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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 12 de maio de 2026

JULGAMENTO DO EX-PADRE DE MURÇA DECORRE À PORTA FECHADA NO TRIBUNAL DE VILA REAL

 O julgamento de Humberto Gama, antigo sacerdote conhecido durante décadas como “padre Gama”, arrancou esta terça-feira no Tribunal de Vila Real, à porta fechada, por decisão do coletivo de juízes responsável pelo processo, devido à natureza dos crimes em causa, entre os quais violação e coação sexual.


O arguido, de 82 anos, responde perante a justiça por um conjunto de crimes graves alegadamente praticados sob o pretexto de rituais de exorcismo. Além de um crime de violação agravada e um crime de coação sexual, Humberto Gama está também acusado da prática, em concurso real, de um crime de burla qualificada e de usurpação de funções na forma continuada.

Antes de entrar no tribunal, o ex-sacerdote confirmou aos jornalistas que iria prestar declarações logo no início da audiência.

O caso remonta a dezembro de 2021, quando o antigo padre foi detido pela Polícia Judiciária por suspeitas de violação de uma mulher de 47 anos. Após ser presente a primeiro interrogatório judicial, ficou em prisão preventiva, medida de coação que viria a ser revogada em abril de 2022, tendo passado desde então a aguardar julgamento em liberdade.

Segundo a acusação do Ministério Público, Humberto Gama terá continuado, durante décadas, a apresentar-se publicamente como sacerdote e exorcista, apesar de ter sido excomungado pela Igreja Católica em 1979. A investigação sustenta que o arguido recorria à autoridade espiritual e religiosa que ainda mantinha junto de seguidores para exercer influência sobre pessoas em situação de fragilidade emocional e psicológica.

O processo centra-se numa denúncia apresentada por uma mulher que acusa o antigo sacerdote de a ter violado durante uma alegada sessão de exorcismo realizada em Murça. De acordo com o Ministério Público, o arguido terá usado práticas de manipulação espiritual para controlar a vítima e criar um contexto de submissão psicológica.

A dimensão mediática do julgamento intensificou-se devido ao histórico controverso do chamado “padre Gama”, figura amplamente conhecida em Trás-os-Montes pelas alegadas práticas de cura espiritual, exorcismos e aconselhamento religioso fora da estrutura oficial da Igreja Católica.

A excomunhão decretada em 1979 constituiu, à época, uma decisão rara e de forte impacto público. Ainda assim, Humberto Gama continuou ao longo de décadas a receber pessoas que o procuravam em busca de respostas para problemas de saúde, perturbações emocionais e fenómenos considerados sobrenaturais.

O julgamento prossegue no Tribunal de Vila Real ao longo das próximas semanas e deverá ouvir várias testemunhas e intervenientes processuais. A segunda sessão está já agendada para 19 de maio.

O caso volta a colocar sob escrutínio temas como a manipulação espiritual, o abuso de confiança em contextos religiosos e a vulnerabilidade de pessoas em situações de fragilidade emocional, num processo que promete continuar a gerar forte atenção pública e mediática.

A Redação
Foto: DR

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