Os agricultores fustigados pelos incêndios do verão passado em Freixo de Espada à Cinta já receberam cerca de 1,2 milhões de euros de apoios, segundo avançou o presidente da câmara Nuno Ferreira, á margem da abertura da Feira das Amendoeiras em Flor, este fim de semana. Mas de acordo com o autarca, os prejuízos são muito superiores ao valor já recebido por parte do Estado. “O concelho foi fustigado nos incêndios com mais de 12 mil hectares de área ardida. E na parte agrícola somamos mais de 4 milhões de euros de prejuízos. Até ao momento, no que diz respeito do lado do município cumprimos com tudo, submetemos as candidaturas todas, foram mais de 300 candidaturas que foram submetidas. Até 10 mil euros foram 230 candidaturas. O que acontece neste momento é que sim foi já pago 1,2 milhões de euros, mas aquilo que esperamos é que possam cumprir ainda com o montante que ainda tem que ser ressarcido para fazer face às dificuldades que os agricultores têm.
A CCDR-Norte tem estado no terreno com os técnicos a visitar os locais que foram afetados e a confirmar a sua veracidade. Nuno Ferreira defende que deveria ser distribuída uma bonificação aos agricultores consoante os rendimentos que obtiveram anteriormente neste setor. “Deviam dar uma majoração durante 3 a 5 anos para eles se poderem reerguer e não perderem a mão-de-obra, nem o trabalho que é necessário e fulcral para o desenvolvimento do nosso concelho e sobretudo naquilo que é o interior do país”, explicou.
O vice-presidente da CCDR-Norte, Paulo Ramalho, também marcou presença na cerimónia de abertura, onde salientou que o Governo, desde o dia 1 de setembro até à quinta-feira passada, “já apoiou mais de 2.600 agricultores, até 10 mil euros”. Reforçou ainda que os três principais municípios fustigados pelos incêndios rurais foram Penedono, Sernancelhe e Freixo de Espada à Cinta e que sobre este último “faltam pagar poucos apoios, pouco mais de 20, que estão ainda numa fase final de vistoria”, explicou.
Sobre o incêndio, que ocorreu a 15 de agosto, o autarca recordou ainda o atraso dos meios para o combate ao fogo. “O que não admito é que Freixo é muitas vezes penalizado por fazer parte do Parque Natural do Douro Internacional. Na hora da verdade, precisamos de meios para combater esse mesmo flagelo que foi o incêndio. Não foi porque estávamos no parque, que os meios chegaram de forma mais rápida”, frisou. “Eu bem me recordo da chamada que fiz para o secretário de Estado da Proteção Civil pelas 14h30 e ele só me devolveu a chamada às 7 da noite, quando já tinha ardido mais de 6.000 ou 8.000 hectares”, recordou.
Defendeu ainda mais penalizações para os incendiários e para quem não faz a correta limpeza dos terrenos como obriga a lei.

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