol e Mensis, o rei do dia e a rainha da noite. Unidos no nosso corpo como um só! — Repetiu a linha vermelha no rosto da filha e incentivou: — Que os deuses guiem a tua mão!
Perante o olhar estarrecido de Amanur, Nehir, sussurrando o encantamento da cura, colocou a mão direita atravessada desde o queixo do moribundo cobrindo todo o pescoço. — Agarrem-no bem. — Avisou, enquanto com a esquerda, apontava a agulha de osso que preparara na parte mole logo abaixo da área tapada. De olhos postos no céu, que começava a ganhar cor, invocou a ajuda divina: — Swol! Salva o teu filho! Mensis, dá-me o poder da cura — Tornou a atenção para a mão que segura a agulha e, com a direita, deu-lhe uma pancada seca.
Um espirro de sangue aspergiu os mais próximos e no segundo seguinte, o som ofegante do ar a entrar e a sair começou a ouvir-se através da cânula. O paciente começou imediatamente a acalmar-se.
— Da Mater te proteja e mantenha os maus Ansu[2] afastados. — Pediu Nehir colocando a mão sobre a testa do ferido.
Amanur, ainda indeciso se o seu companheiro morria ou estaria salvo, continuava a agarrar-lhe o braço com força, até que a mão do, até aí moribundo, tocou-lhe, indicando que o magoava. Olhou para o rosto de Tibaro onde a tonalidade cinzenta começava a desvanecer-se. Os olhos dele estavam novamente abertos e vivos, aparentemente ainda a tentar perceber por onde respirava. A sua expressão exibia sofrimento pelo pescoço magoado.
— Podem deixá-lo. — Anunciou Nehir para todos os que agarravam o ferido. — Swol ajudou-nos por agora, mas os próximos tempos é que dirão se se salva ou não.
— Os outros têm de chegar com a cabeça do auroque antes do nascer do sol. — Zia sussurrou preocupada para a filha, antes de gritar para a audiência com os braços no ar: — Swol seja louvado!
— Swol! — Responderam os presentes em êxtase, fazendo ressoar as suas vozes nas pedras do círculo inacabado.
A curandeira colocou, cuidadosamente, um pouco de mel em volta do novo ferimento para evitar infeções e segurar a agulha de osso que lhe permitia respirar. Depois untou-lhe o pescoço com uma pasta de urtiga e lavanda para reduzir a dor e a inflamação.
— Vai viver? — Perguntou Amanur, quase para ninguém em especial.
— Está salvo para já. Mas não pode falar e só poderá beber, não comer. Só respira por este buraco. — Confirmou Nehir sobre os gritos de graças dos acólitos. — Temos o mau Ansu[3] que está no pescoço e que o pode matar ainda. Se o tirarmos de lá, daqui a uns dias poderemos tirar o osso que lhe pus. Precisamos da cabeça do auroque. Vem, reza connosco.
— Rezar? — O outro hesitou com um trejeito da boca. — Ao vosso deus? Swol? O nosso é Tarunte, o deus do trovão.
— Também adoramos Tarhun, deus do trovão e da guerra. — Esclareceu Nehir com estranheza. — Mas é Swol, o rei dos céus, quem comanda a vida. Ele salvou o teu companheiro. — Encolheu os ombros e juntou-se ao coro.
Desconfiado, Amanur quedou-se de joelhos junto de Tibaro. O seu amigo estava salvo para já. Seria Swol ou Tarunte o seu salvador? Aquele círculo inacabado de pedras era tão rude quanto intimidante e o ídolo grosseiramente talhado no menir central parecia escarnecer dele.
A curandeira e a xamã mandaram distribuir uma infusão de folhas de secas de papoila e ajoelharam-se, sentando-se sobre a parte anterior das pernas, sempre implorando a ajuda do deus. Todos os presentes colaboravam no som ressonante e profundo que parecia preencher todo o espaço e ressaltar nas pedras.
Rompiam os primeiros alvores da madrugada quando o grupo de oito homens, alagados em transpiração, surgiram no santuário. Quatro deles transportavam a descomunal cabeça segurando-a com esforço pelos longos cornos. Os outros quatro traziam as patas traseiras e dianteiras em cestos de vime. Os gritos de graças, que já duravam há uma eternidade, calaram-se abruptamente. O tamanho do troféu era maior do que alguma vez alguém havia visto.
Alguns homens e mulheres, entorpecidos pela imobilidade e atordoados pelos efeitos da infusão, acudiram a animar o fogo que era pouco mais do que umas pequenas chamas que refulgiam entre os troncos quase consumidos. Gerou-se de imediato uma atividade frenética e curiosidade em volta dos recém-chegados.
Amanur falou apressadamente com Kiala e Himono, apontando alternadamente para Nehir e Zia, contando tudo o que se passara durante a sua ausência. Ambos olharam com espanto para Tibaro e apertaram-lhe os braços com alegria, vendo-o a recuperar as cores.
