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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

E vá lá a gente entender isto!

Por: António Pires 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

Aqui há`trasado, no final do pretérito mês de Julho, fui “birar” - como dizem os de Binhais -  a Vila Flor. Logo pela manhã, salvei o dia, por ter tido a honra de conhecer pessoalmente e tomar café com a consagradíssima, muito popular, consensual, simpática e terra – a terra, a pintora Graça Morais. 
Como na capital transmontana da cereja e da amêndoa se come muito bem, fui almoçar a um restaurante com esplanada, que já conhecia. Acabado de me sentar, apercebo-me que numa das mesas, ao longe, estava uma pessoa a quem um considerável número de clientes mendigava, euforicamente, autógrafos e selfies. Não conseguindo identificar a personagem – de costas, dava p´ra ver apenas que era meio loira, cabelo às madeixas, e usava saia curta, de pregas, botas espampanantes de salto alto e de cano até aos joelhos - , perguntei a uma comensal, que estava numa mesa perto da minha, de quem se tratava.
Estupefacta com a minha ignorância, no que diz respeito à cultura Cor – de – Rosa e do Social, observou:
 -  Não me diga que não conhece a Jacques?!”. 
Consciente da minha imperdoável “lacuna”, tentei minimizar a coisa:
- Eu conheço duas: a Jacque (line) Laurance, reputada actriz francesa, que já não está entre nós; e a violoncelista britânica, de apelido du Pré.
Visto eu não ter decifrado o enigma, a senhora, com uma paciência de santa, e não tendo alcançado a minha ironia, elucidou-me:
 - Não vê que é a Jacques Costa, ex concorrente d`A Casados Segredos, o primeiro não binário a entrar num reality show em Portugal!
Numa tentativa de salvar a face e não fazer figurinhas, replique, sarcasticamente:
- Ah, pois, tem razão! A memória é que me falhou. 
Recebido, gratuitamente, o inesperado e sempre bem – vindo banho de conhecimento/cultura geral, agradeci à minha simpática interlocutora, comi a lauta e deliciosa refeição e regressei a Bragança, tendo noção de que, a partir desse marcante episódio, nunca mais fui o mesmo. 
Não sei se resulta, mas, amigos meus, que souberam do sucedido, e que passaram pela mesma experiência, aconselharam-me a fazer uma terapia grupal, do género Alcoólicos Anónimos, que, para os meus sintomas (falta de humor, desatenção, ansiedade, perda de apetite e, entre outros, insociabilidade), seria Ignorantes do Social Anónimos.
Muitos dirão: E o que ainda está p´ra vir!
Da minha parte, cá estarei para conviver pacificamente com a diferença, com respeito, mas sempre livre das amarras e da escravidão da hipocrisia do “politicamente correcto”. 


António Pires
, natural de Vale de Frades/S. Joanico, Vimioso. 
Residente em Bragança.
Liceu Nacional de Bragança, FLUP, DRAPN.

15 de FEVEREIRO de 1974 - MDB

Miranda do Douro: Oficina ibérica de cestaria tradicional

 O Museu da Terra de Miranda, em parceria com o Ministério da Cultura de Espanha, promove uma oficina ibérica de cestaria tradicional entre 6 e 12 setembro, integrada no projeto “Trama de um processo aberto”.


Em comunicado, o museu instalado na cidade de Miranda do Douro, informa que a oficina tem como curador Mateo Feijoo e conta com o olhar e a participação de Lucia Loren, ‘designer’ criativa que, através do seu trabalho, desenvolve novas formas de fazer artesanato, envolvendo os lugares e espaços que colaboram com o projeto, neste caso com o Museu da Terra de Miranda.

“Durante a oficina serão explorados elementos da paisagem local para realizar pequenas variações, que ajudam a refletir sobre o conceito de paisagem cultural. Este projeto está inserido diretamente no mundo rural e pretende envolver os artesãos locais explorando práticas e saberes que estão em risco de extinção”, refere o museu.

Alunos da escola Secundária Emídio Garcia entraram no ensino superior com média acima de 19

 Luís Pino ingressou em Medicina na Universidade do Porto com média de 19,96 e Diana Pereira em Arquitetura na Universidade do Minho com média de 19,2.


Luis Pino e Diana Pereira, estudaram na Escola Secundária Emídio Garcia e estão agora a caminho das Universidades do Porto e do Minho. Ambos ingressaram na primeira fase de acesso ao ensino superior com as médias de 19,96 e 19,2, respectivamente.

Diana Pereira, escolheu ingressar no curso de arquitetura na Universidade do Minho, diz que não houve surpresa e que já estava à espera, uma vez que se esforçou e estudou para conseguir ingressar no curso que escolheu

 “Estudei imenso, mas não posso dizer que tenha estudado ao ponto de abdicar de outro tipo de coisas. Entrei em artes visuais, no 10º ano, mas ainda sem intenções de ir para arquitetura. O meu objetivo inicial era obter a melhor média possível para depois entrar nas opções que quisesse. Sinceramente não houve muita surpresa porque com toda a gente com quem eu falava diziam-me que a minha média era muito alta e que eu entrava de certeza”, afirma.

Já Luís Pino optou por seguir medicina na Universidade do Porto. Garante que foi sempre bom aluno e que nunca abdicou de passar tempo com os amigos e a família para estudar. 

 “A verdade é que eu sempre fui um aluno consistente e digamos que sempre fui bom aluno e foi continuar aquilo que sempre fiz. Mas também não um estudo exacerbado. Não digo que abdiquei de alguma coisa, mas tive de definir as minhas prioridades em gastar tempo com colegas e sair, passar algum tempo com a família, mas gerir com o tempo de estudo”, explica.

