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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Aumento da vespa das galhas poderá afetar produção de castanha em Bragança

 Os produtores apontam para quebras até aos 70%, se o cenário não melhorar.  Praga é originária da China e instalou-se em Trás-os-Montes há quase uma década


A vespa das galhas do castanheiro está novamente a preocupar os produtores em  Bragança. A praga instala-se nos gomos dos castanheiros, formando galhas que impedem o desenvolvimento normal da árvore e reduzem a produção de castanha.

Este ano, em algumas zonas, os agricultores falam mesmo num aumento “fora do normal”. Manuel Fernandes, produtor com cerca de 30 hectares de soutos, no Parâmio, uma das zonas amais afetadas no concelho, não tem dúvidas de que a situação se agravou. “Este ano tem-se visto muito mais do que nos outros anos. De ano para ano tem aumentado, mas este ano é uma coisa fora do normal. Os castanheiros estão terríveis”, lamenta.

Não há cura para esta praga, apenas é controlada através de largadas do parasitoide Torymus sinensis, que se instala no castanheiro e alimenta-se da vespa. As largadas estão a cargo do Centro de Competências do Instituto Politécnico de Bragança e, até este momento, segundo o investigador do IPB, Albino Bento, já foram realizadas cerca de 100 largadas.

O agricultor considera que as largadas do parasitoide utilizado no combate à praga continuam a ser insuficientes. “Quando se fala em 10 largadas para uma freguesia inteira, eu acho pouco. Em Espanha, em aldeias muito mais pequenas, chegaram a fazer mais de 100 largadas no primeiro ano e continuam todos os anos com dezenas delas”, afirma.

Apesar de reconhecer que a eficácia depende também da capacidade de instalação do parasitoide, acredita que “quanto mais largadas houver, melhor será o combate”.

A preocupação maior está agora nos efeitos na produção. “Isto pode afetar até 70% da produção. Onde devia estar a sair a flor do castanheiro, está a sair a vespa”, explica.

Na freguesia de Espinhosela, a realidade é diferente. O presidente da Junta de Freguesia, Octávio Reis, admite que existem zonas mais afetadas, mas considera que o problema está atualmente mais moderado. “Já tivemos anos com ataques muito mais fortes. Neste momento está mais ou menos controlado”, refere.

Segundo o autarca, a solução passa exclusivamente pelo controlo biológico. “Nós não podemos fazer nada diretamente. Quem tem de atuar é o parasitoide e o importante é que ele se consiga instalar”, explica.

Nos primeiros anos, as taxas de instalação foram praticamente nulas, mas os resultados mais recentes deixam agora melhores perspetivas. “Este ano foram previstas 10 largadas para a freguesia e os pontos mais críticos foram sinalizados pela Junta para se atuar nesses locais”, acrescenta.

Octávio Reis lembra ainda que os produtores estão hoje mais informados sobre a praga e já conseguem identificar facilmente os locais onde foram feitas largadas.

Ainda assim, admite que os prejuízos continuam a sentir-se na produção. “Já tivemos anos em que a produção caiu mais de 50%. Mas também há influência do clima, por isso nem sempre é fácil perceber o que resulta diretamente da vespa”, aponta.

O investigador do IPB, Albino Bento, explica que a vespa das galhas do castanheiro é uma praga originária da China, detetada em Portugal em 2014 e que ganhou maior expressão em Trás-os-Montes a partir de 2018.

Trata-se de um inseto com uma “enorme” capacidade de reprodução. “Não existem machos. As fêmeas reproduzem-se sozinhas e cada uma pode pôr mais de 100 ovos”, explica.

O especialista esclarece que não existe um combate químico eficaz. “A praga desenvolve-se dentro das galhas e os produtos químicos não conseguem atingi-la”, sublinha. Por isso, o combate faz-se através do Torymus sinensis.

Albino Bento garante que o parasitoide já está instalado em praticamente todo o território afetado. “O que acontece é que há zonas onde o controlo funciona melhor e outras onde demora mais tempo”, refere, porque é preciso atingir um controlo biológico.

“Nos primeiros anos, entre 2018 e 2020, as taxas de parasitismo instalou-se em todo lado, portanto 100% de instalação do Torymus sinensis, isso é um facto, é um parasitário que funciona muito bem. Numa fase inicial as taxas de parasitismo eram muito razoáveis face àquilo que se via tanto em Itália e noutros países, mas estávamos a falar 4% do parasitismo. Desde 2020/2021, as taxas de parasitismo que temos são muito elevadas. E aquilo que nós assistimos é, em algumas freguesias ou em algumas zonas de freguesias temos ataques elevados, noutras zonas temos ataques muito baixos por atuação do Torymus sinensis. Por exemplo, chegamos aqui a Samil, São Pedro, Parada, o ataque é muito reduzido. Se chegarmos a Espinhosela, o ataque este ano é bem menor do que o ano passado, mas há outros sítios que o ataque continua relativamente elevado, como é o caso de Parâmios, Salsas, aquela zona ali de Freixeda”, aponta.

Mesmo assim, Albino Bento rejeita a ideia de que mais largadas signifiquem necessariamente maior eficácia. “Anteriormente, fizemos ensaios com diferentes números de largadas e não tivemos resultados melhores nos locais onde se fizeram mais”, revelou, frisando que “estamos a falar de insetos, é controlo biológico e como organismos vivos funcionam melhor numas zonas e piores noutras”, remata.

Segundo o especialista, fatores climáticos e ambientais influenciam o sucesso do parasitoide. Ainda assim, considera importante manter largadas de reforço nos locais mais afetados. “A vespa veio para ficar. Vamos ter anos com mais ataque e outros com menos. O objetivo é evitar que atinja níveis de prejuízo muito elevados”, conclui.

O investigador apontou que os concelhos mais afetados do distrito, para já, são Bragança, Vinhais e Macedo de Cavaleiros.

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