A Xamã, assim que achou a fogueira digna do sacrifício, reuniu seis guerreiros que com ela dançaram em volta da dos despojos do auroque, pousados no chão aos pés da pedra sacrificial onde estava ainda deitado Tibaro. A cada três passos, apontavam as lanças para a cabeça decepada, simulando atacá-la.
Os gritos de Swol dos assistentes e os de ameaça dos dançarinos, o rufar das peles deixava-os a todos como que hipnotizados, a transpirar e de olhos esbugalhados. Por fim, a um grito de Zia, com as mãos erguidas, todos se imobilizaram e o silêncio caiu como uma pedra em todo o espaço. Numa aproximação ritual, Erem, imponente debaixo da temível pele de leão, caminhou rodopiando artisticamente uma clava que desfechou com força na cabeça do auroque.
— Swol! — Gritou Zia. — Salva o nosso irmão! — Como um eco, toda a assistência repetia as suas palavras. — Envia o mau Ansu[4] para junto de Welnos[5]! — Nova pancada com a clava. — Oferecemos-te este ser magnífico, que deu a vida para que o nosso povo não tenha fome!
Com estas palavras, os guerreiros ergueram a cabeça decepada e colocaram-na sobre a fogueira onde começou a crepitar. Zia e Erem colocaram as patas dianteiras da besta a cada um dos lados da cabeça. As traseiras seriam depois atiradas ao rio para que o auroque nunca consiga completar-se e perseguir os seus matadores.
Durante horas, sob o olhar atento dos estrangeiros, homens e mulheres cantaram e dançaram em volta do fogo onde os restos da besta se consumiam, embora alguns desistissem e fossem e abandonando a cerimónia.
Quando apenas já pouco restava identificável na fogueira, eram apenas seis os membros do clã que ainda se mantinham a acompanhar o chefe, a xamã e a curandeira.
Tibaro acabara por adormecer na sua “cama” de pedra coberto com uma pele negra e só quando os cânticos foram substituídos pelas conversas dos resistentes é que despertou novamente. Zia e Nehir ajudaram-no a erguer-se e logo se aproximaram os seus companheiros, que até ali se haviam mantido sentados em pedras a assistir. O paciente foi levado para a tenda de Nehir onde continuaria o seu descanso tão necessário à recuperação.
Erem, visivelmente cansado, despediu-se dos “resistentes” e dirigiu-se para a sua cabana, logo seguido por Zia. Mas os acontecimentos não haviam acabado naquela manhã, onde o sol já ia alto; no largo em frente à sua casa, o cativo jazia, ainda amarrado ao poste, com a cabeça pousada numa poça de sangue e lama. A pouca distância dele estava a pedra que utilizaram para o matar.
[1] Deus pai e deusa mãe.
[2] Espíritos
[3] Espírito
[4] Espírito
[5] Deus do submundo
sábado, 28 de outubro de 2023
ASAE apreende mais de 4 mil litros de óleo de bagaço de azeitona que estava a ser vendido como azeite virgem extra
Foi instaurado um processo-crime de fraude sobre mercadorias e violação e uso ilegal de Denominação de Origem Protegida (DOP) “Azeite de Trás-os-Montes”.
“O óleo de bagaço era adquirido fora do território nacional, embalado em garrafões de 5 L e rotulados como azeite virgem extra para comercialização no mercado nacional”, explicou a ASAE em comunicado.
Foram ainda apreendidos mais de 1 300 litros de azeite que estavam a ser vendidos em mercados e feiras locais, pelo mesmo embalador.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica salientou ainda que foi reforçado o “acompanhamento e vigilância” do sector.
Governo não apoia produtores de castanha transmontanos por ser matéria segurável
“Nós [Governo] não temos forma de ajudar nas quebras de produção durante as respetivas campanhas, por se tratar de uma matéria segurável e devem ser os seguros coletivos a ter a disponibilidade para poder fazer face a estas quebras de produção”, explicou Maria do Céu Antunes.
De acordo com a governante, “à primeira vista não há instrumentos para ajudar os produtores de castanha, como não houve para o escaldão da pera rocha ou das uvas, que aconteceu em pleno verão ou das granizadas que caíram num passado ainda recente”.
“Isto é da responsabilidade dos agricultores e dos seus movimentos associativos e que ainda o ano passado foram utilizados 18 milhões de euros para fazer baixar o prémio dos seguros para que os agricultores possam pagar menos. A esta altura, estamos a avaliar a situação para perceber que instrumentos se possam mobilizar para esta situação”, rematou a ministra da Agricultura à margem da cerimónia de homologação do contrato de construção da barragem de Gebelim e o despacho de aprovação e do projeto de execução da rede de rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Planalto Vilar Chão/Parada, no concelho de Alfândega da Fé
O município de Vinhais, no distrito de Bragança, pediu na segunda-feira medidas para fazer face aos prejuízos avultados esperados para a campanha da castanha, num “ano trágico”.
“Há três ou quatro semanas era expectável um ano muito bom em termos de produção. O que vai acontecer é precisamente o contrário. É um ano trágico, com quebras muito grandes”, afirmou à Lusa o presidente da Câmara de Vinhais, Luís Fernandes.