O jovem aspirante a medico garante que o panorama actual da medicina não o desmotiva a prosseguir a carreira de médico e olha para o futuro com optimismo

 “É inevitável não ter essa preocupação até porque, as notícias dão conta dos factos, em que, realmente, no SNS há falta de médicos mas acredito que o Estado português, mais cedo ou mais tarde, venha a dar uma reforma porque precisa de incentivar e fixar os médicos ao SNS. Eu não fiz a minha escolha tendo em conta o dinheiro que posso vir a receber, fiz a escolha tendo em conta as minhas áreas do saber que mais me intrigam e que me desafiam mais”, frisa.

Ambos os estudantes admitiram ainda que ter uma média alta lhes trouxe algumas vantagens e maior conforto. Diana começou desde cedo a procurar alojamento e Luís passou as férias um pouco mais descansado.

 “Nós ainda antes dos resultados já estávamos a ver e encontramos um apartamento que, caso eu entrasse, iria para lá. Foi complicado, em relação aos preços, porque em Guimarães é tudo muito caro. Mas, quando conseguimos arranjar foi um alívio muito grande”, explica Diana.

Já Luís afirma que “teve um verão muito mais descansado” porque a entrada no curso que escolheu “estava praticamente garantida”.

Luís Pino e Diana Pereira são dois dos alunos com a média mais alta do agrupamento de escolas Emídio Garcia, em Bragança. Ambos ingressaram em cursos e Universidades com médias altas a nível nacional. A nota do último colocado em Medicina na Universidade do Porto é  18.48 e arquitetura no Minho é 17.9

Jornalista: Cindy Tomé

Presidente da República esteve em Miranda do Douro no âmbito do Summer CEmp

 Marcelo Rebelo de Sousa esteve com cerca de 40 jovens nacionais e internacionais, no âmbito do SummerCEmp,  uma escola de Verão sobre assuntos europeus, organizada pela Representação da Comissão Europeia em Portugal. Começou esta quarta-feira e decorre até sábado.


Territórios mais periféricos da Europa, como Miranda do Douro, também fazem parte da União Europeia. Foi isso que salientou presidente da República, que marcou presença, ontem, na sétima edição da Summer CEmp que está acontecer, pela primeira vez, em Miranda do Douro. Marcelo Rebelo de Sousa esteve com os cerca de 40 jovens nacionais e internacionais e abordou os problemas da europa, política, economia, pandemia, guerra, entre muitos outros.

“A união europeia percebe que a Europa é feita de toda a Europa, não é apenas do centro, mas aquilo que se chamam as periferias quer dizer o que está mais longe, falando em Portugal, o mais interior. Mas do ponto de vista da Europa mais na periferia e Miranda do Douro é uma descoberta dupla, porque descobrem o fascínio da terra e da génese, da comida, mas uma língua que é uma das duas línguas nacionais e muitos países não têm isso”, frisou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República respondeu ainda a várias questões colocadas pelos jovens. Marcelo Rebelo de Sousa não tem dúvidas de que a geração mais nova tem noção do que se passa na Europa. “Se há coisa que, hoje, é muito evidente é que, os jovens, estão conscientes, estão preocupados, estão motivados e mobilizados e estejam em Portugal, ou lá fora, estão muito bem informados”, referiu.

Mafalda Santos trabalha na direcção geral de Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão, da Comissão Europeia, em Bruxelas. É de Castelo Branco, também Interior do país, e quis participar no SummerCEmp. “É um evento muito interessante para os nossos temas, achamos que a juventude tem muito a dizer sobre tudo  o que são assuntos sociais, empregabilidade, as competências, a igualdade no mercado laboral e por isso estamos cá para representar um bocado esses temas a apoiar tudo o que a representação da comissão europeia em Portugal está a fazer neste evento”, contou. 

O SummerCEmp é uma escola de Verão sobre assuntos europeus, organizada pela Representação da Comissão Europeia em Portugal. Começou esta quarta-feira e decorre até sábado. Sofia Moreira de Sousa, representante da Comissão Europeia em Portugal, destacou a presença cultural de Miranda do Douro. “Tem sido fantástico ter aqui connosco jovens de todo o país a conhecer a beleza de Miranda do Douro, mas a conhecer também as especificidades da região, do território, a cultura. Tivemos já ações muito interessantes, com tema da atualidade europeia, houve uma grande dinâmica positiva dos participantes, que não obstante de estarem cansados da viagem, estão muito entusiasmados e portanto é isto a Europa”, afirmou a representante.

Para a presidente da câmara, Helena Barril, é um marco importante para a cidade. “Está a ser um momento muito interessante e é um marco neste mandato. Eu posso avançar isso, com uma satisfação enorme. Ter esta iniciativa da Comissão Europeia aqui em Miranda a começar com o Presidente da República, é algo que nos deixa cheios de proa como costumamos dizer”.

O evento conta ainda com a presença do presidente do Conselho Nacional para as Migrações e Asilo e ex-Comissário Europeu, António Vitorino, hoje, e do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, amanhã.

