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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Nordeste Vivo prepara novas ações após primeira sessão de esclarecimento sobre megaprojetos energéticos

 A Plataforma Nordeste Vivo admitiu avançar com providências cautelares e apresentar novas participações ao Ministério Público, na sequência da primeira sessão pública de esclarecimento, realizada em Mogadouro. 


O encontro reuniu cerca de 50 pessoas e, segundo José Jambas, um dos promotores e fundadores do movimento, permitiu confirmar que a população desconhece a verdadeira dimensão dos projetos de energias renováveis previstos para o Nordeste Transmontano. “A maior parte das pessoas que estavam presentes não sabiam do que estava a acontecer. O que tentámos fazer foi elucidar às pessoas da dimensão dos projetos. E devo dizer que, de facto, a dimensão é de tal ordem que entre os que estão construídos e aqueles que estão aprovados, a mancha contínua já ultrapassa os 1500 hectares. Para quem conhece o Planalto Mirandês, desde o cruzamento de Tó, no IC5, até Santiago, todo o lado esquerdo, quem se desloca de Miranda para Mogadouro, ficará coberto de painéis solares. Portanto, a área ultrapassa os 1500 hectares”.

Já em Miranda do Douro, as preocupações centram-se no projeto de hibridização promovido pela Engie, que prevê a instalação de 35 aerogeradores. “São torres com 200 metros de altura, basicamente será um edifício de 66 andares, será mais de metade da Torre Eiffel, isto para que tenhamos ideia do impacto visual”.

Uma das críticas prende-se com a ocupação de solos agrícolas. Segundo José Jambas, os próprios estudos de impacto ambiental apresentados pelos promotores demonstram que centenas de hectares atualmente destinados à produção agrícola deixarão de cumprir essa função. Por exemplo, o Mogadouro 1, que é um dos parques fotovoltaicos já aprovados, tem 293 hectares. De culturas temporárias de sequeiro são 173 hectares. Portanto, veja-se o que é que está a ser ocupado. São áreas que durante 30 anos vão estar completamente sem cultivar. Durante este tempo não vão produzir. E depois vamos ver o que é que vai acontecer, porque até lá seguramente se irá inventar outra tecnologia ou será melhorada, o que é que vai acontecer a este lixo todo? Mas o que é verdadeiramente preocupante são as áreas significativas de solo fértil que são cobertas”.

E diz que o turismo também pode sair muito prejudicado. “É claro que o turista que procura Nordeste Transmontano não vem para ver painéis solares, obviamente. Vem à procura de paisagens fantásticas que temos, lameiros tradicionais, vaca mirandesa, vem provar o nosso vinho, a nossa posta mirandesa. Estamos a falar de parques fotovoltaicos. Quando começarem a surgir na paisagem aerogeradoras, o problema ainda será mais grave”.

Apesar das críticas, José Jambas sublinhou que a Plataforma Nordeste Vivo não é contra a produção de energia renovável, mas não nestes “moldes”. Ou seja, primeiro devem ser ocupados os telhados dos edifícios públicos e privados, as zonas industriais, os parques de estacionamento, os separadores centrais das autoestradas, as linhas férreas e outras infraestruturas já existentes. Só depois faria sentido pensar noutros espaços para a instalação destes projetos, mas nunca em solos agrícolas ou florestais.

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