As perdas não serão uniformes em todas as zonas do concelho, mas expressivas. “Estaremos a falar sempre de quebras superiores a 70, 80%. Se calhar em alguns casos a rondar quase os 100%”, adiantou o autarca socialista.
O pedido foi vertido num memorando, onde se pedem medidas de compensação aos produtores, como o pagamento atempado dos subsídios, apoios aos seguros de colheitas, isenção do pagamento da Segurança Social ou mesmo a declaração do estado de calamidade, “porque isso permite outro tipo de apoios”, relembrou Luís Fernandes.
Na lista de exemplos de medidas consideradas relevantes, sugere-se ao Ministério da Agricultura a adoção de “uma estratégia ele investigação e combate às causas que estiveram na origem destes fenómenos”.
Vinhais é um dos maiores produtores de castanha do país, com entre 13 a 15 mil toneladas por ano, o que representa cerca de 15 milhões de euros. Conta com 2.500 produtores e 10 mil hectares de soutos.
Por outro lado, a Maria do Céu Antunes, disse ainda que aos pedidos de ajudas feitos pelos municípios de Vila Flor, Macedo de Cavaleiros e Vinhais, para fazer face às enxurradas que ocorrem nestes concelhos do distrito de Bragança.
As intempéries que ocorreram entre 27 maio e 12 de junho deixaram prejuízos agrícolas na região, que não foram contemplados nos despachos publicados em Diário da República, a 19 de julho e a 21 de agosto. Estes apoios destinam-se, respetivamente, a tratamentos fitossanitários e ao restabelecimento do potencial produtivo.
“Não primeira avaliação este três concelho não estavam incluídos nas medidas de apoios a restabelecimento do potencial produtivo, porque as quebras de produção não chegaram aos 30% .Reavaliamos e estes conselhos não têm condições para ser apoiados”, disse a ministra.
sexta-feira, 27 de outubro de 2023
Assim como assim, lá calquei a terra com o engaço…
𝙓𝙓𝙄𝙑 𝙀𝙣𝙘𝙤𝙣𝙩𝙧𝙤 𝙄𝙣𝙩𝙚𝙧𝙣𝙖𝙘𝙞𝙤𝙣𝙖𝙡 𝙙𝙚 𝙂𝙧𝙪𝙥𝙤𝙨 𝘾𝙤𝙧𝙖𝙞𝙨 𝘾𝙞𝙙𝙖𝙙𝙚 𝙙𝙚 𝘽𝙧𝙖𝙜𝙖𝙣𝙘̧𝙖
Cóco, Ranheta e Facada. Para alguns, "Os Verdadeiros Artistas", para outros, “Os Cromos”
Uma viagem com mel, veados e navalhas por Montesinho
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| Montesinho, um parque natural com gente dentro. (Fotografia de Maria João Gala/GI) |
Ainda é setembro, mas a altitude trasmontana não se compadece com ondas de calor fora de época. Nem a altitude nem o cedo que é, seis da manhã. Está frio em RIO DE ONOR, e escuro, quando arrancamos no todo-o-terreno de Nélio Fraga. Enquanto o esperávamos, deglutíamos um rápido iogurte com banda sonora neste paraíso do silêncio enfiado nos confins do Parque Natural de Montesinho. Bramidos, longínquos talvez, que este concerto cobre todas aquelas alturas sem olhar a fronteiras. Ou próximos, o breu nem permite descortinar o recorte dos montes no céu estrelado. É um grito de lamento que ecoa por todas as encostas, o lamento de amor que nos pôs aqui, neste pedaço da Reserva da Biosfera da Meseta Ibérica, nesta margem do rio Onor, nesta aldeia comunitária e transfronteiriça que é tão particular que até dialeto tem – e o único restaurante vegetariano da região, também, mas já lá iremos. É o chamamento da vida. É a brama dos veados.
Vamos encolhidos atrás de Nélio, da aventura norte, monte acima, até um lugar onde só há céu negro e uma ténue camada rosada no horizonte. Estamos entre Portugal e Espanha, no espanto daquilo que vemos com os ouvidos, a dança nupcial destes animais únicos, uma cantiga que não conseguiremos pôr em palavras. Um óculo de infravermelhos desvela a natureza. Há pontos de calor esparsos, alguns são nada, ou são os postes de alta tensão. Outros são contornos vermelhos de veados claríssimos, hastes erguidas, num ligeiro balançar à retaguarda a acompanhar os bramidos.
Os pés estão já em gelo, este chão de Trás-os-Montes a debicar-nos as veias enquanto pairamos no sonho de estar ali sem ser vistos, metidos numa oração indizível. A barra rosa passa a laranja, ou a rosa alaranjado, a noite esvai-se e o óculo revela dois contornos mais velozes, mais rasteiros. Lobos. Assistimos a este teatro de boca literalmente aberta enquanto a manhã se impõe, agora as hastes estão visíveis na sequência da linha dos montes, “aquele é Espanha”, isso é que interessa. Outro óculo dá-nos aproximação enquanto a canção sobe de tom. Vem dali, daqui, de acolá, ouves, vem de além. Podemos saltar a margem da estrada de terra? Saltamos. Descemos um monte agora já amarelo, já visíveis, nós, iluminados pela explosão do sol. Um bramido soa diferente. É um grito mesmo, um aviso, a culpa é nossa. E há outro lobo a rondar, e fêmeas também, pequenas ao pé dos 170 quilos dos belos machos.