Escrita por Brigantia 
Jornalista: Ângela País

A IDENTIDADE REGIONAL DO INTERIOR NORTE

Por: Ernesto Rodrigues
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

A descentralização «nunca estará acabada», afirmou o então primeiro-ministro em 30 de Setembro de 2023, no Seixal, na abertura do XXVI Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses. António Costa nunca falou de regionalização, como pretendem os autarcas – e, em especial, os de uma região, Trás-os-Montes e Alto Douro, que constitui um sétimo do poder camarário no Continente. 
Há uma «identidade do lugar» que a História e a Geografia definem como fronteiras, marcando «a noção de território e da diferença», segundo José Mattoso. Marão, Alvão, Cabreira e Gerês separam do Minho; o rio Douro, das Beiras. No curso internacional deste e da serra de Montesinho à do Larouco (com o Gerês, as de maior altitude no Continente, após a serra da Estrela) correm as comunidades de Castela e Leão e da Galiza.
Em tempo de D. Manuel, Trás-os-Montes é uma das seis comarcas do reino, percebida, pois, como sui generis, até hoje. A violência dos elementos – terra dura (salvo nas veigas: Chaves e trechos da Terra Quente nordestina), clima contrastante –, é «pacificada pelo trabalho imperceptível e incansável do tempo», de que resulta o «carácter intocado, “natural”, da paisagem». Em síntese de Mattoso: «Trás-os-Montes é, pois, simultaneamente, a terra da natureza intacta, das grandes violências, da energia acumulada e do “tempo longo”.» (p. 7)
As dificuldades, que outras províncias ibéricas do século V também conheceram – o bispo Idácio de Chaves conta na sua Crónica, finda em 469, como a razia das invasões bárbaras, com os Vândalos dominando a Galiza, foi acompanhada de pestes e fome, dos humanos fazendo antropófagos –, criaram formas de resistência e solidariedade, além de variedades de uso comunitário agora extintas: o boi e forno do povo, coutos e vezeira (guarda do gado por todos). A riqueza aurífera dos séculos I e II foi desaparecendo, e só a exploração do volfrâmio reanimou com a Segunda Guerra Mundial; outros minérios valem menos do que os cereais, o vinho, o azeite, a amêndoa, a castanha, os enchidos, as águas minerais, insuficientes para atrair ou reter populações, como não retiveram as indústrias da seda e linho, em Setecentos, nem as termas hispano-romanas e oitocentistas, e as muitas barragens do Douro (que sacrificaram povoações, além dos trabalhadores: ver as condições de vida destes, nos anos 50, em Telmo Ferraz, O Lodo e as Estrelas, 1960). A oliveira das baixas de Mirandela, a par de Freixo de Espada à Cinta (também com pão e vinho), é já memorada na Geografia d’Entre Douro e Minho e Trallosmontes (c. 1549), do Doutor João de Barros.      
Entendemos melhor a região de Trallosmontes à luz das três condições na definição de cultura, segundo T. S. Eliot (Notas para a Definição de Cultura, Rio de Janeiro, 1965: 16): uma «estrutura orgânica» assente em classes sociais e transmissão hereditária; a especificidade geográfica, ou «regionalismo», desembocando em «culturais locais»; a religião, com seus cultos e devoções. «O principal canal de transmissão de cultura» (p. 43) é a família, conceito que salta facilmente as paredes de um lar para formas colectivas. Assim se explicam estudos continuados sobre o romanceiro; sobre a oratura em prosa; o teatro popular; sem esquecer o disperso cancioneiro de redondilha maior, a pedir balanço, confrontadas as quinhentas densas páginas do Cancioneiro Popular Transmontano e Alto-Duriense (1966), de Guilherme Felgueiras. 
Sirva-nos o índice geral deste para entendermos, numa Europa que se pretende de regiões, esta pequena parcela. O quotidiano é de relação: com a múltipla natureza, os mundos animal e vegetal, entre galanteios e requebros, arrufos, chacota, «penas de amor», relação que fundamos em três núcleos essenciais: vida social e moral, incluindo-se, aqui, os costumes; vida material; linguagem.
Na vida social e moral, convergem bodas, baptizados, ritos fúnebres, demandas, entre outros eventos; com datas fixas, há cerimónias religiosas, festas, Entrudo, e houve o Galo do professor; constantes, não raro conjugando-se, são, por exemplo, a má-língua e o serão. Este associa transmissão em família e região. Estamos no seio da cultura intersocial. 
Esta acrescenta uma componente instrumental, um saber-fazer, na passagem à vida material: além da cultura da terra e suas técnicas, além de ofícios ou indústrias caseiras, somem-se adornos e trajes, alimentação, iluminação, etc. De tudo isto dá conta, miudamente, a leva de etnólogos, sociólogos e historiadores (também das mentalidades, da cultura, da comida). O estado de conservação seduz, para lá de paredes que ecoam “Entre quem é!”. Não menos actua a literatura, alargando o leque das potencialidades. Estas residem na linguagem, parcial repositório do que acabei de enumerar. 
O que, no tocante às línguas – entidade donde manam linguagens (lá iremos) –, tem a região de diversidade, tem de unidade em matéria de religião. Responde ao voto final de Eliot, pois, «sem uma fé comum, todos os esforços para unir mais as nações, em cultura, não poderão produzir mais do que uma ilusão de unidade» (p. 82). Esta visão medieval vazou-se em catolicismo apostólico romano, jamais imune ao paganismo de rituais festejados pelos mais crentes, a par de crendices e bruxedos, de medicina popular combatida pela Igreja e Universidade desde o século XIII, de pactos com o Diabo e tentações da carne que arrepiam serafins. Veja-se como o cónego Ochoa, que dá título (2007) a A. M. Pires Cabral, desonra a filha do feitor Querubim, Gervásia. Aproveito a personagem Herculano para dizer como se reforça a palavra da rua, a atmosfera de merenda à lareira, e, por breves histórias interpoladas, se oferece um quadro aldeão disputado entre igreja e taberna. Citei quatro lugares de eleição, em que a igreja não tem primazia. 
É extraordinário, entretanto, ver reunidas família, região e religião em dois núcleos: nos santuários, ermidas e ex-votos que pontuam a geografia; e na figura do padre-escritor, quase sempre obscuros abades vivendo do seu passal ou da côngrua.  
