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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Uma Geração sem Preconceitos II


 Por uma questão de justiça intelectual e com o intuito de reparar o lapso para o qual fui chamado à atenção por alguns leitores/participantes, proponho-me abordar de forma sucinta, outra categoria de estabelecimentos que igualmente marcaram de forma indelével o nosso crescimento comum. Obviamente que irei falar dos PUB/Bars, locais que se caracterizavam por acolherem os clientes mais para o fim da noite e, amiúde, até ao raiar do dia. Era neste período que as conversas se arrastavam lenta e infinitamente e em que se efabulavam as mais incríveis e delirantes quimeras da vida.

Assim, irei começar pelo Nandus, que me parece o mais antigo de todos. Situado numa pequena elevação, no lugar de S. Lourenço, junto à atual rotunda do Nerba, este acolhedor estabelecimento foi palco de longas e inúmeras noites do pessoal da minha geração. Para lá chegarmos, umas vezes íamos à boleia, pois carros ainda havia poucos, outras vezes íamos a pé. O ideal, porém, era irmos de carro e regressarmos a pé, já de dia. A ida a este PUB, porém, tinha um senão: as rusgas da polícia, com a justificação de que a licença não permitia o prolongamento do horário e quando isto ocorria, ficava a noite estragada. Relativamente ao meu grupo acontecia um facto curioso: algumas vezes, indo a caminho do Nandus, não chegávamos lá. Ficávamos ali pelas Cantarias, num certo tasco, a jogar infinitas cartadas, e também com visitas policiais.

Depois surgiu o Feeling, situado em Vale de Álvaro, jugo que onde existe atualmente o Café Terminus. Era um espaço agradável, calminho e bom para conversas mais intimistas. Talvez por isso, não recordo nenhum facto digno de relevância adicional.

Nessa altura surgiu também o Mosca Bar, situado na zona da Mosca, já no início da reta de Rebordãos. Igualmente um local de “desoras”, próprio para terminar em beleza.

Finalmente, o Pereira. Situado na Estrada de Vinhais, já fora do perímetro urbano, este estabelecimento foi o destino diário de notívagos, que desejavam terminar a noite em prontidão absoluta. Na realidade, além de um belo piano, o Pereira servia umas excelentes feijoadas, caldo verde e outros petiscos, o que era um apelo irrecusável para o pessoal, cujo estômago já reclamava algo há muito tempo. Devido a essa valência, tornou-se um destino quase obrigatório para quem que saía para beber uns copos.

Parece-me igualmente importante evocar outro estabelecimento com características únicas, este situado no centro histórico de Bragança, na Rua Oróbio de Castro – o Bar Demetal. Este era um espaço vocacionada para o rock da pesada, que aglutinava muita gente. Bom ambiente, na minha perspetiva, claro.

Espero, através deste passeio nostálgico, ter contribuído para evocar a nossa memória coletiva, na convicção de que a nossa maneira de enfrentar aqueles dias, por vezes difíceis, foi fulcral para uma vivência consciente e sadia de uma geração também ela muito especial.

Manuel Carlos Dias Morais

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