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| (Fotografia de Maria João Gala/GI) |
A vida selvagem é isto, veados atrás de corças, a marcar territórios, lobos atrás de veados, a ignorar territórios, e uma canção ininterrupta, minimal repetitiva, todas as madrugadas do Montesinho, manhãs dentro, até que o calor impõe o silêncio, todos os meses de setembro e outubro desde que há vida.
Cremos que é de Portugal este penedo onde pousamos o cansaço para um saboroso mata-bicho, já os únicos bramidos que se ouvem são os dos nossos estômagos desregulados pelo sono. Porque nestas terras, já aqui o escrevemos, não há fronteiras.
A nação do contrabando
Como nunca houve umas dezenas quilómetros para oeste, a 1.04 horas por estradas castelhanas, 1.11 horas pelas portuguesas, é a vida. Falamos de MOIMENTA, a de Vinhais, que não divide casario com Espanha, mas divide outro dos bens maiores: a água.
Comecemos por ela. Porque constrói a história desta aldeia peculiar e colocou Moimenta no mapa. De Portugal e de Leão e da Galiza. Porque está no cruzamento de três reinos, como estão Castromil, de Hermisende, Zamora, hoje Castela e Leão, e Cádavos, de A Mezquita, Ourense, Galiza. Montes de mãos dadas com papel firmado em 1253, quando Dom Afonso III ali veio distribuir forais e se inteirou das “questões” que opunham pastores e seus rebanhos em roda de uma fonte que só podia ser de todos mas era reclamada por cada um. Apaziguador, o rei português terá convocado os comparsas para ali acordarem um entendimento simples: nos mil metros quadrados à volta da fonte, ninguém era dono e todos podiam matar a sede no bebedouro comum. Selaram a coisa com uma merenda na FRAGA DOS TRÊS REINOS, onde estão as respetivas iniciais. Estamos a 1025 metros de altitude, está um calor infernal, já esquecemos o gelo da brama e afundamo-nos na contagiante história desta terra onde apetece ficar.
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| (Fotografia de Maria João Gala/GI) |
Vamos à Praça do Comércio. “Tinha três comércios. Vendia de tudo”, inclusive bombazina, essa que era trazida do outro lado da fronteira em troca de café, aos lotes de cinco e dez quilos em serapilheira fechada a fio de vela, porque esta terra sempre foi de todos e o comércio não podia ficar de um só lado, porque eles tinham bombazina e Portugal tinha café, eles tinham colorau e Portugal tinha televisores, eles tinham tabaco e cacau, Portugal tinha alambiques… E trocavam-se animais.
“Amarravam-se as patas do cordeiro com fio. Deixava-se num certo sítio. Vinha o rebanho português e cruzava com o espanhol e desapertava-se e lá ia com os espanhóis. Na altura davam mais 100 escudos por animal do que aqui. Aqui eram três contos. Ficava a três contos e 100.” Conta Romeu Diegues, que nos abriu as portas do MUSEU DO CONTRABANDO. Não foi por calhar, foi por ser presidente da junta, mas isso é o menos. Romeu foi guarda-fiscal. Filho de pastores. Esta terra é de pais e filhos, contrabandistas e guardas, tudo numa família, como Filomena, contrabandista com fotografia no museu, mãe de José Manuel Pinto Alves, guarda, como Romeu, filho da mãe dele, que, claro, se podia levar o café, trazia uns centavos. “Para se ser um bom guarda-fiscal é preciso ser-se um bom contrabandista”, a história o dirá.
A verdade é que esta Moimenta viveu sempre assim, um pé aqui outro lá, “não havia estrada para Bragança há 30 anos. Eram 35 quilómetros em terra batida e por Vinhais são 55. A nossa vida era toda em Espanha”. Para sair. E para casar. O filho de um vive além, a outra casou lá, vive além, o outro, da camisola de equipa campeã, também… “Moimenta está mais perto do Mundo do que o resto de Portugal”, diz-nos Amaro Gonçalves, da taberna Ribeira d’Anta, que era a ribeira que se unia ali ao Tuela, porque Moimenta está “a 15 minutos do TGV, em Gudiña”, dali a Madrid é um tiro e depois Paris, o Porto tão longe, Lisboa nem se fala.