Santuários, ermidas e nichos devotos vêm do tempo de Panóias romanizada, coetâneos de pontes e vias romanas – reformadas em finais de Setecentos, com o provimento de fontes e novas estradas reais –, antes de chegarem os caminhos de Santiago, com que a região se transladava em romarias, feiras francas (de um ou dois dias por mês, quando não de três, na dos Santos, em Torre de Dona Chama; eram, sobretudo, de gado), e se ligava à Europa. O comboio, hesitante, veio e foi-se entre 1906 e 1992. Modernas vias, por ar e terra, não fixam gente. Entretanto, outros cultos primitivos sobrevêm, documentados nos berrões/berroas, associados ao pelourinho. Seria preciso estudar castros, antas, dólmenes, etc., face ao êxito das antigas festas do solstício de Inverno, agora recuperadas – na antropologia, na geografia, na engenharia e arquitectura, no cinema, no documentário, na ficção, nas artes plásticas, na caricatura, na fotografia. Padres houve que foram além de curas de almas e melhor organizam um imaginário, em que o santo-e-senha é Francisco Manuel Alves: se os 11 volumes (desde 2002, com um décimo segundo de índices) das Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança (1909-1947) realçam, no título, Arqueologia e História, não esquecem Bibliografia, Toponímia e demais domínios da investigação local, incluindo um par em que a região a todas sobreleva – na Língua e suas falas, e na Literatura Oral e Tradicional. 
Onde buscar, entretanto, o peso ou o sentido de região à luz do estrato cultural que é a literatura, cujo universo referencial fugidiamente descrevi? Na linguagem. Terra de duas línguas oficiais, português e mirandês, tem registados, quando não pronunciados, os falares barrosão, sendinês, guadramilês e rionorês, ou riodonorense. Quer-se mais diversidade linguística? 
Ora, é face à regra e sua reversão, à pronúncia oblíqua e seu registo, ao novidoso vocábulo, servindo um olhar de alturas e abismos a verter, que esteticamente se perfila e transmite um conjunto particular de imagens em que nos solidarizamos, seja neste chão ou nas comunidades deslocadas. O nosso mundo é «em qualquer Brasil», disse Torga, em conferência de 1948 sobre “Teixeira de Pascoaes”: «Nascemos aqui, mas nascemos desterrados, reais ou potenciais, e sempre com parte do sangue no exílio. Todos temos um irmão, um filho, um primo ou a família inteira em qualquer Brasil.» Nessa conferência, “Trás-os-Montes no Brasil”, lida no Centro Transmontano de São Paulo e no do Rio, em 14 e 16-VIII-1954 – onde surge o célebre «O universal é o local sem paredes» –, é um paradoxo notável afirmar que a «realidade sem muros», que eu traduzo em região da cultura (e, nela, de uma literatura peculiar), realidade paralela a «qualquer Brasil», era a região com mais muros e muretes: Trás-os-Montes...
História, Geografia e uma singular Cultura sobreviva (nos idiomas e suas variações, numa antropologia de quotidiano resistente e solidário) trazem identidade a um território que se prova voltado para o mundo e, desde logo, para Espanha. A emigração dos anos 60 foi uma tábua de salvação; mas 50 anos de democracia são mais do que 48 de Estado Novo e as estatísticas mostram que, entre 1960 e 2021, os 34 concelhos de Trás-os-Montes e Alto Douro (na desejada regionalização, falaremos em 40) passaram de 692 029 habitantes para 384 410, seja, de 7, 82% para 3, 74% do todo nacional. Nas eleições legislativas de 1976, Bragança elegeu cinco deputados; agora, elege três; Vila Real veio de sete para cinco. Seja, perderam-se quatro deputados, e as respectivas distritais não parecem preocupadas. 
Deixando de lado a ladainha dos serviços públicos extintos ou subtraídos; considerada, histórica e culturalmente, a singularidade de uma região objectivamente abandonada pelos sucessivos poderes e suas promessas ocas, é sensato concluir que as médias cidades da região provaram já uma invejável capacidade de governo, desde o ensino superior à segurança e qualidade de vida sustentável, em que Bragança é modelar, em termos europeus. 
Dói, todavia, que os responsáveis adiem o cumprimento da Constituição, e que a Assembleia da República, de posse de um documento fundamental do IPPS-ICTE (2019) sobre a organização do Estado e as competências dos municípios, não leia sabiamente os resultados: «A maioria dos autarcas quer a regionalização e órgãos diretamente eleitos nas regiões e áreas metropolitanas, mas não nas CIM». Percentagens: criar regiões no curto prazo defendem 77 por cento dos municípios; regiões administrativas com órgãos próprios eleitos directamente: 84 por cento. «A regionalização é uma ambição transpartidária», com 100 por cento de votos da CDU, 85 por cento do PS, 67 por cento do PSD e CDS. À pergunta se as regiões devem ser criadas no curto prazo, o litoral diz que sim (75 por cento) e o interior sobe aos 80 por cento. Perante este quadro, não se avança porquê?
Li o programa eleitoral do PS para 2022-2026, entretanto vencido em recentes eleições. Na 3.ª parte, “Desafio estratégico: desigualdades”, o capítulo V, “Coesão territorial”, promete: «Tornar o território mais coeso, mais inclusivo e mais competitivo; Corrigir as assimetrias territoriais; Atrair investimento para o interior; Diversificar e qualificar o tecido produtivo; […]; Promover a fixação de pessoas nos territórios do interior; Afirmar os territórios fronteiriços; Assegurar serviços de proximidade.» Reconhecido um «estatuto especial», garante «infraestruturas rodoviárias de proximidade, nomeadamente no âmbito do PRR», e promove «a mobilidade transfronteiriça» com «serviços de transporte a pedido», sem jamais falar da indispensável ferrovia. Não se vê como coadunar isto com a seguinte entrada: «Implementar com Espanha a Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço, no âmbito do próximo Quadro Financeiro Plurianual, reposicionando o interior de Portugal como espaço de uma nova centralidade ibérica.» Face às perdas em 50 anos de democracia, como reposicionar o Interior Norte enquanto centralidade ibérica sem a experiência da regionalização, que maiorias tão claras defendem? Porquê tresler a Constituição e travestir a regionalização em descentralização sem fim à vista?


