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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 17 de abril de 2018

A HISTÓRIA MENOR DO FUTEBOL REGIONAL

A condição do nordeste transmontano, marcada pelo despovoamento acelerado, a fragilidade do tecido empresarial e a rarefacção de actividades produtivas também tem reflexos no futebol e na capacidade competitiva das equipas que aqui vão resistindo, adiando o colapso.
Nada que não se pressentisse há décadas, quando a atracção dos litorais e da estranja nos escoou as penúltimas fontes de vida. Se em cada cidade ou vila as crianças são poucas, os jovens serão ainda menos e os adultos em condições de evoluir, com qualidade futebolística, contar-se-ão pelos dedos das mãos.
Em tempos recuados jogava-se em campos pelados, sem bancadas, nem balneários, mas o povo animava-se, mesmo quando bairrismos cegos abriam festivais de pancadaria, entendidos como momentos heróicos para contar aos netos.
Há três ou quatro décadas, alimentaram-se sonhos de chegar à alta roda das competições nacionais, quando alguns acreditaram que o futuro, que é este presente, teria outra solidez económica e populacional. Os campos passaram a estádios, a relva permitiu outra qualidade do jogo, mas os clubes do distrito foram ficando nas divisões inferiores ou para lá caíram paulatinamente, sem sinais de que o processo possa ser revertido.
O último exemplo é a descida do Grupo Desportivo de Bragança para a competição distrital, quase meio século depois de ter ensaiado outros voos. Dir-se-á que daí não vem mal ao mundo, até porque há outros distritos cujas capitais não têm, há muito tempo, clubes a disputar campeonatos de nível nacional e o futebol não é essencial. Ainda por cima, hoje o espectáculo da bola está disponível a toda a hora, com protagonistas que se tornam semi-deuses, reduzindo as equipas locais a grupos de rapazes simpáticos, mas pouco empolgantes. Poucos estarão para se sujeitar ao frio e à chuva num jogo de quarta divisão, quando podem comodamente  apreciar grandes eventos de nível mundial.
Mas o futebol pode ser um factor de atracção, com significado no tecido económico do território, nomeadamente num turismo regular, desde que haja equipas que marquem presença sólida em competições de envergadura. O exemplo do Desportivo de Chaves merece a consideração de todo o interior.
Não é possível replicar Chaves em dezenas de cidades de pequena dimensão, mas se, também no futebol, houvesse sentido estratégico e coesão, poderíamos imaginar a conjugação de esforços autárquicos, empresariais e das comunidades no sentido de concentrar atenções num ou dois clubes da região, que se tornariam verdadeiras marcas, com o objectivo de ascender e permanecer nos níveis mais altos, em vez de alimentar ambições de capelinhas que nunca terão viabilidade no futuro, próximo ou longínquo.
Quanto mais divididos, mais insignificantes e, por isso, condenados à extinção.
Uma coisa é a função social desportiva, onde clubes e associações podem dar contributos para a qualidade de vida das populações e outra, bem diferente, seria a possibilidade de a região dispor de uma marca prestigiada que semanalmente fosse objecto da atenção de milhões.


Teófilo Vaz
in:jornalnordeste.com

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