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| (Fotografia de Maria João Gala/GI) |
E, antes disso, Moimenta era o Mundo, aldeia comunitária com fornos e moinhos, criou uma central que lhe deu luz antes de ela chegar a Vinhais, rezou na velha IGREJA MATRIZ DE SÃO PEDRO, do século XIV, cujo altar nem sequer ombreia com o outro, de esguelha evidente, vindo da capela que já se foi e é hoje casa, na dita Praça do Comércio, e benzeu e benze animais no milhadoiro que, afinal, é Largo do Toural, que era miradouro. Enfim, perderíamos aqui muito tempo se nos deixassem, até porque aqui, terra de guardas e contrabandistas, havia até a Casa das Ponecas, claro, das meninas, porque o comércio é isso, é gente a cruzar-se. Romeu, a tua família contrabandeou? Pois que antanho a gente tinha de se amanhar como podia. Era como nos MOINHOS COMUNITÁRIOS, a turbina dava luz e as pessoas pagavam consoante as lâmpadas de casa. E tinham a sua hora de tal dia para usar a água da rega comunitária e, de repente, toca o telemóvel de Romeu, AC/DC, e a cerveja no Amaro tem de ficar para outro dia. Porque as cervejas, em Moimenta, trazem água no bico, que o digam os guardas de antanho.
A nação da navalhinha
É como o mata-bicho. Arre. “Aqui em Trás-os-Montes, desde que me lembro, é normal usar a navalhinha para tudo, em casa, nas lides, para a maçãzinha” e vai daí ela sai de todos os bolsos como saiu do bolso de Nélio depois dos veados. Não há volta a dar-lhe. Como sai sempre do bolso de GILBERTO FERREIRA, que decidiu fazer caso disso e desatou a moldá-las, às navalhas.
Estamos de novo em Bragança, na Aveleda da burra que é mais famosa do que a terra, fruto de um trocadilho dos negócios de antigamente (quem quiser deve ir à Aveleda descortinar tudo isto), em que gozar com uma vendedora de carvão é levar troco, rica terra esta de mulheres com pelo na venta, e foi Gilberto quem tornou a trazer esta aqui para o mapa.
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| (Fotografia de Maria João Gala/GI) |
Tem 41 anos. Aos 21 decidiu fazer a própria navalha. “Mas não funcionou muito bem.” Foi por tentativa e erro. Até arranjar uma forja a sério, onde derrete aço carbono em lume atiçado a carvão de cepa da urze e dali tira conjuntos de lâminas que viajam em primeira classe, nas malas de chefes conceituados. Gilberto Ferreira é daqueles seres teimosos e perspicazes. Na meninice foi estudar para Bragança e deixou-se estar até perceber, aos 31, que não há nada que pague o sossego de uma aldeia no Montesinho. Mormente se a tua vida for fazer facas, apanhar hastes de veado caídas após a desmoga, aturar estrelados Michelin e fornecer-lhes a oportunidade de brilhar com uma faca artesanal numa mesa de luxo. Para que conste: um conjunto de seis facas de chefe soma 1200 euros e duas semanas de labor a olhar a natureza e a sentir-lhe essa paz que faz os transmontanos falar lento, bonito, tanto quanto o bramido de um veado crescido, daqueles com hastes acrescentadas de pontas conforme os anos (ou mais ou menos, vá, que há anos férteis que dão duas pontas).
A nação do mel
Só não sabemos o som do urso pardo, porquanto há décadas que não é visto por estas bandas, ainda que os especialistas garantam que, a prazo, estará de volta. Sabemos, só, que é guloso. E deu conta de cinco colmeias de Luís Correia, o visionário que transformou Vilarinho, Espinhosela, num centro do mel.
Nascido em Angola, regressado para o mundo perdido da mãe, naquele recanto do Montesinho, ido para a vida farta das insígnias de comércio internacional e bafejado pela visão, Luís abandonou tudo e regressou a Vilarinho e criou a APIMONTE. “A minha avó já tinha colmeias. Fui comprando. Hoje temos quase 900 colmeias. E quatro casas de alojamento local”, conta Luís, fazendo questão de nos levar mato adentro, vestidos de apicultores, conhecer-lhe a arte. Faz contas assim: 60 mil abelhas por colmeia vezes 900 dá oito toneladas de ouro num ano bom.
O diamante de Luís é o mel de castanheiro, que para sê-lo tem de ter mais de 70% de flor de castanheiro. “Este tem 89%.” Com a garantia de que não há misturas. E o urso? “Foi uma sorte.” Os 50 quilos de mel que comeu foram um privilégio. Um urso pardo da Cantábria? Só há 357 em Espanha e já não era visto em Portugal desde 1843, quando o último foi morto no Gerês. “Devia ter fome e fez-nos o favor de comer o nosso mel!” Seria mesmo um urso? “Vimos patadas.” E o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas confirmou, com pelos e excrementos. “Foi a melhor publicidade.”
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| (Fotografia de Maria João Gala/GI) |
E disso percebe Luís, o homem que chamou Ricardo Dobrões para fazer a sua mágica arte de rua nos abrigos de autocarro da aldeia. Uma arte que vale o desvio. Ricardo assina Odra Trip e é o responsável, por exemplo, pela transfiguração de Podence, em Macedo de Cavaleiros.