Ernesto Rodrigues (Torre de Dona Chama, 1956) é escritor e professor universitário.

Bragança vai "𝗟𝗲𝗺𝗯𝗿𝗮𝗿 𝓐𝓭𝓻𝓲𝓪𝓷𝓸 𝓜𝓸𝓻𝓮𝓲𝓻𝓪"!

 Participe nesta iniciativa que assinala:

• O 102.º Aniversário do Nascimento do Professor
• O lançamento da 4.ª Edição do Prémio Literário da Lusofonia Professor Adriano Moreira
• A apresentação da obra vencedora da 3.ª Edição - "A Língua Portuguesa", de Fernando Cabrita.

Há, também, música, pelos alunos do Conservatório de Música e Dança de Bragança, e uma sessão de declamação de poesia, pelo Professor João Cabrita.

🔗 Programa completo AQUI.

Semana Europeia do Desporto 2024 em Vinhais! 🏃‍♀️⚽🚴‍♂️

 Entre os dias 23 e 30 de setembro de 2024, junte-se a nós numa celebração única do desporto e da atividade física! Temos uma semana repleta de eventos para todas as idades e gostos, desde hidroginástica, jogos tradicionais, aulas de fitness, caminhada noturna, entre outras!
👉 Não fique de fora! Venha participar e explore o seu espírito desportivo! Seja para se manter ativo, descobrir novas modalidades, ou simplesmente divertir-se, esta semana é para todos!

Confira o cartaz para mais detalhes sobre cada atividade. 👇

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Carrazeda de Ansiães recebe Feira da Maçã, Vinho e Azeite com boas expectativas

 O município de Carrazeda de Ansiães abre na quinta-feira e até domingo as portas da edição anual da Feira da Maçã, Vinho e Azeite com expectativas de boas colheitas, disse hoje à Lusa o autarca local, João Gonçalves.


“Há uma boa expectativa dos produtores nas três culturas, mas muito evidente neste momento na maçã e na uva. Para já, em quantidade e qualidade, deve ser um bom ano. O importante também é o volume de negócio, mas esse só mais para a frente é que se irá saber”, avançou João Gonçalves.

No ano passado, só na maçã, houve relatos de perdas entre os 80 e os 98% no concelho, devido à queda de granizo, que aconteceu por cinco vezes antes da colheita.

“No ano passado e há dois anos os produtores foram muito prejudicados pelas condições meteorológicas, com quedas de granizo que levaram a uma redução drástica nas produções. Este ano, felizmente, está a decorrer com normalidade”, constatou o presidente da câmara.

Estes três produtos que dão mote há vinte e sete edições ao certame são a base da economia local, gerando por campanha, num ano de produção normal, um valor que pode ascender aos 23 milhões de euros.

Carrazeda de Ansiães produz entre 28 a 30 mil toneladas de maçã por ano e assume-se como o maior produtor deste fruto da região de Trás-os-Montes, a 800 metros de altitude, no Planalto de Ansiães.

Os pomares são 800 dos 6.916 hectares de área agrícola daquela região. 

A vinha ocupa 2.800 hectares e contam-se 1.200 viticultores. Entre os rios Douro e Tua, é produzido vinho do Porto e vinhos com Denominação de Origem Controlada e da Região Demarcada do Douro.

Os olivais representam 1.920 hectares da área agrícola deste concelho do distrito de Bragança, com variedades de azeitona como a Cobrançosa, a Verdeal e a Madural.

“Cada vez mais, não há dificuldade no escoamento. Neste momento, os nossos produtores trabalham mais para aumentarem a competitividade das produções, também com a preocupação de encontrarem melhores mercados para venderem melhor os seus produtos”, partilhou João Gonçalves.

No total, a feira conta com 125 expositores até este domingo, 25 deles dos três produtos ex-líbris. A abertura oficial acontece quinta-feira, com a presença do ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes.

A feira, que coincide com as festas do concelho, conta com espetáculos musicais no parque municipal de exposições.

Os Wet Bed Gang abrem no dia 29 de agosto. Sexta-feira é a vez de Insert Coin e DJ Kura. Sábado canta Miguel Araújo. Nininho Vaz Maia fecha no domingo.

