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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

O Coração da Fonte Velha


 Diz-se que no coração dos montes que rodeiam Bragança existia uma aldeia tão pequena que raramente aparecia nos mapas. Chamava-se Fonte Velha, porque no centro da praça repousava uma nascente muito antiga de água cristalina, guardada por gerações como se fosse um tesouro.

Os poucos habitantes, de rostos marcados pelo tempo, eram gentes de mãos calejadas, mas de coração aberto. As casas, feitas de pedra e madeira, pareciam esconder histórias que poucos queriam contar.

Entre eles vivia o senhor Alberto, um homem de quem ninguém sabia a idade. Homem de barba branca e olhos serenos. Costumava sentar-se junto à fonte com o seu cajado e contava histórias às crianças, contos de lobos que falavam, de mouras encantadas que apareciam nas noites de luar, e de pastores que, guiados pelas estrelas, encontravam sempre o caminho de volta para casa.

Certa vez, numa noite de Inverno em que a neve cobriu a aldeia como um manto, a fonte começou a secar. O murmúrio da água calou-se, e os habitantes ficaram inquietos. Sem aquela nascente, não haveria vida na aldeia.

Foi então que o senhor Alberto, com a paciência de quem escuta a alma das pedras, pediu às crianças que o acompanhassem. “As fontes”, dizia ele, “não secam de repente. Às vezes, apenas adormecem à espera de um gesto de ternura.”

Guiados pela lua, subiram até ao sopé do monte, onde as lendas diziam que vivia uma moura de olhos azuis e esverdeados. As crianças, com coragem e inocência, cantaram canções antigas que as suas avós lhes tinham ensinado. E, segundo se conta, a moura apareceu, a sorrir. Disse que a fonte tinha adormecido porque já não ouvia histórias, já não sentia o calor das vozes humanas.

Na manhã seguinte, quando regressaram, a água corria novamente, límpida e fresca, como se fosse o coração da própria aldeia.

A partir desse dia, todas as noites havia gente que se juntava no largo da aldeia para contar uma história. Podia ser um conto inventado, como este, uma memória antiga ou até uma simples canção de embalar. E a Fonte Velha nunca mais deixou de correr, porque descobriu que o segredo da sua nascente estava na ternura das vozes que a rodeavam.

Ainda hoje, quem por lá passa, garante ouvir no som do correr da água os risos das crianças e as histórias que o tempo nunca apagou.

… Precisamos, ainda hoje, de ouvir as vozes que podem manter a água a correr nas fontes, em todas as fontes da vida…

HM
13 de Maio de 2026

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