A nação do bem comer
A paixão pelo chão, no Montesinho, é tão inexplicável quanto o amor bramido pelos veados em cio. Explica Luís, explica Gilberto, explica Romeu e explica Jörg e Gracinda. Ele suíço, trazido a Rio de Onor por amor a uma mulher que a vida entretanto levou, ela portuguesa de Bragança, regressada da Alemanha onde se construiu, instalada em França. Claro que tinha de fazer a pergunta. “Quanto tempo é daqui a França?” “É uma meia hora…”
O filho de Jörg Baldesberger foi a última criança de Rio de Onor e já está com 24 anos, os filhos de Gracinda Veiga andam por essas idades e na vida deles, resta aos pais fazer o que gostam: servir passa repastos caseiros com o que a terra dá, comida sem carne, no PALHEIRO. Um vegetariano em Rio de Onor. Porquê? Porque sim. Ele veio da Suíça a respeitar os animais, ela nasceu vegetariana. “Detestava carne, mas era obrigada a comer.” A lasanha com acelga encheu-nos a alma, as saladas em tríptico eram divinas, a sopa de pera com gengibre, então, nem se fala. E a sobremesa, iogurte, crumble, maçã, avelãs e raspa de lima, enfim… É estranho na nação da posta comer vegetariano. Mas é alarvemente bom. E põe-nos a pensar…
E enquanto pensamos damos por nós em frente a uma toalha alva com nada em cima, apenas a vista para o castelo de Bragança iluminado e uma faca ligeira com assinatura no canto. Gilberto F. e um naco de haste de veado. O casamento está feito, estamos perante os amantes da terra. “Se eu tivesse apostado fora daqui, o retorno era outro…” Óscar Geadas, 46 anos, engenheiro do ambiente e chef Michelin desde 2018, luta todos os dias para manter uma estrela do mundo dos outros nos seus Trás-os-Montes, ele e o irmão, António, economista e escanção. Vão à televisão, vão ao Mundo, viajam com facas – sim, as de Gilberto -, mas são de uma aldeia do Montesinho, são de Trás-os-Montes, que diabos, e decidiram investir ali.
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| (Fotografia de Maria João Gala/GI) |
Pela mesa do G desfila espumante Montes Ermos a acompanhar azeite da terra com pão (haverá melhor do que azeite verdadeiro com pão a sério?) e manteiga, coscorão com carne da matança (ou com cogumelo Amanita caesaria para a Maria João que é vegetariana) e a estrela: bola de Berlim com queijo terrincho em vez de creme e azeite em pó em vez de açúcar, com presunto de porco bísaro, porque os Geadas estudaram no Algarve e as manhãs de mar com bolas eram de sonho com queijo e presunto, à verdadeiro transmontano. “Ser cozinheiro é mexer nos sentimentos.” Óscar é simples como tudo o que o diz. Lembra-se daquele puré de castanha que pôs um cliente a chorar porque era igual ao da avó. Lembra-se do nó na alma que a estrela lhe pôs, do medo de falhar. “Todos gostamos de ganhar, mas ninguém gosta de perder. Olho para a estrela como um filho. Será que vamos conseguir manter o nível?”
O vinho é do senhor Amílcar de Vidago, o corta sabores é a surpresa da noite, gaspacho de folhas verdes com algodão doce, o feijão é bragançano, o outro vinho é Valpaço-Lo-Velho e depois do longueirão vem o incrível Vale Pradinhos tinto e a seguir morangos preservados de São Pedro Velho e terminamos a dizer, Óscar e António, se tivessem apostado noutro sítio não seria isto, estes morangos e este vinho e este linguajar solto com que terminamos o repasto, um repasto que é o território, é a brama que ouvimos cedo, é a indefinição de fronteiras, é o gume perfeito da faca de Gilberto.
Ministra da Agricultura vai inaugurar sistema de telegestão da rede de rega do aproveitamento hidroagrícola da Camba
Hoje, 27 de outubro, a Ministra da Agricultura e Alimentação, Maria do Céu Antunes, vai estar em Alfândega da Fé, para inaugurar o Sistema de Telegestão da rede de rega da Barragem da Camba. Trata-se de um projeto apoiado pelo Ministério do Agricultura, ao abrigo dos Fundos Comunitários, que permitirá aos agricultores locais controlarem o sistema de rega das suas propriedades à distância e monitorizarem os seus consumos.
A implementação da telegestão vai permitir uma maior eficiência na utilização da água reduzindo consumos supérfluos e o desperdício, em cerca de 320 hectares que compõe o aproveitamento hidroagrícola da Camba, que abrange as localidades de Agrobom, Saldonha e Valpereiro. Recorde-se que, em 2021, se procedeu à reabilitação do Aproveitamento Hidroagrícola da Camba, tornando este sistema mais resiliente aos períodos de seca.
O programa da visita inclui a homologação da minuta do contrato da empreitada de construção da barragem de Gebelim e o despacho de aprovação, pela Ministra da Agricultura e da Alimentação, do projeto de execução da rede de rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Planalto Vilar Chão/Parada. Um importante investimento que arrancará em breve neste concelho e que vai permitir criar um novo perímetro de rega com cerca de 500 hectares, dando um impulso grande à produção agrícola no planalto de Vilar Chão e Parada.