“Hoje em dia a nossa feira pretende mais do que só dar visibilidade à parte agrícola. Pretende dar visibilidade, divulgar e promover todas as potencialidades que o concelho tem. A vertente do turismo é cada vez mais importante para complementar as atividades económicas destes territórios”, considerou João Gonçalves, assumindo que Carrazeda de Ansiães quer captar mais visitantes ao longo de todo o ano.

TYR // MSP
Lusa/Fim

14 de MAIO de 1971 - MDB

𝑵𝒐𝒔𝒔𝒂 𝑺𝒆𝒏𝒉𝒐𝒓𝒂 𝒅𝒂 𝑺𝒆𝒓𝒓𝒂 2024

OS FIDALGOS - BRAGANÇA

Família Gomes Mena

1º ANTÓNIO GOMES MENA,natural de Bragança, cavaleiro da Ordem de
Cristo, filho de Sebastião Machado de Figueiredo.
Fidalgo-cavaleiro por alvará de 21 de Março de 1695(143).
2º ANTÓNIO GOMES MENA, natural de Bragança, filho de João Gomes de Figueiredo, fidalgo da Casa Real, neto de António Gomes Mena.
Fidalgo-cavaleiro por alvará de 9 de Agosto de 1698(144).

 Família Leal Gomes

 GASPAR LEAL GOMES, natural de Bragança, familiar do Santo Ofício e sargento-mor de Lamego.
Filho de Manuel Leal e de D. Francisca Gomes, da mesma cidade.
Neto paterno de Francisco Leal e de D. Ana Fernandes, igualmente naturais de Bragança, onde residiram.
Neto materno de Pedro Álvares e de D. Francisca Gomes, do lugar de Donai, termo de Bragança.
Foi, durante dezasseis anos, capitão das ordenanças, servindo, porvezes, de capitão c omandante e ocupando os postos de sargento-mor e de capitão-mor nas faltas dos proprietários. Como vereador mais velho, exerceu os cargos de juiz de fora e de juiz dos órfãos de Lamego.
O brasão de armas, passado a 12 de Fevereiro de 1729, tem, por diferença, uma brica de vermelho com um trifólio de oiro e está registado no livro 8º, fol. 95(145).

Família Leitão Bandeira

TOMÁS LUÍS ANTÓNIO LEITÃO BANDEIRA, cavaleiro da Ordem de Cristo, graduado em leis pela Universidade de Coimbra, opositor aos lugares de letras, natural da cidade de Bragança, onde residiu. Filho de António Gomes Leitão Bandeira, cavaleiro da Ordem de Cristo, juiz proprietário dos órfãos da mesma cidade, natural de Lisboa, e de D. Joaquina Eugénia Mariana de Campos.
Neto paterno de Inácio Gomes Leitão Bandeira e de D. Leonarda Maria de Vasconcelos.
Neto materno de João Nunes da Fonseca e de D. Margarida Antónia de Campos.
Teve por armas um escudo partido em pala: na primeira as armas dos Leitões e na segunda as dos Bandeiras. Foi-lhe passado este brasão a 16 de Novembro de 1770(146).

 Família Lopes de Morais Garrido

FRANCISCO XAVIER LOPES DE MORAIS GARRIDO, cavaleiro professo na Ordem de Cristo, monteiro-mor das vilas de Carocedo, Failde e seus distritos, natural de Bragança, onde residiu. Filho primogénito de António Lopes Alves de Morais, capitão de infantaria das ordenanças e fronteira de Trás-os-Montes, no distrito de Bragança, e de D. Isabel dos Santos de Vasconcelos Garrido.
Neto paterno de Francisco Lopes de Morais, capitão de fronteira, do mesmo distrito, e de D. Maria Fernandes da Silva.
Bisneto paterno de Simão de Sá Sarmento, cavaleiro da Ordem de Cristo, fidalgo escudeiro da Casa Real, capitão de cavalaria na guerra da Aclamação, e de D. Guiomar Teresa de Andrade, de quem era consanguíneo o general de batalha Domingos Teixeira de Andrade, que governou a província de Trás-os-Montes.
Neto materno de Bartolomeu Pires de Vasconcelos, cavaleiro da Ordem de Santiago, capitão de infantaria do partido de Trás-os-Montes, e de D. Maria Lopes Marques de Morais Garrido.
Bisneto materno de D. José Marques de Castelo Branco, fidalgo galego, filho segundo de Diogo Marques Osório, senhor de Picosacro, no reino da Galiza, e de D. Joana Rosa do Carmo e Mendonça.
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 (141) Quadros Açóricos, p. 263.
 (142) SOARES, Eduardo de Campos de Castro de Azevedo – Nobiliário da Ilha Terceira, tomo 1º, p. 36.
(143) Livro 9 das Mercês de El-Rei D. Pedro II, fol. 243 v., in Dicionário Aristocrático.
(144) Ibidem, livro 12, fol. 107, idem.
(145) MACHADO, José de Sousa – Brazões Inéditos, p. 175
(146) SANCHES DE BAENA – Arquivo Heráldico Genealógico, etc., p. 583.
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MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

Vivia numa rulote há 14 anos mas agora foi-lhe atribuída uma habitação com condições

Não vai faltar Maça “DOCE E CROCANTE” na Feira de Carrazeda de Ansiães

É num Atelier em Mirandela que surge a Arte pelas mãos de Pedro Cordeiro

Palaçoulo: Feira e chegas de touros iniciaram as festas de Nossa Senhora do Rosário

 No dia 27 de agosto iniciaram-se em Palaçoulo, os dias de festa em honra de Nossa Senhora do Rosário, com a realização da feira anual que este ano contou com a participação de artesãos locais e ao final da tarde as chegas de touros e as danças dos pauliteiros, trouxeram muitos visitantes à localidade.


