Por uma questão de justiça intelectual e com o intuito de reparar o lapso para o qual fui chamado à atenção por alguns leitores/participantes, proponho-me abordar de forma sucinta, outra categoria de estabelecimentos que igualmente marcaram de forma indelével o nosso crescimento comum. Obviamente que irei falar dos PUB/Bars, locais que se caracterizavam por acolherem os clientes mais para o fim da noite e, amiúde, até ao raiar do dia. Era neste período que as conversas se arrastavam lenta e infinitamente e em que se efabulavam as mais incríveis e delirantes quimeras da vida.
Assim, irei começar pelo Nandus, que me parece o mais antigo de todos. Situado numa pequena elevação, no lugar de S. Lourenço, junto à atual rotunda do Nerba, este acolhedor estabelecimento foi palco de longas e inúmeras noites do pessoal da minha geração. Para lá chegarmos, umas vezes íamos à boleia, pois carros ainda havia poucos, outras vezes íamos a pé. O ideal, porém, era irmos de carro e regressarmos a pé, já de dia. A ida a este PUB, porém, tinha um senão: as rusgas da polícia, com a justificação de que a licença não permitia o prolongamento do horário e quando isto ocorria, ficava a noite estragada. Relativamente ao meu grupo acontecia um facto curioso: algumas vezes, indo a caminho do Nandus, não chegávamos lá. Ficávamos ali pelas Cantarias, num certo tasco, a jogar infinitas cartadas, e também com visitas policiais.
Depois surgiu o Feeling, situado em Vale de Álvaro, jugo que onde existe atualmente o Café Terminus. Era um espaço agradável, calminho e bom para conversas mais intimistas. Talvez por isso, não recordo nenhum facto digno de relevância adicional.
Nessa altura surgiu também o Mosca Bar, situado na zona da Mosca, já no início da reta de Rebordãos. Igualmente um local de “desoras”, próprio para terminar em beleza.
Finalmente, o Pereira. Situado na Estrada de Vinhais, já fora do perímetro urbano, este estabelecimento foi o destino diário de notívagos, que desejavam terminar a noite em prontidão absoluta. Na realidade, além de um belo piano, o Pereira servia umas excelentes feijoadas, caldo verde e outros petiscos, o que era um apelo irrecusável para o pessoal, cujo estômago já reclamava algo há muito tempo. Devido a essa valência, tornou-se um destino quase obrigatório para quem que saía para beber uns copos.
Parece-me igualmente importante evocar outro estabelecimento com características únicas, este situado no centro histórico de Bragança, na Rua Oróbio de Castro – o Bar Demetal. Este era um espaço vocacionada para o rock da pesada, que aglutinava muita gente. Bom ambiente, na minha perspetiva, claro.
Espero, através deste passeio nostálgico, ter contribuído para evocar a nossa memória coletiva, na convicção de que a nossa maneira de enfrentar aqueles dias, por vezes difíceis, foi fulcral para uma vivência consciente e sadia de uma geração também ela muito especial.

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