O projeto de construção da barragem de Gebelim, a cargo da Junta de Agricultores do Planalto de Vilar Chão – Parada, faz parte do Plano Nacional de Regadios e foi candidatada ao PDR 2020. Trata-se de um investimento de mais de 15 milhões de euros, há muito desejado pelos agricultores deste território pela sua importância para a produção agrícola, principal atividade económica do concelho.
Festa da Cabra e do Canhoto volta a dinamizar a pequena aldeia de Cidões, concelho de vinhais
Trasgos, deusas e druidas e outras figuras fantásticas, como o diabo e o Druida, vão invadir e pintar de misticismo e magia a pequena aldeia de Cidões, no concelho de Vinhais, já no dia 4 de novembro. É a tradicional Festa da Cabra e do Canhoto, esta sim a verdadeira noite de “Halloween”.
A aldeia tem cerca de 20 habitantes e, ao longo dos anos, esta Festa foi mantida e animada unicamente com o esforço dos filhos da terra. A dimensão que adquiriu aumenta as exigências e até a profissionalização, que começa a acontecer nesta edição de 2023, mas sempre com a cooperação e a coordenação dos locais, verdadeiros zeladores das características originais e tradicionais deste evento.
A festa toma conta das ruas por onde vai passar o cortejo celta, com todas as pessoas da aldeia, o grupo de animação de Santa Maria da Feira Aninamos, onde atuam os trasgos, o Teatro Filandorra e os grupos de Gaitas de Fole e bombos Encharca o Fole e Gaiteiros de Zido. O antigo largo da Eira, é o palco principal, este ano com um espaço maior e devidamente preparado para receber os milhares de pessoas que anualmente visitam a festa. “Todos os anos recebemos mais de duas mil pessoas, acreditamos que este ano não será diferente”, refere o responsável pela organização.
A tradição é milenar e, apesar da pequena dimensão da localidade, nunca caiu no esquecimento. Nos últimos anos, graças ao trabalho da Associação Raízes d`aldeia de Cidões, a festa de forte tradição celta, ultrapassou fronteiras e é motivo para que centenas de pessoas se desloquem por uma noite a Cidões. E o que pode mudar de ano para ano, se esta é uma festa de rituais? “A capacidade de receber cada vez melhor quem vem de fora”, responde sem rodeios o Presidente da direção José Taveira.
A festa começa às 19:00h com toda a aldeia decorada com motivos celtas, velas e estrelas flamejantes. Está instalada uma tenda, para garantir espaços cobertos em caso de chuva! Há várias tasquinhas com bebidas típicas desta festividade (vinho, sangria e licores celtas) e petiscos tradicionais variados (linguiça, alheira, Caldo verde, bifanas, presunto e feijoada à Cidões). E claro, na Festa da Cabra e do Canhoto é preciso comer a cabra machorra “Infértil”, cozinhada em enormes potes de ferro na fogueira. A “cabra machorra” representa a mulher do diabo que não deu qualquer descendência “Queimamos o Diabo e comemos-lhe a mulher”, “Temos 14 cabras”, revela José Taveira, acrescentando que também não vai faltar, à descrição, “queimada, úlhaque (bebida espirituosa celta confecionada na aldeia) e café no pote com a brasa”.
Logo de seguida é hora de acender a enorme fogueira com o Canhoto, onde ao final da noite vai arder o “cabrão”, figura escultórica de sete metros de altura, construída pelos alunos e professores do Grupo Disciplinar de Educação Visual e Educação Tecnológica, do Agrupamento de Escolas D. Afonso III, de Vinhais, que também são os responsáveis pela criação de “cabrões” em miniatura.
Acende-se a estrela gigante e grupos de gaiteiros e danças celtas vão animar a festa em permanência, misturando-se com os visitantes. Este ano convidamos todos a virem vestidos com roupa celta, para se envolverem plenamente no misticismo desta original tradição. O Druida e as suas deusas fazem o esconjuro e preparam a queimada, um dos momentos altos da festa, afastando os males do corpo e da alma, invocando prosperidade, fertilidade e sorte para a “estação escura” o inverno frio que se avizinha.
Por volta das 23:00h é tempo de queimar o “cabrão” ou “bode gigante”, empurrado pelas deusas para a fogueira do Fogo Sagrado. E é a queima do bode e o repasto de cabra machora que desperta a ira do diabo que pouco mais tarde há de descer pela aldeia, em cima de um carro de bois, puxado pelos rapazes da terra. Um carro de bois com as tarraxas bem apertadas, que chia assustadoramente, torna o momento mais aterrorizador. Aqui dá-se o momento alto da noite que é a luta feroz que se vai travar entre o Druida e o diabo, este último a ser expulso da aldeia para voltar só na noite de 31 de outubro do ano seguinte. Até lá, toda a aldeia e todos os presentes estão protegidos de todos os males, inveja, azares e má sorte!