A feira anual de Palaçoulo, que se realiza no dia 27 de agosto, contou com a participação de feirantes, artesãos, a exposição de tratores e a animação musical dos gaiteiros e acordeonistas locais. Outro destaque no certame foi o trabalho da comissão de festas em honra de Nossa Senhora do Rosário que disponibilizou o serviço de restaurante e take-away.

Para atrair a vinda de público a Palaçoulo, a freguesia local, em colaboração com a comissão de festas organizaram ao final da tarde, o espetáculo das chegas de touros mirandeses, um evento que foi antecedido pelas danças dos pauliteiros.

De acordo com o presidente da freguesia, Gualdino Raimundo, antigamente as chegas ou lutas de touros de raça mirandesa tiveram grande tradição na localidade, aquando da realização da feira mensal, no dia 27 de cada mês.

“As chegas de touros mirandeses já tiveram grande tradição em Palaçoulo, dado que nesta localidade existiram conceituados criadores de bovinos de raça mirandesa. No entanto, o abandono da pecuária na localidade levou inevitavelmente à perda desta tradição”, explicou.

Para sublinhar a importância deste legado cultural, em Palaçoulo, Gualdino Raimundo referiu mesmo que num antigo estandarte da mocidade, estava desenhado um touro mirandês, símbolo da bravura e força dos jovens.

“A freguesia de Palaçoulo, em conjunto com a Comissão de Festas em honra de Nossa Senhora do Rosário, decidiram voltar a organizar em 2023, as chegas de touros e pela adesão do público tem sido um grande sucesso”, disse.

Este ano, na feira de Palaçoulo, entre as centenas de aficionados das chegas de touros mirandeses, estava o vice-presidente do município, Nuno Rodrigues, que felicitou a freguesia local e a comissão de festas pela organização do evento.

“Dou os meus parabéns a Palaçoulo por recuperar esta antiga tradição das lutas de touros de raça mirandesa, um evento que promove esta nossa raça autóctone e que desperta o interesse de tantas pessoas. As chegas de touros mirandeses são por isso, uma estratégia bem sucedida para dinamizar as Festas em honra de Nossa Senhora do Rosário”, disse.


Após a realização de cinco chegas de touros, o dia festivo prosseguiu em Palaçoulo, com o jantar servido pela comissão de festas e terminou com o arraial animado pelo grupo musical Kalhambeke.

Ao longo da semana, o programa das festas em honra de Nossa Senhora do Rosário continua com outras atividades tais como os insufláveis para crianças, um karaoke, o jantar da Mulher Caramonica e a animação musical dos grupos Rumo Nordeste, HugoBand, As Band e DJ’s Electrum FT e Danion.

No dia 2 de setembro, dia grande da festa em honra de Nossa Senhora do Rosário, é efetuado o peditório pelas ruas de Palaçoulo, acompanhado pela Banda Filarmónica Mirandesa. A eucaristia e a procissão em honra de Nossa Senhora do Rosário estão agendadas para o início da tarde (14h30), na igreja matriz.

No final da celebração religiosa, a Banda Filarmónica Mirandesa oferece um concerto no Largo da praça, onde se realiza também a entrega da festa aos novos mordomos.

Este ano, a festa em honra de Nossa Senhora do Rosário encerra com o arraial animado pelos grupos Triângulo, Grupo Kapittal e os Dj’s Electrum FT e Danion.

HA

Macedo de Cavaleiros vai ter mais valência turística, o Museu dos Templários

 Macedo de Cavaleiros vai ter um novo Museu dos Templários, no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros


O presidente da Câmara de Macedo, Benjamim Rodrigues, considera que este é um tema que pode ser uma atração para os turistas:

“Vai ser criado o Museu Templário com vários elementos de prova, que não são só originários da nossa região, também doados e emprestados por outras regiões do país e penso que teremos aqui uma temática muito interessante para criar mais um motivo de visitação turística”, adiantou.

Macedo de Cavaleiros espera também poder vir a fazer o “Dias Templários” na cidade dentro de um ano, tal como aconteceu em Vinhais, este fim-de-semana.

INFORMAÇÃO CIR (Escrito por Rádio Brigantia)

A opinião dos emigrantes que visitam Portugal e as suas origens e o impacto na economia local, em Macedo de Cavaleiros

 Está quase o mês de agosto a terminar. Falar neste mês é dar destaque às férias, praia, campo, reencontro com família e amigos e claro as festas e romarias populares que animam as aldeias do concelho de Macedo de Cavaleiros.


Aproveito as festas das aldeias e acabo por desfrutar muito, acabo por ir à barragem, às piscinas e aos restaurantes da cidade, e acabo sempre por me divertir. É sempre bom voltar a Portugal, é o nosso país, as nossas origens e não há melhor do que o nosso país, contou Miriam, emigrante em França.

Volto sempre a Portugal. As minhas férias acabam no final da semana. As férias correram bem, impecáveis, em Portugal correm sempre bem. E este verão já fui a muitas festas, destacou André Sá.

Acho muito importante e espero que nunca acabem, porque se nota que as pessoas aderem cada vez menos a este tipo de festas, mas eu acho que devem continuar, disse Lisete da Silva.

Com as férias a terminar, há que fazer as malas, o que os deixa com a lágrima no canto do olho:

É porque deixo cá o meu avó e as minhas tias e vou sentir saudades durante o ano. Eu volto, mas nunca se sabe o que pode acontecer, acrescentou Miriam.

As férias correram bem, mas temos que regressar à França, disse Lisete da Silva.

E sempre uma pena deixar Portugal. Cada vez que puder venho cá, contou André Sá.

A cantora popular Joana fez muitos espetáculos em Trás-os-Montes, o que a deixa muito satisfeita:

E quase a minha segunda casa. Todos os anos, eu como artista, faço muito esta de Trás-os-Montes. É uma zona onde eu sou muito acarinhada, e por isso tenho imenso trabalho. E já é habitual.

Já a restauração em Macedo de Cavaleiros, não podia estar mais satisfeita. Este ano, as vendas superaram, os anos anteriores, como referem os empresários:

Muito melhor. Tanto servimos portugueses e estrangeiros, em igual número. Em relação ao ano passado, melhorou muito, mas contamos sempre com algumas pessoas. Este ano, melhorou um bocadinho, realçou Paulo Ribeiro, do “Cantinho do Alexandre”.

Um balanço muito positivo, estávamos com algum receio que este ano, não corresse tão bem, não viriam tantos os nossos emigrantes, por causa dos Jogos Olímpicos, e que iria ter alguma influência, mas na verdade, não se notou nada, acho que este ano veio mais gente. A nível de restauração tivemos mais gente. Na parte do hotel, tivemos lotação esgotada praticamente o mês todo, destacou Marisa Alendouro.

Foi muito superior este ano, houve mais adesão da parte dos emigrantes, e de público nacional. Osso destacar que dos últimos 5 anos, é o mais positivo. Notei muita gente do litoral, nomeadamente, Lisboa, Algarve, Alentejo, Minho e Porto. Não tenho a contabilização de quantas refeições servimos, mas foram muitas, muitas. Destes últimos 5 anos, foi o record, de fazer 15 a 16 horas, sem ter tempo para almoçar, disse Francisco Mazeda do Restaurante Mazeda.

O tempo que se fez sentir, e as altas temperaturas ajudaram a restauração local. Também se verificou a presença de turistas nacionais do litoral a procurar Trás-os-Montes para uns dias de descanso.

Escrito por Rádio ONDA LIVRE

A opinião dos comerciantes e o impacto na economia local, em Mirandela

 Com o Verão a terminar e os emigrantes a ir embora, os que cá ficam sentem a sua passagem.


Em Mirandela, é nos cafés e na restauração onde se nota mais a sua presença.

As opiniões dividem-se, como é percetível nas declarações de vários proprietários que ouvimos:

O mês de agosto até foi bom, comparado com os anos anteriores. Cerca de 80% dos emigrantes vieram, já não se gasta o que se gastava antes, cortaram um bocadinho, mas o saldo ainda foi positivo, contou um comerciante.

Sentimos que ouve uma afluência de emigrantes e mesmo sem ser emigrantes. Eu senti que houve mais gente, acrescentou mais um comerciante.

Foi notoriamente mais fraco que os verões anteriores, disse outro negociante.

O mês de julho ficou aquém das expectativas. O mês de agosto teve aquela primeira semana, que deu um impulso, mas agora segunda quinzena do mês já a começa a ficar com uma caída, realçou mais um comerciante.

Sim, a nível de emigrantes está a ser bastante bom, expôs um comerciante.

Os valores estão a ser bastante bons, dentro do tem sido nos outros anos, preferiu mais um comerciante.

Os números são bastante idênticos, e ligeiramente superiores aos do ano passado, garantiu outro comerciante.

Pelos cafés e restaurantes da cidade, o que mais se ouve é que este ano os turistas e emigrantes vieram com menos poder de compra:

Já não consomem aquilo que consumiam, já não é aquele fluxo grande nos cafés, disse um dos entrevistados.

Eu acho que há mais gente, mas com menos dinheiro, o problema é esse. Antigamente consumiam-se mais, assegurou um comerciante.

Vêm mais pobres do que nos anos anteriores, disse uma comerciante.

Nós notámos que vieram menos quantidade de pessoas e com menos tempo, assegura outra comerciante.

O mês de agosto termina e com ele se vão boa parte de clientes, deixando a esperança de para o ano voltarem, pelo menos com os mesmos hábitos de consumo.

Termina o mês de agosto, o mês de eleição para o regresso de emigrantes e turistas em grande número à região.

INFORMAÇÃO CIR (Escrito por Rádio Terra Quente)

Homem ferido com gravidade em acidente com alfaia agrícula quando apanhava amêndoa

 Um homem, com 81 anos, ficou esta quarta-feira ferido com gravidade na sequência de um acidente com uma alfaia agrícola quando apanhava amêndoa em Peredo dos Castelhanos, no concelho de Torre de Moncorvo.


De acordo com fonte dos bombeiros, o homem ter-se-á entalado num braço quando operava a alfaia. "Como toma medicamento anticoagulante, a hemorragia não estancava", explicou a mesma fonte.

Uma vez que o incidente envolve máquinas agrícolas, o protocolo prevê a ativação do helicóptero, que foi acionado e aterrou no IP", de forma a transportar a vítima ao hospital de Bragança, onde será operado.

No local estiveram sete homens dos bombeiros de Torre de Moncorvo, a ambulância de Suporte Imediato de Vida e o helicóptero do INEM.

Já em julho deste ano, um operário morreu na sequência de um acidente com um trator na aldeia de Peredo dos Castelhanos, quando lavrava oliveiras.

AGR