Já de madrugada, num ritual reservado aos filhos da terra, a aldeia será virada do avesso. Na Festa da Cabra e do Canhoto, nada fica como era em Cidões! Tudo melhor!
Esta festa originalmente designada de “Samhain” era a comemoração celta mais importante sendo celebrada em toda a Europa, até à sua conversão ao cristianismo. Inicia-se com esta festividade o “Ano Novo Celta” que tinha início com a estação escura, na realidade a verdadeira passagem de ano.
A Samhain é a festa dos espíritos. O lugar dos espíritos seria um espaço de felicidade ausente de dor ou fome. Cabia aos sacerdotes druidas comunicar nesse dia com os antepassados.
A celebração com a designação de “Festa de Samhain” passou a chamar-se “noite das Bruxas ou Halloween” em todo o mundo, mas em Cidões sempre “Festa da Cabra e do Canhoto”.
Convém nunca esquecer que “Quem da Cabra comer e ao Canhoto se aquecer, um ano de muita sorte irá ter!” “Cruzes Canhoto”!
Doença Hemorrágica Epizoótica está a matar bovinos da raça mirandesa e a deixar produtores preocupados
Desde Junho que há animais na região infectados com o vírus e alguns chegam mesmo a morrer. Foi o que aconteceu aos bovinos de António Granjo. O produtor tinha mais de 300 vacas, mas este número está a reduzir devido a esta doença.
“Desde o mês de Julho que começámos a notar algumas reacções nos animais, com dificuldade em andar, depois numa fase mais avançada começaram com corrimento na boca e chegam a ter sangue, deixam de comer e acabam por morrer algumas. É difícil saber exactamente quantas estão infectadas, mas deve ultrapassar os 50%. Tive algumas que morreram, penso que foram 13”, disse.
Com os animais doentes, os prejuízos são grandes. Os que não morrem, deixam de reproduzir com normalidade.
“Os animais ficam com mazelas, os próprios vitelos nascem muito pequenos, muitas vacas abortam, algumas não chegam a cobrir e outras cobrem mias tarde. As dificuldades são imensas, até porque nunca estive a dar tanta comida como agora e nota-se que elas estão a emagrecer. Isto vai ser muito complicado”, afirmou.
De acordo com o técnico e veterinário da Associação de Criadores de Bovinos de Raça Mirandesa, têm surgido muitos animais com a doença hemorrágica epizoótica. Válter Raposo explicou que o vírus se transmite através da picada de um insecto.
“Uma doença viral que é transmitida através da picada de um mosquito. Foi detectada em Portugal, a primeira vez, em Dezembro do ano passado e agora neste final do Verão surgiu em grande força, principalmente aqui na zona do planalto mirandês. O vírus afecta os cervídeos, ou seja corços e veados, e o vector mosquito é que transmite depois para os bovinos”, esclareceu.
Os sintomas são lesões na mucosa da boca, produção excessiva de saliva, coxeira, febre alta e falta de apetite. Para já ainda não há uma vacina. Segundo Válter Raposo pouco tem sido feito.
“Podemos dizer que ainda pouco ou nada se fez, tirando reportar as explorações que estão afectadas. Medidas concretas ainda não se viu nada”, vincou.
Contactámos a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária, para perceber que cuidados devem ser adoptados, mas até agora não deu qualquer resposta.
DECLARACÃO ANTIGREVE da Alice Vieira
QUE, por isso, estou contra as greves, piquetes sindicais e qualquer tipo de violência que me impeçam a livre deslocação e acesso ao meu posto de trabalho.
QUE por um exercício de coerência com esta postura, e como mostra da minha total rejeição às violações dessas liberdades,EXIJO:
1 º. QUE me seja retirado o benefício das 8 horas de trabalho diário, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a jornada de 15 horas diárias em vigor antes da injusta obtenção deste benefício.
2 º. QUE me seja retirado o benefício dos dias de descanso semanal, dado que este beneficio foi obtido, por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso de domingo a domingo.
3 º. QUE me seja retirado o benefício das férias, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso os 365 dias do ano.
4 º. QUE me seja retirado o benefício dos Subsídios de Férias e de Natal, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de receber apenas 12 salários por ano.
5 º. QUE me sejam retirados os beneficios de Licença de Maternidade, Subsídio de Casamento, Subsídio de Funeral dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência, e me seja a plicada a obrigação de trabalhar sem usufruir destes direitos.
6 º. QUE me seja retirado o benefício de Baixa Médica por doença, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar mesmo que esteja gravemente doente.
7 º. QUE me seja retirado o direito ao Subsídio de Baixa Médica e de Desemprego, dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência. Eu pagarei por qualquer assistência médica e pouparei para quando estiver desempregado/a.
8 º. E, em geral, me sejam retirados todos os beneficios obtidos por meio de greves , piquetes e violência que não estejam contemplados por escrito.
9 º. DECLARO, também, que renuncio de maneira expressa, completa e permanente a qualquer beneficio atual ou futuro que se consiga por meio da greve do dia 14 de Novembro de 2012.



















